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Em ata, Banco Central não dá indícios de corte dos juros no início de 2026

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O BC (Banco Central) divulgou a ata com as motivações que resultaram na manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva. O documento do Copom (Comitê de Política Monetária) destaca que a preocupação com a inflação ainda persiste e não dá indícios do início do ciclo de cortes dos juros, como prevê o mercado financeiro a partir do primeiro trimestre de 2026.

O que diz a ata

  • BC não dá sinais de queda da taxa básica de juros. Ao justificar a nova manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, os diretores do Copom avaliam que a decisão é compatível com a estratégia de aproximar a inflação do centro da meta de 3% definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). “A estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata.
  • Novas elevações da taxa Selic não são descartadas. “O Comitê seguirá vigilante e, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado”, destaca a autoridade monetária, apesar de reconhecer o arrefecimento da inflação e da atividade econômica. “À luz de tais dados, o Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta.”
  • Riscos inflacionários seguem elevados, afirma o BC. Os diretores reconhecem a trajetória de declínio do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), mas ressaltam que o indicador permanece acima da meta “em todos os horizontes”. A ata destaca que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas e avalia que “perseverança, firmeza e serenidade” na condução da política monetária vão favorecer no arrefecimento da inflação.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.” Ata da 275ª reunião do Copom.

Fonte: UOL

P3C Regional Nordeste reuniu lideranças e reforçou o potencial da região em PPPs e Concessões

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Evento em Maceió destacou oportunidades em saneamento, energia renovável e infraestrutura

A Plataforma P3C desembarcou em Maceió para realizar o P3C Regional Nordeste, reunindo os principais representantes do setor público e privado, investidores e especialistas, que tem como objetivo discutir os desafios e oportunidades de infraestrutura e serviços na região. O evento, que integra o calendário nacional da Plataforma, reforçou o compromisso de promover um ambiente de negócios mais previsível, seguro e orientado por boas práticas de governança, responsabilidade social e ambiental.

Com mais de 600 participantes, 45 palestrantes, três palcos simultâneos e nove painéis temáticos, o encontro trouxe para o centro das discussões temas estratégicos como descarbonização, energias renováveis, mobilidade e transporte, portos, saneamento e infraestrutura social. A 3ª P3C Regional Nordeste contou com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Governo Federal, fortalecendo ainda mais o diálogo sobre investimentos e modelos de parceria no país. Representantes dos nove estados nordestinos se reuniram para debater soluções inovadoras e fortalecer o ecossistema de parcerias público-privadas (PPPs), que têm se mostrado um caminho eficiente para transformar a infraestrutura e impulsionar o desenvolvimento regional.

Dentre os palestrantes do P3C Regional Nordeste, destacam-se líderes do setor público e privado, entre eles: José Aliperti Jr, CEO e fundador da Astra, Infraestrutura e Concessões Educacionais; Luiz Felipe Graziano, sócio da Giamundo Neto Advogados; Caio Buarque, Subsecretário de Parcerias e Ações Estratégicas da Prefeitura de Maceió; Rafael Tinelli, Diretor de Parcerias e Concessões do IPGC – Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades; Fernando Vieira, Diretor-Geral da Iguá Saneamento Sergipe; e Luciene Machado, Superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Leia mais: Julho tem pico de 54 novas PPPs, com destaque para rodovias

A Região Nordeste, que abriga 26,9% da população brasileira, cerca de 56,4 milhões de pessoas, tem se destacado por seu potencial em áreas que combinam urgência social e oportunidades de investimento. Projetos voltados à infraestrutura de abastecimento de água e saneamento, por exemplo, têm sido apontados como essenciais não apenas para a melhoria dos serviços urbanos, mas também para o desenvolvimento do semiárido, com impacto direto na economia local.

Leia mais: Encontro de Municípios de FDIRS reúne gestores para debater PPPs e concessões 

Além dos debates nos palcos, o evento contou com rodadas de negócios, espaços de exposição e estações de trabalho. Essas iniciativas regionais culminaram no P3C Nacional, que será realizado em São Paulo e reunirá os principais atores do ecossistema brasileiro de infraestrutura. O evento nacional consolida o propósito da Plataforma P3C: fortalecer um movimento coletivo de transformação, capaz de unir boas práticas, inovação e parcerias estratégicas para impulsionar um Brasil mais sustentável, conectado e competitivo.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Câmara confirma envio ao Senado do projeto do novo Plano Nacional de Educação

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Deputados rejeitaram recurso e, com isso, aceleraram o envio da proposta

A Câmara dos Deputados rejeitou um recurso contra a votação em caráter conclusivo do projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE – PL 2614/24) e, com isso, determinou o envio do texto ao Senado. A proposta define diretrizes, metas e estratégias para a política educacional brasileira para um período de dez anos.

O projeto foi aprovado na semana passada em comissão especial sobre o tema, na forma do parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE).

