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TRENS A SOROCABA E ABC-GUARULHOS: SP MIRA MAIS 3 LEILÕES DE TRILHOS EM 2025

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Trens a Sorocaba e ABC-Guarulhos: SP mira mais 3 leilões de trilhos em 2025
Dentre os projetos que estão “no forno”, o mais avançado é o Lote ABC-Guarulhos • Crédito: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Código imagem:211144

Além de trens, aparece concessão de metrô ligando regiões Leste e Oeste; todos certames estão previstos para quarto trimestre

Após leiloar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, o governo de São Paulo mira bater o martelo e conceder trilhos mais três vezes em 2025: para o Lote ABC Guarulhos, com a linha 10-Turquesa e futura linha 14-Ônix de trens urbanos; a linha 16-Violeta de metrô; e o trem intercidades (TIC) que ligará a capital a Sorocaba.

Na última sexta-feira (28), o grupo Comporte arrematou as linhas da CPTM, com previsão de investir R$ 14,3 bilhões por 25 anos. Entre as melhorias estão a ampliação de 22,6 km das linhas, com a construção de dez novas estações e reforma de outras 24.

Dentre os projetos que estão “no forno”, o mais avançado é o Lote ABC-Guarulhos, que já teve audiência pública concluída e agora aguarda a publicação do edital entre o segundo e o terceiro trimestre e leilão no quarto. O mais provável é que aconteça em junho.

O pacote que contém a operação e expansão de uma linha já existente, a 10-Turquesa, que liga Rio Grande da Serra à estação Luz, e uma nova, ligando as cidades de Santo André e Guarulhos, seria concedido por 30 anos com previsão de R$ 19 bilhões em investimentos e ampliação de 80 km de trilhos.

Há previsão de construção de quatro novas estações na linha 10: ABC, entre Capuava e Prefeito Celso Daniel; São Carlos-Parque da Mooca, entre Ipiranga e Mooca; Pari, entre Brás e Luz; e Bom Retiro, após a Luz.

A futura linha 14 prevê 23 estações: nove em Santo André, de Jardim Irene a Parque Oratório; onze na capital, de Sapopemba a Hospital Jardim Helena; e mais três em Guarulhos, de Sacramento a Bonsucesso. Haverá ligações com as linhas 11-Coral, 12-Safira e 15-Prata.

Nem o TIC ou a linha 16-Violeta teve audiência pública, mas ambas têm leilão previsto para o quarto trimestre. O trem de São Paulo a Sorocaba prevê a extensão de 100 km e R$ 10 bilhões em investimentos; o metrô ligando as regiões Leste e Oeste da Capital, 32 km e R$ 38,4 bilhões. Ambos preveem 30 anos de concessão.

Com quatro estações novas, o trem sai da região metropolitana da capital e passa por Osasco, Barueri, Itapevi, São Roque, Mairinque e Alumínio, todos a Oeste de São Paulo, antes de chegar em Sorocaba. O trajeto será feito em 60 minutos, sendo que hoje é feito em 110 minutos de carro e 130 minutos de ônibus.

Já a nova linha do metrô ligará a estação Oscar Freire à futura estação Cidade Tiradentes. Haverá ao todo 25 estações, com ligações nas linhas Linha 1-Azul, 2-Verde, 4-Amarela, 10-Turquesa, e 15-Prata. Conhecida também como a “Linha dos Parques”, o ramal terá estações próximas aos parques do Ibirapuera, Aclimação e Independência.

Fonte: CNN

 

GALINHEIROS, RESÍDUOS ORGÂNICOS E O CONDOMÍNIO DO FUTURO.

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Galinheiros, resíduos orgânicos e o condomínio do futuro.

 A conexão entre a produção de proteína e a gestão condominial.

Biodiversidade e Tecido Urbano

Já comentei, em outros artigos aqui, que as cidades de hoje são “monocultura de gente”, e que somos vítimas de todos os problemas associados com essa carência de biodiversidade. As cidades modernas são fruto do conluio entre três profissões: o engenheiro civil, o advogado de questões fundiárias e do direito trabalhista, e o médico sanitarista. Este último foi responsável pelo pânico, em diversos momentos no século XIX, relacionado à recém descoberta dos “germes”, “bactérias”, e outros micro-organismos.

Naquele momento histórico, logo após Pasteur identificar a relação entre diversas doenças e a contaminação por organismos microscópicos, passou-se a acreditar que toda profilaxia seria desejável, e que a meta da higiene (pessoal e sócio-urbana) deveria ser a erradicação de qualquer forma de vida que não a humana e alguns animais de estimação (e, mesmo eles, passaram a ser vistos como veículos de doenças). Mesmo que esse pânico seja baseado em fatos científicos – de fato, micro-organismos são responsáveis por inúmeras doenças – ele suscitou uma série de reformas urbanas que são, hoje, vistas como exageradas ou mesmo infundadas. Sabemos, hoje, que o corpo humano (e qualquer outro vertebrado) depende de um bioma que habita sua pele, sistema digestório e sistema respiratório: algumas funções de nosso corpo não podem ser desempenhadas sem esse bioma (como a flora intestinal, por exemplo).

A reboque dessa mania de higiene (apenas parcialmente sustentada pelo conhecimento científico), criou-se a segregação entre meio urbano e meio rural: o primeiro seria a habitação “exclusiva” de seres humanos, e o segundo seria o ambiente no qual os seres humanos iriam desempenhar o controle tecno-científico da natureza para maximizar a produção de alimentos (plantações, pastagens, granjas, chiqueiros, represas, pesqueiros, etc.).

Essa segregação se manifestou no chamado “perímetro urbano”, e foi regulamentada e implementada por órgãos de vigilância de zoonose, por exemplo, que proibiu a criação de animais para consumo alimentício dentro do perímetro urbano. Quanto à produção de vegetais para alimentação, essa proibição não foi implementada de modo tão rígido. Mas, do ponto de vista jurídico, a segregação foi quase que completa: alimentos não poderiam ser produzidos dentro do perímetro urbano, e o meio rural passou a ser visto como um lugar sujo, contaminante, até mesmo perigoso, dada a abundância de outros seres vivos que não seres humanos.

Bom, sabemos que essa segregação é impossível: mesmo após a legislação da zoonose, os “pets” abundam no meio urbano, e praticamente qualquer animal foi criado como pet, dos prosaicos cães e gatos, a porcos, cobras e aranhas – tudo depende do gosto do dono do pet, e da tolerância dos órgãos de regulamentação e vigilância. Além disso, outras espécies oportunistas compartilham o meio urbano conosco: pombos (outrora uma espécie muito valorizada, hoje abandonada), ratos, baratas, e uma multidão de micro-organismos que vicejam nesse caldo de cultura especializada da monocultura de gente – como em uma plantação de soja, quando uma praga entra nesse ambiente, ela se espalha rapidamente por toda a sua extensão.

