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ESTACIONAMENTOS GANHAM PROTAGONISMO AO PENSAR A MOBILIDADE NOS GRANDES EVENTOS

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Financiamento de veículos cresce 12,8% no trimestre
Crédito: Banco de imagem

Quando bem estruturados, ajudam a evitar congestionamentos e tornam a chegada e a saída dos eventos mais organizadas

Quando se fala em grandes eventos como o Lollapalooza ou o Rock in Rio, a experiência do público vai muito além das atrações no palco. O deslocamento até o local e a logística de acesso são fatores que impactam diretamente a percepção do evento. Ou você, caro leitor, não vai dizer que a primeira coisa que pensa ao ir a um evento de grande porte é: “Mas como eu vou?”. Posso dizer que o estacionamento é parte fundamental da jornada dos espectadores. Quando bem estruturado e integrado à operação, os pátios se tornam um “agente facilitador”, que considero essencial nesse contexto.

Não se trata apenas de uma questão de conveniência. Estudos mostram que motoristas gastam entre 10 e 30 minutos procurando vagas, o que gera 30% do tráfego urbano em áreas congestionadas – como revelou a empresa espanhola Urbiotica. Em um ano, esse tempo perdido pode chegar a 100 horas por motorista, equivalente a mais de quatro dias inteiros. Em eventos, onde a concentração de veículos é exponencial, a falta de gestão adequada amplifica esses números. O resultado? O entorno se transforma em um verdadeiro caos.

Trazendo para a nossa realidade, espaços que comportam grandes eventos já realizam esse tipo de ação. São diversas opções de transporte disponíveis: shuttles exclusivos, transporte público, modais alternativos e o carro particular. No entanto, independentemente do modal escolhido, a chegada e a saída do público precisam ser eficientes para evitar longas esperas, congestionamentos e, claro, frustrações. Ou seja, no “quebra-cabeças” da mobilidade urbana, já está na hora de olharmos para esses espaços como peça estratégica dessa engrenagem.

A INDIGO, líder mundial em gestão de estacionamentos, trabalha para que esses espaços não sejam apenas locais de parada, mas hubs de conectividade para diferentes modais. Como? Em eventos de grande porte, o estacionamento pode se tornar um ponto intermediário de contato com o cliente, permitindo que ele estacione seu carro em pontos estratégicos e finalize o trajeto com outros meios de transporte, como ônibus exclusivos, bicicletas ou até mesmo veículos elétricos compartilhados.

O impacto vai além. Iniciativas como essa reduzem a “pressão” sobre o entorno do evento e melhoram a fluidez do trânsito, como comprovado em cidades como Santander (Espanha) e Gramado (RS), onde sensores inteligentes em vagas diminuíram em 25% o tempo de circulação de veículos.

Esse é um dos pontos em que a tecnologia é fundamental. Quando bem usada, podemos dizer que ela se torna indispensável. A plataforma Indigo Neo, por exemplo, usada em mais de 200 cidades em todo o mundo, permite não apenas a reserva antecipada de vagas, mas também ajusta preços conforme a demanda – uma prática recomendada por Donald Shoup, referência global em mobilidade, que defende uma taxa de ocupação de 80-85% para equilibrar oferta e fluxo.  

Aos organizadores de grandes eventos, pensem nisso: não vejam os estacionamentos como espaços isolados. Planejem os festivais incluindo o estacionamento como parte do core business. É necessário ir além da visão tradicional e integrar soluções como parklets (que transformam vagas em áreas de convívio) e modelos de economia compartilhada. É necessário ir além da visão tradicional e planejar de forma ampla e inteligente toda a logística operacional, unindo gestão eficiente, conveniência, excelência e boa experiência.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

O IMPACTO E A GESTÃO DOS DISPOSITIVOS IOT NO DESLIGAMENTO DAS REDES 2G E 3G NO BRASIL

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O Impacto e a Gestão dos Dispositivos IoT no Desligamento das Redes 2G e 3G no Brasil

A transição tecnológica que envolve o desligamento das redes 2G e 3G no Brasil tem gerado intensos debates, especialmente no que diz respeito ao impacto sobre dispositivos de Internet das Coisas (IoT). Com milhões de equipamentos IoT ainda dependentes dessas redes legadas, o desafio não se limita à modernização tecnológica, mas também à gestão dessa migração de forma eficiente e sustentável.

As motivações para o desligamento das redes móveis 2G e 3G são todas plausíveis, e podem ser inclusive consideradas urgentes. A transição para tecnologias mais avançadas, é vista como um passo lógico para melhorar a eficiência espectral e oferecer melhores serviços aos usuários sejam empresas ou o cliente final.

Motivações para o Desligamento

  1. Eficiência Espectral: As redes 2G e 3G ocupam frequências valiosas que poderiam ser melhor aproveitadas por tecnologias mais modernas, como o 4G e o 5G, que oferecem maior capacidade de transmissão de dados e menor latência.
  1. Redução de Custos Operacionais: Manter redes legadas implica custos elevados para as operadoras, tanto em manutenção quanto em energia. O desligamento bem conduzido pode promover ganhos de eficiência e sustentabilidade que serão capturados por toda a sociedade.
  1. Inovação Tecnológica: A transição permite a implementação de soluções mais avançadas, como aplicações de Internet das Coisas (IoT), que demandam conectividade mais robusta e eficiente.