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), explicou que a rejeição do recurso permitirá ao Senado votar o PNE ainda neste ano. “Fizemos esse recurso para agilizar a tramitação do Plano Nacional de Educação, que foi aprovado por unanimidade na comissão especial. Com certeza a Câmara dá uma grande contribuição para a educação do nosso país”, disse.

Como a proposta tem tramitação conclusiva, ela iria para o Senado, mas somente após prazos de recursos. “Considerando que o recurso foi rejeitado, o projeto segue a tramitação prevista e encontra-se pronto para a redação final”, disse Motta. O recurso foi apresentado pela presidente da comissão especial, deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

A sessão legislativa, tempo de funcionamento do Congresso no ano, vai até 22 de dezembro. Ou seja, esta é a última semana de votações deste ano.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Investir em PPPs é apostar no Brasil que funciona

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No primeiro encontro em Lisboa do ciclo “Conversas” da Camara de comércio e indústria luso brasileira, João Marques da Cruz, consultor internacional e ex-presidente da EDP Brasil, diz que são as parcerias públicas-privadas que garantem previsibilidade e sustentam investimentos de longo prazo

Aquela frase que, mesmo dita sem ênfase, desmonta metade do ruído que hoje envolve o Brasil: “continua a ser uma terra de oportunidades”. João Marques da Cruz não a pronuncia como slogan. Di-la como quem já atravessou governos, moedas, ciclos de euforia e de retração — e ficou.

A sua leitura é simples e, por isso mesmo, desconfortável para quem prefere narrativas fáceis: o Brasil muda governos, mas mantém políticas estruturantes. E essa continuidade tem um nome pouco sedutor, porém decisivo — parcerias público-privadas. Para ele, são o eixo invisível que sustenta a presença de empresas portuguesas no país há décadas. Rodovias, aeroportos, energia: tudo passa, de uma forma ou de outra, por esse modelo. E passou no passado. Continua a passar agora.

Quando lembra que a EDP entrou no Brasil ainda no tempo de Itamar Franco, não está a fazer história empresarial. Está a sublinhar um dado essencial: atravessaram-se crises cambiais, planos económicos, alternâncias políticas — e a política manteve-se. Não é pouco num país continental.

Mas talvez o ponto mais lúcido da sua intervenção seja este: não há um Brasil, há muitos Brasis. Dito assim, sem metáfora. Há estados que funcionam como motores regionais — Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso — economias com lógica própria, dinâmicas próprias, decisões próprias. Pensar o Brasil como bloco homogéneo é o primeiro erro estratégico de quem investe.

Daí a advertência que deixa, quase em tom de conselho privado: escolher parceiros locais não é detalhe, é condição. Locais de verdade — que conheçam o território, o poder político regional, os equilíbrios institucionais. Sem isso, não há projeto que aguente.

No setor energético, João Marques da Cruz é igualmente direto. O Brasil tem energia barata — um ativo raro num mundo em tensão. Mas esse trunfo traz um paradoxo: a explosão das renováveis pressiona redes de transmissão, exige investimento pesado, cria riscos técnicos reais. Não há romantismo verde aqui. Há engenharia, sistema, custo.

Quando fala dos data centers, desmonta outra expectativa inflacionada. Investiu-se como se fossem surgir em cada esquina. Não surgiram. Podem surgir — mas não no ritmo que se imaginou. Planeamento feito sobre desejo costuma cobrar juros altos.

E no comércio bilateral, fecha o raciocínio com números que não permitem ilusões: o Brasil representa cerca de 1,8% das exportações portuguesas. Não é essencial. Mas fora da União Europeia, está sempre entre os três principais destinos. O suficiente para não ser descartado. E demasiado relevante para ser tratado com improviso.

No fundo, o que João Marques da Cruz faz é algo raro: retira o Brasil da caricatura. Nem promessa infinita, nem problema insolúvel. Um país complexo, desigual, exigente — mas estruturalmente consistente em certos pilares. Quem entende isso, fica. Quem não entende, sai dizendo que “o Brasil mudou”.

Talvez nunca tenha mudado tanto assim. Talvez apenas não tolere amadores.

Fonte: CNN Brasil

Brasil registra recorde com 4,6 milhões de pequenos negócios em 2025

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Número supera resultado de 2024, com 4,1 milhões de empresas criadas

O Brasil abriu 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, número que já supera o resultado de 2024, quando foram criadas 4,1 milhões de empresas. Os dados mostram alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, consolidando o melhor desempenho da série histórica.

Os pequenos negócios representaram 97% das empresas abertas no país em 2025. Entre elas, 77% são microempreendedores individuais (MEI), 19% são microempresas e 4% são empresas de pequeno porte.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que o crescimento reflete a confiança dos empreendedores no cenário econômico. Segundo ele, o país vive “situação de pleno emprego e inflação sob controle”, fatores que estimulam a abertura de novos negócios.