Mas, essa segregação também é insalubre: o organismo humano precisa não apenas de seu bioma simbiótico – cuja ausência pode nos enfraquecer e matar – como também precisa do contato com a natureza para que possa regenerar-se em múltiplos níveis: do psíquico-emocional, ao fisiológico, por meio do contato com biomas biodiversos nos quais uma enorme variedade de organismos benéficos à nossa saúde estão disponíveis por meio do mero contato físico.

Sabemos, hoje, que a biodiversidade é crucial para nossa saúde integral. E que a profilaxia, mesmo sendo crucial para nossa saúde (como a quase erradicação de alimentos apodrecidos de nossas mesas, e a banalização benéfica das salas de cirurgia completamente esterilizadas), precisa estar em equilíbrio com o contato de espécies simbióticas com nosso organismo.

Em meu último artigo, argumentei a favor de uma “Cidade Agroflorestal”, na qual o tecido urbano abre espaço para que a natureza volte a tomar conta dos seus biomas. Neste artigo, apresento uma solução que é de tamanha simplicidade, que é difícil acreditar que possa ter tantas consequências benéficas para a vida urbana e para a regeneração dos biomas: galinheiros nos condomínios habitacionais.

Galinhas, seus “milagres” e sua industrialização

Há agricultores que chamam galinhas de “porcos que botam ovo”, dado o apetite dessa espécie por praticamente qualquer tipo de alimento e resíduo orgânico. Galinhas são notórias consumidoras de espécies peçonhentas, como cobras, aranhas, escorpiões, dentre outros. E, acima de tudo, elas produzem uma quantidade impressionante de ovos, famosas por superarem a capacidade de consumo dos sitiantes que as criam como forma de controle de pragas e equilíbrio ecológico de seus terrenos.

Além disso, como todo pássaro, o sistema digestivo da galinha tem uma constituição que praticamente garante que parasitas multicelulares, como vermes, larvas e insetos, sejam triturados, provendo as fezes mais adequadas para a adubação, compostagem e regeneração do solo, sem oferecer perigo de contaminação de alimentos, animais de estimação, e a si mesmas.

O ciclo de vida das galinhas é abundante em toda sua extensão: produzem ovos por toda a vida, oferecem esterco de qualidade, e quando são abatidas oferecem proteína saborosa.

Galinhas têm uma relação simbiótica com a humanidade há milênios. Desde o canto de despertar do galo, até seu uso como símbolos nacionais e insígnias, os galináceos são parte da cultura humana.

Até a década de 1950, era comum comprar-se, diretamente de vendedores ambulantes, galinhas vivas nos domicílios de São Paulo, que as matavam e limpavam sob encomenda dos compradores particulares. Essa prática perdurou em outras regiões do país até a década de 1990. A partir dessa época, podemos dizer que a “industrialização da galinha e dos ovos” estava completa: produção quase exclusiva de carne de galinha e ovos a partir de granjas, envolvendo uma série de práticas profundamente problemáticas: uso de hormônio de crescimento e antibióticos em excesso, maus-tratos e confinamento, manipulação genética e ciclo de vida encurtado para incremento de produtividade.

Esse processo de industrialização não apenas levou a galinha para longe de nossos lares, como reduziu a qualidade nutritiva da carne e dos ovos, ambos intoxicados com hormônios e antibióticos. Além disso, assim como a “monocultura de gente” propicia o alastramento de doenças em humanos urbanos, a “monocultura de galinha” propicia o mesmo: gripe aviária?

E se voltássemos a conviver com a galinha e suas benesses?

Galinheiros como parte do serviço condominial

Há como que um “movimento global” pela instalação de galinheiros urbanos. Muitas iniciativas que reconhecem o valor de instalar esse equipamento a uma distância mínima dos domicílios e pontos de consumo, sempre a integrando a um conjunto mais amplo de soluções de sustentabilidade.

Ao instalar galinheiros dentro do perímetro urbano, reaproximamos esse animal valioso de nossos lares – o que pode ser um primeiro passo para a instalação de outros equipamentos de sustentabilidade urbana, como hortas, pomares, soluções baseadas na natureza, agroflorestas urbanas, etc. – e temos a oportunidade de reorganizar e encurtar a cadeia produtiva de proteína animal.

As distâncias que essa cadeia percorre, hoje, são enormes: as granjas de produção industrial de galinhas e ovos ficam, quase sempre, distantes dos pontos de consumo (lares, restaurantes, escolas, hoteis, hospitais, etc.), tanto dentro dos “cinturões verdes” das metrópoles, como em regiões mais distantes, envolvendo uma frota de veículos da carga movidos a combustível (diesel, em geral). A pegada de carbono da produção e distribuição de ovos é tão negativamente relevante que sua produção “sustentável”, “orgânica” ou pelo menos “ecologicamente consciente” é praticamente negativada pela operação logística de seu transporte rodoviário.

Em outras palavras: pouco importa que as galinhas sejam “criadas livres”, que os ovos sejam “livres” de agrotóxicos, hormônios e antibióticos: sua cadeia logística negativa cancela a melhoria do produto. Do ponto de vista da gestão ambiental, podemos ver a produção orgânica de ovos quase como uma operação de “greenwashing”. Em especial, se comparada à produção local dentro do tecido urbano, a uma distância mínima de seu local de consumo.

Mas, como fazer isso? Como transformar galinheiros, a produção de ovos e carne de galinha, em uma atividade que acontece dentro do condomínio urbano?

Do mesmo modo como argumentei a favor da instalação de equipamentos de biodigestão dentro de condomínios urbanos, e que essa instalação depende do desenho e implementação de um serviço – o mesmo valendo para as agroflorestas urbanas –, a instalação de galinheiros urbanos dependerá do desenho desse serviço. Novamente, não se trata de uma “tecnologia” ou um conhecimento técnico pouco conhecido, que requisitaria desenvolvimento científico e novos conhecimentos. Trata-se de um desafio logístico, organizacional e de negócios, que poderia ser resolvido por meio das práticas do “Design de Serviços”.

