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MELHOR USO DAS INFRAESTRUTURAS URBANAS OCIOSAS

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A administração pública municipal está numa posição estratégica para promover melhor uso dos seus ativos

Em um mundo voltado para a alta rotação de inovações transformadoras, muitos dos maiores centros urbanos brasileiros têm conseguido absorver os benefícios dessas iniciativas. Os diversos aplicativos de transporte, hospedagem, entregas em domicílio já são amplamente conhecidos e utilizados nas cidades brasileiras de médio e grande porte. 

A consolidação dessas tecnologias foi precedida por intensas discussões jurídico-regulatórias num ambiente de intensa disrupção, tendo de um lado o poder público e do outros as empresas. A favor das empresas estava o conhecimento das lições aprendidas nas experiências pregressas em grandes centros urbanos, com diferentes legislações e desafios regulatórios.  Ao mesmo tempo, as oportunidades e impactos positivos desses novos serviços eram evidentes e a população aspirava por se beneficiar rapidamente dessas conveniências. Às prefeituras, coube criar algum tipo de regulação sobre esses serviços e acompanhar sua evolução. De algum modo, quando provocadas a achar um caminho para que a cidade convivesse com esses serviços inteligentes, as prefeituras foram capazes de reagir de forma tempestiva e resolutiva. 

Seria razoável, portanto, imaginar que as Prefeituras passariam a ter maior inspiração para, com iniciativas próprias, também provocar inovações no campo da infraestrutura urbana, em especial daqueles ativos que estão sob sua gestão direta ou indireta.  

Vale lembrar que a administração pública municipal está numa posição estratégica para promover melhor uso dos seus ativos. E aqui não me refiro necessariamente ao uso primário das infraestruturas municipais (transporte, saúde, educação) mas principalmente aos seus usos alternativos, aproveitando a disponibilidade ociosa desses ativos. A partir de aspectos associados ao desenvolvimento de cidades resilientes e aos conceitos de sustentabilidade oriundos da economia compartilhada, várias prefeituras europeias têm liderado ações que pretendem assegurar um planejamento urbano mais alinhado com a dinâmica atual das aglomerações urbanas. Essas iniciativas envolvem bancos de ensaio (“test bed”) com o intuito de testar formas de promover cidades mais sustentáveis (desde mudanças nos hábitos de consumo até o melhor aproveitamento de espaços públicos e privados). 

Aqui, explorarei o aproveitamento de infraestruturas públicas existentes, que por si só, já seria um enorme avanço para as cidades brasileiras.  As prefeituras dispõem de um amplo conjunto de ativos (imóveis, servidores, contratos, bancos de dados) que poderiam ter seu uso otimizado para atender objetivos de sustentabilidade. Além do mais, a gestão pública municipal tem as melhores condições para identificar e organizar as demandas e necessidades dos munícipes. 

Nesse contexto, experiências internacionais mostram enorme potencial para o uso de infraestruturas públicas ociosas. Pense, por exemplo, nos espaços de escolas públicas, que ficam desocupadas em vários períodos e finais de semana. Tais espaços poderiam ser utilizados em horários alternativos para abrigar práticas esportivas, reuniões, seminários e aulas referentes a temas de interesse da comunidade local. Além disso, poderiam ser disponibilizados como espaços compartilhados de trabalho para pequenos empreendedores da região, desde que observados determinados critérios de enquadramento definidos por políticas públicas. 

No campo do transporte público, é notório que, no período noturno e na madrugada, há uma diminuição relevante na oferta de veículos. Ainda assim, eles circulam com uma taxa de ocupação muito baixa, o que comportaria o acesso de mais usuários nesses horários alternativos. O melhor aproveitamento dessa infraestrutura ociosa poderia ser fomentado através de incentivos como redução de tarifas ou gratuidades nesses períodos.  

Nos ativos imobiliários das prefeituras brasileiras, não é incomum encontrarmos imóveis sem uso. Geralmente, isso se dá pela insuficiência de recursos para recuperar edificações degradadas, ou por imbróglios legais ou ainda pelos precários inventários patrimoniais que a gestão municipal dispõe, onde sequer são conhecidos o conjunto de imóveis da prefeitura. A subutilização dos ativos imobiliários municipais é uma das mais comuns oportunidades desperdiçadas pelas prefeituras. Existem diversos arranjos contratuais, já consolidados na realidade brasileira, em que a administração pública é capaz de capturar valor através de operações imobiliárias em parceria com o setor privado. Principalmente nos grandes centros, é comum encontrarmos prédios públicos em áreas de grande interesse comercial, com investidores dispostos a pagar bons preços pela aquisição/uso desses imóveis ou mesmo construir e manter novas edificações públicas como contrapartida. 

O deslocamento dos gestores públicos municipais também é campo fértil para promover maior sustentabilidade urbana. Veículos oficiais e motoristas ficam ociosos a maior parte do tempo, e atendem a demandas individualizadas desconectadas de um planejamento integrado para deslocamento de servidores. Há diversas iniciativas e ferramentas disponíveis – em especial por meio de tecnologia – para racionalizar a aquisição e uso de veículos, os gastos com combustíveis, bem como diminuir o tempo de viagem e reduzir as emissões de CO2. Programas de substituição de carros oficiais pelo uso de aplicativos de transporte, planejamento de viagens compartilhadas por servidores públicos, sistemas de informações para capturar demandas por deslocamento e otimizar rotas são alguns exemplos práticos de como as prefeituras podem reduzir custos e ineficiências, promovendo um ambiente urbano mais sustentável. 

Em suma, os agentes públicos municipais têm a “faca e o queijo na mão” para melhorar a qualidade de vida da população, apenas valendo-se do que já está disponível. Outra boa notícia: existem inúmeras ações já conhecidas (e testadas) que podem ser colocadas em prática rapidamente e sem “reinventar a roda”. O desafio maior, portanto, é o de chacoalhar o modelo comportamental dos gestores municipais, exatamente aqueles que reúnem as melhores condições para articular ações e promover o bem-estar dos munícipes.  

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

AINDA DÁ TEMPO DE SE INSCREVER NO LEVANTAMENTO 100+ CONNECTED SMART CITIES EM PARCERIA COM O MOBILIDADE ESTADÃO

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Confira como participar e quais são os critérios de avaliação para participar

À medida que as cidades e suas populações se expandem, impulsionando a diversidade nos mercados produtivos e industriais e contribuindo para o crescimento econômico nacional, surge a necessidade de abordar os atuais desafios relacionados ao planejamento e à implementação de uma gestão eficaz da mobilidade urbana. Nesse contexto, o Connected Smart Cities, em colaboração com a vertical de Mobilidade do Estadão, apresenta um levantamento pioneiro que tem como meta promover uma representação abrangente e atualizada do cenário da mobilidade urbana no Brasil, permitindo que organizações relevantes contribuam para a construção do panorama atual.  

Com o objetivo de garantir uma visão abrangente e atualizada do cenário da mobilidade urbana no Brasil, as inscrições para o levantamento das 100+ Connected Smart Cities ainda estão abertas. Empresas que atuam em diversos segmentos do setor são convidadas a participar dessa iniciativa, que visa construir um panorama anual representativo e enriquecedor.

A participação das entidades não apenas fortalece a transparência e a representatividade do levantamento, mas também enriquece as discussões sobre inovação e sustentabilidade no âmbito da mobilidade urbana. O período de inscrições estará aberto até 14 de fevereiro, proporcionando uma oportunidade valiosa para as empresas interessadas destacarem suas contribuições e avanços no setor.

Segmentos e Categorias

As empresas serão distribuídas nas seguintes categorias, representando as diferentes vertentes que compõe a mobilidade urbana:

  • Fabricantes e Operadores de Transporte Público
  • Fabricantes e Operadores de Veículos
  • Fabricantes e Operadores de Caminhões
  • Fabricantes e Operadores de Motos
  • Fabricantes e Operadores de Bicicletas, incluindo elétricas, patinetes e outros levíssimos
  • Tecnologias e Operadores de Compartilhamento
  • Tecnologia & Inovação para Mobilidade
  • Consultorias
  • Mobilidade Aérea Urbana

Critérios de Avaliação

O processo de seleção das empresas mais influentes será baseado em critérios rigorosos, refletindo os desafios e demandas contemporâneos da mobilidade urbana:

  1. Inovação: As empresas serão analisadas quanto ao comprometimento com programas inovadores e progressos tecnológicos que contribuam para a modernização da mobilidade urbana. A capacidade de inovação torna-se crucial em um contexto de constante evolução e transformação digital.
  2. ESG (Ambiental, Social e Governança): As empresas serão avaliadas nos quesitos de Eficiência Energética, Comprometimento com o Meio Ambiente, Direitos Humanos, Inclusão (diversidade e equidade), Transparência e Ética. Essa abordagem reflete a crescente importância do comprometimento com práticas sustentáveis e responsáveis na construção do futuro da mobilidade urbana.

Faça sua inscrição! 

Confira como foi o caderno especial da última edição das 100 empresas mais influentes em mobilidade

Sobre a Necta

A Necta é uma das principais promotoras de conteúdo e eventos no Brasil especialista em aproximar os públicos B2B, B2G, G2B e G2G através da implementação de atividades orientadas a impactar positivamente os ecossistemas onde estão inseridas.

Criamos plataformas que conectam pessoas e transformam ecossistemas por meio de soluções de conteúdo especializado, promoção de eventos de negócios, premiações, cursos, rankings, estudos, marketplace e utilização de ferramentas de inteligência de mercado.

Somos os idealizadores e realizadores do Connected Smart Cities, única plataforma de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil, e da principal plataforma de PPPs e Concessões, o P3C Investimentos em Infraestrutura.

 

PRIMEIRO BRT COM FROTA 100% ELÉTRICA LIGARÁ SÃO BERNARDO À CAPITAL EM ATÉ 40 MINUTOS

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O projeto de implantação do BRT-ABC, primeiro com frota 100% elétrica do Brasil, vai beneficiar mais de 200 mil passageiros por dia, que poderão percorrer o trajeto entre São Bernardo do Campo e São Paulo em até 40 minutos. Com inauguração prevista para 2025, o sistema – com 92 ônibus elétricos – conectará, ao longo de 17 km, a região do Grande ABC à capital paulista, passando também por São Caetano do Sul e Santo André.

O projeto conta com financiamento de R$ 80 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos são do Fundo Clima, programa que financia projetos de mitigação das mudanças climáticas. O investimento total previsto no empreendimento é de R$ 1,2 bilhão e a expectativa é de que sejam gerados mais de 10 mil empregos.

O financiamento do BNDES foi aprovado para a empresa ABC Sistema de Transporte SPE S.A. (Next Mobilidade), concessionária estadual responsável pelo transporte intermunicipal por ônibus da área 5 da região metropolitana de São Paulo: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e São Paulo.

“A liderança do presidente Lula abriu uma janela de oportunidade histórica para o Brasil liderar o processo global de transição energética. No caso do projeto do BRT-ABC, sob responsabilidade da Next Mobilidade, trata-se do primeiro do país com uma frota de ônibus 100% elétrica”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“O BRT do ABC inaugura um modo de transporte eficiente, limpo e integrado aos sistemas de alta capacidade de transporte da região metropolitana de São Paulo. Além de contribuírem para a mitigação da mudança climática, os ônibus elétricos não emitem gases nocivos à saúde que ficam retidos na atmosfera das grandes cidades”, explicou o chefe do Departamento de Mobilidade Urbana e Logística do BNDES, Rafael Pimentel.

Ele ressaltou ainda que, do ponto de vista social, o sistema vai trazer redução dos tempos de deslocamento e ampliação do acesso a serviços a milhares de pessoas por dia, além de ser um importante incentivo ao desenvolvimento da indústria nacional e à geração de empregos.

Leia também: QUAIS OS BENEFÍCIOS DE PEDALAR E COMO AJUDA NA MOBILIDADE URBANA

Projeto – O sistema vai afetar positivamente o tempo de deslocamento da população que transita diariamente das cidades do ABC paulista rumo à capital, para trabalhar, estudar e acessar serviços públicos.

Serão 16 estações de embarque e desembarque por onde circulará uma frota de veículos climatizados, silenciosos e não poluentes, em três modalidades de serviço: expresso, semiexpresso e parador. A expectativa é de que o percurso entre o Terminal São Bernardo e o Terminal Sacomã, na capital, seja feito em 40 minutos na modalidade expressa.

Além do serviço expresso, com menos paradas e velocidade média de 25 km/h, o passageiro poderá escolher outras duas opções: semiexpresso, com percurso previsto de 43 minutos, e parador, de 52 minutos. Semáforos inteligentes, faixas exclusivas e pontos de ultrapassagem entre os ônibus vão permitir o deslocamento rápido e seguro dos usuários.

Integração com metrô e trem – O BRT-ABC vai integrar os sistemas municipais ao metrô e ao trem. No Terminal Tamanduateí, haverá integração do BRT com a Linha 2 Verde do Metrô de São Paulo e a Linha 10 Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Pelo Terminal Sacomã, será possível acessar o centro de São Paulo por meio do corredor Expresso Tiradentes e da Linha 2 do Metrô.

Fonte: O Grande ABC

DISPONIBILIDADE DE ÁGUA NO BRASIL PODE SER REDUZIDA EM 40% ATÉ 2040, DIZ RELATÓRIO DA ANA

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Bacias hidrográficas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste podem ser afetadas

O Brasil pode perder 40% de disponibilidade de água até 2040, de acordo com estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) divulgado nesta quarta-feira (31).

A pesquisa “Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil” foi lançada em uma live da agência que deu início à Jornada da Água 2024, que terá como tema “A Água nos Une, o Clima nos Move”.

Participaram da transmissão ao vivo os ministros Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional, e Jader Filho, das Cidades, e o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Paulo Capobianco, além da diretora-presidente interina da agência, Ana Carolina Argolo, e dos diretores interinos Nazareno Araújo e Marcelo Medeiros.

A pesquisa inédita apresenta os efeitos da mudança climática na disponibilidade de água no Brasil.

O levantamento é dividido em três recortes temporais: de 2015 a 2024; de 2041 a 2070 e de 2071 a 2100. “O nosso estudo foi baseado em diversos modelos climáticos. Portanto, não é apenas um modelo climático, a partir dos modelos climáticos globais, várias modelagens foram desenvolvidas, o que nos fez identificar um consenso, uma convergência de cenários que permite ao gestor antecipar e tomar decisões na formulação de políticas públicas”, explicou Nazareno Araújo.

Segundo a publicação, a disponibilidade de água pode diminuir nas bacias hidrográficas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste. Pela pesquisa, existe uma tendência na região nordeste de aumento do número de trechos de rios intermitentes – que secam de forma temporária. A região também deve ter redução dos volumes de chuva, intensificando a seca no semiárido e na faixa litorânea.

Na região Sul, ao contrário das demais, há uma tendência de aumento da disponibilidade hídrica de até 5% até 2040. No entanto, há uma maior possibilidade de imprevisibilidade climática, como eventos de secas e cheias e inundações, como já tem ocorrido nos últimos anos.

Para o Norte, região que abriga grande parte da Amazônia, o estudo aponta que há perspectiva de secas mais frequentes e intensas, além da redução nas vazões dos rios e volumes médios de chuvas.

Concentração de grandes centros urbanos, o Sudeste tende a ter uma redução nas vazões em função da mudança climática, o que ocasiona a diminuição da disponibilidade de água nas bacias hidrográficas. O levantamento ainda aponta um cenário incerto sobre as condições climáticas futuras no Centro-Oeste.

Sobre a emissão de gases do efeito estufa, a ANA destaca a necessidade de conter a emissão para evitar uma estiagem em três das cinco regiões do Brasil.

Leia também: União Europeia tem a menor emissão a partir de combustíveis fósseis em 60 anos

Jornada da Água 2024

Após o anúncio do tema “A Água nos Une, o Clima nos Move”, o ministro Waldez Góes disse que o tema exige “sinergia muito grande”. Ao falar dos eventos climáticos que atingiram o país em 2023, o ministro lembrou das cidades que decretaram emergência.

“No ano passado, só para ter uma ideia, nós tivemos 2.123 municípios vivendo em situação de emergência. Por aí já dá para se ter a dimensão. Ou por falta, ou por excesso de água”, disse Góes. Em sua fala, o ministro Jader Filho apontou que é necessário o trabalho de preparação para os eventos. “Quando se trata de urbanismo hoje em dia, se trata em dois temas: adaptação e resiliência”, destacou o ministro das Cidades.

Representando a ministra Marina Silva, o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, citou os 100 milhões de brasileiros que ainda não possuem acesso a saneamento, de acordo com números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades.

O secretário lembrou, também, que dos 88 programas propostos pelo Plano Plurianual, aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado, 50 são programas transversais voltados à questão ambiental e do clima. “A governança e gestão de recursos hídricos é uma das principais ferramentas de adaptação aos impactos das mudanças climáticas”, pontuou Capobianco.

Fonte: CNN Brasil

REGULAÇÃO DE EVTOLS NO BRASIL COMEÇA SEM REGRA GERAL PARA EVITAR BARREIRA DE ENTRADA, INDICA ANAC

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A regulação do setor de eVTOLs no Brasil começará avaliando caso a caso, sem uma regra geral, certificando para operação os veículos que forem apresentados, como forma de observar o desenvolvimento do setor e não criar barreiras de entrada.

É o que indicou o superintendente de Aeronavegabilidade da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Roberto Honorato, em entrevista à Agência iNFRA. Essa superintendência é a que vem liderando o processo de implantação desses veículos no país, apelidados de “carros voadores” (o nome eVTOL vem do inglês: electric vertical take-off and landing).

“Precisa regulamentar? A gente olha essa questão com um pouco de cautela. Não é preciso fazer isso neste momento. É difícil fazer uma regra geral agora”, explicou Honorato.

Segundo ele, a área da agência tem mecanismos para permitir operações seguras no processo de certificação dos equipamentos, discutindo o caso concreto do veículo apresentado e as regras de operação que serão aplicadas a ele. E esse será o melhor caminho para os eVTOLs.

“Se a gente sentar agora para fazer uma regra geral, a gente consegue. Mas como a gente vai regulamentar o que a gente não conhece, tendo que acertar? A gente pode fazer algo para menos ou para mais e matar [a indústria], porque isso vai ser custo”, disse o superintendente.

A ideia, de acordo com Honorato, é aprender o que é relevante a ser observado e, no futuro, quando houver algum nível de padronização da indústria, fazer uma regulamentação mais geral.

“A regulação atual não representa barreira ao desenvolvimento da atividade e oferece portas de entrada.”

Preocupação com a segurança
Segundo ele, a preocupação com a segurança estará presente no processo que antecede a regulação, que é a certificação dos equipamentos, que já está iniciada com a abertura da Consulta Setorial 10/2023, de dezembro deste ano, para a primeira empresa que solicitou, a EVE, subsidiária da Embraer.

O superintendente explicou que os conhecimentos que a agência tem sobre segurança de aeronaves de pequeno porte e de helicópteros serão usados para certificar os veículos que forem apresentados. E a agência está buscando conhecimento em áreas novas, como de funcionamento de baterias, para também avaliar os aspectos que não estão presentes na aviação atual e que estarão nos eVTOLs.

De acordo com Honorato, a perspectiva da ANAC é finalizar a etapa atual de base de certificação do equipamento da EVE neste semestre. A empresa já fez testes operacionais no Brasil (relatório neste link). Ele explicou que a base de certificação é uma espécie de “regra do jogo” para que a empresa possa seguir com o desenvolvimento do equipamento e tenha os elementos essenciais sobre como ele vai poder funcionar. E, só então, pedir a certificação.

Leia também: Eletrificação começa a deslocar demanda por petróleo a partir deste ano, estima Citi

Piloto
É nesse processo, por exemplo, que serão definidos parâmetros de onde operar, em que circunstâncias, quantidade de passageiros, distâncias, entre outros. E também como será a certificação dos pilotos, algo que terá que haver, ainda que os equipamentos já estejam sendo desenvolvidos para que sejam operados remotamente.

“Não há como abrir mão de alguém certificado para operar”, informou Honorato, que indicou poder ser uma certificação para piloto remoto.

Atenção do mundo
A certificação do eVTOL da EVE pela ANAC, segundo Honorato, é motivo de atenção em todo o mundo. Isso porque a companhia é uma das que mais têm encomendas desses equipamentos no mundo. Até o momento, não há nenhum equipamento certificado pelas agências norte-americana e europeia.

Os que estão mais avançados, segundo ele, são os equipamentos da alemã Lillium e da inglesa Vertical. No fim do ano passado, essas duas agências firmaram acordos de cooperação com a ANAC para que elas possam reconhecer a certificação uma das outras, apenas homologando o que a parceira tiver certificado.

“Estamos super envolvidos no tema e participando efetivamente. Além da brasileira [EVE], temos dois grandes operadores aéreos que têm intenção forte de trazer equipamentos estrangeiros para o Brasil”, explicou Honorato, lembrando dos acordos da Azul com a Lillium e da Vertical com a Gol, anunciados em 2023.

Em 2025
Apesar dos avanços, não há perspectiva de que nenhuma dessas empresas tenha operações de fato em 2024. Mas, de acordo com Honorato, há perspectivas para 2025. Ele lembrou que tem havido alguns anúncios de empresas que dizem que venderão o equipamento, inclusive no Brasil.

Ele tem alertado a essas companhias que elas devem informar aos possíveis compradores de que os equipamentos só poderão operar no país se tiverem a certificação da ANAC ou a homologação das certificações de parceiras.

Honorato, no entanto, não vê no momento um modelo de vendas individuais dos eVTOLs. Segundo ele, o foco dos principais desenvolvedores é buscar uma operação que seja complementar à da aviação, pelas características atuais das máquinas, que só têm alguma perspectiva de viabilidade em voos mais curtos.

“É uma indústria que surge da evolução de baterias e motores, o que deu margem à criação de um conceito que tem semelhança com o drone, mas o propósito de aplicação e o nível de segurança é bem diferente. Eles nem gostam de ser comparados aos drones”, explicou. “Eles encontram nos problemas dos centros urbanos os motivos para desenvolver.”

Revolucionar a aviação
Para ele, a intenção é “revolucionar” o modelo de aviação civil, com check-ins mais rápidos, por exemplo.

“A ideia é quebrar paradigmas para que eles se insiram nas cidades de uma forma mais fácil”, indicou Honorato. “Os fabricantes estão sentando na mesa para verem o que pode mudar, de tudo o que vocês imaginarem.”

Mas os desafios para o funcionamento não estão restritos ao funcionamento das aeronaves e, segundo Honorato, envolverão muitas áreas. Os fabricantes já estão em conversas com concessionárias de aeroportos e de mobilidade para criar o que está sendo chamado de Vertport, locais de onde vão ser feitas as operações com os eVTOLs.

“Já tem várias concessionárias que estão estruturando modelos de operação em que o eVTOL sai do aeroporto e entra dentro das cidades, e tem conexão dedicada com modais de transporte das cidades”, contou Honorato.

Interação com o setor elétrico
Já estão sendo identificadas necessidades específicas que terão que ser atendidas pelo setor elétrico. Os veículos não poderão ser carregados em sistemas comuns, como os que abastecem os carros elétricos, por exemplo. É preciso ter uma subestação de energia próxima ao local. Há também preocupações com os impactos ambientais nas cidades, especialmente o sonoro.

Esses temas estão sendo trabalhados em conjunto com outras áreas da agência e do governo. Já na parte de navegação aérea, segundo Honorato, há uma forte integração com o Decea (Departamento do Controle do Espaço Aéreo), da Aeronáutica, para que também sejam identificados os padrões adequados para as operações dos eVTOLs.

Segundo ele, a indústria já nasce com um padrão de informação dos voos muito elevado, com praticamente tudo monitorado. Mas os primeiros testes têm indicado a necessidade de cuidados com os chamados microclimas nas regiões onde ocorrem os voos e com o fato de os radares atuais não registrarem veículos abaixo de uma certa altura.

Fonte: Agência Infra

CENTRO DE CONTROLE OPERACIONAL: MUITO ALÉM DA SEGURANÇA

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Os conhecidos CCOs também podem contribuir para a integração de serviços públicos e beneficiar outras áreas dos governos municipais

Quando temos notícia sobre a implementação de um Centro de Controle Operacional (CCO) em algum município ou outro órgão público geralmente associamos este investimento à área da segurança. 

De imediato, pensamos que as câmeras e as tecnologias empregadas nesta central de inteligência irão contribuir apenas na prevenção e combate de roubos, furtos e demais crimes.

Em grande parte, isso é verdade! Investir em monitoramento urbano traz muitos benefícios para a população, desde a maior sensação de segurança até a diminuição de estatísticas oficiais de criminalidade. 

Divulgação Prefeitura de Santos.

E a criação de um CCO sob a gestão municipal também pode contribuir para a integração de serviços públicos e beneficiar diversas outras áreas dos governos municipais.

Na Prefeitura de Santos, inauguramos há pouco mais de três anos – em 11 de setembro de 2020 – um avançado Centro de Controle Operacional no Palácio José Bonifácio, prédio do Paço Municipal localizado no Centro Histórico da Cidade. 

Inspirado em iniciativas de sucesso no País e exterior, como as do Rio de Janeiro e de Nova Iorque, ele recebeu mais de R$ 40 milhões de investimentos em obra, mobiliário, equipamentos e avançados sistemas. 

A central integra atualmente 1.736 câmeras instaladas em vários pontos e equipamentos públicos, monitoradas todos os dias (24 horas) em tempo real.

Divulgação Prefeitura de Santos.

No CCO de Santos, muitos recursos tecnológicos estão em operação, como o sistema IVA (análise de vídeo inteligente), que permite verificar automaticamente pessoas em locais e horários que não são permitidos, ajudando principalmente a evitar invasões de escolas e unidades de saúde.

Nos principais acessos à Cidade e avenidas de maior fluxo, há câmeras dotadas com o sistema OCR (reconhecimento óptico de caracteres, tradução da sigla em inglês), que permite a leitura de placas de veículos.

As imagens captadas são repassadas em tempo real ao sistema Detecta, utilizado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, e à plataforma Córtex, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Divulgação Prefeitura de Santos.

Ao todo, o CCO santista foi planejado para reunir 22 agências públicas, visando maior eficiência das equipes em atividades diárias e situações de emergência, como acidentes de trânsito, alagamentos e ocorrências policiais.

A unidade conta com o trabalho das equipes da Guarda Municipal, Defesa Civil, Ouvidoria, Urgência Urbana, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), SAMU e Polícia Militar, além de apoio a outras corporações, com supervisão da Secretaria Municipal de Governo.

Divulgação Prefeitura de Santos.

O equipamento contabilizou, até o final de 2023, mais de 254 mil ocorrências relacionadas a monitoramento urbano e atendimento ao cidadão, uma média de 6.500 por mês.  

Deste total, as ocorrências relacionadas à segurança representaram 18% do total, atrás das demandas de serviços públicos (29%) e de ouvidoria (39%). Entre as principais solicitações, as cinco primeiras foram relativas à limpeza, iluminação, guia rebaixada, manutenção de vias e vistorias. 

OTIMIZAÇÃO 

Um exemplo da integração que um CCO permite pode ser dado por um acidente de trânsito. Pelas câmeras, os operadores identificam a gravidade da ocorrência, se há vítimas ou pessoas presas em ferragens, obstrução ou congestionamento da via pública e outras importantes informações. 

Todos estes dados captados ajudam a definir se é preciso enviar uma ambulância, de qual tipo e o percurso mais rápido, quantos agentes de trânsito são necessários e até solicitar o serviço responsável pela desobstrução da via. 

Assim, há maior agilidade no atendimento da ocorrência e otimização dos recursos empregados, também gerando economicidade aos cofres públicos.

Drones ampliam atuação do CCO 

O sistema de monitoramento também pode contribuir para coibir invasões e ocupações irregulares, proteção de áreas de preservação e controle do tráfego nas ruas e avenidas. Neste sentido, a utilização de drones pode ser uma grande aliada, ampliando o alcance do centro de controle operacional. 

Em Santos, dois equipamentos de alta performance foram adquiridos pelo Município no final de 2023, os quais permitem a transmissão das imagens em tempo real para o CCO. 

Eles foram utilizados no patrulhamento durante a festa do Réveillon e também estão sendo usados na região da Orla – área de maior fluxo de motoristas e pedestres na temporada de verão – para auxiliar nas ações em prol de maior fluidez e segurança do trânsito.

Divulgação Prefeitura de Santos.

Ainda, contribuem para o monitoramento do acesso de veículos à faixa arenosa, estacionamento irregular, trânsito lento e outras ocorrências, contribuindo para o deslocamento de agentes com maior agilidade.

AMPLIAÇÃO

A nossa meta é que, cada vez mais, o CCO seja a ‘nave-mãe’ da Administração Municipal coletando dados estruturados e não estruturados para auxiliar na tomada de decisões estratégicas.

Em breve, iremos dobrar o número de câmeras, superando a marca de 3 mil aparelhos, garantindo a cobertura em 100% das escolas e unidades de saúde.

Paralelamente, por meio de parcerias público-privadas (PPPs) pretendemos que a gestão da limpeza e destinação dos resíduos sólidos e da iluminação pública também esteja integrada ao CCO. 

Este avanço permitirá, por exemplo, rastrear e monitorar em tempo real as frotas de caminhões de coleta dos resíduos e dos serviços de manutenção das luminárias, aperfeiçoando a supervisão e resultando em melhores serviços prestados à população.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

MALHA CICLOVIÁRIA DE SÃO PAULO CRESCEU 9 KM ENTRE OUTUBRO E DEZEMBRO DE 2023

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Expansão ocorre, principalmente, com construção de novas ciclofaixas pela capital

Entre outubro e dezembro de 2023, a malha cicloviária de São Paulo cresceu 9,1 km. No final do ano, a cidade tinha alcançado a marca dos 731 km de extensão cicloviária. Atualmente, em números absolutos, São Paulo é a capital com mais quilômetros de estrutura exclusiva para ciclistas do País.

Considerando valores proporcionais à população, a cidade aparece na lista em 19º lugar, com apenas 5,6 km para cada 100 mil habitantes. Para comparação, utilizando essa mesma média, a capital com mais trechos para ciclistas por 100 mil habitantes possui mais de 22 km de ciclovias e ciclofaixas, em Florianópolis.

Dessas construções, 6,5 km das novas estruturas foram implantadas por meio do Termo de Parceria (PPP) firmado entre a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT) e a Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab), com apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Os outros 2,6 km estavam sob a responsabilidade da SMT.

Onde ficam as ciclofaixas da nova malha cicloviária de SP

  • Vital Brasil: com 1.300 metros de extensão, a ciclofaixa está localizada entre as avenidas Corifeu de Azevedo Marques e Lineu de Paulo Machado. A nova estrutura faz conexão com as ciclofaixas Lineu de Paula Machado, Camargo, Gaspar Moreira e com a Corifeu de Azevedo Marques. Também é possível realizar a transferência de modal na Estação Butantã do Metrô e no terminal urbano;
  • Corifeu de Azevedo Marques (trecho 1): com 1.600 metros, entre a Avenida Vital Brasil e Praça Elis Regina, com conexão às ciclofaixas da Vital Brasil e Benjamin Mansur, também implantada por meio da PPP;
  • Rua Benjamin Mansur/Domingos Barbieri: com 1.400 metros de extensão entre as Avenidas Eliseu de Almeida e Corifeu de Azevedo Marques, e conexão com a estrutura localizada na Eliseu de Almeida e com a ciclofaixa Hugo Carotini;
  • Agostinho Gomes: possui 1.200 metros de extensão, localizada entre as Ruas Dom Lucas Obes e Rua Comandante Taylor; fazendo conexão com as ciclofaixas da Dom Lucas Obes e da rua do Grito. Os ciclistas que circulam por lá tem a opção de realizar a intermodalidade na Estação Sacomã do Metrô;
  • Nossa Senhora da Saúde (trecho 1): tem 900 metros de extensão, entre as ruas Divinópolis e a Av Pres. Tancredo Neves, com ligação possível entre a ciclovia Tancredo Neves e ciclofaixa Ribeiro Lacerda.

Leia também: PRIMEIRO BRT COM FROTA 100% ELÉTRICA LIGARÁ SÃO BERNARDO À CAPITAL EM ATÉ 40 MINUTOS

Estrutura cicloviária em São Paulo

Thomas Wang, conselheiro da Câmara Temática de Bicicleta do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes da Prefeitura de SP (CTB/CMTT), avalia a expansão da estrutura cicloviária de São Paulo como lenta. “A cidade tem, aproximadamente, 20 mil km de vias e túneis, por exemplo. Atualmente, nós temos, mais ou menos, apenas 700 km de áreas reservadas para ciclistas”, afirma.

O Plano de Metas 2021-2024 de São Paulo prevê a criação de 300 novos quilômetros de estruturas cicloviárias. Para alcançar esse objetivo, a gestão precisaria construir, em média, 75 km de ciclovias ou ciclofaixas por ano. Até o momento, segundo levantamento da própria Prefeitura de São Paulo, apenas 31 km dos novos projetos foram entregues.

Com a entrega desses 300 km, a cidade poderia alcançar 1.000 km totais de malha cicloviária. De acordo com a prefeitura, mais 120 km de estrutura estão em execução pela PPP da Habitação. As estruturas projetadas passam por audiências públicas e são discutidas com a sociedade civil e nas Câmaras Temáticas de Bicicleta, que ocorrem mensalmente.

USINA SOLAR FLUTUANTE EM SP COLOCARÁ O BRASIL ENTRE GIGANTES DO SETOR

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Projeto na zona sul da capital paulista terá 80 MW de capacidade; ambientalista fala em falta de participação, e governo nega.

O projeto inaugurado pelo Governo de São Paulo em janeiro de uma usina de energia solar flutuante sobre a represa Billings deve colocar o Brasil entre os maiores atores do mundo no setor.

A UFF (Usina Fotovoltaica Flutuante) Araucária, na zona sul de São Paulo, produz força a partir de painéis solares que flutuam sobre a represa, um método defendido por especialistas como mais eficiente na geração de energia limpa —ainda que com capacidade muito aquém de sistemas tradicionais, como hidrelétricas.

Representantes de órgãos de participação da sociedade civil, porém, afirmam que a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) atropelou processos de controle e prometem acionar o Ministério Público.

O governo instalou 10,5 mil placas solares sobre a represa, com 5 MW de potência (7 MW no pico), que pode produzir até 10 GWh por ano, o suficiente para abastecer 4.000 residências.

Até o fim de 2025, no entanto, essa potência deve ser ampliada até chegar a 80 MW. É esse montante esperado ao final do empreendimento que colocará o projeto entre os maiores do mundo.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) não tem um levantamento específico de usinas flutuantes.

Entre as usinas fotovoltaicas (energia solar) em geral em operação, não só flutuantes, esta pode ser a quarta maior do Brasil ao fim do projeto, atrás apenas de Serra do Mel 1 e 2 (com 137,5 e 103,1 MW, respectivamente), no Rio Grande do Norte, e Sol do Sertão 8 (95,2 MW), na Bahia.

Um levantamento de 2022 da consultoria especializada Solarplaza com as maiores usinas flutuantes do mundo apontou apenas seis delas com potência superior ao projeto anunciado em São Paulo, de 80 MW. Todas estão na China, que tem 78,6% da capacidade de geração em usinas flutuantes do mundo.

A maior usina flutuante nos Estados Unidos, em Nova Jersey, tem 8,9 MW de potência.

São capacidades expressivas, mas distantes da matriz hidrelétrica. Belo Monte, a maior usina do país (excluindo Itaipu, que é binacional), tem potência de 11,2 GW, 140 vezes maior que os 80 MW previstos em SP.

O Brasil está entre os três países com maior potencial para as usinas flutuantes em todo o mundo, segundo a Solarplaza. O potencial de geração de energia no país é de 865 TWh por ano, segundo a empresa, atrás apenas de China (1.107 TWh por ano) e Estados Unidos (1.911 TWh por ano).

O projeto em São Paulo, inaugurado agora, é anterior ao governo Tarcísio e começou com um piloto em fevereiro de 2020, na gestão João Doria (PSDB), com apenas 100 kilowatts de potência.

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Em 2021, a Emae e a empresa privada KWP Energia S.A. formaram consórcio para produzir e instalar a operação atual, de 5 MW. Os painéis solares foram instalados próximos da Usina Hidrelétrica de Elevação Pedreira, na região do autódromo de Interlagos.

O investimento foi de R$ 30 milhões, segundo o governo. Até o fim do ano que vem, com a expansão da usina para 80 MW, o investimento deve chegar a R$ 450 milhões.

O governo ainda aguarda a licença de operação, que vai permitir a geração de energia na usina recém-criada.

“Vai ser um dos maiores do mundo. Essa potência é muito grande mesmo para painéis em solo, é uma usina de muito destaque”, diz Pedro Drumond, coordenador em São Paulo da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e CEO da RH Renováveis, que atua no setor.

Ele afirma que usinas flutuantes não vão necessariamente substituir as tradicionais no solo ou em tetos de casas e edifícios.

“A demanda é tanta por projetos sustentáveis e por geração mais barata de energia que a gente pode continuar em telhados, fazer em solos e também nas flutuantes”, diz.

Segundo ele, embora a instalação de painéis na água seja mais trabalhosa, portanto mais cara, do que em solo, o sistema tem algumas vantagens.

Primeiro, podem ser instaladas em áreas hoje inutilizadas, como lagos de usinas hidrelétricas ou até em lagos formados em cavas (buracos) de mineração —neste caso, a instalação de painéis solares podem fazer parte de programas de compensação ambiental de mineradoras.

No fim do ano passado, por exemplo, a empresa F2B inaugurou uma usina flutuante na cava de uma antiga usina de extração de areia em Roseira, no interior de SP, com capacidade de geração de 1 MW.

Desde 2019, a barragem da hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, tem uma usina solar flutuante.

Além disso, a instalação sobre a água resfria os módulos dos painéis solares, o que torna o sistema mais eficiente, afirma Drumond.

A instalação de painéis solares flutuantes reduz a evaporação da água, destaca a secretária de de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP, Natália Resende, o que melhora a gestão dos recursos hídricos.

As usinas flutuantes não estão isentas de impacto ambiental. Estudo de 2022 de pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) apontou a possibilidade dos painéis de restringir as trocas de oxigênio e gases entre a água e a superfície, afetando o ecossistema local, além do risco de contaminação da água durante a instalação e manutenção do sistema, entre outros.

