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GOVTECH: A PRÓXIMA GRANDE ONDA DA ECONOMIA DIGITAL

Com previsão de atingir um valuation trilionário até 2025, o mercado de tecnologias para o governo está muito perto de se tornar um dos setores digitais mais importantes do mundo, criando novos e melhores serviços públicos.

Mesmo na era digital, usar serviços governamentais online pode ser como entrar em uma máquina do tempo. A administração pública, em especial nas cidades, ainda opera na dependência do papel e do trabalho manual.

A maioria das prefeituras ainda luta para oferecer serviços digitais atraentes.

Os governos parecem estar se concentrando em disponibilizar serviços digitais em série, em vez de focar na conveniência para a população. Combine isso ao fato de que os cidadãos estão exigindo mais transparência no processo.

O resultado é um panorama ainda ineficiente e excessivamente burocrático.

São muitas etapas e pessoas envolvidas em serviços que poderiam ser autônomos e rápidos. O servidor público cumpriria seu papel focando em atividades complexas, menos operacionais.

O Mapa do Governo Digital, publicado pelo Ministério da Economia com o Banco da América Latina (CAF), apresenta o panorama da evolução da maturidade digital dos municípios brasileiros.

95% dos gestores públicos disseram que a oferta digital foi ampliada. E entre as principais motivações para a transformação digital foram apontadas a necessidade de melhorar os serviços aos cidadãos e a reduzir os custos de operação.

Houve um crescimento significativo no acesso a serviços online, emissão de certidões, alvarás e outros documentos que antes eram disponibilizados aos cidadãos de forma física e presencial.

Outra pesquisa — do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) — mostrou que 86% dos brasileiros ouvidos já se sentem adaptados à vida online e 95% têm acesso à internet a partir do celular.

A adesão de sistemas que permitem o acesso do cidadão colocou o país como líder em governo digital, segundo o Banco Mundial. Entre 198 países, o Brasil ficou em segundo lugar no Índice GovTech Maturity Index 2022.

Mas no primeiro ponto de conexão com os cidadãos — as prefeituras — o Mapa do Governo Digital revela que apenas um de cada cinco municípios pesquisados possui uma estratégia de transformação digital.

Essa lacuna começou a ser preenchida. Gestores públicos estão reconhecendo os muitos benefícios de usar soluções de empresas privadas que podem facilitar a entrega de serviços públicos.

Ambiente favorável

O mercado de tecnologias para o governo está muito perto de se tornar um dos setores digitais mais importantes da economia global, criando novos e melhores serviços públicos.

Segundo a consultoria inglesa Publica, o mercado govtech deve atingir um valuation trilionário até 2025, abaixo apenas do segmento Business to Consumer (B2C), avaliado em US$ 6,37 trilhões.

No Brasil já não dá para dizer que o ambiente regulatório é um entrave.

A Lei do Governo Digital, a Nova Lei de Licitações e o Marco Legal das Startups são as legislações em vigor que favorecem a contratação de inovação pelo governo. Isso reforça a convicção de que o próximo ano deve ser ainda mais positivo.

As empresas de Saas — que oferecem software como serviço — para o governo podem resolver as necessidades governamentais de maneira mais barata e rápida.

Esse cenário permite que os governos adotem tecnologia que já está disponível e se mantém atualizada, armazenada tudo na nuvem. Ao mesmo tempo, a nuvem possibilita aos empreendedores trabalhar com grandes conjuntos de dados, muito úteis no setor governamental.

Atualmente, 80 govtechs brasileiras vendem de maneira consistente para governos ou atuam em parcerias com o setor público de forma recorrente.

Um estudo do BrazilLab em parceria com o CAF confirma que o Brasil é o país da América Latina com o maior número de startups govtech vendendo para o governo.

E das 13 mil startups existentes no país, 1.500 teriam potencial para atuação no mercado Business to Government (B2G), caso desejassem ofertar suas soluções tecnológicas para os governos.

Transformar a América Latina em um continente digital, referência global em serviços públicos autônomos e eficientes nos próximos dez anos, é uma possibilidade mais real que nunca.

AUTOR: Marco Antonio Zanatta -Arquiteto, fundador e CEO da Aprova Digital, considerada a ferramenta oficial para tramitação digital e online
de processos em órgãos públicos. Lidera uma equipe com 75 colaboradores que ampliou a eficiência governamental e já ancorou a economia 
de R$ 50 milhões dos cofres públicos em 70 cidades brasileiras. UX, especialista em Processos Industriais e Regulamentos, gerencia Estratégia,
Vendas e Relações com Investidores. Atualmente é presidente do Comitê de Desburocratização do Sinduscon Paraná-Oeste e atuou como arquiteto 
Sênior na Aba Arquitetura e Construções por quase cinco anos. Possui MBA em Construções Sustentáveis, Ciência e Tecnologia da Arquitetura na USP, 
foi aluno no programa de extensão em Arquitetura da Temple University na Filadélfia e graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Assis Gurgacz.

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