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Escândalo do Banco Master mostra que Brasil não tem feito sua lição de casa em relação ao combate à corrupção, afirma especialista da Unesp

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Escândalo do Banco Master mostra que Brasil não tem feito sua lição de casa em relação ao combate à corrupção, afirma especialista da Unesp
Foto: Reprodução/TV Globo

Segundo Rita de Cássia Biason, o episódio repete a relação pantanosa entre empresários e representantes políticos observada anos atrás, na Operação Lava-Jato. Para a docente, delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro tem o potencial de acelerar as investigações e permitir o mapeamento de toda a teia de práticas ilícitas.

Em março de 2026, a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A operação investiga, entre outras ilicitudes, esquemas de fraudes financeiras, manipulação financeira e lavagem de dinheiro realizadas pela instituição financeira. Na última semana, após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido pela manutenção da prisão preventiva do investigado, Vorcaro trocou a sua equipe de advogados e iniciou os trâmites para realizar uma delação premiada.

Desde então, o banqueiro já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Polícia Federal (PF), o que marca o início formal das tratativas. A notícia da delação do banqueiro tem causado apreensão nos corredores de Brasília em virtude da proximidade de Vorcaro com representantes políticos na Capital Federal, e da suspeita de que as investigações possam alcançar membros do Congresso, do Governo Federal, do Banco Central e mesmo do Poder Judiciário.

Para Rita de Cássia Biason, cientista política e coordenadora do Centro de Estudos sobre Corrupção da Unesp, no câmpus de Franca, a eclosão de mais um escândalo revela que o Brasil não tem feito a sua lição de casa no combate à corrupção e na promoção da transparência na relação entre empresários e a classe política do país. “Considerando que nós tivemos um escândalo grande, a Operação Lava-Jato, que envolvia as empreiteiras, especialmente a Odebrecht, me parece que essas relações pantanosas continuam sempre à tona, e isso nos surpreende porque é uma repetição”, afirma a docente.

Na perspectiva da docente, a ampla repercussão midiática de supostos esquemas de corrupção envolvendo políticos, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, já está estimulando mudanças na conduta de alguns membros dos Três Poderes. “Eu identifico que todo esse escândalo do Banco Master tem pressionado o STF a elaborar um código de conduta. De certa forma isso é muito positivo”, aponta Biason.

A proposta foi apresentada pelo atual presidente do Tribunal, Edson Fachin, e é inspirada em normas do Judiciário alemão. O código inclui medidas como a limitação para parentes de ministros atuarem em casos que tramitam no STF, maior transparência quanto à remuneração em palestras e regras de quarentena para juízes aposentados.

Sobre o instrumento da colaboração premiada que Daniel Vorcaro começou a negociar com a PGR e a PF, na última semana, a professora do câmpus de Franca explica que os benefícios do delator variam de caso a caso, sendo necessário levar em consideração a qualidade das provas apresentadas pelo investigado e a relevância da sua colaboração. “É preciso avaliar se aquela colaboração levou a uma mudança significativa nas investigações. Por isso que há a necessidade de se apresentar provas documentais, e não apenas contar histórias, de forma a não haver seletividade na delação”, explica.

A professora explica que, segundo a Lei 12850/2013, que regulamenta o instrumento, o investigado que tenha atuado na delação deve ser beneficiado por medidas que podem incluir o perdão da pena, a sua redução em dois terços do período ou a pena privativa de liberdade. “Caso tudo aquilo que ele tenha apresentado seja fraudulento ou o investigado tenha mentido, esse acordo é anulado”, acrescenta.

Embora a delação premiada, por vezes, receba críticas a respeito de abusos e pressões indevidas sobre os investigados, como foi visto em vários momentos durante a Operação Lava-Jato, Biason acredita que o instrumento continua sendo uma importante ferramenta no combate à corrupção por ter o potencial de acelerar as investigações e permitir o mapeamento de toda a teia de práticas corruptas. “Ela quebra o silêncio interno dos esquemas de corrupção e dá acesso a informações que dificilmente surgiriam por outros meios”, afirma a docente. “Ela permite que você identifique líderes, estruturas criminosas e organizações dentro do próprio poder público”, diz.

Ouça a análise completa da professora Rita de Cássia Biason sobre o escândalo do Banco Master e a delação premiada do banqueiro Marcos Vorcaro no Podcast Unesp.

Fonte: Jornal UNESP

Mutirão oferece emissão gratuita de documentos em Natal e mais 3 cidades do RN

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Mutirão oferece emissão gratuita de documentos em Natal e mais 3 cidades do RN
Foto: Agência Brasil

Ação da Semana Nacional do Registro Civil ‘Registre-se!’ acontece de 13 a 17 de abril e visa garantir documentação básica para a população.

A partir desta segunda-feira (13), moradores de Natal, Caicó, Mossoró e Arez poderão emitir documentos essenciais gratuitamente durante a 4ª edição da Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!.

O mutirão, que segue até a sexta-feira (17), é uma iniciativa coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e promovida no estado pela Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte.

Durante o evento, a população poderá solicitar a 2ª via da certidão de nascimento, a carteira de identidade (RG) emitida pela Polícia Científica, a carteira de trabalho e o CPF.

Além da emissão de documentos, a ação oferecerá uma série de outros serviços à comunidade, como:

  • Atualização do Cadastro Único (CadÚnico);
  • Assessoria jurídica com a Defensoria Pública, OAB/RN e a Unidade Móvel dos Juizados Especiais;
  • Serviços de saúde, como vacinação e aferição de pressão;
  • Corte de cabelo.

A principal novidade deste ano é a interiorização da campanha, expandindo os atendimentos para além da capital. A expectativa da Corregedoria-Geral de Justiça é realizar cerca de 1.500 atendimentos em todo o estado.

O foco da iniciativa é a população em situação de vulnerabilidade socioeconômica e de rua, mas também abrange povos indígenas, quilombolas, pessoas privadas de liberdade, jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, crianças e adolescentes em abrigos e famílias acolhedoras.

Confira a programação e os locais de atendimento

Natal

  • Quando: 13 a 17 de abril (segunda a sexta-feira), das 9h às 14h.
  • Onde: Praça Sete de Setembro, Cidade Alta (ao lado do Fórum Fazendário).

Caicó

  • Quando: 13 a 17 de abril (segunda a sexta-feira), das 8h às 14h.
  • Onde: Fórum Municipal Amaro Cavalcanti, bairro Maynard.

Mossoró

  • Quando: 13 a 16 de abril (segunda a quinta-feira), das 9h às 14h.
  • Onde: Centro de Práticas Múltiplas da UniCatólica do RN, bairro Santo Antônio.

Arez

  • Quando: 13 a 16 de abril (segunda a quinta-feira), das 9h às 14h.
  • Onde: Câmara Municipal de Vereadores.

Fonte: G1 | Inter TV

FDIRS abre seleção para estruturar projetos de PPPs na educação em estados e municípios

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FDIRS abre seleção para estruturar projetos de PPPs na educação em estados e municípios
Foto: Divulgação

Edital de chamamento público oferece apoio técnico para construção e reforma de escolas, gestores têm até 15 de maio para submeter propostas ao fundo de R$1 bilhão

O cenário da infraestrutura e dos serviços públicos nos municípios brasileiros ganha um novo fôlego com a realização do Encontro de Municípios do FDIRS. O evento tem como principal objetivo reunir prefeitos, secretários e gestores municipais das regiões estratégicas do país para apresentar as oportunidades reais de viabilização e estruturação de projetos de concessão e Parcerias Público-Privadas (PPPs). O foco central das discussões é o Fundo de Desenvolvimento de Infraestrutura Regional Sustentável (FDIRS), que se destaca por seu patrimônio líquido de 1 bilhão de reais e por ser o primeiro fundo de capital da União a contar com uma gestão privada e discricionária voltada especificamente para o suporte técnico e financeiro de parcerias entre o setor público e o privado.

O destaque atual do fundo é a abertura do Edital de Chamamento Público nº 01/2026, uma iniciativa que visa selecionar projetos de estados, municípios e consórcios públicos especificamente para a área de educação. O objetivo central é oferecer apoio técnico e financeiro na estruturação e modelagem de parcerias que permitam a construção, reforma, ampliação ou requalificação de unidades de ensino, abrangendo desde a educação infantil até o ensino médio. É importante ressaltar que a natureza dessas parcerias foca na infraestrutura e nos serviços de apoio, como portaria, vigilância, limpeza e manutenção predial, garantindo que as atividades pedagógicas permaneçam sob responsabilidade exclusiva do ente público.

Leia mais: Encontro de Municípios de FDIRS reúne gestores para debater PPPs e concessões

Para participar, os gestores devem estar atentos aos rigorosos critérios de escala definidos pelo edital. Municípios ou arranjos regionais precisam apresentar propostas que envolvam, no mínimo, sete novas unidades, ou composições que mesclem novas construções e reformas, chegando ao teto de 24 reformas integrais. Já para os Estados, o requisito mínimo é de seis novas unidades ou doze reformas. Além das obras físicas, os projetos devem obrigatoriamente prever a inclusão de mobiliário escolar e tecnologia da informação necessária para a operação das escolas.

O cronograma estabelecido pelo FDIRS já está em curso, tendo iniciado com a publicação do edital em março. Os interessados possuem até o dia 30 de abril para solicitar esclarecimentos ou apresentar impugnações, com as respostas oficiais previstas para o início de maio. O prazo final para a inscrição e o envio de documentos encerra-se às 23h59 do dia 15 de maio de 2026. Após as fases de habilitação e análise, a divulgação definitiva dos projetos selecionados que receberão o suporte do fundo ocorrerá em 24 de julho, prometendo transformar o cenário da infraestrutura educacional nas regiões contempladas.

Saiba mais sobre o encontro, clique aqui

Santos sedia pela primeira vez reunião de cidades inteligentes

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Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana
Foto: Divulgação

Oitavo município mais inteligente do País, Santos sediou, nesta quinta-feira (9), no Parque Tecnológico (Vila Nova), a primeira edição regional da reunião estratégica da Plataforma CSC na Baixada Santista.

O encontro reuniu gestores públicos, especialistas e representantes da iniciativa privada para discutir soluções inovadoras e sustentáveis, com destaque para áreas em que a Cidade já é referência nacional.

A iniciativa integra uma série de 16 encontros pelo País que antecedem o Connected Smart Cities, principal evento do setor no Brasil, previsto para setembro, em São Paulo. Em 2025, Santos alcançou a oitava posição no ranking nacional da plataforma, consolidando-se como uma das cidades mais inteligentes do País e uma das poucas não capitais no top 10. O ranking teve dez edições até hoje, e o Município ficou entre os 15 primeiros colocados em todas elas.

CIDADE REFERÊNCIA

A abertura destacou Santos como protagonista no cenário nacional de cidades inteligentes, com a presença da vice-prefeita e secretária de Educação, Audrey Kleys, e do sócio e diretor de Novos Negócios da Necta e da plataforma, Willian Rigon, que apresentou a análise do ranking, baseada em dezenas de indicadores ligados à governança, mobilidade, meio ambiente, tecnologia e qualidade de vida.

O avanço recente – seis posições em relação ao ano anterior – reflete investimentos consistentes em educação, saúde e saneamento, além da consolidação de políticas públicas voltadas à inovação.

Santos é a oitava cidade mais inteligente do País

“Santos está aberta a tudo o que for inovação, estudo, pesquisa e tecnologia para avançarmos cada vez mais como cidade. As diretrizes seguem nessa direção para que Santos esteja em evolução constante e permanente, porque quem ganha com isso é a população. E não há lugar melhor para falar de inovação do que o Parque Tecnológico, importante polo que abriga iniciativas relevantes, como o incentivo aos games e o programa Santos Jovem Doutor para nossos alunos”, destacou Audrey Kleys.

Willian Rigon reforçou os índices que motivaram a realização do encontro na região: “Santos é a 8ª cidade mais inteligente do Brasil e a 5ª do Sudeste, entre 5.530 municípios. Esses reconhecimentos refletem estratégias, boas práticas e iniciativas que geram resultados. A Cidade já é referência pelas parcerias, uso de dados, planejamento e ambientes de inovação, alcançando nível ouro na classificação e refletindo o propósito da nossa reunião”.

PARQUE PALAFITAS

O primeiro painel apresentou o Parque Palafitas, um dos principais projetos estruturantes da Cidade, conduzido pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello. A iniciativa promove a reurbanização do bairro Vila Gilda, com foco em habitação digna, recuperação do manguezal e inclusão social. O projeto piloto prevê 60 unidades habitacionais e representa um modelo inédito no País ao integrar soluções urbanísticas, ambientais e sociais.

A área concentra cerca de 9.707 moradores, reforçando a dimensão do desafio e a importância da proposta como novo paradigma de urbanização sustentável para áreas de palafitas no Brasil.

Entre os avanços já realizados estão a implantação do Bom Prato, da Policlínica da Vila Gilda, do Centro da Juventude e da estação elevatória. Nas áreas com intervenção pública, o mangue já apresenta sinais de recuperação. Outro destaque é o Parque dos Mangues, hoje o segundo maior parque da Cidade, ampliando a proteção ambiental e oferecendo infraestrutura de lazer e convivência.

“O Parque Palafitas mostra que, onde chega a infraestrutura e o poder público, o mangue volta e a qualidade de vida também. É um projeto inovador que rompe paradigmas, construído com diálogo, coragem e integração entre órgãos e comunidade. Uma Cidade inteligente é pensada para as pessoas, com respeito ao meio ambiente e dignidade”, afirmou Glaucus Farinello.

TECNOLOGIA E RELAÇÃO PORTO-CIDADE

Na sequência, o debate abordou a relação entre tecnologia, inovação e o complexo portuário. O painel contou com a participação do secretário municipal de Governo, Fábio Ferraz; do sócio fundador da Urucuia – Mobilidade Urbana, Sérgio Avelleda; do presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini; e do diretor executivo da Associação Comercial de Santos (ACS), Adalto Corrêa.

Um dos destaques foi o uso de ferramentas avançadas de monitoramento e gestão urbana, com impacto direto na mobilidade, segurança e eficiência dos serviços públicos. “Acessibilidade é segurança: ao priorizar calçadas bem desenhadas, redução de velocidade e tempos de travessia pensados para pedestres, criamos uma Cidade mais acolhedora e segura”, observou Avelleda.

Nesta discussão, o Centro de Controle Operacional (CCO) se consolidou como referência. Com cerca de 3.200 câmeras ativas, o sistema funciona 24 horas por dia e integra diferentes órgãos municipais e forças de segurança, permitindo respostas rápidas e baseadas em dados em tempo real. A estrutura atende desde ocorrências urbanas até apoio logístico e prevenção de desastres.

O secretário Fábio Ferraz também apresentou tecnologias como o sistema OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres), que permite a leitura de placas de veículos. “A Cidade possui uma infovia própria de 470 km que conecta 372 prédios públicos, incluindo escolas, unidades de saúde e o Parque Tecnológico. A estrutura permite aplicar soluções digitais com mais eficiência e integrar a gestão municipal. O Centro de Controle Operacional funciona 24 horas por dia, sete dias por semana”.

Outro ponto abordado foi o uso de gêmeos digitais no ambiente portuário, tecnologia que permite simular cenários e otimizar operações com maior precisão, fortalecendo a competitividade e a integração entre porto e cidade. “O sistema irá considerar maré, vento, neblina e tempo, ajudando a definir as melhores manobras com os práticos”, explicou Anderson Pomini. O presidente da APS também destacou que o antigo Armazém 7 e a Casa de Máquinas 2 estão sendo revitalizados pela Autoridade Portuária de Santos. O local vai abrigar um centro tecnológico e educacional.

ECONOMIA CRIATIVA E INOVAÇÃO

Encerrando a programação, o terceiro painel destacou Santos como Cidade criativa, inteligente e sustentável, com foco no fortalecimento da economia criativa e do ecossistema de inovação. Participaram a secretária municipal de Comunicação e Economia Criativa, Selley Storino; o secretário Glaucus Farinello; o presidente da Fundação Parque Tecnológico de Santos, Eduardo Bittencourt; e a CEO do JuicyHub, Ludmilla Rossi.

Reconhecida como Cidade Criativa da UNESCO desde 2015, Santos também tem mais de nove mil MEIs da economia criativa. O número de microempreendedores cresceu 300%: de sete mil (2013) para 21 mil (2024). Programas como Feito em Santos e sua aceleradora já capacitaram centenas de empreendedores. A Cidade mantém 42 feiras, eventos semanais e ampliou iniciativas como Feirarte e Valongo. Em cinco anos, mais de 60 feiras impactaram três mil empreendedores e movimentaram R$ 2 milhões.

“Trabalhamos para que a criatividade se transforme em renda e oportunidade para as pessoas. Economia criativa só faz sentido quando muda vidas, gera emprego e impulsiona o desenvolvimento. Hoje vemos esse resultado nas nossas vilas criativas – que geram capacitação -, nas feiras, no fortalecimento do artesanato e no apoio ao empreendedor com parceiros como Sebrae, Banco do Povo e Sala do Empreendedor. Nunca tivemos tantas oportunidades para quem quer empreender e comercializar seus produtos na Cidade”, destacou Selley Storino.

Iniciativas como o JuicyHub foram apresentadas como importantes pilares na diversificação econômica e no estímulo à inovação fora dos grandes centros. “Avançamos muito em inovação e educação, e o Juicy nasce dessa inquietação: queremos contar a diversidade e a prosperidade das cidades médias por meio do jornalismo interlocal, ajudando a diversificar a economia e as estruturas de poder. Acreditamos na economia criativa como caminho”, salientou Ludmilla.

O Parque Tecnológico também foi apontado como peça-chave nesse cenário, abrigando mais de 40 startups e atuando como polo de atração de investimentos e desenvolvimento tecnológico. “O equipamento tem grandes características, como o desenvolvimento de patentes e o incentivo à tecnologia acessível, por exemplo nas áreas de games, saúde, educação, longevidade e fortalecimento de pequenas empresas, enxergando os potenciais de Santos”, apontou Eduardo Bittencourt.

O presidente do Parque Tecnológico ainda lembrou do futuro Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Santos que funcionará no equipamento a partir do segundo semestre deste ano. O convênio de cessão de uso para o campus I foi assinado em junho de 2025 e prevê a instalação, por 20 anos, para a realização de cursos com formações técnica e superior.

Para encerrar, o secretário Glaucus Farinello apresentou o programa Santos Sustentável, que visa conectar áreas e estabelecer corredores verdes, ampliar a arborização urbana e as áreas permeáveis, promover a biodiversidade, estimular a mobilidade sustentável, reconectar a Cidade com a natureza e promover a Mata Atlântica. “Só podemos pensar no futuro, se construímos com o desenvolvimento atual da nossa Cidade”.

REALIZAÇÃO

O evento é organizado pela Necta, responsável pela CSC, com apoio da Prefeitura, da Associação Comercial de Santos (CSC) e parceria das empresas TEVX, GEOPIXEL e KAPSCH.

Esta iniciativa contempla os itens 9 e 16 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: Indústria, Inovação e Infraestrutura e Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Conheça os outros itens do ODS.

Fonte: Prefeitura de Santos

Pé-de-Meia 2026: veja como consultar quem tem direito e calendário de pagamentos

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Pé-de-Meia 2026: veja como consultar quem tem direito e calendário de pagamentos
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O calendário de pagamentos do Pé-de-meia prevê que a próxima parcela será depositada entre os dias 27 de abril e 4 de maio

Os estudantes que iniciaram o ensino médio em 2026 e os que seguem para o 2º ou 3º ano já podem verificar se receberão o Pé-de-Meia por meio da página de consulta do programa. A participação é automática para quem cumpre os critérios da política e a ferramenta permite que os estudantes confirmem se foram incluídos neste ano letivo e entendam os motivos caso não tenham sido. O Ministério da Educação (MEC) disponibiliza ainda orientações detalhadas aqui.

O calendário de pagamentos prevê que a próxima parcela será depositada entre os dias 27 de abril e 4 de maio. Os depósitos são realizados de acordo com o mês de nascimento do estudante, em conta aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal.

Quem pode participar

O Pé-de-Meia é um programa de incentivo financeiro educacional criado para apoiar a permanência e a conclusão do ensino médio. A iniciativa beneficia estudantes matriculados nas redes públicas de ensino que atendem a critérios específicos, como ter entre 14 e 24 anos no ensino médio regular ou 19 e 24 anos na educação de jovens e adultos (EJA); integrar família inscrita no Cadastro Único para programas sociais do governo federal (CadÚnico), com renda familiar mensal de até meio salário mínimo por pessoa; possuir Cadastro de Pessoa Física (CPF) regular; e manter frequência escolar mínima de 80% nas aulas. Neste ano, o MEC verificará se o jovem pode participar do programa a partir dos dados do CadÚnico incluídos até a data-base de 7 de agosto de 2026.

