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CONECTIVIDADE AVANÇADA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COLOCAM AS CIDADES BRASILEIRAS NA VANGUARDA DA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

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Atualmente, o desenvolvimento econômico das cidades depende da combinação fundamental entre os avanços tecnológicos da conectividade móvel e uma visão estratégica sólida por parte da gestão pública. Ninguém mais questiona que sistemas de saúde, transporte, educação e segurança com alto nível de qualidade e eficiência necessitam de condições técnicas de última geração. Isso se torna  ainda mais evidente em um cenário global no qual muitas cidades têm adotado ferramentas avançadas para solucionar problemas, criar novos serviços, atrair investimentos e oferecer melhores condições de vida e de trabalho aos seus cidadãos. A competitividade mostra um ambiente saudável e reflete o comprometimento dos gestores públicos e das sociedades locais com a modernização contínua em meio à uma transformação tecnológica cada vez mais acelerada. 

Faço essa reflexão motivado pelos recentes anúncios que presenciei no Mobile World Congress (MWC) Barcelona 2025, realizado no início de março. Esse evento, considerado o mais importante encontro mundial sobre o mercado de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), trouxe um consenso sobre os avanços do 5G-Advanced (5G-A), uma evolução natural do 5G, e seu impacto nas políticas públicas. A principal vantagem está na capacidade de operar com velocidade de conexão extremamente elevada, chegando a 10 Gbps, ou seja, 10 vezes maior do que a do 5G atual, além de reduzir ainda mais a latência ou tempo de resposta. Essa evolução permite a execução de aplicações críticas em tempo real, onde cada milissegundo faz diferença. No contexto urbano, essa tecnologia permite que dispositivos e sensores se comuniquem instantaneamente, otimizando, por exemplo, o gerenciamento do trânsito ou os sistemas de segurança pública.

A convergência entre o 5G-A e a inteligência artificial (IA) foi outro tema de relevância discutido no evento. Essa combinação pode ser entendida sob duas perspectivas complementares. A primeira, chamada de “Redes para IA”, envolve a criação de uma infraestrutura de alta capacidade, baixa latência e conectividade estável, fundamental para sustentar o processamento distribuído exigido por aplicações inovadoras, como, por exemplo, veículos autônomos e diagnósticos médicos em grande escala. A segunda, denominada “IA para Redes”, é caracterizada pelo uso da própria inteligência artificial para otimizar a gestão das redes móveis. Essa abordagem permite o monitoramento ininterrupto e em tempo real, a correção automática de falhas e a adaptação dinâmica dos recursos, resultando em mais economia, sustentabilidade e segurança. Dessa forma, as cidades passam a contar não apenas com comunicações ultrarrápidas, como também com soluções inteligentes que se ajustam automaticamente, garantindo alto desempenho, disponibilidade constante e experiências personalizadas para cidadãos, gestores e empresas.

Um exemplo dessa convergência são os chamados “gêmeos digitais”, modelos virtuais detalhados que, ao serem alimentados com dados coletados via conexão móvel e processados por IA, possibilitam uma gestão urbana preventiva e planificada, fundamentada em dados precisos. Projetos de distribuição de energia em um bairro, de análise da expansão da rede de água e esgoto em uma comunidade, da otimização da malha viária em todo um município, entre muitos outros, podem ser beneficiados. Singapura, por exemplo, utiliza essa tecnologia para simular cenários críticos, como evacuações de estádios, melhorando significativamente suas estratégias de segurança durante grandes eventos. No Reino Unido, cidades compartilham dados para aprimorar a gestão de infraestrutura e transporte. Dubai monitora a infraestrutura em tempo real com foco em eficiência energética e segurança pública, enquanto Nova York implementou um sistema para reduzir o consumo de energia em edifícios públicos.

No setor da mobilidade urbana, o 5G-A, aliado a tecnologias como Internet das Coisas (IoT) e análise de big data, vem promovendo transformações expressivas. Experiências internacionais demonstram que a integração de sensores, dispositivos conectados e algoritmos de inteligência artificial pode otimizar o fluxo de veículos, reduzir congestionamentos e até diminuir a emissão de poluentes. Cidades como Pequim e Shenzhen são verdadeiros laboratórios dessa transformação. Em Pequim, por exemplo, sistemas de semáforos inteligentes reduziram os congestionamentos em mais de 10% ao ajustar automaticamente os tempos conforme o fluxo de veículos. Já em Shenzhen, corredores inteligentes para veículos autônomos reduziram em até 20% a incidência de acidentes, melhorando sensivelmente a fluidez do trânsito.

Brasil na vanguarda do 5G-A

No Brasil, os distritos industriais, importantes polos econômicos na maioria dos municípios, devem experimentar impactos positivos significativos com a chegada do 5G-A. A digitalização impulsionada por essa tecnologia, em conjunto com a automação, tem o potencial de aumentar consideravelmente a produtividade e melhorar a logística. Essa combinação também estimula o surgimento de novos negócios, a criação de empregos e o aumento das receitas públicas. A aplicação da IoT e big data na cadeia de suprimentos, por exemplo, agiliza o transporte de mercadorias, beneficiando toda a cadeia produtiva. 

