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Países da UE aprovam acordo com o Mercosul

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Aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado na semana que vem
Foto: Nicolas Tucat/AFP

Aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado na semana que vem

Uma maioria qualificada de Estados europeus aprovou na sexta-feira o acordo de livre-comércio com o Mercosul, apesar da indignação dos agricultores e da oposição da França, segundo fontes diplomáticas. O aval abre caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje já na segunda-feira ao Paraguai para assinar o tratado comercial com o bloco sul-americano. O país está na presidência rotativa do Mercosul neste ano.

A votação oficial, porém, ainda não ocorreu. A leitura de que o acordo foi aprovado é baseada nas declarações de embaixadores dos 27 países-membros durante a reunião, que começou às 11h, horário de Bruxelas, e os votos serão declarados às 17h.

Segundo o jornal espanhol El País, França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda mantiveram-se contrárias ao acordo, enquanto a Bélgica decidiu se abster.

O que mudou foi a posição da Itália, que se deu por satisfeita com as concessões feitas aos agricultores nos últimos dias. Com isso, foi possível garantir a maioria qualificada de 55% dos países que representem ao menos 65% da população da União Europeia.

— É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático — disse Olof Gill, um dos porta-vozes da comissão, braço executivo do bloco europeu.

INFO 1 – UE MERCOSUL NOVO – Saiba mais sobre o acordo — Foto: Arte O GLOBO

O tratado é resultado de mais de 20 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).

Próximos passos

Mesmo que a assinatura avance em Assunção, o acordo não entrará imediatamente em vigor, já que do lado da UE é também necessário o aval do Parlamento Europeu, o que deve demorar semanas. Nessa etapa, é necessária apenas maioria simples dos eurodeputados.

No caso do Mercosul, cada nação precisa ratificar o acordo em seu próprio Congresso Nacional. No Brasil, isso significa a aprovação pelo Congresso Nacional, explica Roberto Jaguaribe, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e ex-embaixador do Brasil na Alemanha.

Segundo ele, como o acordo na UE foi desmembrado, ele não precisa passar individualmente pelos parlamentos de cada país europeu. A Comissão Europeia tem competência para negociar a parte comercial e tarifária em nome do bloco.

— Isso faz com que a expectativa de que ele entre em vigor seja mais realista. Se tivesse que passar por cada parlamento (europeu), sabemos que isso não aconteceria. Mas não é o caso — diz Jaguaribe, que projeta a assinatura como um primeiro passo simbólico significativo para os países envolvidos.

Oposição ao acordo

Cerca de 150 eurodeputados (de um total de 720) ameaçam recorrer à Justiça para impedir a aplicação do acordo.

Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após o presidente da França, Emmanuel Macron, e da premiê italiana, Giorgia Meloni, recusarem-se a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.

Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais, que temem competição com produtos do Mercosul.

Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até € 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.

Matéria em atualização

Fonte: O Globo

Prêmio P3C 2026 anuncia finalistas que se destacam na inovação e na gestão de projetos de infraestrutura no Brasil

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Prêmio P3C 2026 anuncia finalistas que se destacam na inovação e na gestão de projetos de infraestrutura no Brasil
Foto: Divulgação

A cerimônia acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro, no Centro de Convenções Frei Caneca, e reconhece iniciativas públicas e privadas nas áreas de infraestrutura econômica, social e ativos ambientais.

A 5ª edição do Prêmio P3C é uma das principais iniciativas de reconhecimento às boas práticas em infraestrutura econômica, social e ativos ambientais no Brasil. A premiação será realizada nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, e reunirá profissionais, empresas e órgãos públicos que se destacaram pela excelência na estruturação e gestão de projetos em setores regulados da infraestrutura, além de iniciativas de forte impacto social e ambiental. Além da cerimônia de premiação, o evento também será um espaço estratégico de debate, reunindo os principais atores do setor para discutir caminhos capazes de tornar o ambiente de negócios mais previsível, seguro e atrativo para investidores.

Leia mais: P3C Regional Nordeste reuniu lideranças e reforçou o potencial da região em PPPs e Concessões

Na categoria Melhor Estruturação de Projetos, os finalistas evidenciam a diversidade e a complexidade dos desafios enfrentados pelo país. Entre os projetos selecionados está a Concessão para Restauração da Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará, uma iniciativa do Governo do Estado estruturada pela The Nature Conservancy Brasil. Também concorre a PPP do Sistema Socioeducativo de Minas Gerais, de titularidade do Estado, por meio da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, estruturada em parceria pela Caixa, UNOPS, PPI e o próprio governo estadual. Completa a lista o Projeto de Concessão dos Serviços de Água e Esgoto do Estado de Pernambuco, estruturado pelo BNDES, que busca ampliar o acesso e a qualidade dos serviços de saneamento básico.

A categoria Melhor Gestão Pública tem como finalistas três iniciativas lideradas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. O reconhecimento abrange o projeto de consensualismo e reestruturação de ativos estressados no caso da Eco101, o Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura Regulada pela ANTT, instituído pela Resolução nº 6.057 de 2024, e a iniciativa de reequilíbrio econômico-financeiro cautelar e baseada em evidências, que reforça a segurança jurídica e a eficiência regulatória no setor de transportes terrestres. “Ser finalista do P3C não é apenas uma premiação. É o reconhecimento de que as decisões regulatórias da ANTT estão ajudando a resolver problemas reais, preservar serviços essenciais, dar previsibilidade aos contratos e proteger o cidadão que depende diariamente da infraestrutura de transporte”, destacou o Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio.

Leia mais: P3C divulga finalistas do Prêmio de 2024

Já em Melhor Gestão Privada, os projetos finalistas demonstram inovação, eficiência operacional e compromisso com a sustentabilidade. Entre eles está a Primeira Frota Municipal de Ônibus Elétrico do Nordeste, desenvolvida pela TVEX em parceria com a SMTT de Sergipe, que marca um avanço importante na mobilidade urbana sustentável da região. Também concorre o Programa LEGADO, da Concessionária Rota do Oeste, além das inovações e da alta performance na gestão contratual da concessão da Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário 1 Sudeste, conduzida pela SABESP.

Na categoria Melhor Estruturação de Projetos Municipais, os finalistas refletem o protagonismo dos municípios na adoção de soluções inteligentes e sustentáveis. O projeto Brilha Goiânia, uma PPP de cidade inteligente, tem como titular a Prefeitura de Goiânia e foi estruturado pelo Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades. Também se destaca a PPP do Complexo Administrativo de Maceió, iniciativa da prefeitura da capital alagoana, igualmente estruturada pelo IPGC. Fecha a lista o Programa ES Inteligente, que contempla os municípios de Venda Nova do Imigrante, Alegre e Aracruz, no Espírito Santo, com titularidade do BANDES e estruturação do IPGC.

Leia mais: P3C Nacional reúne principais atores de infraestrutura e autoridades em dois dias de debates

A gestão pública de projetos municipais também ganha evidência no Prêmio P3C 2026. São finalistas o 1º Lote de Parques Municipais de São Paulo, conduzido pela Coordenadoria de Monitoramento e Avaliação das Parcerias da Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias, com assessoria da São Paulo Parcerias S.A.; o projeto do Complexo Anhembi, sob responsabilidade da mesma coordenadoria; e a PPP de Iluminação Pública e Gestão Semafórica do Município de São Paulo, liderada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município, a SP Regula.

Encerrando a lista de finalistas, a categoria Melhor Gestão Privada de Projetos Municipais destaca iniciativas que evidenciam a capacidade do setor privado em operar serviços públicos com eficiência e foco no usuário. Estão entre os selecionados a Concessão dos Parques do Recife, Blocos 1 e 2, do programa Viva Parques; o projeto “Do Diálogo ao Resultado”, da Concessionária Nova Rota do Oeste, que mostra como a participação dos municípios transformou a experiência dos usuários na BR-163, no Mato Grosso; e a gestão privada dos Centros Educacionais Unificados de São Paulo, realizada pela Íntegra S/A em parceria com a prefeitura, por meio de contratos de PPP nos Lotes I e II.

Com uma lista de finalistas que reflete a pluralidade de territórios, setores e modelos de parceria, o Prêmio P3C 2026 consolida-se como um espaço fundamental para valorizar boas práticas e fortalecer a governança de projetos estruturantes para o desenvolvimento sustentável do país.

Para saber mais sobre, clique aqui.

Do marco legal dos transportes ao Clube de mobilidade

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Do marco legal dos transportes ao Clube de mobilidade
Foto: Enviado por Gustavo Balieiro

Como o gerenciamento da oferta através da indução do comportamento é uma disrupção do sistema

O setor de transporte público coletivo brasileiro permanece, há décadas, refém de um modelo de planejamento fundamentado na “gestão por médias”. Dimensionamos frotas para atender ao “passageiro médio” através das “velocidades comerciais médias” e estruturamos modelos tarifários a partir de “custos médios” generalizados. Esta abordagem estática, embora operacionalmente conveniente, revela-se crescentemente inadequada diante da complexidade e heterogeneidade dos padrões de mobilidade urbana contemporâneos.

A aprovação do Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo (PL 3278/2021) pela Comissão de Infraestrutura do Senado Federal transcende o mero avanço legislativo. Trata-se de um divisor de águas que explicita a urgência de uma transição conceitual fundamental: da gestão da oferta (veículos e infraestrutura) para a gestão de comportamentos e da demanda. Este movimento reflete tendências globais observadas em sistemas de transporte avançados, onde a eficiência operacional é crescentemente obtida através da modulação inteligente da demanda, e não apenas pela expansão da oferta.

Neste novo cenário, o conceito de Clube de Mobilidade deixa de ser uma “firula” de marketing para se tornar uma ferramenta de engenharia econômica e operacional. Uma das formas que acreditamos ser possível mudar a percepção do transporte coletivo, seria aplicar, mais uma vez, “física quântica” no transporte, entender que cada partícula, ou seja, cada passageiro, tem um comportamento único que pode ser alterado pela simples presença de um incentivo certo no momento certo.

Superação da Opacidade Informacional e a Gestão Baseada em Dados

Historicamente, os sistemas de transporte coletivo brasileiros operam em regime de elevada opacidade informacional. Sabemos que o ônibus estava cheio, mas não quem estava dentro dele. Sabemos que os veículos atrasam e o usuário deixa o sistema, mas não sabemos exatamente o porquê.

O Novo Marco Legal exige, no seu inciso XII, a “gestão pública dos dados”. Não adianta olhar para a planilha consolidada no fim do mês. Precisamos saber que a Dona Maria embarcou às 07:17 no ponto X com 4 minutos de atraso. Se fizermos pequenos ajustes a viagem que deveria ser às 17:45, mas passará atrasada às 7:47 será ofertada exatamente esse horário e com os incentivos certos a mesma Dona Maria embarcará com previsibilidade. Não apenas mudará seu comportamento com benefícios como trará ganho operacional ao sistema.

É aqui que entra a tecnologia. Ao processarmos bilhões de registros de bilhetagem e GPS, conseguimos entender o comportamento de linhas e horários. O Clube de Mobilidade é a interface que transforma todo volume de dados em ações.

A Engenharia da Indução: O Clube como Ferramenta

O Clube de Mobilidade caracteriza-se como plataforma digital de relacionamento que conecta usuários e operadores através de mecanismos de incentivo e comunicação bidirecional. Estruturalmente, funciona como programa de benefícios integrado ao cotidiano operacional do sistema de transporte.

Cada viagem realizada, interação registrada e feedback fornecido podem gerar pontos, recompensas e reconhecimento, estabelecendo vínculos relacionais que transcendem a transação econômica básica. O usuário deixa de ser elemento passivo no sistema para tornar-se participante ativo, cujas escolhas são valorizadas e cujas opiniões influenciam melhorias operacionais.

A arquitetura do Clube de Mobilidade integra duas dimensões essenciais: comunicação efetiva e estrutura de incentivos. Esta combinação cria senso de pertencimento e engajamento, elementos críticos para a construção de lealdade em contextos de alta competição modal.

Os dados já capturados rotineiramente pelos sistemas de transporte constituem matéria-prima para personalização de estratégias de engajamento. Informações sobre rotas utilizadas, horários preferenciais e frequência de deslocamentos permitem segmentação precisa e ações direcionadas.

A partir daí, é possível personalizar mensagens, campanhas de engajamento. Tudo para fortalecer o vínculo com o usuário e elevar sua experiência. Passageiros que usam o transporte em horários de menor movimento podem receber pontos extras, aqueles que participam de desafios ou fornecem feedbacks sobre o serviço podem ser recompensados com vantagens no próprio sistema. Tudo isso é feito respeitando a privacidade e o anonimato dos dados, seguindo as boas práticas que garantem transparência e segurança. 

A modulação da demanda por Incentivos

Consideremos campanha específica: “Viaje fora do horário de pico e receba pontuação em dobro”. Esta intervenção aparentemente simples possui profundas implicações operacionais e econômicas.

Estudos de elasticidade temporal demonstram que parcela significativa da demanda apresenta flexibilidade horária. Se conseguirmos induzir migração de apenas 5% dos usuários do horário de pico para períodos adjacentes, os impactos são substanciais: redução da necessidade de frota suplementar, diminuição de custos de capital (CAPEX) e operacionais (OPEX), melhoria nos níveis de conforto e regularidade.

O custo dos incentivos oferecidos representa fração mínima comparada às economias operacionais geradas. Adicionalmente, há ganhos intangíveis em qualidade de serviço, satisfação do usuário e mudança da percepção quanto as externalidades negativas (atrasos, poucos horários, etc).

O Operador do Futuro

O operador de transporte que sobreviverá à próxima década não será aquele que melhor negociar os insumos ou a compra de veículos, mas aquele que melhor entender o passageiro. O Novo Marco Legal apresenta segurança jurídica, a tecnologia de dados precisão científica, e plataformas como o Clube de Mobilidade são mecanismos para ação.

Mesmo em cenários de eventual implementação de tarifa zero em escala nacional, a excelência operacional e o relacionamento com usuários permanecem imperativos. O discurso não pode deteriorar-se para “transporte público coletivo é tão ruim que nem de graça presta”. Estamos diante da oportunidade de sair da defensiva — apenas almejando equilíbrio dos contrato — para a ofensiva, mudando a percepção do usuário. Fidelizar o passageiro não é apenas garantir que ele volte amanhã, é garantir que o sistema exista no ano que vem.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Desafios em 2026: Tirar do papel grandes obras de mobilidade urbana

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Desafios em 2026: Tirar do papel grandes obras de mobilidade urbana
Foto: Divulgação/ Governo Federal

Com uma frota de veículos crescente e um sistema viário ultrapassado, as grandes obras de mobilidade urbana são uma necessidade em Rondonópolis.

Por muitos anos elas foram cobradas, mas somente com a posse do prefeito Cláudio Ferreira, em janeiro de 2025, muitas dessas obras começaram a ser projetadas e encaminhadas.

Nesse sentido, a nova gestão tem o desafio de começar a tirar do papel muitos desses projetos, a exemplo dos viadutos no trânsito urbano.

Entre os projetos já elaborados pela administração municipal e que se esperam o início das obras para 2026 estão os viadutos na confluência da Avenida dos Estudantes com o Anel Viário e a Avenida Júlio Campos e ainda na confluência da Rua Fernando Correa da Costa com a Avenida Lions Internacional e acesso à Avenida Otaviano Muniz. Ainda não se sabe se esses viadutos serão erguidos pela Prefeitura somente com recursos próprios ou através de parcerias.

Esses dois locais são pontos críticos na mobilidade local. No caso da rotatória da Avenida dos Estudantes com o Anel Viário, se trata de passagem obrigatória para uma das regiões que mais cresceram nos últimos anos no município, onde o trânsito precisa ser melhor organizado.

Igualmente, o ponto da Rua Fernando Correa no acesso à ponte sobre o Rio Vermelho precisa de uma intervenção para garantir maior fluidez e segurança no trânsito.

Outra necessidade antiga é a construção do viaduto do Trevão, na confluência das BRs 364/163, em Rondonópolis, nesse caso sob responsabilidade da concessionária Nova Rota do Oeste, administrada pelo Governo do Estado, através da MT Par.

Em outubro do ano passado, o governador Mauro Mendes assinou a autorização para contratação das obras de um grande viaduto nesse local, havendo a esperança que esse antigo sonho possa ter as obras iniciadas em 2026.

Nos últimos anos, o Governo do Estado também vem prometendo as obras de duplicação do anel viário de Rondonópolis, em toda sua extensão. A obra envolveria a duplicação e a implantação de iluminação pública da via.

A concretização do projeto é esperada para fazer frente ao aumento do fluxo de veículos na via, ao crescimento da cidade com a construção de novos bairros nas proximidades, bem como aos constantes acidentes, muitos deles com vítimas fatais.

Agora voltando ao governo municipal, outra expectativa em termos de mobilidade reside no início das obras da implementação da maior ciclovia do município, interligando o setor industrial ao maior núcleo populacional do perímetro urbano.

A ciclovia vai começar na Avenida Otaviano Muniz, próxima à BR-364, seguirá pela Lions Internacional, Avenida Rotary Internacional (Brasil), Rua Filinto Muller e chegando à Avenida Irmã Bernarda, no Conjunto São José.

Novas interligações viárias através da construção de pontes no Ribeirão Arareau também ajudariam a melhorar a trafegabilidade urbana.

A Prefeitura já anunciou a licitação para construção de uma ponte na Avenida Lídio Magalhães, ligando o bairro Jardim Primavera à Vila São Sebastião e à Avenida Rotary Internacional, mas para 2026 a população espera o anúncio da construção da ponte na Rua Arnaldo Estevão de Figueiredo, sobre o Ribeirão Arareau, como opção de tráfego na região central.

Será um grande avanço se o poder público conseguir neste ano vencer as fases de licitação e viabilização de recursos, podendo ao menos dar o pontapé inicial nesses projetos de mobilidade.

Fonte: A Tribuna | Mato Grosso

Apagão: 25 itens para ajudar no caso de falta de energia

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Apagão: 25 itens para ajudar no caso de falta de energia
Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Lista inclui itens de iluminação, pilhas, baterias portáteis e até mesmo jarras com purificador de água para driblar a falta de eletricidade dentro de casa ou do escritório.

Eventos inesperados, como a ventania que atingiu a cidade de São Paulo no início de dezembro, têm impacto direto na nossa vida: falta de energia por bastante tempo.

Como consequência, os celulares e notebooks ficam sem bateria, a comida nas geladeiras e freezers pode estragar ou descongelar e, bem, fica tudo escuro em casa.

Para tentar ajudar a deixar a vida um pouco mais confortável durante essas quedas de energia, o Guia de Compras separou 25 produtos nas seguintes categorias:

  • Caixas térmicas
  • Purificadores de água
  • Fogareiros
  • Estações portáteis de energia e powerbanks
  • Pilhas
  • IIuminação

Veja a lista a seguir.

Caixas térmicas

As caixas térmicas são o primeiro passo para armazenar comida fora da geladeira. Nas lojas on-line consultadas em dezembro, as caixas térmicas custavam entre R$ 150 e R$ 470.

Purificadores de água

Quando o purificador de água elétrico deixa de funcionar por conta da falta de energia, não é somente a água gelada que não sai mais – é qualquer água. O mesmo ocorre com quem tem aquelas geladeiras com água na porta.

