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De cada 10 residências no país, 3 não têm esgoto ligado à rede geral

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Brasil perde 6 mil piscinas de água tratada por dia, diz estudo
Foto: Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil

Piores condições são nas regiões Norte e Nordeste

Dos cerca de 77 milhões de domicílios que o Brasil tinha em 2024, 29,5% não tinham ligação com rede geral de esgoto. Isso representa três em cada dez. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento compara a situação de 2024 à de 2019. Cinco anos antes, o país tinha 68% dos lares ligados à rede geral e 32% sem ligação.

O grupo de 70,4% dos domicílios com acesso à rede geral inclui os endereços com ligação do banheiro a uma rede coletora e ainda as residências com fossa séptica ligada à rede.

Fonte: IBGE | Agência Brasil

Os dados do IBGE apontam as características dos esgotamentos, mas não se debruçam sobre o fato de os resíduos terem ou não tratamento.

Um estudo divulgado na última terça-feira (19) pela organização da sociedade civil Instituto Trata Brasil assinala que pouco mais da metade (51,8%) do esgoto produzido no país é tratada.

Diferenças regionais

A Pnad aponta desigualdades regionais em relação ao tipo de esgotamento dos domicílios. A Região Sudeste supera a média nacional. As piores condições são localizadas no Nordeste e no Norte.

 

Fonte: IBGE | Agência Brasil

No Norte, a classificação outro tipo ─ que inclui casos como fossa rudimentar, vala ou córrego ─ chega a 36,4%, sendo a mais comum na região e mais que o dobro da média nacional (14,4%).

A observação por unidades da federação revela que São Paulo (94,1%), Distrito Federal (91,1%), Rio de Janeiro (89,2%) e Minas Gerais (84,6%) aparecem no topo do ranking da ligação de esgoto à rede geral.

As piores proporções são no Piauí (13,5%), Amapá (17,8%), em Rondônia (18,1%) e no Pará (19,3%).

Ao dividir o Brasil em urbano e rural, o IBGE constata que, nas cidades, 78,1% dos domicílios têm esgoto ligado à rede. No campo, apenas 9,4%.

Abastecimento de água

A Pnad analisou também a forma de os lares brasileiros receberem água. No país, 86,3% das residências têm rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento. O Norte e Nordeste carregam os piores índices.

Fonte: IBGE | Agência Brasil

Rondônia é o único estado do país onde menos da metade (47,4%) dos domicílios tem rede geral como principal forma de abastecimento. São Paulo (96,6%) e Distrito Federal (96,5%) ostentam os maiores percentuais.

Mais do que verificar o percentual de domicílios que têm ligação com a rede geral de água, o IBGE identificou qual parcela tem disponibilidade diária dessa rede, ou seja, consegue receber água todos os dias.

No Brasil, são 88,4% dos lares. Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) têm menos da metade dos domicílios ligados à rede com disponibilidade diária. O topo do ranking fica com o Distrito Federal (98,2%) e Mato Grosso do Sul (98%).

Coleta de lixo

A pesquisa do IBGE mostra que 86,9% dos domicílios brasileiros contam com serviço de coleta de lixo.

Fonte: IBGE | Agência Brasil

A Pnad observa que, no Norte (14,4%) e no Nordeste (13,1%), a parcela de residências que colocam fogo no lixo é maior que o dobro da média nacional.

Alvenaria

O levantamento mostra que o Norte do país diminuiu a distância em relação às outras regiões relacionadas à característica estrutural dos domicílios.

No país, 89,3% das residências têm paredes construídas predominantemente de alvenaria (tijolo e cimento) com revestimento. No Norte, de 2016 para 2024, essa parcela passou de 61,5% para 71,2%.

Em relação ao material predominante no piso, no intervalo de oito anos, os lares nortistas que contam com cerâmica, lajota ou pedra passaram de 58,2% para 69,3% do total da região. No país como um todo, são 82,3%.

Fonte: Agência Brasil

”Papel do Ministério dos Transportes é prover infraestrutura para que a economia brasileira possa crescer mais rápido”, diz Renan Filho

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”Papel do Ministério dos Transportes é prover infraestrutura para que a economia brasileira possa crescer mais rápido", diz Renan Filho
Foto: Gustavo Mansur/Secom

Ministro apresentou balanço e prioridades da pasta durante audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20); projeto sobre CNH mais acessível foi destaque

ola propulsora fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, a infraestrutura de transportes vive seu maior ciclo de investimentos. Somente o modal rodoviário recebeu, nos últimos dois anos e oito meses, R$176 bilhões da iniciativa privada, em 16 leilões realizados.

A previsão é que, nesse ritmo de crescimento, o investimento privado no setor atinja a marca anual de R$45 bilhões em 2030.

“Isso, isoladamente, deve gerar um crescimento anual de 0,3% do PIB brasileiro. A previsão de investimentos privados para sete anos é de R$218 bilhões, de 2023 até 2029, enquanto o valor executado nos últimos 27 anos foi de R$129 bilhões, de 1995 até 2022”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho, durante audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20).

Renan Filho participou da Comissão de Viação e Transportes da Casa Legislativa, onde apresentou as prioridades da pasta para 2025.

“Participar desta comissão enriquece o trabalho do Ministério dos Transportes, é uma oportunidade de prestação de contas das nossas ações”, completou Renan Filho.

Entre as preocupações com os milhões de cidadãos que percorrem as estradas do país, o ministro dos Transportes detalhou o projeto que busca democratizar e tornar mais acessível o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“O Brasil tem uma das carteiras de habilitação mais caras do mundo. Isso resulta em cerca de 20 milhões de brasileiros dirigindo de maneira ilegal no país. O que estamos propondo é baratear esse custo, à luz da experiência internacional”, explicou o ministro.

A iniciativa busca desburocratizar o processo e desobrigar um número mínimo de aulas práticas, entre outros pontos. As provas — teórica e prática — seguem como são hoje, aplicadas pelos Detrans. O objetivo é aumentar a segurança viária — com pessoas preparadas, dirigindo dentro da lei —, e diminuir os excluídos do volante.

“Imagine o trabalhador, a dona de casa, a diarista, como ela vai arrumar tempo para fazer 40 horas de aula e, além disso, 20 horas de direção?”, questionou Renan Filho.

Compromisso e fiscalização

Outro ponto levantado na audiência foi a dedicação da pasta em relação à fiscalização dos contratos firmados com a iniciativa privada. Renan Filho citou a decisão sobre a concessão da EcoSul, no Rio Grande do Sul, e esclareceu que não haverá renovação do contrato que termina em março de 2026.