O próximo passo para o setor de telecomunicações é a adoção definitiva do 5G-A. Nesse cenário, o Brasil sai na frente, pois já adotou o padrão 5G Standalone (SA), uma infraestrutura de rede totalmente independente do 4G, ao contrário de países que ainda migram do 5G Non-Standalone (NSA). A decisão antecipada da Anatel, contemplada no leilão de 2021, permite que as operadoras brasileiras implementem rapidamente o 5G-A por meio de uma simples atualização de software na maioria dos casos, dispensando a necessidade de substituição de equipamentos.

Atualmente, o 5G já alcança 69% da população brasileira, e testes realizados no país confirmam o potencial do 5G-A em alcançar as velocidades prometidas. Um ponto estratégico destacado para acelerar essa expansão é o leilão da faixa de 6 GHz, previsto para 2026, essencial para ampliar a capacidade das redes. Segundo recomendações do “White Paper para o Desenvolvimento do 5G-A no Brasil”, lançado no MWC Barcelona, é importante que o país inicie a implementação dessa tecnologia ainda em 2025. Ao tomar essas medidas, o Brasil pode consolidar uma posição de vanguarda tecnológica, avançando rapidamente para se tornar líder em inovação e conectividade móvel na América Latina e no cenário mundial.

O mercado de cidades inteligentes está crescendo rapidamente. Segundo a Fortune Business Insights, esse setor, avaliado em aproximadamente US$ 623,90 bilhões em 2023, deve atingir US$ 4,647 trilhões até 2032, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 25,2%. No Brasil, as iniciativas voltadas para cidades inteligentes já movimentam bilhões de reais anualmente. Ao acelerar a implementação do 5G-Advanced, o país não apenas reforça seu compromisso com a inovação tecnológica, mas sinaliza para o mercado sua capacidade de acompanhar tendências emergentes. 

As cidades brasileiras estão diante de uma oportunidade única de impulsionar seu desenvolvimento econômico e social, aproveitando a infraestrutura existente para melhorar a qualidade de vida e a prosperidade de seus habitantes. Em última análise, esse é o caminho que levará o país a se destacar globalmente em um cenário no qual a conectividade avançada já não é apenas um diferencial competitivo, mas uma condição essencial para o futuro.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities. 

MANAUS RECEBE A PRIMEIRA REUNIÃO ESTRATÉGICA REGIONAL DE 2025

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O Connected Smart Cities reunirá especialistas e gestores públicos para debater inovação, sustentabilidade e desenvolvimento urbano no 1º Congresso Internacional Amazonas de Inovação, Agricultura e Sustentabilidade.

A cidade de Manaus se prepara para receber a primeira Reunião Estratégica Regional de 2025 do Connected Smart Cities. O encontro acontecerá no 1º Congresso Internacional Amazonas de Inovação, Agricultura e Sustentabilidade, consolidando a capital amazonense como um dos principais polos de inovação do país. Atualmente, Manaus ocupa a terceira posição no ranking das cidades mais inteligentes do Norte e se destaca nacionalmente na nona colocação no eixo de empreendedorismo.

As reuniões estratégicas regionais são fóruns de alto nível que reúnem especialistas, gestores públicos e representantes do setor privado para debater soluções inovadoras para as cidades brasileiras. Com um ambiente propício para networking e colaboração, os encontros promovem debates fundamentais para o desenvolvimento de municípios mais conectados, sustentáveis e resilientes.

A programação do evento contará com a abertura e apresentação do Connected Smart Cities, seguida da divulgação do Ranking e Selos Connected Smart Cities. Os painéis abordarão temas como sustentabilidade urbana, destacando a importância da energia limpa e da gestão de resíduos, além de estratégias para tornar as cidades mais resilientes diante de desafios ambientais, como secas extremas e recuperação rápida. Entre os destaques da agenda, a discussão sobre Parcerias Público-Privadas (PPPs) e o potencial de investimentos por meio do Fundo FIDRS promete trazer insights valiosos para gestores municipais.

Além de Manaus, outras 17 prefeituras terão a oportunidade de participar das reuniões estratégicas regionais, que ocorrerão de abril a dezembro de 2025. As cidades selecionadas terão benefícios exclusivos, como inscrições cortesia para o evento Cidade CSC, acesso ao curso online “10 Anos de Cidades Inteligentes” e descontos para a participação no curso City Leaders da University College London, em Londres.

Ainda há tempo para inscrever sua cidade e fazer parte desse movimento! As inscrições para as reuniões do segundo semestre estão abertas até 30 de abril. Essa é a oportunidade para que municípios de todo o Brasil se destaquem na construção de um futuro mais inteligente, sustentável e inovador.

Clique aqui para saber mais.

 

COMO A GESTÃO COLABORATIVA ESTÁ TRANSFORMANDO O CONCEITO DE CIDADES INTELIGENTES

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Curso capacita gestores públicos com ferramentas estratégicas para uma gestão mais inovadora

A governança colaborativa tem se consolidado como um modelo essencial para enfrentar desafios cada vez mais complexos na gestão pública. Ao estabelecer parcerias entre diferentes atores da sociedade, como governos, empresas e organizações da sociedade civil, essa abordagem amplia a capacidade de formulação e execução de políticas públicas.

