Entrega faz parte do Novo Plano de Aceleração do Crescimento para renovação da frota de veículos
Cidades e regiões metropolitanas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Paraná receberão 569 novos ônibus para a frota. As entregas são prometidas pelo Ministério das Cidades e fazem parte do Programa Novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) – Mobilidade Urbana, Subeixo Renovação de Frota, do setor privado.
De acordo com o ministério, os recursos são provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Ao todo, 23 cidades terão veículos menos poluentes em circulação. Todos eles serão tecnologia Euro 6, norma que estabelece limites mais rigorosos para emissões de motores a diesel.
Apenas no Rio de Janeiro, 340 ônibus serão entregues em sete cidades: Cachoeiras de Macau, Itaboraí, Maricá, Niterói, Rio Bonito, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Saquarema, Silva Jardim e Tanguá. A distribuição dos novos veículos não foi detalhada pela pasta, assim como as datas de entrega dos veículos.
Estados que receberão novos ônibus
Rio de Janeiro: 7 cidades, 340 ônibus
Minas Gerais: 7 cidades, 140 ônibus
Rio Grande do Sul: 2 cidades, 43 ônibus
Pernambuco: 3 cidades, 40 ônibus
Paraná: 2 cidades, 6 ônibus
Investimentos em novos veículos
De acordo com o Ministério das Cidades, desde 2023 cerca de R$13 bilhões foram direcionados para a renovação de frota dos setores públicos e privados pelo governo federal. Assim, a proposta distribuiu R$ 10,6 bilhões para o setor público e R$ 2,4 bilhões para o setor privado.
Uma das obrigações na seleção do PAC e para a aquisição dos novos veículos, contudo, é que eles sejam menos poluentes. Para o setor público, o valor é destinado para a compra de ônibus elétricos, ônibus com tecnologia Euro 6 e veículos sobre trilhos.
Já para o setor privado, entretanto, as propostas selecionadas pelo Novo PAC priorizam veículos com motor Euro 6 e ônibus elétricos. Ao todo, serão 2.839 ônibus Euro 6 e 61 ônibus elétricos.
Havia a previsão de novo pagamento em setembro, mas Fisco conseguiu acelerar processamento das declarações. Não recebeu seu imposto pago a mais? Saiba o que fazer
A Receita Federal informou nesta terça-feira que já concluiu o depósito de todas as restituições de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2025, referente ao ano-base de 2024, cujas declarações foram entregues pelos contribuintes dentro do prazo, sem inconsistências.
Com isso, a liberação de um quinto lote de devoluções, que estava prevista para setembro, foi antecipada. Portanto, todos os contribuintes que tinham direito à restituição conseguiram a liberação dos valores até agosto.
Segundo o Fisco, ao todo 22,6 milhões de pessoas receberam IR de volta. Juntas, as restituições somaram R$ 36,69 bilhões.
Quem não recebeu
Os contribuintes que não tiveram sua restituição liberada devem acessar a página da Receita Federal na internet (www.gov.br/receitafederal) e clicar em “Meu Imposto de Renda” para uma consulta completa da situação da declaração, por meio do “Extrato do Processamento”.
Se identificar alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações que estejam inconsistentes.
Entenda o impacto do uso desses equipamentos no combate à criminalidade e na gestão de municípios mais seguros e conectados.
As cidades estão cada vez mais conectadas e, com isso, surgem soluções tecnológicas capazes de enfrentar problemas antigos, como a violência urbana e a criminalidade. As câmeras inteligentes são um desses recursos. Elas vão além da simples gravação de imagens e utilizam inteligência artificial para tornar o monitoramento urbano mais eficaz, auxiliando diretamente na segurança pública.
Com o avanço das cidades inteligentes, o uso dessas tecnologias tem se tornado uma tendência essencial para garantir mais proteção à população e mais eficiência na gestão pública.
O que são câmeras inteligentes e como funcionam
As câmeras de monitoramento inteligente são dispositivos equipados com tecnologia de reconhecimento facial, leitura de placas veiculares e sistemas que analisam comportamentos em tempo real. Elas conseguem identificar movimentações suspeitas, aglomerações, ações de vandalismo e outras situações críticas, tudo de forma automatizada.
Entre os principais recursos das câmeras inteligentes, estão:
Reconhecimento facial e identificação de pessoas procuradas;
Leitura automática de placas de veículos (LPR);
Alertas automáticos para centrais de segurança;
Análise de comportamento e padrões anormais;
Integração com sistemas de segurança pública e bases de dados.
Essas funcionalidades reduzem o tempo de resposta das autoridades, aumentam a prevenção de crimes e contribuem para uma segurança urbana mais estratégica.
Benefícios das câmeras inteligentes para a segurança urbana
O uso de tecnologia na segurança pública tem trazido resultados positivos em várias cidades brasileiras. Locais que adotaram sistemas de monitoramento inteligente relatam:
Redução nos índices de criminalidade;
Aumento na resolução de casos policiais;
Recuperação de veículos roubados;
Melhor gestão de tráfego e mobilidade urbana;
Mais sensação de segurança para os cidadãos.
Além da segurança, essas câmeras também podem ser utilizadas para monitorar eventos, controlar o fluxo de pessoas e apoiar fiscalizações em áreas de risco ou de grande circulação.
Desafios para a adoção das câmeras inteligentes nas cidades
Apesar das vantagens, ainda existem barreiras que dificultam a expansão do uso de câmeras inteligentes no Brasil:
Alto custo de implementação: a instalação dos equipamentos, a infraestrutura de rede e o armazenamento de dados exigem investimentos significativos.
Questões de privacidade e proteção de dados: o uso de tecnologias como reconhecimento facial requer atenção às regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Integração entre órgãos públicos: para que o sistema funcione bem, é necessário que guardas municipais, polícias e centros de operações estejam conectados.
Capacitação técnica: é fundamental treinar equipes para operar e interpretar os dados gerados pelas câmeras.
Esses desafios podem ser superados com planejamento, políticas públicas e parcerias entre setor público e empresas de tecnologia.
Tecnologia como aliada da segurança nas cidades inteligentes
As câmeras inteligentes são fundamentais para o futuro da segurança nas cidades inteligentes. Elas tornam o monitoramento mais ágil, reduzem a criminalidade e ajudam a construir ambientes urbanos mais seguros e organizados.
Com o avanço da transformação digital no setor público, essas ferramentas tendem a se tornar cada vez mais acessíveis e integradas a outras soluções de gestão urbana inteligente. Para isso, é necessário garantir investimentos, regulamentações adequadas e uso ético da tecnologia.
Cidades mais seguras dependem de escolhas inteligentes. E as câmeras com inteligência artificial são parte essencial dessa evolução.
As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities.
Atividade econômica do país cresceu pelo 16º trimestre consecutivo e atingiu o maior patamar da série histórica, iniciada em 1996.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (2). Em valores correntes, a economia movimentou R$ 3,2 trilhões.
Com esse resultado, o PIB acumulou 16 trimestres seguidos de alta e alcançou o maior nível da série histórica, iniciada em 1996. Os setores de Serviços e Consumo das Famílias também registraram recordes.
O resultado mostra uma forte desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a expansão foi de 1,3%. Ainda assim, superou levemente as estimativas do mercado, que previam alta de 0,3%. Na comparação com o mesmo período de 2024, o PIB cresceu 2,2%.
Foto: Arte/g1
Segundo a coordenadora de contas nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o resultado confirma a tendência de desaceleração da economia.
“Era um efeito esperado a partir da política monetária restritiva [juros elevados] iniciada em setembro do ano passado. As atividades Indústrias de Transformação e Construção, que dependem de crédito, são mais afetadas nesse cenário”, disse.
A Agropecuária, que havia sido destaque nos primeiros três meses do ano, caiu 0,1% no segundo trimestre (veja mais abaixo). A queda, no entanto, foi compensada pelo crescimento dos setores de Serviços (0,6%) e Indústria (0,5%).
Pelo lado da oferta, o Consumo das Famílias subiu 0,5%, enquanto o Consumo do Governo caiu 0,6%. Já os Investimentos tiveram retração de 2,2%, reflexo, segundo Palis, dos efeitos negativos na Construção e na produção de bens de capital. (veja os gráficos ao final desta reportagem)
Principais destaques do PIB no 2º trimestre
Serviços: 0,6%
Indústria: 0,5%
Agropecuária: -0,1%
Consumo das famílias: 0,5%
Consumo do governo: -0,6%
Investimentos: -2,2%
Exportações: 0,7%
Importação: -2,9%
Setor de Serviços bate recorde
Segundo o IBGE, a alta de 0,6% nos Serviços levou o setor a um novo recorde no segundo trimestre. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelas atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, que cresceram 1,2%.
Veja a variação de outras atividades:
Informação e comunicação: 1,2%;
Transporte, armazenagem e correio: 1%;
Outras atividades de serviços 0,7%;
Atividades imobiliárias 0,3%;
Comércio: estável (0%);
Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social: -0,4%.
Segundo Palis, parte do bom desempenho se deve ao impacto limitado das altas taxas de juros sobre essas atividades.
Ela destacou ainda que o avanço em Informação e Comunicação foi impulsionado pelo desenvolvimento de softwares, enquanto em Transporte, armazenagem e correio, o crescimento veio do aumento no transporte de passageiros.
“A atividade de Informação e comunicação é a atividade que a gente sempre fala que está com destaque positivo, é onde está TI [tecnologia da informação], desenvolvimento de sistemas e internet. Desde 2020 temos um crescimento de 40% dessa atividade”, disse a especialista do IBGE.
Na Indústria, o crescimento foi impulsionado pela Indústria Extrativa, que subiu 5,4% entre abril e junho. O destaque foi a extração de petróleo e gás, responsável por cerca de 80% do resultado, segundo Palis.
Por outro lado, o setor industrial registrou retração em Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos (-2,7%), Indústrias de Transformação (-0,5%) e Construção (-0,2%).
Foto: Arte/g1
Agropecuária cai no trimestre, mas ainda sobe 10% em 12 meses
Mesmo com a queda de 0,1% no segundo trimestre, o setor de Agropecuária manteve resultado positivo na comparação anual, com alta de 10,1%, segundo o IBGE.
Palis explica que a leve retração entre abril e junho reflete o desempenho excepcional do primeiro trimestre (12,2%), impulsionado pelas colheitas recordes de soja e milho.
“Esse ano está muito bom para o agro, ao contrário do ano passado, quando tivemos vários eventos climáticos e um ano muito ruim para o setor”, afirmou a especialista a jornalistas. “Então [o primeiro trimestre] teve um salto muito grande porque estava sendo comparado com o quarto trimestre, que foi muito ruim para o setor.”
Consumo das famílias e Setor externo ajudam
Pelo lado da demanda, o IBGE aponta que o Consumo das Famílias e o setor externo foram os principais motores do crescimento do PIB, compensando a queda no Consumo do Governo e nos Investimentos.
“Ainda continua o dinamismo no mercado de trabalho, continuamos com o crescimento dos salários totais recebidos pelas famílias e continuamos com as políticas de transferência de renda do governo. Tudo isso continua ajudando bastante”, afirmou Palis.
Sobre o setor externo, Palis ressaltou que, embora o desempenho siga positivo, os efeitos das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros ainda não chegaram à economia.
“Todos os efeitos do tarifaço, […] só veremos no terceiro trimestre”, disse, reiterando que a exceção fica com os dados de comércio exterior, que já devem aparecer na balança comercial divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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Governo projeta crescimento de 2,5% do PIB em 2025
Em julho, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE) anunciou a revisão da projeção de crescimento do PIB para 2,5% neste ano — uma leve alta em relação à estimativa anterior, de 2,4%.
Na ocasião, o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, destacou que as expectativas do mercado têm se aproximado cada vez mais das projeções da SPE.
De acordo com a SPE, a revisão da projeção de crescimento foi impulsionada pela resiliência do mercado de trabalho no segundo trimestre, que elevou as expectativas para o Consumo das Famílias, mesmo em um cenário de política econômica restritiva.
iRadar PPP avalia que não há indícios de desaceleração até o fim de 2026 para o segmento rodoviário
Levantamento realizado pela iRadarPPP indicou que julho foi, até o momento, o melhor mês do ano para as PPPs (Parcerias Público-Privadas), com destaque para o setor rodoviário. No período, 54 novas iniciativas foram mapeadas. Os números são antecipados todo mês pela CNN.
É o terceiro maior quantitativo desde janeiro de 2024. O resultado ficou atrás somente do observado em setembro (86) e dezembro (55) do ano passado.
Ao todo, 17 iniciativas chegaram à consulta pública e 35 licitações foram publicadas, enquanto 13 tiveram a assinatura contratual realizada.
A pesquisa mostrou também que 48 iniciativas são de municípios, das quais 60% estão em cidades de até 100 mil habitantes. Segundo o sócio da iRadar PPP, Frederico Ribeiro, os números sinalizam o avanço das iniciativas de PPPs e concessões já no primeiro ano dos mandatos municipais.
“Chama atenção, em especial, o volume de iniciativas originadas em municípios de menor porte. Esse dado reforça uma tendência já captada em nossos levantamentos: a adoção das parcerias de longo prazo por meio de PPPs e concessões não está restrita às grandes cidades. Ao contrário, tem se mostrado uma alternativa relevante também para municípios menores, contribuindo para qualificar o gasto público”, diz Frederico Ribeiro.
Na edição de julho, o levantamento realizado pela iRadarPPP também destacou dois leilões da B3: a concessão da Ponte Internacional de São Borja e a PPP das unidades de educação infantil de Caxias do Sul (RS).
No setor rodoviário, a avaliação é de que não há indícios de que haverá desaceleração até o fim de 2026. Em julho, três projetos entraram em licitação (Lotes 4 e 5 do Sistema Rodoviário do Paraná, além da Rota Sertaneja), somando R$ 23,2 bilhões de investimentos.
“Ainda teve a publicação de consulta pública para a readaptação e otimização do contrato de concessão BR-381/MG/SP (rodovia Fernão Dias), cujos investimentos estimados são de R$ 9,4 bilhões. Este desempenho está em linha com a meta do governo federal de promover cerca de 35 leilões de rodovias e otimizar outros 14 contratos até 2026. São números muito altos que estão se materializando pouco a pouco”, afirma Frederico Ribeiro.
Novo marco
Sobre o novo marco das PPPs e concessões, Frederico Bopp, sócio da área de Infraestrutura do Azevedo Sette Advogados, destaca que uma das mudanças significativas está na recomposição do equilíbrio ao longo da execução por pagamento do poder concedente ou oferta de vantagens, ou subsídios não previstos à época da licitação.
“O foco é nitidamente reduzir o custo de transação dos demorados processos de reequilíbrio que temos vivido e preservar a prestação do serviço”, afirma.
Além disso, Frederico Bopp afirma que a mudança normativa traz um regime mais previsível, seguro e financiável.
“Privilegia-se a sustentabilidade financeira das concessionárias e, por consequência, a adequada prestação do serviço público e o atendimento aos usuários.”, diz.
Fraude conhecida como greenwashing traz prejuízos não só para a empresa que usa o método, mas a todas as companhias que buscam se firmar como sustentáveis
ESPECIAL PARA O ESTADÃO – Cada vez mais presente no debate empresarial, o ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) passou a definir como as companhias incorporam sustentabilidade na gestão. Mais do que discurso, especialistas apontam que o conceito deve estar ligado ao dia a dia corporativo.
“Ter uma prática ESG não significa adotar iniciativas ambientais ou sociais isoladas, mas integrar a sustentabilidade de forma consistente à governança, à gestão e à estratégia do negócio”, afirma Daniele Barreto e Silva, especialista em ESG da Grant Thornton Brasil.
No entanto, ao mesmo tempo que o tema ganhou espaço entre consumidores e investidores, também cresceu o chamado greenwashing: quando empresas se apresentam como mais sustentáveis do que realmente são.
Izabela Lanna Murici, diretora de Sustentabilidade da Falconi, alerta que os consumidores devem desconfiar de ações pontuais. “Por exemplo, quando uma empresa lança uma ‘linha verde’, mas mantém a maior parte de sua produção em padrões poluentes, sem um plano consistente de transição.”
Mauricio Colombari, sócio e líder de ESG na PwC Brasil, diz que o maior problema para os clientes é se associar a empresas que não cumprem o que prometem. “Isso gera frustração e perda de confiança. Para o mercado, o greenwashing prejudica a credibilidade da agenda de sustentabilidade, reduzindo a confiança dos investidores e penalizando empresas que realmente fazem investimentos consistentes.”
O que é e como identificar o greenwashing
Relatórios formais
Empresas com práticas consistentes buscam reconhecimentos externos, publicam relatórios de sustentabilidade com padrões e métricas reconhecidas e submetem suas informações a verificações independentes. Essas iniciativas reforçam compromisso e transparência.
Discurso e prática
O que é divulgado por executivos e canais oficiais precisa estar alinhado à realidade da operação. Contradições são sinais de alerta, como no caso de empresas que se apresentam como sustentáveis, mas aparecem associadas a denúncias de trabalho escravo, discriminação, crimes ambientais ou outros episódios de impacto negativo.
Transparência
Se a comunicação da empresa destaca apenas conquistas e nunca aborda problemas ou pontos a melhorar, é um sinal de alerta. Organizações comprometidas com ESG não escondem seus desafios.
Metas claras
Discursos vagos como “vamos reduzir nosso impacto” soam bem, mas não dizem muito. O ideal é que a empresa apresente metas com prazos definidos, indicadores objetivos e resultados acompanhados de forma transparente.
Cadeia de valor
Empresas comprometidas com ESG estendem suas práticas para além da operação direta, incluindo fornecedores e parceiros na avaliação e monitoramento de riscos.
Informações verificáveis
Fique atento a slogans genéricos como “eco” ou “verde”. Prefira produtos que expliquem como a ação é realizada, trazendo informações objetivas, como “embalagem feita com 100% de plástico reciclado” ou “madeira certificada pelo selo FSC”.
Tipos de ações
Se a propaganda destaca apenas um detalhe isolado, sem mostrar mudanças na produção ou na cadeia como um todo, pode ser um caso de supervalorização da prática. Já uma cultura real de sustentabilidade tende a aparecer em processos, produtos e iniciativas constantes, não apenas pontuais.
Odebrecht, Álya (antiga Queiroz Galvão) e Andrade Gutierrez decidiram não apresentar proposta; portuguesa Mota-Engil e espanhola Acciona devem entrar
As grandes construtoras nacionais desistiram de entrar no leilão do túnel Santos-Guarujá, uma das maiores obras de infraestrutura do Novo PAC, que tem entrega de propostas prevista para esta segunda-feira (1º).
Segundo relatos feitos à CNN, o consórcio formado pela Odebrecht e pela Álya (antiga Queiroz Galvão) decidiu no fim de semana que não apresentará mais oferta.
A Andrade Gutierrez, que vinha estudando sua participação junto com um fundo financeiro, também resolveu ficar de fora.
Diante da desistência das empreiteiras brasileiras, a expectativa é de uma disputa entre pesos-pesados do exterior, com propostas da portuguesa Mota-Engil (que tem capital da gigante chinesa CCCC) e da espanhola Acciona.
A construtora cearense Marquise também vinha demonstrando interesse no leilão, junto com a italiana Webuild, mas teria enfrentado dificuldades para fechar essa parceria.
A Marquise ainda buscava entrar com outro grupo, mas sua entrada na disputa ficou improvável.
O projeto do túnel imerso Santos-Guarujá, tecnologia inédita no país, prevê uma concessão por 30 anos e investimentos de R$ 6,8 bilhões em uma PPP (parceria público-privada) — R$ 5,1 bilhões divididos igualmente entre recursos federais e do estado de São Paulo, com o restante vindo da futura concessionária.
Na semana passada, após reunião entre as partes no TCU (Tribunal de Contas da União), um aditivo no convênio de delegação entre União e São Paulo tirou as últimas pendências em torno do projeto e garantiu o leilão. Após a entrega das propostas, o certame ocorrerá efetivamente na sexta-feira (5), na B3.
De acordo com fontes do setor, apesar de contar com capacidade técnica para fazer o túnel, as construtoras nacionais esbarraram na falta de fôlego financeiro.
Elas não teriam conseguido financiamento dos bancos públicos e teriam enfrentado taxas de juros proibitivas nas instituições financeiras privadas.
Para um executivo das construtoras brasileiras ouvido pela CNN, ainda há “tratamento discriminatório” por causa do histórico de envolvimento na Lava Jato, enquanto as concorrentes estrangeiras recebem forte apoio estatal em seus países de origem, mesmo também tendo protagonizado casos de corrupção.
Para esse executivo, isso significa que, mesmo uma década depois do auge da Lava Jato, o Brasil não conseguiu separar “os CNPJs dos CPFs” e preservar a competitividade de suas empresas, que têm reconhecida expertise no campo da engenharia.
Inspirado pela própria infância, Kongjian Yu defende que água não é inimiga e propõe projetos que devolvem espaço aos rios para combater desastres climáticos.
Na China, um arquiteto vem ganhando destaque mundial ao mostrar que a solução para as enchentes pode estar justamente em conviver melhor com a água. Kongjian Yu, considerado um dos maiores urbanistas do país, transformou o trauma de quase ter se afogado na infância em um conceito que hoje inspira mais de 250 cidades: as chamadas “cidades-esponja”.
Ele explica que a ideia não é nova. Trata-se de uma adaptação de práticas ancestrais de milhares de anos, usadas em vilas rurais, onde a vegetação e as estruturas de contenção desaceleram o fluxo da água. A diferença é que Yu levou esse conhecimento para grandes projetos urbanos, propondo a substituição da chamada “infraestrutura cinza” — muros, concreto e canais — por soluções que devolvem espaço ao rio.
“A água não é inimiga”, resume o urbanista. Em vez de represas e barragens, ele defende parques e áreas verdes que absorvem o excesso de chuva, como uma esponja.”
O que são as “cidades-esponja”
As “cidades-esponja” funcionam em diferentes escalas. Nas vilas históricas, diques de mais de 700 anos mostram como pequenas intervenções já reduzem a força do rio. Em áreas agrícolas, Yu defende que 20% das fazendas sejam destinadas à água, evitando que o escoamento cause alagamentos nas cidades. Em metrópoles como Xangai, parques inteiros foram planejados para se transformar em reservatórios temporários quando chove demais.
O urbanista também levou o conceito ao Brasil. Em visita ao Rio de Janeiro, sugeriu mudanças na Avenida Francisco Bicalho, no centro da cidade, com a proposta de dobrar o espaço destinado à água e, assim, reduzir enchentes. “Você transfere a avenida para a rua de trás, resolve o problema e ainda aumenta o valor das propriedades”, disse.
Apesar da imagem de inovação, Yu reforça que se trata de recuperar uma sabedoria antiga. Ele se inspira na experiência como agricultor até os 17 anos e na lógica simples da natureza: a vaca come a grama, o esterco aduba o arroz, a vegetação filtra nutrientes e a água retorna limpa ao rio. “É um jeito sábio de usar a água”, explica.
A filosofia por trás de seus projetos dialoga com a própria cultura chinesa, em especial com o conceito do chi — o sopro vital que deve sempre fluir. Para Yu, tentar aprisionar a água adoece as cidades modernas. Ao contrário, tratada como um ser vivo, ela devolve equilíbrio e vida às comunidades.
Hoje, a China apresenta essas iniciativas como vitrine no combate às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que enfrenta críticas por ser o país que mais emite carbono no mundo. Entre contradições, os parques projetados por Yu já recebem milhões de visitantes e viraram exemplo global de como aliar urbanismo e sustentabilidade.
Para o arquiteto, a mensagem é simples: “Abrace a água. Deixe a água flutuar”.
Regra é publicada após operação que desmontou quadrilhas
A Receita Federal determinou que as fintechs estejam sujeitas às mesmas regras dos bancos, no que se refere a obrigação de fornecer informações que levem ao combate a crimes, como lavagem de dinheiro. A instrução normativa foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (29).
Fintechs são empresas de tecnologia com atuação no mercado financeiro, que oferecem, por meio de plataformas online, serviços de crédito, pagamento, gestão financeira, empréstimo e investimento.
A decisão foi adiantada na quinta-feira (28), na esteira de três grandes operações de combate ao crime organizado, que identificaram um enorme esquema de lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados. Os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões.
Mais transparência
No seu primeiro artigo, a instrução normativa estabelece que são “medidas para o combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”.
“Os indícios de crimes serão objeto de comunicação às autoridades competentes”, enfatiza a Receita Federal.
Para tanto, “as instituições de pagamento e os participantes de arranjos de pagamentos [fintechs] sujeitam-se às mesmas normas e obrigações acessórias aplicáveis às instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional – SFN – e do Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB – relativas à apresentação da e-Financeira”.
O e-Financeira é um documento com movimentações de alto valor. A instrução normativa é assinada pelo atual secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas.
Fake news do Pix
Em nota divulgada na noite de quinta-feira (28), a Receita tinha afirmado que as fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro porque “há um vácuo regulamentar, já que elas não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil há mais de 20 anos”.
Segundo órgão, sabendo que havia essa diferenciação, o crime organizado se aproveitava dessa brecha para movimentar, ocultar e lavar dinheiro sujo.
No ano passado, a Receita publicou uma instrução normativa que estendia as obrigações de transparência e informações às fintechs para valer a partir de janeiro de 2025. Mas a medida foi revogada depois de uma campanha de desinformação, com as chamadas fake news.
Preferência por opções que tragam sustentabilidade, economia e praticidade está moldando um novo futuro nos transportes
Por décadas, tirar a carteira de habilitação era quase um rito obrigatório de passagem rumo à vida adulta. No entanto, a nova geração está colocando essa tradição à prova. Jovens urbanos têm mostrado uma clara mudança em relação à posse de veículos particulares e, por consequência, têm impactado significativamente os números relacionados à emissão de CNHs no Brasil.
Segundo dados do Denatran, a procura pela Carteira Nacional de Habilitação (CNH) entre jovens de 18 a 25 anos caiu significativamente nos últimos anos. O cenário brasileiro acompanha uma tendência já observada em outros países, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde a posse do carro já não é mais símbolo absoluto de independência ou sucesso pessoal.
Novo comportamento
A mudança de comportamento dos jovens se explica por múltiplos fatores, sendo o econômico um dos principais. O custo alto para adquirir e manter um veículo próprio, incluindo combustível, seguro, manutenção e estacionamento, tornou-se proibitivo para muitos. Aliado a isso, o fortalecimento de alternativas mais sustentáveis e práticas como transporte público melhor estruturado, aplicativos de mobilidade, bicicletas, patinetes elétricos e até mesmo o deslocamento a pé têm oferecido uma gama crescente de opções mais alinhadas aos valores da nova geração.
Além das questões econômicas, aspectos culturais e sociais também são decisivos. A consciência ambiental dos jovens, muito mais intensa do que em gerações anteriores, desempenha papel fundamental nessa transformação. Eles tendem a valorizar menos a posse e mais o acesso. Para essa geração, é muito mais importante chegar rápido e com menos impacto ambiental do que necessariamente possuir um carro próprio. Aspirações como liberdade de escolha, flexibilidade e agilidade estão no centro desse novo modelo mental.
Mobilidade com menos burocracia
Outro aspecto relevante é o comportamento digital. Jovens acostumados a resolver tudo pelo celular têm menos paciência para burocracias que envolvem obter uma CNH e lidar com as complexidades da propriedade de um automóvel. Muitos optam por soluções instantâneas, sem necessidade de longos processos ou compromissos financeiros. Plataformas de transporte por aplicativo, caronas compartilhadas e mobilidade sob demanda se encaixam perfeitamente nesse estilo de vida.
Essa tendência também levanta questões sobre como as cidades precisarão se adaptar para atender às novas demandas de mobilidade urbana. Infraestrutura adequada para modos alternativos de transporte e políticas públicas eficientes serão fundamentais para acompanhar essas mudanças.
A transformação urbana deve incluir planejamento integrado, expansão e melhoria da qualidade dos transportes públicos, criação de ciclovias seguras e o incentivo à micromobilidade. É urgente repensar a lógica de deslocamento nas grandes cidades para tornar os espaços urbanos mais acessíveis, inclusivos e sustentáveis.
Por fim, é importante lembrar que, apesar da queda nas emissões de CNH, isso não significa necessariamente uma rejeição total ao carro ou à moto. O que se observa é uma ressignificação de seus papéis. Muitos jovens continuarão a recorrer a veículos próprios em contextos específicos — como viagens, deslocamentos noturnos ou regiões sem cobertura de transporte alternativo —, mas de forma pontual. A compra de veículos pode não desaparecer, mas tende a ser adiada ou substituída por uso compartilhado.
A preferência por alternativas que promovam sustentabilidade, economia e praticidade está moldando um novo futuro para o transporte nas grandes cidades brasileiras. O desafio para gestores públicos e iniciativa privada será interpretar e atender às aspirações dessa nova geração, garantindo que as soluções estejam verdadeiramente alinhadas com suas necessidades reais.