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BRASIL ATINGE 32 GW DE CAPACIDADE INSTALADA EM ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA

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Brasil fica em 6º lugar na geração de energia solar mundial

Estudo divulgado nesta segunda-feira, 17, pelo Portal Solar, mostra que serão necessários investimentos de R$ 2,2 trilhões, até 2050

O Brasil acaba de ultrapassar a marca de 32 gigawatts (GW) de potência instalada da fonte solar fotovoltaica, somando as usinas de grande porte e os sistemas de geração própria de energia em telhados, fachadas e pequenos terrenos, o equivalente a 14,7% da capacidade instalada da matriz elétrica do País, informou a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

De acordo com a entidade, desde 2012 a fonte solar já trouxe ao Brasil cerca de R$ 155,2 bilhões em novos investimentos, mais de R$ 45,1 bilhões em arrecadação aos cofres públicos, e gerou mais de 960 mil empregos acumulados. Com isso, também evitou a emissão de 40,6 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade.

Segundo o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, a fonte solar é uma alavanca para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do País, em especial com a oportunidade de uso da tecnologia na habitação de interesse social, como casas populares do programa Minha Casa Minha Vida, assim como em escolas, hospitais, postos de saúde, delegacias, bibliotecas, museus, parques, entre outros.

“O crescimento da fonte solar pode acelerar ainda mais a atração de investimentos, a geração de empregos e renda e a liderança internacional do Brasil na transição energética”, comenta Sauaia.

Estudo

Estudo divulgado nesta segunda-feira, 17, pelo Portal Solar, mostra que serão necessários investimentos de R$ 2,2 trilhões, até 2050, para descarbonizar a economia com energia solar até 2050, com a instalação de 540 GW renováveis para atender a mobilidade elétrica e a produção de hidrogênio verde.

No segmento de geração distribuída de energia, o País já possui 22,4 GW de potência instalada da fonte solar. Isso equivale a cerca de R$ 113 bilhões em investimentos, R$ 29,9 bilhões em arrecadação e mais de 672 mil empregos acumulados desde 2012, espalhados pelas cinco regiões do Brasil. A tecnologia solar é utilizada atualmente em 98,9% de todas as conexões de geração distribuída no País.

O Brasil possui cerca de 9,6 GW de potência instalada em usinas solares de grande porte. Desde 2012, as grandes usinas solares já trouxeram ao País cerca de R$ 42,2 bilhões em novos investimentos e mais de 288 mil empregos acumulados, além de proporcionarem uma arrecadação aos cofres públicos que supera R$ 15,2 bilhões.

Fonte: Exame

CIDADES EMPREENDEDORAS E O DESTINO DA INOVAÇÃO

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Cidades Empreendedoras e o destino da Inovação
Foto: Getty Images.

No cenário global, algumas cidades se destacam pela liberdade econômica e iniciativa empresarial, sendo verdadeiros polos de inovação e crescimento. Esses lugares atraem investidores e mentes brilhantes que desejam transformar ideias em negócios bem-sucedidos.

São reconhecidas por possuírem ecossistemas vibrantes de startups e empresas de tecnologia, oferecendo um ambiente propício para o surgimento e crescimento de novas ideias. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além da presença de universidades e hubs de inovação, contribuem para a formação de uma base sólida de conhecimento. Um bom exemplo é o “Station F”, em Paris, que é um importante hub de inovação e abriga mais de 1000 startups incubadas numa estação ferroviária que foi revitalizada. Em 2022, o “Station F” bateu recorde de financiamento com mais de 1 bilhão de euros.

As cidades empreendedoras possuem um ambiente de negócios favorável, com políticas públicas que regulamentam e incentivam a atividade econômica. O governo apoia a abertura de novas empresas, reduzindo a burocracia e estimulando a criação de empregos. Há uma cultura de fomento ao desenvolvimento econômico local, onde os empreendedores são encorajados a aprender com suas experiências.

A presença de mão de obra qualificada e multicultural, impulsiona o desenvolvimento e promove o networking. Barcelona é outro exemplo de cidade empreendedora com seu distrito inovador e tecnológico chamado “22@”, atraindo investimentos internacionais através de empresas de base tecnológica numa antiga área dominada por galpões industriais abandonados. Hoje somam mais de 25 universidades e cerca de 90 mil empregos gerados no distrito.

Além disso, essas cidades investem em infraestrutura e possuem bons índices de qualidade de vida. A zeladoria é essencial, o transporte público é eficaz, os serviços de saúde são ágeis e os espaços públicos são distribuídos geograficamente. Em Jundiaí, no interior de São Paulo, temos outro exemplo de cidade empreendedora. Com mais de 170 indústrias multinacionais instaladas e indicadores de qualidade de vida excelentes, a cidade é a 6ª mais rica do estado e a 15ª do país, segundo o IBGE. Conta, ainda, com uma ampla oferta de serviços públicos e um pujante ecossistema de startups chamado Grape Valley.

É importante ressaltar que o sucesso dessas cidades não se mede apenas pela prosperidade econômica, mas também pela busca de soluções para problemas sociais e ambientais. A sustentabilidade, a responsabilidade social, os investimentos em energia limpa, em mobilidade, em saneamento e inclusão produtiva, são prioridades constantes. As cidades empreendedoras entendem que a inovação deve ser direcionada para um futuro mais equitativo e sustentável, colocando-as no epicentro do progresso. Elas contagiam os municípios vizinhos e proporcionam um futuro mais próspero para seus moradores.