O conceito se baseia na ideia de gestão pública em rede, promovendo colaboração entre instituições para o tratamento de problemas que vão além das fronteiras do Estado. Essas parcerias podem ocorrer de forma público-público (entre entidades governamentais), público-privado (entre o Estado e empresas ou organizações da sociedade civil) e privado-privado (entre empresas e OSCs para enfrentar questões públicas, como sustentabilidade e responsabilidade social).

Leia mais: Governança Inteligente é o Caminho para Cidades mais Sustentáveis e Conectadas

A governança colaborativa busca agregar valor à sociedade, promovendo transparência, confiança e impacto positivo na vida das pessoas. Para isso, alguns elementos são fundamentais: arranjos institucionais, que são regras e recursos estabelecidos para atuação conjunta; relações entre organizações, definindo interações formais e informais; coalizões influenciadoras, que impactam as decisões de políticas públicas; processos de negociação dinâmicos, permitindo ajustes constantes; e gestão de desempenho, garantindo resultados efetivos.

A crescente complexidade dos problemas enfrentados pela sociedade impulsiona a adoção desse modelo. Questões que antes eram resolvidas de maneira segmentada em setores como saúde, educação e segurança, agora exigem um olhar integrado e a participação de diferentes agentes para garantir soluções eficazes.

Leia mais: A Dimensão do ESG e seus Impactos na Gestão e Governança Pública 

Apesar dos benefícios, a implementação da governança colaborativa enfrenta obstáculos significativos. Segundo Camila Murta, advogada especializada em direito público municipal e governança corporativa, Líder GT Compras Públicas da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) e Sr. Procurement Specialist na Amazon Web Services, um dos principais desafios é a resistência cultural dentro dos próprios órgãos governamentais. “Muitos gestores públicos, acostumados com modelos tradicionais de governança, vêem as plataformas de participação cidadã como uma ameaça à sua autoridade ou um complicador desnecessário nos processos decisórios”, explica.

Essa postura resulta, muitas vezes, em implementações superficiais dessas ferramentas, onde elas servem apenas para atender exigências legais, sem um compromisso real com a participação cidadã. Outro ponto destacado pela especialista é a inclusão digital. Em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas, existe o risco de que essas tecnologias ampliem as vozes de quem já tem acesso à informação, enquanto marginalizam ainda mais aqueles sem acesso ao mundo digital.

Leia mais: Governança Eficiente é Base Sólida para Cidades Inteligentes

A solução, segundo Camila Murta, está na mudança de mentalidade dos gestores públicos. “Os gestores precisam ver a participação cidadã não como um obstáculo, mas como um recurso valioso para uma governança mais eficiente e legítima. Isso requer um compromisso genuíno com a transparência e a abertura para o diálogo, mesmo quando as opiniões divergem”, afirma.

A adoção de tecnologias digitais é um dos pilares da governança colaborativa atualmente. Ferramentas como plataformas de participação cidadã, aplicativos de transparência governamental e sistemas de gestão digital permitem uma interação mais eficiente entre governo e sociedade. Essas tecnologias garantem um maior engajamento, proporcionando aos cidadãos a oportunidade de influenciar decisões e acompanhar de perto as ações governamentais.

O tema será aprofundado no Curso 10 Anos de Cidades Inteligentes no Brasil, especificamente no Módulo 7, intitulado “Ferramentas para Governança Colaborativa”. O módulo abordará as tecnologias voltadas ao engajamento cidadão e à governança digital, além de plataformas para participação e transparência. A discussão promete trazer insights valiosos sobre como essas ferramentas podem transformar a relação entre Estado e sociedade, promovendo uma gestão pública mais integrada e eficiente.

Leia mais: Últimos Dias para Garantir sua Vaga no Curso 10 anos CSC 

Mais do que uma capacitação, esse curso é um mergulho profundo na história, desafios e oportunidades que moldaram o conceito de cidades inteligentes no Brasil. Baseado no Relatório Connected Smart Cities – 10 Anos, que reúne contribuições de mais de 150 especialistas dos setores público, privado e acadêmico, ele proporciona um panorama amplo e aprofundado sobre o tema. Além disso, oferece aos participantes ferramentas estratégicas, estudos de caso e um espaço de networking qualificado para gestores que desejam transformar suas cidades em modelos inteligentes e sustentáveis. Se você é um tomador de decisão e quer estar preparado para os desafios do futuro, essa é uma oportunidade única!

Confira mais informações sobre o curso, clique aqui. 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PEDEM AÇÕES CADA VEZ MAIS EFETIVAS DOS GESTORES

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Tecnologia é aliada das cidades nas respostas às ‘violências’ do clima

Não há como fechar os olhos. E se vendar os olhos, as consequências são sentidas nas ruas, avenidas, bairros e cidades. Quando o assunto são as emergências climáticas, toda atenção do Poder Público tem de se debater sobre a questão principal: o que o gestor – especialmente de uma Cidade Inteligente – está fazendo para assegurar uma resposta afirmativa às mudanças do clima sentidas em todas cidades, estados e países?

Partindo da premissa que a não ação a este tema tão atual será catastrófica a curto, médio e longo prazo, em Santos os projetos relativos às respostas das alterações climáticas estão na pauta do dia – e isso não é de hoje. Já em 2016, nossa Cidade criou uma Comissão Municipal de Mudanças Climáticas (CMMC), passando a ser, logo em seguida, um modelo no enfrentamento das emergências climáticas com várias ações consolidadas. 

Outra concreta resposta às reações cada vez mais violentas do clima foi dada há oito anos, quando se estabeleceu o Plano Municipal de Mudança do Clima de Santos. A Cidade foi a primeira do País a ter uma legislação voltada exclusivamente às mudanças climáticas. Em 2022, esta iniciativa passou a se chamar Plano de Ação Climática de Santos (PACS), com a previsão de 50 metas para serem cumpridas entre 2025 e 2050 (https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/santos-traca-plano-com-50-metas-para-reduzir-impactos-ambientais).

Entre as ações planejadas, está o plantio de 10 mil árvores até 2028 (https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/programa-santos-sustentavel-vai-plantar-10-mil-arvores-nos-proximos-quatro-anos). 

Mudanças climáticas
Foto: Henrique Teixeira/Prefeitura de Santos

Em uma ‘smart city’, a resiliência climática tem de andar de mãos dadas com a tecnologia. Tendência cada vez mais forte nas cidades brasileiras, a criação de Centros de Controle Operacional (CCOs) é outro forte elemento usado pelas administrações municipais nas respostas às ocorrências extremas do clima – não só nas capitais, mas também em municípios menores. 

As cidades despertaram para o uso desta importante ferramenta.  Em Santos buscamos nos inspirar em modelos nacionais como o Centro de Operações Rio (COR) e modelos internacionais como Bogotá, Nova Iorque e Singapura. Consolidamos o nosso formato calcado na integração das agências públicas.

Tudo isso para mantermos nossos resultados em nível de excelência. Em janeiro – mês tradicional de fortes chuvas em toda a Baixada Santista -, o monitoramento preciso das 2.900 câmeras ativadas no CCO foi crucial para o registro de ‘zero ocorrências’ graves nos morros e em áreas críticas do Município. E isso considerando que no primeiro mês deste ano, Santos registrou 365,6 mm de chuva – acima da média do índice pluviométrico dos últimos 25 anos para o mês, que é de 326,5 mm.

Mudanças climáticas
Foto: Divulgação/Prefeitura de Santos

Claro que, para este resultado, também foram fundamentais as obras de contenção feitas pela Administração Municipal realizadas nos últimos anos nos morros e áreas de encostas, essenciais para reduzir os impactos de fortes chuvas e minimizando deslizamentos, enchentes e alagamentos na Cidade.

Ainda no item inovação, Santos começou em 2018 um projeto-piloto de proteção costeira implantado pela Prefeitura em parceria com a Unicamp, instalando barreiras submersas (geobags). Esta moderna ferramenta passou a evitar estragos nas calçadas, durante as fortes ressacas, ao mesmo tempo que teve impacto na recuperação da faixa de areia nas praias (https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/protecao-as-praias-de-santos-com-geobags-sera-expandida).

Mudanças climáticas
Foto: Francisco Arrais/Arquivo Prefeitura de Santos

Falando em avanços tecnológicos, é perceptível a noção de que a inteligência artificial (IA) tende a ser outra forte aliada dos gestores na prevenção de eventos climáticos extremos. Ainda estão na memória de todos as imagens das enchentes em várias partes do planeta – desde as do Rio Grande do Sul, entre abril e maio em 20024, como as de em Valência (Espanha), em outubro do ano passado.

Em um futuro próximo, teremos os Centros de Controle Operacional (CCOs) cada vez mais aptos e eficazes para antecipar as tragédias, tornando-se verdadeiros Centros Preditivos de ocorrências de várias naturezas, evitando mortes e perdas. Assim, nossas cidades não terão mais medo do que possa vir do céu e dos demais efeitos das mudanças climáticas.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

ÚLTIMOS DIAS PARA GARANTIR SUA VAGA NO CURSO 10 ANOS CSC

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Capacitação estratégica para gestores que querem transformar suas cidades com inovação e sustentabilidade

Prefeitos, secretários, assessores e profissionais que desejam transformar suas cidades em modelos inteligentes e sustentáveis têm últimos dias para garantir sua participação no curso especial “10 Anos CSC”, uma iniciativa baseada no Relatório Connected Smart Cities – 10 Anos. O curso ocorre nos dias 28 e 29 de abril, em formato híbrido, combinando imersão presencial no Auditório do CREA-SP, em São Paulo, e conteúdo EAD assíncrono.

Diferente de outras capacitações, o curso 10 Anos CSC é resultado de uma década de estudos e colaborações entre mais de 150 especialistas dos setores público, privado e acadêmico. Com base no Relatório CSC, o programa oferece um olhar aprofundado sobre mobilidade, tecnologia, sustentabilidade, segurança e educação, trazendo casos práticos de cidades brasileiras de diferentes portes.

O curso tem o objetivo de capacitar prefeitos eleitos, secretários municipais e assessores estratégicos, e demais envolvidos nas pautas de cidades inteligentes, inovação, tecnologia da informação e comunicação, projetos especiais, planejamento, administração, desenvolvimento econômico e social, transformação digital e dentre outros eixos que permeiam a construção de cidades mais inteligentes e conectadas. Entre os temas abordados no curso estão: Estágios de desenvolvimento das cidades inteligentes; Tendências tecnológicas, como Big Data, 5G e IoT; Ferramentas para planejamento e monitoramento de projetos urbanos; Exemplos reais de gestão inovadora e governança colaborativa.