Desafios do Serviço “Galinheiro Urbano”

Se eu fosse preparar um “briefing” para os Designers de Serviço terem como base para o desenvolvimento de uma solução para galinheiros urbanos, os desafios seriam:

  • Levantamento do contexto de instalação e adaptação arquitetônica: Como organizar a instalação dos galinheiros dentro de um condomínio urbano, o qual tem configurações extremamente variadas? Desde aqueles que contam com vastas áreas verdes compartilhadas, até os condomínios verticais desprovidos de jardins, passando pelos condomínios com coberturas generosas, e alas de uso compartilhado que podem ser adaptadas para a instalação dos galinheiros e seus equipamentos de apoio.
  • Organização logística local: como se dá a coleta de resíduos orgânicos dentro do condomínio, seu transporte e armazenamento adequado, a seleção local e fornecimento às galinhas? Assim como o uso de ração orgânica para complementar alguma ausência nutricional. Como se dá a coleta de ovos, eventual abate de galinhas (dentro ou fora do condomínio?), sua distribuição para os habitantes do condomínio? Como se dá o controle de qualidade dos ovos e carne?
  • Capacitação e treinamento técnico: os galinheiros poderiam, hipoteticamente, ser instalados, mantidos e operados pelos próprios condôminos. No entanto, a vida urbana contemporânea nos privou desse conhecimento técnico, disponibilidade de tempo, prontidão e constância de dedicação. Vemos iniciativas voluntárias de sustentabilidade urbana passarem por um trágico ciclo de “entusiasmo inicial, seguido de abandono e descuidos”. Uma postura realista para a instalação desse tipo de serviço deve contar com uma equipe técnica dedicada e remunerada para esse fim, cujos custos seriam embutidos nos custos gerais do condomínio.
  • Modelo de Custos e Receita: O valor de remuneração e manutenção técnica do equipamento deve ser contabilizado para que fosse igual ou menor àquele dedicado à compra de ovos e carne de galinha pelos canais comerciais tradicionais (supermercado, p.ex.).
  • Organização logística urbana e metropolitana: é provável que o abate e processamento da carne de galinha dependa de um equipamento localizado fora do condomínio, como um frigorífico compartilhado, por exemplo. Além disso, os insumos e equipamentos de manutenção devem ser organizados de modo compartilhado, organizados por um serviço que opera em centenas, quiçá milhares de condomínios urbanos. Essa logística deve ser parte integral do serviço, e responsável pela economia de escala – fundamental para serviços desse porte.

E é justamente a “economia de escala” que tornaria esse serviço acessível, de baixo custo, para milhares de condomínios. Trata-se de uma operação que a atividade voluntária nunca poderá se equiparar, em termos de dedicação, capacidade técnica, integração de sistemas, organização logística e operacional.

Esses são desafios de caráter organizacional, e não técnicos: há especialistas que são capazes de resolver todas essas questões, mas hoje encontram-se atuando de modo “desintegrado”. O papel do Design de Serviço é coordenar, integrar essas especialidades e um ecossistema pragmático de atendimento à demanda de desenho, instalação, manutenção e operação do “Serviço Galinheiro Urbano”. Se a produção de ovos e carne de galinha é lucrativa para quem a opera nas granjas segregadas fora do perímetro urbano, certamente também o será dentro do perímetro urbano. Resta apenas o esforço de desenhar e implementar esse serviço.

Do ponto de vista da regeneração urbana, o galinheiro de condomínio garantirá pelo menos uma coisa: o fim do resíduo orgânico fora do condomínio. Hoje, a coleta, transporte e destinação de resíduos orgânicos pode ser compreendida como um “desastre ambiental”: os famigerados “aterros sanitários” ainda operam e são fonte de enorme poluição, contaminação ambiental e de lençois freáticos. É impressionante que, ainda hoje, aceitemos que esse “desastre ambiental” aconteça debaixo dos nossos narizes, e que sejamos – nós, habitantes das cidades – a fonte direta desse desastre. A prosaica galinha poderia converter lixo orgânico em ovos e carne, dentro do condomínio, com zero pegada de carbono.

O que é a “Cidade Regenerativa”?

Para muitos, quando falamos sobre o futuro das cidades, o que vem à mente é uma imagem de ficção científica, todos os processos automatizados, lugares assépticos, talvez autômatos circulando pelas ruas, pessoas em habitações minimalistas e alta tecnologia por todo lado. O lugar da natureza, nesses cenários, é à distância, talvez um parque a ser visitado periodicamente. Mas, nesses futuros sci-fi, certamente nossas habitações estariam ainda mais distantes da natureza do que atualmente.

Ao ponderar a respeito de como funciona o ecossistema planetário, percebemos que essa separação é impossível, é uma fantasia criada durante o período industrial, e nossa inevitável simbiose com a natureza é uma relação complexa, a qual exige ser desenhada, reconstruída, ser objeto de estudo e atuação dos urbanistas, planejadores urbanos, empreendedores imobiliários, etc. O futuro das cidades depende de nos re-aproximarmos da natureza, e não o contrário.

É possível que prosaicas soluções, como o “galinheiro urbano”, tenham impacto gigantesco, transformando profundamente nossa relação com a natureza, e permitindo que a Cidade Regenerativa chegue mais rápido e com menos esforço do que imaginávamos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

COMO A IA ESTÁ MELHORANDO O ATENDIMENTO AO CIDADÃO NAS CIDADES INTELIGENTES?

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Como a IA está melhorando o atendimento ao cidadão nas Cidades Inteligentes?

Recursos com inteligência artificial aceleram o suporte em dúvidas e aumentam o acesso a serviços públicos

A transformação digital nas cidades está mudando a forma como os governos se relacionam com a população. Uma das tecnologias mais promissoras nesse processo é a Inteligência Artificial (IA), que está revolucionando o atendimento ao cidadão, tornando-o mais ágil, acessível e eficiente.

A Inteligência Artificial é a capacidade de máquinas aprenderem e realizarem tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como compreender linguagem, analisar dados ou tomar decisões simples. Na prática, isso se traduz em soluções como chatbots inteligentes, assistentes virtuais, sistemas de análise preditiva e classificação automática de documentos.

Governos e prefeituras já estão utilizando IA para otimizar processos que tem como ponta final melhorar o atendimento prestado às pessoas. Mas ainda existem muitas oportunidades de melhorias nesse setor. Como, por exemplo, no atendimento ao público.

Como a IA pode melhorar o atendimento ao cidadão: importância e exemplos

O atendimento ao cidadão é um dos pilares da boa gestão pública. Ele reflete diretamente a qualidade dos serviços oferecidos, influencia a confiança nas instituições e é essencial para garantir direitos e promover inclusão. No entanto, ainda existem muitos gargalos que geram insatisfação e sobrecarregam servidores públicos, dificultando a gestão eficiente dos serviços.