O Cenário Atual dos Dispositivos IoT

  1. Dependência de Redes Legadas: Um número significativo de dispositivos IoT no Brasil, como módulos instalados em veículos, máquinas industriais e equipamentos agrícolas, opera exclusivamente em redes 2G ou 3G. Muitos desses dispositivos estão em locais de difícil acesso ou integrados a sistemas que dificultam sua substituição ou atualização.
  1. Amplitude do Impacto: Estima-se que milhões de dispositivos IoT estejam conectados às redes legadas. Diferentemente de outros países, onde o desligamento ocorreu sem grandes impactos devido à baixa adoção de IoT nessas redes, o Brasil enfrenta uma realidade mais complexa.
  1. Equipamentos Não Acessíveis Externamente: Alguns módulos IoT estão embutidos em componentes internos de máquinas ou veículos, como blocos de motor. A remoção ou substituição desses dispositivos pode ser tecnicamente inviável ou economicamente proibitiva.

Diante desse contexto desafiador é importante que a sociedade entenda os desafios e oportunidades apresentados pelo tamanho do mercado de IoT, as dimensões geográficas e as diversas aplicações que utilizam dessas redes.

Desafios da Migração

  1. Custo da Substituição: A troca de dispositivos IoT 2G ou 3G para modelos compatíveis com redes mais modernas pode representar um custo elevado. Esse ônus financeiro é um ponto central da discussão, especialmente em setores onde margens de lucro são estreitas.
  1. Coordenação entre Setores: A falta de uma estratégia coordenada entre operadoras, órgãos reguladores e fabricantes dificulta a transição. A Anatel, por exemplo, regula frequências e não tecnologias específicas, o que complica a implementação de políticas claras para mitigar o impacto dos usuários quando do desligamento das redes legadas.
  1. Impacto nos Serviços Críticos: Muitos dispositivos IoT são utilizados em aplicações críticas, como monitoramento remoto em áreas rurais ou controle de frota. A interrupção desses serviços pode gerar prejuízos operacionais significativos.

Soluções Propostas

A ABINC entende que é necessário uma coordenação mais ampla e um suporte consultivo para conduzir o processo de transição tecnológica de forma a mitigar os impactos da transição tecnológica.

Essa coordenação poderia passar pelos seguintes pontos:

  1. Planejamento Gradual e Regionalizado: Um cronograma escalonado para o desligamento das redes pode ajudar a mitigar os impactos. Áreas com maior concentração de dispositivos IoT dependentes das redes legadas poderiam ter prazos mais longos para adaptação.
  1. Programas de Incentivo à Substituição: Parcerias entre governo e setor privado podem viabilizar subsídios ou financiamentos para a troca de dispositivos antigos por modelos compatíveis com as novas tecnologias.
  1. Criação de Redes Alternativas (Fallback): Manter uma rede mínima para suportar dispositivos IoT críticos durante o período de transição seria uma solução intermediária para evitar interrupções abruptas nos serviços.
  1. Engajamento Setorial: Associações como a ABINC têm papel fundamental na articulação entre os diferentes atores do setor, promovendo discussões técnicas e propondo soluções práticas para a migração dos dispositivos IoT.

Conclusão

O desligamento das redes 2G e 3G no Brasil representa um avanço tecnológico necessário, mas traz desafios significativos para a gestão dos dispositivos IoT conectados a essas infraestruturas. Uma abordagem planejada e colaborativa será essencial para minimizar os impactos econômicos e operacionais dessa transição, garantindo que o país avance rumo à modernização sem comprometer serviços essenciais nem sobrecarregar usuários finais.

A ABINC pode ajudar a coordenar as ações e garantir um processo de inovação tecnológica suave sem impacto para seus associados e para a sociedade. Está na hora de darmos a devida atenção a essa discussão para que a sociedade brasileira possa usufruir dos benefícios da transição tecnológica e da liberação de espectro para outras aplicações sem, contudo, trazer um impacto significativo para toda a indústria de IoT que utilizou de forma consistente essas tecnologias nos últimos 25 anos.

Fonte: ABINC

TEMPORADA DE PREMIAÇÕES DO CONNECTED SMART CITIES 2025 ESTÁ OFICIALMENTE ABERTA

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Último dia de inscrição para Selos e Ranking Connected Smart Cities é nesta quarta-feira
Crédito: Diego Leão.

Iniciativas reconhecem projetos inovadores, cidades conectadas e soluções que moldam o futuro das cidades no Brasil

A temporada de premiações e iniciativas do Connected Smart Cities já começou, e com ela surge a oportunidade de dar visibilidade a ideias, projetos e cidades que estão transformando o Brasil em um território mais inteligente, sustentável e conectado. As inscrições para o Cidade CSC 2025 já estão abertas, reunindo iniciativas que reconhecem o impacto positivo de gestores públicos, empresas e pesquisadores que atuam na construção do futuro das cidades.

Leia mais: Prêmio P3C 2025 Reconhece Destaques da Infraestrutura no Brasil

Entre as oportunidades disponíveis está o tradicional Call for Papers, que convida especialistas de todo o país a submeterem palestras com propostas inovadoras para os desafios contemporâneos das cidades. Os selecionados apresentarão suas ideias durante o evento, ampliando conexões e colaborando com soluções reais.