Jarras com filtro purificador funcionam com água da torneira (ou de um balde da torneira da rua, já que a bomba que leva água para caixa também parou de funcionar).

Nas principais lojas da internet, os produtos custavam entre R$ 160 e R$ 200 em dezembro.

Fogareiros portáteis

Fogareiros com um queimador apenas são uma alternativa para quem precisa cozinhar, mas não tem como ligar um cooktop elétrico.

Estações portáteis de energia e powerbanks
As estações de energia portáteis são equipamentos pensados para alimentar seus eletrônicos em lugares onde não há tomadas disponíveis.

🔋 São munidas de baterias recarregáveis e possuem várias entradas para plugar eletrônicos e eletrodomésticos, lembrando os powerbanks, que são carregadores portáteis para celulares.

Ainda são itens caros, custando entre R$ 2.600 e R$ 4.500

Os powerbanks são baterias portáteis e a salvação do celular com bateria fraca (veja como escolher). A lista inclui ainda um carregador solar, caso seja necessário recarregar o powerbank sem energia, e um adaptador solar para a estação de energia.

Os preços dos acessórios solares iam de R$ 125 a R$ 1.700 nas lojas da internet pesquisadas em dezembro. Já os powerbanks ficavam na faixa dos R$ 220 a R$ 450.

Pilhas

Pilhas fazem parte do cotidiano, e tê-las por perto para usar em eletrônicos compatíveis em caso de queda de energia é necessário. Só não pode esquecer de manter os modelos recarregáveis sempre cheios.

Os preços dos produtos iam de R$ 21 a R$ 180 nas lojas on-line consultadas no meio de dezembro.

Iluminação

Lanternas de pilha, durante uma falta de energia, representam um modo rápido de manter a iluminação ligada – e sem precisar recarregar, basta trocar as pilhas no formato indicado pelo fabricante (e ter pilhas sempre de reserva guardadas).

Já as lanternas e luminárias recarregáveis não requerem pilhas – mas podem precisar de energia após esgotar suas baterias.

A dica é sempre deixar esses produtos recarregados, com checagens mensais se está tudo em dia.

Já as luzes de emergência funcionam ligadas à energia elétrica. A partir do momento que o fornecimento da rua é desativado, elas alternam de forma automática para a bateria interna e acendem as luzes.

Os preços dos produtos iam de R$ 75 a R$ 240 nas lojas da internet pesquisadas em dezembro.

Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

Fonte: G1

Saúde vai monitorar cenário sanitário na fronteira com a Venezuela

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Ministério da Saúde lança Chamadas Públicas para fortalecer pesquisa inovadoras e estratégicas para o SUS
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Equipes enviadas a Roraima têm experiência em situações de tragédia

O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. O objetivo é avaliar estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos.

Em nota, o ministério informou que estrutura um plano de contingência para resposta do SUS a um “possível agravamento da crise internacional e avanço da demanda de migrantes na região fronteiriça” após ataque conduzido pelo governo norte-americano.

“Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região”, destacou o ministério no comunicado.

Ainda segundo a nota, as equipes enviadas a Roraima possuem vasta experiência em situações de tragédia e estão identificando estruturas hospitalares e avaliando a possibilidade de ampliação.

Caso haja necessidade, o governo informou que vai montar hospitais de campanha e expandir estruturas existentes com o objetivo de reduzir os impactos no sistema público de saúde brasileiro.

Na nota, o Ministério da Saúde se coloca à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ajuda humanitária, citando apoio por meio do fornecimento de medicamentos e insumos para diálise, visto que o principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, ficou destruído após um ataque.

“O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou nacionalidade”, concluiu o comunicado.

Entenda

No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite dos EUA e levados para Nova York.

O ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.

O governo do presidente Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que culminassem na prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

Fonte: Agência Brasil

2025: mais um ano em que o clima mostrou sua força no Brasil

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2025: mais um ano em que o clima mostrou sua força no Brasil
Foto: Projeto da Natureza Urbana para o Parque Estadual da Cantareira - Divulgação/Natureza Urbana

Frio fora de época, ventos extremos, ciclones, tornados e calor recorde marcaram a retrospectiva climática de 2025 e reforçaram o clima como fator estratégico para o país 

Pelos meteorologistas da Climatempo – revisão de Vitor Takao e Caroline Salgado Frutuoso

O ano de 2025 ficará marcado na história climática do Brasil como um período de fortes contrastes e eventos extremos persistentes. Foi o ano em que o frio chegou mais cedo, permaneceu por mais tempo do que o habitual e dividiu espaço com ventos intensos, chuvas extremas, tornados, granizo e, ao final, calor recorde em grandes cidades. Um retrato claro de como a variabilidade climática no Brasil vem se intensificando e de como o clima passou a ocupar papel central nas decisões da sociedade.

Desde o fim de maio, o país passou a sentir os efeitos das primeiras massas de ar polar realmente intensas de 2025, antecipando um padrão que se repetiria ao longo do ano. O frio se destacou especialmente no Sul e no Sudeste, com agosto apresentando temperaturas médias abaixo da média histórica em grande parte do Brasil. No Rio Grande do Sul, as temperaturas permaneceram dentro ou abaixo da climatologia por vários meses consecutivos, reforçando a persistência do frio.

Um dos episódios mais simbólicos do ano ocorreu em 20 de outubro, quando a cidade de São Paulo registrou 11,2°C, a menor temperatura para o mês em 11 anos. O evento ganhou destaque por acontecer em plena primavera, fora do período típico de frio mais intenso, e ajudou a consolidar a percepção de um ano atipicamente frio em diversas regiões do país.

Ao mesmo tempo, 2025 foi marcado por eventos extremos associados ao vento, que ganharam protagonismo ao longo do ano. Episódios de ventania intensa foram registrados em diferentes meses, com destaque para julho e setembro, quando rajadas próximas ou superiores a 100 km/h atingiram áreas do litoral paulista e a capital, causando transtornos urbanos, quedas de árvores e impactos na infraestrutura.

O auge desse padrão ocorreu em dezembro, com a formação de um forte ciclone extratropical no Sul do Brasil. O sistema provocou ventania, tornados e impactos significativos em áreas do Sul e do Sudeste. Em São Paulo, houve registros de queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia e transtornos urbanos relevantes. No dia 10 de dezembro, o aeroporto de Congonhas registrou rajada de 96,3 km/h, a mais intensa em ambiente seco desde o início das medições, em 1963.

As chuvas extremas também tiveram papel central na retrospectiva climática de 2025. Em junho, o Rio Grande do Sul enfrentou um dos episódios mais expressivos do ano, com acumulados superiores a 300 mm e até 400 mm em poucos dias em alguns municípios, além de volumes excepcionais em apenas 24 horas. O evento resultou em alagamentos, inundações e impactos diretos sobre a infraestrutura e a população, com reflexos econômicos e sociais.

Na primavera, os temporais severos se intensificaram, com destaque para o tornado F4 registrado em novembro em Rio Bonito do Iguaçu (PR), associado à atuação de supercélulas durante a formação de um ciclone extratropical. A caracterização dos tornados ocorridos no Sul do país foi realizada por especialistas da Climatempo que atuam em apoio técnico à Defesa Civil do Rio Grande do Sul, a partir da análise de dados meteorológicos, imagens, registros de campo e padrões de danos observados. Episódios de granizo com impactos relevantes também foram registrados em municípios do Sul e do Sudeste, reforçando o caráter severo da estação.

Outras regiões do país também viveram padrões climáticos fora do habitual. O litoral da Bahia, incluindo Salvador, registrou chuvas volumosas em outubro e novembro, meses que tradicionalmente não concentram os maiores acumulados. Na Amazônia, o chamado “verão amazônico” praticamente não se configurou, com manutenção de chuvas frequentes mesmo no período climatologicamente mais seco.

E, como se não bastasse um ano dominado pelo frio e pelos ventos, dezembro trouxe um contraste climático marcante. No dia 28, a cidade de São Paulo atingiu 37,2°C, estabelecendo o recorde histórico de temperatura para o mês de dezembro, um exemplo claro de como extremos opostos podem coexistir em um mesmo ano.

A retrospectiva climática de 2025 reforça uma mensagem central: o clima não é apenas um tema de observação, é uma variável crítica de planejamento e gestão de risco. Os impactos sobre cidades, infraestrutura, energia, logística, agronegócio e saúde pública tornam cada vez mais evidente a necessidade de decisões baseadas em informação meteorológica e climática qualificada.

Na Climatempo, acompanhar, interpretar e traduzir esses dados é mais do que um trabalho técnico, é um compromisso com a sociedade. O ano de 2025 mostrou, mais uma vez, que compreender o clima é essencial para reduzir riscos, aumentar a resiliência e preparar a sociedade, defesas civis e empresas para os impactos meteorológicos.

Alguns dos maiores destaques climáticos de 2025 no Brasil

  • Fim de maio: início das primeiras massas de ar polar intensas de 2025, marcando a chegada antecipada do frio no Brasil.
  • Junho: chuvas extremas no Rio Grande do Sul chamaram atenção nacional, com acumulados acima de 300 mm e até 400 mm em poucos dias, provocando alagamentos e inundações severas.
  • Agosto: mês marcado por temperaturas abaixo da média em grande parte do Brasil, consolidando 2025 como um dos anos mais frios da última década em várias regiões.
  • 20 de outubro: frio histórico em plena primavera — São Paulo registra 11,2°C, o dia mais frio de outubro em 11 anos, fora do padrão climático esperado.
  • Julho e setembro: ventos extremos voltam a atingir o Sudeste, com rajadas próximas ou superiores a 100 km/h, causando transtornos urbanos e quedas de energia.
  • Novembro: tornado F4 no Sul do Brasil — evento de alto impacto, caracterizado por especialistas da Climatempo em apoio à Defesa Civil do Rio Grande do Sul.
  • Dezembro: formação de um ciclone extratropical raro para a época do ano, com ventania ciclônica, tornados e danos significativos no Sul e no Sudeste.
  • 10 de dezembro: rajada histórica de vento em São Paulo — Congonhas registra 96,3 km/h, a mais intensa em ambiente seco desde 1963.
  • 28 de dezembro: calor extremo no fim do ano — São Paulo atinge 37,2°C, estabelecendo o recorde histórico de temperatura para o mês de dezembro.

Fonte: Climatempo

Ministério da Saúde e AgSUS lançam edital para formação de agentes populares de saúde

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Ministério da Saúde e AgSUS lançam edital para formação de agentes populares de saúde
Foto: Nádia Conceição/MS

Chamada pública vai selecionar movimentos sociais populares para formação de 450 turmas em 17 unidades da federação

Ministério da Saúde, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), publicou novo edital do Programa de Formação de Agentes Educadoras e Educadores Populares de Saúde (AgPopSUS). A chamada pública será realizada até 18 de janeiro e tem como objetivo selecionar movimentos sociais populares para formação de 450 turmas em 17 unidades da federação.

O edital prevê o pagamento de bolsas para educadores, no valor de R$ 2.500,00 por mês, além de bolsa incentivo ao estudante de R$ 560,00 para garantir o deslocamento e outras despesas que permitam a permanência e desenvolvimento do curso. Cada turma será composta por 1 educador e 20 educandos. A seleção pode beneficiar até 9 mil estudantes.

De acordo com o secretário de Gestão do Trabalho e da educação na Saúde, Felipe Proenço, o edital reforça a participação popular no âmbito do SUS. “O programa fortalece ainda mais a saúde e a participação popular como direitos presentes na construção diária do SUS, a partir da mobilização dos voluntários que organizam a comunidade onde vivem para garantir direitos sociais. Também reconhece o notório saber de mestres da cultura popular, incentivando e valorizando as práticas tradicionais e populares de cuidado”, disse.

“Com essa formação, qualificamos pessoas para atuar junto às suas comunidades, promovendo saúde, direitos e a defesa do SUS. É uma oportunidade de construir uma rede nacional de agentes comprometidos com o cuidado, a educação popular e a equidade no Sistema Único de Saúde”, destacou Luciana Maciel, diretora de Atenção Integral à Saúde da AgSUS. A entidade realizará, dia 9 de janeiro, uma sessão pública virtual no seu canal institucional do Youtube para sanar dúvidas dos movimentos interessados.

Formação

O curso de formação levará em conta a distribuição das turmas entre os estados, priorizando a equidade (onde a pobreza é concentrada), o impacto em escala (maior volume populacional vulnerável) e o porte populacional em 17 unidades da Federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Distrito Federal.

AgPopSUS

O Programa de Formação de Agentes Educadoras e Educadores Populares de Saúde foi instituído pela Portaria GM/MS nº 1.133, de 16 de agosto de 2023, a fim de contribuir com a atuação dos movimentos sociais populares na defesa do SUS e do direito à saúde, na perspectiva de fortalecer o protagonismo popular, a articulação de saberes e as práticas de educação popular em saúde nos territórios do SUS.

Desde então, o AgPopSUS tem construído uma rede nacional de agentes educadoras e educadores populares comprometidos com o acesso aos serviços de saúde em seus territórios com o objetivo de fortalecer a participação popular e a defesa do SUS em áreas de vulnerabilidade social.

A iniciativa integra saberes tradicionais e populares e nasceu da experiência de atuação de movimentos sociais durante a pandemia de Covid-19, quando lideranças comunitárias atuaram como Agentes Populares de Saúde para proteger seus territórios.

Nádia Conceição
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

O poder de compra verde na China

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O PODER DE COMPRA VERDE DA CHINA
Foto: Banco de imagem

Como o poder de compra do Estado está redefinindo a inovação e a transição verde

Historicamente, governos que desejavam estimular a inovação em seus países focavam em políticas pelo “lado da oferta”: davam subsídios para pesquisa e desenvolvimento (P&D), criavam incentivos fiscais e financiavam universidades, esperando que boas ideias surgissem e se transformassem em produtos. Nas últimas décadas, contudo, uma abordagem mais direta e talvez mais poderosa ganhou força: a política pelo “lado da demanda”.

O princípio é simples. O Estado é o maior comprador de qualquer economia. Se ele usar esse imenso poder de compra de forma estratégica, deixa de ser um consumidor passivo para se tornar um catalisador ativo da inovação.

Isso é a essência das Compras Públicas para Inovação (do inglês, Public Procurement for Innovation – PPI). Em vez de simplesmente comprar o produto mais barato que já existe, o governo sinaliza ao mercado que comprará soluções novas para seus grandes desafios, como saúde, defesa ou, crucialmente, a transição energética.