“Sessenta por cento dos brasileiros sonham em empreender. O empreendedorismo é porta para inclusão, geração de empregos e renda”, disse.

Em novembro, o país registrou a abertura de 350 mil novos pequenos empreendimentos, 28 mil a mais do que no mesmo mês de 2024.

Serviços lideram novos registros

O setor de serviços respondeu por 64% das novas empresas abertas até novembro. Nesse segmento, a abertura de MEI cresceu 24,5% em relação ao mesmo período de 2024. Em seguida, aparecem o comércio, com 21% do total, e a indústria, com 7%.

São Paulo (29%), Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8%) foram os estados que mais registraram abertura de pequenos negócios em 2025.

Atividades com maior número de novos empreendimentos

Microempreendedores individuais (MEI):

  • Atividades de malote e entrega: 22.986 novos MEI (9%)
  • Transporte rodoviário de carga: 19.753 novos MEI (7%)
  • Atividades de publicidade: 16.091 novos MEI (6%)

Micro e pequenas empresas (MPE):

  • Atenção ambulatorial por médicos e odontólogos: 4.981 novas MPE (6%)
  • Serviços combinados de escritório e apoio administrativo: 3.949 novas MPE (5%)
  • Atividades de saúde, exceto médicos e odontólogos: 3.326 novas MPE (4%)

Fonte: Agência Brasil

Resiliência financeira em contratos de concessão e parcerias público-privadas

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Requisito estrutural para a sustentabilidade das políticas públicas

Os contratos de concessão e de parcerias público-privadas (PPPs) tornaram-se instrumentos centrais para a execução de políticas públicas de infraestrutura no Brasil. Sua natureza complexa, de longa duração e com elevada assimetria de riscos exige modelos contratuais capazes de suportar oscilações econômicas, mudanças regulatórias, choques externos e eventos imprevistos.

Nesse contexto, a resiliência financeira (entendida como a capacidade do contrato de se adaptar e se recuperar de perturbações adversas, preservando o equilíbrio econômico-financeiro e garantindo a continuidade da prestação adequada do serviço) passa a ser elemento estruturante da boa governança contratual.

Sem mecanismos que permitam absorver e responder a eventos disruptivos, os contratos tornam-se frágeis, suscetíveis a disputas, interrupções, necessidade de renegociação constante e, em casos extremos, caducidade.

O equilíbrio econômico-financeiro, previsto no art. 37, XXI da Constituição Federal e regulamentado na Lei 8.987/1995, estabelece que o contratado deve preservar a relação entre encargos assumidos e remuneração recebida. Entretanto, a experiência brasileira mostrou que a mera recomposição ex post, muitas vezes, não é suficiente para lidar com eventos severos ou recorrentes.

Nesse sentido, a resiliência financeira amplia essa perspectiva ao incorporar uma visão sistêmica e preventiva: não basta recompor; é necessário projetar o contrato para resistir. E elementos que compõem essa resiliência incluem:

  • modelagens econômico-financeiras robustas, capazes de simular diferentes cenários macroeconômicos;
  • mecanismos automáticos de revisão e reajuste, reduzindo litigiosidade;
  • distribuição eficiente e calibrada de riscos, com matriz revisitada periodicamente e coerente com a capacidade de mitigação de cada parte;
  • estruturas de garantias e colchões financeiros, como fundos de reserva, contas vinculadas e step-in rights; e
  • indicadores de desempenho que dialoguem com o risco, evitando transferências excessivas e incompatíveis com a realidade operacional.

Esses instrumentos permitem que o contrato absorva variações de demanda, inflação, custos operacionais e impactos excepcionais, como crises sanitárias ou desastres climáticos – fenômenos cuja intensidade e frequência vêm crescendo[1].

De fato, nos últimos anos, concessões e PPPs no Brasil foram expostas a choques significativos: recessões econômicas, eventos climáticos extremos, mudanças legislativas, alta volatilidade cambial e crises de demanda. Tais impactos revelaram fragilidades estruturais e a necessidade de aprimoramento da engenharia contratual.

Esse cenário evidencia que não há contrato de longo prazo sem mecanismos de adaptação. A ausência de resiliência financeira produz efeitos deletérios, como aumento de pedidos de reequilíbrio; excessiva judicialização; redução da capacidade de investimento do concessionário; encarecimento do crédito; deterioração do serviço prestado ao usuário; e risco de descontinuidade contratual.

Ao contrário, contratos financeiramente resilientes funcionam como amortecedores institucionais, permitindo respostas rápidas e previsíveis. No entanto, a resiliência não é apenas um atributo do desenho inicial do contrato; é também um produto de sua gestão de longo prazo. A Lei 14.133/2021 e a Lei 11.079/2004 reforçam a importância de mecanismos de governança, comissões de acompanhamento, transparência e monitoramento de riscos.