A IA pode ser uma grande aliada para resolver esses problemas. Veja alguns exemplos práticos:

  • Chatbots e assistentes virtuais: disponíveis 24h por dia, esses sistemas respondem perguntas frequentes, orientam sobre serviços e até fazem agendamentos.
  • Análise inteligente de dados: algoritmos de IA ajudam a entender melhor as necessidades da população, permitindo que os governos priorizem atendimentos mais urgentes ou identifiquem regiões com maior demanda por serviços.
  • Automação de processos: sistemas de IA em portais de serviço podem verificar documentos automaticamente, reduzir tempo de espera em protocolos e evitar erros humanos em cadastros e triagens.

Essas soluções permitem que o cidadão receba atendimento mais rápido e personalizado, além de liberar os servidores para demandas mais complexas.

Inteligência artificial no setor público: cuidados necessários

Por ser uma tecnologia de grande impacto, o uso da IA exige responsabilidade – ainda mais no setor público. Por isso, é essencial que o desenvolvimento de sistemas equipados com esse software sigam diretrizes de segurança e privacidade de dados. Alguns exemplos:

  • Transparência no uso da tecnologia, explicando como os dados são coletados e utilizados;
  • Proteção da privacidade dos cidadãos, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD);
  • Adotar medidas contínuas para evitar que os sistemas reproduzam preconceitos ou exclusões;
  • Manter os servidores responsáveis pela gestão desses softwares capacitados para acompanhar e supervisionar o funcionamento das soluções de IA.

O futuro do atendimento ao cidadão com apoio da IA

Quando usada com responsabilidade, a Inteligência Artificial pode transformar o atendimento ao cidadão. Ela permite serviços mais acessíveis, reduz custos operacionais e aproxima o governo da população. A chave está em aliar inovação com responsabilidade, colocando a tecnologia a serviço das pessoas.

O futuro das cidades inteligentes passa pelo uso consciente da IA como aliada na construção de uma gestão pública mais moderna, inclusiva e eficiente.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO PLANEJAMENTO URBANO: TRANSFORME SUA CIDADE

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Cidades precisam de ajuda para enfrentar crise climática, diz ministro
Foto: Banco de Imagens IstockPhoto

inteligência artificial no planejamento urbano é uma revolução que transforma nossas cidades em comunidades mais eficientes e sustentáveis. Com desafios crescentes como a urbanização acelerada, poluição e falta de infraestrutura adequada, a aplicação de tecnologias inovadoras está se tornando essencial. Tecnologias como o design generativo e a análise preditiva estão sendo utilizadas para tornar o planejamento urbano mais eficaz e adaptável às necessidades das populações em crescimento. Neste post, vamos explorar como a inteligência artificial está remodelando o ambiente urbano, aprimorando a qualidade de vida e ajudando na construção de cidades mais habitáveis.

O que é Inteligência Artificial no Planejamento Urbano?

A inteligência artificial no planejamento urbano refere-se à utilização de algoritmos e sistemas inteligentes para otimizar a criação e gestão de ambientes urbanos. Isso inclui desde a análise de dados em larga escala até a simulação de cenários urbanos complexos. Essas tecnologias permitem que urbanistas e arquitetos tomem decisões informadas com base em dados reais, em vez de confiar apenas em instintos ou suposições.

Benefícios da Inteligência Artificial no Urbanismo

  • Eficiência: Processamento rápido de grandes volumes de dados pode identificar padrões e prever tendências.
  • Customização: Permite a criação de soluções personalizadas para diferentes comunidades, respeitando suas características e necessidades.
  • Participação Cidadã: Ferramentas de IA podem facilitar a participação pública, ajudando os cidadãos a expressarem suas preferências e preocupações.
  • Sustentabilidade: Melhora as práticas de gestão de recursos, como água e energia, visando reduzir o impacto ambiental.

Como a Tecnologia Está Transformando as Cidades?

A implementação de tecnologias avançadas em ambientes urbanos está mudando a forma como vivemos e interagimos com o nosso espaço. Acesso a serviços em tempo real, a coleta de dados através de sensores e a automação de processos são apenas algumas das maneiras pelas quais a tecnologia está modelando as cidades. A tecnologia nas cidades abrange uma vasta gama de aplicações, desde sistemas de transporte inteligente até soluções de habitação acessível.

Exemplos Práticos de Tecnologia nas Cidades

  • Transporte Público Inteligente: Sistemas que utilizam IA para prever o fluxo de passageiros e otimizar rotas.
  • Sensores de Qualidade do Ar: Monitoramento em tempo real da poluição, permitindo ações corretivas rápidas.
  • Gestão de Tráfego: Algoritmos que analisam dados de trânsito para reduzir congestionamentos e melhorar a mobilidade.

Design Generativo: A Nova Fronteira do Urbanismo

O design generativo é uma abordagem que utiliza algoritmos de IA para criar milhares de opções de design com base em parâmetros definidos. Essa técnica está sendo utilizada para planejar áreas urbanas, oferecendo soluções que atendem a múltiplas prioridades, como espaços abertos, luz natural e densidade populacional. Essa técnica permite não apenas a avaliação de múltiplos cenários, mas também uma análise das implicações de cada um deles.

Como Funciona o Design Generativo?

O design generativo trabalha com “input” de dados como requisitos de espaço, especificações de planejamento e preferências comunitárias. A IA gera várias opções de design e simula seus impactos. Isso permite que urbanistas e designers visualizem e escolham as melhores soluções para a comunidade. Um exemplo prático seria um planejamento de um novo bairro onde os usuários podem definir as prioridades e receber múltiplas opções de como o bairro pode se parecer.

Impacto da Inteligência Artificial na Sustentabilidade Urbana

A sustentabilidade é um dos principais pilares do planejamento urbano moderno. A inteligência artificial contribui significativamente para esse aspecto, ajudando a integrar práticas que promovem o equilíbrio ambiental. Com a utilização de análises preditivas, cidades podem melhor planejar a utilização de recursos e reduzir a pegada de carbono.

Estratégias Sustentáveis Utilizando IA

  1. Gestão de Recursos Hídricos: Sistemas de IA gerenciam o consumo e ajudam a identificar vazamentos rapidamente.
  2. Redução de Emissões: Algoritmos que otimizam o transporte podem ajudar a diminuir as emissões de carbono nas áreas urbanas.
  3. Energias Renováveis: Análise de dados meteorológicos para otimização do uso de fontes de energia solar e eólica.

Desafios na Implementação de Tecnologias no Planejamento Urbano

Apesar dos benefícios, existem desafios significativos ao implementar inteligência artificial e novas tecnologias nas cidades. Pode ser difícil obter a colaboração entre diferentes setores e agentes envolvidos no planejamento urbano, e a questão da privacidade e segurança de dados também é uma preocupação constante. Além disso, a desigualdade no acesso à tecnologia pode resultar em disparidades no recebimento dos benefícios que essas inovações podem trazer.

