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O estudo global que contesta queda da desigualdade no Brasil celebrada pelo governo Lula

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O Brasil está ficando ainda mais desigual ou, ao contrário, a distância entre ricos e pobres vem diminuindo?

Dois estudos recentes mostraram cenários opostos para essa questão, esquentando o debate entre economistas.

Um novo relatório sobre desigualdade global divulgado nesta quarta-feira (10/12), o World Inequality Report 2026, afirma que a renda concentrada no bolso dos mais ricos aumentou nos últimos anos no Brasil, tornando o país ligeiramente mais desigual entre 2014 e 2024.

Ainda segundo esse relatório, produzido por um amplo grupo de economistas, entre eles o francês Thomas Piketty, a desigualdade brasileira “permanece entre as mais altas do mundo”.

A conclusão entra em choque com uma nota técnica recém-divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que a desigualdade brasileira atingiu o menor nível em 30 anos em 2024.

Esse estudo mostrou também um importante aumento na renda dos mais pobres e a consequente redução da pobreza ao menor patamar em três décadas.

A publicação do Ipea foi celebrada por autoridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a receber no Palácio do Planalto a presidente do instituto, Luciana Servo, acompanhada dos autores da nota técnica: os pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher.

Houve, porém, controvérsia entre economistas. Os dados sobre a redução da pobreza são considerados corretos, mas o anúncio de que a desigualdade estaria em uma baixa histórica é alvo de questionamentos.

Para estudiosos do tema ouvidos pela BBC News Brasil, a metodologia usada pelo Ipea não mede com precisão a renda dos mais ricos — por isso, não seria a mais apropriada para calcular desigualdade.

Os próprios autores do estudo foram transparentes sobre isso e apontaram essas limitações ao publicarem os resultados. Ainda assim, a decisão de usar os dados, apesar desses problemas, gerou incompreensão entre os especialistas entrevistados.

Inclusive porque um dos autores, Pedro Herculano Souza, é um sociólogo premiado por seus estudos sobre desigualdade e já demonstrou, em pesquisas passadas com método diferente da nova do Ipea, números que contrariam a conclusão de que a concentração de renda estaria em queda no país.

Segundo essas pesquisas anteriores, a desigualdade ficou estável entre 2005 e 2014, período que, no novo estudo do Ipea, se deu queda expressiva da concentração de renda.

O estudo foi celebrado no Palácio do Planalto. A informação de que a desigualdade estaria no menor patamar em 30 anos passou a ser destacada por Lula e ministros do governo, como Gleisi Hoffmann, chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

“Em julho, a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] confirmou que o Brasil saiu mais uma vez do mapa da fome. Na última semana, o IPEA divulgou que atingimos o menor nível de desigualdade da série histórica. E hoje, novos dados do IBGE mostram que mais de 8 milhões de pessoas saíram da pobreza”, postou Lula na rede social X, no dia 3 de dezembro.

“Resultados que se complementam, e mostram que o Brasil vive uma nova realidade, com mais oportunidades, melhora da renda e redução da desigualdade. E que apontam a direção correta de se governar: do lado do povo brasileiro”, continuou.

Apesar das controvérsias sobre os rumos da alta desigualdade brasileira, especialistas ouvidos pela reportagem reconhecem que o governo Lula tem adotado medidas para enfrentar o problema.

Entre elas, destacam a aprovação pelo Congresso da reforma do Imposto de Renda proposta pelo presidente, que vai, de um lado, isentar do IR todos que ganham até R$ 5 mil e, de outro, criar um novo imposto mínimo de até 10% para os que ganham a partir de R$ 50 mil por mês.

A diferenças entre o estudo do Ipea e o relatório internacional

Controvérsias metodológicas estão no cerne dos resultados tão divergentes dos dois novos estudos sobre desigualdade.

Enquanto a análise do Ipea é baseada apenas em dados de renda coletados em pesquisa pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o World Inequality Report 2026 usa esses dados associados a informações da Receita Federal, fonte considerada mais precisa para medir os rendimentos dos mais ricos por ter como base as declarações de Imposto de Renda feitas pela população.

Os números do IBGE analisados vêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Nesse tipo de levantamento, pesquisadores visitam os domicílios de uma amostra representativa da população e perguntam a renda das pessoas entrevistadas.

Com isso, estabelecem um panorama sobre como a renda se divide na população e como esses ganhos estão evoluindo ao longo do tempo.

Entre estudiosos da distribuição de renda, porém, é consenso que pesquisas domiciliares tendem a subestimar a renda das pessoas.

Essa subestimação não acontece apenas no topo da pirâmide, mas costuma ser mais significativa entre os ricos, cuja maior parte da renda não vem de salários, mas de investimentos e ganhos de capital (vendas de bens, por exemplo).

Os pesquisadores do Ipea reconhecem o problema. À reportagem, Pedro Souza disse que escolheu não usar dados da Receita Federal porque eles estavam menos atualizados que os do IBGE quando iniciou seu estudo.

“Nossa análise é inteiramente baseada em informações de pesquisas domiciliares, que possuem limitações importantes. No mundo todo, esse tipo de pesquisa enfrenta dificuldades para captar os rendimentos de trabalhadores por conta própria e empregadores, transferências da assistência social e, principalmente, rendimentos financeiros e do capital e outros rendimentos recebidos irregularmente”, diz a nota técnica do Ipea.

“No Brasil, a concentração de renda no topo é muito maior nos dados tributários e segue trajetória distinta da revelada pelas pesquisas domiciliares”, continua a publicação.

Segundo o economista Guilherme Klein, professor da Universidade de Leeds (Reino Unido), a subestimação da renda em levantamentos como a Pnad ocorre tanto porque os mais ricos tendem a informar nessas pesquisas rendimentos menores do que de fato possuem — seja intencionalmente, seja por não terem claro quais são seus ganhos — como pela dificuldade de acessar essas residências para entrevistar esse grupo, que muitas vezes vivem em domicílios mais protegidos.

Por isso, Klein considera “um problema” o estudo do Ipea trazer conclusões sobre desigualdade apenas baseado nos números da Pnad.

“Quando a gente fala de desigualdade, é fundamental a gente olhar para o topo, para o 1% mais rico, para o 0,1% mais rico, e a gente só consegue olhar para isso olhando os dados da Receita Federal”, defende.

“Quando você combina os dados da Pnad com os dados de Imposto de Renda, você tem uma visão melhor, mais consistente da desigualdade. Então, eu acho de fato que é um problema você não fazer isso e falar sobre desigualdade”, continuou Klein, que é também pesquisador associado do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP).

Segundo os números da Pnad analisados pelo Ipea, a renda média mensal por pessoa cresceu quase 70% no Brasil entre 1995 e 2024, passando de R$ 1.191, para R$ 2.015.

Com isso, a pobreza extrema caiu consideravelmente. Em 1995, um quarto da população estava nesse grupo. Trinta anos depois, a taxa caiu de 25% para 5%.

A melhora desses indicadores, aponta o Ipea, é reflexo da expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e do aumento da oferta de emprego.

Já o coeficiente de Gini (indicador que mede a desigualdade e varia de 0 a 100, sendo 100 a desigualdade máxima) recuou quase 18%, de 61,5 para 50,4, quando se analisam os dados da Pnad. É esse último dado que gera controvérsias.

Desigualdade no Brasil é a menor em 30 anos, diz Ipea

O que diz o World Inequality Report?

O World Inequality Report 2026 traz um amplo apanhado da desigualdade no mundo, mostrando a persistência da forte concentração de renda no planeta.

O relatório foi produzido pelo World Inequality Lab, um laboratório internacional de estudo da desigualdade, que tem o francês Thomas Piketty como um de seus diretores.

Piketty se projetou globalmente após a publicação do livro O Capital no Século XXI (2013), em que analisou historicamente a concentração de renda e riqueza em diferentes países.

No caso do Brasil, os dados analisados no novo relatório indicam que a renda concentrada pelos 10% mais ricos tem oscilado nos últimos anos, com tendência de alta.

O aumento mais significativo ocorreu durante a pandemia de coronavírus (2020/2021), momento em que grupos de maior renda conseguiram se proteger da turbulência econômica, enquanto os mais pobres foram mais prejudicados pela interrupção ou redução de diversas atividades.

Segundo esses dados, a fatia da renda nacional detida pelos 10% mais ricos subiu de 57,9% em 2014 para 59,9% em 2021. Depois disso, o percentual recuou para 59,1% em 2024, mas continuou acima do observado uma década antes.

No sentido inverso, a fatia da renda detida pelos 50% mais pobres caiu de 10,7% em 2014 para 8,2% em 2021, apresentando, depois, recuperação parcial e chegando a 9,3% em 2024.

Para medir a evolução da desigualdade, o relatório usa um indicador obtido ao dividir a fatia da renda dos 10% mais ricos pela fatia da renda dos 50% mais pobres.

Esse índice subiu de 53,7 para 63,5 entre 2014 e 2024, evidenciando o aumento da desigualdade. O ápice ocorreu em 2021, quando chegou a 73.

A BBC News Brasil questionou os economistas do World Inequality Lab, responsáveis pelo relatório, sobre a metodologia utilizada e as divergências em relação ao estudo do Ipea.

Na resposta enviada por meio da assessoria de imprensa, eles afirmam que estatísticas oficiais sobre desigualdade na América Latina, baseadas exclusivamente em pesquisas domiciliares, capturam apenas parte da renda nacional e subestimam a renda do capital (valores obtidos com investimentos ou vendas de propriedades, por exemplo).

“Isso cria uma percepção equivocada de sociedades que parecem ser mais pobres e menos desiguais. No World Inequality Lab, estamos trabalhando para corrigir esse viés”, disseram ainda.

“Nossas estimativas são construídas utilizando informações de pesquisas domiciliares, mas também de outras fontes das autoridades fiscais e das contas nacionais de cada país. Mesmo com premissas conservadoras, a desigualdade aumenta significativamente”, continuaram.

A resposta indica que os números brasileiros analisados no relatório juntam dados do IBGE, responsável pela Pnad e o cálculo das contas nacionais, e da Receita Federal, autoridade fiscal brasileira.

Os dados de declaração de Imposto de Renda, porém, só estão disponíveis até 2023 no Brasil, o que significa que os autores do World Inequality Report 2026 fizeram extrapolações matemáticas para estimar a distribuição de renda em 2024, usando dados da Pnad e projeções próprias para a renda dos mais ricos.

A reportagem pediu esclarecimentos sobre isso aos autores do estudo, por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve retorno até a publicação.

Renda do topo subiu no Brasil após pandemia, aponta relatório global

Pesquisador do Ipea diz que optou por dados do IBGE por serem mais atualizados

A BBC News Brasil conversou sobre as críticas ao estudo do Ipea com um dos autores, o sociólogo Pedro Herculano de Souza, que é referência em estudos da desigualdade.

Seu doutorado nesse tema, realizado na Universidade de Brasília, ganhou o prêmio Capes de melhor tese em Sociologia em 2017. Dois anos depois, ele recebeu o prêmio Jabuti pelo livro “Uma História da Desigualdade: a Concentração de Renda entre os Ricos no Brasil – 1926-2013”.

Souza foi um dos primeiros a incorporar dados do Imposto de Renda na análise da desigualdade brasileira e, naquele momento, seus estudos chamaram atenção ao revelar que a desigualdade não havia recuado entre os anos 2005 e 2014, como apontavam estimativas anteriores, feitas apenas com base nas pesquisas domiciliares do IBGE.

O período foi marcado por forte crescimento econômico e redução da pobreza, mas a queda da desigualdade não se confirmou porque houve também alta relevante da renda dos mais ricos, captada pelas declarações de IR.

Até por isso, sua decisão de publicar agora uma nota técnica do Ipea baseada apenas nos dados de renda da Pnad causou surpresa entre estudiosos do tema.

À BBC News Brasil, Souza disse que optou por não usar dados do Imposto de Renda em sua análise porque não havia números atualizados.

Seu objetivo, contou, era entender a evolução da renda após a pandemia, mas quando iniciou o estudo, em março, só existiam dados tributários disponíveis até 2021.

Ao longo do ano, a Receita atualizou esses números até 2023.

Já a Pnad, pesquisa domiciliar do IBGE, é feita trimestralmente e tem atualização mais frequente, o que permitiu analisar a dinâmica da renda até 2024.

“Para mim, o processo científico normal é esse: você pega o melhor dado possível para o objetivo que você quer”, disse.

“No nosso caso, tinha uma demanda clara de saber a evolução [da pobreza e da desigualdade] de curto prazo, do pós-pandemia, porque acho que está pegando muita gente de surpresa, não só na questão de pobreza e desigualdade, mas no desempenho econômico, a própria manutenção do baixo desemprego e o comportamento da inflação”, disse ainda.

Embora seja um defensor do uso de dados tributários para estudos sobre desigualdade, Souza diz que os números da Receita Federal também devem ser vistos com cautela, pois, às vezes, mudanças na taxação de investimentos geram ajustes nas aplicações dos mais ricos que acabam gerando ganhos de renda extraordinários que distorcem a série histórica.

Na sua avaliação, o forte aumento da renda dos mais ricos captada nos dados do IR durante a pandemia ainda precisa ser mais bem esclarecido.

Além do aumento apontado pelo World Inequality Report, essa alta também foi identificada no estudo “Concentração de renda no Brasil: o que os dados do IRPF revelam?”, publicado em agostos pelo Fiscal Data, de autoria dos economistas Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti.

“É um aumento muito grande e num período muito curto. Eu não sei se está contaminado por alguma coisa temporária da pandemia, se isso é um problema das tabelas da Receita”, disse Souza à reportagem.

Além disso, o sociólogo defende que a Receita aperfeiçoe a divulgação dos dados tributários, que hoje ainda é feita de forma limitada e com restrições. Por exemplo, cita o pesquisador do Ipea, há dificuldade para identificar se a renda declarada é de uma pessoa apenas ou se envolve cônjuge e dependentes.

Ainda assim, ele diz que fará a análise dos dados tributários quando informações mais atuais forem disponibilizadas pela Receita.

“Se, em algum momento que a gente tiver os dados de IR mais recentes e conseguir construir uma série longa, as conclusões [sobre os rumos da desigualdade] mudem, a gente muda as conclusões, porque a gente vai atualizando as conclusões conforme as melhores informações e melhores métodos disponíveis. Estou muito curioso”, ressaltou.

Gráficos da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil

Fonte: BBC News Brasil

Após Fed e Copom, Brasil segue com 2º maior juro real do mundo; veja lista

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Copom manteve Selic em 15% ao ano, enquanto Fomc cortou a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,5% a 3,75%

As autoridades monetárias de Brasil e Estados Unidos redefiniram nesta quarta-feira (10) o patamar das respectivas taxas de juros. A “superquarta” não teve surpresas nas decisões, com o Copom mantendo por aqui a Selic em 15% ao ano e o Fomc reduzindo em 0,25 ponto percentual o intervalo nos EUA, para 3,5% a 3,75%.

Com isso, o Brasil segue como o 2º país de maior juro real do mundo – atrás apenas da Turquia, segundo levantamento realizado pela MoneYou e Lev Intelligence.

A taxa de juros real é o indicador que desconta do valor nominal os impactos da inflação.

Para o cálculo, foi considera a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente para o período e a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, como referencial o último dado fornecido pelas autoridades econômicas de cada país.

Eis o ranking:

Fonte: CNN Brasil

Governo de SP orienta municípios com pesquisas de deslocamento para planejamento da mobilidade urbana

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Infográfico e cartilha produzidos pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos visam compartilhar conhecimento técnico e incentivar uso da ferramenta para elaboração de políticas públicas

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) de São Paulo, por meio da sua Coordenadoria de Planejamento e Gestão (CPG), anuncia nesta segunda-feira (8) o lançamento de um infográfico e de uma cartilha orientativa sobre pesquisas de deslocamento. Os materiais foram desenvolvidos para auxiliar os municípios das regiões metropolitanas paulistas na compreensão e aplicação desta ferramenta essencial para o planejamento da mobilidade urbana.

A iniciativa busca compartilhar a vasta experiência acumulada pela STM e suas vinculadas, como o Metrô de São Paulo, ao longo de décadas na realização da Pesquisa Origem e Destino (OD). A cartilha e o infográfico oferecem uma visão acessível e atualizada sobre os fundamentos, as metodologias e, principalmente, as aplicações práticas da pesquisa, que funciona como um “raio-X da mobilidade”.

Esse modelo de pesquisa é um diagnóstico detalhado que revela como, por quê, quando e com quais meios de transporte as pessoas se deslocam. Ela coleta dados sobre o número e motivo das viagens, os modos de transporte utilizados, os horários, as origens e destinos dos deslocamentos, além do perfil socioeconômico da população. Essas informações são a base para o desenvolvimento de Planos de Mobilidade Urbana (PMUs), para o redesenho de linhas de transporte coletivo, para a projeção de demandas futuras e para a identificação de gargalos de infraestrutura.

“Compreender o cenário de forma ampla é fundamental para um bom planejamento de mobilidade”, afirma Epaminondas Duarte Junior, coordenador da CPG e responsável pelo projeto na STM. “Com esses materiais, queremos capacitar os gestores municipais para que saiam do campo da suposição e entrem no planejamento baseado em evidências, justificando tecnicamente investimentos e políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população.”

A cartilha aborda desde os componentes essenciais de uma pesquisa, como a entrevista domiciliar e a análise socioeconômica, até o planejamento técnico, incluindo a definição de zonas de tráfego, o dimensionamento da amostra e a coleta de dados. O material também explora metodologias complementares que utilizam tecnologias como dados de telefonia móvel e de aplicativos.

Deslocamento nas Regiões Metropolitanas

O lançamento desses materiais ocorre em um momento estratégico, em que a STM inicia uma rodada de pesquisas de deslocamento em todas as regiões metropolitanas do estado, começando pela Região Metropolitana de Jundiaí. Os dados coletados nessas pesquisas regionais são fundamentais para a elaboração do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU), que orienta os investimentos e as políticas públicas de mobilidade para as próximas décadas. O objetivo da STM é atuar na articulação entre os municípios para promover a integração dos sistemas de transporte e construir soluções mais sustentáveis e eficientes.

O infográfico e a cartilha estão disponíveis para consulta e download gratuitos no site da STM.

Sobre a Secretaria dos Transportes Metropolitanos

A STM tem como missão a formulação de políticas públicas que assegurem a mobilidade urbana integrada, segura, acessível e sustentável para concretização do direito social do acesso ao transporte. A Pasta é referência no planejamento e na gestão do transporte metropolitano de passageiros que, diariamente, transporta cerca de 8,5 milhões de pessoas, na média dos dias úteis. Vinculadas à STM, estão a CPTM e o Metrô.

Fonte: Agência SP

Carta de Belém pela Eletromobilidade

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O transporte sustentável é mais uma oportunidade para o Brasil e a América Latina; o preço da hesitação nos obrigará, mais uma vez, a pagar o custo do atraso

Um dos documentos mais importantes divulgados na COP30 é a Carta de Belém pela Eletromobilidade. 

Assinada pela presidente da Eletra, Milena Braga Romano, é uma veemente defesa da mobilidade elétrica como a melhor estratégia de industrialização para o Brasil e para a América Latina, com amplo impacto econômico, social, ambiental e tecnológico.

A eletromobilidade – diz o documento – deve estar no “mapa do caminho” para o desenvolvimento econômico da América Latina, e não há mais tempo a perder.

O texto é um alerta para mais uma oportunidade que se abre ao Brasil e um chamamento à urgência das decisões por parte poderes públicos e das lideranças políticas e empresariais.

Ele cita um estudo da C40 (rede de cidades globais comprometidas com a mobilidade sustentável) para apoiar a eletrificação do transporte público, ressaltando que os ônibus elétricos “podem ser oportunidades de indústrias e representantes da América Latina se reposicionarem no contexto da chamada ‘neoindustrialização’, se transformando em produtoras e exportadoras de veículos mais modernos e de maior valor agregado”. 

E conclui: “ficaremos para trás se nada fizermos. Mas dá tempo. A hora é agora. Senão, o custo será alto demais: o custo do atraso”.

Principais trechos:

“Carta de Belém Pela Eletromobilidade como Estratégia Ambiental, Econômica e Social para a América Latina”

“A eletrificação dos transportes nas cidades é a verdadeira escolha que deve ser tomada pelas nações latino-americanas para atender aos três pilares básicos do que é sustentabilidade de fato: o social, econômico e ambiental. A Eletromobilidade na América Latina deve estar no ‘mapa do caminho’”. 

“Os biocombustíveis têm sua aplicação, que pode ser interessante, na área de transportes de médias e longas distâncias, como em caminhões pesados e ônibus rodoviários, neste momento. Mas jamais podem ser pretextos para não investir na expansão da Eletromobilidade, em especial para os deslocamentos urbanos e metropolitanos”. 

“Num país como o Brasil, parceiro no Mercosul e em outros acordos e tratados internacionais, onde a geração de energia elétrica é limpa em mais de 90% dos casos, deixar de aplicar esforços em ampliar a infraestrutura de distribuição, carregamento e frotas de ônibus, carros e caminhões de entrega elétricos é, no mínimo, uma decisão pouco inteligente”.

“O Brasil e demais nações parceiras na América Latina podem se tornar expoentes e assumirem posição de destaque no mundo como grandes exportadores de tecnologias, veículos, equipamentos e conhecimento”. 

“Sustentabilidade é atender a três pilares básicos. 

Meio Ambiente: Os ônibus, caminhões e carros elétricos não poluem em suas operações, e em nações com fontes renováveis e limpas de geração de energia deixam o ciclo ainda mais vantajoso. 

Econômico: Operar ônibus, caminhões e carros elétricos se mostrou vantajoso e vai ser ainda mais, com o barateamento dos veículos e baterias. A manutenção é mais simples, mais barata e gera menos impactos, com menos óleos, lubrificantes e fluidos, que deixam de ser descartados no meio ambiente. 

Social: Nesse aspecto, a indústria brasileira e dos demais parceiros na América Latina ganham de lavada. Afinal, com a produção local de ônibus, caminhões e carros elétricos, bem como de toda sua cadeia de equipamentos, suprimentos, conhecimento e serviços, geramos empregos e rendas aqui”. 

“Geramos arrecadação para o Poder Público investir no Social. E exportamos, gerando para o Brasil e demais parceiros receitas globais, embarcando não apenas produtos latinos, mas produtos da América Latina de ponta e de alto valor agregado. Atendemos o que as cidades precisam: um transporte mais confortável, eficiente e que não só desloque as pessoas, mas faça o cidadão se sentir bem, prestigiado”. 

“Ônibus modernos, sem poluição, com quase nada de trepidação e barulho, não só conquistam demanda para os transportes, mas conquistam corações. O veículo elétrico vai além de não poluir. Ele atende a saúde, a preservação da Vida Humana”. 

“Contra fatos não há argumentos. A Eletromobilidade é a estratégia em vários aspectos. A América Latina tem sido invadida por produtos elétricos não adequados às realidades das cidades dos países da região porque tais veículos e equipamentos ganham em preços, frutos de políticas agressivas de subvenções de seus países de origem”. 

“Estamos perdendo a oportunidade, ficaremos para trás se nada fizermos. Mas dá tempo. A hora é agora. Senão, o custo será alto demais: o custo do atraso”.

Íntegra: Confira

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Ciclone extratropical: fenômenos ‘devastadores’ no Brasil são culpa das mudanças climáticas?

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A passagem de um ciclone extratropical pelo sul do Brasil tem gerado chuvas intensas e vendavais pelo país, provocando estragos em diversas regiões, principalmente no Centro-Sul.

Três mortes foram registradas na cidade de Palhoça, em Santa Catarina, que nas últimas 24 horas registrou um acúmulo de chuva de 137 mm, de acordo com o MetSul.

Meteorologistas consideram o ciclone de “altíssimo risco”, com previsão de rajadas de vento que podem chegar a 120km/h.

Para climatologistas ouvidos pela BBC News Brasil, por mais que a ocorrência de ciclones seja comum no hemisfério sul, não há como negar o impacto das mudanças climáticas em eventos intensos como esse.

“Não é incomum ter um ciclone esta época do ano, o que é incomum é a intensidade que estamos vendo. E os estudos indicam que esse cenário é uma tendência do aquecimento global”, afirma o climatologista José Marengo, que coordena o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Nos últimos anos, diversos ciclones foram registrados no Brasil, muitos com chuvas intensas, rajadas de vento, principalmente na região sul.

O mais recente foi registrado em novembro, ocasionando a formação de um tornado que atingiu o Paraná e destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no interior do estado.

Seis pessoas morreram e mais de mil moradores ficaram desalojados. Os ventos chegaram a 250km/h.

Segundo Franscisco Aquino, climatologista e professor da UFRGS, nem todo evento meteorológico é resultado das mudanças do clima, mas a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais aumentou nas últimas décadas no hemisfério sul.

Ele avalia que há uma relação direta entre os efeitos dessas mudanças, sobretudo na Antártica, e o aumento de ciclones que atingiram o Brasil desde setembro.

Aquino explica que, neste ano, a Antártica registrou baixa extensão de gelo marinho, tanto no verão quanto no inverno.

Essa redução de gelo coloca a oscilação Antártica em fase negativa, empurrando o cinturão de ciclones extratropicais para o sul do Brasil, o que explica essa sequência incomum de tempestades e eventos extremos.

“Como a atmosfera está mais quente, e o planeta segue em mudança climática, não tem como entender que não há uma combinação desses fatores, nesse caso reduzindo o gelo marinho, deixando a fase negativa no sul, e permitindo a formação de ciclones mais intensos”, afirma.

‘Ciclones-bombas’

O ciclone que atinge o sul do Brasil é apontado por meteorologistas como um evento atípico esta época do ano pela combinação de vários fatores, entre eles a pressão excepcionalmente baixa e sua intensidade.

É esperado que ele alcance um valor mínimo de pressão atmosférica abaixo de 1000 hPa (hectopascal), valores considerados “excepcionalmente baixos e raríssimos”.

Enver Gutierrez, pesquisador e Chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que as ondulações de jatos — correntes de ventos que ficam na parte superior da atmosfera e são responsáveis por organizar o clima do planeta — registradas nesse ciclone foram muito intensas, algo que é comum no inverno, e não na primavera.

Com isso, os ventos se projetaram para as camadas de baixo, contribuindo para a intensificação do ciclone.

Segundo ele, essas características são apontadas em estudos como possíveis efeitos de mudanças climáticas.

“Estudos desses cenários de aquecimento global indicam que os ciclones estariam mais intensos, e nesse caso, foi registrada uma ondulação bem intensa, o que corrobora com esses estudos”, declarou.

Marengo acrescenta que tem-se observado no Brasil uma tendência na formação de ciclones chamados “ciclones-bombas”, com ventos intensos, aproximação do continente.

A frequência desses eventos costuma ser associada ao aquecimento da temperatura.

Apesar de pontuar que ainda é cedo para classificar como “ciclone-bomba” o sistema que atualmente atravessa o Rio Grande do Sul, Marengo afirma que não há dúvidas de que ele seja um “ciclone intenso, com alta probabilidade de desastres”.

Especialistas alertam que esses ‘ciclones devastadores’ tendem a se intensificar cada vez mais se seus impactos não forem suavizados.

Isso engloba ter uma agenda focada nas mudanças do clima, com soluções baseadas na natureza, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, mas também uma estrutura voltada para a população, argumenta Aquino.

“Neste momento é preciso aumentar a estrutura da Defesa Civil, criar alertas antecipados, criar métodos para melhorar a comunicação e permitir que as pessoas possam se informar dos riscos e se proteger. É muito importante que a população esteja atenta a alertas no smartphone, à previsão do tempo. Só assim conseguimos reduzir impactos.”

Fonte: BBC News

Vendaval histórico atinge SP sem chuva e se prolonga por mais de 12 horas; rajada chega a 98,1 km/h

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Rajadas de vento acima de 75 km/h começaram por volta das 9h de quarta e seguiram até a noite; Inmet diz que é a primeira vez que a capital paulista registra ventos tão fortes sem chuva ou temporal.

A cidade de São Paulo enfrentou uma ventania considerada inédita pelos meteorologistas: é a primeira vez que rajadas tão fortes atingem a capital sem a presença de chuva ou temporais. O vento começou ainda pela manhã da quarta-feira (10) e seguiu intenso até a noite, algo que também chamou a atenção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com meteorologistas, a longa duração do vendaval surpreende especialistas e não tem precedentes na capital paulista.

Em outras ocasiões em que a capital registrou ventos tão fortes — como em setembro, quando o Campo de Marte marcou 98,2 km/h — a cidade enfrentava temporais. Desta vez, porém, o céu permaneceu firme, com sol entre nuvens e nenhum sinal de chuva, o que aumenta o caráter incomum do evento.

Desde as 9h, na quarta, as rajadas ultrapassaram 75 km/h em diversos bairros. No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Inmet registrou ventos de 80 km/h. A maior rajada do dia foi registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) na Lapa, Zona Oeste, e chegou a 98,1 km/h.

Os ventos fortes deixaram um rastro de destruição na capital e região metropolitana de São Paulo: mais de 2 milhões de imóveis sem luz, queda de 151 árvores, fechamento de parques, voos cancelados e até consultas em hospital precisaram ser canceladas.

O responsável pelo vendaval é um ciclone extratropical que atua no litoral do Rio Grande do Sul. Embora longe de São Paulo, o sistema tem grande área de influência — e por isso ventou tanto na cidade, segundo meteorologistas.

“É um ciclone muito amplo. Mesmo distante, sua circulação gera ventos fortes em boa parte do Sul e Sudeste”, explicou o Inmet à TV Globo.

A expectativa é que o ciclone se afaste gradualmente para o mar durante esta quinta (11), reduzindo a força do vento.

Veja lista de maiores rajadas de vento até as 14h desta quarta, segundo a Defesa Civil:

  • 98,1 km/h — Lapa, às 12h40;
  • 96,3 km/h — Aeroporto de Congonhas, às 12h;
  • 81,2 km/h — Santana, às 12h50;
  • 79,6 km/h — Aeroporto Campo de Marte, às 13h.

Previsão do tempo

Segundo a Climatempo, a previsão para os próximos dias é:

Quinta (11)

  • Rajadas: até 70 km/h
  • Temperaturas: de 19°C (mínima) a 30°C (máxima)
  • Grande SP, litoral e Vale do Paraíba ainda podem ter ventos fortes

Sexta (12)

  • Ventos mais fracos
  • Temperaturas: de 19°C a 31°C
  • Previsão de chuva à tarde ou à noite

Sábado (13)

  • Temperaturas: de 20°C a 26°C
  • Chuva prevista, que pode ser forte

Domingo (14)

  • Temperaturas: de 20°C a 25°C
  • Chuva ao longo do dia

Mudança de padrão

Segundo Cesar Soares, meteorologista do Climatempo, os dados confirmam uma mudança de padrão climático na região metropolitana de São Paulo.

“Essas rajadas de vento que antes eram valores inusitados, extremos, vão passar a ser frequentes. Com mais energia na atmosfera, mais aquecimento e mais calor retido, a gente terá condições cada vez mais severas e intensas”, disse Soares.

O especialista explica que, nos anos 2000, linhas de instabilidade capazes de provocar ventos tão fortes eram raras, mas passaram a se repetir anualmente.

“Agora a gente está vendo com frequência. Está acontecendo pelo menos uma ou duas vezes ao longo de cada ano. Os últimos anos têm registrado rajadas cada vez mais intensas”, afirmou.

Escala de Beaufort

Pela Escala de Beaufort, que classifica a intensidade dos ventos, os danos ocorridos na Grande São Paulo nos últimos anos indicam a categoria 10 e 11, ou seja, com ventos entre 89 km/h a 117 km/h.

Criada há mais de 200 anos para facilitar a navegação marítima, a escala vai de 0, que representa ventos calmos, quase sem movimento, com fumaça subindo verticalmente a 12, que correspondem a furacões.

A partir de 10 na escala já é considerado uma tempestade. Nessas circunstâncias, há estragos em construções e árvores, além de mar extremamente turbulento.

Com rajadas cada vez mais frequentes e intensas, São Paulo já registra episódios que se aproximam das categorias mais altas da Escala de Beaufort — criada há mais de 200 anos para orientar navegadores e que hoje ajuda a dimensionar o impacto de ventos que, em terra firme, estão se tornando parte da rotina dos paulistas.

Fonte: G1

Enquanto milhões viajam no fim do ano, concessões avançam com tecnologia, segurança e novos corredores logísticos

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Com a proximidade do Natal e do Ano Novo, as rodovias brasileiras vivem seu período de maior movimento. Só nas estradas administradas pela CCR RioSP, Via Dutra e Rio-Santos, mais de 705 mil veículos devem circular entre os dias 20 e 21 de dezembro, na saída para o Natal. No retorno, em 26 de dezembro, a estimativa é de 336 mil veículos. Para o Ano Novo, o fluxo será ainda maior: mais de 755 mil veículos entre os dias 27 e 28 de dezembro, com um retorno previsto de 338 mil veículos em 2 de janeiro.

Esse volume de tráfego, típico das férias e festividades, reforça a importância da modernização das concessões rodoviárias em andamento no país, uma transformação que já começa a alterar a experiência de quem pega estrada.

Concessões rodoviárias entram em nova fase com tecnologia e digitalização

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou recentemente o avanço da transformação digital das rodovias federais, que promete mais segurança, fluidez e eficiência no transporte.

Leia mais: Transformação digital nas rodovias: inovação e conectividade para um Brasil mais eficiente

Um dos pilares dessa virada é a conectividade rodoviária. Em abril de 2025, a ANTT autorizou a elaboração de projetos para inclusão de infraestrutura digital em 29 contratos de concessão, totalizando 14.912 km de rodovias que originalmente não tinham esse recurso. Somados aos novos contratos, o Brasil alcança 15,8 mil km de rodovias conectadas.

Essa estrutura permite a integração de sensores, câmeras, comunicação em tempo real, painéis de mensagens e sistemas de cobrança eletrônica, uma base essencial para a operação de estradas mais inteligentes.

Entre as tecnologias que já chegam às estradas federais, o Free Flow se destaca. O sistema permite a cobrança automática de pedágio por meio de pórticos eletrônicos, sem necessidade de praças físicas. O veículo passa e a tarifa é registrada automaticamente.

Leia mais: P3C Nacional reúne principais atores de infraestrutura e autoridades em dois dias de debates

Hoje, sete pórticos estão em operação e a ANTT prevê outros 20 até 2026, totalizando 27 equipamentos. A promessa é de menos filas, menos tempo perdido e menos emissão de poluentes decorrentes da parada e retomada dos veículos.

Outro avanço é o HS-WIM, sistema de pesagem em alta velocidade. Ele pesa caminhões em movimento, com apoio de câmeras e transmissão imediata de dados. O modelo substitui balanças físicas e aumenta a capacidade de fiscalização sem interromper o fluxo.

Os novos contratos de concessão incluem também sistemas de Detecção Automática de Incidentes (DAI), capazes de identificar desde objetos na pista até veículos em contramão, usando inteligência artificial. Os alertas são enviados imediatamente aos centros de controle, reduzindo o tempo de resposta das equipes e potencialmente salvando vidas.

Câmeras inteligentes passam a integrar o coração das operações: a exigência é de cobertura de até 70% do trecho concedido, com imagens rastreáveis e integradas aos sistemas da ANTT.

Leia mais: IA em Projetos de Infraestrutura: as perguntas que os estruturadores de PPPs e Concessões estão (ou deveriam estar) começando a se fazer  

Painéis de mensagem variável, sensores ambientais e geotécnicos, monitoramento climático e centros inteligentes compõem um ecossistema que aproxima o país das melhores práticas internacionais. No caso da BR-381/MG, uma das rodovias mais críticas, as exigências são ainda maiores.

Essa agenda de inovação é reforçada pelo sandbox regulatório da ANTT (Resolução nº 5.999/2022), que já permitiu testes com Free Flow, pesagem inteligente, soluções de inspeção e projetos voltados à descarbonização.

São Paulo expande concessões e projeta R$ 51 bilhões em investimentos

Enquanto as rodovias federais avançam em digitalização, o Governo de São Paulo acelera um amplo programa de concessões e duplicações. A publicação do edital da Rota Mogiana, com 520 km e R$ 8,9 bilhões em investimentos, marca uma nova fase do plano estadual.

Com os novos contratos, o Estado alcança 2.214 km de rodovias concedidas desde 2023, um salto em relação aos 1.694 km anteriores, sob a administração de Tarcísio de Freitas.

Os lotes já leiloados ou em fase de licitação projetam mais de R$ 51 bilhões em investimentos, incluindo:

  • Rota Sorocabana – R$ 8,8 bilhões
  • Lote Litoral – R$ 4,3 bilhões
  • Nova Raposo Tavares – R$ 7,9 bilhões
  • Lote Paranapanema – R$ 5,8 bilhões
  • Rota Mogiana – R$ 8,9 bilhões
  • Lote Noroeste – R$ 11,9 bilhões
  • Trecho Norte do Rodoanel – R$ 3,4 bilhões

O pacote inclui cerca de 430 km de terceiras faixas e 250 km de novas marginais.

Estradas cheias, mas mais preparadas

Enquanto milhões de brasileiros se preparam para viajar nas festas de fim de ano, as estradas enfrentam o desafio do aumento de fluxo, agora com ferramentas mais modernas para lidar com congestionamentos, acidentes e atendimento ao usuário. O movimento nas rodovias cresce, mas o setor de concessões também avança para que essa jornada seja cada vez mais segura, rápida e eficiente.

Para quem vai pegar estrada, a orientação é sempre a mesma: planejar o horário, revisar o veículo e acompanhar as condições de tráfego. E, aos poucos, a tecnologia passa a ser uma aliada cada vez mais presente nessa experiência.

Encerrando esse cenário de transformações, o debate sobre PPPs e concessões rodoviárias também ganhará espaço no P3C, evento que acontece nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2026. Especializado no mercado de parcerias e concessões voltadas à infraestrutura, o P3C reúne empresas, entidades e governos para discutir como fortalecer a colaboração entre os diversos atores do setor. O objetivo é construir alternativas que tornem o ambiente de negócios mais seguro e previsível para investidores, sempre alinhado a critérios ambientais, sociais e de governança, um diálogo essencial em um momento de grandes investimentos e modernização das estradas brasileiras.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui

Metrô 24 horas. Saiba quantas viagens foram realizadas na primeira madrugada de operação do serviço

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Segundo informações do próprio Metrô, a Linha 3-Vermelha foi a mais movimentada na ‘virada’ de sábado para domingo

O Metrô passou a operar 24 horas entre sábado para domingo no dia 6 de dezembro. No primeiro final de semana que os trens circularam das 0h até às 4h40, o serviço atendeu 13,8 mil passageiros e foram realizadas 66 viagens.

No comparativo entre as linhas que abriram, segundo o Metrô, a Linha 3-Vermelha foi a que registrou o maior movimento, com 7,5 mil embarques. A Linha 2-Verde totalizou 3,8 mil. E, por fim, a Linha 1-Azul somou 2,6 mil.

Como a Linha 15-Prata passou por testes com a nova frota de trens, os passageiros contaram com o auxílio do sistema Paese para as viagens. Como o sistema é gratuito, não foi possível saber quantos passageiros utilizaram o transporte nesse horário.

O serviço de trens de madrugada continua em fase experimental até fevereiro de 2026. Por ora, apenas o Metrô está com essa proposta. A empresa diz que vai avaliar custos operacionais e eventuais ajustes. As integrações com a CPTM e outras linhas do sistema metroviário permanecem fechadas neste intervalo da madrugada.

A empresa afirma que a proposta atende uma demanda antiga de paulistanos que se locomovem nesses horários pela vida noturna ou até mesmo para turnos de trabalho.

Como fuciona o Metrô 24 horas

Durante a madrugada não há bilheterias abertas nas estações. Portanto, o usuário deve comprar o bilhete anteriormente, em máquinas de auto-atendimento ou utilizar um cartão de embarque (TOP ou Bilhete Único). Além disso, como uma nova opção de pagamento da passagen, na Linha 1-Azul e Linha 3-Vermelha já existem catracas que aceitam cartão de débito ou crédito por aproximação.

Enquanto nas linhas 1-Azul e 3-Vermelha os trens transitaram em ambos os sentidos, na Linha 2-Verde entre as estações Vila Madalena e Clínicas e entre Sacomã e Vila Prudente, os trens utilizaram uma única via.

O serviço está previsto para funcionar até fevereiro de 2026 e não há ainda uma conclusão sobre a prorrogação desse horário de atendimento pós o prazo.

Fonte: Mobilidade Estadão

Cidades são inteligentes quando transformam a experiência de viver nelas

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Por Aldo Garcia, CEO da Betha Sistemas

Muito se fala sobre cidades inteligentes, muitas vezes com ênfase em tecnologias de ponta, como sensores, redes 5G e inteligência artificial. Mas, na essência, o conceito vai muito além dos recursos tecnológicos: trata-se da aplicação estratégica da tecnologia para melhorar a vida dos cidadãos, com foco em eficiência, sustentabilidade e inclusão.

De acordo com o Smart City Index 2024, publicado pelo International Institute for Management Development (IMD), cidades como Zurique, Oslo, Singapura e Copenhague ocupam os primeiros lugares do ranking global. O que essas cidades têm em comum não é apenas o investimento em inovação, mas o uso coordenado de dados, infraestrutura inteligente e serviços públicos digitais para promover bem-estar social, mobilidade urbana eficiente e responsabilidade ambiental.

Esses municípios demonstram que o sucesso de uma cidade inteligente está diretamente ligado à capacidade de integrar tecnologia à gestão pública de forma transparente, contínua e com foco no cidadão.

Por outro lado, a América Latina ainda enfrenta desafios significativos para avançar nesse cenário. No mesmo ranking, a melhor colocação da região é de Santiago, no Chile, em 117º lugar. No Brasil, a situação é ainda mais alarmante: Brasília aparece na 130ª posição, seguida por São Paulo (132ª) e Rio de Janeiro (139ª), entre 142 cidades avaliadas.

Esses números escancaram uma realidade: estamos distantes das melhores práticas internacionais. Mas eles também revelam um campo fértil para avanços concretos. Com políticas públicas bem estruturadas, investimento em infraestrutura digital e uma mudança de mentalidade na gestão pública, é possível transformar esse cenário.

Cidades inteligentes não se constroem apenas com grandes obras ou soluções mirabolantes. Elas nascem da combinação de pequenos avanços, como a digitalização de serviços, a integração de dados entre secretarias, o uso de plataformas para planejamento urbano e a aproximação entre gestão e cidadão. São essas ferramentas que, de forma silenciosa e contínua, têm o poder de transformar a experiência de viver nas cidades.

A partir da minha experiência, acompanhando de perto essa transformação em municípios de diferentes portes ao redor do Brasil, posso afirmar que, mesmo com recursos limitados, é possível dar passos concretos na direção de uma gestão pública mais eficiente, transparente e conectada à realidade das pessoas. O segredo está na escolha estratégica de soluções digitais, na capacitação das equipes e na disposição para repensar processos tradicionais à luz das novas tecnologias.

A transformação digital no setor público brasileiro não é mais uma tendência: é uma necessidade. E, para que essa transformação aconteça, é preciso mais do que tecnologia — é preciso visão de futuro, liderança comprometida e políticas que coloquem o cidadão no centro da gestão.

*A Betha Sistemas, especialista no desenvolvimento de soluções de tecnologia para a gestão pública. Com 40 anos de história, soma mais de 3 mil clientes e 2,5 milhões de usuários, com presença em 22 estados brasileiros, impactando mais 44,5 milhões de pessoas.

1ª Edição de Encontro Nacional de Estatais de Infraestrutura realiza troca de informações e fortalece o ecossistema para novos projetos em 2026

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No dia 27 de novembro de 2025, o P3C promoveu, em Belo Horizonte (Casa Pampulha), o Encontro Nacional de Estatais de Infraestrutura — um momento estratégico de articulação e diálogo com as principais empresas públicas voltadas ao desenvolvimento de infraestrutura no Brasil. A iniciativa, desta vez em correalização com a CODEMGE, reuniu lideranças de estatais de investimento e desenvolvimento, decisores públicos e dirigentes do setor, com o propósito de alinhar visão, prioridades e instrumentos para acelerar projetos estruturantes.

O evento teve como missão fortalecer a governança, destravar entraves regulatórios e financeiros, e posicionar as estatais como alavancas centrais para o desenvolvimento regional e nacional. Para isso, promoveu a integração das empresas e fomentou um ambiente mais previsível e seguro para investimentos em infraestrutura.

Ao reunir representantes de empresas estatais de infraestrutura de todo o Brasil, o encontro reforça o papel estratégico dessas organizações na execução de projetos de grande impacto social e econômico — especialmente em um momento de crescente demanda por investimentos públicos e privados no país.

A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais – CODEMGE foi correalizadora e conferiu ao encontro um significado adicional, ao incorporar a visão de uma estatal de desenvolvimento regional — o que enriquece o debate sobre o papel das estatais de investimento no financiamento e implementação de projetos estruturantes. A participação da CODEMGE também simboliza a importância de integrar diferentes estatais, com perfis variados, para potencializar sinergias e ampliar a capilaridade dos investimentos.

Além disso, representantes da CODEMGE atuaram diretamente em painéis temáticos, contribuindo com visão institucional, experiência em gestão pública e conhecimento técnico sobre financiamento, governança, contratos e implementação de projetos. Essa participação reforçou o compromisso da CODEMGE com o desenvolvimento sustentável e com a modernização da infraestrutura pública no Brasil.

“Estamos orgulhosos de receber as empresas Estatais em Belo Horizonte. Somos uma empresa com décadas de história, que se reinventa a cada momento, e temos o propósito de auxiliar o crescimento de Minas Gerais, com foto também em Concessões e PPPs. Este é o caminho que todas as Estatais podem seguir, auxiliando o Estado e seus municípios”, comentou a Diretora Presidente da CODEMGE, Luisa Barreto

A programação do encontro contemplou mesas temáticas fundamentais para o setor, envolvendo temas como:

  • Política remuneratória — debatendo práticas de recursos humanos e governança interna nas estatais.
  • Governança de projetos — abordando mecanismos de gestão, compliance, transparência e eficiência na execução de empreendimentos.
  • Produtos e frentes de atuação — com foco nas diversas áreas em que as estatais atuam (energia, saneamento, mobilidade, desenvolvimento regional etc.).
  • Processos de contratação — discutindo modelos de licitação, concessões, PPPs, contratações públicas e parcerias com o setor privado.
  • Segurança jurídica e órgãos de controle — buscando mitigar riscos regulatórios e assegurar o cumprimento de normas, controles e governança.

A escolha dos temas reforça a amplitude e a relevância do debate, envolvendo tanto governança institucional quanto a execução concreta de projetos de infraestrutura. Veja aqui o depoimento dos participantes das Estatais.

O Encontro de 27 de novembro reafirma o papel do P3C como plataforma de articulação e mobilização do ecossistema de PPPs, concessões, estatais e iniciativas de infraestrutura no Brasil. Através de eventos setoriais como este, o P3C contribui para conectar atores públicos e privados, disseminar boas práticas de governança, fomentar a troca de experiências e acelerar a implantação de projetos estratégicos.

O caráter exclusivo — destinado a convidados e lideranças do setor — demonstra o comprometimento com a seriedade e qualidade do debate, assim como a necessidade de manter discussões estratégicas em um ambiente de alta responsabilidade e confidencialidade.

Este encontro de estatais representa mais uma agenda do P3C que culminará no evento nacional programado para os dias 23 e 24 de fevereiro de 2026, em São Paulo. Na edição nacional, espera-se reunir um público ainda maior — com cerca de 3.000 participantes, mais de 250 palestrantes, 50 painéis distribuídos em 15 palcos simultâneos — consolidando o P3C como o principal fórum de debate e articulação para infraestrutura, PPPs e concessões no Brasil.

Assim, as empresas públicas que participaram do encontro de estatais têm agora a oportunidade de levar os temas debatidos — governança, contratação, segurança jurídica, produtos e atuação setorial — para a pauta nacional, contribuindo para uma agenda robusta e integrada de desenvolvimento.