Nesse sentido, destacam-se:

  • revisões periódicas do contrato, independentemente de pleitos formais;
  • comissões de governança com participação técnica, reduzindo assimetrias de informação;
  • mapeamento contínuo de riscos, com planos de mitigação e monitoramento;
  • integração entre indicadores financeiros, operacionais e regulatórios; e
  • disclosure sistemático de informações ao financiador e ao poder concedente.

Uma governança robusta, portanto, reduz comportamentos oportunistas, melhora o alinhamento entre as partes e amplia a previsibilidade dos impactos econômicos, fortalecendo o ambiente institucional e mitigando custos futuros de transação.

A resiliência financeira dos contratos de concessão e PPPs, portanto, é elemento essencial para a sustentabilidade das políticas públicas e para a preservação do equilíbrio econômico-financeiro ao longo de sua execução. Contratos capazes de se adaptar econômica e financeiramente, e se recuperar de eventos adversos reduzem riscos, fortalecem a confiança entre os agentes, evitam rupturas e garantem a continuidade do serviço público.

Avançar nessa agenda implica combinar modelagem robusta, governança qualificada, gestão ativa de riscos e transparência. Somente assim será possível construir contratos mais estáveis, eficientes e alinhados às demandas de um país que depende fortemente da infraestrutura para seu desenvolvimento econômico e social.


[1] A intensificação de eventos climáticos extremos e seus efeitos sobre infraestrutura têm sido amplamente documentados em relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) e em análises do Banco Mundial.

Fonte: JOTA

Fundo para financiar transporte coletivo da Capital pode nem sair do papel

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Idealizado em outubro pela Câmara Municipal, projeto está em análise e corre risco de ser inconstitucional, diz especialista

Idealizado pela Câmara Municipal de Campo Grande visando levar segurança financeira ao transporte público da Capital, o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (FMMUT) pode nem sair do papel por correr risco de ser inconstitucional, segundo especialista em Direito entrevistado pelo Correio do Estado.

Em 23 de outubro, um dia depois dos motoristas pararem por 1 hora e 30 minutos a circulação dos ônibus em Campo Grande, a Casa de Leis criou o Projeto de Lei nº. 12.127/2025. Conforme consta no texto que define detalhes sobre o fundo, o objetivo dele é “assegurar a captação, gestão e aplicação de recursos destinados à execução de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana, ao transporte coletivo e à infraestrutura viária”.

Contudo, segundo o professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro Rogério Monteiro de Oliveira, o projeto tem um teor do chamado vício de iniciativa, que é quando um projeto de lei é criado por quem não tem a prerrogativa constitucional para tal, sendo reservada essa prerrogativa a um dos Poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário).

“Em tese tem vício de iniciativa, deveria ser de iniciativa do Executivo Municipal”, afirma.

O especialista também chama a atenção para a ausência de justificativa legal para o projeto virar lei. Nas justificativas presentes no projeto, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), cita a importância do Fundo para o transporte público de Campo Grande e o contexto atual de necessidade urgente do projeto ser aprovado, mas não cita leis ou outras normas.

“Com o Fundo, o Município passa a dispor de um instrumento permanente de financiamento e de planejamento estratégico, capaz de garantir maior estabilidade e autonomia à gestão pública da mobilidade”, diz Papy em uma das justificativas, além de acrescentar que o transporte coletivo enfrenta dificuldades financeiras e operacionais.

Caso seja comprovado o vício de iniciativa por parte da Casa de Leis, Sandro afirma que “haveria necessidade de intervenção judicial provocado pelo Executivo Municipal”.

À reportagem, a Câmara Municipal disse que o projeto segue em tramitação para “conhecimento das Comissões Permanentes”, para que depois seja levado à votação no plenário. Porém, segundo informações obtidas pela reportagem, o projeto não foi à votação porque a Procuradoria Jurídica da Casa analisa a legalidade da iniciativa. Caso seja deliberada sua aprovação, o Fundo vai entrar em vigor dentro de 90 dias a partir de sua publicação.

Detalhes

Segundo o texto do projeto em tramitação na Câmara, a ideia é que o Fundo seja gerido por um Comitê Gestor, que será formado por representantes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), além de pessoas da sociedade civil ligadas ao tema.

Ao todo, as receitas do Fundo poderão ser provenientes de nove espaços diferentes, a maioria ligados a atividades e projetos públicos relacionados à mobilidade urbana e ao transporte público. Ademais, recursos oriundos dos executivos Municipal, estadual e federal também poderão compor a ferramenta.

O projeto prevê também que no final de cada trimestre, o comitê gestor seja responsável por emitir um relatório de gestão e aplicação de recursos, que deverá conter: a origem e destinação dos recursos; os projetos e ações financiados; os resultados obtidos e indicadores de desempenho; e o saldo financeiro e a execução orçamentária do Fundo.

Além disso, a movimentação financeira e as aplicações do Fundo deverão ser publicadas mensalmente no Portal da Transparência do Município.