Em suma, a combinação destes fatores estimulam o desenvolvimento com planejamento de longo prazo e gestão pública focada nas entregas. Como resultado: Cidades mais inteligentes, promissoras e servindo para desbravar a condução do progresso mundial.

Fonte: Jones Henrique Martins é Gestor Adjunto de Governo em Jundiaí-SP

 

SÃO PAULO LANÇA PROGRAMA PARA DESTRAVAR CONCESSÕES DE SANEAMENTO

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São Paulo lança programa para destravar concessões de saneamento

O governo de São Paulo  lança nesta terça-feira (18) um programa para tentar aumentar a adesão dos municípios aos blocos de saneamento previstos no marco legal do setor.

De acordo com a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), a implantação do UniversalizaSP é uma das medidas para antecipar o prazo da meta de universalização do fornecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto.

Pelo programa, o governo do estado deve dar apoio técnico aos municípios que operam serviços de saneamento básico -por meio de autarquias ou serviços municipais- para estruturarem projetos para as que as prefeituras antecipem as metas de universalização.

Também deve ajudar o município a regionalizar a prestação dos serviços, a incentivar a definição de tarifas que permitam um serviço acessível aos usuários e a atender as áreas rurais e os núcleos urbanos informais, estruturando novas concessões ou PPPs (parcerias público-privadas).

O anúncio foi antecipado nesta sexta pela secretária da pasta, Natália Resende, ao jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela Folha de S.Paulo.

Ela também disse que o governo estadual não descarta ajudar os municípios com eventuais garantias. O estado prevê para ainda este ano um mapeamento que irá verificar a necessidade e reorganizar três blocos de saneamento que fracassaram em São Paulo (apenas 3% das cidades que poderiam integrar os blocos aderiram).

O plano ainda precisa ser oficializado por decreto pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A regionalização é considerada um dos pilares do marco regulatório do saneamento, em que os estados devem agrupar municípios em regiões, por meio de lei estadual e com governança própria.

O objetivo é ganhar escala e compartilhar infraestrutura, fazendo com que cidades com menos recursos tenham o apoio de municípios próximos com maior arrecadação.

O UniversalizaSP não é o primeiro movimento feito pelo governo estadual no setor. Freitas assinou em maio um decreto autorizando a contratação de estudos para avaliar a viabilidade de privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), com previsão de ficar pronto em 2024.

Segundo dados da Sabesp, a companhia atende 375 dos 645 municípios de São Paulo, que correspondem a 64% da população do estado.

Percy Soares Neto, da Abcon (Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto), diz que o marco do saneamento tinha um dispositivo impondo que os estados criassem os blocos em seis meses ou a União faria isso.

“Teve uma euforia com a aprovação, mas foi um mecanismo perverso que obrigou os estados a correrem sem fazer o devido processo político de diálogo com os municípios. Os governadores acabaram tendo de fazer isso de cima para baixo, e São Paulo definiu que uma região seria da Sabesp e o resto precisa ser arranjado. Mas houve dificuldade em todo o país.”

Ele avalia que São Paulo está tentando inverter o processo, organizando “de baixo para cima”, com participação dos municípios e oferta de apoio na modelagem. “Não é trivial, é preciso fazer um estudo de engenharia (que avalie os custos), outro jurídico (para ver o melhor modelo de contrato) e um estudo econômico (para definir a tarifa a ser cobrada).”

Nesse tipo de concessão, o interessado pode levar mais de uma década para conseguir recuperar o investimento, e muitos municípios menores não têm recursos para estruturar contratos atrativos.

Dessa forma, os contratos de concessão costumam ter prazo de 30 anos, a partir da assinatura, e a data final do contrato varia de um município para o outro.

Segundo dados de setembro de 2022 do IAS (Instituto de Água e Saneamento), 17 estados aprovaram leis de regionalização, 3 têm projetos de lei em suas respectivas assembleias legislativas há mais de um ano, 3 passaram por processos recentes de concessões regionais e 3 ainda não consolidaram projetos de lei.

Dos 645 municípios paulistas, 149 não possuem universalização em abastecimento de água e outros 226 não têm sistema de esgoto sanitário universalizado.

Críticos ao marco afirmam que o discurso da universalização era uma estratégia midiática para aumentar o apoio à aprovação do marco legal.

Em agosto passado, a coordenadora geral do Ondas (Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento), Renata Furigo, disse à Folha que o objetivo central da lei é a privatização dos serviços de água e esgoto, e não a universalização dos serviços.

Outra reportagem recente também apontou que a falta de saneamento em áreas rurais isoladas trava as metas de universalização.

No último dia 13, o governo do presidente Lula (PT) publicou dois decretos com novas regras que alteram o marco do saneamento, após acordo com o Senado. Em um dos textos, caiu uma brecha que dispensava licitação para empresas estatais de saneamento.