O advogado Virgílio Alcides de Farias, especialista em direito ambiental e coordenador do subcomitê Billings-Tamanduateí, afirma que o governo desrespeitou a legislação ao não detalhar o projeto ao comitê antes levá-lo a cabo. “A gente soube pela imprensa”, afirma.

Ele diz que procurou um representante da Emae em 30 de outubro de 2023 pedindo a apresentação do projeto. “Nem resposta tive até hoje.”

“A gestão dos recursos hídricos e dos mananciais demanda que a sociedade civil participe, precisa de um controle social, para que se discuta se o projeto é bom ou ruim, se deve ser aprovado ou melhorado. Isso não é respeitado nem pelos estados nem pelos municípios”, afirma Farias.

“Por uma questão de princípio, não posso ser contra energia renovável, mas preciso saber como vai ser implementado. Quais são os benefícios? Aquilo que é bom ou é ruim? Não sabemos.”

Natália Resende, do governo paulista, afirma que “todas as normas foram seguidas e observadas” no processo.

“Tem todo um procedimento prévio para a gente chegar a esse ponto que chegou, várias análises, tudo seguindo norma, observando o procedimento”, disse.

Fonte: Negócios Disruptivos 

PARQUE TECNOLÓGICO DE SANTOS INAUGURA CENTRO DE INOVAÇÃO E ABRE INSCRIÇÕES PARA INCUBADORA DE EMPRESAS

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Os profissionais e demais integrantes do ecossistema de inovação da região contam agora com uma ampla infraestrutura de apoio na sede do Parque Tecnológico de Santos (Vila Nova). Dentro das comemorações dos 478 anos de Santos, foram entregues nesta quarta-feira (31) os novos espaços do prédio para eventos, capacitações, trabalho compartilhado e outras atividades que darão vida ao hub (centro) com startups e empresas de vários segmentos.

O investimento realizado em quatro andares do edifício de 7 mil m² é resultado de Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc), no valor de R$ 3,9 milhões, formalizado entre a Prefeitura de Santos e a empresa Bracell Celulose.

Também houve aplicação de R$ 400 mil de recursos municipais e de R$ 500 mil da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, destinados para compra de parte do mobiliário e equipamentos audiovisuais, totalizando R$ 4,8 milhões de investimentos.

“As intervenções realizadas aqui no Parque Tecnológico são mais um exemplo de parceria de sucesso entre poder público e iniciativa privada. Esta união vai promover inovação tecnológica e desenvolvimento sustentável, além de gerar mais emprego e renda na nossa cidade”, destacou o prefeito Rogério Santos, lembrando que as iniciativas desenvolvidas nos novos espaços vão beneficiar diversos setores da economia local, como as áreas portuária e turística.

“Estamos felizes em contribuir com Santos nesta iniciativa que é uma contrapartida de nossa obra do terminal portuário. A entrega das obras de ativação do Parque Tecnológico é uma crença no empreendedorismo e na capacidade de inovação da comunidade santista”, ressalta o diretor comercial e de logística da Bracell Celulose, Alberto Pagano (à frente, na foto abaixo)

Já para Manoel Browne (ao fundo, na foto abaixo), diretor de Relações Institucionais, Governamentais e Comunidades da Bracell, a inauguração ressalta os esforços da empresa de investir em parcerias voltadas ao desenvolvimento dos locais de atuação. “Acreditamos que a inovação é uma ferramenta que amplia possibilidades de crescimento. Temos orgulho de contribuir com a cidade em um projeto relevante como o Parque Tecnológico”, destacou.

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As intervenções proporcionaram melhorias como climatização, mobiliário, iluminação, instalação da parte elétrica, equipamentos de informática, entre outras, em quatro pavimentos (térreo, 3º, 4º e 5º andares).

No térreo, há uma nova recepção, área de espera com mobiliário para eventos ou exposições e três escritórios. Nos outros andares ficam os espaços de coworking (para trabalho compartilhado).

No terceiro, são nove salas (privativas e de reuniões), três cabines para videochamada, 42 posições de trabalho, salas de treinamento e estúdios, além de refeitório. E, no quarto pavimento, serão 13 salas, seis cabines para videochamada, 78 posições de trabalho.

Fotos: Francisco Arrais

Também no terceiro há área de descompressão (mesas bistrô, sofá, TV, videogame, sinuca, tênis de mesa etc.).

Fotos: Francisco Arrais

As salas e cabines levam nomes de áreas, pontos turísticos e expressões santistas como Bolsa do Café, Monte Serrat, Marapé, Macuco, Vila Belmiro, Zona Noroeste, Quebra-Mar e Magrela. Nas paredes, também há identidade visual e frases relacionadas ao mundo da tecnologia e inovação.

Fotos: Francisco Arrais

E, no quinto pavimento, foi implementando um auditório de ponta climatizado e com capacidade para 130 pessoas, que servirá para palestras, eventos e capacitações.

Já o sexto andar, onde estão os espaços administrativos e laboratórios, está equipado desde a inauguração do prédio no final de 2020, empreendimento que contou com investimentos de quase R$ 20 milhões, sendo R$ 7,9 milhões do governo estadual e R$ 11,9 milhões de Trimmc entre a Prefeitura e a empresa Ecoporto.

EDITAL DE INCUBAÇÃO

Nesta quinta (1º), será publicado no Diário Oficial de Santos o edital de chamamento público para seleção de projetos de empreendimentos de base tecnológica e inovação que farão parte da Incubadora de Empresas do Parque Tecnológico de Santos.  A autorização para a publicação foi dada pelo prefeito Rogério Santos durante a entrega do hub de inovação.

Haverá vagas nas modalidades residentes em coworking, residente modular e não residentes com valores acessíveis, além da isenção da mensalidade para vencedores de concursos e eventos/feiras de inovação e tecnologia e beneficiários de programas de transferência de renda ou de assistência social.

As inscrições são feitas pelo site da FPTS (fpts.org.br) e destinadas a pessoas físicas e jurídicas, a exemplo de profissionais, startups, grupos empresariais, instituições de ensino, fundações e institutos que, preferencialmente, atuem nos eixos de Porto e Energia; Cidades Inteligentes, Humanas e Sustentáveis; Comunidade e Relações Humanas; Economia Azul; Saúde, Bem-Estar e Esporte e Games.

Os incubados residentes contarão com assentos de trabalho, infraestrutura de internet de alta velocidade e serviços de rede, facilidades (vigilância e limpeza das áreas comuns), água e energia, climatização, copa e refeitório, participação em eventos, acesso a fontes de financiamento e programas de subsídios, treinamento e desenvolvimento, mentoria e consultoria, sala de reuniões, auditório e área de descompressão, endereço fiscal e serviços administrativos.

“Estamos presenciando um momento histórico e transformador para nosso ecossistema. Com nossas novas instalações, ofereceremos capacitações, acesso a recursos de fomento e uma ampla rede de apoio. Isso será um divisor de águas para uma variedade de atores, desde empreendedores em fase inicial, passando por pesquisadores, até grandes empresas e investidores engajados em transformações digitais. Nosso foco é criar um ambiente propício para que todos possam se conectar, colaborar e prosperar no vibrante ecossistema de inovação e startups”, explica o presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt.

Fonte: Prefeitura de Santos

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA VEICULAR: NOVAS PARCERIAS ACELERAM A MOBILIDADE ELÉTRICA

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Raízen se une à Tupinambá e o mesmo fazem Voltbras e Solarprime com o objetivo de investir na infraestrutura de recarga, na gestão dos equipamentos e na expansão dos eletropostos

Os altos investimentos necessários e a expertise das empresas em determinados campos de atuação estão comprovando ser preciso juntar forças para levar adiante a transição energética veicular. As parcerias têm sido fundamentais para o plano de crescimento da infraestrutura de recarga no Brasil.

A cada dia, novas associações acontecem para instalar estações e fazer a gestão dos equipamentos e das operações. É uma aposta de que o futuro do carro elétrico é totalmente seguro e promissor. Confira, a seguir, mais duas parcerias que foram anunciadas recentemente.

Raízen e Tupinambá

Tupinambá repassou toda a parte de hardware de eletrificação e os pontos de recarga, que faziam parte de sua rede, para a Raízen, licenciada da marca Shell Recharge no Brasil, na Argentina e no Paraguai. ”Seguiremos como parceiros de tecnologia da Raízen Power, fazendo a gestão das estações de recarrega”, afirma Davi Davi Bertoncello, CEO da Tupinambá.

O acordo contempla 204 carregadores de corrente alternada (AC) e tem possibilidade de expandir para mais de 600 pontos, de 7,4 a 22 kW de potência. Trata-se de uma novidade para a Raízen Power, que até então atuava só com carregadores rápidos (DC). Agora, ela complementa o portfólio de soluções de eletromobilidade aos donos de veículos elétricos.

Segundo Bertoncello, a parceria marca uma nova fase da Tupinambá, que dará ênfase ao desenvolvimento de tecnologias e softwares de gestão de postos de recarga elétrica.

“Nascemos como empresa de tecnologia, desenvolvendo o aplicativo e depois o software. Seguiremos nos empenhando para criar a melhor experiência ao usuário que precisa carregar um carro elétrico”, diz.

O potencial do negócio incorporado pela Raízen é enorme. Nos últimos três anos, 10 mil usuários ativos do app da Tupinambá fizeram 60 mil recargas na rede da startup, totalizando um gigawatt-hora (GWh) e que representam 1.100 toneladas de dióxido de carbono (CO2) não lançados na atmosfera.

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Para o diretor de mobilidade elétrica da Raízen Power, Rafael Rebello, a compra da rede é um passo importante para o desenvolvimento da mobilidade elétrica na América Latina. “Agora, as estações Shell Recharge estarão disponíveis em pontos de maior conveniência para o consumidor, como rodovias, shoppings, supermercados, hotéis e estacionamentos”, afirma.

VoltBras e Solarprime

Solarprime é uma empresa de soluções de energia solar com 500 unidades em todo o País, que pretende diversificar sua lista de serviços ao oferecer carregadores elétricos.

Para isso, ela buscou suporte da VoltBras, especialista em gestão de carregadores de veículos elétricos. O projeto concebido pelas duas empresas prevê a instalação de 600 carregadores espalhados pelo Brasil no primeiro semestre.

“Com a capilaridade da Solarprime, o processo de expansão da rede será rápido. Isso porque cada franqueado tem, no mínimo, uma equipe de instalação”, explica Rodolfo Levien, diretor de receitas da VoltBras.

Pelo aplicativo da VoltBras, os motoristas conseguem escolher o eletroposto mais próximo, iniciar a recarga escaneando o QR Code e monitorar as informações em tempo real, como tempo da operação, energia consumida e preço. Eles têm a flexibilidade de parar a recarga remotamente e a qualquer momento.

Segundo Levien, a parceria estará sempre atenta ao movimento do mercado, a fim de avaliar onde existe carência de equipamentos de recarga. “Uma referência mundial é que deve existir um ponto de para cada dez veículos elétricos”, destaca. “Assim, vamos mapear o País, que é gigantesco, para saber se há lacunas a serem preenchidas.”

Ele acredita que a consolidação gradativa da infraestrutura poderá seguir o mesmo exemplo das distribuidoras de combustível no Brasil. “Cerca de 60% do mercado pertencer a três grandes empresas: Petrobras, Shell e Ipiranga. O resto está pulverizado. O mesmo deverá acontecer com as companhias que oferecem o serviço de recarga de baterias, com a predominância de algumas e a divisão entre as demais”, completa.

Descarbonização move o setor logístico

A descarbonização é um dos gargalos do setor logístico mundial. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o segmento é responsável por 20% das emissões globais de CO2 e 9% no Brasil.

Por outro lado, a logística de transporte tem condições de mudar o tal cenário. Tanto que a Greener, empresa de soluções globais de sustentabilidade, e a ModalCarbon, companhia especializada no setor logístico, firmaram parceria para tentar minimizar esse impacto.

A meta é criar um inventário de CO2 despejado pela cadeia logística no País, gerar informações e compensar as emissões, com prioridade na preservação da Floresta Amazônica e do meio ambiente global. A ModalCarbon vai mensurar as emissões e documentar os dados do setor, ao passo que a Greener cuidará do equilíbrio do passivo ambiental.

A ModalCarbon detém um banco de dados com 40  mil CNPJs, base essencial para conduzir o inventário, que envolve as emissões vinculadas às operações das empresas, desde o transporte de matéria-prima até o descarte de resíduos.

O relatório apontará o caminho de como controlar os gases nocivos. “O inventário será fundamental para compreender e gerenciar o passivo ambiental, dando uma visão geral das emissões ao longo da jornada logística”, destaca Claudio Olimpio, cofundador da Greener.

As empresas têm a ambiciosa missão de descarbonizar 100% o transporte no Brasil a partir de 2026. “A transição para uma frota neutra em carbono reflete o compromisso de enfrentar os desafios ambientais, com práticas sustentáveis no cenário global”, revela Maurício Cavalheiro, cofundador da ModalCarbon.

Fonte: Mobilidade Estadão