A Casa de Leis ainda deixa claro que, caso o Fundo seja extinto, o “saldo remanescente será transferido ao Tesouro Municipal, após a quitação de todas as obrigações e compromissos assumidos”.

Crise

Na sexta-feira, o Consórcio Guaicurus, responsável pela administração do transporte público de Campo Grande desde 2012, anunciou que está em crise financeira, sob alegação de inadimplência do poder público acerca dos repasses, que beiram os R$ 35,8 milhões anuais (R$ 22,8 milhões do Município e R$ 13 milhões do Estado).

Segundo o comunicado da empresa, as consequências da suposta dívida serão o não pagamento dos direitos dos motoristas dos ônibus, já que os vencimentos de dezembro (salário, vale e 13º) devem atrasar.

Como informado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrios Freitas, ao Correio do Estado, essa situação do Consórcio pode colocar em risco a circulação do transporte público, já que uma paralisação está em debate pela categoria.

Na semana passada, o governo do Estado já havia dito que estava em dia com o acordado no convênio. Ontem, a Prefeitura retornou os contatos feitos pela reportagem e também disse que está adimplente com suas obrigações financeiras previstas no contrato, ou seja, contrariando a versão dada inicialmente pelo Consórcio. Além disso, prestou esclarecimentos sobre uma possível greve dos motoristas perante a situação.

“Em relação à possibilidade de interrupção dos serviços de transporte público, o Município não foi informado previamente sobre possível paralisação ou greve geral, estando tal movimento suscetível a sanções contratuais previstas”, afirma o Executivo Municipal em resposta enviada ao Correio do Estado.

Porém, em mais uma guerra de narrativas, o Consórcio Guaicurus informou que o valor da dívida a curto prazo do poder público é de R$ 13,2 milhões, o que corresponde a pouco mais de um terço do repasse total. Também, a empresa disse que R$ 7.215.313,96 desse montante “representam apenas a quantia mais recente e urgente da dívida pendente”.

Fonte: Correio do Estado

BNDES aprova R$ 200 milhões para a Eve, subsidiária da Embraer

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SÃO PAULO – A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de soluções para o mercado de Mobilidade Aérea Urbana (UAM), anunciou a aprovação de financiamento no valor de R$ 200 milhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O anúncio ocorreu na cerimônia de toque de campainha na B3, em São Paulo, em que comemora a listagem da companhia na Bolsa brasileira.

Segundo a companhia, os recursos serão aplicados na integração e o funcionamento dos motores elétricos da primeira aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), bem como a preparação do veículo para a campanha de testes para a obtenção do certificado de tipo junto à ANAC.

O financiamento foi concedido pelo Programa BNDES Fundo Clima (Modalidade Indústria Verde) e do Finem Inovação (Linha Incentivada A), a nova operação contempla dois subcréditos – R$ 160 milhões do Fundo Clima e R$ 40 milhões de recursos do BNDES captados em moeda estrangeira – e tem prazo total de até 15 anos.

“Esse financiamento acelera uma etapa crítica do nosso programa: a integração do sistema de propulsão elétrica, que garantirá desempenho, segurança e confiabilidade à nossa primeira aeronave certificável. Agradecemos ao BNDES pela confiança e pelo apoio contínuo à nossa visão de transformar a mobilidade urbana com soluções eficientes e sustentáveis, desenvolvidas e industrializadas no Brasil”, disse CFO da Eve, Eduardo Couto.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a fabricação do eVTOL é uma inovação disruptiva no conceito de mobilidade urbana, “com um veículo que vai conectar os principais pontos das grandes cidades e regiões metropolitanas, com menor emissão de gases de efeito estufa que helicópteros e carros convencionais”.

Desde 2022, o BNDES já liberou mais de R$ 1,2 bilhão em financiamentos para a Eve, consolidando a base financeira da Empresa para levar o eVTOL à certificação e iniciar as operações comerciais, informou a companhia.

Fonte: Amazonas Atual

O estudo global que contesta queda da desigualdade no Brasil celebrada pelo governo Lula

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O Brasil está ficando ainda mais desigual ou, ao contrário, a distância entre ricos e pobres vem diminuindo?

Dois estudos recentes mostraram cenários opostos para essa questão, esquentando o debate entre economistas.

Um novo relatório sobre desigualdade global divulgado nesta quarta-feira (10/12), o World Inequality Report 2026, afirma que a renda concentrada no bolso dos mais ricos aumentou nos últimos anos no Brasil, tornando o país ligeiramente mais desigual entre 2014 e 2024.

Ainda segundo esse relatório, produzido por um amplo grupo de economistas, entre eles o francês Thomas Piketty, a desigualdade brasileira “permanece entre as mais altas do mundo”.

A conclusão entra em choque com uma nota técnica recém-divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que a desigualdade brasileira atingiu o menor nível em 30 anos em 2024.

Esse estudo mostrou também um importante aumento na renda dos mais pobres e a consequente redução da pobreza ao menor patamar em três décadas.