Outro destaque da temporada são os Selos CSC Cidades Inteligentes e CSC Ecossistemas de Inovação, certificações que reconhecem práticas de inovação com impacto social, ambiental e econômico nos setores público e privado. Eles se somam ao Prêmio Connected Smart Cities, que desde sua criação valoriza soluções aplicadas e boas práticas que transformam a vida nas cidades.

Leia mais: Conheça os Vencedores do Prêmio Connected Smart Cities 2024 

Na mesma linha, o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana (PMU) volta a premiar projetos que promovem uma mobilidade mais inclusiva, segura e eficiente. A premiação destaca experiências que rompem paradigmas e tornam o deslocamento urbano mais acessível e sustentável.

Além disso, cidades de todo o país já estão participando do Ranking Connected Smart Cities, a principal referência para medir o grau de inteligência das cidades brasileiras. O ranking oferece visibilidade para municípios que se destacam em áreas como mobilidade, meio ambiente, urbanismo, governança, saúde, educação e empreendedorismo.

Leia mais: Prêmio Parque da Mobilidade Urbana 2024: Confira os Vencedores de 2024 

Todos esses reconhecimentos e premiações acontecem durante o evento Cidade CSC 2025, mas exigem inscrição prévia. Por isso, o momento de garantir sua participação é agora. Não perca a chance de mostrar como sua ideia, seu projeto ou sua cidade está colaborando para construir um país mais inteligente.

O prazo para inscrições é limitado. Para saber mais e garantir sua participação nas iniciativas, acesse o site oficial do programa: Call for Papers, Ranking CSC, Selos CSC Cidades Inteligentes e CSC Ecossistemas de Inovação, Prêmio CSC e Prêmio PMU.

Saiba mais e inscreva-se agora

COP 30: AS DURAS CRÍTICAS ÀS POLÍTICAS AMBIENTAIS DO BRASIL PUBLICADAS EM IMPORTANTE JORNAL CIENTÍFICO

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COP 30: as duras críticas às políticas ambientais do Brasil publicadas em importante jornal científico
Pesquisadores defendem que parar o desmatamento na Amazônia é apenas uma das ações necessárias para lidar com as mudanças climáticas na região

“Como anfitrião, o Brasil não está liderando pelo exemplo.”

Oito meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, que será realizada em novembro na cidade Belém do Pará, a atuação do governo brasileiro virou alvo de críticas num editorial da prestigiada revista científica Science.

Assinado pelos cientistas Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e Walter Leal Filho, da Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo, na Alemanha, o texto aponta que, “com exceção do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, virtualmente todos os setores do governo promovem atividades que aumentam as emissões de gases do efeito estufa“.

Como exemplo, eles citam o projeto do Ministério dos Transportes de recuperar a BR-319, que vai de Manaus, no Estado do Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia.

Segundo os autores, a restauração dessa rodovia pode “abrir grandes áreas da Floresta Amazônica à entrada de desmatadores”.

“Essa vasta região que será exposta pelas estradas contém carbono suficiente para empurrar o aquecimento global a um ponto irreversível”, alertam eles.

Fearnside e Leal Filho também citam o subsídio oferecido pelo Ministério da Agricultura para “transformar pastagens em plantações de soja“. Segundo eles, esse é outro elemento incentivador do desmatamento.

“Quando a terra se torna mais valiosa para o plantio de soja, pecuaristas (incluindo aqueles que vêm de fora da Amazônia) vendem a terra para agricultores e usam os lucros para comprar áreas maiores e mais baratas em regiões remotas da Amazônia”, argumentam eles.

“Cada hectare de pasto convertido em plantação de soja pode gerar muitos hectares de desmatamento.”

Os autores do editorial ainda citam a ação do Ministério de Minas e Energia para a abertura de novos campos de exploração de petróleo e gás na Floresta Amazônica e em regiões costeiras — incluindo os planos para avaliar o potencial energético na foz do rio Amazonas.

Os especialistas avaliam que o plano brasileiro de continuar a buscar novos poços de petróleo até o país alcançar o nível econômico de países desenvolvidos é “a fórmula para um desastre climático”.

Eles lembram que, em 2021, a Agência Internacional de Energia se mostrou favorável a não abrir qualquer novo ponto de exploração de gás ou petróleo, além de restringir a extração nos campos já abertos. A proposta da instituição é acabar com esse tipo de atividade até 2050.

Para Fearnside e Leal Filho, os estudos sobre petróleo na foz do Amazonas implicam efeitos de longo prazo. Eles calculam que um campo de exploração aberto ali demoraria cinco anos para começar a operar e outros cinco anos para dar retorno financeiro.

“E porque ninguém quer apenas recuperar o investimento, uma iniciativa dessas levaria a décadas de extração — muito além de quando o mundo precisaria abandonar os combustíveis fósseis”, escrevem eles.

‘Impactos catastróficos’

Para os especialistas que assinaram o editorial na revista Science, o fato de o Brasil assumir a liderança na luta contra as mudanças climáticas faz todo o sentido — e não apenas porque o país vai sediar a COP 30.

Eles lembram que o aumento da temperatura fora de controle terá “impactos catastróficos” no país.

“[Nesse cenário de impactos catastróficos,] O Brasil perderia a Floresta Amazônica, incluindo o papel vital que ela tem ao reciclar a água que supre a Grande São Paulo, a quarta maior região metropolitana do mundo.”

A bacia hidrográfica que chega a São Paulo recebe entre 16% e 70% de sua água das chuvas, cujo vapor é transportado a partir da Amazônia a partir dos chamados “rios voadores”.

Estimativas apontam que a destruição desse bioma aumentaria a frequência de secas extremas no Sudeste do país.

“A região semi-árida no Nordeste, que é densamente populada, se transformaria num deserto, e as populações que habitam a costa litorânea seriam expostas a um aumento das tempestades e do nível do mar.”

“O agronegócio e a agricultura familiar brasileiras também sofreriam impactos pesados. Secas de uma severidade ‘sem precedentes’ são esperadas no Brasil, e a frequência desses eventos poderia aumentar em pelo menos dez vezes.”

Com isso, “surpresas climáticas” — como as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024 — se tornarão mais comuns, apontam os pesquisadores.

‘Mudança radical’

Por fim, os responsáveis pelo editorial opinam que, para a COP 30 ser um evento capaz de reverter o “curso desastroso em direção ao ponto de não-retorno climático”, será necessário não apenas conter o desmatamento

“É preciso facilitar uma transição rápida para o fim do uso de combustíveis fósseis“, dizem eles.

Fearnside e Leal Filho defendem que o Brasil, como anfitrião da conferência, precisa ser “encorajado a modificar as práticas atuais”.

“A COP 30 enfrenta grandes desafios para atingir os seus objetivos. E uma parte importante disso envolve conter as emissões de gases a partir da Amazônia“, escrevem eles.

Os cientistas defendem uma “mudança radical nas políticas do governo brasileiro, tanto nos fatores que causam desmatamento quanto na extração de combustível fóssil”.

O que diz o governo

A BBC News Brasil entrou em contato com os ministérios citados no editorial para que eles pudessem se posicionar sobre o debate.

O Ministério do Transporte informou que “as políticas ambientais do Governo Federal são definidas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima” e ficou à disposição para mais esclarecimentos sobre as políticas da pasta.

Já o Ministério de Minas e Energia pontuou que “os projetos exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas não estão próximos à Floresta Amazônica”.

“Os blocos atualmente sob contrato nessa região estão situados em águas ultraprofundas, a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas e a 180 km do litoral do Amapá.”

“A pesquisa dessas áreas segue rigorosos padrões ambientais, com avaliações técnicas detalhadas conduzidas pelos órgãos reguladores competentes. O objetivo é conhecer o potencial geológico da Margem Equatorial, uma nova fronteira exploratória offshore que pode contribuir para a segurança energética do Brasil.”

O ministério ainda defendeu que “a transição para uma economia de baixo carbono é um processo gradual”.

“O petróleo seguirá desempenhando um papel estratégico na matriz energética global até 2050, e reduzir sua exploração de forma abrupta, sem planejamento, pode gerar impactos econômicos e sociais significativos. Além disso, a exploração brasileira tem uma das menores pegadas de carbono do mundo, o que a torna uma alternativa mais sustentável frente à produção global.”

“Se o Brasil deixar de explorar suas reservas, poderá se tornar dependente da importação de petróleo nas próximas décadas, resultando em perda de arrecadação e vulnerabilidade energética. De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do próprio MME, a não exploração da Margem Equatorial pode levar a perdas de até R$ 3 trilhões até 2050.”

Por fim, o ministério reafirmou “o compromisso com uma transição energética justa, sustentável e alinhada às metas climáticas globais, garantindo ao mesmo tempo o desenvolvimento econômico e a segurança energética do país”.

O Ministério da Agricultura e Pecuária não enviou respostas até a publicação desta reportagem.

Fonte: BBC 

RECIFE SEDIA ENCONTRO DE MUNICÍPIOS DO FDIRS PARA IMPULSIONAR PROJETOS DE PPPS NO BRASIL

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Evento discutirá oportunidades em infraestrutura social, saneamento, iluminação pública e smart cities

No dia 8 de maio, a cidade de Recife será palco de um dos eventos mais estratégicos do ano para o desenvolvimento regional: o Encontro de Municípios do FDIRS. Com a presença de prefeitos, secretários e gestores municipais de diversas regiões do país, o encontro tem como principal objetivo apresentar oportunidades para a estruturação e desenvolvimento de projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em estados, no Distrito Federal e nos municípios.

Leia mais: Jornada da Vida: Recife Lidera a Transformação Digital com Inspiração Estoniana

O FDIRS (Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável) é uma iniciativa inovadora que tem movimentado o cenário nacional. Com um patrimônio líquido de 1 bilhão de reais, é o primeiro fundo de capital da União com gestão privada e discricionária voltado exclusivamente para viabilizar PPPs. Criado para ser um catalisador de investimentos em infraestrutura, o fundo busca atrair o setor privado para áreas fundamentais do serviço público, promovendo eficiência, sustentabilidade e impacto social.

Durante o encontro, serão discutidas as possibilidades de investimento e parceria em setores considerados prioritários para o desenvolvimento nacional, como iluminação pública e smart cities, saneamento básico, resíduos sólidos, perímetros irrigados, PPPs sociais nas áreas de educação e saúde, e mobilidade urbana. A programação contempla uma série de palestras e painéis temáticos com especialistas que vêm se destacando na promoção de soluções para a infraestrutura pública.

Leia mais: Expansão das Parcerias Público Privadas no Brasil: Desafios e Oportunidades no Setor Político e Social

Entre os palestrantes confirmados estão Gustavo Valente, Principal da Vinci Compass; Luiz Campos, Sócio-Líder de Governo e Infraestrutura da EY para a América Latina; e Mateus Renault, presidente da Opy Health. A pauta também contempla discussões sobre iluminação pública e cidades inteligentes, encerrando o encontro com a perspectiva de futuros investimentos estratégicos.

Mais do que um seminário técnico, o Encontro de Municípios do FDIRS se consolida como um espaço de articulação entre os diferentes entes federativos e o setor privado, com o propósito de transformar boas ideias em projetos viáveis, sustentáveis e duradouros. Ao reunir os principais atores públicos e privados do país, o evento pretende fomentar um ambiente de cooperação capaz de transformar a infraestrutura brasileira e melhorar a qualidade de vida da população.

Saiba mais sobre o FDIRS

O Encontro de Municípios do FDIRS é um esquenta para o Cidade CSC, o maior evento de cidades inteligentes da América Latina, que acontece em setembro na cidade de São Paulo. A expectativa é que os debates iniciados em Recife se desdobrem e ganhem ainda mais força na programação do Cidade CSC, reunindo gestores públicos, investidores e especialistas para aprofundar discussões e impulsionar a concretização de projetos transformadores em todo o país.

Saiba mais sobre o Cidade CSC

ESPAÇOS URBANOS CONECTADOS: A INOVAÇÃO DIGITAL COMO CAMINHO PARA CIDADES MELHORES

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CNH em declínio: como a nova geração está redefinindo a mobilidade
Crédito: imagem gerada pela IA Adobe Firefly

A transformação digital das cidades está redefinindo a relação entre os cidadãos e o espaço urbano. As tecnologias digitais oferecem alternativas inovadoras para enfrentar desafios urbanos antigos, como mobilidade, segurança e sustentabilidade, com o poder público desempenhando um papel central na garantia de que essas inovações sejam inclusivas e acessíveis.

A implementação de tecnologias digitais nos espaços urbanos já não é mais apenas uma tendência, mas uma ferramenta indispensável para melhorar o funcionamento das cidades. Quando integradas ao cotidiano, essas tecnologias permitem uma interação em tempo real entre moradores e a cidade, otimizando serviços e recursos, além de criar ambientes mais seguros e sustentáveis.

Aplicativos de mobilidade, sistemas de transporte público com informações atualizadas e plataformas culturais facilitam o planejamento diário dos cidadãos. Essas ferramentas oferecem maior liberdade de escolha e controle das atividades diárias, ao passo que reduzem congestionamentos e incentivam o uso de opções mais sustentáveis, como transporte coletivo e bicicletas. Para as cidades, os benefícios incluem maior eficiência na prestação de serviços urbanos e melhor alocação de recursos, contribuindo para a redução da poluição e outros problemas estruturais.

Em Barcelona, a plataforma digital Decidim Barcelona (https://timeuse.barcelona/good-practices/decidim-barcelona-digital-participatory-platform/) demonstra como a inovação digital pode promover a participação cidadã. Essa ferramenta, baseada em software de código aberto, permite que os cidadãos contribuam para decisões políticas e urbanas, garantindo transparência e inclusão. O modelo exemplifica como soluções digitais fortalecem o engajamento público, ao mesmo tempo em que abordam desafios práticos de mobilidade e sustentabilidade.

Plataformas digitais para consultas e fóruns promovem engajamento nas decisões políticas, permitindo que a diversidade de opiniões seja considerada. A inclusão social também é favorecida, uma vez que essas ferramentas possibilitam a participação de grupos historicamente limitados por barreiras como restrições de tempo ou mobilidade. Para os gestores públicos, o resultado é um processo decisório mais representativo, com impactos diretos na formulação de políticas urbanas. Deve ser levada em consideração que a participação de formato digital também promove exclusões, seja por limitação de acesso à redes, equipamentos ou letramento digital, demandando um uso complementar de soluções participativas online e offline.

A digitalização contribui para ambientes urbanos mais seguros. Sensores inteligentes, câmeras de monitoramento e sistemas de alerta em tempo real não apenas reduzem a criminalidade, mas também agilizam a resposta das autoridades em emergências, como acidentes ou desastres naturais. Singapura, por meio do programa Smart Nation (https://www.smartnation.gov.sg/), exemplifica o uso de sensores e tecnologias avançadas para monitorar emergências e reduzir a criminalidade. Esses sistemas digitais não apenas melhoram a segurança nas cidades, mas também otimizam a alocação de recursos, priorizando áreas vulneráveis.

Tecnologias inteligentes também apoiam práticas urbanas sustentáveis. Sensores para monitoramento de energia e consumo de água, sistemas de gestão de resíduos e ferramentas para reutilização de materiais são exemplos concretos de como a tecnologia pode reduzir o impacto ambiental das cidades. Essas soluções incentivam comportamentos mais responsáveis entre os moradores e geram benefícios econômicos e ambientais para as cidades, que passam a operar com menores custos e menor impacto climático.

A digitalização urbana depende de esforços colaborativos entre diferentes atores: o poder público, empresas de tecnologia e a sociedade civil. Cabe ao setor público regulamentar e coordenar essas iniciativas, enquanto as empresas implementam soluções e os cidadãos contribuem com engajamento ativo. Essa colaboração garante que as soluções sejam adaptadas às necessidades locais e acessíveis a todos, criando um modelo de cidade que evolui com a participação da comunidade e respeitando suas especificidades.

A transformação digital é uma oportunidade para reimaginar os espaços urbanos como locais conectados, sustentáveis e inteligentes. Para os cidadãos, isso significa acesso facilitado à informação, maior participação nas decisões públicas e ambientes mais seguros. Para os gestores públicos, representa uma oportunidade de otimizar recursos, melhorar a qualidade de vida e impulsionar práticas sustentáveis.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities.

CIDADES DO FUTURO: COMO A TECNOLOGIA ESTÁ MOLDANDO OS NOVOS CENTROS URBANOS

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3 cidades mais inteligentes do Brasil: o que elas têm em comum
Crédito: Banco de imagem
Com investimentos bilionários e tecnologias de ponta, as cidades inteligentes estão deixando o papel e ganhando forma em várias partes do mundo. Mas será que essas inovações vão realmente transformar a forma como vivemos? A resposta pode estar mais perto — ou mais longe — do que imaginamos.

As chamadas “smart cities” vêm ganhando protagonismo como modelo de urbanização para o futuro. De centros ultraconectados na Ásia a experiências sustentáveis na Europa, projetos ambiciosos se espalham pelo mundo, misturando inovação, sustentabilidade e planejamento urbano inteligente. E enquanto algumas já começam a funcionar, outras ainda enfrentam desafios técnicos, sociais e políticos que colocam em xeque sua viabilidade.

Megaprojetos que prometem revolucionar o urbanismo

Entre os maiores projetos do planeta está Neom, na Arábia Saudita. Com investimento estimado em US$ 1,5 trilhão até 2030, o plano inclui cidades sem carros, energia 100% renovável e infraestrutura tecnológica avançada, como trens de alta velocidade e inteligência artificial aplicada à gestão urbana.

O Japão também aposta nesse futuro com a Toyota Woven City. Mais do que uma cidade, trata-se de um laboratório vivo onde empresas testam soluções de mobilidade e automação em tempo real. Com sua primeira fase concluída, o projeto deve começar a receber moradores ainda em 2025.

Na China, a Chengdu Future Science and Technology City quer se tornar o maior centro de ciência aplicada do país, com mobilidade totalmente automatizada e áreas funcionais sem uso de veículos. Já a Oceanix Busan, na Coreia do Sul, propõe uma comunidade flutuante e autossustentável, pensada para enfrentar o aumento do nível do mar.

Os desafios por trás do glamour

Apesar dos conceitos futuristas, nem todas as cidades inteligentes têm trajetória promissora. O caso de Masdar City, nos Emirados Árabes, ilustra os riscos: projetada para abrigar 50 mil pessoas, hoje é apenas um centro de pesquisa com poucos habitantes, marcada por altos custos e baixa funcionalidade.

Outro exemplo é Quayside, no Canadá, uma parceria do Google cancelada após problemas com privacidade de dados e divergências com o governo. Mesmo com bilhões investidos, o projeto foi encerrado antes de sair do papel.

Além disso, denúncias sobre violações trabalhistas em grandes obras, como as ligadas ao projeto Vision 2030 da Arábia Saudita, acendem alertas éticos e humanitários sobre os bastidores dessas megaconstruções.

A Europa mostra que é possível 

Enquanto algumas cidades são construídas do zero, outras se reinventam com inteligência. Londres, Copenhague, Zurique e Barcelona adotam tecnologias que melhoram a mobilidade, reduzem consumo energético e envolvem os cidadãos nas decisões públicas.

Com sensores, redes 5G e plataformas digitais, essas cidades conseguem monitorar tráfego, qualidade do ar e consumo de recursos em tempo real. Além disso, investem em transparência e participação popular por meio de aplicativos e dados abertos.

Cingapura, por exemplo, combina tecnologia com bem-estar social. Lá, sensores monitoram idosos em casa, drones combatem focos de dengue e ônibus autônomos já circulam em áreas específicas.

E o Brasil nessa corrida?

Embora ainda distante da sofisticação de Ásia e Europa, o Brasil tem bons exemplos em seu território. Segundo o ranking Connected Smart Cities 2024, Florianópolis lidera com forte presença de startups, cobertura quase total de 5G e expansão acelerada do setor de TI.

Vitória e São Paulo também se destacam com avanços em saúde, mobilidade e conectividade. Salvador é a única representante do Nordeste no top 10, investindo em iluminação e semáforos inteligentes e cobertura de 5G quase total.

No entanto, o país ainda enfrenta barreiras como falta de integração entre setores, resistência interna em órgãos públicos e dificuldades de adaptação da legislação urbana às novas tecnologias.

Conclusão: o futuro é promissor, mas exige cautela

As cidades inteligentes prometem revolucionar o modo como vivemos, trabalhamos e interagimos com o ambiente. Mas, para que isso aconteça de forma ética, funcional e inclusiva, é necessário planejamento, transparência e envolvimento da sociedade. Mais do que tecnologia, o futuro das cidades depende de visão humana e responsabilidade coletiva.

CONNECTED SMART CITIES REALIZA ENCONTRO REGIONAL EM MANAUS E REFORÇA COMPROMISSO COM O FUTURO DAS CIDADES INTELIGENTES

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 Evento reuniu especialistas, lideranças locais e representantes do setor público para debater soluções urbanas

Manaus, 11 de abril – A Plataforma Connected Smart Cities realizou mais uma edição das Reuniões Estratégicas Regionais em Manaus, reunindo representantes do ecossistema local, especialistas em cidades inteligentes e lideranças públicas e privadas comprometidas com a construção de um futuro urbano mais conectado e sustentável.

Criada em 2015, a Plataforma Connected Smart Cities é um movimento nacional que promove o desenvolvimento inteligente das cidades brasileiras, por meio do incentivo à mobilidade sustentável, transformação digital, inovação e formação de parcerias estratégicas. A iniciativa valoriza a escuta ativa das demandas municipais, o compartilhamento de boas práticas e a articulação entre diferentes setores para promover mudanças reais nas cidades.

As Reuniões Estratégicas Regionais integram esse compromisso, promovendo encontros presenciais em diversas regiões do país para estimular o diálogo entre os atores locais e fomentar a cooperação regional. Nesta edição, cerca de 50 participantes — entre especialistas, gestores públicos e convidados estratégicos — debateram temas como governança, infraestrutura, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento territorial.

O encontro também reforçou o papel das cidades como protagonistas na transformação urbana e demonstrou o potencial da articulação entre diferentes setores para acelerar soluções que geram impacto positivo e duradouro no território local.

Veja fotos e tudo o que rolou no evento.

Sobre o Connected Smart Cities
A Plataforma Connected Smart Cities é uma iniciativa da Necta que reúne representantes do setor público, privado e da academia para promover a transformação das cidades brasileiras em espaços mais inteligentes, humanos e sustentáveis. O movimento atua por meio de eventos, rankings, cursos e prêmios, promovendo conexões estratégicas e o compartilhamento de soluções inovadoras para os desafios urbanos.

Para mais informações acesse: https://connectedsmartcities.com.br/reunioes-estrategicas-regionais/.

A ECONOMIA DE DADOS E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO ELEMENTOS PARA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS (PPBE)

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A economia de dados e a inteligência artificial como elementos para formulação de políticas públicas baseadas em evidências (PPBE)

Este artigo explora como a economia de dados e a Inteligência Artificial (IA) servem como suporte para a formulação de Políticas Públicas Baseadas em Evidências (PPBE). Foi formulado a partir de uma revisão sistemática e integrativa da literatura realizada nas bases Scopus e Web of Science. Os resultados indicam que a integração de grandes volumes de dados, analisados em tempo real pela IA, oferece potencial significativo para a elaboração de políticas públicas mais precisas e eficientes. Contudo, há desafios, como infraestrutura tecnológica, privacidade, segurança de dados e capacitação profissional, que precisam ser superados. Além disso, destaca-se a necessidade de uma abordagem ética e regulamentada para evitar o aprofundamento de desigualdades já existentes e garantir o uso responsável dos dados na formulação de políticas públicas.

A economia de dados emerge como um paradigma econômico multifacetado que vai além da simples coleta e análise de informações. Nesse contexto, os dados são ativos estratégicos comparáveis ao capital e ao trabalho, mas com características distintivas, como a não rivalidade, que possibilita seu uso simultâneo por múltiplos agentes econômicos (Börner et al., 2018; Cong, Xie & Zhang, 2021). Esse modelo fundamenta-se na aplicação de IA, Big Data e Business Intelligence, permitindo a otimização de processos decisórios em organizações e governos (Bodislav et al., 2018). Por outro lado, há desafios regulatórios e éticos, como o capitalismo de vigilância e os impactos sociais da monetização dos dados (White & Boatwright, 2020; Snell, Tarkkal & Tupasela, 2021). A partir de outra perspectiva, a característica sistêmica dessa economia destaca a necessidade de uma regulamentação capaz de equilibrar interesses comerciais e proteção de direitos individuais (Tang, Plasek & Bates, 2018).

Pois bem, a IA potencializa a economia de dados ao ampliar a análise de grandes volumes de informações, identificando padrões e tendências para fundamentar decisões estratégicas (Chang et al., 2024). A automação proporcionada por algoritmos permite respostas mais ágeis e precisas em setores como saúde, finanças e segurança pública (Wamba et al., 2018; Börner et al., 2018). A análise de grandes volumes de dados, coletados de diferentes formas hoje em dia, permite identificar padrões, antecipar demandas e personalizar ações governamentais, tornando a gestão pública mais ágil e responsiva. Além disso, a interoperabilidade entre diferentes níveis de governo possibilita a criação de sistemas integrados de informação, favorecendo a transparência, a participação social e a inovação nas políticas públicas (OCDE, 2023).

A crescente integração da IA nesse cenário fortalece a capacidade de análise e uso de grandes volumes de dados, promovendo políticas públicas mais precisas e adaptáveis. Países como o Canadá e membros da União Europeia já utilizam estratégias digitais para embasar políticas em tempo real, garantindo maior alinhamento com as necessidades populacionais (World Economic Forum, 2023; Government of Canada, 2018). O potencial dessa abordagem inclui a promoção da transparência, o fortalecimento da participação cidadã e a mitigação de vieses político-partidários (Mayer-Schönberger & Cukier, 2013).

Como aplicação, a economia de dados e a inteligência artificial (IA) têm permitido a formulação de políticas públicas baseadas em evidências (PPBE), impulsionando tomadas de decisão mais informadas e eficazes, por se basearem em uma análise mais completa de dados para otimizar recursos e ampliar o impacto social das políticas públicas. Essa abordagem, que foi impulsionada pelo avanço tecnológico e pelo movimento New Public Management (NPM), reforça a importância da tomada de decisões embasada em evidências empíricas (Fogaça et al., 2023). Exemplos ocorrem na saúde pública, com programas de imunização e triagem neonatal (Bronstein et al., 2019; Dabanch et al., 2019). No setor educacional, dados ajudam a personalizar. A integração multidisciplinar de evidências e a desconexão entre pesquisa acadêmica e formulação de políticas são apontadas como desafios (Loader & Sparks, 2014).

A implementação das PPBE enfrenta desafios éticos, sociais e tecnológicos. A proteção da privacidade dos dados das pessoas sugere políticas rigorosas de segurança de dados para evitar abusos e vazamentos (Elvy, 2017). Além disso, o viés algorítmico pode reforçar desigualdades e comprometer a justiça social, o que indica a necessidade de algoritmos mais claros e justos (Holm & Ploug, 2017). Nessa direção, Murtagh et al. (2022) reforçam que a transparência nos processos de IA é essencial para a construção da confiança pública e do controle social sobre as políticas formuladas.

Além disso, a desigualdade no acesso à tecnologia compromete a representatividade dos dados, exigindo iniciativas de inclusão digital para garantir políticas públicas mais equitativas (Sestino et al., 2023). Barreiras técnicas, como a interoperabilidade de sistemas governamentais, dificultam a integração de dados, demandando padrões comuns para melhorar a eficiência administrativa (Zech, 2016).

A pesquisa concluiu que a integração entre IA e economia de dados tem um potencial transformador para as PPBE, proporcionando decisões políticas mais fundamentadas e adaptativas (Börner et al., 2018). A personalização das políticas possibilita intervenções ajustadas às necessidades de diferentes segmentos populacionais, promovendo inclusão social (Lammi & Pantzar, 2019; Börner et al., 2018). Essa fusão promove maior eficiência e responsividade na gestão pública e, aprimora o monitoramento em tempo real das políticas implementadas (Tang et al., 2019). 

Diante desse cenário, a consolidação das Políticas Públicas Baseadas em Evidências (PPBE) na era da economia de dados e da Inteligência Artificial exige um esforço contínuo para equilibrar inovação tecnológica e governança responsável. O avanço das ferramentas de análise de dados permite políticas mais eficazes e adaptáveis, mas demanda investimentos em infraestrutura, regulamentação e capacitação profissional para que seus benefícios sejam amplamente acessíveis. Assim, o futuro das PPBE dependerá não apenas da evolução tecnológica, mas também da capacidade dos governos de criar ambientes regulatórios que garantam transparência, ética e inclusão digital, assegurando que o uso de dados e IA contribua para uma gestão pública mais eficiente e equitativa.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

SOLUÇÃO PARA MOBILIDADE URBANA NO PAÍS É UMA TAREFA DE FÔLEGO

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Outrora aquecido, tema caiu em um relativo esquecimento nos últimos anos

Mobilidade urbana, assunto que chegou a ser tratado como espécie de fórmula mágica para remoção dos principais gargalos a serem desobstruídos para que o Brasil reencontrasse a rota do crescimento sustentado, caiu em relativo esquecimento. Nada que impeça recordar, como exercício de ativação da memória, que para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, entendia-se como legado substanciais ganhos de mobilidade nos grandes centros urbanos. Em Belo Horizonte, para além de novas linhas de metrô que entre outros pontos ligariam o hipercentro ao Mineirão, esperava-se pôr de pé também sistemas de média capacidade, numa rede de alcance metropolitano. Em todo o País, sobretudo nas cidades-sede da Copa, outros benefícios – o legado – viriam na mesma proporção.

Também neste campo ficamos apenas no plano das boas intenções e ao assunto, anteriormente muito destacado foi reservado discreto segundo plano. Quanto não o esquecimento que nos conduz a outro ponto. Em estudo mais recente e envolvendo 15 regiões metropolitanas a Confederação Nacional da Indústria concluiu que remover os gargalos da mobilidade urbana demandaria investimento de – pelo menos – R$ 300 bilhões. Uma outra conta, esta do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Ministério das Cidades, estima que a mesma tarefa não será cumprida por menos de R$ 600 bilhões.

Eis outra medida do tamanho do problema e da distância em que devem estar as soluções. Ao mesmo tempo, claro, um convite a esforços maiores, com objetivo de reduzir o tempo que as pessoas consomem no percurso casa-trabalho ou casa-escola, principalmente. Algo que diz respeito ao conforto e à saúde e bem-estar de milhões de indivíduos, mas que tem implicações na economia, ajudando a impactar o Custo Brasil. Um esforço verdadeiramente gigantesco, mas que não pode ser posto de lado, relegado ao esquecimento como se não tivesse importância.

Trata-se também de enxergar e corrigir distorções que se acumularam ao longo do tempo, resultantes quase todas do acelerado e desordenado processo de urbanização. Um país que em poucos anos deixou de ser economia essencialmente agrária, que da noite para o dia assistiu a um processo de urbanização que se conta entre os mais acelerados dos tempos modernos, não pode perder de vista o significado de todas as transformações que conheceu, também no plano da expansão da economia, bem como as consequências indesejadas de tudo isso. Será o mesmo que tentar apagar a marcha do tempo, se não o próprio futuro.

Fonte: Diário do Comércio