Como Superar os Desafios?

Uma abordagem colaborativa e inclusiva é crucial. É essencial que as decisões sejam tomadas com a participação de todas as partes interessadas, inclusive da população local. Além disso, a educação e formação de profissionais no uso de novas tecnologias são fundamentais para garantir que o potencial da inteligência artificial seja maximizado. Programas de conscientização e acesso a tecnologias para todos os cidadãos também são necessários.

FAQ – Perguntas Frequentes

  • Como a inteligência artificial pode ajudar no planejamento urbano? A inteligência artificial pode otimizar processos, prever demandas e analisar dados de maneira mais eficiente.
  • O que é design generativo e como ele é usado nas cidades? É uma técnica que utiliza algoritmos para criar múltiplas opções de design baseadas em especificações definidas.
  • Quais são os principais benefícios da tecnologia nas cidades? Aumento da eficiência, melhor gerenciamento de recursos e maior participação cidadã.
  • Quais são os desafios da implementação de tecnologias urbanas? Colaboração entre setores, segurança de dados e acessibilidade para todos os cidadãos.

Conclusão

inteligência artificial no planejamento urbano está emergindo como uma solução vital para os desafios que as cidades modernas enfrentam. Desde promover a sustentabilidade até aumentar a eficiência, a tecnologia tem o potencial de transformar nossas áreas urbanas em locais mais adaptáveis e agradáveis para se viver. Ao superar os desafios existentes através da colaboração e inovação, podemos moldar o futuro das nossas cidades. Se você é um profissional envolvido no planejamento urbano ou um cidadão interessado na transformação urbana, considere como a tecnologia pode ser uma aliada em seu dia a dia.

Fonte: PUC RS

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NAS RODOVIAS: INOVAÇÃO E CONECTIVIDADE PARA UM BRASIL MAIS EFICIENTE

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Economia Leilões Brasil projeta 20 leilões de infraestrutura até o fim do primeiro trimestre de 2026
Foto: Getty Image

As rodovias brasileiras estão no limiar de uma transformação significativa, impulsionada pela inovação e conectividade. Essa mudança visa  modernizar a infraestrutura e criar um futuro em que a tecnologia catalise o desenvolvimento social e econômico, promovendo um Brasil mais justo e eficiente. 

A transformação digital das rodovias vai além da simples implementação de novas tecnologias. Trata-se de repensar como utilizamos os dados para criar soluções inteligentes e personalizadas que atendam às necessidades dos cidadãos. De acordo com a ganhadora do prêmio Nobel de Economia, Elinor Ostrom, os dados são um bem comum – um recurso valioso que, quando compartilhado e analisado estrategicamente, impulsiona a inovação e a eficiência na gestão pública.

E, nesse sentido, a colaboração é fundamental para o sucesso dessa jornada. Envolver os cidadãos como cocriadores, abrindo espaço para a participação ativa e o compartilhamento de ideias, permite que as soluções desenvolvidas atendam às reais necessidades da população. A inteligência coletiva pode gerar resultados surpreendentes, transformando desafios em oportunidades e impulsionando a inovação.

Os desafios são reais. A segurança cibernética é uma preocupação crescente, e a escassez de profissionais qualificados nessa área exige medidas urgentes. É necessário investir em programas de capacitação e parcerias estratégicas para proteger as infraestruturas digitais contra ameaças e vulnerabilidades e promover a inclusão digital, viabilizando acesso às tecnologias e serviços.

As oportunidades são vastas. A implementação de tecnologias como o 5G pode revolucionar a conectividade nas rodovias, permitindo a criação de serviços inovadores e a melhoria da experiência do usuário. A análise de dados em tempo real otimiza o fluxo de tráfego, reduz congestionamentos, aumenta a segurança nas estradas e pode interferir positivamente no volume de emissões de gases poluentes. Além disso, a tecnologia melhora a gestão de recursos, reduz custos e aumenta a eficiência das operações rodoviárias.

Para que a transformação digital das rodovias se concretize, o governo deve atuar como um facilitador, criando um ambiente regulatório favorável à inovação e aos investimentos, e promovendo a colaboração entre os setores. A desburocratização e a simplificação dos processos agilizam a implementação de novas tecnologias e possibilita que os benefícios cheguem a todos.

É importante fomentar a inovação por meio de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, bem como de incentivos fiscais para empresas que desenvolvem soluções inovadoras para o setor rodoviário. O compartilhamento de riscos entre o setor público e o privado impulsiona a inovação e acelera a transformação digital.

A transformação digital das rodovias é um caminho promissor para um futuro mais conectado, eficiente e seguro. Para alcançar esse futuro, o governo, as empresas e a sociedade civil devem buscar soluções inovadoras e adaptadas às necessidades de cada região. A troca de experiências e o compartilhamento de conhecimento são fundamentais para acelerar a transformação digital e assegurar que os seus avanços alcancem toda a sociedade.

Por fim, a transformação digital das rodovias deve ser guiada por princípios éticos e responsáveis, preservando a privacidade dos dados e a segurança das informações. A transparência e a responsabilidade são essenciais para construir a confiança dos cidadãos nas novas tecnologias e garantir que elas sejam utilizadas para o bem comum.

Com um esforço conjunto e uma visão clara, podemos transformar as rodovias brasileiras em um modelo de inovação e eficiência, impulsionando o desenvolvimento do país e melhorando a vida de todos os brasileiros.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

PORQUE O ÔNIBUS É SEMPRE A VÍTIMA?

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Porque o Ônibus é sempre a vítima?

Você já reparou que, nos momentos mais intensos de nossas complexidades e contradições sociais, um ônibus é sempre queimado? Uma ação policial violenta, o aumento de preços de pedágio, o descontentamento político ou até um campeonato perdido. Qualquer acontecimento que gere uma perda real ou a sensação de prejuízo pode levar à destruição de um ônibus em chamas.

A pergunta que fica é: Por que queimar ônibus? Não faria mais efeito queimar um Bugatti, uma caçamba de lixo ou qualquer outro objeto?

A resposta está na simbologia e na funcionalidade do transporte coletivo. O ônibus é um elemento central da vida urbana, carregando um poderoso efeito psicológico. Ele é frequentemente visto como uma extensão do Estado ou do sistema econômico, pois representa um serviço público essencial. Em locais onde a população se sente menosprezada ou explorada, atacar um ônibus pode ser uma forma de expressar indignação contra o governo ou contra negligências de empresas.