A publicação do Ipea foi celebrada por autoridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a receber no Palácio do Planalto a presidente do instituto, Luciana Servo, acompanhada dos autores da nota técnica: os pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher.

Houve, porém, controvérsia entre economistas. Os dados sobre a redução da pobreza são considerados corretos, mas o anúncio de que a desigualdade estaria em uma baixa histórica é alvo de questionamentos.

Para estudiosos do tema ouvidos pela BBC News Brasil, a metodologia usada pelo Ipea não mede com precisão a renda dos mais ricos — por isso, não seria a mais apropriada para calcular desigualdade.

Os próprios autores do estudo foram transparentes sobre isso e apontaram essas limitações ao publicarem os resultados. Ainda assim, a decisão de usar os dados, apesar desses problemas, gerou incompreensão entre os especialistas entrevistados.

Inclusive porque um dos autores, Pedro Herculano Souza, é um sociólogo premiado por seus estudos sobre desigualdade e já demonstrou, em pesquisas passadas com método diferente da nova do Ipea, números que contrariam a conclusão de que a concentração de renda estaria em queda no país.

Segundo essas pesquisas anteriores, a desigualdade ficou estável entre 2005 e 2014, período que, no novo estudo do Ipea, se deu queda expressiva da concentração de renda.

O estudo foi celebrado no Palácio do Planalto. A informação de que a desigualdade estaria no menor patamar em 30 anos passou a ser destacada por Lula e ministros do governo, como Gleisi Hoffmann, chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

“Em julho, a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] confirmou que o Brasil saiu mais uma vez do mapa da fome. Na última semana, o IPEA divulgou que atingimos o menor nível de desigualdade da série histórica. E hoje, novos dados do IBGE mostram que mais de 8 milhões de pessoas saíram da pobreza”, postou Lula na rede social X, no dia 3 de dezembro.

“Resultados que se complementam, e mostram que o Brasil vive uma nova realidade, com mais oportunidades, melhora da renda e redução da desigualdade. E que apontam a direção correta de se governar: do lado do povo brasileiro”, continuou.

Apesar das controvérsias sobre os rumos da alta desigualdade brasileira, especialistas ouvidos pela reportagem reconhecem que o governo Lula tem adotado medidas para enfrentar o problema.

Entre elas, destacam a aprovação pelo Congresso da reforma do Imposto de Renda proposta pelo presidente, que vai, de um lado, isentar do IR todos que ganham até R$ 5 mil e, de outro, criar um novo imposto mínimo de até 10% para os que ganham a partir de R$ 50 mil por mês.

A diferenças entre o estudo do Ipea e o relatório internacional

Controvérsias metodológicas estão no cerne dos resultados tão divergentes dos dois novos estudos sobre desigualdade.

Enquanto a análise do Ipea é baseada apenas em dados de renda coletados em pesquisa pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o World Inequality Report 2026 usa esses dados associados a informações da Receita Federal, fonte considerada mais precisa para medir os rendimentos dos mais ricos por ter como base as declarações de Imposto de Renda feitas pela população.

Os números do IBGE analisados vêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Nesse tipo de levantamento, pesquisadores visitam os domicílios de uma amostra representativa da população e perguntam a renda das pessoas entrevistadas.

Com isso, estabelecem um panorama sobre como a renda se divide na população e como esses ganhos estão evoluindo ao longo do tempo.

Entre estudiosos da distribuição de renda, porém, é consenso que pesquisas domiciliares tendem a subestimar a renda das pessoas.

Essa subestimação não acontece apenas no topo da pirâmide, mas costuma ser mais significativa entre os ricos, cuja maior parte da renda não vem de salários, mas de investimentos e ganhos de capital (vendas de bens, por exemplo).

Os pesquisadores do Ipea reconhecem o problema. À reportagem, Pedro Souza disse que escolheu não usar dados da Receita Federal porque eles estavam menos atualizados que os do IBGE quando iniciou seu estudo.

“Nossa análise é inteiramente baseada em informações de pesquisas domiciliares, que possuem limitações importantes. No mundo todo, esse tipo de pesquisa enfrenta dificuldades para captar os rendimentos de trabalhadores por conta própria e empregadores, transferências da assistência social e, principalmente, rendimentos financeiros e do capital e outros rendimentos recebidos irregularmente”, diz a nota técnica do Ipea.

“No Brasil, a concentração de renda no topo é muito maior nos dados tributários e segue trajetória distinta da revelada pelas pesquisas domiciliares”, continua a publicação.

Segundo o economista Guilherme Klein, professor da Universidade de Leeds (Reino Unido), a subestimação da renda em levantamentos como a Pnad ocorre tanto porque os mais ricos tendem a informar nessas pesquisas rendimentos menores do que de fato possuem — seja intencionalmente, seja por não terem claro quais são seus ganhos — como pela dificuldade de acessar essas residências para entrevistar esse grupo, que muitas vezes vivem em domicílios mais protegidos.

Por isso, Klein considera “um problema” o estudo do Ipea trazer conclusões sobre desigualdade apenas baseado nos números da Pnad.

“Quando a gente fala de desigualdade, é fundamental a gente olhar para o topo, para o 1% mais rico, para o 0,1% mais rico, e a gente só consegue olhar para isso olhando os dados da Receita Federal”, defende.

“Quando você combina os dados da Pnad com os dados de Imposto de Renda, você tem uma visão melhor, mais consistente da desigualdade. Então, eu acho de fato que é um problema você não fazer isso e falar sobre desigualdade”, continuou Klein, que é também pesquisador associado do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP).

Segundo os números da Pnad analisados pelo Ipea, a renda média mensal por pessoa cresceu quase 70% no Brasil entre 1995 e 2024, passando de R$ 1.191, para R$ 2.015.

Com isso, a pobreza extrema caiu consideravelmente. Em 1995, um quarto da população estava nesse grupo. Trinta anos depois, a taxa caiu de 25% para 5%.

A melhora desses indicadores, aponta o Ipea, é reflexo da expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e do aumento da oferta de emprego.

Já o coeficiente de Gini (indicador que mede a desigualdade e varia de 0 a 100, sendo 100 a desigualdade máxima) recuou quase 18%, de 61,5 para 50,4, quando se analisam os dados da Pnad. É esse último dado que gera controvérsias.

Desigualdade no Brasil é a menor em 30 anos, diz Ipea

O que diz o World Inequality Report?

O World Inequality Report 2026 traz um amplo apanhado da desigualdade no mundo, mostrando a persistência da forte concentração de renda no planeta.

O relatório foi produzido pelo World Inequality Lab, um laboratório internacional de estudo da desigualdade, que tem o francês Thomas Piketty como um de seus diretores.

Piketty se projetou globalmente após a publicação do livro O Capital no Século XXI (2013), em que analisou historicamente a concentração de renda e riqueza em diferentes países.

No caso do Brasil, os dados analisados no novo relatório indicam que a renda concentrada pelos 10% mais ricos tem oscilado nos últimos anos, com tendência de alta.

O aumento mais significativo ocorreu durante a pandemia de coronavírus (2020/2021), momento em que grupos de maior renda conseguiram se proteger da turbulência econômica, enquanto os mais pobres foram mais prejudicados pela interrupção ou redução de diversas atividades.

Segundo esses dados, a fatia da renda nacional detida pelos 10% mais ricos subiu de 57,9% em 2014 para 59,9% em 2021. Depois disso, o percentual recuou para 59,1% em 2024, mas continuou acima do observado uma década antes.

No sentido inverso, a fatia da renda detida pelos 50% mais pobres caiu de 10,7% em 2014 para 8,2% em 2021, apresentando, depois, recuperação parcial e chegando a 9,3% em 2024.

Para medir a evolução da desigualdade, o relatório usa um indicador obtido ao dividir a fatia da renda dos 10% mais ricos pela fatia da renda dos 50% mais pobres.

Esse índice subiu de 53,7 para 63,5 entre 2014 e 2024, evidenciando o aumento da desigualdade. O ápice ocorreu em 2021, quando chegou a 73.

A BBC News Brasil questionou os economistas do World Inequality Lab, responsáveis pelo relatório, sobre a metodologia utilizada e as divergências em relação ao estudo do Ipea.

Na resposta enviada por meio da assessoria de imprensa, eles afirmam que estatísticas oficiais sobre desigualdade na América Latina, baseadas exclusivamente em pesquisas domiciliares, capturam apenas parte da renda nacional e subestimam a renda do capital (valores obtidos com investimentos ou vendas de propriedades, por exemplo).

“Isso cria uma percepção equivocada de sociedades que parecem ser mais pobres e menos desiguais. No World Inequality Lab, estamos trabalhando para corrigir esse viés”, disseram ainda.

“Nossas estimativas são construídas utilizando informações de pesquisas domiciliares, mas também de outras fontes das autoridades fiscais e das contas nacionais de cada país. Mesmo com premissas conservadoras, a desigualdade aumenta significativamente”, continuaram.

A resposta indica que os números brasileiros analisados no relatório juntam dados do IBGE, responsável pela Pnad e o cálculo das contas nacionais, e da Receita Federal, autoridade fiscal brasileira.

Os dados de declaração de Imposto de Renda, porém, só estão disponíveis até 2023 no Brasil, o que significa que os autores do World Inequality Report 2026 fizeram extrapolações matemáticas para estimar a distribuição de renda em 2024, usando dados da Pnad e projeções próprias para a renda dos mais ricos.

A reportagem pediu esclarecimentos sobre isso aos autores do estudo, por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve retorno até a publicação.

Renda do topo subiu no Brasil após pandemia, aponta relatório global

Pesquisador do Ipea diz que optou por dados do IBGE por serem mais atualizados

A BBC News Brasil conversou sobre as críticas ao estudo do Ipea com um dos autores, o sociólogo Pedro Herculano de Souza, que é referência em estudos da desigualdade.

Seu doutorado nesse tema, realizado na Universidade de Brasília, ganhou o prêmio Capes de melhor tese em Sociologia em 2017. Dois anos depois, ele recebeu o prêmio Jabuti pelo livro “Uma História da Desigualdade: a Concentração de Renda entre os Ricos no Brasil – 1926-2013”.

Souza foi um dos primeiros a incorporar dados do Imposto de Renda na análise da desigualdade brasileira e, naquele momento, seus estudos chamaram atenção ao revelar que a desigualdade não havia recuado entre os anos 2005 e 2014, como apontavam estimativas anteriores, feitas apenas com base nas pesquisas domiciliares do IBGE.

O período foi marcado por forte crescimento econômico e redução da pobreza, mas a queda da desigualdade não se confirmou porque houve também alta relevante da renda dos mais ricos, captada pelas declarações de IR.

Até por isso, sua decisão de publicar agora uma nota técnica do Ipea baseada apenas nos dados de renda da Pnad causou surpresa entre estudiosos do tema.

À BBC News Brasil, Souza disse que optou por não usar dados do Imposto de Renda em sua análise porque não havia números atualizados.

Seu objetivo, contou, era entender a evolução da renda após a pandemia, mas quando iniciou o estudo, em março, só existiam dados tributários disponíveis até 2021.

Ao longo do ano, a Receita atualizou esses números até 2023.

Já a Pnad, pesquisa domiciliar do IBGE, é feita trimestralmente e tem atualização mais frequente, o que permitiu analisar a dinâmica da renda até 2024.

“Para mim, o processo científico normal é esse: você pega o melhor dado possível para o objetivo que você quer”, disse.

“No nosso caso, tinha uma demanda clara de saber a evolução [da pobreza e da desigualdade] de curto prazo, do pós-pandemia, porque acho que está pegando muita gente de surpresa, não só na questão de pobreza e desigualdade, mas no desempenho econômico, a própria manutenção do baixo desemprego e o comportamento da inflação”, disse ainda.

Embora seja um defensor do uso de dados tributários para estudos sobre desigualdade, Souza diz que os números da Receita Federal também devem ser vistos com cautela, pois, às vezes, mudanças na taxação de investimentos geram ajustes nas aplicações dos mais ricos que acabam gerando ganhos de renda extraordinários que distorcem a série histórica.

Na sua avaliação, o forte aumento da renda dos mais ricos captada nos dados do IR durante a pandemia ainda precisa ser mais bem esclarecido.

Além do aumento apontado pelo World Inequality Report, essa alta também foi identificada no estudo “Concentração de renda no Brasil: o que os dados do IRPF revelam?”, publicado em agostos pelo Fiscal Data, de autoria dos economistas Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti.

“É um aumento muito grande e num período muito curto. Eu não sei se está contaminado por alguma coisa temporária da pandemia, se isso é um problema das tabelas da Receita”, disse Souza à reportagem.

Além disso, o sociólogo defende que a Receita aperfeiçoe a divulgação dos dados tributários, que hoje ainda é feita de forma limitada e com restrições. Por exemplo, cita o pesquisador do Ipea, há dificuldade para identificar se a renda declarada é de uma pessoa apenas ou se envolve cônjuge e dependentes.

Ainda assim, ele diz que fará a análise dos dados tributários quando informações mais atuais forem disponibilizadas pela Receita.

“Se, em algum momento que a gente tiver os dados de IR mais recentes e conseguir construir uma série longa, as conclusões [sobre os rumos da desigualdade] mudem, a gente muda as conclusões, porque a gente vai atualizando as conclusões conforme as melhores informações e melhores métodos disponíveis. Estou muito curioso”, ressaltou.

Gráficos da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil

Fonte: BBC News Brasil

Após Fed e Copom, Brasil segue com 2º maior juro real do mundo; veja lista

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Copom manteve Selic em 15% ao ano, enquanto Fomc cortou a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,5% a 3,75%

As autoridades monetárias de Brasil e Estados Unidos redefiniram nesta quarta-feira (10) o patamar das respectivas taxas de juros. A “superquarta” não teve surpresas nas decisões, com o Copom mantendo por aqui a Selic em 15% ao ano e o Fomc reduzindo em 0,25 ponto percentual o intervalo nos EUA, para 3,5% a 3,75%.

Com isso, o Brasil segue como o 2º país de maior juro real do mundo – atrás apenas da Turquia, segundo levantamento realizado pela MoneYou e Lev Intelligence.

A taxa de juros real é o indicador que desconta do valor nominal os impactos da inflação.

Para o cálculo, foi considera a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente para o período e a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, como referencial o último dado fornecido pelas autoridades econômicas de cada país.

Eis o ranking:

Fonte: CNN Brasil