Embora o conceito seja discutido em todo o mundo, da Europa aos Estados Unidos, nenhum país parece ter entendido o potencial desta ferramenta como política industrial de forma tão agressiva quanto a China.

Uma análise recente da literatura acadêmica sobre o tema revela um fato contundente: a China tornou-se o principal “laboratório vivo” para o estudo das Compras Públicas Verdes (GPP, na sigla do inglês Green Public Procurement), uma subcategoria da PPI focada em sustentabilidade. O país tem usado seu poder de compra de forma intensiva como um pilar duplo de sua política industrial e ambiental.

Como isso funciona na prática?

Primeiro, o governo atua como um “criador de mercado”. Ao garantir uma demanda estável e de grande escala para produtos verdes — sejam painéis solares, ônibus elétricos ou tecnologias de tratamento de água —, ele reduz drasticamente o risco de mercado para as empresas. Inovações verdes são caras e o retorno é incerto. O contrato público funciona como um “porto seguro” que incentiva as empresas a realizar os investimentos de alto custo necessários para inovar.

Segundo, a compra pública atua como um poderoso mecanismo de sinalização e certificação. Conseguir um contrato de compra verde com o governo chinês não é apenas uma venda; é um selo de legitimidade e reputação. Isso abre portas para que a empresa consiga acesso a outras fontes de financiamento (como bancos e investidores privados) e expanda para novos mercados.

Nossa pesquisa também aponta que o impacto da GPP não ocorre no vácuo. O efeito é potencializado quando o governo combina essa demanda com políticas tradicionais de oferta (como subsídios para P&D verde) e, fundamentalmente, com um ambiente de regulação ambiental robusto, que “pune” quem polui e “premia” quem inova.

Os efeitos, aliás, transbordam das empresas diretamente contratadas. A exigência de critérios verdes se espalha por toda a cadeia de suprimentos, incentivando um desenvolvimento sustentável mais amplo na indústria.

Para além da retórica, a China está demonstrando que a forma como o governo gasta seu dinheiro pode ser uma das ferramentas mais eficazes para impulsionar uma transição econômica. Enquanto o Ocidente debate a teoria, a China a utiliza como uma arma estratégica para moldar seu futuro industrial e ambiental.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC. 

Comissão de Meio Ambiente promoverá debate sobre adaptação climática das cidades

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Comissão de Meio Ambiente promoverá debate sobre adaptação climática das cidades
Foto: TV TEM/Reprodução

A Comissão de Meio Ambiente aprovou um pedido de sua vice-presidente, senadora Leila Barros (PDT-DF) para debater o papel do Sistema Nacional de Fomento no financiamento de cidades resilientes (Req. 27/2025).

Sobre o tema, o Senado aprovou o projeto da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) que estabelece como diretriz da política urbana o fomento à construção de cidades adaptadas às mudanças climáticas (PL 380/2023). Ainda não há data definida para a audiência.

Debate presente há pelo menos uma década nos fóruns nacionais e internacionais sobre mudanças climáticas, a construção das chamadas “cidades resilientes”, ou seja, capazes de não sucumbir a enchentes, secas, calor, frio e ventanias extremas é hoje uma urgência que desafia governos e repercute no Senado.

A Comissão de Meio Ambiente aprovou um pedido de sua vice-presidente, a senadora Leila Barros, do PDT do Distrito Federal, para a promoção de uma audiência pública sobre o papel do Sistema Nacional de Fomento no financiamento e desenvolvimento de cidades resilientes no Brasil. O SNF reúne cerca de 30 bancos e entidades públicas e privadas que viabilizam projetos de desenvolvimento, entre eles, o BNDES, a Finep e o Sebrae. Para Leila Barros, o financiamento das cidades adaptadas ao clima extremo precisa virar realidade:

(senador Leila Barros) “Chuvas torrenciais, alagamentos, rajadas de ventos altíssimas. E a gente tem visto no país inteiro, o país, realmente, sofrendo, já, com essa questão das mudanças climáticas. Então, esse requerimento é, justamente, para debater uma temática que é importante que são as cidades resilientes, o desenvolvimento e o financiamento das cidades resilientes aqui no Brasil.”

Para o debate, ainda sem data definida, serão convidados representantes do Ministério das Cidades, da Associação Brasileira de Desenvolvimento; da Caixa Econômica Federal e do BNDES; além da prefeita do município gaúcho de Estrela, Carine Schwingel, que trabalha na reconstrução da cidade após as enchentes de 2024 e apresentou projetos de resiliência urbana durante a COP 30. No Congresso, está em debate um projeto da deputada federal Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, que estabelece como diretriz da política urbana o fomento à construção de cidades resilientes às mudanças climáticas. Aprovado no Senado com modificações feitas pelo relator, senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo, o texto voltou à Câmara para análise final. Os senadores acrescentaram à proposta original a obrigatoriedade dos recortes de gênero, raça e renda nos estudos de vulnerabilidade climática necessários para a implementação de medidas de adaptação climática nas cidades. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

Fonte: Rádio Senado