Mesmo de forma inconsciente, a população sabe que danificar ônibus leva a problemas contratuais complexos, desencadeando uma trabalhosa sequência de reparação que envolve âmbitos jurídicos públicos e privados, desconfortos administrativos, cálculos financeiros e, principalmente: que a mídia adora.

Tirar fotos de ônibus pegando fogo é quase uma linha própria dentro do ramo fotográfico. Uma imagem que capture a decadência do diálogo urbano e da sinergia entre burocratas, empresas e cidadãos pode ser facilmente sintetizada nas chamas consumindo a carcaça de um veículo de transporte coletivo. É a derrocada da estrutura eficiente dos transportes urbanos. A desintegração do deslocamento coletivo. É o espetáculo do coletivo se autoflagelando.

Claro, os custos do vandalismo não recairão sobre os responsáveis diretos pelo descontentamento. Não é a polícia, o político ou a empresa que adquirirá novos veículos: é o dinheiro do cidadão, através de seus impostos ou da tarifa de transporte, que remediará o feito. Por isso queimar ônibus é uma autoflagelação coletiva.

Mas, para entender melhor a revolta, é preciso considerar a realidade cotidiana de quem depende desse transporte. Pegar um ônibus às 5h da manhã, gastando quase 3 horas em deslocamento todos os dias, não traz bons sentimentos, mesmo. Ninguém pega ônibus porque é uma escolha consciente para a sustentabilidade da cidade: é porque não tem dinheiro para se locomover de outra forma.

Não adianta romantizarmos que o ônibus tem Wi-Fi, que o pagamento por NFC ou PIX facilita a vida: ele ainda demora mais que os modos individuais de transporte para levar as pessoas ao seu destino. E faz isso porque os gestores públicos – aqueles que recebem salários pagos pela população – falham em prover cidades mais justas e eficientes.

Portanto, enquanto o transporte público for sinônimo de precariedade, ele continuará sendo um alvo fácil e simbólico da revolta popular. Afinal, em uma cidade desigual, a indignação sempre encontra um ônibus para queimar.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

USO DO BIOMETANO COMO ALTERNATIVA NA DESCARBONIZAÇÃO DOS TRANSPORTES

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Uso do biometano como alternativa na descarbonização dos transportes

As mudanças climáticas estão delineando uma nova fronteira que determinará quais organizações prosperarão e quais ficarão obsoletas. Neste sentido, a capacidade de acompanhar e, por vezes, antecipar tendências é um diferencial para empresas comprometidas com sua sustentabilidade e permanência no mercado. 

No setor de transportes, a redução das emissões de carbono e de partículas nocivas ao meio ambiente é imperativa para assegurar a sustentabilidade empresarial. Na Marcopolo, o estudo de alternativas de produtos ambientalmente alinhados a este momento de mudanças climáticas é uma prioridade estratégica que converge com o propósito de inovação da empresa. Com a aproximação da COP30 no Brasil, vemos uma excelente oportunidade para expor as iniciativas desenvolvidas ao longo dos anos e que aproveitam todas as alternativas disponíveis para a descarbonização no setor de transportes. 

Em linha com a busca constante por soluções inovadoras, destaca-se o desenvolvimento de um novo micro-ônibus híbrido movido a GNV e biometano. Recém-lançado pela companhia, este modelo complementa o portifólio de veículos com diferentes propulsões, como o 100% elétrico e o híbrido, apresentados recentemente pela marca.

O biometano já vem despontando como solução para substituição de combustíveis fósseis desde a COP28, em Dubai, e países como Suécia e Alemanha já utilizam este combustível em frotas públicas e caminhões de longa distância.

Fonte renovável, proveniente da purificação do biogás gerado a partir da decomposição de resíduos sólidos urbanos e do agronegócio, poderá alcançar uma produção diária de cerca de 6 milhões de m3/dia até 2030, distribuídos em 86 plantas de produção, segundo estimativas da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).

Por ter composição e poder calorífico semelhantes aos do gás natural, permite sua utilização em veículos adaptados para GNV, tornando-se uma alternativa promissora para o abastecimento de frotas de ônibus no Brasil. Porém, quando comparado ao gás natural fóssil, o biometano é mais sustentável e pode reduzir em até 80% as emissões de carbono no transporte rodoviário. 

De acordo com estudos da GasMig, com a utilização do GNV ou biometano, um ônibus ou micro-ônibus tem autonomia cerca de 10% maior e redução no custo com combustível da ordem de R$ 0,17 por quilômetro rodado. 

Além de diminuir as emissões de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar e para a mitigação das mudanças climáticas, a adoção do biometano como combustível para ônibus urbanos traz outros benefícios ambientais: o uso de resíduos orgânicos para sua produção promove a gestão sustentável de resíduos, reduzindo a necessidade de aterros sanitários e evitando a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa, diretamente na atmosfera.

Do ponto de vista econômico, a possibilidade de produção local diminui a dependência de combustíveis fósseis importados e estabiliza os custos a longo prazo. Adicionalmente, a geração de biometano pode fomentar o desenvolvimento econômico regional, criando empregos e incentivando a inovação tecnológica no setor de energias renováveis.

Sua utilização como combustível para frotas de ônibus no Brasil representa uma oportunidade estratégica para aliar sustentabilidade ambiental e desenvolvimento econômico. Com planejamento e políticas adequadas, o biometano pode se tornar uma peça-chave na matriz energética do transporte público brasileiro, contribuindo para cidades mais limpas e sustentáveis.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities.

INTELIGÊNCIA URBANA EM AÇÃO: A CIDADE COMO PLATAFORMA ESTRATÉGICA

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Inteligência urbana em ação: a Cidade como plataforma estratégica
Crédiro: Imagem Gerada por IA. Ilustração digital de uma cidade moderna e sustentável, com prédios ecológicos, painéis solares, turbinas eólicas e áreas verdes. Pessoas diversas caminham, conversam e usam tecnologia. Um ícone central simboliza a cidade como plataforma de inovação, sustentabilidade e participação humana.

A cidade do século XXI já não é apenas o lugar onde se mora, trabalha ou circula. Ela é, cada vez mais, plataforma viva: um ecossistema dinâmico, feito de redes físicas e digitais, mas também de fluxos humanos, decisões políticas, imaginação social e produção de conhecimento. Ao pensar a cidade como plataforma, propomos uma chave de leitura estratégica em que o urbano se apresenta como espaço onde inovação, governança e sustentabilidade se entrelaçam, se fortalecem mutuamente e se tornam indissociáveis.

