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AS 5 CIDADES MAIS INTELIGENTES DO CENTRO-OESTE NO RANKING CONNECTED SMART CITIES 2023

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Inovação Tecnológica e Sustentabilidade Transformam Cidades em Referências de Desenvolvimento Urbano Inteligente

O Centro-Oeste do Brasil vem se destacando cada vez mais no cenário das cidades inteligentes, especialmente no eixo de tecnologia e inovação. A região abriga algumas das cidades mais bem classificadas no Ranking Connected Smart Cities 2023, com destaque para Brasília, Campo Grande, Goiânia, Cuiabá e Três Lagoas. Essas cidades têm investido em tecnologia, governança e qualidade de vida, demonstrando um forte compromisso com o desenvolvimento urbano inteligente e sustentável.

Brasília: Tecnologia e Inovação, Mobilidade e Empreendedorismo

Com uma infraestrutura planejada que inclui setores específicos para áreas residenciais e comerciais, além de vias largas que ajudam a diminuir os congestionamentos, Brasília se destaca por seu sistema de transporte público eficiente. A cidade conta com metrô e uma ampla rede de ônibus, com mais de 2.800 veículos operando em cerca de 860 linhas, facilitando o deslocamento diário dos moradores.

No eixo de empreendedorismo, Brasília se destaca oferecendo diversos incentivos fiscais e programas de apoio, como a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) e o Programa de Apoio ao Empreendimento Inovador (PROINOVA).

Em termos de tecnologia, a capital federal abriga parques tecnológicos e hubs de inovação, como o Parque Tecnológico de Brasília (BioTIC), que promovem o crescimento de empresas do setor. Em 2023, houve um aumento de 7,6% no número de empresas ligadas ao desenvolvimento tecnológico em comparação ao ano anterior.

Campo Grande: Segurança, Saúde e Tecnologia e Inovação

Campo Grande é um exemplo de boa governança, obtendo nota 10 na Escala Brasil Transparente, destacando-se pela transparência, participação cidadã e eficiência administrativa. Com nota 0,815 no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, a cidade investe em plataformas digitais que facilitam o acesso dos cidadãos aos serviços públicos, promovendo uma administração mais ágil e eficiente.

Na área da saúde, Campo Grande se sobressai pela qualidade dos serviços públicos, com uma despesa municipal per capita superior à média nacional. Os investimentos em saúde se refletem na qualidade de vida dos moradores, com 76,5% da população coberta pela Equipe de Saúde da Família.

Além disso, a cidade é um polo de inovação e tecnologia, com 7 incubadoras de empresas e 5 grandes operadoras de fibras óticas, oferecendo cobertura 5G para 98,7% dos moradores.

Goiânia: Tecnologia e Inovação

Goiânia, a capital de Goiás, é notável no ranking por suas iniciativas em tecnologia e inovação. A gestão municipal implementou diversas melhorias no transporte público, como o congelamento da tarifa desde 2019, o Bilhete Único, biometria facial, Cartão Família, pagamento por aproximação e o Passe Livre do Trabalhador.

A infraestrutura de transporte também foi aprimorada com a inauguração de terminais de integração que fazem parte do projeto BRT Norte-Sul, que inclui 121 linhas conectadas, 36 estações e uma velocidade média entre 22 e 26 km/h.

No campo dos negócios, Goiânia é uma das principais cidades empreendedoras do país, segundo a Escola Nacional de Administração Pública (Enap). As ações municipais para modernizar a legislação, reduzir a burocracia e implementar um novo código tributário resultaram em um aumento de 9,4% na abertura de MEIs e 8,48% no número de novas empresas entre 2022 e 2023.

Cuiabá: Tecnologia e Inovação

Cuiabá se destaca por investimentos em projetos que beneficiam saneamento básico, qualidade da informação contábil e fiscal, educação, infraestrutura, mobilidade urbana, sustentabilidade, e governança previdenciária.

A cidade é a primeira no ranking entre os 141 municípios mato-grossenses em setores como educação, população, receita própria e Valor Adicionado. Além disso, possui um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, com valor de 0,785.

Na educação, ações recentes incluem a climatização de 99% das escolas, entrega de mais de 58 mil kits de uniformes e materiais escolares, e um gasto per capita de R$ 989,87 por habitante. A cidade possui 31,4 dispositivos digitais por 1.000 alunos, matrícula online na rede pública, 28,4 alunos por turma em média e uma média de 429,1 no ENEM entre as escolas públicas.

Cuiabá investiu no sistema de transporte público, com 100% dos ônibus climatizados, sistemas de semáforos e iluminação inteligentes, e ciclovias, proporcionando uma mobilidade urbana mais eficiente.

Três Lagoas: Meio Ambiente

Três Lagoas se destaca pelas suas iniciativas ambientais, focando na preservação de áreas verdes e recursos hídricos. Com 99% de atendimento urbano de água e 98% de esgoto, a cidade possui uma gestão eficiente de resíduos e baixo índice de perdas na distribuição de água.

Conhecida por suas riquezas naturais, Três Lagoas implementa o monitoramento de áreas de risco, reduzindo o impacto ambiental. Além disso, investe em veículos de baixa emissão, promovendo uma mobilidade urbana mais sustentável.

A Região do Centro-Oeste e o Eixo de Tecnologia e Inovação

O Centro-Oeste do Brasil tem se consolidado como uma região de destaque no eixo de tecnologia e inovação. As principais cidades da região têm investido fortemente em infraestrutura tecnológica, atraindo empresas de tecnologia e startups. Esse movimento tem sido crucial para o desenvolvimento econômico e social, promovendo a criação de empregos e a melhoria dos serviços públicos. 

As iniciativas voltadas para a inovação têm transformado o Centro-Oeste em um polo de desenvolvimento tecnológico, contribuindo para a construção de cidades mais inteligentes e sustentáveis. A região se destaca pela capacidade de integrar tecnologia ao planejamento urbano, promovendo a eficiência e a qualidade de vida.

Sobre o Connected Smart Cities
O  Connected Smart Cities & Mobility Nacional é o maior e mais importante evento de negócios e conexões de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil. Realizado desde 2015, o CSCM tem um formato de múltiplos palcos e promove a integração entre conteúdo de alta qualidade, promoção de negócios e networking de impacto.  O evento  faz parte da Plataforma Connected Smart Cities, que tem por missão encontrar o DNA de inovação e melhorias para cidades mais inteligentes e conectadas umas com as outras, sejam elas pequenas ou megacidades.

Save the Date

A 10ª edição do Ranking Connected Smart Cities será lançada em 03 de setembro, na abertura do Connected Smart Cities, em São Paulo. Saiba mais sobre o evento aqui.

Acesso à plataforma online de consulta ao Ranking Connected Smart Cities, acesse:

 

UMA TRANSIÇÃO JUSTA NA MOBILIDADE URBANA

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A qualidade e as políticas dos transportes públicos têm um impacto significativo nas mulheres, que dependem mais deste meio de transporte do que os homens.

Um sistema de mobilidade urbana inclusivo deveria ser a base para uma sociedade de oportunidades iguais. Infelizmente, ainda estamos longe desse ideal: menos da metade das mulheres no mundo participa no mercado de trabalho, e muitas citam o transporte público inadequado como a maior barreira para sua participação. De acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho de 2017, sistemas de transporte inseguros e inacessíveis limitam a participação das mulheres na economia em 17%. Se as mulheres tivessem as mesmas taxas de participação no trabalho que os homens, cerca de 28 bilhões de dólares poderiam ser adicionados ao PIB global.

A qualidade e as políticas dos transportes públicos têm um impacto significativo nas mulheres, que dependem mais deste meio de transporte do que os homens. As mulheres dependem mais de caminhar, andar de bicicleta e usar transportes públicos. Suas responsabilidades de cuidado, acesso limitado a carros e menor renda disponível influenciam suas escolhas de transporte. Suas viagens são geralmente mais curtas e fora dos horários de pico, com uma parte significativa dedicada à “mobilidade de cuidados”, transportando dependentes como crianças e idosos. Essas escolhas modais não se encaixam em cidades centradas no automóvel, que muitas vezes são inadequadas para pedestres e ciclistas e possuem ruas inseguras e áreas isoladas.

Mas não só do ponto de vista das usuárias dos serviços de mobilidade há um desequilíbrio em termos de gênero. O setor de transportes é tradicionalmente dominado por homens, com as mulheres sub-representadas em todos os níveis da força de trabalho. Atrair, capacitar e reter mulheres não apenas tornaria o setor mais inclusivo, mas também ajudaria a aliviar a escassez de mão-de-obra. Apenas 19% da força de trabalho global em transportes são mulheres, e essa porcentagem cai para um dígito nos cargos de gestão (UITP 2022). 

O setor da mobilidade elétrica tem o potencial de criar milhões de empregos verdes de alta qualidade, oferecendo uma oportunidade crucial para assegurar uma transição justa. Isso requer que os decisores políticos implementem medidas estratégicas e promovam o desenvolvimento de competências das mulheres em grande escala. É essencial investir na qualificação e requalificação da força de trabalho, bem como obter apoio político para fomentar o desenvolvimento de empregos especializados e escaláveis.

Através da Iniciativa Transformadora de Mobilidade Urbana (TUMI) e da iniciativa Women Mobilize Women (WMW), a cooperação alemã busca promover e contextualizar a discussão global sobre uma transformação tecnológica e justa dos sistemas de mobilidade urbana, incluindo no Brasil.

A WMW organiza uma série global de eventos “Construindo Cidades Feministas” para discutir políticas de mobilidade transformadoras de gênero e formas de implementação para alcançar acesso equitativo à mobilidade e oportunidades para todos. Juntamente com nossos parceiros locais, a WMW realizará um workshop dentro desse seria para América Latina em agosto em Brasília. No Parque da Mobilidade Urbana em São Paulo em junho, o WMW participou no painel de “Estratégias inovadoras e melhores práticas para a criação de sistemas de transporte feministas no Brasil”.

Um estudo de caso do TUMI sobre a eletrificação da linha 3 do Metrobús na Cidade do México revelou diversos efeitos positivos na força de trabalho como resultado dessa mudança tecnológica. Entre os benefícios estão um ambiente de trabalho mais saudável devido à ausência de emissões dos motores elétricos, a redução do ruído, diminuindo o risco de acidentes, e a eliminação do uso de lubrificantes, contribuindo para um ambiente mais seguro para o pessoal de manutenção. Além disso, houve um aumento do orgulho e entusiasmo entre os trabalhadores pela operação e manutenção de ônibus de última geração, e o aprendizado contínuo sobre novas tecnologias promoveu uma força de trabalho mais motivada e qualificada.

O TUMI realizou um evento no âmbito do Congresso Mundial do ICLEI – rede global de governos locais e regionais em junho em São Paulo debatendo esses estudos de casos. Foi citado o exemplo de Montevideo, no Uruguai, onde uma empresa operadora de ônibus elétrico fez uma parceria com um órgão local, equivalente ao Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) do Brasil, para formar mulheres mecânicas especializadas em veículos elétricos. Neste caso inspirador e de fácil implementação, quando chegou uma mão de obra nova, composta por mulheres, eles criaram empatia e se entusiasmaram com os elétricos. 

Este exemplo não apenas destaca a necessidade, mas também o potencial de desenvolver sistemas de mobilidade urbana sustentáveis, inclusivos e equitativos. As principais usuárias do transporte público são mulheres, especialmente mulheres negras das periferias, embora a representação delas no setor, nas instituições e nas empresas seja significativamente menor. Ao aumentar essa representação, não apenas podemos criar sistemas mais inclusivos, mas também aproveitar o potencial de uma mão de obra qualificada para promover uma sociedade com igualdade de oportunidades.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

FALTAM 10 DIAS PARA O CONNECTED SMART CITIES REGIONAL LITORAL

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Edição Regional Focada no Litoral Destaca Inovações e Oportunidades para Cidades Inteligentes e Conectadas

No dia 8 de agosto, Angra dos Reis será o palco do mais relevante evento de conexões e negócios voltados para Cidades Inteligentes no Brasil. Com 18,2% da população do país vivendo em apenas 279 cidades que ocupam 3% do território nacional e representando 9,3% do PIB brasileiro, a edição regional no litoral destacará as soluções, oportunidades e inovações que estão transformando essas cidades em locais mais inteligentes e conectados.

O litoral brasileiro abriga 9 capitais e 59 cidades com mais de 100 mil habitantes. Em 2023, o Ranking Connected Smart Cities revelou que seis das dez cidades mais inteligentes e conectadas do país estão localizadas no litoral: Florianópolis (1ª), Niterói (5ª), Vitória (7ª), Santos (8ª), Salvador (9ª) e Rio de Janeiro (10ª).

Destaques da Programação

O evento apresentará uma programação diversificada, abordando temas essenciais para o desenvolvimento das cidades litorâneas, como:

  • Eletromobilidade 
  • Energia Limpa
  • Iluminação Pública e Cidades Inteligente
  • Concessão de Parques
  • Aspectos Jurídicos das Cidades Inteligentes
  • Desenvolvimento Inteligente nas Cidades Litorâneas
  • PPPs e Concessões em Cidades Médias

Dentre os palestrantes confirmados para esta edição, estão: : Renato Dias Regazzi, Chefe de Gabinete e Assessor da Presidência do Conselho – SEBRAE RJ; Felipe Peixoto, Secretário Interino de Energia e Economia do Mar – Governo do Estado do Rio de Janeiro; Marcus Dias, Pesquisador e Coordenador de Projetos – Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras – CERTI; João Ricardo dos Reis Lessa, Secretário Executivo – Cluster Tecnológico Naval; Pedro Iacovino, Diretor Presidente – ABCIP – Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública; Alexandre Galvão, Superintendente de Eficiência Energética e Iluminação Pública – Governo do Estado do Rio de Janeiro; Leonardo Luiz dos Santos, Diretor Presidente – Instituto de Planejamento e Gestão de Cidades – IPGC Brasil. Carlos Eduardo Souza, Responsável e-city – Enel X, dentre mais de mais de 25 palestrantes.

Transformação das Cidades Litorâneas

O Encontro Regional Litoral Connected Smart Cities promete ser um marco na transformação das cidades litorâneas brasileiras, promovendo discussões e trocas de experiências que visam implementar soluções inovadoras e sustentáveis. Com a participação de um ecossistema de peso, o evento reforça o compromisso das cidades costeiras em se tornarem mais inteligentes e conectadas, melhorando a qualidade de vida de seus habitantes e impulsionando o desenvolvimento econômico da região.

Para mais informações, acesse: https://evento.connectedsmartcities.com.br/evento-regional-litoral/ 

VAGAS INTELIGENTES EM BARCELONA; SAIBA COMO INICIATIVA REVOLUCIONA A CIDADE

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Além de agilizar o estacionamento de carros, sistema traz outras vantagens; confira

Barcelona, na Espanha, possui uma rede de 43 parques de estacionamento com 14.384 mil vagas administradas pela BSM (Barcelona de Serveis Municipals), uma empresa pública da cidade que fornece soluções de mobilidade. Apesar de promover uma política para o abandono progressivo de automóveis individuais, a cidade conta com um sistema de vagas inteligentes que otimiza o trânsito e o gere de forma mais prática.

O sistema, para além de indicar as vagas disponíveis, evita engarrafamentos e previne que motoristas estacionem em locais proibidos. Na cidade, o uso de vagas inteligentes ajudou a organizar o tráfego para os moradores locais, o que é necessário em uma cidade onde 70,3% da frota de veículos era de turistas (dados de maio de 2024).

Como funcionam as vagas inteligentes de Barcelona?

Com o uso de dispositivos IoT (internet das coisas, na sigla em inglês), a cidade de Barcelona obtém dados para monitorar as vagas da cidade.

“Esses dados são transformados em informação e vão para uma central de monitoramento, onde podem ser passados em tempo real para o motorista com o Carplay. Quando você usa, por exemplo, o Google Maps, ele vai indicar vagas para o teu carro”, afirma o engenheiro Beto Marcelino, sócio-diretor do iCities, empresa brasileira que foca em cidades inteligentes.

No entanto, essa é apenas uma fração do potencial que o sistema de vagas inteligentes possui. “Em Barcelona, se você está procurando uma vaga, o monitoramento vai liberar um local no aplicativo quando a pista estiver mais calma. Eles já mineraram tantos dados que conseguem dar essa eficiência”, complementa o engenheiro.

Marcelino cita, por exemplo, o caso comum em que um motorista tenta estacionar e trava o trânsito em uma rua enquanto manobra. Em Barcelona, o sistema de vagas inteligentes busca evitar essa situação. “Quando o sistema percebe que o sinal está aberto, ele não deixa a vaga disponível, mesmo que ela esteja livre. O sistema espera o sinal fechar e, para os carros que sobraram, ele libera a vaga. Isso melhora muito eficiência do trânsito”.

As vagas inteligentes te colocam em um outro perfil de uso dessas vagas. O sistema ‘fala’: “vá em frente, na próxima quadra você encontrará duas vagas melhores para você”. Isso faz com que o acúmulo de trânsito e o stress não aconteça ou aconteça menos do que hoje

Beto Marcelino, sócio-diretor iCities

Soluções de tecnologia na cidade

Para usar os estacionamentos geridos pela BMS uma pessoa pode usar o aplicativo SMOU.

O programa para celulares é uma espécie de super-app que fornece diversos soluções de mobilidade urbana. Por meio deste é possível, por exemplo, criar uma matrícula e entrar nos estacionamentos sem a necessidade de passar pelo caixa ou comprar ingressos. O pagamento é feito usando o celular e com desconto de 30%.

Ao mesmo tempo, o SMOU também permite alugar bicicletas compartilhadas, consultar o horário de trens e ônibus na cidade e pagar com aproximação nos parquímetros de toda a região metropolitana de Barcelona.

Soluções ecológicas na cidade

Carros elétricos possuem privilégios quando o assunto é estacionar na cidade. De acordo com o site da prefeitura de Barcelona, “os veículos com emissões zero podem estacionar gratuitamente na zona Azul pelo tempo máximo estipulado”. É necessário confirmar o horário em vigor em diferentes zonas do município.

Os estacionamentos da BSM também contam com pontos de recarga que podem ser usados pelos veículos elétricos para reabastecer enquanto estiverem estacionados.

É possível no Brasil?

“Nós temos regiões [em cidades brasileiras] que já possuem toda a fibra ótica disponível para você usar Wi-Fi, câmeras de monitoramento e sistemas ligados a dispositivos IoT, ou seja, sensores que podem estar na calçada, na guia ou no carro para o monitoramento daquele espaço”, afirma Marcelino sobre a possibilidade de vagas inteligentes no País.

O problema, no entanto, estaria em questões que surgem no processo de implantação. Instalar dispositivos IoT que monitorem o espaço é apenas um dos passos para criar vagas inteligentes, também é preciso definir quem vai gerir o sistema.

Algumas questões surgem quando empresas privadas são cotadas para operar o sistema. “Você teria que licitar uma área pública. Como que você autoriza uma pessoa usar a rua e a calçada a vaga de estacionamento? Como que se transfere esse espaço?”, questiona Marcelino.

O engenheiro defende que a solução poderia ser “um teste piloto ou uma POC (prova de conceito). Em áreas mais acamadas de São Paulo, poderíamos fazer vagas inteligentes rotativas”. O objetivo seria medir a eficácia da ação e testar se o público aceita a e tecnologia.

Fonte: Mobilidade Estadão

SAIBA COMO É CALCULADO O TEMPO DOS SEMÁFOROS EM SÃO PAULO

Conheça os métodos usados pela Companhia de Engenharia de Trânsito da capital paulista

Crianças de até sete anos caminhando em uma velocidade de 7 m/s (metros por segundo), idosos em 8 m/s e demais usuários em 1 m/s. Esses são os parâmetros que o Estatuto do Pedestre determinou para São Paulo calcular o tempo que os semáforos ficam abertos para pedestres. No entanto, essa não é a realidade encontrada nos faróis da capital paulista.

De acordo com a CET-SP (Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo), a velocidade média de caminhada usada em seus cálculos é 1,2 m/s. Para definir quanto tempo um semáforo fica aberto para pedestres, a empresa leva em conta a largura da via e essa velocidade média.

Ao mesmo tempo, a CET afirma em nota enviada para o Mobilidade Estadão que período em vermelho piscante é parte do tempo de travessia. Exemplificando, a CET afirma que, “em uma via de 12 metros, uma pessoa teria quatro segundos de sinal verde, 10 de vermelho piscante e um segundo de vermelho para cumprir sua travessia, totalizando 15 segundos”

Em resumo, os paulistanos têm de quatro a oito segundos de sinal verde, dependendo da rua para atravessar.

Enfrentando as travessias

Silvia Stuchi, diretora do Instituto Corrida Amiga, acredita que a fórmula usada para calcular o tempo semafórico não favorece os pedestres. De acordo com a ativista, “uma pesquisa da CET de 2022 que aponta que quase 70% da população não reconhece o vermelho piscante como ainda um tempo de prioridade para pessoa terminar a sua travessia com segurança”.

Silvia ressalta ainda que “a velocidade média de 1,2 m/s não é condizente com a velocidade de caminhada de uma pessoa idosa, pessoa com deficiência ou crianças”.

Ainda em nota, a CET deixa claro que, “no caso de travessias próximas a hospitais e outros locais onde transitam pessoas com mobilidade reduzida, a velocidade de caminhada adotada é menor e, posterior aos cálculos, são confirmadas e ajustadas com observações de campo”.

No entanto, a representante da ONG ainda defende que “infelizmente a CET ainda prioriza a fluidez dos veículos motorizados em detrimento da vida do deslocamento das pessoas”.

O Estatuto do Pedestre também determina que o tempo de espera dos transeuntes não ultrapasse 90 segundos. Essa é outra resolução que a CET não segue. Em nota, o órgão afirma que “não define um tempo máximo de espera para pedestres, mas nos horários críticos de trânsito, nos picos, a espera máxima é de 1 minuto e meio. Eventualmente, em algumas avenidas, pode chegar a dois minutos. Fora dos picos, a espera máxima é de um minuto, em média.”

Possíveis soluções

Para melhorar a experiência dos pedestres em São Paulo seria necessário “aumentar o tempo de verde, diminuir o ciclo do vermelho e adotar o que o Estatuto do Pedestre coloca sobre as diferenças de velocidade de caminhada”, afirma Silvia.

A ativista deixa claro que proporcionar uma cidade mais acolhedora para a mobilidade ativa é um esforço que não foca apenas no tempo dos semáforos. “Precisamos pensar em calçadas, travessias, acessibilidade, arborização, sinalização horizontal e vertical, redução de velocidade e campanhas educativas. Também em punição, para as pessoas que não respeitarem essas regras”

Fonte: Mobilidade Estadão

DOMINGO NA PAULISTA: POR QUE SÃO PAULO PRECISA AMPLIAR O PROGRAMA RUAS ABERTAS

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Iniciativa, que traz benefícios ambientais, urbanos, sociais e econômicos, atualmente está restrita a Av. Paulista e vias do bairro da Liberdade

Moradores da capital e até mesmo turistas sabem que podem contar com a Av. Paulista, um símbolo da cidade, aberta aos domingos e feriados para pedestres e ciclistas para uma programação de lazer ao ar livre. Batizada de Paulista Aberta, a iniciativa da Prefeitura de São Paulo foi ganhando adesão popular ao longo dos anos e faz parte de um programa chamado Ruas Abertas, que começou com a Av. Paulista, em 2016, e em outubro de 2023 se expandiu para algumas vias do bairro da Liberdade.

Por dois domingos seguidos, entretanto, nos dias 9 e 16 de junho, os frequentadores da Av. Paulista foram pegos de surpresa, encontrando a via aberta para veículos automotores, o que causou aglomerações nas calçadas, além de dúvidas sobre a continuidade dessa política pública.

Na ocasião, a Prefeitura de São Paulo informou que o programa foi suspenso por recomendação da Polícia Militar, por conta de eventos realizados no local nas datas, como a Marcha da Maconha, uma corrida de carrinhos de rolimã e uma manifestação política. Mas abrir a via para automóveis alegando segurança acabou gerando ainda mais questionamentos.

Posicionamento da Prefeitura

Procurada pelo Mobilidade Estadão sobre o motivo do fechamento da via, a Subprefeitura Sé informou, por meio de nota, que ‘eventuais alterações no funcionamento regular do Programa Ruas Abertas são divulgadas previamente através dos canais oficiais de comunicação da Pasta, como site, rede social, plataformas comunitárias e o Diário Oficial da Cidade’.

Questionada sobre se há planos para expansão do programa, a nota informa apenas que ‘a Prefeitura também promove o programa Ruas de Lazer, que, de maneira descentralizada, oferece alternativas de lazer, esporte e cultura em mais de 130 vias espalhadas pela cidade’. E continua: ‘para propor melhorias para o programa, a Secretaria Municipal da Casa Civil criou, em março, o Grupo Temático ‘Ruas Abertas #Todospelocentro’, que visa integrar ações entre as secretarias e órgãos municipais para a requalificação e aproveitamento do potencial turístico, cultural e de lazer da região central da cidade’, finaliza.

Ruas fechadas para a mobilidade ativa

A interrupção do programa na Av. Paulista para pedestres e ciclistas nos dois domingos de junho acabou levantando outras questões por frequentadores e urbanistas, como o comprometimento da atual gestão com o programa, o fato de o horário de funcionamento ter sido reduzido – atualmente a via fica fechada para carros até 16h, e no passado ficava até 18h – além da iniciativa englobar atualmente apenas duas regiões em uma cidade do tamanho de São Paulo.

“O programa Ruas Abertas já existiu em vias de 29 Subprefeituras da Cidade de São Paulo logo após sua criação, em 2016, sendo muito relevante o fato de as áreas terem sido escolhidas, na época, conjuntamente com a população em audiências públicas”, explica Suzana Leite Nogueira, arquiteta urbanista e especialista em planejamento e projetos de mobilidade ativa.

Suzana explica que o desafio da iniciativa “é o de garantir atividades, realizar o monitoramento do programa e criar políticas locais de incentivo, como estava previsto originalmente, envolvendo as secretarias municipais de Coordenação das Subprefeituras, Transportes, Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, Cultura, Segurança Urbana, Esportes, além da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Agência São Paulo de Desenvolvimento”, complementa.

Ela conta que, na época em que o programa se expandiu, chegou a participar de atividades em diferentes regiões da cidade. “O Rua Aberta do Jardim Peri, localizado na Rua Afonso Lopes Vieira, por exemplo, foi muito simbólico, pois chegou a ter uma elevada frequência de público por um período considerável. Mas assim como outros bem-sucedidos, como o da Av. Sumaré e da Av. Luiz Gomes Cardim Sangirardi, eles acabaram sendo desativados”, explica.

Iniciativa precisa ser reavaliada

Para a especialista, é fundamental repensar o programa, levando em conta sua concepção original. “É preciso fazer isso considerando que vivemos numa cidade desigual, com diferentes realidades locais, e o Ruas Abertas é uma oportunidade de qualificar os espaços públicos, podendo favorecer áreas carentes de infraestrutura de lazer, esporte, cultura, além de fomentar a oportunidade de trabalho nestes setores e também dinamizar o comércio local”, afirma.

Para Suzana, a iniciativa representa a democratização dos espaços públicos na cidade, permitindo que as pessoas usufruam do viário para atividades físicas, de lazer e convívio social. “Na Liberdade o programa qualificou o uso e a circulação local, proporcionando espaços mais agradáveis e confortáveis, e reduzindo o conflito de circulação que existia com veículos motorizados nas vias antes da intervenção”, afirma.

Impacto positivo

Um estudo realizado em 2019 pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável (LABMOB/PROURB/UFRJ) e pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento do Brasil (ITDP), e apoio de outras organizações locais verificou alguns dos efeitos da iniciativa na vitalidade urbana da Av. Paulista.

Os resultados em várias frentes apontam que o programa torna avenida mais atrativa, pois permite que as pessoas façam atividades de lazer ao ar livre, motivando-os a frequentarem outros espaços públicos em seu cotidiano e fomentando a economia do entorno (veja mais resultados no destaque abaixo).

Benefícios da Paulista Aberta

  • 73% dos frequentadores afirmaram que o programa também os motivou a frequentar outros espaços públicos no dia a dia
  • 63% das pessoas que frequentam a Av. Paulista aos domingos consomem produtos no local
  • 80% dos comerciantes notaram impacto favorável para seu estabelecimento, com volume maior de vendas aos domingos desde o início do programa

Fonte: Pesquisa LABMOB/PROURB/UFRJ/2019

Serviço

Programa Ruas Abertas no Centro – SP
Datas: domingos e feriados
Horário: das 9h às 16h

Locais:
1) Avenida Paulista — da Praça do Ciclista até a Praça Oswaldo Cruz
2) Liberdade:
Rua dos Estudantes — entre Avenida da Liberdade e Rua da Glória
Rua Américo de Campos — entre Rua Galvão Bueno e Rua da Glória
Rua Galvão Bueno — entre Rua dos Estudantes e Rua Américo de Campos
Rua dos Aflitos

Fonte: Mobilidade Estadão

O USO DE DADOS E O FUTURO DA MOBILIDADE

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Para além do setor de mobilidade, a análise de dados tem valorizado significativamente diversos segmentos de mercado.

Frequentemente, o consumidor percebe as soluções de mobilidade apenas como ferramentas para planejar rotas de direção com base no tempo previsto e usar funcionalidades como aplicativos de estacionamento ou tags de pedágio. No entanto, é importante considerar que essas soluções podem oferecer muito mais ao integrar outras facilidades, por meio do uso inteligente de dados.

Para além do setor de mobilidade, a análise de dados tem valorizado significativamente diversos segmentos de mercado. Uma pesquisa conduzida pela Forrester revelou que a taxa de crescimento de negócios data-driven (orientados por dados) é de 30%. Além de expandir ganhos ao identificar onde e como investir, os dados possibilitam a entrega de conveniências e praticidades alinhadas às necessidades do cliente.

No setor de mobilidade, as projeções indicam um futuro cada vez mais multimodal e diversificado em serviços. Um trajeto pode ser otimizado, por exemplo, ao integrar diferentes modais ao longo do percurso, como paradas em estacionamentos que oferecem conexões com outros tipos de transporte e serviços.

Uma tendência entre esses serviços é o acesso imediato a promoções exclusivas em estabelecimentos comerciais quando o usuário reserva vaga em um estacionamento próximo.

Assim, esse indivíduo pode seguir o trajeto por meio de outro modal e aproveitar benefícios como preços que variam de acordo com o horário, tempo de uso ou relacionamento com a empresa.

A Indigo Brasil, referência em gestão de estacionamentos, têm utilizado dados obtidos em suas operações para beneficiar parceiros, que recebem relatórios detalhados sobre o comportamento dos usuários, viabilizando a criação de ações estratégicas e serviços customizados, gerando uma melhor experiência para todos. Uma abordagem inteligente pode aumentar a fidelidade do consumidor, gerar maior satisfação e impulsionar o relacionamento por meio de estímulos que resultam em oportunidades únicas, exclusivas e com alta geração de valor.

A introdução dessas práticas representa uma inovação significativa no mercado de gestão de estacionamentos. Já um sucesso em outros países, a Indigo trouxe ao Brasil a ferramenta Indigo Analytics, em uso em uma das operações da empresa no segmento de aeroportos e que também pode ser levada a parceiros como shoppings, parques, arenas, entre outros.

Dados de usuários são coletados pelo aplicativo de estacionamento que permite a reserva de vagas, pelo site oficial e pelos sistemas de automação instalados no estabelecimento. Outras fontes de dados também podem ser conectadas ao sistema e enriquecer a análise final.

Assim, a análise cruzada dos dados permite a identificação detalhada do perfil do consumidor e seus hábitos, como horários de uso, pagamentos efetuados, tempo de permanência, preferência por tipos específicos de vagas no pátio e frequência de utilização, entre outras informações. Os usuários corporativos que frequentam o local para viagens a trabalho têm a possibilidade de receber ofertas personalizadas, como descontos na reserva de vagas em áreas de maior demanda no estacionamento, além de promoções exclusivas para refeições e compras no local. 

O uso estratégico de dados na mobilidade não apenas otimiza a experiência do usuário, mas também abre novas oportunidades para negócios inovadores. As parcerias entre as gestoras de estacionamento e os estabelecimentos comerciais podem ajudar a entender o comportamento dos consumidores e oferecer serviços personalizados que aumentam a fidelidade e melhoram a rentabilidade. Esse movimento define um novo padrão de excelência em serviços de mobilidade adaptados às necessidades modernas. 

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

MOBILIDADE GRATUITA PARA IDOSOS EM 2024: LIBERDADE E PARTICIPAÇÃO ATIVA

Em breve, uma transformação significativa na mobilidade urbana entrará em vigor no Brasil, trazendo melhorias substanciais para os idosos. A partir de 2024, cidadãos com 60 anos ou mais terão acesso gratuito aos transportes públicos, o que não apenas facilitará suas locomoções diárias, mas também potencializará sua participação ativa na sociedade.

Esta inovação não somente desonera os custos de deslocamento para os mais velhos, mas também é vista como uma excelente ferramenta de integração social. Com a capacidade de transitar livremente, os idosos poderão frequentar mais eventos, realizar suas próprias tarefas e sustentar um estilo de vida mais independente e ativo.

Como funcionará o cartão de ônibus gratuito para idosos?

A partir do próximo ano, toda pessoa com idade igual ou superior a 60 anos será elegível para aproveitar os serviços de transporte urbano sem qualquer custo. A política visa derrubar as barreiras que muitas vezes confinam os idosos ao isolamento, proporcionando uma maior liberdade e qualidade de vida.

Quais são os benefícios diretos dessa nova política?

Os impactos esperados do programa de isenção tarifária são abrangentes e significativos. Antecipa-se que esta medida aumentará a frequência com que os idosos saem de casa, o que é vital para a manutenção da saúde mental e física. Mais atividades sociais e melhor acesso a serviços essenciais estão entre os benefícios diretos previstos.

Aspectos beneficentes para o bem-estar dos idosos

Além de facilitar a mobilidade urbana, a isenção do pagamento de transporte público também é uma estratégia crucial para combater o isolamento social entre os idosos. Esse fenômeno, tão prejudicial à saúde emocional quanto à saúde física dessa faixa etária, pode ser significativamente abrandado com essa nova política, demonstrando o compromisso do governo com o bem-estar dessa geração.

Critérios para participação no programa de gratuidade:

  • Ter no mínimo 60 anos.
  • Renda máxima de até dois salários mínimos.
  • Estar cadastrado no CadÚnico.

Passo a passo para solicitar ou renovar a Carteira do Idoso:

  1. Acessar o site oficial carteiraidoso.cidadania.gov.br.
  2. Iniciar o processo de cadastro ou renovação, preenchendo os dados pessoais requeridos.
  3. Seguir as orientações na plataforma para completar o procedimento.
Essa mudança iminente é a prova do esforço contínuo do governo em enriquecer as vidas dos idosos, assegurando que possam experimentar uma velhice não só mais ativa, mas também mais prazerosa e inclusiva. Com estas novas regras de mobilidade, espera-se fortalecer ainda mais a participação dos idosos na dinâmica social das cidades brasileiras.

INOVAÇÃO URBANA E A SOBREVIVÊNCIA DAS CIDADES

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A cidade do futuro será “outra entidade” muito diferente daquela com a qual nos acostumamos, durante esse brevíssimo período da Civilização Ocidental.

Mudança Climática e seu Impacto sobre as Cidades

Com estarrecimento e pavor, vimos as enchentes do Rio Grande do Sul e da Região Metropolitana de Porto Alegre. Mas, muitos de nós sabiam que algo assim estava por acontecer – a surpresa foi quanto ao lugar, em específico, em que se deu a catástrofe: de Veneza a Londres, passando por Belém e Nova York, imaginava-se que muitas outras regiões metropolitanas poderiam ser inundadas devido às mudanças climáticas. Qual seria a primeira a soar o “alerta global” da transformação do clima?

Durante décadas, a gestão urbana vinha esquecendo de que a gestão das águas é um dos aspectos fundamentais da vida urbana. Em Rio Grande do Sul e Porto Alegre, vimos o resultado de uma perigosa confluência entre descaso público e falta de visão de longo prazo, que ignorou os perigos de um imprevisível clima em transformação.

No entanto, podemos esperar as mesmas cenas de inundação em praticamente todas as metrópoles costeiras do mundo: devido ao aquecimento global e a consequente deglaciação do planeta, prevê-se que o nível dos oceanos poderá subir até dois metros até o fim do século, com possibilidade dessa marca ser atingida antes do tempo. No entanto, como tudo que se relaciona com ciência ambiental, climatologia, transformações do ambiente e do clima, esse número isolado diz pouco sobre o impacto que as transformações climáticas e ambientais terão sobre as cidades e a vida das pessoas. O efeito das marés, das variações de nível dos rios e lagos, assim como eventos “episódicos” (raros) tornando-se comuns – furacões, tornados, chuvas torrenciais e ventos extremos – sobre o meio-ambiente e cidades é complexo e imprevisível: como pensar e construir cidades para esse novo contexto?

Já estamos vendo uma onda de eventos climáticos “anormais” mundo afora. De Dubai a Suíça, chuvas torrenciais e deslizamentos de terra e rochas devastam regiões urbanas inteiras. O impacto sobre a economia é enorme e difícil de mensurar. O efeito sobre as cidades é catastrófico: a destruição de modos de vida e, potencialmente, colapso sócio-econômico.

Uma Visão para o Futuro Urbano 

Tive a oportunidade de participar do 3o Encontro Cidades da Amazônia e do Brasil, realizado em Belém pelo Laboratório da Cidade, parceiros públicos e privados. Três assuntos foram o núcleo das discussões: as “Cidades Ancestrais” da Amazônia pré-colonial, os preparativos para a COP 30 e as Ações de Mitigação para a Mudança Climática. Esses três assuntos estão mais entrelaçados entre si do que pode parecer. Vejamos porque.

Está se formando o consenso de que a meta do Acordo de Paris – o limite de aumento de 1,5oC da temperatura média planetária – não será respeitada, e os ambientalistas já estão ponderando a respeito das ações de mitigação da transformação do clima nas cidades, economia e sociedade. Ou seja, não precisamos apenas lutar contra a mudança climática, e sim trabalhar para reconstruir as cidades para que possamos sobreviver à transformação do clima e do meio ambiente planetário. Porque, de fato, não se trata de pequenas e modestas transformações que serão necessárias para um futuro urbano “viável” neste novo contexto posterior à mudança climática: será preciso reinventar as cidades para que possamos viver de modo sustentável e regenerativo.