Fonte: DL News

E A TARIFA ZERO? 10 ANOS DEPOIS DE 2013, ONDE CHEGAMOS E PARA ONDE PODEMOS IR

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E a tarifa zero? 10 anos depois de 2013, onde chegamos e para onde podemos ir
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O debate da tarifa zero, embora iniciada bem antes, centralizou-se na pauta, com protagonismo de movimentos como o Movimento Passe Livre

2013 foi um ano marcado pelas revoltas populares que eclodiram em torno do aumento da tarifa do transporte coletivo. O debate da tarifa zero, embora iniciada bem antes ¹, centralizou-se na pauta, com protagonismo de movimentos como o Movimento Passe Livre. 

Iniciativas esparsas foram sendo implementadas em alguns municípios, especialmente os de pequeno porte e através de iniciativas do poder executivo e legislativo ². Todas elas ilustram a discussão de fundo: independente do método ou meio utilizado para adoção da medida, a tarifa é zerada para o usuário, ainda remanescendo a discussão sobre os custos do sistema. É dizer: mesmo que aquele que utilize o serviço não efetivamente pague ao operador do transporte coletivo, este fará jus ao recebimento da remuneração pelo poder público: troca-se o bolso, permanece a despesa. 

A discussão é menos jurídica e mais política. Isto porque o Brasil já detém modelos e arranjos jurídicos aptos a assegurar o pagamento à concessionária sem a cobrança dos usuários.  O que instituiu a Lei n. 8.987/1995, afinal – centrando, ou prevalecendo a remuneração do privado no pagamento de tarifa para os usuários – é apenas um dos modelos de concessão existentes.  

Mesmo este modelo, aliás (o da própria Lei 8.987/1995, na qual a maior parte dos contratos de concessão de transporte coletivo está juridicamente fundada), já vem sendo modulado pelas singulares relações público-privadas encartadas nos contratos de concessão. A concessão dos serviços metroferroviários da Região Metropolitana de Belo Horizonte, realizada pelo Estado de Minas Gerais, por exemplo, se valeu do art. 17 da Lei n. 8987/1995 para instituir pagamentos públicos vinculados à realização de obras necessárias à revitalização da linha 1 e construção da linha 2. Validou-se, assim, o Estado colocar dinheiro em uma concessão comum (ainda sustentada, majoritariamente, por tarifas), mas diminuindo o custo para o usuário. 

Em outros setores, não é desconhecido, aliás, modelos em que a própria Administração Pública assume a totalidade dos pagamentos, mesmo com base na Lei 8.987/1995. O Município de Salvador, por exemplo, assinou contrato de concessão para “implantação, operação e manutenção de aterro sanitário, estação de transbordo e de tratamento”, havendo como contrapartida pagamentos públicos realizados com recursos orçamentários da administração municipal, valendo-se exclusivamente da Lei n. 8987/1995 como arrimo jurídico. 

Não por outro motivo a Lei n. 11.079/04, editada em contexto de maior pujança econômica e estendendo sua abrangência para além dos serviços públicos, veio a instituir a concessão administrativa, concentrando a remuneração do concessionário no Poder Público, como, aliás, já é realizado em setores como saúde, educação e presídios. O Estado, neste modelo, não oneraria o usuário (por impossibilidade legal ou por escolha político-econômica), mas contaria com a iniciativa privada para prestação de serviços, na ponta, ao usuário. 

A Espanha, na experiência comparada, escolheu, por exemplo, instituir modelos dos chamados “pedágio-sombra”, utilizados especialmente pelas comunidades autônomas e pelo Ministério do Fomento nos contratos de primeira geração. Nestes casos, os pagamentos de pedágio em sombra “estão sujeitos a uma avaliação de qualidade e execução da concessionária, conforme parâmetros e obrigações contratuais, e a serem medidos com certa frequência que sujeita a concessionária a penalidades e multas aplicáveis aos pagamentos“³. 

Os modelos existentes não afastam, contudo, uma outra discussão importante. O pacto social pela tarifa zero deve endereçar a priorização – e constância – orçamentária para o pagamento do serviço. É dizer: não basta estar previsto em lei e anunciado publicamente, é necessário o compromisso contratual para viabilizar o arranjo, transformando a intenção político-legislativa em medidas administrativo-orçamentárias e contratuais que dêem constância e concretude à escolha realizada. 

Os serviços, afinal, tão essenciais à população brasileira e, sobretudo, à população mais carente não podem ficar sujeitos aos soluços orçamentários e aos não raros contingenciamentos, sobretudo em épocas de maior restrição fiscal e demais priorizações políticas. Viola-se, de um lado, a satisfação do direito pretendido, e, de outro, macula-se a financiabilidade do negócio pelo operador. 

Se é um compromisso assumido, de longo prazo e forma socialmente pactuada, é preciso acurar os instrumentos para que, de fato, o fluxo financeiro seja suficiente para a correta remuneração do operador e o atendimento da demanda, na ponta. Não basta a aprovação de projetos de leis que chancelem os pagamentos públicos e a instituição dos chamados “subsídios”⁴: é fundamental que sejam orquestrados todos os elementos que estruturem esta relação. 

É o que se faz com as parcerias público-privadas em áreas sociais: nos projetos que envolvem a construção, operação e manutenção de escolas e hospitais por empresas privadas por delegação do poder público (e que, por força constitucional, permanecem gratuitos e acessíveis aos cidadãos) os fluxos de pagamentos públicos e garantias são escrutinados para maior previsibilidade e solidez financeira da operação5. Os arranjos são pensados justamente para que não se dependa do orçamento como único lastro para a garantia dos pagamentos públicos, dado o histórico e as oscilações dos compromissos da Administração Pública. 

E isto é feito mesmo que a Lei n. 11.079/04 estabeleça a obrigatoriedade de previsão de que os dispêndios públicos devem estar no plano plurianual (art. 10, V), na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual (art. 10, III), além da previsão do ˜fluxo de recursos públicos suficientes para o cumprimento, durante a vigência do contrato e por exercício financeiro, das obrigações contraídas pela Administração Pública”(art. 10, IV)”. 

Em todos os sentidos, o que se quer é assegurar que a vontade política do tempo presente – legítima e socialmente sensível – não seja desacompanhada da devida estruturação dos caminhos possíveis para viabilizar o modelo proposto. 

Há caminhos, mas eles devem ser perquiridos e não subestimados. 

¹ Ainda nos anos de 1990, durante o mandato da Prefeitura Luiza Erundina na Cidade
 de São Paulo. Para ver mais, acesse: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/transporte-publico-gratuito-tarifa-zero-utopia-realidade-democracia-brasil/ 

² Ao menos até março de 2013, 67 municípios já haviam aderido à tarifa zero. 
Fonte: Ao menos 67 cidades brasileiras já adotam a tarifa zero em todo o seu 
sistema de transporte, durante todos os dias da semana, conforme levantamento da 
NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), atualizado em março 
de 2023.

³ BRASIL, Agência Nacional de Transportes Terrestres. Estudo Internacional de 
Contratos de Concessão Rodoviária. 
Disponível em: https://portal.antt.gov.br/documents/363688/389038/Estudo+Internacional+de+Contratos+de+Concess%C3%A3o+de+Rodovias.pdf/7756481f-e494-1761-916d-48dc37428514?t=1592175951190 

⁴ Na forma do que dispõe a Lei nº 12.587/2012, são considerados subsídios a 
diferença entre a tarifa técnica e a tarifa de remuneração, nos termos do §3º do 
art. 9º: “§ 3º A existência de diferença a menor entre o valor monetário da tarifa de 
remuneração da prestação do serviço de transporte público de passageiros e a tarifa pública 
cobrada do usuário denomina-se deficit ou subsídio tarifário.” No entanto, utiliza-se, não raro, 
a palavra para designar os pagamentos públicos que, em suas diversas naturezas, são realizados em contratos 
de concessão de transporte coletivo. 

5 Veja-se o exemplo do Hospital do Subúrbio na Bahia, ou o programa de concessões 
e ppps de hospitais do Estado de São Paulo. 

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

TRANSPORTE DE PASSAGEIROS SOBRE TRILHOS: TECNOLOGIA A FAVOR DA SEGURANÇA

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Transporte de passageiros sobre trilhos: tecnologia a favor da segurança
Em 2022, foram mais de 10 milhões de horas de trabalho dedicadas à manutenção dos sistemas se transporte de passageiros sobre trilhos em todo o País, como na Estação da Luz. Foto: Getty Images

Uma das maiores evoluções do segmento foram os sistemas de comunicação: hoje eles possuem altíssima tecnologia e utilizam as redes 5G

O setor brasileiro de transporte de passageiros sobre trilhos adota rigorosos protocolos de segurança e de manutenção, nos mesmos níveis dos principais operadores do mundo. Para ter ideia da seriedade com que esse tema é tratado, apenas no ano passado, foram mais de 10 milhões de horas de trabalho dedicadas à manutenção dos sistemas em todo o País. Esses protocolos envolvem a circulação dos trens, os centros de controle operacionais (CCOs), os pátios de manutenção e as estações.

No Brasil, os trens de passageiros são equipados com avançados mecanismos de segurança que ajudam a evitar colisões e descarrilamentos. Eles também contam com programas de monitoramento de velocidade e de alertas que sinalizam aos condutores qualquer perigo potencial à frente. Os veículos possuem, ainda, câmeras de segurança internas e externas que auxiliam a monitorar o comportamento dos passageiros e detectam possíveis ameaças.

Evolução

Os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos já nascem com vários dispositivos de segurança. São divididos em quatro aspectos fundamentais: sinalização ferroviária, sistemas de comunicação, de tração e de comunicação com os passageiros.

No início, a sinalização era feita via token, recurso que tinha como objetivo facilitar a movimentação segura dos trens nas ferrovias em uma via singela; depois, vieram os sistemas de zonas que dividiam as vias em áreas de segurança. A seguir, foram incorporados conjuntos de proteção automática, o famoso ATP (automatic train protector); e, por fim, foram adotados os sistemas CBTC (communications-based train control), muito avançados do ponto de vista tecnológico.

Em relação à tração, o primeiro sistema de metrô urbano foi o de Londres, inaugurado, em 1863, com tração a vapor, que apresentava inconvenientes como faíscas da combustão, além do armazenamento e do abastecimento de água para as composições. Em 1890, ele evoluiu para a tração elétrica e, desde então, quase todos os sistemas urbanos importantes começaram a usar a tecnologia.

Durante muito tempo, a tração a diesel prevaleceu e, a seguir, vieram motores de corrente contínua. Atualmente, praticamente todos os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos urbanos no mundo utilizam a tração elétrica, com a tendência de todos os novos adotarem os motores de corrente alternada, que são mais simples, de baixa manutenção e de altíssima confiabilidade.

Interação

A interferência do passageiro no sistema é um ponto que demanda muita atenção. Por exemplo, se algum usuário segurar o fechamento de uma porta de trem, praticamente ele começa a desregular todo o sistema. Então, é fundamental trazer o passageiro como aliado durante a prestação do serviço, o que é feito via comunicação visual e sonora, fundamentais para reforçar boas práticas, além de informar os protocolos para situações de emergência.

Uma das maiores evoluções tecnológicas do segmento foram os sistemas de comunicação. No começo, eles eram muito simples e baseados em telégrafo; depois, vieram os sistemas de rádio; e, hoje, são sistemas de altíssima tecnologia que utilizam as redes 5G. A comunicação com os passageiros praticamente não existia, era feita apenas pelos funcionários da operadora. Atualmente, com as tecnologias digitais, as informações chegam aos usuários de maneira instantânea, dentro dos carros de transporte e nas estações, com monitores compartilhando informações em tempo real.

Destaco, ainda, os centros de controle operacionais (CCOs) que auxiliam a tomar as melhores decisões possíveis, várias delas, inclusive, automaticamente. Os CCOs são responsáveis por monitorar e gerenciar a circulação dos trens; o funcionamento das estações, dos pátios e a segurança dos passageiros.

Eles são equipados com programas de comunicação e monitoramento de tráfego, em tempo real, permitindo aos controladores responderem rapidamente em qualquer situação de emergência. Esses são alguns exemplos das constantes evoluções que têm permitido que o setor se adapte de forma rápida às novas tecnologias e esteja aberto à integração com novas aplicações.

Fonte: Mobilidade Estadão

#CONECTATALKS COM O GERENTE GERAL DA RAIN BIRD CORPORATION, FERNANDO HADDAD

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Como a empresa atua com ações e soluções eficientes e sustentáveis para impulsionar o desenvolvimento de cidades brasileiras inteligentes?


NOTÍCIA:

Nicole Costa, colaboradora da Plataforma Connected Smart Cities, foi a entrevistadora desta edição do Conecta Talks.

O Conecta Talks é uma iniciativa do Connected Smart Cities, uma plataforma que, ao integrar com sua comunidade, acelera o processo de desenvolvimento das cidades inteligentes no Brasil.

No início do programa, o Gerente Geral da Rain Bird, Fernando Haddad, foi apresentado para o público espectador. Em seguida, o executivo abordou brevemente a missão e os propósitos da empresa no mercado de produtos, serviços e soluções em irrigação agrícola para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes e sustentáveis.

A Rain Bird é parceira da Plataforma CSC e apoiadora do Encontro Nacional,  Connected Smart Cities & Mobility Nacional (CSCM) 2023, o maior e mais importante evento de negócios e conexões de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil, que será realizado entre os dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.

DESTAQUES DA ENTREVISTA:

  1. Durante o bate papo, Fernando Haddad destacou que a missão e os propósitos  da empresa norte-americana Rain Bird, que completa 90 anos em 2023, assemelham-se aos da Plataforma Connected Smart Cities.  
  2. Em relação aos avanços de qualidade dos serviços prestados, o executivo destacou o aprimoramento de tecnologias inovadoras e modernas ao longo do tempo, com a elaboração de projeto de irrigação de lavouras de citros na Califórnia, sistemas de irrigação voltados ao paisagismo e metodologias de automação e utilização inteligente, eficiente e sustentável da água para redução de impactos sociais e ambientais nos espaços urbanos.
  3. Destaque dos principais desafios para uma gestão sustentável e menção de ações eco-responsáveis, como projetos de irrigação subterrânea, que vêm sendo implementadas pela empresa no Brasil. 
  4. Com base nesse panorama de atuação, Fernando Haddad destacou 2 exemplos de cases que atingiram resultados positivos para os ecossistemas urbanos nacionais, como o projeto Cidade Matarazzo (SP), de controle responsável do consumo hídrico. 
  5. No encerramento da entrevista, Haddad compartilhou um breve spoiler sobre como será a participação da Rain Bird no CSCM deste ano.

Assista a entrevista na íntegra aqui.

MOOVIT LANÇA PARCERIA COM PREFEITURA DE GRAVATAÍ

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Moovit
Foto: Getty Images

Aplicativo mostrará melhores rotas e localização dos ônibus em tempo real.

Prefeitura da cidade lançará em 21 de julho parceria com a empresa

Como mais uma ação para qualificar o transporte público dentro do programa Procoletivo, o prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, lançará em 21 de julho, parceria com o Moovit, o aplicativo de mobilidade urbana mais usado no mundo. A ferramenta gratuita, disponível no celular ou no computador, permitirá aos passageiros acesso a informações sobre melhores rotas, linhas disponíveis e localização em tempo real dos ônibus.
Ao acessar o aplicativo, o usuário irá inserir o local de destino e a ferramenta mostrará a navegação passo a passo, incluindo eventual trecho de caminhada até a parada mais próxima e as linhas disponíveis para o trajeto. Na parada, é possível ver a estimativa de tempo para a chegada do próximo ônibus. Após o embarque, o passageiro ainda recebe uma notificação quando chegar o momento de descer. O aplicativo é 100% compatível com VoiceOver e TalkBack, dois dos leitores de telas para deficientes visuais mais conhecidos. Também é possível aumentar o tamanho da letra e identificar as rotas acessíveis, com acesso facilitado para pessoas com mobilidade reduzida.
“O uso da tecnologia ajuda os passageiros a programar melhor as viagens e até conexões para outras cidades e reduzir tempo de espera nas paradas. É mais uma ação para tornar o transporte público mais atrativo e eficiente, melhorando toda a mobilidade urbana na cidade. Além de termos uma das menores tarifas da região metropolitana, incorporamos à frota, em junho, 10 novos ônibus e dois novos micro-ônibus, todos com ar-condicionado”, comenta o prefeito Zaffalon.
O transporte urbano de Gravataí é composto por 63 veículos. Por dia, em média, são 20 mil passageiros. O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Guilherme Ósio, destaca que a parceria com o Moovit não tem custo para o usuário nem para a prefeitura.
Serviço
O lançamento da parceria da Prefeitura de Gravataí com o Moovit será em 21 de julho no Urbano – Offices & Coworking, na rua Cel. Sarmento, 1.261, em Gravataí, das 9h às 12h, com palestra de Fernando Michel, professor da UFRGS e consultor em Planejamento, Operação e Controle de Sistemas de Transportes. Participam o prefeito Zaffalon, o secretário de Mobilidade Urbana, Guilherme Ósio, e a secretária municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia, Selma Fraga.
Procoletivo
O Comitê do Programa Municipal de Reestruturação e Qualificação do Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Procoletivo), composto por representantes de diversos segmentos da sociedade, é uma iniciativa da Prefeitura de Gravataí. Lançada em 2022, consiste em uma série de ações para qualificar e tornar mais atrativo o serviço oferecido à população. Entre as ações estão a redução do valor da tarifa, ampliação de linhas e horários e incremento de veículos novos com ar-condicionado à frota.
Sobre o Moovit
Moovit, uma empresa da Mobileye (Nasdaq: MBLY), é o líder global em Mobilidade como Serviço (MaaS) e o aplicativo de mobilidade urbana mais usado do mundo. O Moovit simplifica a maneira como as pessoas usam o transporte público, micromobilidade e outras formas de transporte. Mais de 1.5 bilhão de usuários usam o app gratuitamente no Android, iOS e na web em 3500 cidades de 112 países. O Moovit foi adquirido pela Intel em 2020 para unir forças com a Mobileye no desenvolvimento do transporte autônomo, e recentemente apresentou o MoovitAV.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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DESCARBONIZAÇÃO: ESTUDO APONTA A VIABILIDADE DA CAPTURA DIRETA DO AR PARA A REMOÇÃO DE CO2

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Descarbonização: estudo aponta a viabilidade da captura direta do ar para a remoção de CO2
Emissões: a cada ano, produzimos mais CO2 do que a Terra consegue absorver. (Lukas Schulze/Getty Images)

Estudo da Boston Consulting Group (BCG) identificou quatro alavancas de curto prazo que podem reduzir os custos e tornar a tecnologia mais atraente

A corrida pela descarbonização e o desenvolvimento de tecnologias para a mitigação das emissões de dióxido carbono é essencial para o cumprimento do Acordo de Paris. Pensando nisto, a consultoria Boston Consulting Group (BCG) promoveu o estudo Shifting the Direct Air Capture Paradigm, focado na captura direta do ar para a remoção de dióxido de carbono de modo escalável e permanente.

“Por mais que estejamos estudando diferentes tecnologias para a redução das emissões de CO2, há sempre um resíduo. A DAC pode resolver essa questão, desde que haja investimento e desenvolvimento para que a tecnologia seja acessível e escalável”, diz André Pinto, diretor executivo e sócio sênior do BCG em entrevista à EXAME.

De acordo com o executivo, a tecnologia precisaria ter um custo de 100 a 200 dólares por tonelada de C02 retirado da atmosfera, mas hoje o custo é cerca de 1.000 dólares. “Projeções para 2030 é de que o hidrogênio verde, por exemplo, tenha o custo médio de 150 a 200 dólares por tonelada de carbono; o biometano é de 160 dólares. Assim, o DAC só é viável se competitiva”, afirma. O estudo aponta ainda que, até 2050, cerca de 10 bilhões de toneladas de CO2 precisarão ser removidas da atmosfera anualmente. Para armazenar essa quantidade de CO2, o DAC precisa ser avançar rapidamente nos próximos 25 anos.

“A competitividade acontecerá por meio de incentivos e custo do capital mais baixo. Para isto, governos e agentes privados precisam enxergar a importância da prática como ocorreu,  por exemplo, com a energia solar”. Para André, tomadores de decisão podem ver a DAC como uma solução perto de outras práticas que já ocorrem, como o reflorestamento. “Neste caso, não é necessária uma área tão grande quanto as destinadas ao plantio. Além disto, a tecnologia garante a possibilidade de saber quanto de CO2 foi de fato removido”.

Para transformar a DAC em uma solução viável para enfrentar a crise climática, o BCG identificou quatro alavancas de curto prazo que podem reduzir os custos e tornar a tecnologia mais atraente:

  • Conhecimento compartilhado acelera redução de custo

Governos e iniciativa privada podem incentivar empresas desenvolvedoras a compartilharem seu aprendizado em toda a cadeia de suprimentos em áreas menos competitivas. Além disso, à medida que a solução amadurece, investidores precisarão selecionar dois ou três projetos e concentrar seu apoio a essas iniciativas para acelerar o seu desenvolvimento.

  • Tratando o DAC como um serviço público

Governos costumam ter incentivos específicos para usinas de resíduos municipais, ajudando as empresas a manterem um baixo custo, já que as instalações fornecem um serviço público essencial. A remoção do carbono do ar pode funcionar da mesma forma e os governos podem adotar uma abordagem semelhante para incentivar o mercado de captura de CO2. 

  • Alterando as regras de contabilidade de carbono

Uma maneira de desbloquear fontes de capital seria a mudança das regras sobre como as remoções permanentes de CO2 são contabilizadas. As diretrizes atuais limitam a capacidade das empresas de contabilizar as remoções em relação às suas metas de emissões. No entanto, ao revisar suas regras sobre remoções permanentes, pelo menos para as emissões de escopo 3, as organizações que verificam a quantidade de carbono capturado incentivariam o investimento nessas tecnologias.

  • A localização importa

Para que a DAC seja bem-sucedida, será fundamental encontrar localizações geográficas com grande potencial de armazenamento, capazes de fornecer energia renovável abundante e barata, e atender aos requisitos climáticos específicos de diferentes soluções. Por exemplo, temperatura local, umidade e elevação podem ter efeitos diferentes no desempenho da captura de CO2.

Agências governamentais reguladoras e setores privados podem ajudar a estabelecer rapidamente uma infraestrutura robusta de DAC em locais privilegiados por meio de regras de licenciamento, incentivos e acordos multilaterais de aquisição. Muitos desses locais podem fornecer novas fontes de energia de baixo carbono e, ao mesmo tempo, permitir uma transição justa.

Fonte: Exame

ESPECIALISTA DESTACA URGÊNCIA DE AÇÕES PARA APRIMORAR O TRANSPORTE PÚBLICO EM GOIÂNIA

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Especialista destaca urgência de ações para aprimorar o transporte público em Goiânia

Miguel Pricinote, mestre em transporte e subsecretário estadual de políticas para Cidades e Transporte, afirma que medidas devem ser tomadas para melhorar o transporte público em Goiânia.

Entre as ações necessárias, destacam-se investimentos na ampliação e modernização da frota de ônibus, aprimoramento da infraestrutura das paradas e implantação de sistemas de prioridade em vias congestionadas.

Pricinote ressalta a importância do planejamento urbano para a eficácia do transporte coletivo. “A criação de vias exclusivas para ônibus e a localização estratégica de terminais são exemplos de ações necessárias”, completa.

Além disso, o especialista enfatiza a modernização da frota com veículos mais sustentáveis e confortáveis como uma prioridade para atender às demandas da população.

“Um sistema de transporte público eficiente e acessível pode trazer diversos benefícios para Goiânia”, afirma Miguel. A redução do tráfego e congestionamentos e a diminuição do tempo de deslocamento, são alguns dos ganhos que a cidade pode obter.

Fonte: Transmissão Politica 

PPPS DE ESTADOS E MUNICÍPIOS AVANÇAM, MAS GARANTIAS AINDA SÃO DESAFIO

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Connected Smart Cities 2025 estreia palco exclusivo sobre PPPs e Concessões em parceria com a B3 e o FDIRS

Valor Econômico – O modelo de Parcerias Público Privadas (PPPs), que o governo federal planeja impulsionar, reúne um estoque de ao menos 121 projetos em Estados e capitais brasileiras, com potencial de investimento a partir de R$ 37 bilhões, segundo dados da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Apesar do avanço, o formato ainda deverá enfrentar desafios, principalmente na questão das garantias, mesmo com os estímulos da União.

Hoje, a carteira mapeada pela Abdib é pulverizada entre 30 entes federativos e contempla 14 setores, com destaque para infraestrutura social e de lazer (35 iniciativas), energia (19), saúde (16) e mobilidade urbana (14).

Entre as iniciativas, a maior é a PPP do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, do governo paulista, cuja licitação deverá ser realizada em novembro. Outros projetos relevantes, já com leilão marcado, são a PPP do Complexo Hospitalar Souza Aguiar, da prefeitura do Rio, com licitação em agosto, e o Novo Aeroporto Costa do Descobrimento, do governo baiano, previsto para setembro.

“Houve melhora na estruturação das PPPs, o que permite reduzir a mortalidade que se via no passado. Na maioria dos casos, a qualidade avançou, os riscos foram mitigados”, avalia Venilton Tadini, presidente da Abdib.

No entanto, as PPPs subnacionais ainda enfrentam desconfiança no mercado. Um desafio central é a estruturação da garantia, ou seja, o mecanismo de segurança contra a possível inadimplência de governos. A questão é determinante, porque, diferentemente das concessões plenas, em que a viabilidade econômica é garantida pela tarifa paga pelo usuário, as PPPs dependem de aportes públicos.