Essa perspectiva redefine o modo como enxergamos os territórios urbanos. A cidade deixa de ser mera receptora de tecnologia, políticas públicas e investimentos, para assumir protagonismo como estrutura de base que conecta atores, dados e soluções. Ela é interface entre o governo e o cidadão, entre a infraestrutura e o cotidiano, entre os limites físicos do território e os infinitos potenciais criativos de quem o habita.

Inovação: quando a cidade vira código aberto

Ao pensarmos a cidade como plataforma de inovação, é fundamental romper com a ideia de que tecnologia, por si só, basta. O verdadeiro salto inovador se dá quando dispositivos, sistemas e redes são mobilizados com um propósito: melhorar a vida das pessoas. Não basta implantar sensores ou digitalizar serviços se isso não for acompanhado de inclusão, acessibilidade e apropriação por parte da população.

Nesse sentido, cidades inteligentes são aquelas que operam sob a lógica da cocriação. Não apenas aplicam soluções desenvolvidas em outros contextos, mas ativam seus próprios ecossistemas locais, envolvendo universidades, startups, laboratórios urbanos, organizações sociais e moradores. São territórios que sabem escutar e incorporar as potências de quem conhece o problema na pele.

Ferramentas digitais, como plataformas de mapeamento participativo, aplicativos de gestão colaborativa da cidade, painéis públicos de dados e sistemas de orçamento participativo online, representam esse novo urbanismo digital. Um urbanismo que não busca apenas eficiência, mas também transparência, participação e justiça social.

Política: a cidade como campo da decisão pública

Ao adotar a lógica de plataforma, a cidade também assume seu papel como espaço por excelência da ação política. É no município que as políticas públicas ganham corpo, que os conflitos se expressam e que as escolhas governamentais impactam diretamente a vida cotidiana. Nesse contexto, o urbano é um território profundamente político e o planejamento urbano, uma prática estratégica.

Por isso, pensar a cidade como plataforma política significa reconhecer que a transformação urbana depende de governança colaborativa. Nenhum gestor municipal, por mais inovador que seja, conseguirá responder sozinho aos desafios contemporâneos. A articulação entre poder público, setor privado, academia e sociedade civil — as quatro hélices da inovação — é condição para a construção de soluções sistêmicas, eficazes e duradouras.

E essa colaboração precisa ir além dos fóruns consultivos e ganhar materialidade em processos decisórios abertos, no uso de dados como bem público e em mecanismos permanentes de escuta ativa da população. Quando a gestão urbana incorpora a inteligência coletiva dos cidadãos, transforma-se em uma verdadeira democracia em rede  e não apenas em uma máquina administrativa.

Sustentabilidade: das promessas à prática urbana

A cidade-plataforma também precisa ser sustentável. Mas sustentabilidade aqui não é apenas sinônimo de “verde” ou de inovação ambiental. Trata-se de um conceito estrutural, que atravessa a justiça territorial, o acesso à moradia, o enfrentamento das mudanças climáticas, a mobilidade inclusiva e a segurança alimentar.

Sustentabilidade urbana significa conectar a escala do planeta com a escala do bairro, do lote, da rua. Significa pensar cidades compactas, resilientes, policêntricas e humanas. Significa entender que sem acesso universal à internet, ao transporte digno, à educação digital e à saúde básica, nenhuma cidade será de fato inteligente, muito menos sustentável.

O uso estratégico de dados pode ser um dos principais aliados nessa jornada. Desde que bem governados, com respeito à privacidade, os dados urbanos podem orientar ações públicas baseadas em evidências, ampliar a transparência, prever riscos e priorizar investimentos com mais equidade. Sistemas integrados de gestão territorial, por exemplo, permitem cruzar indicadores de risco climático com dados socioeconômicos, revelando quais populações estão mais vulneráveis e onde intervir com maior urgência.

Ao reunir inovação, política e sustentabilidade em uma única visão integrada, a cidade-plataforma nos convida a um novo pacto urbano. Um pacto em que a inteligência não está apenas nos algoritmos, mas nas alianças. Onde a governança se baseia em confiança e corresponsabilidade. Onde a sustentabilidade deixa de ser promessa para se tornar prática cotidiana.

Essa visão também nos desafia a transformar os próprios modos de produzir e implementar políticas públicas. Exige qualificação de equipes técnicas, revisão de marcos legais, modernização de processos burocráticos e abertura a modelos ágeis e experimentais. A cidade-plataforma é uma cidade que aprende com seus erros, testa novas abordagens e cultiva soluções baseadas em evidências e colaboração.

Conectividade com propósito

Em última instância, a cidade como plataforma representa um deslocamento cultural: de uma visão centralizada e setorial para um modelo integrado, distribuído e orientado por valores. Conectividade, nesse contexto, não é apenas infraestrutura digital,  é a capacidade de gerar vínculos, de conectar saberes, de fazer convergir inovação tecnológica com empatia social.

As cidades que entenderem essa lógica estarão mais preparadas para enfrentar crises, antecipar tendências e promover bem-estar. Serão aquelas que enxergam o território não como obstáculo, mas como o maior ativo de transformação. Cidades que aprendem, se adaptam e se reinventam. Serão, enfim, cidades onde vale a pena viver, hoje e amanhã.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

CURSO MARCA UMA DÉCADA DE CIDADES INTELIGENTES NO BRASIL COM FORMAÇÃO HÍBRIDA PARA GESTORES PÚBLICOS E PROFISSIONAIS DO SETOR PRIVADO

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Curso marca uma década de cidades inteligentes no Brasil com formação híbrida para gestores públicos e profissionais do setor privado

Curso combina 12 horas presenciais no Crea‑SP, transmissão ao vivo e 24 módulos EAD, apresentando ferramentas, indicadores e casos práticos aplicados em cidades brasileiras nos últimos 10 anos.

Em uma década marcada por avanços tecnológicos e crises urbanas igualmente rápidas, o Connected Smart Cities realiza nos dias 28 e 29 de abril o curso “10 Anos de Cidades Inteligentes no Brasil”. A proposta vai além de um treinamento técnico: é um mergulho na memória recente do país, revisitando a trajetória que transformou o termo “smart city” de modismo corporativo em política pública. Fundamentado no Relatório Connected Smart Cities – 10 Anos, produzido com a colaboração de mais de 150 especialistas dos setores público, privado e acadêmico, o programa condensa os acertos, tropeços e oportunidades que moldaram a pauta no Brasil desde 2015.