O modelo inicialmente firmado pelo Estado, e posteriormente assumido pela União, está desatualizado, o que evidencia os problemas da empresa em administrar as BRs 116/RS e BR-392, que enfrentam obras paralisadas.

“O contrato será finalizado no prazo e nós faremos uma nova concessão, que permita melhores preços e mais investimentos para o estado. Não vamos prorrogar, porque o povo gaúcho sofreu muito e não vai sofrer mais”, detalhou o ministro dos Transportes.

Escoamento do agronegócio

Destaque global como líder na produção e comércio de diversos produtos do agronegócio, o Brasil é, atualmente, o maior produtor e exportador de soja, responsável por 40% da cadeia mundial. O país ocupa ainda as primeiras posições em café, suco de laranja, açúcar, carne bovina e frango. O ministro dos Transportes ressaltou os esforços para aprimorar a capacidade das rodovias e ferrovias que são utilizadas para o transporte dos insumos.

“Nosso desafio é acompanhar o crescimento da safra brasileira. Somente este ano, a safra tem uma previsão de 345 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 16% em relação à anterior”, observou Renan Filho. “Uma das tendências é que o Arco Norte continue ampliando sua participação, que passou de 26% na exportação nacional em 2017 para 38% em 2024.”

Qualidade das rodovias

Nos dois anos e oito meses à frente da pasta dos Transportes, o ministro Renan Filho atuou para reverter o sucateamento e a negligência nas rodovias brasileiras causados pela gestão anterior.

“Do final de 2022 para o final de 2023, a malha considerada boa subiu de 52% para 75%. Já as estradas consideradas ruins e péssimas caíram de 23% para 7%. Os parlamentares aqui presentes podem perceber isso ao trafegar pelas rodovias dos seus estados”, disse.

Investimento recorde

No ano passado, o Brasil alcançou um recorde de R$259 bilhões em investimentos em infraestrutura de transportes, superando o marco anterior de 2014, que, ajustado pela inflação, totalizava R$239 bilhões. Desse total, R$197 bilhões correspondem a investimentos privados, enquanto R$62 bilhões são investimentos públicos.

“Desses R$62 bilhões de recursos públicos nacionais, o Ministério dos Transportes é responsável por R$15 bilhões. Dos R$197 bilhões de investimentos privados, o ministério também pilota a maior parte, com uma pequena divisão com os setores de energia e óleo e gás, devido à capacidade de investimento da Petrobras”, contou Renan Filho.

Entre as metas a serem atingidas, o ministro destacou o objetivo de alcançar o investimento privado em R$45 bilhões por ano até 2030.

Reconstrução gaúcha

Após a catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024, o Ministério dos Transportes se empenhou em devolver, com agilidade, os principais caminhos aos gaúchos.

Ao todo, foram destinados quase R$3 bilhões para a reconstrução de rodovias e pontes, além do trabalho de 1,2 mil profissionais do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

“O PIB brasileiro cresceu 3,4% em 2024 e, com o fortalecimento dos investimentos, as ações de recuperação e os recursos destinados à região, o PIB do Rio Grande do Sul, pela primeira vez na década, cresceu mais do que a média nacional, ficando em 4,9%. Nos últimos 3 anos, foi a primeira vez que o crescimento do estado superou a média nacional”, afirmou Renan Filho.

Fim da espera

Investimentos robustos permitem a finalização de grandes obras, como o Contorno do Mestre Álvaro na BR-101, no Espírito Santo. A população da Grande Vitória aguardava a entrega havia décadas.

“Na região de Serra, todo o tráfego da BR-101 era por dentro e, em períodos de pico no trânsito, o motorista leva duas horas para dirigir diariamente. Agora desafogou bastante”, celebrou o ministro dos Transportes.

Já no modal ferroviário, o destaque é a retomada dos serviços na Transnordestina, que ficaram quatro anos parados. “Essa é a maior obra de infraestrutura do Nordeste, são R$12 bilhões de investimento para que o projeto esteja andando a pleno vapor. Há 4 mil homens trabalhando para construir a maior ferrovia que vai ligar o Piauí ao Ceará e a Pernambuco, conectando três portos importantes”, disse.

O que vem por aí

Uma das prioridades da pasta para o próximo semestre é a conclusão de importantes obras que o governo passado deixou inacabadas. Uma delas é a ponte de Xambioá, sobre o Rio Xingu, no Pará.

“Todas as providências foram tomadas e essa ponte será entregue agora, no segundo semestre deste ano. A ligação entre o agro do Maranhão com o agro do Piauí também está em pauta, com a construção das pontes nas cidades de Tasso Fragoso e Ribeiro Gonçalves”, finalizou Renan Filho.

Fonte: Ministério dos Transportes

Governança de Ecossistemas

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Governança Exponencial: Compras Públicas Inteligentes e o Futuro Digital do Estado Brasileiro
Foto: Enviada por Giovani Bernardo

Orquestrar para Avançar

No coração de qualquer ecossistema de inovação bem-sucedido está a governança. Ela é a
força que precisa superar egos e alinhar todos os participantes em torno de um objetivo
comum. A governança orquestra as relações e mostra que cada parte só alcança sua força
máxima quando atua de forma conjunta. No fim do dia, o grande resultado é sempre a
melhoria do ambiente de negócios, impulsionando o crescimento e a aceleração das
iniciativas inovadoras.

Reconhecer e valorizar esse trabalho é fundamental para que a governança se fortaleça e
inspire novas práticas. É justamente com esse propósito que surge o CSC Ecossistemas de
Inovação, um selo que vai além do reconhecimento simbólico: ele valida a capacidade das
lideranças locais de orquestrar suas iniciativas, coroa o esforço coletivo e estabelece
parâmetros claros para que outros ecossistemas possam aprender e evoluir.

Para mim, o CSC Ecossistemas de Inovação é mais do que um reconhecimento, é um
catalisador para que cidades e regiões assumam uma gestão estratégica da inovação. Ele cria parâmetros claros, inspira boas práticas e fortalece a governança compartilhada entre governo, empresas, academia e sociedade civil.

O Desafio da Orquestração

Bom se esse processo fosse simples e fluido, mas não é. E um dos grandes desafios que temos visto na governança de um ecossistema de inovação é aproximar grandes empresas (corporates) que, por sua natureza, atuam de forma mais independente. Pense, por exemplo, em um porto, um aeroporto ou uma ferrovia. Esses grandes equipamentos de infraestrutura não estão focados apenas no mercado local; eles servem a uma gama ampla de clientes e usuários. Por isso, coordenar suas ações dentro de um ecossistema local pode ser complexo.

Na Exxas, temos observado que um dos caminhos para trazer essas grandes empresas para mais perto do ecossistema é ter uma governança bem organizada, com um plano e uma visão de futuro claros. Isso ajuda essas empresas a enxergarem que o ecossistema tem um propósito e que vale a pena se envolver. Além disso, envolvê-las diretamente na governança é uma forma de fazê-las compreenderem a importância desse papel e, com o tempo, se sentirem motivadas a investir e participar mais ativamente.

A inovação aberta também se torna um grande fator de aproximação. Quando essas grandes empresas percebem que podem resolver seus desafios operacionais se conectando com startups, pesquisadores ou parceiros locais, elas passam a ver valor na integração com o ecossistema. É assim que a orquestração se torna não apenas uma meta, mas uma ponte concreta para o crescimento conjunto.

A Importância da Medição de Resultados

Um ponto crucial na governança de ecossistemas de inovação é a capacidade de medir e
demonstrar resultados concretos. Programas como o Centelha, em Santa Catarina, já
demonstraram que o retorno econômico e fiscal das empresas apoiadas pode ser várias vezes superior ao investimento inicial. Esses dados ajudam a justificar o investimento contínuo, especialmente por parte do setor público.

No entanto, ainda existe um desafio significativo: muitas governanças encontram dificuldade em mensurar o impacto econômico de ambientes de inovação, especialmente centros e parques tecnológicos, na economia local, por exemplo no que diz respeito ao recolhimento de impostos. Esse tipo de indicador é vital para mostrar como o ecossistema deixa recursos localmente e reforça a importância do investimento público nessas iniciativas.

Do Reconhecimento à Ação

Em última análise, a governança de ecossistemas de inovação é o que transforma uma coleção de atores individuais em uma força coletiva poderosa. Medir resultados de forma clara e envolver empresas, entidades associativas empresariais, instituições públicas, academia e entidades da sociedade civil organizada na orquestração do ecossistema não é apenas uma estratégia, mas uma necessidade para garantir que todos avancem juntos em direção a um objetivo comum.

O CSC Ecossistemas de Inovação cumpre um papel essencial nesse contexto: além de coroar o trabalho realizado, ele oferece um padrão de referência e incentiva a continuidade das boas práticas. É um lembrete de que o reconhecimento deve ser apenas o começo, o verdadeiro valor está em transformar esse prestígio em ações concretas que fortaleçam a rede, ampliem a colaboração e mantenham a inovação viva no dia a dia dos territórios.

Vamos inovar juntos?

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Primeiro prédio do Parque Palafitas já toma forma no Dique da Vila Gilda em Santos

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Primeiro prédio do Parque Palafitas já toma forma no Dique da Vila Gilda em Santos
Foto: Doug Fernandes

O Parque Palafitas, projeto de revitalização da maior favela de palafitas do País, começou a tomar forma visível de conjunto habitacional com o posicionamento dos 57 painéis pré-fabricados que vão compor o andar térreo do primeiro prédio do empreendimento no Dique da Vila Gilda (Bom Retiro).

Ao todo, serão erguidos quatro conjuntos de apartamentos com 44 unidades e dois de casas, cada um com oito residências térreas, totalizando 60 habitações.

O primeiro painel, com pouco mais de uma tonelada, foi içado na segunda-feira (18) e posicionado por um guindaste na primeira das sete lajes já concretadas – é a primeira das quatro suspensas sobre a maré e sustentada por 49 estacas e blocos.

“Começamos a erguer o primeiro prédio, que ficará pronto em um mês; é um trabalho rápido, é uma obra de qualidade dando dignidade para as pessoas. O Parque Palafitas é um projeto-piloto não só para Santos, mas para o Brasil. O maior orgulho é que esta obra vai mudar a vida de muita gente”, afirmou o prefeito Rogério Santos, em visita às obras na manhã de terça-feira (19).

Além do primeiro prédio, essa laje, abrigará também as instalações da associação dos moradores. O prédio disporá de térreo e um andar (também formado por 57 painéis), cada um com quatro apartamentos, totalizando oito unidades habitacionais.

“A proposta é estabelecer uma nova forma de ocupação sustentável nas áreas de mangue, de forma a proporcionar condições dignas de moradia a famílias hoje instaladas precariamente no local”, ressaltou o titular da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), Fabrício Cardoso,

O projeto da Prefeitura envolve soluções construtivas mais simples e rápidas, a exemplo dos imóveis, que serão pré-fabricados. “O Parque Palafitas contará com toda a infraestrutura necessária como iluminação pública, água e esgoto, área para lazer e comércio, parques e espaços para regeneração do mangue”, frisou o secretário. O local será dotado, ainda, de infraestrutura de telecomunicações e de combate a incêndio.

O projeto de revitalização da favela utiliza a metodologia de estaqueamento com laje, aplicada em outros países e semelhante à empregada na construção de terminais portuários.

As sete lajes de apoio, cinco já prontas foram concretadas sobre 212 estacas com blocos de fundação, fincadas a uma profundidade entre 30 e 35 metros.

A sexta laje deverá ser concretada nesta quarta-feira (20), e a última, sobre a qual será instalada a área comercial, ainda não tem data prevista. O entorno da área das lajes de apoio suspensas terá proteção de guarda-corpo, com 205m de extensão.

CONSTRUÇÕES

A segunda laje, com 260m², é a primeira apoiada no solo, e terá um prédio de quatro andares (térreo mais 3), totalizando 16 apartamentos. Já a terceira, também no solo e com a mesma área, disporá de uma edificação com três andares (térreo mais dois), para 12 apartamentos.

Já a quarta e quinta lajes (521m² e 244m²), também suspensas sobre a maré, receberão, respectivamente, oito casas térreas cada. No primeiro caso, quatro casas serão destinadas a pessoas com deficiência (PcD) e, sobre a quinta laje, haverá também um prédio com dois andares (térreo e um andar), para oito apartamentos.

Sobre a sexta laje (595m²), a quarta sobre a maré, serão construídas oito casas, enquanto a sétima (600m²), a terceira sobre o solo, destina-se à área comercial do Parque Palafitas, que contará com duas edificações em formato de ‘L’.

Também será instalado um píer flutuante, integrado por dois módulos de 12m por 3m, para utilização de passageiros de embarcações, nos moldes do existente na Ponte Edgard Perdigão (Ponta da Praia).

HABITAÇÕES

Cada apartamento do Parque Palafitas terá 41,69m², com sala, dois quartos, cozinha conjugada com lavanderia, banheiro e área de circulação.

Já as 16 casas serão dotadas de sala de estar e jantar integrados, cozinha, área de serviço, dois quartos, banheiro e varanda dos fundos.

As edificações gerais de apoio, institucionais e comerciais do Parque Palafitas ocuparão 309 m². Serão construídos dois prédios comerciais, um com quatro salas e o outro, com três, e a associação de moradores terá espaço próprio.

Na área do projeto, foram removidas apenas as habitações mais vulneráveis junto à água para permitir a regeneração do mangue e criar espaços de lazer, chamados de respiros.

INVESTIMENTO

As fundações e superestrutura para a implementação do Parque Palafitas estão a cargo da empreiteira TMK Engenharia S.A., vencedora da licitação pública, e representam investimento de R$ 16.586.364,04, sendo R$ 12.309.200,92 do Governo do Estado e o restante, do orçamento municipal. O prazo contratual expira em outubro.

Já a construção das 60 unidades habitacionais em estrutura modular está orçada em R$ 12.680.000,00, sendo R$ 9.353.799,08 provenientes do governo do Estado e o restante, do orçamento da Prefeitura. Essa etapa está sob responsabilidade da Tecverde Engenharia S.A., com prazo contratual até fevereiro.

Fonte: Prefeitura de Santos

Tarifaço de Trump ameaça 32 mil pescadores artesanais no Ceará: ‘É quem mais sofre e quem menos ganha’

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Tarifaço de Trump ameaça 32 mil pescadores artesanais no Ceará: 'É quem mais sofre e quem menos ganha'
Fonte: Getty Images

Quase 90% dos pescadores do Ceará têm renda mensal inferior a R$ 1.045

O Ceará exportou US$ 93,8 milhões em pescados em 2024, o maior valor entre todos os Estados do país, conforme os dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Contêineres abastecidos especialmente de lagosta, atum e os chamados peixes vermelhos (pargo, cioba, ariacó, guaiúba) foram embarcados para 44 países.

O principal mercado, de longe, foram os Estados Unidos, destino de 46,85% do total (US$ 52,8 milhões).

A concentração fez o setor de pescados cearense ganhar atenção no noticiário em meio às discussões em torno da sobretaxa de 50% imposta pela gestão de Donald Trump a milhares de produtos brasileiros.

Depois de ferro e aço, a categoria é a segunda mais importante no comércio bilateral entre os EUA e o Ceará, Estado que envia 44,9% de tudo o que vende para o exterior para os americanos e que, por isso, deve ser o mais afetado em termos proporcionais pelo tarifaço americano.

Apesar de ser fortemente exportadora, a indústria de pescados do Ceará não é abastecida por embarcações robustas servidas por ferramentas tecnológicas.

Por trás dos grandes números, na ponta inicial da cadeia de produção estão cerca de 32 mil pescadores artesanais, conforme os registros do Ministério da Pesca e Aquicultura.

São homens em sua maioria com pouca instrução, que muitas vezes passam dias no mar em embarcações de pequeno e médio porte que geralmente pertencem a terceiros e vendem praticamente tudo o que produzem a intermediários na praia, chamados localmente de “marchantes”, ou aos donos dos barcos.

Conforme os especialistas e trabalhadores do setor ouvidos pela BBC News Brasil, são essas duas figuras que, via de regra, repassam os pescados para a indústria, que faz seu beneficiamento e os distribui ao mercado interno ou vende ao exterior.

Maioria tem renda inferior a um salário mínimo

Dos 32 mil pescadores artesanais reunidos no Painel Unificado do Registro Geral da Atividade Pesqueira e cadastrados no Ceará, 88,5% (28.931) têm renda mensal inferior a R$ 1.045 e 60% (19.646) têm ensino fundamental incompleto.

Cerca de 25% (8.378) trabalham embarcados e aproximadamente 36% (11.881) são mulheres.

“Recentemente ouvi de alguns deles que, quando a pesca é boa, eles tiram um salário mínimo por mês — isso trabalhando dois períodos, de manhã e à tarde”, diz Caroline Feitosa, professora do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC), referindo-se a dados que coletou em trabalho de campo no último mês de março.

A pesquisadora explica que o nível de infraestrutura de que os pescadores artesanais do Ceará dispõem para trabalhar varia conforme o tipo de atividade à qual eles se dedicam.

Aqueles que abastecem o mercado interno são os que geralmente usam embarcações bastante simples, à vela ou movidas por um motor de rabeta e sem sistema de refrigeração a bordo.

“Mas mesmo esse pescador se desloca muito hoje em dia”, ressalta a professora. “Ele percorre praticamente toda plataforma continental [porção que vai da costa até o início da parte mais profunda do oceano]”, completa.

Nesses casos, o que é pescado geralmente é comercializado na praia, vendido a atravessadores que vão distribuir para as barracas de praia, mercados e restaurantes.

No outro extremo está a pesca de espécies como o atum, que é bastante voltada à exportação e pode acontecer em embarcações um pouco maiores e “mais confortáveis”, munidas de equipamentos como GPS e sonda e com autonomia para ficar até 40 dias no mar.

Nesse nicho, os donos dos barcos geralmente negociam diretamente com a indústria a compra do que for pescado.

Boa parte das embarcações de médio porte usadas na captura para exportação de outros peixes, contudo, é mais simples: “Eles usam basicamente um GPS, marcação em pontos de terra [usadas como referência]…e a experiência.”

E há, ainda, a pesca da lagosta, que também é muito voltada para o mercado externo e que pode acontecer com pequenos botes motorizados e até jangada, ainda de acordo com a pesquisadora, que é também coordenadora do Laboratório de Dinâmica Populacional e Ecologia de Peixes Marinhos (Dipemar), que se dedica ao estudo da pesca artesanal.

Elo mais fraco

Independentemente da dinâmica de trabalho, Feitosa ressalta que os pescadores são o elo mais vulnerável da cadeia e, por isso, correm o risco de sentir os principais efeitos negativos do tarifaço.

“O pescador é quem mais trabalha, quem mais sofre e quem menos ganha”, ela pontua.

O diretor técnico e presidente do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe), Carlos Eduardo Villaça, faz análise parecida. Dada a importância da exportação na atividade de pesca no Estado, “todos esses pescadores vão ser impactados de alguma forma” pela tarifa de 50% imposta aos produtos embarcados aos EUA, ele avalia.

No momento, as colônias de pescadores do Ceará tentam entender como esse impacto vai se desenhar.

Ainda que o tarifaço tenha entrado em vigor no último dia 6 e que a embarcação de alguns contêineres de pescado tenha sido suspensa, o efeito dominó de uma possível redução das vendas aos EUA ainda não foi plenamente sentido nessa ponta da cadeia.

A pesca no Ceará geralmente arrefece nesta época do ano, marcada por fortes ventos no litoral.

Maria Cristina de Sousa, presidente da Colônia de Pescadores Z-8 de Fortaleza, conta que muitos a têm questionado nos últimos dias sobre o que esperar, depois de terem “escutado alguma coisa na televisão ou de terem ouvido de parentes” que seu trabalho poderia ser negativamente afetado por uma decisão do presidente dos EUA.

“Eles estão assustados”, diz ela, que foi marisqueira, é filha de pescador e desde o ano passado representa 2,6 mil pescadores artesanais da capital cearense.

O assunto, segundo Sousa, vai ser discutido na próxima segunda-feira (25/8) em uma reunião entre pescadores, proprietários de barcos, empresários e agentes do poder público na sede da colônia.

Um dos temores dos pescadores é que eles sejam pressionados pelos intermediários a vender o que tiram do mar a preços ainda mais baixos do que os praticados hoje.

Esse é um cenário possível, na avaliação de Felipe Matias, que é cientista-chefe da Economia Azul da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), ligada à Secretaria de Pesca e Aquicultura.

Poderia acontecer caso a indústria tentasse reduzir o preço de venda em dólar para compensar em parte a tarifa de 50%, ele exemplifica. Ou mesmo que conseguisse redirecionar uma parte da produção antes destinada a exportação para o mercado doméstico, que tradicionalmente, por conta do câmbio, paga mais barato pelos pescados.

Nesses casos, as empresas que beneficiam os pescados podem buscar atenuar a redução em suas margens de lucro tentando negociar preços mais baixos com os atravessadores que, por sua vez, podem repassar essa pressão aos pescadores.

Feitosa também avalia que esse é um desdobramento possível. “Claro que vai diminuir da ponta do pescador”, ela comenta.

O governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), anunciou quatro medidas para tentar reduzir o impacto do tarifaço americano, entre elas a compra de produtos das empresas afetadas pelo governo.

No caso dos pescados, eles seriam direcionados, por exemplo, para programas como o Ceará Sem Fome e para escolas e hospitais.

O governador já afirmou, contudo, que o Executivo não pagaria o preço de exportação dos itens.

O declínio da pesca industrial no Ceará (e no Brasil)

A predominância da pesca artesanal na cadeia de produção de pescados no Ceará — e na maioria dos Estados do país — se deve a uma mudança profunda no ecossistema marinho do litoral brasileiro últimas décadas.

A pesca industrial chegou a ser praticada em larga escala décadas atrás. O pai de Maria Cristina de Sousa, inclusive, foi pescador nesse contexto, contratado formalmente por uma empresa.

A superexploração dos animais, contudo, levou à redução significativa da população de diversas espécies.

“Diminuiu a lagosta, diminuíram os peixes de forma geral… e aí as embarcações foram diminuindo, porque as mais caras não eram mais viáveis”, explica Felipe Matias, que é engenheiro de pesca.

Hoje, praticamente só Pará e Santa Catarina trabalham com embarcações maiores, concentrando boa parte dos 4,4 mil pescadores industriais que constam no registro do Ministério da Pesca e Aquicultura. Os pescadores artesanais no país somam cerca de dois milhões, segundo a base de dados.

Matias acrescenta que, apesar de extenso, o litoral do Brasil não é abundante em peixes (ou “piscoso”, no jargão do setor).

“Nós temos uma grande diversidade de espécies, mas em pouca quantidade”, aponta.

Já o Peru, ele compara, tem uma variedade bem menor de espécies, mas quantidades abundantes.

Enquanto o Brasil produz cerca de 800 mil toneladas de pescado a partir da pesca, o país vizinho, que tem um litoral um pouco maior que o do Ceará, produz entre sete e nove milhões de toneladas.

“Lá é piscoso, pelos nutrientes da água, pela corrente [marítima] de Humboldt e outros fatores”, explica.

Matias destaca que o cenário turbulento atual é transitório e vê o momento como uma oportunidade de o setor reduzir a dependência do mercado americano e buscar novas praças.

Uma delas seria, em sua visão, a União Europeia, que interrompeu as compras do Brasil por volta de 2017 alegando questões sanitárias depois de uma vistoria realizada em barcos de pesca em Santa Catarina.

Fonte: BBC

Brasil lança calculadora ABC+Calc para emissões agropecuárias com foco em sustentabilidade

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Brasil lança calculadora ABC+Calc para emissões agropecuárias com foco em sustentabilidade
Fonte: Divulgação Embrapa

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Embrapa Suínos e Aves e o Instituto 17, lançou no dia 12 de agosto a plataforma ABC+Calc — uma ferramenta digital projetada para quantificar emissões de metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O) provenientes do manejo de resíduos sólidos da produção animal. A iniciativa é vinculada ao Plano ABC+, do Mapa, e à Coalizão Clima e Ar Limpo, liderada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A plataforma tem como proposta sistematizar dados de emissões nas cadeias de suínos, aves, bovinos de corte e bovinos leiteiros, oferecendo suporte técnico aos grupos gestores estaduais, à coordenação nacional do ABC+ e aos demais atores envolvidos na política agropecuária. Desenvolvida com metodologias reconhecidas internacionalmente, a ABC+Calc busca auxiliar na formulação de políticas públicas e no cumprimento das metas climáticas brasileiras.

A pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Marilia Folegatti foi convidada para a mesa-redonda no lançamento da calculadora, que calcula as emissões de dejetos de animais. “Essa calculadora serve de apoio a gestores públicos e a pessoas dos estados que vão construir os inventários estaduais de emissões e remoções de gases de efeito estufa. É uma ferramenta para gestão pública, construída com a melhor ciência disponível e que tem uma grande chance de ser uma ferramenta parceira dos programas de baixo carbono da Embrapa”, destaca a cientista.

Segundo o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Mapa, Pedro Neto, a ferramenta representa um avanço essencial para consolidar a contribuição do setor agropecuário à segurança climática e à sustentabilidade. Ele também destacou seu potencial para inspirar ações replicáveis em nível global.

A doutora em Engenharia Agrícola Deisi Tapparo, representante do Instituto 17, apresentou o funcionamento técnico da plataforma, explicando como acessar, inserir dados e visualizar os resultados por estado ou de forma agregada nacionalmente.

A ideia é que os dados coletados por estados sejam abertos e acessíveis ao público em geral, promovendo transparência e permitindo que essas informações subsidiem ações de mitigação em todas as esferas.

O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Airton Kunz destacou que, embora inicialmente voltada ao manejo de resíduos animais — responsáveis por cerca de 5,7% das emissões de metano no Brasil —, a ABC+Calc foi criada com flexibilidade para abranger outras cadeias produtivas e atividades do setor rural, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e áreas degradadas.

Folegatti reforça a relevância de ferramentas como a ABC+Calc adaptadas à realidade tropical. Para as cadeias de produção animal, o tratamento de dejetos é bastante significativo no que se refere a emissões de gases de efeito estufa. Na fase de campo, o principal gás emitido é o metano, resultante da fermentação entérica, mas na fase imediatamente seguinte, quando se tem dejetos de forma acumulada, as emissões, dependendo de como esse dejeto é tratado, podem ser muito relevantes.

Fonte: Embrapa

Benefícios fiscais do governo têm em 2024 primeira queda em quatro anos, diz Planejamento

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Benefícios fiscais do governo têm em 2024 primeira queda em quatro anos, diz Planejamento
Foto: Diogo Zacarias/MF

Corte de benefícios é um dos objetivos para reequilibrar contas públicas, que registraram rombo de R$ 43 bilhões em 2024. Meta neste ano é zerar déficit, mas não deve ser atingida.

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão informou nesta terça-feira (19) que os benefícios fiscais, financeiros e creditícios somaram R$ 678 bilhões no ano passado — o equivalente a 5,78% do Produto Interno Bruto (PIB).

Isso representa queda na comparação com 2023, quando os benefícios fiscais somaram 6,1% do PIB — comparação que é considerada mais apropriada por especialistas.

“Essa redução é importante por consolidar a quebra da tendência de expansão observada desde 2020”, avaliou o Ministério do Planejamento.

BENEFÍCIOS FISCAIS % DO PIB

Fonte: MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO

A redução de benefícios fiscais é um dos objetivos do governo para tentar reequilibrar suas contas, que registraram rombo de R$ 43 bilhões em 2024. O saldo negativo correspondeu a 0,36% do PIB.

A meta deste ano é zerar o déficit fiscal, mas o próprio governo projeta que as contas seguirão no vermelho até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por conta das exceções à meta fiscal, como precatórios e, mais recentemente, a ajuda aos setores afetados pelo tarifaço.

Conforme o Ministério do Planejamento, houve redução nos gastos tributários e nos benefícios creditícios (recursos alocados a fundos, programas ou concessões de crédito, com juros subsidiados).

Mas houve aumento dos subsídios financeiros (gastos com, por exemplo, assunção de dívidas pela União).

“Essas oscilações não alteram o panorama geral de dominância dos subsídios tributários, que representam mais de 83% do orçamento total de subsídios da União. Dentre os tributários, destacam-se os valores do Simples Nacional (17,4% do total de subsídios), o apoio à agricultura e agroindústria (11,4%) e a não tributação de rendimentos de pessoas físicas (rendimentos isentos, não tributáveis e deduções de rendimentos somam 14,2%)”, diz o Ministério do Planejamento.

  • Nos últimos anos, após decisão judicial, o governo negociou com o Congresso Nacional o fim progressivo da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia e, em 2025, acabou o benefício fiscal para o setor de eventos, chamado de Perse.
  • A área econômica, porém, também propôs o aumento de benefícios tributários para a classe média, com a desoneração de rendas de até R$ 5 mil da cobrança do Imposto de Renda, beneficiando 10 milhões de pessoas em um ano eleitoral (se aprovada), além da isenção parcial para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.
  • A medida vai beneficiar 32% dos trabalhadores brasileiros, aqueles que ganham atualmente mais de dois salários mínimos (valor já desonerado pelo governo em 2025).
  • Para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil mensais, o governo pretende taxar os super ricos, ou seja, aqueles com renda mensal superior a R$ 50 mil — o equivalente a R$ 600 mil por ano.
  • O Ministério do Planejamento já divulgou avaliação formal de que as deduções no Imposto de Renda de gastos em saúde e educação, que vigoram atualmente, favorecem os mais ricos. Entretanto, o governo não propôs alterá-las neste momento.

O que pode ser cortado?

Em audiência pública no Senado, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, lembrou do objetivo – mas não meta formal – que consta da chamada PEC Emergencial, aprovada em 2021 pelo Congresso Nacional, reduzir os benefícios fiscais pela metade, para 2% do PIB, em até oito anos, ou seja, até 2029.

Ela lembra, porém, que a reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023 pelo Legislativo, blinda alguns gastos tributários da possibilidade de redução.

Entre as despesas blindadas, por exemplo, estão o Simples Nacional e a Zona Franca de Manaus. Ao todo, os benefícios que terão de ser preservados somam pouco mais da metade (52,7%) do total de gastos tributários.

Simone Tebet elencou, por outro lado, os benefícios passíveis de serem cortados nos próximos anos. Entre eles, estão deduções para pessoas físicas e para o setor automotivo. Veja a lista abaixo:

Foto: Ministério do Planejamento

Fonte: G1

Mapa é pioneiro na criação de coordenação de segurança cibernética com autonomia plena

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Mapa é pioneiro na criação de coordenação de segurança cibernética com autonomia plena
Crédito: Banco de imagem

Iniciativa fortalece a proteção digital no setor público e estabelece marco para governança cibernética

Em um movimento pioneiro no Governo Federal, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tornou-se o primeiro órgão ministerial a instituir uma Coordenação-Geral de Segurança da Informação e Cibersegurança com estrutura independente e status estratégico. A iniciativa inaugura um novo modelo de referência na gestão pública.

A criação da nova coordenação, liderada pela Subsecretaria de Tecnologia da Informação (STI/Mapa), representa um avanço importante no fortalecimento da governança digital. A estrutura terá total autonomia para lidar com proteção de dados, sistemas e serviços do Ministério, em alinhamentos direto com a força do agro brasileiro.

