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Apenas sete estados se destacam em infraestrutura, mostra índice do Confea

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Apenas sete estados se destacam em infraestrutura, mostra índice do Confea
Crédito: Banco de imagem

Índice Infra-BR, lançado pela Confea nesta segunda-feira 16, retrata a situação da infraestrutura nos 27 estados e no Distrito Federal

Dizer que a infraestrutura brasileira é precária não é nenhuma novidade, mas mensurar o tamanho das deficiências é uma tarefa mais complexa e muito menos óbvia. Para retratá-las, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lança nesta segunda-feira 16 o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR). Focado no desempenho dos 26 estados e do Distrito Federal, o índice apresenta uma escala de 0 a 100, composto por 67 indicadores agrupados em seis eixos: energia e conectividade, mobilidade, água, bem-estar social e cidadania, meio ambiente e saneamento básico. A nota geral do Brasil ficou em 56,92. Apenas sete estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo) pontuaram acima da média. O Distrito Federal ocupa a primeira posição do ranking com nota 74,67.

Na outra ponta, o Acre é o estado com a pior nota, 28,46, seguido de Amapá (33,94), Pará (34,41), Amazonas (36,61) e Maranhão (36,84). Segundo o Confea, a falta de acesso ao saneamento básico continua como um dos maiores gargalos da infraestrutura nacional. O problema é maior nas regiões Norte e Nordeste. O Acre, por exemplo, recebeu nota 11,28 neste quesito. Como comparação, o Distrito Federal bateu em 80,19 pontos. Reverter essa situação só será possível com grandes investimentos. O Banco Interamericano de Desenvolvimento estima que o Brasil precise investir pelo menos o equivalente a 4,5% do produto interno bruto para dar um salto em infraestrutura. Atualmente, porém, os investimentos correspondem a apenas 2% do PIB. O Infra-BR contará com uma plataforma online gratuita e de livre acesso para reunir todos os dados do índice.

Fonte: Veja Negócios

Pensar global: por que a internacionalização precisa fazer parte da aceleração das startups

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Pensar global: por que a internacionalização precisa fazer parte da aceleração das startups
Foto: Enviada por Diego Chierighini

Por Diego Chierighini, engenheiro civil e diretor executivo do INAITEC (Instituto de Apoio à Incubação, Ciência e Tecnologia)

Integrar aceleração e internacionalização desde as fases iniciais prepara startups para competir em mercados globais, ampliar parcerias e acelerar seu crescimento

Durante muito tempo a internacionalização foi tratada como uma etapa final na jornada de uma startup. Primeiro valida no mercado local, depois cresce, estrutura processos, ganha fôlego financeiro, e só então começa a olhar para fora. No entanto, se olharmos para os negócios de hoje, esse modelo não corresponde mais à velocidade do mercado, nem às ambições das startups que nascem em ecossistemas cada vez mais conectados.

Pensar global desde cedo é uma necessidade, e não um diferencial. E é exatamente nesse ponto que a aceleração precisa evoluir. Não basta preparar a startup para crescer, é preciso prepará-la para o mundo.

No Inaitec, temos visto isso de forma clara ao longo dos últimos anos. Startups que incorporam a lógica da internacionalização desde as fases iniciais tomam decisões assertivas e estratégicas, o que as coloca no caminho para construírem produtos mais competitivos e ganharem maturidade rapidamente. Elas vão além da venda fora do país. Elas entendem mercados, acessam inovações, formam novas parcerias e ampliam sua visão de negócio. 

Essa percepção se fortaleceu a partir das missões internacionais que realizamos recentemente com startups impulsionadas pelo ecossistema Inaitec, passando por ambientes como Barcelona, Dubai e o Vale do Silício. Estar nesses polos deixou claro que o mercado global não é um conceito abstrato, ele é acessível, desde que a empresa esteja minimamente preparada. 

A partir de missões como essas, defendemos que aceleração e internacionalização não devem ser programas separados, já que, quando essas duas frentes caminham juntas, o ganho para a startup é muito maior. A capacitação passa a ser orientada para desafios reais de mercado; o planejamento se conecta com oportunidades fora do Brasil; e os recursos investidos fazem mais sentido para o estágio da empresa.

Esse modelo integrado se mostra ainda mais relevante quando olhamos para o perfil das startups que participam de programas públicos de fomento. Muitas delas atingiram um nível elevado de maturidade, faturamento e estrutura, e não se beneficiam de uma aceleração pensada exclusivamente para empresas que estão começando do zero. Para essas startups, o valor está em acessar novos mercados, proteger sua inovação, estruturar presença internacional e gerar negócios fora do país.

É nesse contexto que iniciativas de internacionalização fortalecem sua empresa no mercado, com ações como missões empresariais bem planejadas, conectadas a processos de capacitação, aceleração estratégica e serviços técnicos especializados. Missões são ferramentas de negócio. Se estiverem alinhadas ao mercado-alvo da startup, ao seu momento de crescimento e aos objetivos que ela quer alcançar, os resultados serão gratificantes.

No Inaitec, continuaremos com iniciativas que promovam esses resultados para nossas empresas. No segundo semestre, por exemplo, estamos estruturando novas missões internacionais, como a de Miami, prevista para agosto. 

Quando a startup entende, desde cedo, que o seu mercado pode, e muitas vezes deve, ser global, ela muda a forma como pensa produto, modelo de negócio e crescimento. Minha experiência mostra que internacionalizar é um processo que ajuda a startup a se tornar pronta. E quando o ecossistema oferece suporte integrado para isso, o caminho se torna mais viável, menos arriscado e muito mais estratégico.