Concebido especialmente para prefeitos eleitos, secretários municipais e equipes estratégicas, o curso oferece doze horas de imersão presencial no auditório do CREA‑SP, na Avenida Angélica, em São Paulo, com transmissão ao vivo, seguidas da modalidade EAD de vinte e quatro horas distribuídas em vinte e quatro módulos assíncronos. No CREA, das 9h às 17h, os participantes revisitam momentos‑chave da plataforma CSC, percorrem os estágios evolutivos de uma cidade e confrontam os desafios que despontam na próxima década: transformação digital extensiva, 5G massificado, governança de dados, mobilidade de baixo carbono e o dilema da sustentabilidade financeira. Ferramentas como o Plano Municipal de Cidade Inteligente e as parcerias público‑privadas surgem não como dogmas, mas como instrumentos maleáveis, capazes de acomodar realidades tão díspares quanto as de Maceió e Balneário Camboriú.

No segundo dia, o foco é abordar o futuro próximo. A metodologia do Ranking Connected Smart Cities 2025 é esmiuçada eixo por eixo – mobilidade, segurança, meio ambiente, inovação, entre outros – revelando como métricas impactam, na prática, a tomada de decisão local. Segue‑se um debate sobre governança colaborativa, onde plataformas de engajamento cidadão deixam de ser vitrine tecnológica para se converter em engrenagens de um novo modelo que une gestão pública e sociedade. A tarde encerra com a apresentação dos Selos CSC de Cidades Inteligentes e Ecossistemas de Inovação, distinções que chancelam municípios comprometidos com gestão baseada em evidências e cultura de inovação.

Terminada a etapa presencial, o cronograma se expande no ambiente virtual. Ali, prefeitos, assessores e técnicos avançam, no próprio ritmo, por trilhas que alternam Internet das Coisas para iluminação pública inteligente, inteligência artificial aplicada à manutenção preditiva de vias, modelos de cloud computing para interoperabilidade de sistemas e módulos inteiros de cibersegurança. A mobilidade urbana ganha foco especial, do MaaS à descarbonização de frotas, enquanto o bloco de sustentabilidade explora urbanismo verde e gestão de recursos naturais em consonância com as metas climáticas. Ao longo dos módulos, cases concretos comprovam que inovação não é privilégio de metrópoles: Jacareí reduziu a mortalidade no trânsito com planejamento de baixo custo; Santana de Parnaíba digitalizou processos e alavancou a transparência; Jaguariúna transformou parques tecnológicos em polos de empreendedorismo local.

A abordagem híbrida garante flexibilidade sem abrir mão da troca presencial, e cada participante só recebe o certificado após percorrer ambos os percursos. Nenhum requisito é intransponível: formação superior é desejável, mas o que conta de fato é estar na linha de frente de projetos de cidade inteligente, inovação ou governo digital. 

Quem se sentar nas cadeiras do auditório no fim de abril não encontrará fórmulas mágicas nem dashboards mirabolantes, mas sim um retrospecto lúcido de dez anos que sacudiram a gestão urbana brasileira e um mapa de rotas plausíveis para os dez que vêm aí. Entre narrativas de fracasso e sucessos retumbantes, o curso se consolida como ponto de virada: um convite para que gestores olhem para suas cidades não como um somatório de problemas, mas como ecossistemas vivos, prontos para redesenhar seu destino com as ferramentas certas, o conhecimento apropriado e, sobretudo, a disposição para aprender com quem já trilhou caminhos parecidos.

TRUMP, O BRASIL E A NOVA INDÚSTRIA NACIONAL

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O neoprotecionismo tumultuará as cadeias produtivas globais, mas pode abrir
uma grande oportunidade para as empresas brasileiras de transporte sustentável

O mundo acompanha com um misto de espanto e temor o terremoto na ordem econômica internacional causado pelo governo Trump.

Mas aqueles que conseguem manter a cabeça fria já percebem que o caótico neoprotecionismo americano pode abrir excelentes oportunidades para países como o Brasil e outros.

Penso especialmente no setor que represento: a indústria nacional de ônibus elétricos, que tem todas as condições de tornar-se líder global em transporte público sustentável.

Mas também na indústria de motores elétricos, baterias, inversores, carregadores, chassis e carroceria, sem contar aplicativos e serviços de tecnologia associados às eletromobilidade.

Mais do que nunca, a liderança brasileira em sustentabilidade (tecnológica e ambiental) é um ativo a ser trabalhado intensamente por uma diplomacia comercial inteligente.

A economia e a política internacionais passarão por grandes traumas nos próximos meses e anos, mas as oportunidades estão à vista. Não podemos perdê-las.

Países e regiões prejudicados pelas políticas trumpistas, como Canadá, México e Europa, sem contar as nações africanas privadas dos recursos humanitários da USaid, configuram-se como mercados potenciais para a nova indústria brasileira da eletromobilidade.

Para chegarmos lá, no entanto, será preciso mais ousadia e pragmatismo dos líderes políticos nacionais (leia-se: Executivo e Congresso) e dos formuladores da política externa.

Teremos de reaprender a dialogar em torno dos temas que realmente importam para o futuro do Brasil, sem factoides, sem polarização e sem preconceitos. 

Na verdade, isso já começou a acontecer. Depois de 25 anos de negociações estagnadas, Mercosul e União Europeia finalmente fecharam um acordo. Foi no dia 6 de dezembro, exatamente um mês depois da vitória eleitoral de Donald Trump.

No final de março, os governos do Japão, Coreia do Sul e China – adversários históricos entre si – anunciaram as bases de um acordo de livre comércio que dificilmente teria avançado tanto, fosse outro o atual ocupante da Casa Branca.

Aqui mesmo no Brasil, vimos no começo de abril um fenômeno raríssimo e de forte simbolismo: a aprovação no Senado, por unanimidade, e no dia seguinte na Câmara, por votação simbólica, de um projeto de lei que dá plenos poderes ao Executivo para retaliar o tarifaço americano.

O fato é que, diante de um inesperado inimigo comum, governos de diferentes correntes políticas e visões ideológicas descobrem (ou redescobrem) pontos de convergência e se unem para reconfigurar as cadeias globais de produção.

Temos de aproveitar esse momento e nos inserir nessas novas cadeias de valor. Mais do que nunca, temos de saber “vender” a tecnologia nacional e os produtos da indústria brasileira vinculada à descarbonização da economia.

A opção dos Estados Unidos pelo isolamento abre um imenso espaço para novas ideias, novos parceiros e mais ousadia dos governos e empreendedores.

É fundamental que a indústria brasileira vinculada ao transporte sustentável tenha um peso crescente na pauta de exportação do país. 

Nesse inédito momento da economia global, é hora de mostrar que a estratégia comercial brasileira não se limita a commodities, produtos agrícolas e etanol. Esses produtos são muito importantes, claro, mas não são os únicos.

A nova indústria brasileira já tem o que mostrar a qualquer mercado. E esse trabalho tem de começar imediatamente.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities