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Prazo para tirar e regularizar título de eleitor vai até 6 de maio

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Prazo para tirar e regularizar título de eleitor vai até 6 de maio
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

Primeiro turno das eleições 2026 será realizado no dia 4 de outubro

Os eleitores têm até o dia 6 de maio para tirar o título de eleitor, atualizar dados cadastrais, transferir o domicílio eleitoral ou regularizar pendências na Justiça Eleitoral.

Quem estiver com o título cancelado ou com alguma pendência não poderá votar nas eleições deste ano. O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro.

Quem precisa tirar o título?

O voto é obrigatório para quem tem acima de 18 anos de idade. É facultativo para pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos. Estrangeiros e cidadãos em serviço militar obrigatório não podem se alistar para votar.

Como posso solicitar o título de eleitor?

Veja as formas de solicitação:

  • Autoatendimento Eleitoral: disponível no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE);
  • Cidadão pode ir a um cartório eleitoral ou postos de atendimento da Justiça Eleitoral.

O TSE alerta que aqueles que optarem pelo atendimento on-line precisam ir a um cartório ou posto de atendimento para a coleta da biometria.

Confira os documentos necessários para tirar o título:

  • Documento oficial de identificação com foto (carteira de identidade, carteira de trabalho ou passaporte);
  • Comprovante de residência recente;
  • Comprovante de quitação do serviço militar para homens que completam 19 anos no ano do alistamento.
  • É importante que o documento de identificação permita a comprovação da nacionalidade brasileira e contenha foto.

Fonte: Agência Brasil

SP inaugura quatro novos centros de pesquisa voltados à inclusão e à acessibilidade

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SP inaugura quatro novos centros de pesquisa voltados à inclusão e à acessibilidade
Foto: Lyubov Ivanova/Getty Images

Iniciativas articulam universidades e governo para desenvolver soluções aplicadas voltadas a pessoas com deficiência

Um workshop realizado na quinta-feira, dia 9 de abril, na cidade de São Paulo, marcou o início das atividades de quatro Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), aprovados na mais recente chamada da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e que contemplam diferentes frentes relacionadas à inclusão e à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.

A iniciativa é fruto de uma articulação entre a Fapesp e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) com o objetivo de aproximar a produção científica de demandas concretas da sociedade, com impacto potencial sobre políticas públicas e serviços voltados à população.

O encontro foi realizado no auditório da SEDPcD, na capital paulista, e reuniu representantes de instituições públicas, empresas e organizações da sociedade civil envolvidas com o tema.

Segundo o secretário da pasta, Marcos da Costa, os projetos chegam para preencher lacunas enfrentadas pela população com deficiência: “Há três anos, demos início a uma iniciativa inédita ao reconhecer o potencial das universidades para enfrentar uma demanda urgente: hoje, são cerca de 3 milhões de pessoas no Estado de São Paulo e aproximadamente 15 milhões no Brasil que precisam de tecnologia assistiva e ainda não encontram soluções nacionais que lhes garantam apoio com dignidade. Ao apostar naquilo que o País tem de melhor, que são seus pesquisadores e cientistas, estruturamos uma rede de centros e ações que já começa a gerar resultados concretos, do desenvolvimento de novas próteses a aplicações de inteligência artificial. Nossa expectativa é que os novos centros avancem com a mesma intensidade, contribuindo para ampliar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com deficiência”.

Três dos centros apresentados são sediados na USP. Um deles, a Plataforma Aberta de Jogos Adaptativos para Educação Inclusiva, prevê o desenvolvimento de uma ferramenta digital voltada a estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental da rede pública paulista. A proposta utiliza inteligência artificial para ajustar, em tempo real, o conteúdo ao perfil de cada aluno, com atenção especial a estudantes neurodivergentes, especialmente aqueles com transtorno do espectro autista (TEA). O pesquisador responsável é Carlos Bandeira de Mello Monteiro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) que, no evento, chamou a atenção para o aumento exponencial que vem ocorrendo na quantidade de pessoas diagnosticadas com neurodivergências: “Estamos caminhando para um futuro em que uma a cada sete crianças será diagnosticada no espectro, exigindo muito mais diversidade e individualidade nas salas de aula”, afirmou.

Outro projeto, o Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPODV), tem como foco a ampliação da inclusão social, educacional e profissional de pessoas com deficiência visual. A iniciativa prevê o desenvolvimento de tecnologias assistivas, além da produção e disseminação de conhecimento para reduzir barreiras de acesso. A pesquisadora responsável, Maria Célia Pereira Lima Hernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), destacou a importância de um projeto como este diante da quantidade de pessoas com deficiência visual na sociedade: “Trata-se da deficiência com maior incidência na população. No entanto, os cegos estão longe de estarem incluídos e presentes em todos os tipos de ambientes”.

Também foi apresentado o Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpico e Paradesportivo: saúde, formação, alto desempenho e tecnologia (CMEPP), que reúne pesquisadores de diferentes áreas para atuar no desenvolvimento do paradesporto e do esporte paralímpico. A proposta considera tanto os benefícios físicos da prática esportiva quanto seus impactos na saúde mental, no bem-estar e na qualidade de vida. O pesquisador responsável é José César Rosa Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). “Esperamos gerar impacto significativo no paradesporto a partir de quatro eixos: saúde, formação, alto desempenho e tecnologia. Vamos conduzir pesquisas para entender a relação entre a atrofia muscular associada à deficiência e o sistema imunológico, além de avaliar como o treinamento físico influencia respostas inflamatórias, hormonais e metabólicas em pessoas com deficiência. Também vamos analisar condições socioambientais para subsidiar políticas públicas mais eficazes de inclusão”, explicou o professor.

“Sinto-me honrado por participar deste momento, que marca o lançamento de novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento concebidos a partir de demandas concretas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Trata-se de um avanço importante no modelo de fomento à pesquisa, ao aproximar universidades, gestores públicos, setor produtivo e organizações da sociedade civil na construção de soluções colaborativas voltadas a desafios reais do Estado de São Paulo. Os centros assumem o compromisso de, em até cinco anos, produzir resultados relevantes tanto para o avanço do conhecimento quanto para a melhoria de políticas públicas, especialmente nas áreas de acessibilidade e inclusão. Ao integrar diferentes perspectivas e competências, a iniciativa busca desenvolver tecnologias que ampliem a autonomia, a cidadania e a qualidade de vida das pessoas com deficiência, promovendo uma cultura efetiva de inclusão e fortalecendo os valores democráticos”, celebrou o reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado.

A quarta iniciativa, chamada Centro de Tecnologia Assistiva e Inclusão Escolar (CTAIE), é desenvolvida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como foco a tecnologia assistiva aplicada à educação. O projeto é coordenado pela professora Maria Cecília Martinelli e pretende identificar e mapear demandas de acessibilidade na rede pública de ensino e desenvolver soluções com o uso de inteligência artificial e impressão 3D, com o objetivo de apoiar estudantes com deficiência ou dificuldades de aprendizagem.

O que são os CCDs da Fapesp

Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) são uma modalidade de financiamento da Fapesp voltada à produção de conhecimento com aplicação direta em problemas sociais relevantes. Os projetos são estruturados a partir da colaboração entre universidades, órgãos públicos e outros parceiros, com foco na implementação de soluções.

Diferentemente de iniciativas acadêmicas tradicionais, os CCDs buscam integrar pesquisa, desenvolvimento tecnológico e políticas públicas desde o início. Isso permite que os resultados tenham maior potencial de impacto concreto, seja na formulação de políticas, seja na oferta de serviços à população.

Os centros operam em rede e envolvem equipes multidisciplinares, reunindo especialistas de diferentes áreas para enfrentar desafios complexos, como inclusão educacional, acessibilidade e saúde. A proposta é reduzir a distância entre a produção científica e sua aplicação prática, ampliando o alcance social do conhecimento gerado.

O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, pontuou que se trata de uma das vertentes que representam a robustez paulista no campo da pesquisa: “É importante destacar que iniciativas como esta só são possíveis porque o Estado de São Paulo mantém, há décadas, uma política consistente de investimento em ciência, tecnologia e ensino superior, com aportes expressivos que não encontram paralelo em outros contextos. Ao mesmo tempo, chama atenção a atuação da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que tem direcionado esforços para áreas capazes de gerar impacto concreto na vida das pessoas. Nesse cenário, os Centros de Ciência para o Desenvolvimento representam um modelo inovador, construído a partir de demandas reais do poder público e desenvolvido em parceria com a comunidade acadêmica. Hoje já são dezenas de centros em funcionamento, reunindo universidades, institutos de pesquisa e outros parceiros em projetos colaborativos que buscam aplicar ciência e tecnologia para ampliar a autonomia, a inclusão e as oportunidades das pessoas com deficiência, com resultados práticos e retorno direto para a sociedade”, afirmou.

Fonte: Jornal da USP | Michel Sitnik

Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana

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Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana
Foto: Divulgação

Com a presença de gestores e especialistas, evento na Reserva Cultural debate os pilares que tornaram o município fluminense a cidade mais inteligente da Região Sudeste em 2025

A cidade de Niterói, reconhecida como um dos principais expoentes de inovação e planejamento urbano no Brasil, recebe no próximo dia 14 de maio a Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC. O evento, que ocorrerá na Sala Nelson Pereira dos Santos, dentro do complexo Reserva Cultural Niterói, marca a continuidade de um movimento nacional que busca transformar a realidade urbana brasileira por meio da colaboração e da valorização das diversidades regionais. Após ter acontecido em Ponta Porã, Santana de Parnaíba e Santos, a iniciativa chega ao território fluminense para consolidar um espaço de diálogo qualificado entre gestores públicos, especialistas e atores estratégicos do ecossistema de cidades inteligentes.

Leia mais: Santos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC sobre porto, inovação e desenvolvimento urbano

A escolha de Niterói para sediar este encontro estratégico não é por acaso, dado que o município ostenta o título de terceira cidade mais inteligente do Brasil e a liderança no ranking da Região Sudeste. Com um Produto Interno Bruto de 40 bilhões de reais e um Índice de Desenvolvimento Humano expressivo de 0,837, a cidade destaca-se por uma gestão pública que alia tecnologia à sustentabilidade. A robustez das políticas locais é chancelada pelos Selos CSC de Cidades Inteligentes na categoria Ouro e de Ecossistemas de Inovação na categoria Prata, refletindo um ambiente favorável ao surgimento de startups e ao fortalecimento da chamada Economia do Mar.

Leia mais: Niterói é a primeira colocada no Eixo Economia e Finanças do Ranking Connected Smart Cities 2025

A programação do encontro terá início às 11h com uma reunião focada nos ecossistemas de inovação, seguida pela abertura oficial às 14h, conduzida por Paula Faria, CEO e idealizadora da Necta e da Plataforma CSC. O evento contará com painéis temáticos que mergulham nos pilares que sustentam o sucesso niteroiense. O primeiro debate abordará a direção estratégica do município e seus projetos de futuro, seguido por uma discussão dedicada à Economia Azul e ao fortalecimento do ecossistema de inovação local. O encerramento ficará a cargo do painel sobre segurança pública integrada e resiliência urbana, com a participação confirmada de Gilson Chagas, Secretário de Ordem Pública de Niterói, reforçando o compromisso da cidade com a proteção cidadã e a capacidade de adaptação frente aos desafios contemporâneos.

Leia mais: Niterói conquista terceira posição entre as cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil

Além da agenda técnica, o evento destaca o cenário privilegiado do Caminho Niemeyer, integrando o debate sobre eficiência urbana ao patrimônio arquitetônico e cultural da cidade, famosa pelo Museu de Arte Contemporânea. Ao promover essa aproximação entre o poder público e o setor privado em um ambiente de forte tradição em planejamento, a Plataforma CSC reafirma seu papel como catalisadora de impacto real. Para Niterói, a reunião é uma oportunidade de compartilhar suas políticas públicas inovadoras e sua expertise em mobilidade e qualidade de vida, servindo de inspiração para outros municípios brasileiros que buscam trilhar o caminho da transformação digital e social.

Para saber mais sobre a Reunião Estratégica Regional em Niterói, clique aqui.

Criação de búfalos fortalece economia no Vale do Ribeira, mas manejo inadequado pode prejudicar o solo e o meio ambiente

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Criação de búfalos fortalece economia no Vale do Ribeira, mas manejo inadequado pode prejudicar o solo e o meio ambiente
Crédito: DepositPhoto

Pesquisador da Unesp sugere que pecuaristas adotem rotatividade das áreas de pastoreio para evitar a compactação do terreno e perda da biodiversidade. Dano prejudica culturas agrícolas e pode estimular expansão da produção sobre reservas de Mata Atlântica.

O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, é conhecido por ser um dos maiores polos produtores de banana do Brasil. Isso acontece devido ao clima úmido favorável da região, com solos férteis e abundância de recursos hídricos. Mas não é apenas a fruticultura que se beneficia desse local: desde a década de 1960, produtores utilizam as áreas alagadas da região para criar búfalos, comercializando posteriormente o leite e a carne desses ruminantes.

A bubalinocultura está presente, principalmente, no Norte do Brasil, mas ainda representa uma pequena parcela da produção pecuária do país. No entanto, segundo dados do IBGE, São Paulo possui o maior rebanho fora dessa região, com 118.824 cabeças, sendo que aproximadamente 53% dos bubalinos produzidos no estado estão no Vale do Ribeira, região que abriga os maiores remanescentes de Mata Atlântica do país. O que vem preocupando os pesquisadores é que, se por um lado essa atividade pecuária fortalece a economia local, ela pode estar acompanhada de riscos ambientais em virtude do manejo inadequado desses animais.

Uma pesquisa conduzida na Unesp e publicada na revista Geoderma Regional demonstrou que a criação de gado bubalino pode estar degradando o solo, tornando-o improdutivo para a produção agrícola. Como consequência, produtores abrem mais áreas de cultivo e pastoreio, afetando diretamente a Mata Atlântica nativa.

Pressão sobre quatro patas

Desde 1999, o Vale do Ribeira é considerado Patrimônio Natural pela Unesco. A região abriga um verdadeiro mosaico de unidades de conservação, além de contar com destinos como o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, espaços que chamam atenção pelo ecoturismo, com paisagens naturais e atrativos de aventura.

Mas a ocupação histórica por pastagens na região tem gerado perda de biodiversidade e degradação do solo. Pense no tamanho dos búfalos: alguns desses gigantes podem atingir a altura de uma pessoa adulta (1,70 m) e pesar mais de 800 kg. O animal se sustenta em quatro patas, exercendo uma pressão de contato em movimento de até 408 kPa (quilopascal).

“O valor é superior ao exercido pelos rodados das maiores e mais potentes máquinas agrícolas, devido a baixa relação da área de contato da pata do animal com o solo”, explica o orientador da pesquisa, Reginaldo Barboza da Silva, docente da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira da Unesp, no câmpus de Registro. “Essa situação ainda é mais critica quando o solo está saturado, devido a sua baixa resistência mecânica e capacidade de suporte de carga”, afirma.

O pisoteio gera um aumento da densidade do solo e da resistência à penetração, que frequentemente ultrapassa o limite crítico de 2 a 3 MPa (megapascals). Essa mudança nas propriedades do solo acaba impedindo o crescimento radicular, ou seja, o ambiente fica inadequado para a expansão e ramificação das raízes de uma planta, o que dificulta o seu crescimento e a absorção de água e nutrientes de forma adequada.

A superfície passa ainda por uma degradação hídrica, já que o solo compactado impede a infiltração de água, agravando o encharcamento superficial e a erosão do solo. Para fins de comparação, a infiltração da água em áreas de vegetação nativa costuma ser de 92% a 95% maior do que nestes locais danificados pelas patas dos búfalos.

O estudo foi conduzido em uma área próxima ao rio Ribeira de Iguape, região com predomínio de solos hidromórficos e argilosos. Conforme a água infiltra, o terreno perde resistência mecânica e fica ainda mais maleável, o que intensifica a compactação causada pelo pisoteio. Rodrigo Batista Pinto, primeiro autor do estudo e mestre em agronomia pela Unesp, explica que as pegadas em terreno seco também gerariam impacto para o solo, mas em menor proporção.

O cientista atenta também para a questão das chuvas associadas ao pisoteio. O evento climático pode intensificar o acúmulo de água no solo, favorecendo a expansão de áreas alagadas ao longo do tempo. “Quando esse processo ocorre em locais em que houve abertura de floresta às margens do rio, o problema pode se intensificar, pois a vegetação atua como uma barreira natural que regula o escoamento da água, aumenta a infiltração e reduz a ocorrência de enchentes”, define Batista Pinto.

Novas práticas de manejo sustentável

O pesquisador reforça que não é contra a bubalinocultura, mas que busca, por meio de sua pesquisa, evidenciar práticas agrícolas baseadas em manejos corretos. Alguns animais analisados no estudo passavam até 21 dias em uma única área de pastagem durante o verão, o que não é considerado adequado do ponto de vista das boas práticas.

“É importante que os animais circulem com maior frequência entre as áreas de pastejo, permanecendo menos tempo em cada espaço. Esse tipo de manejo tende a ser menos prejudicial ao solo, pois reduz a intensidade do pisoteio contínuo em um mesmo local. Com uma rotação bem planejada, há tempo para que o solo se recupere, diminuindo a compactação e favorecendo a regeneração da vegetação”, explica Batista Pinto.

A deposição contínua de esterco é também uma opção para manter a qualidade do solo em níveis próximos aos da vegetação nativa, assim como o controle do ambiente combinados a análises de peso do animal, evitando o pastejo em épocas de alta umidade do solo.

No momento em que a área de pastagem fica imprópria para os animais ou mesmo para o cultivo agrícola, há uma tendência dos produtores abrirem novas áreas ao redor, colocando a Mata Atlântica em risco.

O uso agropecuário de Áreas de Preservação Permanente (APPs) é proibido pelo Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012). Conforme explicado por Barboza, a ocupação indevida nessas zonas compromete a regulação hídrica e a manutenção de ecossistemas saudáveis.

Segundo o professor, estudos como esse devem ser realizados e repassados para a comunidade com a finalidade de conscientizar a população, o empresário rural e o produtor, mostrando que existe uma legislação e que ela precisa ser cumprida. “Ela precisa ser cumprida não apena por se tratar de uma questão legal, mas porque o ambiente precisa disso, aquela região precisa disso. A bubalinocultura, a exemplo de qualquer outra prática agropecuária, pode ser feita, mas é preciso cuidado em alguns aspectos”, argumenta o professor.

Fonte: Jornal da UNESP | Carolina Fioratti

Financiamento de veículos cresce 12,8% no trimestre

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Estacionamentos no setor imobiliário evoluem e viram parte da estratégia para a mobilidade urbana
Crédito: Banco de imagem

Balanço da B3 marca melhor desempenho para 1º trimestre desde 2008

As vendas financiadas de veículos cresceram 12,8% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo foram concedidos créditos na compra de 1,89 milhão de unidades. A soma inclui automóveis leves, motos e veículos pesados, considerando novos e usados.

Segundo o balanço feito pela Trillia, da B3, o número marca o melhor desempenho para um primeiro trimestre desde 2008, quando foram financiadas 2,037 milhões de unidades.

De acordo com os dados, no acumulado de janeiro a março deste ano, a liderança dos financiamentos de veículos segue com os modelos usados, que contabilizaram 1,21 milhão de unidades, enquanto os veículos novos somaram 675 mil unidades. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve crescimento tanto nos usados, com avanço de 12,2%, quanto nos novos, com alta de 14,1%.

O levantamento mostrou que a maioria das operações são para as vendas de autos leves, que representam 1,31 milhão de unidades financiadas, com alta de 12,4% na comparação entre os trimestres.

As motos somaram 510,6 mil unidades, um avanço de 18,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Os veículos pesados alcançaram 69,3 mil financiamentos, com aumento de 3,9% no mesmo período.

“O avanço foi observado em todas as regiões do país no comparativo entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo intervalo de 2025. O Nordeste liderou o crescimento percentual, com alta de 16,6%, seguido por 15,3% no Centro-Oeste (15,3%), Sul (11,8%), Sudeste (11,7%) e Norte (9,4%) no Norte”, destaca a Trillia.

O Crédito Direto ao Consumidor (CDC), tradicionalmente oferecido por bancos e financeiras somou 1,619 milhão de unidades financiadas de janeiro a março, alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O consórcio alcançou 261,9 mil unidades, com crescimento de 5,5%, enquanto as modalidades de leasing e outros tipos de financiamento registraram volumes de 12,3 mil e 10,3 mil unidades.

Segundo o superintendente de Produtos da Trillia, Daniel Takatohi, o primeiro trimestre mostrou uma expansão consistente do crédito para a compra de veículos, com crescimento espalhado por todas as regiões do país.

“Esse movimento reforça a trajetória observada ao longo do último ano e aponta um cenário mais favorável para o mercado automobilístico”, afirma.

Quando analisado o mês, março de 2026 registrou alta de 27,6% em relação a março de 2025, com o total de 703 mil unidades financiadas no mês. Na comparação com fevereiro de 2026, o crescimento foi de 22,2%. Segundo a Triilia, esse foi o melhor resultado desde agosto de 2011, quando foram financiadas 729.687 unidades.

“O resultado de março foi impulsionado tanto pelos veículos novos quanto pelos usados. Entre os novos, os financiamentos passaram de 206 mil unidades em março de 2025 para 267 mil em março de 2026, avanço de 29,7%. No segmento de usados, o volume subiu de 345 mil para 436 mil unidades no mesmo período, alta de 26,4%. Na comparação com fevereiro de 2026, o crescimento foi de 30,3% para os novos modelos e de 17,7% para os usados”, revela o balanço.

Entre os autos leves, março registrou 480,6 mil financiamentos, alta de 27,7% em relação a março de 2025, com 376,3 mil unidades, e aumento de 21,0% na comparação com fevereiro de 2026. As motos somaram 192,3 mil unidades, crescimento de 27,9% frente ao mesmo mês do ano anterior e de 23,7% em relação a fevereiro, enquanto os veículos pesados atingiram 28,7 mil financiamentos, alta de 24,5% na comparação anual e de 37,4% frente ao mês imediatamente anterior.

Alta nos preços

O acompanhamento mensal da Tabela Auto B3 mostra que, em março, o mercado de veículos registrou um movimento de alta nos preços de transação, após os ajustes observados nos meses anteriores. O comportamento foi distinto entre veículos novos e usados, com maior intensidade de aumento no mercado de 0 km e estabilidade predominante no mercado secundário.

Veículos novos

Em março, os veículos zero km apresentaram alta média de 0,86% nos preços de transação. O avanço foi observado na maioria dos segmentos, com destaque para picapes médias, SUVs, hatchbacks e sedans, além de crossovers e picapes derivadas de automóveis.

As picapes compactas se destacaram como exceção, registrando queda mais acentuada no período. O movimento indica recomposição de preços, em um ambiente de menor intensidade promocional e demanda mais equilibrada em alguns segmentos.

Veículos usados

No mercado de usados, março foi marcado por maior estabilidade nos preços, com leve alta média de aproximadamente 0,18%.

O comportamento foi bastante moderado entre os segmentos, com pequenas variações positivas e negativas.

O principal destaque foi o desempenho das picapes médias, que registraram valorização mais expressiva, enquanto os demais segmentos, como hatchbacks, SUVs, sedans e veículos derivados de automóveis, apresentaram oscilações próximas da estabilidade, entre leves altas e quedas marginais.

Fonte: Agência Brasil

Ribeirão Preto registra alta nos emplacamentos e amplia debate sobre mobilidade urbana

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Ribeirão Preto registra alta nos emplacamentos e amplia debate sobre mobilidade urbana
Crédito: Banco de imagem

Cidade supera 2,2 mil novos veículos em março e reforça necessidade de planejamento para trânsito e transporte público

Ribeirão Preto registrou aumento no número de emplacamentos de veículos em março na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, foram 2.275 novos registros, contra 2.102 no mesmo mês de 2025.

Os dados refletem o crescimento contínuo da frota na cidade, que já ultrapassa 600 mil veículos, entre carros e motos. O cenário reforça a necessidade de planejamento urbano e de alternativas para melhorar a mobilidade.

Crescimento da frota

Entre os veículos emplacados em março, foram 701 carros, 446 motocicletas e 205 motonetas. No ano anterior, os números indicavam 595 automóveis, 447 motos e 166 motonetas.

O aumento, especialmente no número de carros e motonetas, acompanha uma tendência observada nos últimos anos, impulsionada por mudanças no comportamento das famílias.

Segundo o secretário de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação, Cláudio Almeida, a cultura de mobilidade mudou, com mais pessoas optando por veículos próprios.

Desafios urbanos

Com mais de 600 mil veículos registrados, sendo cerca de 320 mil carros e 123 mil motos, Ribeirão Preto enfrenta desafios crescentes para absorver a demanda no trânsito.

A cidade também recebe diariamente um grande fluxo de pessoas por ser polo regional, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a infraestrutura viária.

A gestão municipal aponta a necessidade de incentivar novos modelos de ocupação urbana, com bairros que integrem moradia e trabalho, reduzindo deslocamentos.

Mobilidade e soluções

Entre as estratégias adotadas estão o incentivo ao transporte coletivo, com renovação da frota e melhorias nos serviços, além da ampliação da malha cicloviária.

Atualmente, a cidade conta com mais de 80 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, com planos de expansão para ampliar o uso da bicicleta como alternativa de deslocamento.

Também estão previstos projetos de infraestrutura viária, como corredores de mobilidade, para melhorar o fluxo de veículos e reduzir congestionamentos.

Regras e fiscalização

A ampliação da frota também exige reforço na fiscalização e no cumprimento das regras de trânsito. A integração entre diferentes órgãos é apontada como essencial para garantir segurança e organização.

No caso das motonetas e veículos elétricos leves, especialistas alertam para a necessidade de seguir normas específicas, como circulação em vias adequadas e respeito à sinalização.

Esses veículos devem trafegar preferencialmente em ciclovias ou em vias com menor velocidade, sempre seguindo as regras de trânsito, como ocorre com bicicletas.

Fonte: CBN Ribeirão Preto

Santa Catarina debate expansão de infraestrutura por meio de parcerias e concessões

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Santa Catarina debate expansão de infraestrutura por meio de parcerias e concessões
Foto: Divulgação

Reunião Estratégica do P3C em Florianópolis reúne lideranças públicas e privadas para impulsionar investimentos em áreas como turismo, saúde e iluminação inteligente.

No próximo dia 7 de maio, a capital catarinense sediará um encontro fundamental para o futuro do desenvolvimento regional: a Reunião Estratégica P3C Santa Catarina. O evento, que ocorrerá no Sapiens Parque S.A., no bairro de Canasvieiras, das 9h às 18h, busca consolidar o estado como um dos protagonistas nacionais na atração de investimentos privados. Sob o tema “Fortalecendo a infraestrutura de Santa Catarina: desafios e oportunidades em PPPs e concessões”, a iniciativa pretende reunir gestores públicos, especialistas e investidores para discutir soluções estruturadas que atendam à forte diversidade regional e ao consolidado ambiente empreendedor catarinense.

Leia mais: SONDA do Brasil reforçou na P3C a conectividade como política de transformação dos serviços públicos 

A programação do dia reflete as principais demandas do estado, começando por uma análise profunda sobre como ampliar a capacidade de Santa Catarina em atrair capital privado para sua infraestrutura. Entre os destaques da agenda, o debate sobre ativos turísticos como vetores de desenvolvimento ganha força, abordando desde a gestão de parques até a requalificação urbana. No período da tarde, as discussões se voltam para a infraestrutura social, com foco em saúde e educação, além de explorar o potencial da iluminação pública inteligente como ferramenta para criar cidades mais seguras e conectadas. O painel de palestrantes conta com nomes de peso no setor, incluindo Paula Faria, sócia e idealizadora da Necta e da plataforma P3C, Carlos Falcão, gerente de projetos do Instituto Semeia, e Mauricio Portugal Ribeiro, sócio da Portugal Ribeiro Advogados.

Leia mais: P3C 2026 reúne líderes públicos e privados para aprimorar modelo de PPPs e concessões no Brasil

Para os organizadores, a escolha de Florianópolis reforça a importância de alinhar as vocações locais às melhores práticas de governança e responsabilidade socioambiental. A reunião não apenas funciona como um espaço qualificado para o networking entre atores estratégicos e a geração de novas parcerias, mas também serve como um preparatório essencial para o P3C Nacional. As conclusões e agendas construídas neste encontro estadual serão levadas para a plataforma nacional, contribuindo diretamente para tornar o ambiente de negócios no Brasil mais previsível e seguro. O objetivo central é claro: transformar o diálogo em projetos estruturantes que garantam o crescimento sustentável e a melhoria da qualidade dos serviços prestados à população catarinense.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui

Especialistas alertam para alto consumo de água por data centers em meio a incentivos do governo para atração de projetos

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Especialistas alertam para alto consumo de água por data centers em meio a incentivos do governo para atração de projetos
Data center localizado na cidade de Barueri, na Grande São Paulo (Crédito: Divulgação)

Estruturas são essenciais para aplicações em inteligência artificial e para o desenvolvimento da economia digital. Pesquisadores apontam que, para além do uso de energia renovável, políticas públicas devem considerar condições locais para a segurança hídrica e transparência nas informações.

Com a ampla popularização dos recursos de inteligência artificial, cresce também a demanda pelo armazenamento e processamento de quantidades massivas de dados necessários para essas atividades. Nesse cenário, grandes projetos de data centers tem se expandido pelo mundo, frequentemente vinculados a importantes empresas de tecnologia, as big techs.

Por serem estruturas com consumo intensivo de energia, o Brasil desponta como um potencial destino para esses projetos, principalmente em virtude da sua matriz elétrica predominantemente renovável. De olho na expansão da economia digital no país, o governo federal se mobiliza para elaborar incentivos e atrair esses investimentos. Especialistas alertam que, se por um lado o alto consumo energético dos data centers seja conhecido e amplamente discutido pela opinião pública, o impacto hídrico dessas estruturas não têm recebido a mesma atenção, mas é igualmente preocupante.

Na visão de alguns desses especialistas ouvidos pelo Jornal da Unesp, debater as condições e as consequências da instalação dessas estruturas é essencial para orientar a atração de investimentos, especialmente em um contexto de incertezas climáticas e de recorrentes períodos de estiagem e crises hídricas observadas em diferentes regiões do Brasil, nos últimos anos.

De fato, estimativas sobre o consumo hídrico de grandes servidores apresentadas por pesquisadores em diferentes regiões do mundo impressionam. Em um artigo publicado na revista Applied Energy, no ano passado, cientistas da Beijing Normal University calcularam que os data centers da China consumiram, em 2022, o equivalente a 15,7 bilhões de litros de água, o que representou 2,7% do total da água consumida no país naquele ano. Para fins de comparação, esse volume equivale a aproximadamente metade do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

Na mesma linha, a Agência Internacional de Energia aponta que o consumo global de água por data centers está atualmente em 560 bilhões de litros por ano. O relatório do órgão internacional publicado no ano passado vai além, prevendo que, em virtude da crescente demanda pelos recursos de IA, essa cifra deve alcançar 1,2 trilhões de litros até 2030.

Incentivos para atração de data centers

O Brasil ainda aparece como um mercado discreto para esses projetos. De acordo com o Data Center Map, plataforma que mapeia essas instalações em todo o mundo, o país possui cerca de 200 data centers, mas a maior parte de pequeno e médio porte, que costumam atender às necessidades internas de uma empresa ou fornecer serviços de processamento e armazenagem para clientes externos. As estruturas de grande porte, chamados hyperscale, estão presentes em menor número, e costumam estar vinculados a projetos de processamento de dados para a inteligência artificial e serviços de armazenamento em nuvem oferecidos pelas big techs.

Este cenário, entretanto, pode mudar em breve. Os data centers hyperscale estão no foco dos esforços do governo federal para criar um ambiente mais favorável para o desenvolvimento da economia digital no país, o que inclui incentivos para a atração de empresas multinacionais do setor. No final de 2025, foi assinada uma medida provisória que concedia isenção de impostos (PIS/Pasep, Cofins e IPI) para a aquisição de equipamentos destinados à implantação, ampliação e manutenção de data centers, chamada Redata.

Como contrapartida, o texto exigia a adoção de medidas que garantissem a soberania digital, como o armazenamento dos dados no território brasileiro, bem como a destinação de 2% dos investimentos no país em pesquisa e desenvolvimento das cadeias produtivas digitais brasileiras. Após ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a MP não foi votada pelo Senado, perdendo sua validade. Agora, o mesmo texto tramita na forma do Projeto de Lei 278/2026.

Avaliar apenas a eficiência não é o suficiente

“A atividade de processamento desses data centers geram muito calor, ao mesmo tempo, esses dispositivos são extremamente sensíveis à alta temperatura. O recurso hídrico aparece como a principal estratégia de resfriamento para a maioria dessas estruturas”, explica Leopoldo Lusquino, cientista da computação e professor do Departamento de Engenharia de Controle e Automação da Unesp, no câmpus de Sorocaba. Entre suas áreas de atuação, o docente elabora modelos para tornar a IA mais eficiente e, portanto, mais “verde”. Segundo ele, as empresas estão atentas ao impacto das suas atividades sobre os recursos naturais e têm investido no desenvolvimento de tecnologias de resfriamento mais eficientes, mas atualmente as principais opções envolvem o resfriamento a seco, com o uso de ar condicionado, por exemplo. “Isso pode ser útil em países frios, mas em países mais quentes, como o Brasil, isso aumentaria ainda mais o consumo energético”, explica.

A proposta do Redata elaborada pelo governo federal não ignora a pegada hídrica dos data centers. Segundo o texto, para ser elegível aos benefícios fiscais, a empresa deve apresentar um Índice de Eficiência Hídrica (WUE) igual ou inferior a 0,05 L/kWh por ano, além de apresentar esses dados em seus respectivos relatórios de sustentabilidade. O cálculo do volume de água dividido pelo consumo de energia é a principal métrica usada pela indústria para quantificar a eficiência hídrica de um data center. A exigência apresentada pelo governo federal, entretanto, parece fora dos padrões praticados pelas principais empresas do setor, atualmente. Em 2025, a Microsoft reportou uma média anual de 0,3 L/kWh em suas estruturas de processamento e armazenamento de dados, enquanto a Amazon publicou que seu WUE foi de 0,15 L/kWh, em 2024. A Meta, por sua vez, reportou que em 2023 obteve um WUE de 0,18 L/kWh. Nos três casos, o índice foi celebrado como uma melhora em relação aos resultados dos anos anteriores, um objetivo alcançado devido à adoção de novas tecnologias de resfriamento.

Embora seja a métrica mais usada pela indústria, especialistas apontam que o WUE, isoladamente, não deve ser o único instrumento regulatório para se determinar a pegada hídrica de um data center, sob o risco de subestimar os verdadeiros riscos sobre a água e direcionar políticas de forma inadequada. Isso porque outros fatores como uma redução esporádica no consumo de energia ou o funcionamento durante as estações mais frias do ano (que demandam menos resfriamento) podem ajudar a mascarar este índice.

Soma-se a isso o fato de que a divulgação desses dados não é uma prática comum entre todas as big techs. A Open AI, responsável pelo assistente de inteligência artificial Chat GPT, não apresenta dados do consumo de água do seu principal produto desde a versão 3, lançada em 2020. Essa falta de transparência da empresa tem despertado a curiosidade dos pesquisadores. Um artigo publicado por cientistas da Universidade da Califórnia estimou que apenas o treinamento da versão 3 da ferramenta utilizou 700 mil litros de água, e que a ferramenta consome 500 mil (equivalente a uma garrafa plástica) para cada 20 a 50 interações. Segundo os autores, essa variação se deve às condições geográficas e climáticas em que o data center é instalado.

Alto consumo em uma região em estresse hídrico

Atualmente, dos cerca de 200 data centers em funcionamento no Brasil, mais de 80 estão em um eixo entre São Paulo e Campinas. A proximidade dessas estruturas a grandes empresas e indústrias e a disponibilidade de mão de obra qualificada ajudam a entender a escolha desses projetos pela região. Ao mesmo tempo, com 59% de sua energia produzida a partir de fontes renováveis, o estado de São Paulo atende às exigências do Redata que demandam fontes de energia limpas para abastecer os projetos.

Ainda assim, a presença de novos empreendimentos em regiões localizadas nas bacias hidrográficas do Alto-Tietê e Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) pode ser preocupante. As duas bacias estão entre as mais populosas e mais pressionadas do Brasil em termos de recursos hídricos, e viveram episódios de restrição de consumo nos últimos anos em virtudes de períodos de estiagem. “No caso da bacia do PCJ, ela já é naturalmente uma bacia deficitária porque ela transfere água para o sistema Cantareira, que abastece boa parte da população da cidade de São Paulo”, explica o hidrólogo Rodrigo Manzione.

Docente no Departamento de Geografia e Planejamento da Unesp, no câmpus de Ourinhos, Manzione chama a atenção ainda para o perfil de consumo desses data centers, que precisam do fornecimento contínuo de água para o resfriamento dos processadores. “Como seria possível, numa região de intenso consumo de água, garantir a segurança hídrica para um empreendimento como esse? Somente por meio da exploração de água subterrânea”, afirma. “Nesse contexto, retirar do solo uma água de altíssima qualidade que foi naturalmente filtrada ao longo de 15 mil anos para resfriar um data center não me parece um fim muito nobre para esse recurso”, questiona.

Diante do estímulo governamental e da popularização do uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial, o aumento no número de data centers no país parece inevitável. Os especialistas, entretanto, concordam que a formulação das políticas de incentivo devem ir além da oferta de fontes renováveis ou de métricas de consumo de água e precisam contemplar particularidades territoriais, segurança hídrica e a transparência de dados para que o crescimento da economia digital no país não se torne mais uma atividade econômica de alto impacto em nossos recursos naturais.

Fonte: Jornal UNESP | Marcos do Amaral Jorge

Lideranças globais se reúnem em Londres para imersão em cidades inteligentes na UCL

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Lideranças globais se reúnem em Londres para imersão em cidades inteligentes na UCL
Foto: Divulgação

Com coordenação da melhor faculdade do mundo no setor, programa CityLeaders oferece formação prática e visitas técnicas para gestores públicos e privados transformarem o cenário urbano.

Entre os dias 15 e 19 de junho de 2026, a University College London (UCL) será a sede do CityLeaders, um programa internacional exclusivo voltado para a formação imersiva de lideranças que pretendem transformar o ambiente urbano. Com foco em inovação e políticas públicas aplicadas, a iniciativa reúne dirigentes públicos, lideranças políticas, técnicos e profissionais do setor privado e do terceiro setor para uma jornada de 40 horas de carga horária com certificação internacional.

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A escolha da sede não é por acaso, uma vez que a UCL, fundada em 1826, ocupa a 8ª posição no QS World University Rankings e é reconhecida mundialmente por sua força em pesquisa e impacto global. O programa será coordenado academicamente pela Development Planning Unit (DPU), vinculada à The Bartlett Faculty of the Built Environment, faculdade eleita a melhor do mundo em sua área de atuação. A DPU é referência na capacitação de governos e organizações para o desenvolvimento socialmente justo e sustentável, trazendo para o curso uma expertise única no enfrentamento dos desafios reais das metrópoles contemporâneas.

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Durante os cinco dias de programação presencial, os 80 participantes terão acesso a uma metodologia diversificada que equilibra teoria e prática. O corpo docente da primeira edição foi composto por acadêmicos de destaque da UCL, incluindo a Dra. Chen Zhong, do Centre for Advanced Spatial Analysis; a Dra. Maria José Nieto-Combariza, da Bartlett Development Planning Unit; a Dra. Neave O’Clery, também do Centre for Advanced Spatial Analysis; e a Professora Ayona Datta, do Departamento de Geografia. Juntos, esses especialistas trazem abordagens que vão da análise espacial avançada à governança urbana. Para superar as barreiras linguísticas e garantir o pleno aproveitamento do conteúdo técnico, o programa oferecerá tradução simultânea em todas as atividades, que englobam desde sessões de networking internacional até estudos de caso e apresentações do Connected Smart Cities.

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O grande diferencial do CityLeaders reside na vivência prática fora das salas de aula. A proposta vai além do ensino tradicional ao incluir visitas técnicas a projetos e soluções reais de cidades inteligentes implementados em Londres. Essas imersões permitem que os gestores visualizem a aplicação de boas práticas globais em infraestrutura, saneamento, parcerias público-privadas e sustentabilidade. O objetivo central é fomentar uma visão estratégica que permita a esses profissionais retornar aos seus países de origem com ferramentas concretas para liderar a transformação urbana, promovendo o intercâmbio de experiências e o fortalecimento de uma rede global de especialistas dedicados a construir cidades mais eficientes e inclusivas.

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Túnel Santos-Guarujá avança em meio a tensão entre governos

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Túnel Santos-Guarujá avança em meio a tensão entre governos
Foto: Divulgação

Assinatura de operação de crédito ocorre após trocas de críticas sobre protagonismo no projeto

O governo federal deve assinar, nesta segunda-feira (13), a operação de crédito que viabiliza metade do aporte público para a construção do túnel imerso Santos-Guarujá. Os valores já foram depositados pelo governo do Estado de São Paulo, que participa do financiamento da obra.

A cerimônia acontece em meio a desgastes entre as duas esferas de governo. Nos bastidores, autoridades mencionam que o convite para o evento foi feito na noite de sexta-feira (10).

O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões, dos quais R$ 5,2 bilhões serão bancados pelo setor público – metade pela União e metade pelo governo estadual. O depósito realizado por São Paulo, feito em março, corresponde à sua parcela no financiamento.

Porém, o clima é de disputa política. O governo paulista acusa a União de tentar assumir a “paternidade” do projeto e avalia que a cerimônia tem caráter político. Já o governo federal sustenta que o evento simboliza alinhamento e cooperação entre os entes.

Além das divergências institucionais, o projeto também enfrentou entraves técnicos. Em março, o TCU (Tribunal de Contas da União) determinou a suspensão temporária dos repasses federais que seriam realizados pela APS (Autoridade Portuária de Santos) para a obra.

Com a formalização da operação de crédito, a expectativa da autoridade portuária é que a Corte libere ainda nesta semana os recursos para a conta garantia, mesmo diante de impasses sobre a governança do projeto.

Segundo a APS, a atuação do TCU busca garantir segurança jurídica ao grupo vencedor da licitação, a Mota-Engil, e evitar riscos de atraso no cronograma. A empresa venceu o leilão realizado em setembro de 2025.

Os atritos não são recentes. Em janeiro deste ano, o governo paulista assinou o contrato do projeto sem a participação da autoridade portuária, que, à época, apontou inconsistências no documento e pediu ajustes.

Considerada uma das obras mais aguardadas da região, a ligação entre Santos e Guarujá deve reduzir o tempo de deslocamento entre as cidades para cerca de cinco minutos. A previsão oficial é de início das obras em janeiro de 2027, com a entrada em operação em 2031.

A conta garantia será operada pelo Banco do Brasil, e o evento deve contar com a presença de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda Dario Durigan e o secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, Samuel Kinoshita; além do governador de São Paulo. O presidente da APS, Anderson Pomini, não deve comparecer por questões de agenda.

Fonte: CNN Brasil