O programa é dividido em duas partes: Presencial (28 e 29 de abril | CREA-SP – São Paulo): serão dois dias de imersão estratégica com especialistas, troca de experiências e discussões sobre o futuro das cidades. Já o EAD Assíncrono contará com 24 módulos de aprofundamento, com estudos de caso, videoaulas e quizzes.

Garanta sua vaga! As vagas são limitadas e as inscrições estão na reta final. Para participar, acesse o site oficial do Connected Smart Cities e faça sua inscrição antes do encerramento das vagas: https://learn.connectedsmartcities.com.br/curso-10-anos-de-cidades-inteligentes-no-brasil/ 

Não perca essa oportunidade de fazer parte do futuro das cidades inteligentes no Brasil!

SUA CIDADE AINDA NÃO TEM UM GÊMEO VIRTUAL? CALMA… MAS ELA VAI PRECISAR TER.

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O Gêmeo Virtual é uma plataforma estratégica que transforma dados em decisões. Ele simula, analisa e projeta o comportamento de cidades inteiras com base em dados coletados em tempo real. Cidades como Rennes, Paris, Cairo, Jaipur, Singapura, Kyoto e New Brunswick já utilizam essa tecnologia para tornar sua gestão urbana mais inteligente, segura e sustentável.

A partir de sensores, câmeras e sistemas conectados, é possível construir uma representação virtual do ecossistema urbano. Isso permite à administração pública monitorar e reagir em tempo real, antecipando problemas e otimizando recursos.

No Brasil, onde os desafios com segurança pública são enormes, o Gêmeo Virtual pode ser decisivo. Com ele, é possível mapear vulnerabilidades, planejar ações de segurança, prever cenários críticos e reagir com mais precisão. 

Em casos de desastres naturais, como enchentes ou deslizamentos, o Gêmeo Virtual ajuda a planejar evacuações e redirecionar recursos com base em simulações realistas — salvando vidas e reduzindo impactos.

A mobilidade urbana também ganha muito com essa tecnologia. Por meio do Gêmeo Virtual, gestores podem analisar padrões de tráfego, prever congestionamentos e testar, de forma segura e antecipada, novas rotas de ônibus, ciclovias ou mudanças no trânsito. O resultado: menos tempo no trânsito, menos poluição, mais qualidade de vida.

Já o Gêmeo Digital entra em cena quando o objetivo é representar com precisão física a estrutura de um prédio, ponte ou sistema específico. Essa réplica digital pode identificar falhas estruturais, prever manutenções e aumentar a segurança da infraestrutura urbana.

Ao testar cenários hipotéticos, tanto Gêmeos Virtuais quanto Digitais permitem que gestores avaliem o impacto de novos empreendimentos, alterações no zoneamento ou projetos de infraestrutura antes que qualquer ação aconteça de fato — reduzindo custos e riscos.

O Gêmeo Virtual é, portanto, indispensável para cidades que desejam se modernizar e enfrentar os desafios do crescimento urbano. Ele integra monitoramento, planejamento, segurança e mobilidade em uma só plataforma.

Sua cidade vai ter que ter. Ou vai ficar para trás na revolução tecnológica, que já começou.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

COP30: BELÉM (PA) RECEBE 40 ÔNIBUS ELÉTRICOS PARA REDUZIR EMISSÕES DO TRANSPORTE PÚBLICO

Capital paraense, que prepara a realização da COP 30, compra modelo e-Bus, da Eletra, para circular em corredor da região metropolitana

Em meio aos preparativos para sediar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em novembro, a cidade de Belém (PA) dá um passo importante para diminuir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) no meio ambiente ao comprar ônibus elétricos.

Com investimento de R$ 486 milhões mediante licitação, o governo do Pará adquiriu 265 ônibus destinados exclusivamente ao Sistema BRT Metropolitano, que serve a região metropolitana de Belém.

Segundo a Agência de Regulação e Controle dos Serviços Públicos de Transporte (Artran), responsável por acompanhar e fiscalizar o processo da compra, 40 veículos são elétricos e 225 movidos a diesel modelo Euro 6. Ou seja, eles vêm equipados com a tecnologia de redução de 80% dos poluentes: 133 da Volkswagen e 92 da Mercedes-Benz.

Os 40 e-Bus são da Eletra e vão rodar no Corredor de Transporte Coletivo BRT Almirante Barroso. Fabricados inteiramente no Brasil, os veículos possuem chassi da Mercedes, carroceria Caio e motor elétrico, inversor e bateria da WEG recarregável em quatro horas.

Ônibus elétricos silenciosos com ar-condicionado

Com 12 metros de comprimento, o ônibus é silencioso, dispõe de ar-condicionado, wi-fi e entradas USB. Ele tem autonomia de 220 quilômetros, pode acomodar até 74 passageiros e oferece espaços para cadeirante e bicicleta. O piso se conecta diretamente ao nível da plataforma BRT, facilitando o acesso dos usuários.

Esta é a segunda aquisição de ônibus elétricos para a capital paraense. Em julho do ano passado, a cidade incorporou cinco veículos da fabricante chinesa Higer Bus – representada no Brasil pela empresa TEVX –  modelo Azure A12 BR. Uma particularidade do Azure é a construção em monobloco, considerado um padrão avançado para os ônibus de transporte público.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente afirma que a meta do Pará é reduzir em 37% as emissões de GEE até 2030 e 43% cinco anos mais tarde. “O sistema BRT terá participação importante no trabalho de descarbonização, porque vai conectar o terminal da capital aos municípios de Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará e Santa Izabel do Pará”, afirma Cláudio Conde, diretor de regulação e planejamento da Artran.

Ele acrescenta que o passageiro precisará de apenas um bilhete para embarcar, acessar pontos de parada, estações ou terminais de integração de sua escolha.

Vistoria dos ônibus elétricos

Ao receber os novos veículos, a Artran executa a vistoria no estacionamento do Estádio Olímpico Novo Mangueirão, a fim de verificar se todos os itens inseridos no contrato estão em conformidade. Em seguida, eles são repassados ao sistema BRT para entrar em operação. “Encaminhamos os ônibus elétricos em lotes de 10 unidades”, informa Conde.

Com os novos ônibus, o Sistema BRT Metropolitano espera abreviar os deslocamentos entre os municípios da Grande Belém, melhorar a oferta de transporte nos bairros e baratear as despesas e aumentar a comodidade dos passageiros durante as viagens.

“Estamos construindo um novo sistema de mobilidade para que a população chegue mais rápido no seu local de trabalho e na sua casa, podendo passar mais tempo com a família”, afirma.

Conde acredita que, do ponto de vista técnico, o ônibus elétrico é tão bom ou melhor que o modelo com motor a combustão. “Além disso, o e-Bus proporciona mais conforto aos passageiros e agride bem menos o meio ambiente”, comemora o executivo”.

Preparo para a COP30

Os ônibus elétricos que começarão a rodar em Belém se juntam aos e-Bus da Eletra já em: Divl circulação em outras cidades brasileiras, como São Paulo, Sorocaba, Vargem Grande Paulista, Bertioga, Osasco, Guarujá, São Bernardo do Campo (SP), Goiânia (GO), Salvador (BA), Vitória (ES), Porto Alegre (RS) e Manaus (AM).

A modernização do transporte público da região metropolitana de Belém vai ao encontro da organização da COP 30, que deverá reunir representantes de mais de 190 países para debater e acordos com vistas à redução de emissões de GEE e ao combate das mudanças climáticas.

“Para sediar o evento, o governo do Pará iniciou os preparativos com mais de um ano de antecedência. É um trabalha em conjunto com os governos federal e municipal e também com a iniciativa privada para preparar a capital”, explica Conde.

O diretor da Artran revela que o Estado vem tomando uma série de medidas, como a contratação de consultoria para fazer o diagnóstico e mapear as soluções para a cidade sediar a conferência. “O transporte público está no contexto da sustentabilidade e tem o objetivo de viabilizar o ir e vir das pessoas sem causar transtornos na cidade e sem poluir o meio ambiente”, completa.

Fonte: Mobilidade Estadão

A IMPORTÂNCIA DE PEQUENOS MUNICÍPIOS INVESTIREM EM PROJETOS DE CIDADES INTELIGENTES

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          No Brasil, cerca de 95% dos municípios possuem menos de 100.000 habitantes, sendo que uma parcela significativa tem menos de 20.000 moradores. Esse cenário destaca a importância de pequenas cidades adotarem tecnologias inteligentes para promover o desenvolvimento sustentável e melhorar a qualidade de vida da população.

          Investir em tecnologia e digitalização pode gerar economias significativas para os municípios. Estudos indicam que, para cada R$ 1,00 investido em tecnologia, o Estado pode economizar até R$ 420,00 em eficiência operacional e redução de custos. Essas economias podem ser direcionadas para áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento e melhoria dos serviços públicos.

          A transformação em uma cidade inteligente traz inúmeros benefícios para pequenos municípios. A implementação de soluções tecnológicas melhora a gestão pública, reduz desperdícios e otimiza recursos. Além disso, permite maior transparência e participação cidadã, facilitando o acesso a serviços públicos e promovendo a inclusão digital.

          A digitalização também potencializa a segurança pública com monitoramento inteligente, ampliando a capacidade de prevenção e resposta a incidentes. Sistemas de iluminação pública inteligentes, por exemplo, reduzem custos energéticos e aumentam a segurança das ruas.

          Além disso, a conectividade e a automação incentivam o crescimento econômico, tornando a cidade mais atrativa para investimentos e novos empreendimentos. Pequenos negócios também se beneficiam de plataformas digitais que facilitam o acesso a crédito, clientes e mercados.

          A iniciativa Connected Smart Cities desempenha um papel essencial no apoio às cidades que buscam se tornar mais inteligentes e conectadas. Por meio de rankings, eventos e compartilhamento de melhores práticas, essa plataforma auxilia os municípios a identificarem oportunidades de inovação e implementarem soluções tecnológicas eficientes. Além disso, incentiva a colaboração entre diferentes cidades, possibilitando a troca de experiências e o fortalecimento de políticas públicas inovadoras.

          Jaguariúna, com aproximadamente 58.000 habitantes, é um exemplo notável de cidade que se transformou em uma smart city. Pelo quinto ano consecutivo, foi eleita a cidade mais inteligente e conectada do Brasil na faixa de 50.000 a 100.000 habitantes, de acordo com o ranking Connected Smart Cities 2024.