Pensar global desde o início é, acima de tudo, uma decisão de visão. E  visão é o que diferencia empresas que apenas crescem daquelas que realmente escalam.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Santos vai sediar, pela primeira vez, Reunião Estratégica sobre cidades inteligentes

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Santos vai sediar, pela primeira vez, reunião estratégica sobre cidades inteligentes
Foto: Divulgação

Santos reforça sua posição como referência em cidades inteligentes, reunindo gestores e especialistas para debater inovação, sustentabilidade e economia criativa em encontros estratégicos regionais.

A oitava cidade mais inteligente do País, Santos consolidará o seu papel de protagonista nas discussões de soluções e políticas inovadoras no próximo dia 9 de abril, quando sediará, em seu Parque Tecnológico (Rua Henrique Porchat, 47 – Vila Nova), uma das reuniões estratégicas regionais organizadas pela plataforma Connected Smart Cities (CSC), maior ecossistema de cidades inteligentes do Brasil.

O evento, que ocorre pela primeira vez na Região, discutirá o futuro das cidades brasileiras abordando temas nos quais Santos se destaca, como habitação, criatividade e a relação Porto-Cidade. Para participar, as inscrições já estão abertas e podem ser feitas de maneira gratuita pelo link: https://connectedsmartcities.com.br/reunioes-estrategicas-regionais-santos/. As vagas são limitadas e o evento ocorrerá a partir de 13h30.

O encontro reunirá gestores públicos e autoridades em diversos segmentos. Entre eles o advogado e professor Sérgio Avelleda, especialista em mobilidade urbana que é sócio fundador da Urucuia, empresa de assessoria na área, além de ter sido secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo e presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

“Santos se destaca por ter sua gestão baseada nos princípios da governança. Temos uma Cidade planejada, sempre mediante o amplo diálogo com todos os segmentos da sociedade e mantemos como meta a sustentabilidade em seu sentido mais amplo, unindo o progresso econômico ao desenvolvimento social. Conseguimos isso trabalhando com políticas públicas que assegurem resultados a longo prazo, sempre primando pela qualidade de vida e pela dignidade das pessoas”, afirma o prefeito Rogério Santos.

INOVAÇÃO E HABITAÇÃO

As portas do Parque Tecnológico irão se abrir às 13h30 para o começo do credenciamento e recepção dos inscritos. A abertura oficial do evento será às 14h, seguida pela apresentação do ranking e selos CSC: Cidades Inteligentes e CSC: Ecossistemas de Inovação, ferramentas que orientam políticas públicas por todo o Brasil, com destaque para a posição de Santos, atualmente oitavo lugar entre as cidades mais inteligentes.

“As transformações nas cidades acontecem no território. Por isso, promover o debate em nível regional é essencial para compreender desafios locais, compartilhar experiências e conectar diferentes atores na construção de soluções para cidades mais inteligentes”, destaca a idealizadora da Plataforma CSC, Paula Faria.

Na sequência, às 14h30, Rogério Santos apresentará o primeiro painel do dia, focado no Parque Palafitas, iniciativa inédita de reurbanização no País, cujo projeto piloto de 60 unidades habitacionais já se ergue no bairro da Vila Gilda, na Zona Noroeste, em área caracterizada por construções precárias sobre os mangues.

PORTO E CIDADE

O segundo painel, marcado para as 15h, vai discutir tecnologia e a inovação na relação Porto-Cidade. Com a moderação e participação de Mauro Sammarco, presidente da Associação Comercial de Santos, a mesa será composta por Sérgio Avelleda, além do secretário municipal de Governo, Fábio Ferraz; o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini; e o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, Paulo Alexandre Barbosa.

O grupo debaterá estratégias de desenvolvimento econômico associadas à inovação, à governança e à mobilidade urbana. Serão analisados temas como gestão urbana integrada e monitoramento em tempo real, em que Santos se destaca por conta de seu avançado Centro de Controle Operacional (CCO), além do uso de gêmeos digitais no Porto.

A tecnologia inovadora que é usada em grandes centros urbanos e que começou a ser implementada no modal no último ano cria réplicas digitais exatas de equipamentos e locais com o auxílio de inteligência artificial, tornando possível testar e monitorar cenários com exatidão.

CRIATIVIDADE

O terceiro e último painel do dia: “Santos, Cidade Criativa, Inteligente e Sustentável – Iniciativas de Sucesso” será moderado pela CEO do JuicyHub, Ludmilla Rossi, que também participará do debate. Farão parte da mesa, além de Ludmilla, a secretária municipal de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino; o secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade, Glaucus Farinello; e o presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt.

Estarão em pauta iniciativas que firmaram Santos como referência na área da economia criativa e sustentabilidade, garantindo reconhecimentos como o selo de Cidade Criativa da UNESCO. Os destaques serão o programa Feito em Santos e, mais recentemente, as ações comemorativas do aniversário de 480 anos, celebrado neste ano, com foco no fortalecimento da economia criativa e do desenvolvimento local.

Também serão apresentados o programa Santos Sustentável, que prevê o plantio de 10 mil árvores na Cidade, além de outras ações, e o Parque Tecnológico de Santos como vetores de inovação, sustentabilidade urbana e atração de investimentos, além de iniciativas estratégicas, como o Juicyhub, para estimular a inovação em cidades fora dos grandes polos urbanos.

O painel será seguido pelo encerramento do evento, às 17h30, com uma síntese dos temas discutidos ao longo do dia e os próximos passo.

RANKING CSC

A série de reuniões estratégicas promovidas pela plataforma CSC precedem o evento Cidade CSC, maior do segmento de cidades inteligentes da América Latina, realizado anualmente em São Paulo no segundo semestre. Durante o evento, é apresentado o ranking anual que avalia todas as cidades do país, mapeando as com maior potencial de desenvolvimento.

Durante o último ranking, Santos alcançou a oitava posição, estando sempre entre os 15 primeiros colocados nos últimos 10 anos, com destaque para indicadores da área de educação, saneamento básico e saúde.

A reunião estratégica também integra as comemorações dos 480 anos da Cidade e conta com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS).

Saiba mais sobre a história e programação dos 480 anos de Santos em www.santos.sp.gov.br/480anos

Esta iniciativa contempla o item 16 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS https://brasil.un.org/pt-br/sdgs

Inscrições abertas para os Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana 2026

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Inscrições abertas para os Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana 2026
Foto: Divulgação

Iniciativas públicas e privadas, profissionais e soluções inovadoras que contribuem para cidades mais inteligentes, sustentáveis e inclusivas podem se inscrever até 21 de abril; edição deste ano do Prêmio PMU traz nova categoria para reconhecer profissionais de destaque na mobilidade urbana.

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana (PMU) e para o Prêmio Connected Smart Cities (CSC), duas iniciativas que reconhecem projetos, profissionais e organizações que contribuem para o desenvolvimento de cidades mais inteligentes, humanas e sustentáveis no Brasil. Promovidos pela Plataforma CSC, os prêmios integram o evento Cidade CSC, que conecta projetos, pessoas e soluções de Norte a Sul do país, criando um espaço único para destacar iniciativas transformadoras em diferentes áreas do desenvolvimento urbano.

O período de inscrições teve início no dia 4 de março e segue aberto até 21 de abril de 2026. Após o encerramento dessa etapa, as propostas passarão por um processo de análise entre os meses de maio a julho, com a divulgação dos finalistas prevista para 12 de agosto de 2026. A iniciativa busca dar visibilidade a projetos que já estão impactando territórios brasileiros e estimular a replicação de soluções inovadoras que contribuam para melhorar a qualidade de vida nas cidades.

Realizado pela Plataforma CSC em parceria com a Urucuia- Inteligência em Mobilidade Urbana, o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana tem como objetivo reconhecer e premiar iniciativas públicas e privadas, além de profissionais que se destacam na promoção de uma mobilidade urbana mais sustentável, segura e inclusiva. O prêmio valoriza projetos que demonstram ousadia, inovação e capacidade de implementação, ao mesmo tempo em que amplia a visibilidade de iniciativas capazes de inspirar novas lideranças e impulsionar a escalabilidade de soluções para o setor.

As iniciativas e carreiras premiadas devem estar vinculadas ao Brasil, ainda que, no caso das categorias voltadas a profissionais, os candidatos possam ser estrangeiros desde que suas contribuições estejam conectadas ao território nacional. Para fins de inscrição e avaliação, o prêmio considera mobilidade urbana como todas as questões relacionadas ao transporte público urbano, logística urbana, trânsito, mobilidade ativa e segurança viária.

Entre as categorias destinadas a projetos e iniciativas estão Iniciativas em favor da mobilidade sustentável, com subdivisões para categorias pública e privada; Iniciativas que inovam e transformam, também nas categorias pública e privada; Iniciativas em favor da segurança viária; e Iniciativas em favor da mobilidade ativa. Já entre as categorias voltadas a profissionais estão Carreira Inspiradora em Mobilidade Urbana, Mulheres que Inspiram na Mobilidade Urbana e a nova categoria desta edição, Profissional de Destaque na Mobilidade Urbana, criada para reconhecer trajetórias e atuações que têm contribuído de forma relevante para o avanço do setor no país.

Além do Prêmio Parque da Mobilidade Urbana, também estão abertas as inscrições para o Prêmio Connected Smart Cities, realizado desde 2015 pela Plataforma CSC em parceria com a Neurônio. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a missão da plataforma de promover a discussão, a troca de informações e a difusão de ideias entre governo, empresas e organizações da sociedade civil, estimulando soluções capazes de responder às necessidades do cidadão e contribuir para que as cidades brasileiras se tornem mais inteligentes e conectadas.

O prêmio é voltado a pessoas jurídicas de direito público ou privado com sede no Brasil que apresentem negócios inovadores, produtos ou serviços, capazes de contribuir para a solução de desafios urbanos. As inscrições podem ser realizadas em três categorias principais: Negócios Pré-Operacionais, destinada a iniciativas que ainda estão em fase de desenvolvimento ou testes de mercado; Negócios Operacionais, voltada a soluções já disponíveis no mercado e que geram receita; e Soluções do Poder Público, destinada a projetos desenvolvidos por órgãos públicos que estejam em execução há pelo menos seis meses e apresentem resultados mensuráveis.

Com a abertura das inscrições para a edição de 2026, o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana e o Prêmio CSC reconhecem experiências que ajudam a transformar o cenário urbano brasileiro. Ao destacar iniciativas inovadoras, profissionais inspiradores e soluções replicáveis, as premiações contribuem para fortalecer uma rede de projetos e lideranças que trabalham por cidades mais sustentáveis, inclusivas e preparadas para os desafios do futuro.

Faça sua inscrição: https://evento.connectedsmartcities.com.br/inscricoes-iniciativas-do-csc/

City Marketing: cidades também precisam de reputação

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City Marketing: cidades também precisam de reputação
Foto: Enviada por Danaê Fernandes

Mais do que promoção turística, a estratégia conecta planejamento urbano, identidade local e políticas públicas para posicionar cidades em um cenário cada vez mais competitivo.

Assim como empresas constroem marcas, cidades também disputam atenção, talentos e investimentos. Nisso, o city marketing pode ser uma ferramenta estratégica para a continuidade de políticas públicas e até a construção de identidade local.

Durante muito tempo, quando se falava em promover uma cidade, pensava-se quase exclusivamente em turismo. Campanhas publicitárias, slogans criativos e imagens bonitas de cartões-postais eram os instrumentos clássicos para atrair visitantes. Hoje, esse conceito evoluiu. O chamado City Marketing tornou-se uma estratégia muito mais ampla — e profundamente ligada ao planejamento urbano e ao desenvolvimento econômico.

Cidades comunicam quando investem em espaços públicos de qualidade, quando priorizam pedestres e ciclistas, quando organizam bons eventos ou quando conseguem transformar uma característica local em identidade coletiva. Mesmo quando não há uma estratégia explícita de comunicação, a cidade está dizendo algo sobre si mesma.

É justamente aí que entra o chamado City Marketing. E não, não estamos falando apenas de slogans turísticos ou campanhas publicitárias com drones sobrevoando cartões-postais.

City Marketing, na prática, é a gestão estratégica da reputação de uma cidade.

Assim como empresas trabalham sua marca para atrair clientes e investidores, cidades precisam construir narrativas claras para atrair pessoas, empresas, eventos e oportunidades. Em um mundo onde profissionais podem trabalhar remotamente e empresas podem escolher praticamente qualquer lugar para se instalar, o território passou a competir por atenção.

E competição exige posicionamento.

Algumas cidades se apresentam como pólos de inovação. Outras apostam na economia criativa. Há aquelas que constroem sua reputação em torno da qualidade de vida, da sustentabilidade ou da mobilidade urbana. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: comunicar um diferencial.

Mas é importante fazer uma distinção fundamental: city marketing não é apenas propaganda. Trata-se de alinhar narrativa, identidade e políticas públicas para construir uma percepção consistente sobre o território.

Em outras palavras, não adianta vender uma imagem de cidade inovadora se o ambiente urbano não oferece condições para a inovação. Não basta promover vitalidade urbana se as ruas não são seguras para pedestres e ciclistas. O marketing territorial mais eficaz nasce quando a comunicação reflete transformações reais na cidade.

Por isso, cada vez mais o city marketing se aproxima de áreas como planejamento urbano, mobilidade, inovação e desenvolvimento econômico. A cidade passa a ser vista como um produto complexo, cuja “proposta de valor” envolve qualidade de vida, infraestrutura, oportunidades e identidade cultural.

Exemplos não faltam. Algumas cidades se posicionam como polos de tecnologia. Outras valorizam sua vocação criativa, gastronômica ou universitária. Há também aquelas que constroem sua marca a partir de políticas de sustentabilidade, mobilidade ativa ou urbanismo centrado nas pessoas.

O ponto central é que a narrativa precisa emergir da realidade local. O marketing não cria vocações — ele amplifica aquilo que a cidade já tem de autêntico.

Nesse contexto, iniciativas de valorização do espaço urbano ganham um papel importante. Intervenções de urbanismo tático, eventos culturais, redes de mobilidade ativa, ocupação qualificada de áreas públicas e projetos de inovação urbana ajudam a construir uma imagem contemporânea e vibrante da cidade. São ações que não apenas melhoram a experiência urbana, mas também comunicam valores.

E aqui entra um ponto interessante: muitas vezes as cidades fazem city marketing sem perceber.

Um festival cultural bem organizado, um projeto de urbanismo tático que transforma temporariamente uma rua, um evento de inovação, uma ciclovia bem planejada ou até uma praça que vira ponto de encontro da comunidade — tudo isso ajuda a construir a narrativa urbana.

Outro aspecto relevante é que o city marketing deixou de ser exclusivamente institucional. Hoje, a reputação das cidades também é construída por cidadãos, associações, empreendedores, universidades, coletivos culturais e projetos independentes. Cada evento, iniciativa ou inovação urbana contribui para a narrativa coletiva do território.

Talvez o maior desafio seja justamente esse: transformar o city marketing em uma estratégia integrada, que conecte comunicação, planejamento e participação social.

Quando isso acontece, o resultado vai muito além da promoção turística. A cidade passa a atrair investimentos, estimular o orgulho cívico e fortalecer sua identidade no cenário regional. E com essa atuação, fica muito mais difícil interromper políticas públicas que estão gerando bons resultados.

No fim das contas, city marketing não é apenas sobre vender uma cidade. É sobre revelar — e potencializar — aquilo que ela tem de único.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Encontro em Santos vai discutir o futuro das cidades brasileiras. Inscrições abertas

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Santos vai sediar, pela primeira vez, reunião estratégica sobre cidades inteligentes
Foto: Divulgação

A Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC (Connected Smart Cities) chega a Santos em 9 de abril, no Parque Tecnológico (Rua Henrique Porchat, 47 – Vila Nova). O objetivo é fortalecer o diálogo sobre o futuro das cidades brasileiras.

As inscrições já estão abertas e devem ser realizadas em https://connectedsmartcities.com.br/reunioes-estrategicas-regionais-santos/ . As vagas são limitadas.

O CSC vai reunir gestores públicos, especialistas, empresas e organizações para discutir soluções que ajudem a tornar as cidades mais eficientes, humanas e sustentáveis. A proposta é colocar as pessoas certas na mesma mesa para compartilhar experiências, apresentar boas práticas e construir caminhos viáveis para melhorar a gestão municipal.

Ao longo da programação, os participantes terão a oportunidade de trocar conhecimentos sobre políticas públicas, inovação, tecnologia urbana e modelos de cooperação que já estão gerando resultados em diferentes regiões. É um espaço estratégico para ampliar conexões, fortalecer parcerias e transformar ideias em ações concretas.

A iniciativa também reforça a importância da colaboração entre os diversos atores do ecossistema das cidades, contribuindo para decisões mais assertivas e políticas públicas mais eficazes.

Esta iniciativa contempla o item 16 e 17 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros artigos dos ODS

Fonte: Prefeitura de Santos

Aberta consulta pública do Projeto de Lei do Plano Diretor de Transporte Urbano do DF

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Aberta consulta pública do Projeto de Lei do Plano Diretor de Transporte Urbano do DF
Foto: Divulgação/Semob-DF

Audiência presencial será em 28 de março, mas a população já pode acessar o projeto e se manifestar pela internet

A população do DF já pode dar sugestões sobre a lei que vai fixar as políticas públicas para o futuro da mobilidade urbana do Distrito Federal. A minuta do Projeto de Lei (PL) foi publicada pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) e ficará disponível para leitura e manifestações escritas no site do Plano Diretor de Transporte Urbano do DF (PDTU) até o dia anterior à audiência pública presencial, que será realizada em 28 de março.

O conjunto de ações e obras que o GDF precisa realizar para melhorar a mobilidade urbana do DF, nos próximos dez anos, é elaborado pelos técnicos da Semob-DF e do LabTrans da Universidade Federal de SC. Eles fazem a atualização do Pdtu e a criação do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável do Distrito Federal (Pmus). De acordo com a minuta do Projeto de Lei, os dois planos serão unificados num só planejamento estratégico, e passarão a ser chamados de Plano Diretor de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal (PDTM).

O projeto prevê ainda que o novo PDTM tenha respaldo orçamentário para que os objetivos, as estratégias, os programas e as ações previstas no documento sejam efetivados. A minuta do PL prevê que a nova lei estabeleça a compatibilidade entre o Plano de Transporte e Mobilidade e os instrumentos de planejamento e orçamento do DF, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

Entre diversas diretrizes previstas para o Plano de Transporte e Mobilidade do DF, o PL deverá estabelecer a integração do PDTM também com as políticas de desenvolvimento territorial, como o Pdot e os planos setoriais. O objetivo é promover um desenvolvimento alinhado às estratégias de uso e de ocupação do solo e comprometido com a preservação ambiental.

O titular da Semob-DF, Zeno Gonçalves, explica que a consulta online e a audiência pública presencial são etapas importantes para consolidar o projeto do PDTU e criar o novo PDTM. “Queremos ouvir a população, os representantes de entidades civis, servidores e técnicos de outras secretarias e órgãos públicos do DF, para que o projeto de lei possa ser aprimorado antes de ser encaminhado pelo GDF à Câmara Legislativa. Por isso, é importante que todos acessem o documento no portal do PDTU e participem também da audiência pública presencial, se manifestando sobre o futuro da mobilidade urbana do Distrito Federal”, diz o secretário.

Como participar

Para se manifestar por escrito sobre a minuta do projeto de lei, basta acessar o site da Semob e clicar em PDTU (à direita do menu principal) ou diretamente no endereço do site do PDTU. Ao abrir a página, abaixo da foto principal, estão publicados um link para que a pessoa leia e opine sobre a minuta do projeto de Lei do PDTU/Pmus, e outro sobre a convocação para a 4ª Audiência Pública — ambos com o botão clique aqui.

Clicando para acessar a minuta, o cidadão terá opções de incluir novo artigo no PL, manter o artigo como está ou sugerir alteração. Ao clicar para digitar a manifestação, será necessário fazer um breve cadastro com CPF para pessoa física ou CNPJ para pessoa jurídica, registrando também uma senha para o caso de desejar acessar o documento outras vezes.

*Com informações da Semob-DF

Fonte: Agência Brasília

Novo cigarro? As cidades que estão proibindo propagandas ligadas a combustíveis fósseis

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Novo cigarro? As cidades que estão proibindo propagandas ligadas a combustíveis fósseis
Foto: Milena Almeida – assessora da Niky.

Cidades de várias partes do mundo estão eliminando anúncios de voos, SUVs, navios de cruzeiro e carros a gasolina dos seus outdoors, para tentar reduzir as emissões de carbono

Quando o assunto são outdoors, o centro de Haia, na Holanda, não é exatamente uma Times Square.

Ainda assim, a cosmopolita capital política holandesa também tem suas telas brilhantes e abrigos de ônibus fortemente iluminados.

Quando visitei Haia no final de 2024, os outdoors anunciavam alegremente diversos serviços e produtos coloridos nas semanas que antecediam o Natal. Um deles promovia viagens para praias ensolaradas a milhares de quilômetros de distância, nas ilhas holandesas do Caribe.

Eu estava na cidade para cobrir as históricas audiências do Tribunal Penal Internacional para decidir se os países poderiam acionar uns aos outros em relação às mudanças climáticas.

Mas, quando voltei sete meses depois, para ouvir a decisão favorável da corte, notei uma sutil diferença naqueles anúncios. Não havia mais cartazes anunciando carros a diesel ou gasolina, nem cruzeiros ou voos para destinos distantes.

A mudança é consequência da decisão tomada pela cidade em 2024, de proibir anúncios de produtos com alto consumo de carbono. Haia foi o primeiro lugar do mundo a adotar esta proibição por meio de uma lei local.

Agora, ela é uma dentre dezenas de municípios de várias partes do mundo que decidiram proibir os anúncios de combustíveis fósseis, como o distrito de Saint-Gilles, na Bélgica; a capital da Suécia, Estocolmo; e, mais recentemente, a cidade italiana de Florença.

Em janeiro de 2026, Amsterdã, na Holanda, se tornou a primeira capital do planeta a estabelecer a proibição em lei.

“Como Cidade Internacional da Paz e da Justiça e importante centro das Nações Unidas, consideramos importante demonstrar que falamos sério ao lidar com a crise climática”, declarou o vice-prefeito de Haia, Robert Barker.

“Por isso, é realmente um tanto estranho se, em um espaço público, tivermos muitos anúncios de combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, dissermos para as pessoas que ‘precisamos reduzi-los’.”

O setor publicitário é cada vez mais o foco das atenções globais, devido ao seu papel na promoção e normalização de atividades poluidoras e por desvirtuar seus impactos ao meio ambiente e à saúde, segundo um relatório do Instituto Grantham de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas e o Meio Ambiente.

Em um contundente discurso em Nova York, nos Estados Unidos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou em 2024 que a desinformação sobre o clima, particularmente por parte da indústria dos combustíveis fósseis, foi “auxiliado e incentivado pelas empresas de publicidade e relações públicas”.

Guterres pediu a todos os países do mundo que proíbam a publicidade da indústria de combustíveis fósseis.

Sua convocação foi reforçada posteriormente por Maria Neira, diretora de saúde pública e clima da Organização Mundial da Saúde. Ela descreveu os combustíveis fósseis como “o novo cigarro”.

“Sabemos que a propaganda realmente é uma grande promotora do consumo insustentável”, afirma Cassie Sutherland, diretora-gerente de redes e soluções climáticas da C40 Cities, uma rede de cerca de 100 prefeitos das principais cidades do mundo.

“Os anunciantes não gastariam bilhões e mais bilhões de dólares todos os anos, se não estivessem influenciando o comportamento das pessoas”, argumenta ela.

De fato, um estudo científico de 2023 destinado a legisladores holandeses concluiu que a publicidade de combustíveis fósseis “normaliza e promove o comportamento insustentável”, o que “prejudica ativamente as políticas climáticas”.

Nos últimos anos, surgiram diversas campanhas convocando as autoridades públicas a proibir este tipo de propaganda. Elas incluem a Adfree Cities, World Without Fossil Fuel Ads e Reclame Fossielvrij (“Publicidade livre de fósseis”, em holandês).

Algumas delas já tiveram sucesso, particularmente na Holanda.

Em 2020, em resposta a uma carta de ativistas e grupos políticos, Amsterdã aprovou a primeira moção do mundo para pôr fim aos “excessos” da propaganda insustentável, como “viagens aéreas a preços baixos”.

A proibição recentemente aprovada pela cidade entra em vigor no dia 1º de maio. Ela vai além das normas impostas em Haia, restringindo a publicidade de carne, além dos combustíveis fósseis.

Mais de uma dezena de municipalidades em todo o país europeu já tentaram criar alguma forma de restrição, seja por meio de leis locais ou contratos públicos. Mas este nem sempre é um caminho fácil.

A organização da indústria de viagens da Holanda ANVR e três operadoras de turismo entraram na Justiça em 2024. Eles alegam que a lei de Haia fere seu direito à liberdade de expressão e, na verdade, não reduziria o uso de combustíveis fósseis.

Mas o juiz decidiu que a proibição poderá ajudar a combater as mudanças climáticas e melhorar a saúde das pessoas.

Ele declarou que a cidade havia justificado adequadamente suas razões para criar a medida. A lei está em vigor desde abril de 2025.

A BBC pediu comentários à ANVR e ao Conselho Holandês de Turismo e Convenções, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

No Reino Unido, diversas cidades também criaram proibições.

Em 2024, a cidade de Edimburgo, na Escócia, proibiu a publicidade de empresas de combustíveis fósseis, companhias aéreas, aeroportos, carros alimentados a combustíveis fósseis, SUVs e navios de cruzeiro em espaço publicitários de propriedade da prefeitura, como pontos de ônibus e meios digitais.

Sheffield, na Inglaterra, criou uma política similar no ano passado, incluindo também qualquer conteúdo “que possa ser razoavelmente considerado como promovendo aumento dos voos”. E, em fevereiro de 2026, foi a vez de outra cidade inglesa, Portsmouth, criar sua proibição.

Os defensores do clima, agora, voltam sua atenção para a capital britânica, já que sua operadora de transporte público Transport for London (TfL) detém um dos maiores espaços publicitários do mundo.

Em novembro, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, concordou em analisar a política publicitária da organização, para verificar se ela poderia ser mais verde.

Na Austrália, 19 jurisdições já votaram ou implementaram algum tipo de restrição à publicidade de combustíveis fósseis, incluindo a maior cidade do país, Sydney.

Já o conselho da região metropolitana de Wellington, na Nova Zelândia, concordou em suspender os anúncios de combustíveis fósseis no transporte público e nos bens do conselho em 2023.

Belinda Noble é a fundadora e principal executiva do grupo de defesa Comms Declare, que trabalha para proibir a propaganda de combustíveis fósseis na Oceania.

Ela defende que as autoridades locais detêm “enorme” influência sobre o que os contribuintes observam todos os dias e são uma poderosa força de mudança.

Para Noble, “eles reagem mais às necessidades da comunidade e, normalmente, estão menos sujeitos aos interesses da indústria ou de grandes doadores de gás e carvão”.

Já Sutherland afirma que, muitas vezes, existe um interesse muito mais forte pela mudança do consumo em nível municipal do que nacional.

“As cidades costumam ser muito ambiciosas em relação ao clima”, afirma ela. E elas também têm longo registro de tomada de decisões que são reproduzidas nacionalmente, como transporte limpo e redução de resíduos.

Mas nem todas as tentativas de aprovar proibições nas cidades tiveram resultado.

Uma campanha em Toronto, no Canadá, foi rejeitada em julho de 2025. Vereadores locais defenderam que é complexo decidir se uma publicação é falsa ou enganosa.

Paralelamente, é difícil criar proibições nos Estados Unidos, onde a Primeira Emenda à Constituição protege a publicidade, segundo a professora de direito Ellen Goodman, da Faculdade de Direito Rutgers em Nova Jersey (EUA).

Por isso, eventuais restrições estariam sujeitas a uma análise judicial “razoavelmente rigorosa”, segundo ela.

Para contornar a situação, os ativistas climáticos americanos se concentram em ações legais para tentar responsabilizar as empresas do setor de combustíveis fósseis pelo seu impacto sobre as mudanças climáticas.

Até o momento, a maioria dos governos nacionais se concentrou mais nas mensagens contidas na publicidade corporativa, muitas vezes por meio do seu órgão regulador, do que nos anúncios em si.

Ainda assim, alguns países já estão estudando proibições nacionais.

Em 2022, a França se tornou o primeiro país europeu a proibir anúncios de combustíveis fósseis por meio de uma lei climática, embora seus defensores afirmem que sua implementação está estagnada.

O governo espanhol aprovou, em junho de 2025, um projeto de lei que proibiria a publicidade de combustíveis fósseis e de veículos alimentados exclusivamente com esses combustíveis, além de voos curtos se houver alternativas mais sustentáveis.

Mas o Parlamento do país ainda precisa aprovar este projeto, o que especialistas acreditam ser difícil.

De forma geral, um estudo indica que existe mais apoio do que oposição às restrições à publicidade na Europa.

As proibições funcionam?

É muito cedo para saber qual o impacto total das proibições já em vigor. Mas as evidências de restrições anteriores demonstram que elas podem muito bem gerar mudanças.

Quando a TfL proibiu a publicidade de alimentos não saudáveis em 2019, as famílias passaram a incluir, em média, 1 mil calorias a menos nas suas compras semanais.

Houve uma queda particularmente importante em relação a doces e chocolates, o que provavelmente terá gerado redução significativa da obesidade e dos custos da assistência médica pública.

E a medida não resultou em queda da receita publicitária, como temiam alguns. Pelo contrário, ela aumentou.

Da mesma forma, as restrições à publicidade de fast food no Chile, destinadas a melhorar a saúde das crianças, geraram uma queda de 24% das compras de bebidas doces e aumento do consumo de opções mais saudáveis.

O consumo de cigarros também caiu em todo o mundo, após as restrições à publicidade, que começaram nos anos 1960 e se tornaram progressivamente mais restritivas.

E uma análise sobre os anúncios de apostas em 2022 indica que sua proibição poderia “reduzir os danos gerais e os impactos da propaganda sobre as desigualdades relacionadas ao jogo”.

Ao tentar tirar lições das proibições motivadas por razões de saúde pública, um grupo de pesquisadores da sustentabilidade concluiu, em 2025, que a restrição da publicidade de um produto prejudicial poderá incentivar o desenvolvimento de alternativas “benignas” com menor pegada ambiental.

As restrições à propaganda de álcool da Noruega, por exemplo, levaram as empresas a criar novas variedades de cerveja sem álcool ou com baixo teor alcoólico.

“Existem claras evidências de que as proibições à publicidade realmente causam impacto”, afirma Sutherland.

“Ainda não temos os dados sobre as proibições de anúncios de combustíveis fósseis… mas esperamos ver algo similar.”

As desvantagens

Mas os pesquisadores da sustentabilidade também indicaram sua preocupação de que o desenvolvimento de produtos mais limpos e saudáveis possa ajudar a promover o greenwashing — “maquiagem verde” — da imagem corporativa de uma empresa e aumentar as vendas do produto original, que causa mais prejuízos.

Uma possível solução neste caso seria permitir que as companhias só anunciassem alternativas benignas se já vendessem uma quantidade significativa desses produtos, indicam os pesquisadores.

As proibições à publicidade também poderão enfrentar outras limitações.

Quando o setor de apostas concordou em suspender voluntariamente a publicidade no Reino Unido durante as transmissões esportivas ao vivo, por exemplo, os anúncios em outros horários aparentemente aumentaram.

As cidades também podem fazer pouco sobre o que as pessoas veem e ouvem na internet. E os próprios governos nacionais vêm enfrentando dificuldades para regulamentar a publicidade online.

As restrições dirigidas a produtos são definidas e executadas com muito mais facilidade do que proibir todo um setor de anunciar, segundo Sutherland. E esta medida tem menos probabilidades de enfrentar questionamentos legais.

E também existem áreas “cinza”, segundo Barker.

“Se você tiver um anúncio de um dado país que só pode ser visitado de avião, é permitido?”, questiona ele.

Uma opção mais extrema seria proibir toda a publicidade em outdoors, como fez São Paulo em 2006.

O que se sabe ao certo é que as proibições não funcionam no vácuo. O governo holandês, por exemplo, foi aconselhado a combinar as proibições com outras políticas, para realmente mudar o comportamento dos consumidores.

Haia, por exemplo, está incentivando as pessoas a dirigir carros elétricos. Paralelamente à proibição, a cidade vem criando mais pontos de carregamento e oferecendo às famílias empréstimos sem juros para instalar bombas de calor e isolamento, segundo o vice-prefeito municipal.

Barker destaca que a comunicação pública em Haia foi bastante direta, pois as notícias sobre a proibição foram amplamente divulgadas.

“Nós nos concentramos em explicar por que é importante enfrentar a crise climática e que os anúncios nos espaços públicos estimulam o oposto”, afirma ele.

Em um relatório de 2025, a relatora especial das Nações Unidas sobre direitos humanos e mudanças climáticas Elisa Morgera criticou a forma como os anúncios de combustíveis fósseis moldaram a percepção do público por décadas.

Para ela, os anúncios “menosprezaram os impactos aos direitos humanos e enfatizaram a participação dos combustíveis fósseis no crescimento econômico e na vida moderna”.

Morgera defende que proibir esses anúncios ajudaria a questionar a “presença considerada natural dos combustíveis fósseis nas nossas vidas” e “destacar padrões de desigualdade sistêmica, produção e consumo excessivo”.

No estudo sobre as proibições holandesas, as autoridades entrevistadas acreditavam que, embora o impacto das proibições sobre o comportamento dos consumidores ainda seja incerto, elas ofereceram sinais importantes sobre o consumo insustentável e incentivaram outros locais a adotar a medida.

“Acho que a comparação com o cigarro é muito precisa”, afirma Barker. “Fumar destrói os nossos pulmões e os combustíveis fósseis destroem os pulmões do planeta.”

“Por que incentivar algo que tem efeitos devastadores para a Terra?”

Fonte: BBC Brasil

Avançar Cidades – Mobilidade Urbana divulga lista atualizada de projetos pré-selecionados

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Avançar Cidades – Mobilidade Urbana divulga lista atualizada de projetos pré-selecionados
Crédito: Alessandro Carvalho

Os recursos disponibilizados serão utilizados para obras de qualificação viária e pavimentação

O Ministério das Cidades divulgou, nesta quarta-feira (4), a 39ª lista atualizada dos projetos pré-selecionados no âmbito do Programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana, na qual foram contemplados os Municípios de São Jerônimo (RS) e Erechim (RS) que poderão receber até R$ 36,8 milhões.

Os recursos disponibilizados serão utilizados para obras de qualificação viária e pavimentação. Esta seleção contemplou as propostas dos municípios gaúchos que já estavam enquadradas.

Confira aqui a relação completa dos municípios que já tiveram suas propostas pré-selecionadas.

ETAPAS

A publicação da lista se refere à terceira etapa do processo. Não há prazo limite para a inscrição das proposições e, à medida em que novas cartas-consulta são encaminhadas pelos municípios e pré-enquadradas, serão publicadas no site do Ministério das Cidades.

As cidades cujas propostas constarem da lista de pré-seleção deverão apresentar ao agente financeiro o projeto básico do empreendimento e as documentações necessárias à análise de risco e de engenharia. As declarações que tiverem o parecer favorável serão validadas pelos agentes financeiros para o recebimento do financiamento. Após a validação das propostas, os municípios passam para a etapa de seleção final, na qual a portaria de escolha dos projetos é divulgada no Diário Oficial da União.

Condições de financiamento

Os recursos disponibilizados para o Programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana são de financiamento, oriundos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), conforme o previsto no Programa de Infraestrutura de Transporte e da Mobilidade Urbana (PróTransporte), regulamentado pela Instrução Normativa nº 12, de 14 de abril de 2023.

A taxa nominal de juros das operações de empréstimo do Pró-Transporte é de 6% ao ano, podendo ser acrescida taxa diferencial de até 2% e taxa de risco de crédito de até 1%. O prazo para pagamento é de até 20 anos.

Após a seleção final pelo Ministério das Cidades, os municípios terão até um ano para formalizar a contratação da proposta com o agente financeiro. Os proponentes poderão acessar o financiamento em diversas instituições financeiras habilitadas no Programa PróTransporte.

O cadastramento de propostas para o Programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana está disponível no site do Ministério das Cidades desde julho de 2017.

Dúvidas e informações adicionais devem ser direcionadas ao endereço eletrônico avancar.mobilidade@cidades.gov.br.

Fonte: Ministério das Cidades

Angra lança versão digital do livro ‘Angra Rumo ao Amanhã – Plano Estratégico 2025–2036’

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Angra lança versão digital do livro ‘Angra Rumo ao Amanhã – Plano Estratégico 2025–2036’
Angra lança versão digital do livro ‘Angra Rumo ao Amanhã – Plano Estratégico 2025–2036’

Publicação apresenta projetos estratégicos para o desenvolvimento do município e reúne aspectos históricos, culturais, ambientais e econômicos locais

A Prefeitura de Angra dos Reis lançou nesta quarta-feira, 11 de março, a versão digital do livro “Angra Rumo ao Amanhã – Plano Estratégico 2025–2036”. A publicação reúne diagnósticos, indicadores, desafios e projetos estruturantes voltados ao desenvolvimento do município na próxima década e está disponível no link.

Elaborado pela Secretaria de Planejamento e Gestão, com organização da Superintendência de Políticas Públicas e colaboração de todas as secretarias municipais, o livro apresenta o potencial de Angra dos Reis para o Brasil e para o mundo e busca fortalecer parcerias institucionais e atrair novos interessados em projetos estratégicos em diversas áreas do município. A versão impressa do material será lançada em breve.

Organizado em diferentes eixos temáticos, o plano estratégico estabelece metas e diretrizes para áreas como saúde, educação, desenvolvimento social, turismo, esporte, cultura, segurança pública, inovação tecnológica, sustentabilidade e gestão pública.

A obra também reúne dados e análises sobre economia, emprego, infraestrutura e qualidade de vida, apresentando indicadores municipais e apontando caminhos para ampliar oportunidades e consolidar Angra como uma cidade moderna, sustentável e com gestão pública eficiente.

— Com esse livro, a Prefeitura de Angra está consolidando uma visão de longo prazo para a cidade, promovendo planejamento integrado e fortalecendo o diálogo com investidores, instituições e outras cidades interessadas em desenvolver parcerias que contribuam para o crescimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida da população – comentou o prefeito Cláudio Ferreti.

Um pouco da história de Angra e seus 523 anos

Além de apresentar propostas e diretrizes para o futuro da cidade, a obra traz um amplo panorama sobre a história, o território e as características socioeconômicas de Angra, destacando elementos que ajudam a compreender a identidade e as vocações do município. Aborda desde o processo histórico da região – como os primeiros habitantes, a formação da vila, os ciclos econômicos e o desenvolvimento urbano – até aspectos contemporâneos ligados ao turismo, ao meio ambiente e à economia local.

O livro destaca ainda as comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e caiçaras, que fazem parte da formação cultural e social do município, e informações sobre o território angrense, grande parte coberto pela Mata Atlântica, e sua biodiversidade, considerada uma das mais ricas do país.

Outro eixo da publicação é a apresentação dos principais atrativos turísticos e patrimônios históricos de Angra, incluindo praias, trilhas, cachoeiras, igrejas, monumentos, festas religiosas e eventos populares que compõem a cultura local e fortalecem o turismo como uma das principais atividades econômicas do município.

— Esse é uma ferramenta de planejamento e também de divulgação do potencial da cidade para investidores, instituições e parceiros interessados em contribuir com o crescimento do município – destacou o secretário de Planejamento e Gestão, André Pimenta.