A ciência vem nos mostrando que as cidades do passado foram coisas muito diferentes do que fomos capazes de imaginar: a arqueologia da Bacia Amazônica nos mostra que houve um tipo muito peculiar de urbanização naquela região, e provavelmente algo muito parecido aconteceu em todo o continente americano antes da colonização: as “Cidades Ancestrais” da Amazônia eram uma incrível articulação de assentamentos humanos e enormes “jardins comestíveis”. De fato, uma gigantesca “cidade agroflorestal” se estendia por toda a Bacia Amazônica, possivelmente sustentando uma população de 50 milhões de pessoas, maior do que a população amazônica atual de 38 milhões. Essa população desapareceu quase que por completo, restando apenas as populações tribais que hoje habitam a região. A “Urbanidade Simbiótica” da Amazônia caiu no esquecimento, até ser reencontrada pela arqueologia.

Belém irá sediar a COP 30. Para tanto, profundas transformações urbanas deverão ser realizadas para que a cidade possa receber o enorme número de delegações. Como podemos garantir que essas transformações não apenas cumpram sua função em tornar Belém a sede deste evento, como também sirvam ao desenvolvimento urbano futuro da cidade, inclusive de modo compatível com as transformações urbanas necessárias para acomodar a mudança climática? Será que a infra-estrutura urbana de Belém deveria ser ampliada por meio de uma “cidade flutuante”? Ou, então, será que o exemplo de Afuá – município de Marajó inteiramente composto por palafitas, com um tecido urbano suspenso sobre a floresta alagadiça, toda servida por mobilidade ativa – será fundamental para uma “outra Belém”?

Os três assuntos falam de uma mesma coisa:

As cidades do futuro NÃO serão parecidas com as cidades de hoje

As cidades do passado tinham características – forma, composição, dinâmicas territorial e populacional, economia e formas de relação entre humanidade e natureza – completamente diferentes das cidades de hoje. Precisamos ter coragem, visão e criatividade para imaginar e realizar cidades que serão completamente diferentes das cidades de hoje.

Para que as cidades do futuro sejam verdadeiramente sustentáveis e regenerativas, devemos conceber sistemas urbanos muitíssimo diferentes das cidades de hoje: o que achamos “normal e necessário”, hoje, provavelmente será visto como “antiquado e sem sentido”, no futuro.

As ações de mitigação da mudança climática vão garantir isso: sob violenta pressão da natureza, teremos que rever e reinventar praticamente todos os aspectos das cidades atuais – da tecnologia construtiva às redes de energia, do saneamento básico à produção de alimentos, da relação entre mobilidade urbana e vida profissional, etc. A cidade do futuro será “outra entidade” muito diferente daquela com a qual nos acostumamos, durante esse brevíssimo período da Civilização Ocidental. 

Inovação para o passado, presente e futuro.

Ao longo da história, a inovação urbana tende a ser uma ação reativa: as transformações da cidade começavam na tecnologia, na indústria, na pol​​ítica internacional, na guerra, etc. e os urbanistas “corriam atrás” para adequar-se a essas mudanças. Muitas vezes apenas confirmando transformações já ocorridas, as codificando em uma linguagem acessível ao planejamento urbano.

Inovações como o automóvel, o telefone e as telecomunicações, a computação e os sistemas da informação, a automação industrial, do comércio e dos serviços, dentre outros, moldaram as cidades de hoje. Urbanistas, arquitetos, engenheiros e geógrafos, assim como empreendedores imobiliários, meramente reagiam a essas mudanças, com quase nenhuma autonomia, criatividade e liderança. A forma urbana foi uma reação às mudanças trazidas por essas inovações.

O resultado é esse meio urbano caótico, confuso, sem identidade (genérico, anódino e desorientado), injusto e incompatível com o meio-ambiente e os biomas. Achamos ele normal porque ali nascemos e vivemos. Mas trata-se de uma urbanidade de baixa qualidade, mesmo nos bairros “abastados” e nas regiões urbanas “de referência”: quase nenhuma relação com o bioma local, baixo conforto ambiental, desperdício da insolação (ou desconforto por ela causado), alta suscetibilidade às inundações sazonais, exclusão da biodiversidade – uma monocultura de gente desorientada e infeliz.

Nessa próxima onda de inovações, que necessariamente virá, há a possibilidade de reinventarmos as cidades para não apenas lidar com a mudança climática, mas também prepará-las para um futuro mais justo, interessante, rico e benéfico para todos. Não apenas reagindo a pressões irresistíveis da indústria, do mercado, da geopolítica e, agora, do meio-ambiente.

Inovação Urbana envolve transformação cultural profunda

A inovação tende a transformar temas “comuns” e “imprescindíveis” em assuntos obsoletos e irrelevantes: qual foi a última vez que você escovou o seu cavalo? Raspou as solas de suas botas para tirar esterco acumulado em uma caminhada nas ruas? Buscou água em uma fonte pública? Essas atividades cotidianas em cidades do século XIX nos parecem absurdas. A mesma coisa se dará com outros hábitos e “necessidades” que vemos, hoje, como “imprescindíveis”.

Vejamos alguns exemplos: o sistema de esgoto seria obsoleto em uma cidade na qual o saneamento básico é resolvido por biodigestores dentro do lote urbano. Sistemas de coleta sanitária de lixo orgânico seriam desnecessários se todos os condomínios fossem equipados com galinheiros, dando conta de praticamente todo resíduo orgânico e, ainda, ofertando uma abundante produção local de ovos. Agroflorestas urbanas poderiam dar conta da maior parte da alimentação da população das cidades, convidando a uma completa reinvenção das cadeias de produção e varejo de alimentos.

Muitas outras inovações podem ser propostas, desenvolvidas e implementadas com a intenção de integrar melhor as necessidades dos cidadãos e do meio-ambiente.

Esse movimento de obsolescência já está acontecendo

Com a ampla disseminação da mobilidade urbana como serviço, a posse de carro está ficando obsoleta – como será uma cidade sem motoristas, baseada em uma rede de mobilidade urbana baseada em modalidades integradas? Edifícios de escritórios estão sendo substituídos pelo trabalho remoto – o que fazer com o vasto patrimônio construído das cidades contemporâneas?

Mas, podemos ir adiante, e nos dedicar a repensar aspectos “normalizados” da incompatibilidade entre as cidades brasileiras e o bioma tropical. Nossos edifícios e casas são máquinas de concentração de calor, no verão, e verdadeiras geladeiras, no inverno: como será concebido e implementado o vasto e necessário retrofit desse patrimônio construído incompatível com nossas necessidades bioclimáticas? Como seria um edifício que coleta energia do sol, e a utiliza para prover conforto ambiental em um clima tropical?

É impressionante como as cidades brasileiras lidam mal com o que temos de mais abundante: sol, chuva e vento.

Inovar é imaginar futuros com rigor e coragem 

Há uma crise de imaginário no mundo contemporâneo: como se a enorme oferta de informação causasse paralisia e estupefação, no lugar de encantar e convidar à criatividade. De modo geral, ainda estamos tentando propagar para o futuro o modelo de urbanidade que provou-se incompatível com o meio-ambiente planetário. Quanto poderíamos e deveríamos imaginar um outro futuro para as cidades.

A mudança climática nos obriga a rever e superar a forma urbana que herdamos: tanto ela não é compatível com nosso bioma tropical, como não é compatível com o contexto ecossistêmico posterior à mudança climática. Estamos diante de uma oportunidade de transformar as cidades para um futuro sustentável e regenerativo.

Proponho que as cidades do futuro sejam vastas Agroflorestas Urbanas, nas quais a população humana viverá em simbiose com a biodiversidade dos biomas locais: ambientes urbano-florestais aos quais dedicamos ao meio-ambiente cuidados compatíveis com o que chamamos, hoje, de áreas de preservação. Ou seja, para que o futuro do “evento humano” seja sustentável e regenerativo, as áreas de preservação deverão ser a norma e não uma exceção. Provavelmente, a maior parte da população humana habitará essas áreas, e não as atuais “selvas de pedra”.

Sei que há uma enorme distância entre essa visão e o contexto urbano contemporâneo. E, de fato, esse novo modelo urbano ainda está em construção – não há qualquer consenso de como ele deverá ser planejado e implementado. Mas é uma visão que não exige a “demolição” das cidades atuais e sua “substituição” por outro tecido urbano. Trata-se da adaptação radical do patrimônio edificado atual, envolvendo sua transformação para que haja espaço no tecido urbano onde a natureza poderá re-ocupar e regenerar o bioma nativo das diversas regiões do planeta.

Mas todo projeto complexo e de grande envergadura pode ser implementado por meio de projetos parciais e incompletos, os quais gradualmente vão se articulando em uma transformação mais profunda. E isso envolve numerosas iniciativas de inovação urbana, para que esse novo modelo urbano possa emergir do esforço coletivo de criar-se novos hábitos, infra-estruturas, serviços e práticas urbanas.

Essa transformação já se iniciou, não estamos presos a um modelo urbano contemporâneo: nossas cidades já estão em transformação, e a mudança climática torna imperativa sua reinvenção mais radical. Mas, esse movimento precisa acontecer de modo mais acelerado e consequente, o que exige um maior engajamento das instituições, a flexibilização e a renovação dos paradigmas urbanísticos, e um sensível incremento de investimentos em ações de inovação urbana.

Quem inova para as cidades?

O momento da inovação urbana é agora. Ela é responsabilidade do governo, da academia e dos grandes empreendedores imobiliários: um novo modelo urbano precisará ser desenvolvido, a toque de caixa, e com a sustentação de grandes instituições e forças econômicas.

Por outro lado, qualquer grande corporação, instituição ou associação pode montar um laboratório de inovação urbana: todas as empresas e instituições – mesmo as que não são representantes do setor urbano-imobiliário – serão diretamente impactadas pela transformação urbana que se avizinha. Todos os grandes grupos sociais, econômicos e governamentais podem e devem ter um papel nessa reinvenção. A inovação urbana pode emergir de qualquer setor da sociedade. Que, nesse novo ciclo de inovação sustentável e regenerativa, os grandes movimentos de transformação da cidade não sejam apenas reativos, e sim orientados pela intenção de construir um meio urbano benéfico para todos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

PREPARE-SE PARA A EDIÇÃO REGIONAL DO MAIOR EVENTO DE SOLUÇÕES DIGITAIS PARA O SETOR PÚBLICO: CSC GOVTECH DISTRITO FEDERAL 2024

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No dia 20 de agosto, Brasília será o epicentro da inovação digital no setor público, promovendo a interação entre governos e empresas para transformar a operação governamental no Brasil.

No próximo dia 20 de agosto, Brasília (DF) será palco do CSC GovTech 2024, evento que promete revolucionar a interação entre o setor público e privado na promoção de soluções digitais essenciais para a operação de governos mais modernos e conectados. Realizado pela Plataforma Connected Smart Cities em parceria com Líderes do Brasil, o encontro visa fomentar um ecossistema colaborativo e criar uma comunidade GovTech no Brasil.

Um Encontro de Inovação e Colaboração

O CSC GovTech se destaca por ser um espaço onde líderes governamentais, empresários, startups e especialistas se reúnem para discutir e apresentar ferramentas, políticas e modelos que impulsionam a transformação digital no setor público. A edição deste ano ocorrerá no Museu Nacional da República, em Brasília, um local emblemático que reflete a importância histórica e cultural da capital brasileira.

Aquecimento para a Edição Nacional

O evento regional de Brasília serve como um aquecimento para a edição nacional do Connected Smart Cities 2024, que acontecerá nos dias 03 e 04 de setembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). A edição nacional é conhecida por reunir uma ampla gama de participantes e oferecer uma plataforma ainda maior para a troca de ideias e soluções inovadoras.

Objetivo: Construir uma Comunidade GovTech no Brasil

A Plataforma Connected Smart Cities acredita que o sucesso e o crescimento do mercado GovTech no Brasil dependem do desenvolvimento de um ecossistema colaborativo. Ao promover eventos como o CSC GovTech, a plataforma busca incentivar a criação de uma comunidade interconectada, onde governos, empresas e cidadãos possam trabalhar juntos para enfrentar os desafios do mundo digital.

Não perca a oportunidade de participar deste evento transformador no dia 20 de agosto de 2024, no Museu Nacional da República, em Brasília. Prepare-se para uma jornada de inovação, colaboração e aprendizado no CSC GovTech Distrito Federal 2024. Clique aqui para saber mais e conferir a programação.

Sobre o Connected Smart Cities

O  Connected Smart Cities & Mobility Nacional é o maior e mais importante evento de negócios e conexões de cidades inteligentes e mobilidade urbana do Brasil. Realizado desde 2015, o CSCM tem um formato de múltiplos palcos e promove a integração entre conteúdo de alta qualidade, promoção de negócios e networking de impacto.  O evento  faz parte da Plataforma Connected Smart Cities, que tem por missão encontrar o DNA de inovação e melhorias para cidades mais inteligentes e conectadas umas com as outras, sejam elas pequenas ou megacidades.

A 10ª edição do Ranking Connected Smart Cities será lançada em 03 de setembro, na abertura do Connected Smart Cities, em São Paulo. Saiba mais sobre o evento aqui. O evento traz discussões em diversos segmentos, sendo o Urbanismo Sustentável e Cidades Resilientes e Inclusivas, temas de destaque nesta edição.