          A cidade se destaca em diversos eixos:

  • Educação: Jaguariúna conquistou a segunda colocação nacional, implementando o projeto Escola Conectada, que permite matrículas online e acompanhamento em tempo real do desempenho dos alunos.
  • Urbanismo: Ocupou a terceira posição com iniciativas como o Planta On-Line, que agiliza a aprovação de projetos de edificação, reduzindo burocracias e otimizando processos.
  • Economia: A cidade registrou um crescimento de 2,8% no número de empregos e um aumento de 14,1% no número de empresas no período analisado, sendo que 22,4% da força de trabalho formal atua no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).
  • Tecnologia: Jaguariúna possui 99% de cobertura 5G e uma velocidade média de 80,82 Mbps nas conexões de banda larga. Além disso, conta com uma incubadora de empresas voltadas para inovação e tecnologia.

          A adoção de tecnologias inteligentes por pequenos municípios brasileiros é essencial para promover eficiência, sustentabilidade e qualidade de vida. Iniciativas como a Connected Smart Cities oferecem suporte valioso nesse processo, enquanto exemplos como Jaguariúna demonstram que é possível alcançar a excelência e se tornar um modelo de referência para outras cidades do país. Investir em digitalização não é apenas uma tendência, mas uma necessidade para garantir o futuro das cidades e o bem-estar de seus cidadãos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

CURSO INTERNACIONAL DA UCL PREPARA GESTORES PARA CIDADES INTELIGENTES

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O curso City Leaders oferecerá aulas com especialistas renomados, visitas técnicas e networking em Londres, conectando participantes ao Cidade CSC e às principais inovações urbanas globais

Gestores públicos, especialistas, lideranças políticas e técnicos da gestão pública local terão uma oportunidade única de capacitação em 2025. Entre os dias 01 e 05 de setembro, a renomada University College London (UCL) sediará o City Leaders, um programa internacional focado em inovação para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes e sustentáveis.

O City Leaders tem uma abordagem pedagógica diversificada que combina teoria e prática para capacitar gestores públicos, lideranças políticas, técnicos da gestão pública local, especialistas e profissionais do terceiro setor e iniciativa privada na construção de cidades mais inovadoras. Durante os cinco dias de curso, os participantes terão acesso a 12 aulas presenciais ministradas por acadêmicos de renome e profissionais do setor; sessões de trabalho em grupo e apresentações para troca de experiências e desenvolvimento de projetos; sessões Connected Smart Cities, promovendo um ambiente de discussão crítica sobre inovação urbana; visitas técnicas a locais estratégicos de Londres, onde serão apresentadas soluções urbanas inovadoras; e sessões de networking para conexão com especialistas e líderes da área.

Com uma carga horária de 40 horas/aula e certificação internacional, o curso proporciona uma experiência intensiva e transformadora para os participantes. Além do aprendizado técnico e das trocas de experiência durante o programa, os alunos do City Leaders terão condições especiais para participar do Cidade CSC, o maior evento de cidades inteligentes da América Latina. O Cidade CSC reúne especialistas, startups, governos e empresas inovadoras para debater soluções para cidades inteligentes, oferecendo aos participantes do curso uma oportunidade única de ampliar sua rede de contatos e compartilhar boas práticas com outros líderes do setor.

Por que escolher o City Leaders na UCL?

A UCL é uma das melhores universidades do mundo, classificada em 8º lugar pelo QS World University Rankings (2023). A instituição abriga a Development Planning Unit (DPU), parte da Bartlett Faculty of the Built Environment, que foi classificada como a melhor instituição do mundo na sua área de expertise, segundo o QS World Rankings. A DPU conduz pesquisas e ensino de pós-graduação voltados ao planejamento e desenvolvimento urbano sustentável, capacitando governos, ONGs e empresas a trabalhar por cidades mais justas e sustentáveis.

Os participantes do City Leaders terão aulas com professores de renome internacional, como Prof. Michael Batty (CASA, UCL), Prof. Andy Hudson-Smith (CASA, UCL), Prof. Ayona Datta (UCL Department of Geography), Dr. Robert Cowley (King’s College London) e Dr. Daniel Oviedo (DPU, UCL).

O curso será realizado presencialmente em Londres com tradução simultânea. São apenas 80 vagas e os interessados devem se preparar para uma experiência intensa e enriquecedora, que combina aulas teóricas, visitas práticas e a possibilidade de ampliar conexões internacionais.

Se você busca aprofundar seus conhecimentos sobre inovação urbana, o City Leaders é a oportunidade ideal para transformar sua atuação profissional e impactar positivamente sua cidade. A realização do City Leaders é uma iniciativa da Necta, empresa responsável pelo Connected Smart Cities, a maior plataforma de cidades inteligentes da América Latina.

Para mais informações sobre inscrições e cronograma completo, acesse o site oficial do programa: https://learn.connectedsmartcities.com.br/ 

CIDADES AAA: A NOVA MÉTRICA DO DESENVOLVIMENTO URBANO

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Diante dos desafios urbanos, cidades que não se reinventam ficam para trás. Por outro lado, as que avançam seguem um padrão claro denominado AAA.

Por que algumas cidades crescem de forma estruturada e sustentável enquanto outras enfrentam dificuldades recorrentes? O que determina o sucesso de um município na gestão pública?

A resposta não está apenas no orçamento ou na infraestrutura, mas na maneira como essas cidades aprendem, executam e se adaptam a essa nova realidade.

A partir da análise de modelos de desenvolvimento urbano e tendências globais, é possível identificar três fatores críticos que diferenciam cidades que evoluem daquelas que permanecem estagnadas.

São elas, as Cidades AAA, caracterizadas por três pilares essenciais:

  • Alta capacidade de aprendizado – absorvem inovação e evoluem constantemente.
  • Alta capacidade de execução – transformam planejamento em ação real.
  • Astúcia (Street Intelligence) – encontram soluções mesmo com poucos recursos.

Nos últimos anos, municípios que incorporaram esses princípios registraram avanços significativos na modernização de serviços públicos, na otimização de processos administrativos e na melhoria da qualidade de vida da população. O que essas cidades fazem de diferente?

Aprendizado e adaptação como vantagem competitiva

A capacidade de uma cidade de se desenvolver está diretamente ligada à sua disposição para aprender e se adaptar. O conceito de Cidades Inteligentes se tornou uma referência no debate urbano, mas seu impacto varia conforme o contexto e a forma como as soluções são implementadas.

Não basta replicar modelos de sucesso de outras regiões sem considerar as especificidades locais. Inovações aplicadas sem estratégia correm o risco de se tornarem investimentos ineficazes.

A diferença entre cidades que avançam e as que desperdiçam oportunidades está na capacidade de filtrar, adaptar e aprimorar soluções.

Esse processo exige um ciclo contínuo de aprendizado, em que a gestão municipal se baseia em dados concretos, busca boas práticas globais e locais e testar novas abordagens de forma estruturada.

É um efeito cascata: aprender, aprimorar e aplicar. Quando esse ciclo se rompe, os avanços ficam no discurso e os problemas se acumulam.

Planejamento sem execução é desperdício

Governos elaboram planos de gestão e planejamento urbano, mas a execução ainda é o maior desafio. Um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que 70% dos planos diretores no Brasil não saem do papel ou são implementados de forma parcial, resultando em desperdício de tempo e recursos públicos.

Nas Cidades AAA, o planejamento não é um documento estático, mas um processo dinâmico, que avança por meio de ajustes contínuos e da medição de impacto. A implementação eficaz depende de alguns fatores-chave:

  • Gestores capacitados para tomar decisões ágeis.
  • Redução da burocracia para viabilizar projetos essenciais.
  • Fomento à cultura de inovação dentro da administração municipal.

A cidade de Sorocaba (SP) avançou nesse sentido ao digitalizar processos administrativos, reduzindo a dependência do papel para aumentar a eficiência operacional. Com a transformação digital do Protocolo Geral da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan), foram eliminadas mais de duas toneladas de papel por ano.

Além da economia direta, a digitalização resultou na tramitação de mais de 22 mil processos de forma 100% digital, beneficiando cidadãos e servidores públicos com um sistema mais ágil e seguro.

Essa capacidade de transformar planejamento em resultado concreto é o que diferencia as cidades que apenas reagem a problemas daquelas que evoluem constantemente.

Astúcia e inteligência prática: Fazendo mais com menos

O cenário fiscal brasileiro impõe desafios crescentes para a gestão municipal. Em 2023, o déficit fiscal dos municípios chegou a R$ 16,2 bilhões, segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM). Entre 2022 e 2023, os gastos com pessoal cresceram 13,2%, um aumento de R$ 47,6 bilhões.

Metade dos municípios brasileiros já opera no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Em 49% das cidades, a receita arrecadada não cobre as despesas básicas, colocando a administração municipal sob alerta.

Nesse cenário, fazer mais com menos se torna um fator determinante para a sustentabilidade dos serviços públicos. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), 30% das tarefas administrativas no setor público podem ser automatizadas, reduzindo o tempo de processamento de demandas burocráticas em até 74%.

A automação não substitui a gestão pública, mas possibilita a realocação de servidores para funções estratégicas, eliminando gargalos que impactam diretamente a população.

Um exemplo disso ocorreu em Patos de Minas (MG), onde a digitalização de processos na Secretaria Municipal de Saúde reduziu o tempo de avaliação de imunobiológicos especiais de 30 dias para 20 minutos. A integração digital entre 33 municípios da macrorregião viabilizou um fluxo mais ágil de informações e atendeu uma demanda reprimida de forma eficaz.

Além da melhoria no atendimento, a modernização administrativa resultou na economia de 10 toneladas de papel e R$3 milhões em custos operacionais.

A tríade do desenvolvimento

O conceito de Cidades AAA já está moldando o futuro da gestão pública. Municípios que adotam esses princípios se tornam mais eficientes, resilientes e preparados para lidar com desafios estruturais.

Se uma cidade ainda enfrenta dificuldades para avançar, é necessário questionar o modelo de gestão e sua capacidade de adaptação. O desenvolvimento sustentável não acontece por acaso – ele é construído com aprendizado contínuo, execução eficaz e inteligência na alocação de recursos.

A pergunta que permanece é: sua cidade está preparada para ser AAA ou continuará apenas reagindo às crises?

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities