spot_img
Home Blog Página 96

HIGIENÓPOLIS ABERTA: CAMINHABILIDADE

0
caminhabilidade: Higienópolis aberta

No domingo, dia 04 de agosto de 2024, acontece na cidade de Londrina/PR a 3º edição do Higienópolis Aberta, desta vez com o tema Caminhabilidade. O evento ocorrerá na Avenida Higienópolis, entre as Ruas Sergipe e Piauí, das 08h às 17h.

O Higienópolis Aberta é um evento de urbanismo tático e consiste em dedicar um segmento da Avenida Higienópolis, considerada uma importante via da cidade, para uso exclusivo de pedestres e outros veículos de propulsão humana, com uma programação composta por atividades culturais, esportivas e ações que estimulam a apropriação do espaço público. Em 2023, foi premiado no Parque da Mobilidade Urbana, como melhor projeto em prol da mobilidade sustentável na categoria iniciativa privada.

Este evento é um projeto coletivo, sem fins lucrativos e taxa de inscrição, realizado por voluntários e aberto para toda a população. Com infraestrutura temporária, como tendas, pinturas no chão e parklets, o Higienópolis Aberta conta com o apoio da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU) para garantir a organização e segurança viária, além do apoio de diversas empresas, sociedade civil organizada e outros interessados que auxiliam no fornecimento dos equipamentos necessários.

O objetivo do evento é estimular a apropriação do espaço público e o desenvolvimento de placemaking, promovendo a abertura do espaço público para a convivência e lazer da população, incentivando a prática de atividades físicas e a mobilidade urbana sustentável. A proposta está em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente a ODS 11 – Cidades e Comunidade Sustentáveis.

Em sua 3ª edição, com o tema “Caminhabilidade”, o Higienópolis Aberta aproveita o projeto de extensão criado em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), no departamento de Arquitetura e Urbanismo. O objetivo é disseminar o conceito de cidade caminhável, indispensável para a construção de uma Londrina mais inteligente e pulsante, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A programação do evento inclui:

  • Atividades esportivas: Passeio ciclístico, treinão de corrida, caminhada, aula de kangoo jump, entre outros.
  • Atividades culturais: Flash mob, música, bandas e outras apresentações culturais.
  • Economia criativa: Londrina Coffe Tour (Saída de trenzinho em circuito cultural cafeeiro),  Feira Londrina Criativa (comércio de artistas e produtores locais).
  • Opções gastronômicas: Food trucks.

Higienópolis Aberta: Caminhabilidade é organizado pelo Instituto URBbem – Urbanismo para o bem, uma associação sem fins lucrativos dedicada a viabilizar ações urbanas como esta.

Para saber mais do evento e ficar por dentro de todas as atrações, acesse nosso site (www.higienopolisaberta.com.br) e nos acompanhe no Instagram (@higienopolisaberta).

Participe e faça parte desta iniciativa que busca transformar Londrina em uma cidade mais acessível e agradável para todos! 

Nos vemos na Higienópolis!

COM INFORMAÇÃO ASSESSORIA DE IMPRENSA

REGIÃO SUDESTE LIDERA RANKING CONNECTED SMART CITIES COM INOVAÇÃO E CONECTIVIDADE

0
Região Sudeste Lidera Ranking Connected Smart Cities com Inovação e Conectividade
Crédito: Foto de Bruno Mancini/Pexels

Destacam-se cidades como São Paulo, Niterói  e Barueri, impulsionando o desenvolvimento tecnológico e urbano no Brasil.

A última edição do Ranking Connected Smart Cities revelou que a Região Sudeste do Brasil é um polo de inovação e conectividade, com 58 das 100 cidades mais inteligentes e conectadas localizadas nesta região. Desse total, 40 estão no estado de São Paulo, evidenciando a liderança do estado em iniciativas voltadas para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes.

Entre as cidades mais bem posicionadas em diferentes faixas de população, Niterói (RJ) e Jaguariúna (SP) se destacam na Região Sudeste. Niterói se destaca por sua governança, urbanismo, tecnologia, inovação e meio ambiente, ocupando a 5ª posição geral e liderando o recorte de cidades com 100 a 500 mil habitantes.

A Região Sudeste se sobressai especialmente no urbanismo, com 57 cidades listadas entre as 100 melhores. Santos (SP) lidera o urbanismo, com investimentos na área, atendimento urbano de água e esgoto, e população vivendo em áreas urbanas de médio e alto adensamento.

Em tecnologia e inovação, o Rio de Janeiro supera Fortaleza na última edição, subindo 3 posições, e se concentra em manter uma infraestrutura tecnológica avançada, com alta velocidade de conexão, cobertura 5G e uma porcentagem significativa da população empregada no setor de tecnologia e inovação.

No recorte de mobilidade, São Paulo mantém sua posição de destaque, com iniciativas como bilhete eletrônico no transporte público, semáforos inteligentes e proximidade com três aeroportos com voos regulares em um raio de 100 quilômetros.

Na segurança, Santana de Parnaíba (SP) é a cidade em destaque, com baixo índice de homicídios, investimento em segurança por habitante e presença de um Centro de Controle e Operações.

No âmbito da educação, Jaguariúna (SP) se destaca com altos investimentos por habitante, desempenho satisfatório no ENEM e IDEB, evidenciando compromisso com a qualidade do ensino. São Caetano do Sul (SP) é a cidade com 100 a 500 mil habitantes mais bem posicionada, com baixo índice de evasão escolar e alto investimento per capita. 

No empreendedorismo, o Rio de Janeiro e Niterói destacam-se com suas iniciativas de fomento a empresas, contando com incubadoras e parques tecnológicos. Já Barueri lidera no aspecto econômico, evidenciando sua independência no setor privado e crescimento de empresas e empregos.

Esses dados reforçam a importância da Região Sudeste como um centro de inovação, tecnologia e qualidade de vida, impulsionando o desenvolvimento do país e buscando constantemente a melhoria em diversas áreas para seus cidadãos. Confira as 10 primeiras colocadas na região:

 

  1. São Paulo (SP)
  2. Belo Horizonte (MG)
  3. Niterói (RJ)
  4. Barueri (SP)
  5. Vitória (ES)
  6. Santos (SP)
  7. Rio de Janeiro (RJ)
  8. Jaguariúna (SP)
  9. Campinas (SP)
  10. São Caetano do Sul (SP)

Sobre o Connected Smart Cities
O  Connected Smart Cities & Mobility Nacional é o maior e mais importante evento de negócios e conexões de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil. Realizado desde 2015, o CSCM tem um formato de múltiplos palcos e promove a integração entre conteúdo de alta qualidade, promoção de negócios e networking de impacto.  O evento  faz parte da Plataforma Connected Smart Cities, que tem por missão encontrar o DNA de inovação e melhorias para cidades mais inteligentes e conectadas umas com as outras, sejam elas pequenas ou megacidades.

A 10ª edição do Ranking Connected Smart Cities será lançada em 03 de setembro, na abertura do Connected Smart Cities, em São Paulo. Saiba mais sobre o evento aqui.

Acesso à plataforma online de consulta ao Ranking Connected Smart Cities, acesse:

SMART CITIES: COMO OS INVESTIMENTOS EM INFRAESTRUTURA PODEM TORNAR AS CIDADES MAIS INTELIGENTES

0
Banco do Brasil oferece soluções inteligentes aos municípios brasileiros

Parcerias com o setor privado podem incluir iluminação pública ou outros serviços, como disponibilização de wi-fi, semáforos inteligentes, câmeras de vigilância, entre outras funcionalidades

Pelo menos 14 cidades realizaram parcerias público-privadas (PPPs) voltadas à iluminação pública nos últimos dois anos, conforme dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). Em 2024, a expectativa é que ocorram ao menos 30 leilões de PPPs, de acordo com a Associação Brasileira das Concessionárias de Iluminação Pública (Abcip).

As PPPs podem, inclusive, ir além da mera aplicação de recursos no setor de iluminação pública, aproximando os municípios do contexto de smart cities ou cidades inteligentes. Assim, a gestão inteligente do serviço por parte dos municípios permite a instalação de uma infraestrutura pública, a qual possui potencialidade econômica para, sem prejuízo da execução do serviço de iluminação pública, gerar receitas alternativas. Logo, serviços adicionais podem ser explorados pelo parceiro privado, aumentando sua margem de lucro e gerar ganhos à população atingida pelo serviço: disponibilização de internet banda larga sem fio, por exemplo.

Um dos aspectos destes projetos que traz maior segurança jurídica para os investimentos privados consiste na chamada Contribuição para Custeio da Iluminação Pública dos Municípios (Cosip), prevista no artigo 149-A da Constituição Federal. Assim, tais serviços contam com uma fonte de custeio específica (mas com finalidade vinculada), o que faz eles despertarem grande atratividade do setor privado, pois a Cosip representa um fluxo constante e seguro de recursos públicos e que viabilizam estes projetos. Ademais, a contribuição também permite a constituição de garantias às obrigações contraídas pelos Municípios. “Ao invés da simples manutenção da estrutura de lâmpadas e equipamentos obsoletos (metodologia corretiva), estas PPPs de iluminação pública, por meio de investimentos realizados pelo parceiro privado conjuntamente com a contraprestação pública, podem trazer ganho de eficiência energética aos Municípios envolvidos nos projetos”, explica Thiago Priess Valiati, sócio do escritório Razuk Barreto Valiati.

“Entre esses investimentos, incluem-se a modernização da infraestrutura pública com a substituição de lâmpadas por LED, expansão da rede, adoção de medidas sustentáveis (como sensores ambientais), utilização de câmeras para o monitoramento de segurança pública, disponibilização de wi-fi aos cidadãos, entre outras possibilidades. Assim, estes projetos permitem investimentos em novas tecnologias, podendo-se falar no conceito e desenvolvimento de cidades inteligentes, as chamadas smart cities”, completa o advogado, que também é professor de Direito Regulatório e doutor em Direito Administrativo pela Universidade de São Paulo (USP).

Uma evolução para smart cities

Quando se trata do conceito de smart cities, as PPPs de iluminação pública podem ser uma evolução viável na infraestrutura urbana e na adição de inteligência para a tomada de decisões pelos Municípios. Entre as possibilidades de investimentos e melhorias, existem alguns serviços mais recorrentes. Entre eles, é possível citar: estrutura de wi-fi, semáforos inteligentes, gestão de estacionamentos, câmeras para segurança e monitoramento urbano, sensores de imagem e ambientais, para controle da qualidade do ar e poluição sonora, entre outros.

Essa evolução permite que tecnologias como inteligência artificial, gestão e análise de dados e até mesmo o machine learning possam ser inseridos no contexto urbano. Nas estratégias de gestão urbana, as cidades podem relacionar a iluminação pública à gestão e à prevenção de desastres, por exemplo. Questões como inserção de sensores voltados à meteorologia e à qualidade do ar, além de informações sobre alagamentos podem ser atreladas às PPPs de iluminação pública.

“O grande desafio dos municípios está na modelagem jurídica-institucional adequada destas PPPs, por meio de projetos bem estruturados, com atribuição e distribuição de riscos bem definidas entre parceiros público e privado, garantindo segurança na execução contratual com parceiros com capacidade viável para tanto. Nesse contexto, não pode ser ignorada a complexidade e os elevados custos técnicos e econômico-financeiros necessários à contratação das PPPs. Também não deve ser ignorada a ausência de capacitação e expertise dos municípios para a elaboração de projeto básico e o alto custo de estudos de viabilidade técnica e econômico-financeira. Assim, o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) desponta como a ferramenta jurídica a ser utilizada em tais casos, de forma que os parceiros privados interessados apresentem propostas, estudos ou levantamentos com vistas à inclusão de projetos de PPPs de iluminação pública”, destaca Thiago Valiati.

O advogado reforça, ainda, que as PPPs precisam ser estruturadas de forma específica à realidade de cada município. “São projetos muito complexos, mas as experiências vivenciadas por outros municípios contribuem na estruturação destes projetos, trazendo maior sucesso e segurança jurídica na sua execução”, avalia Valiati, que possui atuação consolidada no setor por meio de elaboração de modelagem jurídica-institucional e assessoria jurídica em todas as etapas de PMIs e contratações públicas para a estruturação de projetos de PPPs de iluminação pública.

Fonte: Sala da Notícia

TERRA VISTA LÁ DE CIMA: UM OLHAR SOBRE NOSSA FRAGILIDADE E O FUTURO DA HUMANIDADE NO STARTUP20 EM RECIFE

0
terra-vista-la-de-cima-um-olhar-sobre-nossa-fragilidade-e-o-futuro-da-humanidade-no-startup20-em-recife
Crédito: Banco de imagem

As mudanças climáticas são uma realidade inescapável, com efeitos já visíveis ao redor do mundo

Quando olhamos para a Terra do espaço, a primeira coisa que nos impacta é a visão da atmosfera. Essa camada fina, quase invisível, que envolve nosso planeta, e nos aconchega. Uma visão a demonstrar nossa fragilidade e um lembrete poderoso de nossa vulnerabilidade iminente. Então nos perguntamos, como a única espécie que não só evoluiu, mas também usou a tecnologia para moldar nosso ambiente, enfrenta um vaticínio escatológico que ela mesma acelerou ao comprometer nossa atmosfera?

Essa e outras perguntas serão discutidas no encontro Startup20 do G20 que acontecerá no Recife nos dias 04 e 05 de julho no Mirante do Paço da Alfândega. No evento teremos a chance de avaliar nossa capacidade de criar e adaptar tecnologias para permitir a transformação do planeta de uma maneira que nenhuma outra espécie é capaz, e o quão é elevado o custo dessa transformação. Fazemos parte de um superorganismo global, onde cada avanço tecnológico facilita nosso dia-a-dia, mas também aumenta nossas incertezas de permanência. E ainda mais, a energia necessária consumida para esse modus vivendi, em quase sua totalidade, provém de fontes fósseis, que hoje dão vida a esse superorganismo e que amanhã poderão nos levar ao último suspiro.

As mudanças climáticas são uma realidade inescapável, com efeitos já visíveis ao redor do mundo. A calota polar está encolhendo a um ritmo alarmante, e o manto de gelo da Groenlândia perde aproximadamente 300 gigatoneladas de gelo por ano. Isso representa 300 km cúbicos de gelo desaparecendo anualmente, contribuindo significativamente para o aumento do nível do mar, que deve subir meio metro até o final do século.

As rápidas mudanças climáticas apresentam um desafio crítico para os sistemas biológicos vitais da Terra. As árvores, animais, e ainda os fitoplânctons e e os zooplânctons dos oceanos, assim como o próprio ser humano terão menos tempo para se adaptar a essas mudanças aceleradas. A complexidade desses sistemas é tamanha que, muitas vezes, ultrapassa nossa capacidade de previsão e compreensão. Aí, em determinado momento, nossa reação será inócua, e nossa adaptação impossível. 

A transição para uma economia de baixo carbono é um imperativo urgente, que se tornou agenda nos países desenvolvidos, mas com pouco avanço prático para o tamanho do problema e da urgência. A dependência de energia fóssil não será superada nas próximas décadas sem uma ação coordenada com cooperação dos estados soberanos. É necessário que esses estados não apenas implantem políticas de transição energética, mas também que o façam considerando os interesses das futuras gerações.

Sem a ação concertada das nações, os interesses de curto prazo pelo lucro continuarão a prevalecer, levando-nos a caminhos potencialmente irreversíveis e perigosos. O tempo para agir é agora, e a responsabilidade recai sobre todos nós – governos, empresas e indivíduos – para garantir um futuro sustentável para o nosso planeta. Repetindo: Agora! E concluindo: De todos. 

Vista lá de cima, a fina camada da atmosfera é um lembrete da fragilidade da nossa existência e da urgência de nossas ações. Precisamos reconhecer a interdependência entre nossa tecnologia e o meio ambiente e trabalhar juntos para mitigar os impactos das mudanças climáticas. Somente através de uma cooperação global e de uma transição energética significativa poderemos garantir um futuro viável para todas as gerações que virão. Em Recife a cimeira do Startup20 aprofundará todas essas questões. 

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

JUNHO VERDE: CIDADES INTELIGENTES PROMOVEM INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

0
Junho Verde: Cidades Inteligentes promovem inovação e sustentabilidade
Especialistas comentam papel das cidades inteligentes em associação com o desenvolvimento sustentável | Bnews - Divulgação Foto de JavyGo na Unsplash

A ficção associa desenvolvimento tecnológico com degradação humana e devastação ambiental. Nas histórias, é comum encontrar futuros onde a tecnologia provocou uma destruição sem precedentes, tudo em nome do “progresso”. Em meio a tanto pessimismo, é difícil imaginar uma realidade onde o avanço das tecnologias esteja aliado aos benefícios sustentáveis. Porém, o surgimento de “cidades inteligentes” é um passo nessa direção.

De acordo com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI), o conceito de cidades inteligentes “envolve a combinação de investimentos em capital humano e social com tecnologias de informação e comunicação (TIC) voltadas ao desenvolvimento econômico sustentável e melhoria da qualidade de vida”.

Leonardo Vasconcellos, engenheiro, CEO da startup General Energy e professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA), explica que o conceito, porém, surgiu na década de 1970, em Los Angeles, quando a cidade começou a utilizar dados de sensores e imagens aéreas para melhorar a gestão pública e o bem-estar da população.

O conceito principal de cidades inteligentes envolve entender porque você está deixando a cidade mais inteligente, que é para prover maior qualidade de vida para a população”, destaca Vasconcellos.

Para Hélder Uzêda, doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano, algumas práticas de desenvolvimento sustentável caracterizam a definição de cidades inteligentes. São elas:

  • eficiência energética;
  • energia renovável;
  • gestão de resíduos;
  • mobilidade urbana;
  • monitoramento e qualidade do ar;
  • uso racional de recursos;
  • infraestrutura digital, segurança e resposta a emergências;
  • governança pública.

Tudo isso, reforça o doutor, “a partir de um modelo conectado e compartilhado de serviços urbanos, voltados à eficiência operacional e transformação positiva da vida de seus habitantes, igualmente reduzindo a desigualdade, a partir da promoção de um ambiente urbano mais inclusivo e equitativo”.

Tudo isso, reforça o doutor, “a partir de um modelo conectado e compartilhado de serviços urbanos, voltados à eficiência operacional e transformação positiva da vida de seus habitantes, igualmente reduzindo a desigualdade, a partir da promoção de um ambiente urbano mais inclusivo e equitativo”.

Desde então, essa ideia evoluiu para incorporar diversas tecnologias, com um objetivo central: melhorar a qualidade de vida dos cidadãos por meio de soluções eficientes e sustentáveis.

Tecnologia não se resume ao digital 

Para Leonardo Vasconcellos, a tecnologia nas cidades inteligentes vai além do digital e eletrônico, envolvendo qualquer inovação que melhore a gestão pública e o bem-estar dos habitantes.

Esse conceito é amplo e também passa pelo lado social. Você tem que ouvir a população, qual a sua necessidade, qual é o problema. (…) A solução pode ser operacional, pode ser uma alteração nas vias de trânsito, mas também pode ser através da instalação de sensores”, explica Vasconcellos.

O uso de dados é um pilar das cidades inteligentes. A coleta de dados de sensores, imagens e diretamente da população permite uma gestão mais eficaz e responsiva. Porém, Vasconcellos destaca que a tecnologia deve ser acessível a todos. Sem a inclusão digital, as soluções tecnológicas não atingem seu pleno potencial.

Desenvolvimento sustentável em diversas áreas 

Para Hélder Uzêda, as cidades inteligentes podem ser aliadas no desenvolvimento sustentável, a partir de ações significativas na prevenção de danos para evitar desastres ambientais, como a tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul ao longo do mês de maio.

O escopo ambiental adiciona reduções de emissões de carbono, gestão eficiente de recursos, preservação da biodiversidade urbana e resiliência às alterações climáticas”, reforça Uzêda.

Para o doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano, além do desenvolvimento sustentável, as cidades inteligentes promovem inovações em diversas áreas, principalmente na esfera empresarial, potencializando os esforços voltados para os cidadãos.

