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Lula diz que Brasil quer negociar, cobra respeito às leis brasileiras e nega que críticas aos EUA tenham motivado tarifas de Trump

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Governo publica decreto da Lei da Reciprocidade após tarifaço de Trump
Foto: Jornal Nacional / Reprodução

O Jornal Nacional entrevistou, nesta quinta-feira (10), o presidente Lula, sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros de exportação.

O Jornal Nacional entrevistou, nesta quinta-feira (10), o presidente Lula sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros de exportação. Ele disse à repórter Delis Ortiz que o Brasil quer negociar, mas cobrou respeito às decisões brasileiras e admitiu responder com tarifas iguais se não houver acordo.

Delis Ortiz, repórter: A primeira pergunta é de ordem prática. O senhor mencionou a Lei da Reciprocidade mesmo com a ameaça explícita do presidente Trump de responder com mais tarifas a qualquer taxação decidida pelo Brasil. Como é que o governo pretende escapar desse círculo?

Lula, presidente do Brasil: Primeiro é importante levar em conta que algumas coisas que um ser humano e um governo não pode admitir. É a ingerência de um país na soberania de outro. E mais grave: intromissão de um presidente de um país no Poder Judiciário do meu país. É inaceitável que o presidente Trump manda uma carta pelo site dele e começa dizendo que é preciso acabar com a caça às bruxas. Isso é inadmissível. Primeiro porque isso aqui tem justiça e a gente está fazendo um processo com direito a presunção de inocência de quem é vítima. Se quem é vítima e cometeu um erro vai ser punido. Aqui no Brasil é punido. A segunda coisa é que é inverossímil o fato pelo qual se aumentou a tarifa. O presidente Trump deve estar muito mal informado, porque nos últimos 15 anos o déficit para o Brasil é de R$ 410 bilhões entre comércio e tarifas. Portanto, não existe explicação a não ser uma falta de informação e depois tentando atrapalhar uma relação muito virtuosa que o Brasil tem com os Estados Unidos há 200 anos. O que que eu vou fazer na verdade? Primeiro eu não perco a calma e não tomo decisão com 39ºC de febre. O Brasil utilizará a Lei da Reciprocidade quando necessário e o Brasil vai tentar, junto com a OMC e outros países, fazer com que a OMC tome uma posição para saber quem é que está certo ou que está errado. A partir daí, se não houver solução, nós vamos entrar com a reciprocidade já a partir de 1º de agosto, quando ele começa a taxar o Brasil. Nós entendemos que o Brasil é um país que não tem contencioso com ninguém. Nós não queremos brigar com ninguém. Nós queremos negociar e o que nós queremos é que seja respeitada as decisões brasileiras. Portanto se ele ficar brincando de taxação vai ser infinita essa taxação. Nós vamos chegar a milhões e milhões de milhões de por cento de taxa. O que o Brasil não aceita é intromissão nas coisas do Brasil. Ele tem o direito de tomar decisão em defesa do país dele, mas com base na verdade. Se alguém orientou ele com uma mentira de que os Estados Unidos é deficitário com o país, mentiu. Porque os Estados Unidos é superavitário na relação comercial com o Brasil.

Repórter: A motivação política desse ataque americano é explícita. Trump critica o julgamento de Jair Bolsonaro e ações no Supremo sobre as plataformas de redes sociais. Mas os ataques de Donald Trump começaram durante o encontro dos Brics e depois declarações suas em tom crítico aos Estados Unidos durante o evento. Que papel o senhor atribui a suas declarações nas motivações do presidente americano?

Lula: Nenhuma. Veja, primeiro os Brics é um fórum que ocupa hoje metade da população mundial e quase 30% do PIB mundial. E dentro do Brics está países que participam do G20. Dez países dos Brics participa do G20, aonde o seu Trump participa. Segunda coisa: nós temos três países que foram convidados do G7 agora. Quatro países: Brasil, México, África do Sul e Índia. Quarta coisa o Brics é um agrupamento de países que trabalha em prol do sul global. Nós cansamos de ser subordinado ao norte. Nós queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre. E as coisas estão acontecendo de forma maravilhosa. As coisas vão continuar melhorando, e nós estamos discutindo inclusive a possibilidade de ter uma moeda própria, ou quem sabe com as moedas de cada país a gente fazer comércio sem precisar usar o dólar. Porque nós não temos a máquina de rodar dólar, só os Estados Unidos que têm. Nós não precisamos disso para fazer comércio exterior. Agora, achar que os Brics é a razão para o Trump ficou nervoso, o Brasil nunca ficou nervoso com a participação do G7, o Brasil nunca ficou nervoso com as coisas que os Estados Unidos faz. Cada país tem a soberania de fazer aquilo que quer. Então, eu penso que o presidente Trump precisa se cercar de pessoas que o informem corretamente sobre como é virtuosa a relação Brasil-Estados Unidos.

Repórter: O senhor criticou Donald Trump por ingerência em questões que firam a independência das instituições brasileiras. Mas o senhor recebeu críticas por visitar a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, condenada por corrupção, e por defender com um cartaz a liberdade dela. Como o senhor responde essas acusações de ter interferido nas questões internas de um país soberano, a Argentina?

Lula: Com muita firmeza. Eu fui visitar a presidenta Cristina com autorização da Justiça argentina. Eu só fui lá porque a Justiça argentina decidiu que eu fosse visitar, atendendo um pedido da própria Cristina. Eu fui fazer uma visita humanitária, eu nunca me preocupei com que o Trump recebesse o Bolsonaro ou qualquer pessoa. É direito de cada presidente fazer o que quiser. O que não é direito é um presidente querer dar palpite na decisão de Justiça de um país. Aqui no Brasil, a nossa Justiça tem autonomia. O Poder Judiciário é um poder autônomo, como é o Legislativo. Aqui a gente obedece regras. O que o presidente Trump tem que saber é que se aqui no Brasil ele tivesse feito o que ele fez nos Estados Unidos com as eleições, ele também estaria sendo processado, estaria sendo julgado. E, se fosse culpado, ele seria preso. É assim que funciona a lei para todo mundo. Ou seja, nós precisamos aprender a respeitar. Você nunca viu me meter em uma decisão de Justiça americana. Nunca viu. E o que eu espero é reciprocidade, que ele também não se meta nos problemas brasileiros.

Repórter: Esse ataque americano às exportações brasileiras levantou preocupações enormes nas empresas exportadoras. Que papel o senhor espera que esses setores empresariais desempenhem na formulação de uma resposta do governo aos Estados Unidos?

Lula: Essa é importante a gente deixar claro para opinião pública que não é uma taxação ao Brasil. Ele vem taxando todos os países do mundo desde que tomou posse. É um direito dele, mas é um direito dos países reagir. Olha, o que é que eu pretendo fazer? Veja, primeiro eu pretendo reunir todos os empresários que têm exportação para os Estados Unidos, sobretudo aqueles que têm maior volume de exportação – suco de laranja, aço, a Embraer, que exporta muito pros Estados Unidos – para conversar para ver qual é a situação deles. Nós vamos tentar fazer todo o processo de negociação que for possível fazer. O Brasil gosta de negociar, o Brasil não gosta de contencioso. E depois que se esgotarem as negociações, o Brasil vai aplicar a Lei da Reciprocidade. E aí os empresários, eu espero, que estejam aliados ao governo brasileiro. Porque se existe algum empresário que acha que o governo brasileiro tem que ceder e fazer tudo que o presidente do outro país quer, sinceramente, esse cidadão não tem nenhum orgulho de ser brasileiro. Essa é a hora de a gente mostrar que o Brasil quer ser respeitado no mundo, que o Brasil é um país que não tem contencioso com nenhum país do mundo e que, portanto, a gente não aceita desaforamento contra o Brasil.

Repórter: O presidente Donald Trump está na Casa Branca há sete meses. Por que motivo o governo do senhor não fez nenhum movimento para estabelecer contato direto ou mais próximo com o governo do nosso segundo maior parceiro comercial?

Lula: Olha, primeiro eu mandei uma carta dando os parabéns para a vitória do Trump. Eu não tenho que conversar com o Trump até agora. Eu não tenho nenhuma razão. Eu imaginei encontrar com o Trump no dia 7. Quando nós chegamos lá ele tinha saído porque a reunião foi feita em um lugar muito escondido porque o Trump não seria bem recebido no Canadá. Então, quando eu cheguei, eu e os convidados – eu e o primeiro ministro Modi, a Claudia, presidenta do México, e o Ramaphosa, presidente da África do Sul -, quando nós chegamos lá, o Trump tinha ido embora na outra noite. Na hora que houver necessidade de eu conversar com o Trump, eu não tenho nenhum problema de ligar para ele como eu já liguei para o Clinton, já liguei para o Bush, já liguei para o Obama, já liguei para o Biden. Agora eu preciso ter uma razão para ligar. Dois presidentes não ficam ligando para contar piada. Ele, por exemplo, ele poderia ter ligado para o Brasil para dizer da medida que ele vai tomar. Ele não mandou nenhuma carta. Nós não recebemos carta. Ele publicou no site dele em uma total falta de respeito, que é um comportamento dele com todo mundo. E eu não sou obrigado a aceitar esse comportamento desrespeitoso entre relações de chefe de Estado, entre relações humanas. Educação é bom e a gente gosta de receber e gosta de dar. E o Brasil quer ser bem tratado. Quando eu tiver um assunto sério para tratar com os Estados Unidos, eu não terei nenhum problema de pegar o telefone e ligar para a Casa Branca pedindo para conversar com o presidente Trump. Por enquanto, eu não tenho. Agora veja, agora é o seguinte. Nós vamos criar uma comissão de negociação juntando empresários e o governo. Vamos ver quais são as decisões, quem é afetado, como vai ser afetado, como a gente pode procurar novos mercados. E eu mesmo vou procurar novos mercados para os produtos brasileiros. Esse é o meu papel inclusive de dizer para os empresários: vamos juntos abrir novos mercados. Porque não é fácil, ele só taxar os outros. Ele também terá consequências nos Estados Unidos. Ele também terá muita consequência. Então, não é assim, Delis. A relação entre dois Estados ela tem que ser uma coisa respeitosa. Um presidente ele não é dono da verdade, um presidente não tem relação ideológica com outro. Eu nunca tive relação ideológica. Eu converso com o presidente do país seja ele quem for. Ele foi eleito pelo povo e sabe conversar, eu converso com todo mundo. Nunca, nunca tive um veto. Agora, eu não tenho nada para conversar com o Trump. Aliás, ele não dá motivo para que a gente tenha nada para conversar com ele. Depois que a gente discutir profundamente o que vai acontecer, nós temos tempo para discutir, nós temos tempo para conversar, nós temos tempo para ouvir os empresários, nós temos tempo para ouvir a OMC, para ouvir outros países como que estão acontecendo. E quando chegar o momento, se for necessário conversar, pode ficar certo que eu não terei nenhum problema em pegar o telefone e ligar. Correndo o risco de ele, de forma mal educada, de não querer me atender. Eu corri risco, mas de qualquer forma, se for necessário, eu farei isso sem nenhum problema. Por agora nada.

Repórter: Por agora nada? Nem chamar a embaixadora?

Lula: Não sei. Aí é um problema que o Itamaraty vai ter que tomar essas decisões. Eu acho que era importante chamar a embaixadora para tomar informações, mas é um problema que depende da decisão do Itamaraty. Eu acho que o ministro Mauro Vieira saberá cuidar disso. O que eu acho um desaforo muito grande, Delis, e não dá para aceitar, é um cidadão, presidente de um país importante como os Estados Unidos, conversar uma carta para mim, mandada pelo um site, avocando o fim da caça às bruxas a um ex-presidente que tentou dar um golpe nesse país. Ele não tentou dar um golpe. Ele tentou preparar a minha morte. A morte do presidente da Suprema Corte, que na época era o Alexandre de Moraes, a morte do vice-presidente. E não é ninguém da oposição que está falando. São os militares que estavam com ele. É o ajudante de ordem dele que recebia as informações deles. Agora, quem vai ser julgado não é o cidadão Bolsonaro. Quem vai ser julgado é os autos do processo. Se ele tiver razão, será absolvido. Se ele não tiver razão, ele será condenado. E se condenado, vai ser preso. É assim que funciona a Justiça no Brasil. E assim eu espero que funcione nos Estados Unidos. Se tivesse o Capitólio aqui e o Bolsonaro tivesse feito o que fez com o Trump nos Estados Unidos, ele também estaria sendo julgado. Porque a lei aqui no Brasil é para todos de verdade. Doa a quem doer.

No dia 10 de junho, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi interrogado no STF – Supremo Tribunal Federal e declarou não ter qualquer envolvimento com planos ilegais – inclusive a suposta tentativa de assassinato de autoridades. Bolsonaro disse que discutiu com ministros militares alternativas – que segundo ele eram constitucionais – para contestar o resultado das eleições. Afirmou que foram conversas informais e que não tratava de uma tentativa de golpe. A ação penal no Supremo ainda não tem data para conclusão.

Fonte: G1 – Jornal Nacional

Mudanças climáticas podem ampliar o risco da Doença de Chagas na Amazônia

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Mudanças climáticas podem ampliar o risco da Doença de Chagas na Amazônia
Foto: Reprodução/Secretaria de Estado da Saúde

As mudanças climáticas estão alterando silenciosamente o cenário da saúde pública na Amazônia. As frequentes secas, enchentes, desmatamentos e demais problemas ambientais podem levar ao surgimento de novas doenças ou ao avanço de doenças já controladas.

Um caso emblemático é o da Doença de Chagas, que mesmo com os avanços recentes nos estudos sobre sua biologia e controle de transmissão, podem representar novamente um desafio para nosso sistema de saúde em virtude das alterações que estão sendo realizados nas paisagens.

Um estudo publicado recentemente na revista Medical and Veterinary Entomology por mim, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e por uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Evandro Chagas, Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e Universidade de Bristol deixa um alerta claro: o aquecimento global pode facilitar a expansão dos barbeiros, vetores da Doença de Chagas, para novas áreas da floresta.

A doença de Chagas

A doença, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, é transmitida principalmente por insetos conhecidos como barbeiros. A Doença de Chagas (DC) existe há milhões de anos como uma doença em animais silvestres, que passou a ser transmitida ao homem, de forma acidental, a partir da invasão dos ambientes silvestres por populações humanas.

Embora seja antiga, a Doença de Chagas em humanos só foi descrita em 1909, a partir da descoberta realizada pelo médico brasileiro Carlos Chagas, que detectou o parasito em uma criança de dois anos de idade na cidade de Lassance, no interior de Minas Gerais.

A descoberta foi considerada um marco na história da medicina pelo descobrimento simultâneo do vetor (o barbeiro), de alguns dos hospedeiros silvestres e domésticos, do agente etiológico da doença (o protozoário Trypanosoma cruzi) e da patologia associada à infecção.

A DC é endêmica na América Latina. Ela é atribuída, em sua origem, às áreas rurais e às populações com condições de vida precárias. Ademais, a forma como a população humana explora e ocupa o ambiente está fortemente relacionada à dinâmica das doenças transmitidas por vetores, o que pode resultar, por exemplo, na emergência da DC em áreas anteriormente consideradas livres da enfermidade.

Em 2006, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a certificação de interrupção da transmissão vetorial pelo barbeiro Triatoma infestans (o principal vetor no país) e por hemotransfusão. Apesar disso, a doença ainda é um desafio de saúde pública, sobretudo em regiões com moradias precárias, principalmente como as encontradas nas regiões mais pobres do país.

Embora muitos infectados permaneçam assintomáticos por anos, cerca de um terço desenvolve formas clínicas graves da doença, como a forma cardíaca crônica e o megacólon, caracterizado pela dilatação do intestino grosso. Entre 1999 e 2007, o Brasil registrou uma média anual de cerca de 6 mil mortes relacionadas à Doença de Chagas, representando aproximadamente 43% de todos os óbitos por essa enfermidade na América Latina. A DC é uma das principais causas de morte entre as doenças tropicais negligenciadas no país.

Projeções preocupantes

Nosso estudo analisou mais de 11 mil registros de ocorrência de 55 espécies de barbeiros. Utilizamos uma técnica chamada modelagem de nicho ecológico, que cruza dados biológicos e ambientais, para prever como esses vetores podem se deslocar até 2080 sob diferentes cenários climáticos.

Os resultados indicam uma tendência preocupante: os barbeiros devem expandir sua distribuição na Amazônia, especialmente em áreas já vulneráveis. Esse movimento pode surpreender os sistemas de saúde despreparados, afetando populações que já enfrentam desigualdades e condições precárias de moradia.

O mapa ao lado mostra a projeção de áreas com aumento previsto de ocorrência de barbeiros até 2080, considerando um cenário de mudanças climáticas mais intensas. As áreas em amarelo indicam regiões com estabilidade na presença dos vetores, sem variação significativa. As áreas em verde representam regiões onde se prevê uma redução na ocorrência de barbeiros. Já as áreas em vermelho destacam os locais com aumento previsto na presença dos vetores da Doença de Chagas, apontando zonas que podem se tornar mais vulneráveis à transmissão no futuro.

A pesquisa identifica áreas da Amazônia que poderão se tornar favoráveis à presença de vetores devido às mudanças climáticas, alertando para o aumento do risco em regiões hoje consideradas seguras. Essas informações permitem antecipar estratégias de prevenção, vigilância e fortalecimento do sistema de saúde. Mesmo sem estimar quantos serão afetados, o estudo mostra onde o risco pode crescer e isso já é um passo crucial para proteger populações vulneráveis.

Essa mesma abordagem pode ser aplicada a outras enfermidades tropicais, como dengue, leishmaniose e malária, gerando dados que podem subsidiar políticas públicas de saúde. Assim como existem mapas de risco para enchentes e queimadas, podemos ter mapas para doenças como a de Chagas, possibilitando um cenário de previsibilidade e o desenvolvimento de estruturar e de preparação antes que o problema se acentue ou possa virar uma calamidade pública.

Leia também: Furacões, secas, inundações: 73% dos patrimônios culturais e naturais do mundo estão sob ‘risco severo’, diz ONU

Uma questão de saúde climática

As projeções do nosso estudo reforçam a necessidade de políticas integradas de saúde, meio ambiente e adaptação às mudanças climáticas.

A Amazônia enfrenta múltiplos desafios de degradação ambiental, e a eles se soma o risco crescente de doenças infecciosas associadas ao clima. E as populações mais afetadas serão aquelas já vulneráveis. Em regiões com pouco acesso a serviços de saúde, saneamento e moradia digna, o avanço dos barbeiros representa mais um obstáculo à justiça social.

Mas há caminhos para a ação. O estudo oferece dados que podem orientar estratégias preventivas. É possível antecipar cenários de risco, fortalecer a vigilância entomológica (monitoramento e controle dos vetores), planejar campanhas educativas e alocar melhor os recursos de saúde.

Um dos principais dados gerados pelo estudo é o mapeamento das áreas da Amazônia que podem ter aumento na presença de barbeiros vetores da Doença de Chagas até 2080, especialmente sob cenários de mudanças climáticas intensas. Por exemplo, regiões que hoje apresentam baixa ocorrência desses insetos, como trechos do oeste do Pará e norte do Amazonas, podem se tornar áreas de risco no futuro.

Esses dados permitem direcionar ações preventivas, como o fortalecimento da vigilância entomológica, campanhas educativas em comunidades vulneráveis e melhorias nas condições habitacionais antes que a transmissão da doença se intensifique nessas regiões. Trata-se de uma ferramenta estratégica para antecipar riscos e evitar surtos futuros.

Com base científica sólida, conseguimos entender melhor os riscos e agir de forma estratégica.

A próxima Conferência do Clima da ONU (COP 30), marcada para ocorrer em Belém, traz uma oportunidade histórica. Precisamos colocar a saúde climática no centro das discussões. A crise ambiental também é uma crise de saúde e justiça social. E a ciência tem muito a contribuir com soluções baseadas em dados e equidade.

Fonte: The Conversation Brasil

Você já sentiu diferença na forma de se comportar ao trocar o carro pela bicicleta?

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Você já sentiu diferença na forma de se comportar ao trocar o carro pela bicicleta?
Foto: Lilian Frazão (São Paulo, Beco do Batman)

Em um mundo que vive em alta velocidade, a bicicleta surge como um convite gentil ao movimento e à poesia. Ela nos lembra da beleza de ir sem pressa, de sentir cada instante da jornada e de redescobrir a arte de simplesmente estar. É uma experiência que vai muito além de chegar ao destino, é sobre aproveitar o caminho.

Navegar pelas ruas das grandes cidades é, sem dúvida, uma aventura singular e cheia de desafios para quem está ao volante. Em capitais como São Paulo, a rotina de congestionamentos e o tempo que parece escorrer pelos dedos acabam moldando profundamente o comportamento dos motoristas. Essa situação pode gerar um nível de estresse que, infelizmente, se manifesta em impaciência e até mesmo em agressividade. É comum vermos buzinaços incessantes, manobras arriscadas e ultrapassagens perigosas, tudo em busca de alguns metros preciosos.

Nesse ambiente tão competitivo, alguns motoristas acabam desenvolvendo hábitos que, embora pareçam “resolver” o problema no curto prazo, são bem perigosos. Fechadas e bloqueios para evitar que alguém passe à frente são exemplos claros dessa mentalidade. Toda essa imprudência no trânsito, inevitavelmente, cobra seu preço na saúde e no bem-estar, podendo levar a um estresse crônico. A exposição diária a situações tensas pode desencadear ansiedade, hipertensão e até problemas cardiovasculares. Além disso, o tempo que poderia ser dedicado ao lazer, à família ou ao descanso é consumido pelo trânsito, afetando diretamente nossa qualidade de vida. Sem falar na poluição gerada pelos veículos, que prejudica a saúde respiratória de todos na cidade.

Toda essa tensão no dia a dia do trânsito acaba se refletindo na falta de cortesia, na menor disposição para ceder a vez e em uma irritabilidade crescente, onde pequenos incidentes podem virar grandes discussões. É como se a cidade nos convidasse a uma disputa constante.

Leia também: Conheça o perfil do ciclista brasileiro

O Desafio da transição: do carro para a bicicleta

É interessante observar que, quando o motorista decide trocar o carro pela bicicleta, especialmente nos domingos, aquela mente treinada nas adversidades do trânsito parece se transferir para as duas rodas.

Experimente pedalar nas ciclofaixas de São Paulo aos domingos e perceba como essa mentalidade se reflete nas ruas. Muitas pessoas que estão de bicicleta acabam fazendo exatamente o que fariam no carro: impacientes com semáforos e pedestres, passam em velocidade absurda com suas bicicletas elétricas, ignoram crianças e suas bicicletas infantis e não respeitam as filas de bicicletas paradas no semáforo, se metendo no meio de outras só para arrancar assim que o farol abre.

Leia mais: Mobilidade urbana: para além dos elétricos, híbridos ou a combustão

O Convite gentil da bicicleta: respire e sinta!

Ao subir numa bicicleta, o convite é para uma nova realidade: estamos em um veículo diferente, mais lento, que nos permite uma sintonia muito maior com a cidade e uma conexão mais próxima com quem está ao nosso redor. A verdadeira essência da bicicleta nos convida a viver o espaço urbano de outra forma, bem longe da pressa e da agressividade dos carros.

Então, quando você for pedalar, respire fundo e se permita apreciar o melhor da vida. Vá sem pressa, sinta a cidade, cumprimente os pedestres, converse com os amigos e descubra lugares que talvez nunca fosse de carro. A bicicleta é mais do que um meio de transporte; é uma oportunidade de se reconectar com a cidade e com você mesmo.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Ferrovia Bioceânica: ministério assina acordo com China para iniciar estudos de ligação com Peru

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Ferrovia Bioceânica: ministério assina acordo com China para iniciar estudos de ligação com Peru
Ferrovia Bioceânica: ministério assina acordo com China para iniciar estudos de ligação com Peru

Memorando marca um importante avanço na integração logística sul-americana

Ministério dos Transportes firmou, nesta segunda-feira, 7 de julho, um memorando de entendimento com a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China. Com esse documento, os países deve dar início aos estudos da Ferrovia Bioceânica, futura ligação ferroviária entre Brasil e Peru. Dessa forma, o projeto busca integrar os sistemas logísticos dos dois países e promover o desenvolvimento sustentável da infraestrutura de transportes na América do Sul.
O acordo prevê a elaboração de um novo estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental para o trecho entre o porto de Ilo, no Peru, e o território brasileiro. Portanto, as diretrizes incluem análise de rotas e possíveis conexões com a malha ferroviária nacional. Além disso, está prevista a avaliação de impacto socioambiental e do potencial de movimentação de cargas. A ferrovia é considerada estratégica para ampliar o acesso do Brasil ao Oceano Pacífico e facilitar a integração com mercados asiáticos.

A assinatura do memorando aconteceu em Pequim, durante visita oficial do ministro dos Transportes, Renan Filho, à China. Conforme ele, a parceria representa um avanço concreto no diálogo bilateral e sinaliza o interesse dos dois países em fortalecer os corredores logísticos sul-americanos. O encontro também contou com a presença de representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Embaixada do Brasil na China.

Além do estudo técnico, o acordo prevê a criação de um grupo de trabalho conjunto para acompanhar os próximos passos do projeto. Essa equipe vai compartilhar dados, promover intercâmbio de experiências e definir diretrizes para futuras etapas de cooperação. A expectativa é que, após a conclusão dos estudos, seja possível avaliar a viabilidade da construção da ferrovia.

Ferrovia Bioceânica com foco no comércio exterior

A Ferrovia Bioceânica faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Portanto, carrega expectativa de virar uma alternativa para escoar a produção brasileira com mais eficiência e menor custo logístico. Ao permitir o acesso direto ao Oceano Pacífico, a ligação com o Peru pode reduzir distâncias e prazos de exportação para países asiáticos.

Aliás, a ferrovia tem potencial de diminuir a dependência de rotas concentradas no Atlântico e nos portos do Sul e Sudeste. O governo brasileiro aposta na iniciativa como forma de diversificar corredores de exportação e impulsionar o comércio internacional.

Fonte: Mobilidade Estadão

Parque da Mobilidade Urbana marca presença no Rio Innovation Week 2025, a maior conferência de tecnologia da América Latina

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Parque da Mobilidade Urbana marca presença no Rio Innovation Week 2025, a maior conferência de tecnologia da América Latina
Foto: Michel Filho/Prefeitura do Rio de Janeiro

Parque da Mobilidade Urbana integra a curadoria do Rio Innovation Week 2025, conectando inovação, ética e sustentabilidade nas cidades do futuro

O Pier Mauá, no Rio de Janeiro, será novamente o epicentro da inovação entre os dias 12 e 15 de agosto de 2025, com a realização do Rio Innovation Week (RIW), a maior conferência de tecnologia e inovação da América Latina — e o Parque da Mobilidade Urbana já confirmou sua participação como curador de mobilidade urbana do evento.

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Com uma proposta ousada e impactante, o RIW deste ano traz como tema central “Um olhar através da Ética”, reforçando a importância de pensar o futuro da tecnologia com consciência, responsabilidade e inclusão. As discussões giram em torno de temas como inteligência artificial, automação e biotecnologia, reforçando o papel dessas ferramentas como instrumentos de transformação — capazes tanto de promover inclusão quanto de ampliar desigualdades.

A presença do Parque da Mobilidade Urbana reforça a urgência de repensar o deslocamento nas cidades com foco em soluções sustentáveis, conectadas e centradas nas pessoas. A participação no RIW representa uma oportunidade estratégica de ampliar o debate sobre inovação em mobilidade e apresentar soluções que priorizem a equidade no acesso à cidade.

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O evento, que atraiu 185 mil visitantes em sua última edição, acontece em uma área total de 90 mil m², com 8 mil m² reservados para experiências imersivas, mais de 3 mil palestrantes nacionais e internacionais, 47 conferências, 39 palcos simultâneos, 15 trilhas temáticas e 2.200 startups conectadas com 430 expositores. Em 2025, o Rio Innovation Week promete mais de 2.000 workshops e mentorias, abrindo espaço tanto para grandes nomes quanto para jovens lideranças inovadoras.

Além disso, a diversidade de experiências e o caráter internacional do evento — que contará com mais de 20 delegações de diversos países — tornam o RIW uma vitrine privilegiada para o Brasil reafirmar seu protagonismo no cenário global da inovação.

O Parque da Mobilidade Urbana, reconhecido por promover a transformação urbana através de uma agenda integrada de sustentabilidade, inclusão e tecnologia, trará para o evento experiências que visam repensar os modos de viver e circular nas cidades. Será um ponto de encontro para quem acredita que o futuro da mobilidade precisa ser mais justo, acessível e humano.

Os temas debatidos contemplam a mobilidade urbana sustentável, tecnologia e inovação para a mobilidade urbana, infraestrutura e governança para a mobilidade do futuro e mobilidade acessível e inclusiva. As discussões aquecem para o Parque da Mobilidade Urbana que acontecerá em São Paulo em setembro.

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O Parque da Mobilidade Urbana integrará o Cidade CSC 25, que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de setembro de 2025 no Expo Center Norte (Pavilhão Vermelho) em São Paulo. Nesse evento paralelo ao Connected Smart Cities, o Parque da Mobilidade Urbana participa da programação com foco em transporte sustentável e urbano, integrando debates, painéis e experiências ao lado de outras iniciativas como GovTech, FutureTech, AirConnected e Urban Air Mobility. Sua presença ressalta o compromisso com a inovação aplicada à mobilidade, conectando soluções, políticas e tecnologias em prol de cidades inteligentes, humanas e inclusivas. 

Para saber mais sobre o Cidade CSC 25, clique aqui

Brics lidera pauta global por financiamento climático justo em declaração histórica no Rio

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Brics lidera pauta global por financiamento climático justo

Em cúpula no Rio, grupo se compromete a pressionar por reformas no sistema financeiro internacional e apoia meta da Presidência da COP 30 para alcançar.1,3 trilhão de dólares de financiamento para o clima em países do Sul Global

Em Declaração-Marco inédita, líderes do Brics se comprometem a liderar uma mobilização global para engajar o Sistema Monetário e Financeiro Internacional por medidas mais justas e eficazes de ampliação do financiamento climático. O acordo foi firmado nesta segunda-feira, 7/7, no Rio de Janeiro, o segundo dia da 17ª Cúpula do Brics.

No documento, os líderes do grupo reafirmam o multilateralismo como necessário para enfrentar os desafios impostos pela mudança do clima no mundo e, de forma mais dramática, aos países do Sul Global. Otimistas, eles apostam no “Mapa do Caminho de Baku a Belém para 1,3 trilhão de dólares”, iniciativa da Presidência da COP30 para multiplicar o financiamento climático para países em desenvolvimento, que deve ser apresentada em outubro.

Os membros do Brics ressaltam o papel da UNFCCC (Secretaria das Nações Unidas para a Mudança do Clima) como principal canal para a cooperação internacional nesta agenda e salientam empenho para a implementação  “plena e efetiva” do Acordo de Paris. Os líderes do Brics instam os países à revisão e fortalecimento de suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para 2030.

“Os países em desenvolvimento serão os mais impactados por perdas e danos. São também os que menos dispõem de meios para arcar com mitigação e adaptação. O Sul Global tem condições de liderar um novo paradigma de desenvolvimento, sem repetir os erros do passado”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da sessão nesta manhã.

Para garantir finanças climáticas acessíveis e sustentáveis no Sul Global, os países do grupo enfatizam que é fundamental a disponibilidade de recursos concessionais “para facilitar transições justas, baseadas em prioridades de desenvolvimento nacionalmente determinadas, que combinem a ação climática com o desenvolvimento sustentável”, estabelece a declaração.

Desequilíbrio de recursos para adaptação e mitigação

Os líderes do grupo salientam, mais uma vez, que, embora os países em desenvolvimento contribuam em menor medida para a mudança do clima, a vulnerabilidade da população dessas nações aos seus impactos são condições para o aumento urgente da proporção de financiamento para medidas de adaptação, particularmente por meio das finanças públicas, resolvendo o desequilíbrio entre os fluxos financeiros dirigidos à adaptação e à mitigação nessas regiões.

“Ressaltamos que esse desequilíbrio tem efeito desproporcionalmente negativo sobre os países em desenvolvimento e, particularmente, sobre os segmentos da população mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima. Conclamamos os países desenvolvidos a multiplicarem exponencialmente sua provisão coletiva de finanças climáticas para adaptação e para sanar lacunas de adaptação, incluindo ao menos dobrar, até 2025, os níveis de financiamento para adaptação fornecidos em 2019”, defende o Brics.

Mudança estrutural

O Brics pontua o compromisso com a reforma da arquitetura financeira internacional como condição para o atendimento de necessidades específicas de países em desenvolvimento como, por exemplo, o acesso às soluções e tecnologias, por meio do “direcionamento dos volumes de finanças que economias em desenvolvimento urgentemente necessitam para a ação climática”.

Os líderes convidam, ainda, as instituições financeiras internacionais, como os bancos multilaterais de desenvolvimento, a seguir com o alinhamento de seus modelos operacionais, canais e instrumentos em resposta ao aprofundamento da crise do clima, bem como para erradicar a pobreza. Eles sublinham a importância de um realinhamento estratégico do papel do setor privado no enfrentamento da mudança do clima e reconhecem a importância de instrumentos de financiamento misto (blended finance) para mobilizar capital privado e ampliar o papel catalisador dos fundos públicos.

Fonte: Agência Gov

Moradores de São Paulo criam grupo para cobrar soluções contra poluição sonora na cidade; PM atendeu mais de 100 mil chamados

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Moradores de São Paulo criam grupo para cobrar soluções contra poluição sonora na cidade; PM atendeu mais de 100 mil chamados
Foto: Reprodução/TV Globo

Vizinhos a cinco polos geradores de ruído na capital paulista se uniram para criar a Frente Cidadã pela Despoluição Sonora para cobrar do poder público soluções para os ruídos excessivos. PM já atendeu mais de 100 mil chamados de perturbação do sossego neste ano na capital e Grande SP.

Buzinas de carros e motos nas ruas. A britadeira em uma obra noturna. Dezenas de prédios sendo erguidos. E shows muito próximos a áreas residenciais. Essas são algumas das principais reclamações que levaram moradores de diferentes regiões da capital paulista a se unirem para criar a Frente Cidadã pela Despoluição Sonora da cidade de São Paulo.

A frente é formada por cinco movimentos de moradores do entorno de polos geradores de ruídos na cidade: vizinhos da Avenida Paulista, da Arena Allianz Parque, do Parque da Água Branca, do Instituto Butantan e do Vale do Anhangabaú.

Juntos, esses grupos buscam ganhar representatividade para discutir o problema dos ruídos excessivos na cidade junto aos poderes públicos.

“Queremos trabalhar numa negociação com o executivo em relação a quem tem responsabilidade sobre o que.” — Marcelo Sando, idealizador do grupo

Segundo Sando, o Programa de Silêncio Urbano [PSIU] entende que a responsabilidade dele é só bares, restaurantes, estabelecimentos fechados. Já a Secretaria do Verde do Meio Ambiente, diz ele, não compreende como sendo responsabilidade dela o ruído num sentido mais amplo, geral nas vias públicas.

“Então, existe uma falta de clareza de quem é responsável por esse problema”, afirma Sando, que também é o idealizador do movimento “Paulista Boa Para Todos”.

Histórico de reclamações

Entre janeiro e maio deste ano, a Polícia Militar registrou atendeu 100.375 chamados relacionados a perturbação do sossego público e “pancadões” na Capital e na Grande São Paulo. O dado é da Secretaria de Segurança Pública.

Em nota, a PM afirma que também mantém o combate à poluição sonora como uma das prioridades de sua atuação preventiva, especialmente nos casos de aglomerações com som em volume elevado.

Já o programa PSIU, da Prefeitura de São Paulo, registrou 24.858 protocolos entre 1º de janeiro e 5 de julho — uma média de 134 reclamações por dia.

A prefeitura afirma, em nota, que intensificou as ações contra pancadões e perturbação do sossego em toda a cidade. As operações são coordenadas pelas 32 subprefeituras, em parceria com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar, com fiscalizações-surpresa principalmente aos fins de semana.

Moradores do entorno do Vale do Anhangabaú têm enfrentado dificuldades para descansar durante os fins de semana por conta de eventos realizados no local, com música alta e luzes fortes que invadem os prédios de quem mora na região.

Os vizinhos do Parque da Água Branca também relatam a intensificação de eventos no local nos últimos meses, que trouxe aumento significativo de barulho na região. Além disso, foram registrados ruídos excessivos provenientes de obras realizadas no parque.

Já na região da Arena Allianz Parque, as reclamações de perturbação do sossego não são novas. O estádio chegou a receber uma notificação de fechamento administrativo em 2022 pela Prefeitura de São Paulo, por ter sido multado três vezes por descumprimento da Lei do PSIU.

“Juntar todos esses movimentos numa única frente cria um espaço de discussão e de debate público que era muito importante”, afirma o idealizador da Frente Cidadã pela Despoluição Sonora da cidade de São Paulo.

“A sociedade civil, extremamente organizada, tem mais condições de criar mudanças políticas, tanto na negociação com o executivo quanto na articulação com o legislativo e no acionamento do judiciário de uma forma mais efetiva, estruturada e organizada.” — Marcelo Sando, idealizador do movimento

Problemas de saúde

Além do incômodo gerado aos moradores de áreas barulhentas, o ruído excessivo pode causar problemas à saúde, como perda auditiva, insônia, comprometimento cognitivo, estresse crônico e até mesmo hipertensão.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina manifestou apoio à criação da Frente Cidadã pela Despoluição Sonora. Em carta enviada ao movimento, ele cita que “a crise do ruído urbano não se restringe a um bairro, evento ou região específica, ela está espalhada por toda a metrópole”.

Vecina, que também é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), ainda afirma na carta que “essas condições não apenas reduzem a qualidade de vida e até mesmo a expectativa de vida das pessoas, como também pressionam de forma significativa o Sistema Único de Saúde (SUS)”.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição sonora é um dos principais riscos ambientais à saúde humana nas cidades modernas.

Em entrevista à GloboNews, Vecina afirmou que os ruídos noturnos que uma cidade como São Paulo tem, por exemplo, podem significar uma mudança grande no modelo de adormecer.

“O momento de dormir é o momento de reconstrução do nosso corpo. Hormônios são liberados, são excluídos da nossa circulação. Com os ruídos que a cidade tem, a pessoa perde a capacidade de se recompor através do sono.” — Gonzalo Vecina, médico sanitarista

Cresce número de queixas

Em 2024, a cidade de São Paulo registrou uma média de 118 reclamações de poluição sonora por dia por meio do Programa de Silêncio Urbano (PSIU). O número é 117% maior que o registrado cinco anos antes, em 2019.

No ano passado, das mais de 43 mil denúncias de ruído feitas pelos canais 156 da prefeitura, apenas 1,2 mil — menos de 3% do total — resultaram em algum tipo de punição.

“Eu acho importante que exista a Avenida Paulista, que existam as festas na periferia. É importante que prédios sejam construídos. Mas, para o bem da comunidade, tem que haver limites”, afirma o professor da FSP-USP.

Para o idealizador da frente cidadã, Sando, independentemente das questões específicas de cada região, a capital paulista como um todo carece de regulamentação quando o assunto é poluição sonora.

“Não importa de onde está vindo o ruído. O som não respeita jurisdição privada ou pública. O som obedece às leis da física, né? Nós precisamos de uma lei de poluição sonora na cidade de São Paulo que seja pautada pela questão da saúde.”

O que diz a Prefeitura

Leia a íntegra da nota da Prefeitura de SP:

“A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) informa que, de acordo com levantamento do SP156, de 1° de janeiro a 5 de julho deste ano foram abertos 24.858 protocolos para o serviço ”PSIU”.

A Prefeitura de São Paulo intensificou as ações contra pancadões e perturbação do sossego em toda a cidade. As operações são coordenadas pelas 32 subprefeituras, em parceria com a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Polícia Militar, com fiscalizações surpresa principalmente aos fins de semana. Por meio do Programa de Silêncio Urbano (PSIU), até junho deste ano, foram registradas 708 autuações.

No mesmo período de 2024, foram 659. As denúncias podem ser feitas por meio do telefone 156, pelo Portal SP156 ou presencialmente nas Praças de Atendimento das Subprefeituras. Para que a fiscalização seja mais eficaz, é importante que o denunciante informe o endereço completo do local que está gerando o incômodo, o horário de maior incidência de barulho e a atividade exercida.”

Fonte: G1

Chile usa cabelo humano para economizar água e driblar a seca nas plantações; entenda

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Chile usa cabelo humano para economizar água e driblar a seca nas plantações; entenda
Foto: Foto: REUTERS/Pablo Sanhueza

Tapetes compostáveis com fios coletados em salões evitam perda de umidade e aliviam o estresse hídrico nas lavouras da árida do Chile.

O Chile enfrenta uma seca histórica que vem esvaziando seus reservatórios. Para tentar driblar a falta de água, o país está usando tufos de cabelo humano em plantações pelo país para tentar impedir que a água evapore e que os alimentos se percam.

A seca no país reduziu o volume de chuva. Isso ainda se soma com o calor, que faz com que o solo perca a pouca umidade que tem. E não é só de agora, há quinze anos o país passa por ciclos intensos de seca que fez com que os produtores buscassem soluções criativas para driblar a crise climática.

Foi isso o que fez a fundação Matter of Trust Chile, criada desde 2020 para promover a conservação e a regeneração por meio do uso criativo de resíduos.

Eles coletam cabelos de 350 salões pelo país e os fios são transformados em discos de cobertura morta compostável depois de passarem por um processo de tecelagem mecânica. (Veja a imagem abaixo)

A CEO da fundação explica que eles fizeram uma série de estudos e descobriram que o cabelo reduz a evaporação direta do solo em 71% e, com isso, economiza até 48% de água para irrigação. Isso faz com que o solo permaneça mais úmido e, com a crise, seja usada menos água para a irrigação.

“O cabelo é muito interessante. Ele contém nutrientes, nitrogênio, cálcio, enxofre e matéria orgânica que são adicionados ao solo, melhorando-o e aumentando o crescimento das plantas e a produção agrícola em pelo menos 30%”, disse Mattia Carenini, CEO da fundação, à agência Reuters.

A agricultora Maria Salazar é uma das produtoras que usa a iniciativa. Ela conta que adotou o uso de cabelos ao longo de sua plantação de lavouras limão em Taltal, cerca de 900 quilômetros ao norte da capital chilena, na árida região de Antofagasta.

“Os tapetes de pelos são um benefício para o sistema e para o estresse hídrico que enfrentamos. Ao fornecer sombra, eles mantêm bastante umidade e evitam que os raios solares evaporem a pouca água que temos”, disse Salazar.

Fonte: G1

Banco Central suspende Pix de mais três bancos

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Em ata, Banco Central não dá indícios de corte dos juros no início de 2026
Foto: Frepik | frimufilms

O Banco Central suspendeu as operações via Pix de mais três bancos. A decisão foi tomada depois que a Polícia Civil de São Paulo revelou, na semana passada, o maior ataque hacker já registrado contra o sistema financeiro brasileiro. O golpe desviou mais de meio bilhão de reais de instituições financeiras. A medida do Banco Central é preventiva e vale enquanto as investigações continuam.

A medida foi adotada contra três bancos de menor porte: Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank. Outras três instituições já haviam sido alvo desse bloqueio para operações via Pix: a Transfeera, a Soffy e a Nuoro Pay. A suspensão foi anunciada nesse fim de semana, tem uma validade de 60 dias, mas pode terminar antes, vai depender do andamento das investigações.

O objetivo é proteger o Sistema Financeiro Nacional. Esses bancos usam a mesma empresa de tecnologia, a C&M Software, para se conectar ao sistema brasileiro de pagamentos, inclusive para operações via Pix. Segundo a polícia, contas dessas instituições bloqueadas eram utilizadas para receber esse recurso por meio de transferências massivas via Pix, que depois eram convertidas em criptomoedas.

Até agora a investigação confirmou um desfalque de R$ 541 milhões apenas em um banco, o BMP. A estimativa é que esse volume seja bem maior, já que outras instituições foram atingidas. Na última sexta-feira (4) a polícia prendeu um funcionário da C&M acusado de vender a senha desse sistema para os criminosos. As investigações seguem em sigilo.

A polícia tenta agora descobrir quem são os demais envolvidos. Segundo as autoridades, não há indícios de prejuízos aos correntistas. Isso porque foram atingidas apenas contas reservas que são utilizadas para transações entre os bancos.

Fonte: TV Brasil

Apenas uma das cinco cidades da Serra mais impactadas pela chuva afirma ter plano para lidar com riscos climáticos

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Cidades têm até este mês para atualizar dados sobre riscos e desastres
Créditos: Infomoney/REUTERS/Diego Vara

Somente Veranópolis indicou possuir políticas específicas para eventos extremos em painel da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). A pasta prevê treinamentos com prefeitos da região e de todo o estado para auxiliar na elaboração de ações de médio e longo prazo 

Um ano após o maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul, e poucos dias depois de novos episódios de chuva intensa, a maioria das cidades da Serra ainda não investe em planos de prevenção para os riscos relacionados às mudanças climáticas e desastres extremos. Das cinco cidades da região que enfrentaram os problemas mais graves, como alagamentos ou deslizamentos de terra, apenas Veranópolis afirma contar com políticas ambientais de mitigação e adaptação.

É o que aponta o painel Roadmap Climático, iniciativa da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). O projeto foi lançado em novembro do ano passado, quando a Sema começou a coletar informações junto às prefeituras. A plataforma reúne dados sobre como os municípios gaúchos têm desenvolvido políticas e planos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e eventos extremos, como os ocorridos em maio do ano passado.

— Depois da enchente de 2024, o tema veio à tona. Então, esse projeto tem como objetivo promover a execução e a implementação dos planos de adaptação nos municípios. Cada cidade tem um plano de saneamento, por exemplo, então terá também um plano de adaptação às mudanças climáticas — explica a secretária estadual de Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann.

Apesar do baixo índice de cidades com planos estruturados, ficou claro para a Sema que os municípios da Serra conseguiram aprimorar o tempo de ação diante dos eventos climáticos extremos. O grande desafio encontrado é capacitar os gestores das cidades para pensarem políticas de médio e longo prazo, que possam tornar as cidades resilientes.

— Ao observar os dados coletados no Roadmap, identificamos que não apenas na Serra, em todo o Estado os governantes têm dúvidas sobre esses projetos. O plano de risco e redução da vulnerabilidade, por exemplo, não é a mesma coisa que os planos de contingência que já estão em funcionamento. Ele é mais complexo e precisa de um estudo local profundo — pontua a secretária.

Conforme Marjorie, os planos de contingência são acionados quando os eventos climáticos ocorrem. No entanto, o Estado espera que os gestores municipais consigam planejar ações antecipadamente. Outra situação apontada por ela, é que as ações indicadas pelos municípios são, em muitos casos, pontuais e não estão dentro do orçamento.

— É urgente a emergência climática que estamos passando no Estado. Para isso precisamos de adaptação, que nos levará à resiliência. A partir disso, podemos começar a pensar em ajustes nos procedimentos para sofrermos menos com esses efeitos climáticos extremos. Mas tudo isso está dentro de um contexto de um plano maior — indica.

O que o painel analisa

Entre os conjuntos de informações coletadas, que envolvem educação ambiental e inventário de gases de efeito estufa, estão as análises de risco. Nesse quesito, a Sema fez quatro questionamentos aos municípios:

A cidade possui análises de riscos climáticos?

  • A cidade possui dados ou estudos sobre as projeções de mudanças climáticas para o território?
  • Foram implementadas ações específicas de adaptação para lidar com os risco climáticos identificados?
  • A cidade possui política ou plano específico para lidar com os riscos e vulnerabilidades climáticas?

Nesse segmento, entre Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Gramado, Santa Tereza, Farroupilha e Veranópolis, apenas a última indicou ter programas definidos para situações de risco.

Todas as cidades citadas decretaram situação de emergência em maio do ano passado devido aos impactos da chuva intensa e dos alagamentos. Santa Tereza ainda se recuperava da enchente de setembro de 2023, quando foi atingida novamente. Bento Gonçalves e Veranópolis protagonizaram os maiores deslizamentos da região na Serra das Antas e precisaram lidar com interrupção total da BR-470.

Veranópolis é apontada por painel como a cidade mais preparada

Com 270 deslizamentos de terra registrados em maio do ano passado e com a principal rodovia que a conecta com a região fechada por meses, Veranópolis figura entre as cidades da Serra mais impactadas pelos efeitos climáticos extremos.

No painel da Sema, a cidade aparece como a mais estruturada na região para lidar com as crises relacionadas ao assunto. O município indicou ter análise de riscos climáticos, ter adotado ações específicas de adaptação, além de possuir um plano definido para situações de risco ou vulnerabilidade.

No primeiro semestre deste ano, a administração estruturou um plano de contingência integrado entre os moradores do interior, secretarias municipais e equipes de resgate, como o Corpo de Bombeiro e a Defesa Civil, bem como equipes de segurança, como a Brigada Militar. A prefeitura também reestruturou a Defesa Civil e tem promovido treinamentos com membros da Cruz Vermelha para representantes da comunidade e grupos de resgate.

— Reunimos esses grupos com os jipeiros, representantes das comunidades, para que todos soubessem como agir em momentos extremos. Temos um grupo no WhatsApp com os moradores de áreas de risco em que lançamos alertas e orientações. Ainda, três pluviômetros foram instalados na cidade pelo entro Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemadem) para monitorar a quantidade de chuva — explica o Coordenador da Defesa Civil, Genoir Frizon.

Farroupilha em divergência com governo estadual

Apesar de Farroupilha indicar no Roadmap Climático que conta com um plano específico para lidar com riscos e vulnerabilidades climáticas, a prefeitura informou ter apenas um plano de contingência. Para a Sema, no entanto, esse tipo de documento é distinto de um plano de adaptação climática.

Caxias e Bento: ações pontuais, sem plano estruturado

Conforme o painel, Bento Gonçalves respondeu positivamente apenas para duas estratégias: possui análise de riscos e implementou ações específicas para lidar com os riscos climáticos. À reportagem, a prefeitura informou que possui plano geológico, radares, pluviômetros e está organizando a instalação de sensores.

Já Caxias do Sul indicou que, das quatro estratégias, apenas uma foi adotada pela administração da cidade, a implementação de ações específicas. Segundo a prefeitura, a cidade tem um plano de contingência e está participando do projeto C40, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, em que é feita a análise de riscos climáticos.

Santa Tereza e Gramado são as menos preparadas, segundo mapeamento do Estado

Gramado e Santa Tereza indicaram resposta negativa para os quatro questionamentos da Sema sobre análise de risco. Ou seja, as cidades afirmaram que não possuem planos e também não adotaram ações específicas para lidar com os riscos.

Procurada pela reportagem, a Defesa Civil de Gramado afirmou que tem um plano de contingência e que está instalando novas estações meteorológicas para mapear chuvas e ventos. Ainda, o órgão está mapeando moradores em áreas de risco.

Em nota, a prefeitura de Santa Tereza informou que tem atualizado o plano de contingência a cada episódio de cheia e que considera “que apesar de tamanhos prejuízos, fomos exitosos por não perder nenhuma vida”. Ainda, a administração indicou que para realizar estudos mais amplos, são necessários profissionais que não estão disponíveis nas estruturas enxutas de cidades menores.

Formação para prefeitos prevista para este ano

Segundo a secretária Marjorie Kauffmann, as ações já implementadas são parte essencial da estratégia para preparar as cidades para eventos extremos futuros. Contudo, ela estima que esse conjunto de medidas represente cerca de 30% de um plano robusto.

Para auxiliar as prefeituras nessa reestruturação, a Sema irá promover a formação de gestores através do projeto AdaptaCidades. Lançado em dezembro do ano passado, o programa é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente. A ação irá permitir que cerca de 200 cidades gaúchas recebam consultoria para elaborar planos de adaptação climática para atender a realidade local.

— Esse plano se propõe a organizar ações antes da calamidade atingir o local. Onde eu consigo remover população? Qual região da cidade tem maior risco de inundação? Se chover tantos milímetros ou se tiver uma de calor, como a cidade vai se projetar para sofrer menos? Essas são algumas das questões que o plano de ação climática precisa responder — explica a secretária.

Os treinamentos serão realizados em parceria com as associações de municípios. Na Serra a Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) será a beneficiada. As ações estão previstas para começar no segundo semestre desse ano, ainda sem data confirmada.

— Neste momento a movimentação começa pelo estado, mas a mitigação climática é uma pauta que precisa ser permanente nos municípios. O plano de adaptação, o plano de contingência, os planos diretores e, principalmente, o pensar sobre as estruturas urbanas, rede de drenagem, altura das pontes e posicionamento da população, são algumas das ações que precisam ser revistas continuamente — argumenta Marjorie.

Fonte: GZH – Pioneiro