“A garantia é um desafio enorme para todo ente federativo. Mesmo na Prefeitura de São Paulo, que tem situação privilegiada de caixa e rating [nota de crédito], é algo difícil”, diz Guilherme Bueno de Camargo, presidente da SP Parcerias.

Para destravar essa limitação e viabilizar mais PPPs, o Tesouro Nacional anunciou, em abril, a oferta de uma garantia federal a projetos estaduais e municipais.

A ideia é que a União entre como “fiadora” da garantia, que será feita via operações de crédito. Haverá duas formas de usar o financiamento: para o desembolso de um aporte público, pago no início do contrato (quando é necessário fazer uma obra grande, por exemplo) ou ao longo da PPP, em contraprestações anuais – neste caso, o crédito funciona como “seguro”, e a instituição financeira só paga o recurso se houver inadimplência.

Na visão de Estados e prefeituras ouvidas pelo Valor, o mecanismo tem grande potencial de impulsionar PPPs. Porém, há incerteza sobre como funcionará na prática.

“Pode ser uma grande alavanca. Com a garantia da União, haverá uma série de atores interessados em financiar, isso pode destravar projetos de forma inédita. Mas o procedimento não é simples. É preciso garantir agilidade na liberação”, avalia Camargo.

Gustavo Guerrante, presidente da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) diz que as garantias federais serão consideradas para as novas PPPs da prefeitura, mas, pelo volume e pelo porte dos projetos em estudo, não deverão ser suficientes.

“Temos projetos de grande porte, como o VLT da Zona Sul. Vamos analisar, mas considerando o limite estabelecido para cada ente, não deve ser suficiente para nossa demanda.” A carteira completa da CCPar inclui 15 projetos, em diferentes etapas.

Outra restrição relevante do mecanismo federal é a situação fiscal dos governos. O Rio Grande do Sul, por exemplo, que está em regime de recuperação fiscal, não poderá acessar as garantias. “O Tesouro é bastante restritivo. O ente tem que estar adimplente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, ter Capag [Capacidade de Pagamento] A ou B. Não é fácil acessar”, afirma Pedro Capeluppi, secretário estadual de Parcerias e Concessões.

Apesar de o Estado não poder aderir ao mecanismo, Capeluppi afirma que o modelo está sendo estudado para projetos em municípios gaúchos. “Devemos lançar, ainda em julho, um programa para apoiar PPPs municipais e já mapeamos que diversas cidades teriam condições de aderir”, diz.

Segundo o Tesouro Nacional, estima-se que 3.372 entes subnacionais contavam com Capag A ou B em 2022. Em relação ao prazo de liberação das garantias, a secretaria afirma que “operações de crédito internas têm um ciclo de análise e aprovação inferior a 130 dias e, as externas, em torno de 180 dias”.

O Mato Grosso do Sul também deverá avaliar a adesão ao mecanismo nos novos projetos, segundo a secretária de Parcerias Estratégicas do Estado, Eliane Detoni. Entre as iniciativas que poderão se beneficiar estão PPPs de rodovias que serão estudadas.

A vantagem do modelo de crédito, diz, é que o recurso não fica parado, como acontece no formato predominante nos Estados, que deixam a garantia em fundos e contas vinculadas às PPPs.

Detoni destaca, porém, que terá que ser avaliado o custo do financiamento, além do espaço fiscal ocupado. “Me parece que o custo é mais baixo do que a manutenção da conta-garantia, mas temos que avaliar. Outro desafio é que a operação mantém, ao longo de 20, 30 anos, os recursos contratados no consumo de espaço fiscal. É necessária uma análise de longo prazo.”

O Tesouro Nacional afirma que, neste momento, o mecanismo “está na fase de diálogo para seleção de pilotos junto às instituições financeiras” e que, na sequência, haverá “o início dos pedidos formais para análise”. O órgão não divulga estimativas sobre a adesão, mas diz que “há sinalização de interesse da maioria dos Estados, capitais e grandes municípios”.

Para além das garantias, outro desafio para o avanço das PPPs subnacionais é a percepção de risco, afirma Eric Brasil, sócio da consultoria Tendências. “Se na esfera federal ainda temos projetos com elevado risco político, na esfera municipal e estadual isso é potencializado. Temos decisões judiciais em comarcas menores, muitos poderes concedentes sem histórico de PPPs, maior influência de questões locais. Tudo isso reduz a segurança do ambiente de negócios.”

Esse fator, diz ele, dificulta inclusive o mecanismo de garantias federais, dado que a declaração de inadimplência – caso em que a garantia seria acionada – em geral é alvo de judicialização.

Além disso, a percepção é que a estruturação das PPPs ainda é um gargalo, avalia Marcos Ganut, sócio da Alvarez & Marsal. “Há um número significativo de modelagens precárias. É preciso ter uma fábrica de projetos mais adequada que possa alimentar as PPPs.”

Apesar dos desafios, Tadini diz que as PPPs são importantes porque possibilitam contratos que seriam inviáveis só com recursos privados. “Em alguns projetos, o privado sozinho não consegue fazer, precisa ter o público junto. Nesses casos, ou faz via PPP ou não faz.”

Fonte: Revista Ferroviária