O subsecretário de Tecnologia da Informação, Camilo Mussi, destacou a diferença que o Mapa está fazendo em mover a segurança de uma infraestrutura, onde se cumpre os deveres com velocidade e de forma objetiva, para uma coordenação dedicada diretamente em preservar a informação, assim tornando a função mais sólida.

Para Mussi, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) já possuem Coordenações-Gerais voltadas à segurança da informação, mas exercem um papel normativo.

O coordenador-geral, Daniel Santos, ainda salientou que a segurança da informação agora tem voz própria no Mapa.

A nova estrutura contou com o apoio do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o qual tem impulsionado a modernização tecnológica da Pasta com foco em inovação, resiliência e confiança nos serviços públicos.

Com essa ação, o Mapa assume liderança e se torna referência entre os Ministérios, promovendo a valorização das carreiras técnicas e consolidando a segurança da informação como prioridade na agenda pública governamental.

Informações à imprensa
imprensa@agro.gov.br

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Do IBM 1401 ao Zero Clique: Recife, 6 décadas de inovação tecnológica no serviço público

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Do IBM 1401 ao Zero Clique: Recife, 6 décadas de inovação tecnológica no serviço público
Foto: Sol Pulquério/PCR

Da ousadia de Miguel Arraes à revolução digital de João Campos, a capital pernambucana constrói uma história pioneira na aplicação da tecnologia para melhorar a vida do cidadão.

Recife tem no seu DNA a marca da inovação tecnológica. Desde o início da década de 1960, quando poucos brasileiros sabiam o que era um computador, a cidade já se preparava para entrar na era digital.

No final de 1961, a Prefeitura do Recife e a Secretaria da Fazenda do Estado deram o primeiro passo para adquirir o que havia de mais moderno à época: o computador IBM 1401. A iniciativa na esfera municipal partiu do então prefeito Miguel Arraes, que visitou a matriz da IBM Brasil, no Rio de Janeiro, para conhecer a máquina. Na esfera estadual, a compra foi conduzida por Paulo Maciel, secretário da Fazenda do governo Cid Sampaio, preocupado com a eficiência da administração. As duas unidades chegaram em 1962, abrindo caminho para a informatização da gestão pública.

Décadas mais tarde, a tecnologia voltaria a desempenhar papel crucial, desta vez na segurança pública. O então governador Eduardo Campos, pai do atual prefeito João Campos, liderou a criação do Pacto pela Vida, considerado pela ONU e pelo Banco Mundial como o programa de segurança pública mais exitoso do Brasil. Em 2010, o governo lançou o disruptivo site “Procurados”, hospedado no portal da Secretaria de Defesa Social (SDS), com fotos e informações dos 100 acusados de homicídios e latrocínios mais procurados do estado. Sob o slogan “O crime tem muitas caras. E uma mesma solução: a denúncia”, a página integrava o Sistema de Contenção ao Crime – SCC, reforçando com pioneirismo o uso estratégico da tecnologia para reduzir a violência. 

A chegada da pandemia da Covid-19, em 2021, marcou um novo capítulo. No Recife, a campanha de vacinação serviu como base para o desenvolvimento do Cadastro Cidadania, que unificou dados e agilizou serviços. Inspirado na “Jornada da Vida” da Estônia — referência mundial em governo digital — o prefeito João Campos iniciou a mais ampla transformação digital já implementada por uma capital brasileira.

O ápice dessa transformação é a Cidadania em Zero Clique, conceito em que os serviços públicos chegam ao cidadão de forma automática, sem a necessidade de solicitações formais. De benefícios sociais a informações sobre educação e saúde, o modelo elimina barreiras burocráticas e coloca Recife na vanguarda mundial do atendimento proativo ao cidadão. Ao completar 60 anos, por exemplo, o cidadão não precisa preencher papelada para pedir sua autorização a estacionamento especial. No dia do seu aniversário recebe um whatsapp lhe dando os parabéns e o PDF com sua credencial. 

De 1962 a 2025, a capital pernambucana percorreu um caminho que conecta cartões perfurados à inteligência artificial. Uma jornada que prova que, quando a tecnologia é bem aplicada, ela não é apenas um avanço técnico, mas uma ferramenta poderosa para aproximar governo e população, salvar vidas e tornar a cidade mais humana.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

82% das empresas de logística relatam queda na demanda após tarifaço, aponta enquete do setor

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82% das empresas de logística relatam queda na demanda após tarifaço, aponta enquete do setor
Foto: Divulgação/Porto de Santos

No curto prazo, setor marítimo deve sentir maior necessidade de adaptação; porém, a médio e longo prazo expectativa é de estabilização com criação de novas rotas comerciais

O tarifaço de Donald Trump, que impõe sobretaxa de 50% sobre centenas de produtos brasileiros, já começa a mexer com a logística no País. Uma enquete realizada pela NTC&Logística, obtida com exclusividade pelo Mobilidade Estadão, revela que 82% das empresas do setor notaram queda na demanda por fretes de exportação. Enquanto isso, 65% relatam cancelamento ou antecipação de embarques.

O cenário é de insegurança e adaptação forçada com transportadores, operadores portuários e embarcadores em busca de alternativas para minimizar perdas. Em paralelo, ainda não há entendimento se o Plano Brasil Soberano, lançado pelo governo federal para proteger exportadores e empregos, vai também beneficiar o setor logístico diretamente.

Primeiros efeitos sentidos na logística após tarifaço

Nos portos, cargas destinadas aos Estados Unidos já foram suspensas ou redirecionadas. Em Vitória, há relatos de contêineres parados e a carga estocada a custos adicionais. Conforme o presidente da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Cargas (Anut), Luis Baldez, embora o impacto quantitativo seja pequeno, equivalente a 1% da movimentação nacional, o problema é qualitativo. Ou seja, setores como proteína animal, pescado e madeira sofrem mais, já que dependem de prazos curtos e têm menor margem para readequação.

Por outro lado, o setor rodoviário de forma geral consegue adaptar rotas e redirecionar as cargas para outros destinos. Em reuniões com o governo, a Anut defende a realocação dessas encomendas para o mercado interno. Isso pode solucionar o problema com cargas perecíveis, como pescados e suco de laranja. Entretanto, o setor siderúrgico deve sofrer mais neste primeiro momento, já que são produtos mais difíceis para absorção imediata por outros mercados.

“No primeiro momento, nós entendemos que não vai haver grandes impactos na logística interna. O que vai acontecer é em virtude do tipo de produto, aí sim tem impacto na cadeia produtiva”, ressalta Baldez.

O levantamento da NTC confirma esse movimento no valor dos fretes. 41% das empresas não notaram alteração nos valores de frete, mas 29% já identificaram aumento e outros 29% registraram queda, resultado da instabilidade do mercado.

“As oscilações [no preço de frete] costumam estar mais ligadas a outros fatores como custo do combustível, disponibilidade de veículos e sazonalidade da demanda”, explica Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC.

Rodovias, ferrovias e marítimo: qual sente mais?

O transporte rodoviário, responsável por levar a maior parte das exportações até os portos, deve ser um dos mais atingidos. A NTC alerta para retração de viagens e risco de demissões entre motoristas e operadores logísticos. Já o presidente da Abralog, Pedro Moreira, prevê redução de 10% a 15% no volume de movimentação nos próximos quatro a seis meses.

No modal ferroviário, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que os efeitos só serão percebidos no médio prazo, já que 85% das cargas são commodities agrícolas e minerais sujeitas a sazonalidades.

Já o transporte marítimo sente impacto imediato, já que redirecionar rotas internacionais de longa distância não é tão simples. Em relação ao frete, há quem espere uma queda no preço em razão da ociosidade de navios. Por outro lado, há quem preveja um acréscimo desses valores, devido ao choque na cadeia logística inicial.

Tarifaço traz insegurança na cadeia da logística marítima

“Muitos contêineres ficaram nos portos brasileiros, o que tende a gerar um déficit e acúmulo de contêineres vazios no País, aumentando os custos de reposicionamento para as companhias marítimas”, explica o advogado e sócio na RC Law Larry Carvalho, especialista em comércio marítimo.

De modo geral, a logística pelos mares espera que novos mercados sejam abertos com celeridade. Em uma publicação no Linkedin, Ricardo Rocha, presidente da Maersk na costa oeste da América do Sul, líder mundial em logística marítima, afirma que os frequentes anúncios de tarifas impactam todo o mundo. O que “tem dificultado a clareza necessária para que nossos clientes possam planejar suas cadeias de fornecimento a médio e longo prazo”.

Caso essas tarifas sigam em vigor, a quantidade de cargas destinadas aos portos, especialmente no escoamento para o Porto de Santos, deve reduzir, alerta o técnico da NTC. Somado a isso, o trânsito nos portos devem ficar mais lentos devido as fiscalizações alfandegárias rigorosas.

Isso se reflete no recorde de exportações em Santos no mês de julho, já que os embarques foram acelerados para fugir das tarifas. Pela primeira vez na história, o porto superou o número de 17 milhões de toneladas de cargas movimentadas nos terminais do complexo portuário.

A edição da newsletter enviada aos clientes da RC Law, com orientações para mitigar as perdas, recomenda a revisão de contratos marítimos para incorporar clausulas que consideram atrasos ou aumento de custos causados pela crise .

Vulnerável desde a pandemia

A maioria das fontes entrevistadas pela reportagem enxergam os impactos do tarifaço de forma pragmática, fruto da experiência na pandemia. Durante a crise sanitária, a logística parou, o que abriu espaço para aprimorar a gestão de crise e inteligência na movimentação de cargas. Entretanto, o setor está mais vulnerável.

“A margem está muito espremida e qualquer custo adicional é fatal”, alerta o presidente da Abralog. Dessa forma, o temor também é de demissões no curto prazo, até que empresas consigam redirecionar parte da produção para o mercado interno ou para novos compradores externos. A associação prevê um período de quatro a seis meses de reacomodação até que novas rotas e contratos estejam consolidados.

“A manutenção da tarifa reduz a competitividade e pressiona margens, o que pode levar a cortes de empregos em toda a cadeia logística”, afirma Valdivia, da NTC.

Para o advogado Larry Carvalho, a situação atual se soma a um cenário global já pressionado por disputas geopolíticas e choques externos. “Nos últimos cinco anos, o comércio marítimo tem enfrentado sanções, crises ambientais e reconfiguração de rotas. O setor se adapta rápido, mas cada nova tarifa ou barreira exige ajustes imediatos, pressionando custos e contratos internacionais.”

Governo reage com Plano Brasil Soberano

Para reduzir os impactos do tarifaço, o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano, com linha de crédito de R$ 30 bilhões para capital de giro e medidas emergenciais, como postergação de impostos. A estratégia remete às soluções adotadas durante a pandemia para assegurar a sobrevivência financeira de empresas.

Conforme a Anut, os recursos são importantes para segurar empregos e evitar um colapso financeiro nas cadeias mais expostas. Entretanto, lideranças do setor defendem que o País aproveite o momento para investir em infraestrutura ferroviária, hidrovias e cabotagem, reduzindo o custo logístico interno, hoje estimado em US$ 80 por tonelada exportada.

Empresas de transporte de cargas já buscam redirecionar exportações para Europa, Ásia e América Latina. Mas a adaptação varia conforme o tipo de carga. Enquanto o aço e a celulose podem ser estocados, pescado e proteínas perecíveis têm maior risco de perda. “O setor logístico é altamente adaptável, mas uma eventual retaliação brasileira poderia agravar ainda mais o cenário”, avalia Carley Welter, representante da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (Anatc).

A Lei de Reciprocidade Econômica foi sancionada antes do anúncio do governo americano que ampliou as taxas aplicadas ao Brasil. Assim, o País fica autorizado tomar medidas como suspender concessões e cobrar taxas adicionais em transações comerciais. O governo federal ainda não anunciou o uso do dispositivo legal.

Perspectivas e incertezas após tarifaço

As perspectivas das empresas são majoritariamente negativas: insegurança, recessão e desemprego aparecem como respostas mais frequentes na enquete da NTC. Se o tarifaço for mantido, especialistas temem um efeito prolongado sobre a competitividade da indústria brasileira, somado aos impactos esperados da reforma tributária no setor de transportes.

Apesar disso, há consenso de que o problema é mais financeiro do que logístico. A dificuldade de manter capital de giro e competitividade pode paralisar empresas, mesmo que a infraestrutura siga operando. “Se o tarifaço viesse da China, seria o caos. Mas mesmo com os Estados Unidos, já sentimos que a logística está sob forte pressão”, resume Baldez, da Anut.

Fonte: Mobilidade Estadão