Inovação e tecnologias; oportunidades econômicas; infraestrutura digital; responsabilidade corporativa, social e ambiental; e integração com a gestão pública, facilitando compliance, transparência e responsabilização, além de posicionar a participação cidadã como componente essencial no processo de planejamento, tomada de decisões e melhoria contínua da cidade”, pontua Uzêda.

Incentivos em políticas públicas para a adesão às cidades inteligentes 

Para Leonardo Vasconcellos, o incentivo ao uso de veículos elétricos é uma parte importante do planejamento urbano sustentável. Cidades como Curitiba e São Paulo lideram no Brasil em termos de desenvolvimento de cidades inteligentes, mas Salvador também se destaca no Nordeste, com iniciativas como o IPTU verde e amarelo, que oferecem descontos para edificações sustentáveis e uso de energia solar.

Hélder Uzêda também destaca os diversos incentivos para a adesão de projetos ambientais e sustentáveis.

Vale adicionar políticas para gestão pública, que versam preferência por aquisições de produtos sustentáveis. Muitas entidades de classe mundial estão surgindo para alargamento das discussões sobre as cidades inteligentes, instrumentalizando governo, empresas e profissionais para a elaboração de políticas e iniciativas cada vez mais assertivas”, destaca Uzêda. 

Fonte: Bnews

DESAFIOS DAS CIDADES INTELIGENTES NO BRASIL

0
Banco do Brasil oferece soluções inteligentes aos municípios brasileiros

 Em grandes centros urbanos, a adoção de soluções dentro do contexto de Cidade Inteligente traz melhorias significativas em diversas áreas

A implementação de modelos de cidades inteligentes no Brasil, um país de dimensões continentais com 5.568 municípios, enfrenta inúmeros desafios. Costuma-se dizer que há vários “Brasis” dentro do Brasil, dada a sua diversidade econômica e social. A maioria dos municípios enfrenta ineficiências tecnológicas na gestão pública, com uma estrutura tecnológica deficiente e uma gestão de informações desestruturada. Muitos órgãos públicos utilizam sistemas legados sem uma gestão centralizada, resultando na falta de intercomunicação das bases de dados de forma estruturada.

O primeiro passo para a administração pública é a implementação de normas que busquem a conformidade, começando pela adoção de um Plano Diretor de Tecnologia da Informação (PDTI). O PDTI serve como um instrumento de diagnóstico, planejamento e gestão dos recursos e processos de Tecnologia da Informação. Com essa abordagem, os municípios podem gerenciar melhor seus recursos e implementar soluções tecnológicas de maneira estruturada, evitando gastos desnecessários e garantindo a continuidade do planejamento, independentemente da gestão.

O Brasil possui grandes cidades como São Paulo (SP), com mais de 11 milhões de habitantes, e pequenos municípios como Serra da Saudade (MG), com apenas 833 habitantes. Muitos desses municípios têm economias deficitárias. Em grandes centros urbanos, a adoção de soluções dentro do contexto de Cidade Inteligente traz melhorias significativas em áreas como:

  Mobilidade Urbana: A gestão deficiente dos transportes urbanos, muitas vezes fruto de um crescimento não estruturado, pode ser melhorada com o uso de soluções automatizadas e ferramentas de Inteligência Artificial.

Serviços Públicos: Plataformas para a gestão de serviços públicos tornam as informações e serviços acessíveis e transparentes para os cidadãos. 

  Segurança Pública: A utilização de inteligência artificial e drones amplia a capacidade de monitoramento e atuação das forças de segurança, cobrindo áreas maiores com menos necessidade de efetivo humano.

Políticas e Regulamentos: Soluções de inteligência de dados tornam políticas e regulamentos públicos mais acessíveis e compreensíveis para os cidadãos.

  Educação Continuada: A educação continuada pode ocorrer em aspectos acadêmico, profissional e pessoal. Com plataformas de ensino a distância, é possível superar barreiras geográficas, proporcionando acesso à educação e contribuindo para o desenvolvimento da população. 

  Saúde: A gestão da saúde pública, uma das grandes “dores” da administração pública, pode ser otimizada com telemedicina e análise de dados, proporcionando evidências concretas e uma gestão mais eficiente, além de reduzir custos, muitas vezes elevados devido à falta de uma gestão inteligente.

Para pequenos municípios, o ganho está em uma gestão mais simplificada, permitindo uma visão unificada para os administradores e melhores condições para os cidadãos.

Por fim, devemos aprender com cidades de outros continentes que estão mais avançadas no contexto de Cidades Inteligentes. Amsterdã (Holanda) assumiu, em 2021, o estatuto de cidade mentora no projeto Desafio das Cidades Inteligentes da União Europeia, uma iniciativa financiada pelo programa COSME, que visa promover a transformação ecológica e digital da Europa. “O desafio das cidades inteligentes promove o uso de novas tecnologias para ajudar 136 cidades a tornarem-se mais funcionais, mais atrativas e mais competitivas. A ideia é que as cidades aprendam umas com as outras, partilhem soluções para evitar que continuemos a reinventar a roda para implementar soluções que já existem”, disse à Euronews Cornelia Dinca, responsável pelo projeto Amsterdam Smart City.

Conclusão

A jornada para se tornar uma cidade inteligente no Brasil é desafiadora, mas essencial para o futuro sustentável e eficiente de nossos municípios. Ao implementar normas, adotar tecnologias emergentes e aprender com exemplos globais, podemos superar as barreiras atuais e criar cidades que melhor atendam às necessidades de seus cidadãos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

FREE FLOW: MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES LANÇA PROJETO PARA REGULAMENTAR SISTEMA NO BRASIL

0
Free flow: Ministério dos Transportes lança projeto para regulamentar sistema no Brasil
Proposta utilizou dados obtidos em trecho da Rio-Santos, durante 15 meses de operação em fase de teste. Foto: Divulgação/Agência Brasil

Minuta apresentada oficializa nome do sistema como ‘pedágio eletrônico’ e traz novas regras para uso da ferramenta

O Ministério dos Transportes apresentou na última semana a minuta para regulamentação do sistema free flow no Brasil. A partir da publicação do texto, a ferramenta também ganhou um novo nome e passa a ser conhecida como pedágio eletrônico. A proposta está em fase de consulta pública.

O projeto utilizou como base os resultados obtidos durante período de teste do sistema, realizado no trecho da BR-101, a Rio-Santos. De acordo com o Ministério, o modelo de cobrança se mostrou ágil e seguro, com possibilidade de dar mais fluidez ao trânsito e realizar cobranças mais justas.

Assim como já ocorre no trecho entre Ubatuba (SP) e a cidade do Rio de Janeiro, a cobrança por free flow, ou pedágio eletrônico, utiliza um sistema de identificação dos veículos com cobrança automática, através das tag. Para carros sem a ferramenta de identificação, o pagamento da tarifa deve acontecer por meio de canais válidos de autopagamento, após a passagem do veículo. A identificação do veículo acontece pelo registro da placa, a classificação veicular e imagem capturada durante a passagem.

O texto sugere que a responsabilidade do gerenciamento desses pagamentos seja do órgão ou entidade executivo com circunscrição sobre a via. Passa a ser obrigatório, também, que a empresa ou órgão gerenciador da via, sinalize aos motoristas que o trecho utiliza sistemas de livre passagem. A consulta pública pode ser acessada através da Plataforma Mais Brasil.

Mudanças no sistema free flow

“A passagem do motorista será registrada em sua carteira, para que posteriormente ele possa consultar um link de pagamento lá mesmo, evitando assim a multa”, explica o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. De acordo com o secretário, as informações privadas dos usuários e motoristas estarão centralizadas no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).

Conforme explícito na minuta, o prazo máximo para pagamento da tarifa por motoristas que não possuem a tag, também deve mudar. A partir da publicação do texto, a sugestão é de que os condutores tenham até 30 dias para realizar o pagamento. Anteriormente, o prazo era de 15 dias. Também passa a ser direito do usuário o acesso ao seus registros de passagem no sistema de pedágio eletrônico, em formato digital. O dado também inclui a situação de pagamento das tarifas.

Fonte: Mobilidade Estadão

ECORODOVIAS ELABORA ESTRATÉGIA ESG COM METAS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES E PRESERVAÇÃO FLORESTAL

0
EcoRodovias elabora estratégia ESG com metas de redução de emissões e preservação florestal
Foram definidos dez pilares estratégicos com metas específicas aprovadas pelo conselho de administração e divulgadas no início deste ano (EcoRodovias/Divulgação)

Empresa quer reduzir em 41% as emissões de escopos 1 e 2 e plantar e/ou preservar 2.600 hectares de vegetação

Em 2023, a EcoRodovias elaborou sua Agenda ESG 2030 com a consolidação de compromissos e metas de sustentabilidade. Foram definidos dez pilares estratégicos com metas específicas aprovadas pelo conselho de administração e divulgadas no início deste ano.

Os pilares estão classificados como: estratégia climática; biodiversidade e ecossistema; economia circular, segurança; capital humano e diversidade, equidade e inclusão; ética, transparência e integridade; e compras sustentáveis. Entre os destaques estão a redução de 41% das emissões de escopos 1 e 2 até 2030 e chegar a 2.600 hectares de áreas plantadas e/ou preservadas.

Fonte: Exame

PROJETO PREVÊ EXPANSÃO DO METRÔ DE SP ATÉ TABOÃO DA SERRA

0
Projeto prevê expansão do metrô de SP até Taboão da Serra
Com a expansão, Taboão da Serra se tornará a primeira cidade da Grande São Paulo a possuir um ramal do metrô para além da capital. Foto: Divulgação/Prefeitura de Taboão da Serra

Contrato indica aumento da Linha 4-Amarela em mais 3,3 km e duas novas estações para além da capital

O projeto de expansão do metrô de São Paulo até Taboão da Serra foi assinado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O termo aditivo estabelece a elaboração dos estudos de viabilidade e dos projetos executivos para extensão da Linha 4-Amarela até a cidade da região metropolitana. Todo o processo de estudo e obras deve receber um investimento de R$ 3,4 bilhões.

A ação deverá aumentar em 3,3 km a Linha 4-Amarela, com duas novas estações: Chácara do Jockey e Taboão da Serra. De acordo com a previsão do Governo do Estado, as construções devem começar ainda neste ano, e o funcionamento pleno da linha acontecerá em 2028.

A futura estação Taboão da Serra ficará localizada às margens da nova avenida (antiga BR-116), no Parque Santos Dumont. Segundo a Prefeitura de Taboão da Serra, a obra também contemplará um terminal de ônibus para embarque e desembarque de usuários e a construção de um túnel subterrâneo para a passagem de pedestres.

O termo de convênio assinado pelo governo de Taboão da Serra também autoriza a ocupação de duas áreas, onde devem ser construídos os poços secantes, um edifício para apoio técnico e operacional e parte da saída de emergência e ventilação da linha.

Expansão do metrô

A concessionária responsável pela operação da linha também assume os estudos iniciais de viabilidade e ações necessárias para a expansão da linha. Dessa forma, o governo espera reduzir o prazo para início da implantação do empreendimento e, também, diminuir os riscos relacionados à execução das obras.

Os estudos prévios indicam que o tempo de locomoção ao longo de toda a Linha 4-Amarela passe a ser de 55 minutos. Atualmente, a linha possui 12,8 Km de extensão e 11 estações. Com a ampliação, o trajeto inteiro somará 16,1 km, com 13 estações.

O Governo do Estado espera beneficiar até 90 mil passageiros por dia com a nova conexão. O município de Taboão da Serra será o primeiro da Grande São Paulo a ter um ramal metroviário para além dos limites da capital.

Fonte: Mobilidade Estadão

TARIFA ZERO: POR QUE É VIÁVEL E URGENTE

0
Tarifa Zero: por que é viável e urgente
Foto: FILIPE JORDÃO/JC IMAGEM

Transporte é direito constitucional: gratuito, pode produzir profundas transformações nas cidades. Isso exige outro modelo de licitação: transparente, sem monopólios e com fiscalização pública. Primeiro passo: construir um Sistema Único de Mobilidade

Tanto Tarifa Zero-T0 como transporte por demanda (mais conhecido por transporte operado por motoristas individuais sem vínculo empregatício que se cadastram em aplicativos, via internet, de domínio estrangeiro) têm gerado muitas opiniões divergentes, complementares, concorrentes nos mais variados setores. Defensores e apoiadores em ambos os temas têm representatividade tanto junto às empresas de ônibus que operam os transportes urbanos, aplicativos, motoristas, gestores públicos e usuários. A opinião pública vai normalmente sendo formada pelas versões trazidas pela mídia que tiver maior alcance e maior poder de convencimento pela repetitividade de versão em vários de seus programas que sempre apresentarão somente aqueles que representam a opinião do patrocinador dos programas, enfim, não há consenso sobre vantagens e desvantagens para quem e de que forma.

Os motivos apresentados pelos campos divergentes nem sempre podem ser comparados, pois na maioria das vezes trazem em si, perspectivas diferenciadas. Nesse contexto, vou tentar trazer reflexões sobre esses dois temas aparentemente diversos, mas que estão inseridos em uma questão essencial para a qualidade de vida nas cidades: mobilidade urbana sustentável e espaço público compartilhado igualitariamente e acessível a todas às pessoas.

O que seria Tarifa Zero?

Nada mais que o nome dado à transformação, em equivalência, do Transporte Público aos demais direitos sociais (oferecidos como serviços públicos) previstos no artigo 6º da Constituição Federal (transporte foi incluído somente em 2015, pela PEC apresentada pela Deputada Federal Luiza Erundina – PSOL e aprovada pelo Congresso Nacional):

“Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.”

O que isso significa? Que cada brasileiro para acessar cada um desses direitos sociais, em forma de serviços públicos, não precisa pagar no ato de seu exercício, pois cada um deles já está incluído no Orçamento Público como obrigação do Poder Público (integração entre União, estados e municípios). Exemplos práticos de acesso a esses direitos sociais sem pagamento no ato da utilização dos serviços:

• EDUCAÇÃO: ensino público fundamental, médio e universitário (ainda não estão disponíveis a todos os brasileiros). Ninguém cobra para entrar na sala de aula ou para obter o diploma.

• LAZER: em espaço público como parques, praias, eventos, etc.

• SEGURANÇA: Registrar um Boletim de Ocorrência, denúncia 190, bombeiros, etc.

• SAÚDE: Consultas, exames, internações, cirurgias na rede pública de saúde, Samu, transplantes, etc.

E aqueles Direitos Sociais em estágio de execução ainda muito deficitário no país:

• ALIMENTAÇÃO, MORADIA, ASSISTÊNCIA AOS DESAMPARADOS: Por meio de políticas públicas as camadas da população que estão em estado de miséria social têm assistência do Estado.

• TRABALHO: O Estado normatiza e direciona sua política para garantir o direito ao trabalho a todos (ainda em estágio deficitário).

• PROTEÇÃO À MATERNIDADE E À INFÂNCIA: há o amparo disponibilizado às mães e crianças em uma rede transversal e capilarizada de assistência (saúde, assistência social, segurança, educação incluindo creches, etc.)

Qual o significado essencial do Transporte ter sido incluído como direito social na Constituição?

Mesmo com sua inserção recente (2015, pela PEC proposta pela Deputada Luiza Erundina do PSOL) o Transporte Público ainda continua sendo na prática considerado só serviço essencial, mas é direito social. Inserir na Constituição foi essencial, mas ainda significa “só estar no papel”; foi um primeiro passo político importantíssimo que deve ter sua sequência burocrática legal: “regulamentação via uma Lei Federal estabeleça como será disponibilizado à população”.

Um outro importante avanço político que só terá início com a compreensão popular dessa etapa para que a Tarifa Zero possa começar a ser realidade em todo o país. O mais importante é que o transporte público como direito social intermediário de acesso real físico aos demais direitos sociais disponibilizados como serviços públicos; e deve, por isso, estar acessível de maneira estrutural e gratuita no ato de sua utilização em todo o território nacional. Será com o deslocamento das pessoas proporcionado – sem tarifa – que o acesso aos equipamentos públicos relativos aos demais direitos sociais constitucionais poderão ser universalizados.

Nenhum desses direitos sociais é gratuito, todos são custeados como retorno dos impostos recolhidos, é obrigação do Estado Público cumprir a Constituição, portanto, disponibilizar o acesso universalizado aos direitos é cumprir o estabelecido para um país realmente democrático com desigualdades econômicas tão acentuadas. Tarifa Zero é mais um exemplo de garantir que todos os direitos sociais estabelecidos no art. 6º sejam realmente acessíveis à população.

A questão mais debatida entre os opositores é de onde virá esse custeio, será com o aumento de impostos? Para outros, a crítica é sobre o eventual comprometimento da qualidade do que já existe (que nunca foi boa) com a seguinte alegação: “Mais gente irá usar o sistema de transporte público e isso vai danificar e comprometer o sistema atual!”.

Devemos nos lembrar que antes da Constituição de 1988, só podia ser consultado por um médico no INPS pessoas que tivessem registro em Carteira Profissional. A saúde não era para todos e prejudicava justamente a parcela mais fragilizada pela miséria. Também era comum antes do voto universal o direito ser vetado para pessoas analfabetas, pobres sem fazendas e mulheres, por serem considerados incapazes.

Enfim, a cada avanço na estrutura social que seja direcionado à incorporação de mais pessoas com os mesmos direitos de acesso às suas cidades, aos seus direitos sociais, o campo reacionário e resistente irá ter inúmeros argumentos para ser contra, mas na verdade o que ocorre mesmo é a diminuição de seus lucros por meio da exploração intensa da comercialização desses serviços por meio das tarifas.

Quebras de paradigmas no Transporte Público não é novidade

Em 2001, quando implantamos em São Paulo (fui diretora de transporte no primeiro ano da gestão Marta Suplicy, na Secretaria de Carlos Zarattini) o Bilhete Único-BU como primeira experiência no Brasil de integração tarifária que possibilitava que o pagamento fosse pela viagem feita e não pelo número de veículos necessários para fazê-la, a parte que lucrava com a cobrança por entrada no veículo dizia que o município iria quebrar, que tudo iria ruir e a falência geral ia ser fato (o mesmo em outras gestões que atuei como Campinas e Guarulhos). Atualmente, muitas cidades já têm o BU e nada aconteceu, a não ser mais justa distribuição de renda e oportunidades, pois os moradores de bairros mais longínquos não são sacrificados por terem que tomar mais de uma condução para seu deslocamento e, por isso, apartados de chances no mercado de trabalho e consequentemente de consolidação da pobreza universal da qual eram vítimas.

Algo muito importante antes de dizer de onde virá o dinheiro do Estado para cobrir esse investimento no Transporte como Direito Social é questionar o quanto custa, de fato, o sistema e se a forma de contratação como a atual poderia ser revista, modernizada e otimizada com mais transparência econômica e operacional para a população.

Origem da Planilha que define a Tarifa no Sistema de Transporte Público

No Brasil, houve um grupo durante a Ditadura Militar criado pelo Decreto nº 57.003, de 11/10/65, na forma de Grupo Executivo para a Integração da Política de Transportes com representante de quatro ministérios e que, em 1973, foi transformado para Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes com a mesma sigla GEIPOT.

A planilha tarifária que estruturaram naquela época permanece até nossos dias. Desde então houve muitos avanços tecnológicos para os cálculos, discretas modificações na composição final da tarifa que agora é a tarifa cobrada somada com a tarifa subsidiada. Porém nenhuma transformação conceitual que impacte de fato na forma como são considerados os custos, foi modificada.

Considerações sobre o modelo atual básico de contratação licitatória do setor

Licitações longevas (décadas) que perpetuam as mesmas famílias de empresários do setor de transporte em todas as cidades, estados, regiões, cuja característica básica é a carência de transparência, má qualidade nos serviços prestados, usuários apartados da avaliação da qualidade, interesse público preterido aos interesses específicos do empresariado. Algumas informações sobre as práticas adotadas na maior parte dos municípios brasileiros.

1) Quem faz a cobrança das tarifas também faz a gestão financeira do setor. Não são as prefeituras que pagam os contratados, mas as próprias empresas que o operam emitem relatórios mensais operacionais (com totais de viagens, passageiros transportados, quilometragem rodada, etc.) e financeiros (valor arrecadado) às prefeituras.

a) Como garantir a qualidade na prestação de serviço se as empresas recebem adiantado, antes mesmo de fazerem as viagens? Seja pelo Vale Transporte ou Recarga de Bilhetes Eletrônicos os usuários pagam antes de usar.

b) Alguns mandatos na prefeitura trouxeram para si essa gestão financeira, com pagamento às empresas, somente mediante comprovada realização das viagens sem atraso, por meio das ordens de serviço criadas para cada viagem. Se não cumpriu ou atrasou, era feita uma punição financeira (como Erundina em São Paulo e Bittar em Campinas nos anos 90). Com muitos ônibus da frota com GPS, em nossa era tecnológica, esse monitoramento é muito fácil de ser feito pela Prefeitura, que não o faz, entregando tudo para os ganhadores da licitação que se incumbem de prestar contas e se auto fiscalizar.

c) O dinheiro pago adiantado tem aplicações financeiras, mas quem fica com esse lucro?

2) Em uma época de capitalismo em que o “mercado quer liberdade” não faz muito sentido que as licitações feitas pelas prefeituras sejam gigantescas, abarcando uma série de serviços do Sistema de Transporte Público que poderiam ser destrinchados em várias licitações menores ampliando a oferta para a concorrência sem necessidade de licitações de, no mínimo,15 anos.

a) A licitação da contratação do transporte público exige do participante possua garagem própria para sua frota de ônibus; esta concentração na cidade induz a um deslocamento vazio (da garagem para os terminais) em excesso. Se estas garagens fossem distribuídas pelas diversas regiões da cidade em terrenos públicos, esse custo operacional do deslocamento vazio iria diminuir muito com a quilometragem diminuída (menor distância entre as garagens e os pontos iniciais das viagens), o patrimônio exigido da empresa seria menor e, portanto, com menor remuneração definitiva para esse item. Além de ampliar a possibilidade de novos concorrentes participarem do certame.

b) Serviços como limpeza, locação da frota de ônibus, contratação de motoristas e fiscalização, gerenciamento dos terminais não precisariam estar embutidos em uma só gigantesca empresa, mas em várias menores especializadas específicas e direcionadas a cada tipo de serviço. Afinal, o que tem limpeza com gestão de uma rede de transporte em comum que precise ser realizado pela mesma empresa? Essas licitações “engessadas”não têm sentido lógico em nossa sociedade de livre concorrência, pois somente empresas já do ramo conseguem participar de novos certames.

c) Há um item nas licitações que se refere à remuneração do capital investido pelos empresários, uma espécie de pagamento de taxa administrativa. Em muitos casos esse percentual sobre o valor total está defasado em relação à realidade praticada entre contratações no setor privado. Com a variação dos índices financeiros, há muitos anos esse valor deixou de ser 12% ao mês, porém em algumas cidades, ninguém atualizou esse percentual, que hoje é muito inferior nas contratações. Uma espécie de repasse automático do dinheiro arrecadado das tarifas para o setor empresarial.

d) Nessa relação contratual, muitas práticas permanecem por estarem atreladas à mentalidade dos anos de chumbo da ditadura e só se impõem pela força política exercida pelo setor sobre o Poder Público, além de tudo acontecer com a ignorância programada total dos usuários. Toda vez que alguma administração tenta modernizar, de fato, essa relação de contrato via licitação, as mídias patrocinadas pelos empresários sempre adotam a versão que interessa a eles e seus patrocinadores – e não à sociedade e usuários.

e) A Lei de Transparência não é aplicada nesse setor pelas prefeituras que nunca disponibilizam de maneira facilitada em seus portais o total de passageiros transportados, as pesquisas realizadas para determinação dos itinerários, o valor arrecadado, a quilometragem realizada, a frota de veículos, enfim, dados operacionais e financeiros sempre são uma caixa-preta e se disponibilizados são sempre de exercícios anteriores. O prefeito deveria impor como condição o acompanhamento em tempo real dos carregamentos financeiros (hoje, a maioria por cartões eletrônicos) e monitoramento das viagens e horários cumpridos. Cada cidadão tem o direito de acompanhar essas informações também.

f) É de competência do Poder Público estabelecer tarifas, mas nesse setor chega a ser uma excrecência que aumentos sejam negociados com o contratado. Cabe a cada prefeito decidir se irá ou não cobrar e como o fará, não compete a uma empresa dizer o que ela quer receber. Mas para isso, precisa haver lisura no processo de averiguação dos custos reais do sistema de transporte nas cidades.

3) O custo do deslocamento de uma linha de ônibus não tem relação alguma com o número de passageiros que ela transporta. Prova disso temos diariamente na solicitação do transporte por aplicativo que jamais pergunta quantos passageiros entrarão no carro, mas apresenta o valor em função da distância percorrida e horário. A planilha atual de cálculo tarifário adotada na quase totalidade das cidades estabelece que os passageiros são custos, quanto maior o número deles maior o custo. Por isso, tanto ódio contra as gratuidades.

Fato é que o deslocamento de um ponto A ao ponto B pode variar e ter a situação mais crítica relacionada ao congestionamento, topografia, questões operacionais do percurso (número de paradas, por exemplo), mas jamais terá relação com o número de passageiros que embarcam e desembarcam.

No período de pandemia o chororô foi geral, por parte dos empresários de ônibus que disseram que a receita, com a queda de passageiros, tinha diminuído e que o prejuízo iria levá-los à falência. Oras, passageiro não é custo? O lucro deveria aumentar, certo? Mas daí o passageiro foi revelado nacionalmente como receita no sistema de Transporte Público. Cobrar por passageiro transportado equivale a cobrar por comissão adicional, quanto mais lotado o ônibus maior será o lucro dos empresários.

Viagens realizadas devem ser contratadas e remuneradas pelas distâncias percorridas (como nos aplicativos) e obviamente nesse caso os custos operacionais indiretos com veículos, profissionais, infraestrutura e etc. calculados de maneira objetiva e justa. Há softwares capazes de predizer a manutenção dos pneus com rodízios programados, troca de óleo e muito mais de maneira eficiente. Tudo isso deve ser gerenciado e acompanhado online pelo contratante e não de forma passiva via relatórios gerenciais dos empresários dados do mês anterior.

Por isso, defendo a quebra da licitação gigante de todo o sistema em licitações menores direcionadas para cada operação.

4) Os ônibus são na maioria montados sobre chassi de caminhões: para entrar, os usuários precisam escalar o veículo! Há tecnologia de ônibus com piso baixo (sem aqueles degraus absurdos) com motor na traseira (a quase totalidade de motorista perde parte da audição em função da exposição continuada ao ruído dos motores) que diminui muito o incômodo aos usuários quanto à poluição sonora.

5) A disponibilização de canais de comunicação efetiva com o usuário não é uma realidade na maioria das cidades. Dessa forma, mesmo que desrespeitados, seguem sendo a parte frágil. Não são feitas pesquisas de avaliação da qualidade do sistema que incluiria inclusive a avaliação de percursos realizados, tratamento dos operadores, pontualidade, conforto, segurança, etc.

Enfim, o enfrentamento a esse monstro que é a permanência de modelos de licitações que garantam que os mesmos que operem, façam a gestão financeira e de fiscalização é tão absurda que quando isso vem à público a maioria nem acredita que seja realidade.

Além dessas questões estruturais, muitas outras podem ser questionadas e revistas no sentido de se aferir realmente o custo do sistema de transporte em uma cidade e não entregar a responsabilidade dessa gestão financeira, operacional e de fiscalização ao mesmo grupo vencedor da licitação gigantesca e milionária.

De onde virá o dinheiro para o custeio da Tarifa Zero?

De onde tirar o dinheiro para custear os gastos reais dos sistemas de transporte público nas cidades? Pois tarifa zero não significa que serão operados por empresas públicas ou que empresários trabalharão de graça, apenas que a estrutura social arcará com o sistema de transporte público, essencial para a economia (movimentação da classe trabalhadora para a produção, comércio e serviços). A infraestrutura da mobilidade urbana nas cidades (sinalização semafórica, viária, fiscalização, reposição de mobiliário público depois dos acidentes, informação, asfalto e etc.) já está incluída na gestão pública sem cobrança individual para todos que usufruem dela.

Em muitos países há a compreensão de que áreas com o sistema de transporte estruturado incrementam o valor imobiliário, de produção e de negócios do entorno (indústrias, comércios e serviços são beneficiados com o metrô, ônibus, trem próximos). Práticas comum de restituição ao Estado do investimento em infraestrutura de mobilidade que volta ao sistema de tarifas de transporte público:

a) No ato de compra e venda do imóvel, valorizado pela área, há um percentual destinado ao transporte.

b) No faturamento mensal ou anual de estabelecimentos comerciais, industriais ou de serviços, também um pequeno percentual é cobrado para o transporte (assim como foi incorporado a cobrança da taxa da remoção de lixo em muitas cidades).

Outro setor que deveria ser acionado é o das indústrias de automóveis, assim como as seguradoras de automóveis que deveriam repassar um pequeno percentual anual para um Fundo Nacional para Mobilidade Urbana a ser criado.

Na França, Alemanha, muitos outros países europeus e em vários estados dos EUA o subsídio da tarifa do transporte é feito pela sociedade há décadas, chegando à 50% do valor total da tarifa. Muitas cidades pelo mundo, nos últimos anos, adotam a Tarifa Zero para incentivar o uso do transporte coletivo como medida mitigadora da poluição ambiental produzida pelos emissão de gases dos automóveis, caminhões, etc.

Além destes, os valores das multas e outros tantos já utilizados poderiam ajudar a compor o financiamento do transporte público como direito social com Tarifa Zero que seria um eixo condutor entre o cidadão e os demais direitos sociais. O saneamento do sistema de contratação e remuneração como é feita hoje também contribuiria muito para o orçamento de custos do setor.

Vias de circulação públicas devem dar prioridade para circulação do maior número de pessoas.

A retirada do dinheiro que custeie o sistema de transporte público deve ser acompanhada da quebra de paradigmas sobre conceitos ultrapassados. Por exemplo, as vias de circulação são territórios públicos e devem ser priorizadas para que o maior número de pessoas a utilize, logo deixar serem usadas como depositórios de veículos é priorizar o seu uso para poucos.

Uma grande oportunidade seria retirar os estacionamentos de veículos de todas as vias que sejam usadas por itinerários de ônibus – e nas demais que sejam utilizados quando necessário para faixas operacionais em horário de pico, que facilite o escoamento de mais pessoas por ela. Nas que permanecerem os estacionamentos em vias públicas, que seja feito de forma que haja uma remuneração ao Poder Público para tal.

O mundo mudou e o conceito de vias ainda está paralisado no milênio passado que as destinava à parcela mais rica de pessoas. Observem que as calçadas em que se deslocam pedestres, cadeirantes, motoristas (quando saem de seus veículos) não são feitas pelo poder público, mas a via de circulação de veículos. Por que?

Os avanços na apropriação dos espaços públicos das cidades pela comunidade passa pela modernização da relação de contratação e remuneração do Transporte Público; é absurdo que pessoas não consigam usufruir de suas cidades pela limitação financeira imposta pelo valor cobrado no transporte. Tarifa Zero é democratizar as cidades!

A necessidade urgente é a regulamentação pelo Congresso Nacional do artigo 6º da Constituição por meio de uma lei que diga como o transporte será disponibilizado como direito social. Sem isso, continuará sendo só o serviço essencial sob a mesma perspectiva engessada de gestão.

Participei de um grupo desde 2016 (no Instituto Nacional pelo Direito ao Transporte Público com Qualidade) que elaborou uma proposta inicial do SUM – Sistema Único da Mobilidade (nos moldes conceituais dos demais sistemas únicos como o SUS – da saúde – e o SUAS, da assistência social) que estrutura um modelo de gestão financeira tripartite da Mobilidade Urbana, ampliando da atual responsabilidade municipal exclusiva do Transporte Público Urbano a incorporação do Estado e União. Esse modelo inicial foi debatido desde então e teve incrementos essenciais.

Atualmente está em fase de discussão na Câmara Federal por meio da PEC 25 – Projeto de Emenda Constitucional, da também Deputada Luíza Erundina do PSOL que propõe:

• Criação do SUM – Sistema Único de Mobilidade.

• Autorização do CONUSV – Contribuição pelo Uso do Sistema Viário (imposto anual sobre os veículos em função de seu tamanho e potência, que comporia um valor irrisório para cada proprietário, porém substancial para o Fundo de Mobilidade a ser criado).

• Determina a Tarifa Zero como viabilizadora do Direito Social do Transporte

Essa PEC-25 poderá refinar e aprofundar o debate sobre muitas questões sob várias perspectivas, inclusive o passo a passo para se chegar a uma Tarifa Zero universalizada pelo país. A implantação não será de imediato, mas pode ter início só nos finais de semana (como já acontece em alguns municípios) em algumas regiões da cidade (talvez as linhas da periferia) em percentuais da tarifa (que poderiam ir progredindo até o 100%).

Imprescindível que a discussão sobre os moldes das licitações, a forma de remuneração das empresas, a gestão financeira como preponderante para o Poder Público, gestão operacional descentralizada em vários setores do sistema de transporte público deva ser promovido urgentemente para o debate nacional ultrapasse achismos e repetições de mais do mesmo. Com o raciocínio lógico, a obediência ao cumprimento do estabelecido na Constituição e a diretriz de apropriação das cidades por todas as pessoas todos avançaremos para cidades mais justas e ambientalmente mais sustentáveis.

Fonte: Outras Palavras