Quanto o programa paga?

Em 2026, os estudantes do ensino médio regular vão receber:

  • Uma parcela pela matrícula de R$ 200;
  • Até nove parcelas de frequência de R$ 200;
  • Uma parcela de R$ 200 pela participação nos dois dias do Enem (apenas para concluintes do ensino médio);
  • Uma parcela de R$ 1.000 pela aprovação na série que está cursando.

Os estudantes do ensino médio EJA vão receber:

  • Uma parcela pela matrícula de R$ 200;
  • Até oito parcelas de R$ 225 reais (sendo até quatro por semestre);
  • Uma parcela de R$ 200 pela participação nos dois dias do Enem (apenas para concluintes do ensino médio);
  • Uma parcela de R$ 1.000 pela aprovação na série que está cursando.

Confira o calendário de pagamento completo

Ensino médio regular

1ª parcela: 23 a 30/3/26​
2ª parcela: 27/4 a 4/5/26​
3ª parcela: 25/5 a 1º/6/26​
4ª parcela: 29/6 a 6/7/26​
5ª parcela: 24 a 31/8/26​
6ª parcela: 21 a 28/9/26​
7ª parcela: 19 a 26/10/26​
8ª parcela: 23 a 30/11/26​
9ª parcela: 21 a 28/12/26​
10ª parcela: 25/1 a 1º/2/27​

Educação de jovens e adultos (EJA)

1º semestre

1ª parcela: 23 a 30/3/26​
2ª parcela: 27/4 a 4/5/26​
3ª parcela: 25/5 a 1º/6/26​
4ª parcela: 29/6 a 6/7/26​​

2º semestre​

1ª parcela: 21 a 28/9/26​
2ª parcela: 19 a 26/10/26​
3ª parcela: 23 a 30/11/26​
4ª parcela: 21 a 28/12/26

Nos intervalos de 25/1 a 1º/2/27, assim como de 22/2 a 1º/3/27, também podem ser pagas parcelas pela frequência que não foram pagas nas datas acima.

Conclusão e Enem

Parcela pela aprovação no 1º, 2º ou 3º ano do ensino médio regular + parcela pela participação no Enem 2026: 22/2 a 1º/3/27​

Fonte: Istoé Dinheiro

A Economia Comportamental da Mobilidade

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A Economia Comportamental da Mobilidade
Foto: Enviada por Gustavo Balieiro

Como a incerteza operacional pesa mais na decisão do usuário do que algumas melhorias pontuais

O planejamento da mobilidade urbana nas cidades contemporâneas enfrenta um dilema recorrente, investir naquilo que é mais visível ou naquilo que efetivamente altera a decisão de uso do transporte público. Frequentemente, gestores públicos e operadores são levados a priorizar “amenidades” tecnológicas, como Wi-Fi, carregadores USB ou renovação estética da frota, sob a premissa de que esses elementos seriam capazes de atrair novos usuários ou melhorar a percepção do serviço.

No entanto, essa lógica parte de um pressuposto equivocado sobre como as pessoas tomam decisões no cotidiano. Uma análise fundamentada nos princípios da economia comportamental, especificamente na Teoria da Perspectiva e no conceito de aversão à perda desenvolvidos por Daniel Kahneman e Amos Tversky, sugere que o passageiro não responde prioritariamente a ganhos de conforto. A arquitetura cognitiva humana tende a priorizar a eliminação da incerteza e a precisão da informação básica — mesmo quando esses elementos são menos visíveis do ponto de vista político. Kahneman, psicólogo israelense é o ganhador do Prêmio Nobel de Economia (2002), e autor junto com Tversky do livro “Rápido e Devagar”. Ambos são responsáveis por mudar a forma como entendemos a tomada de decisão humana.

O Framework Cognitivo da Mobilidade: Sistemas 1 e 2 no Contexto Urbano

A dualidade do pensamento humano descrita no livro oferece uma lente analítica essencial para decifrar o comportamento do passageiro. O Sistema 1 opera de forma rápida, intuitiva, automática e emocional, enquanto o Sistema 2 é lento, analítico, esforçado e lógico. No cotidiano da mobilidade urbana, o Sistema 1 é o responsável pelas reações viscerais de frustração quando o ônibus não aparece no horário previsto ou quando o painel de informações na estação está desligado ou impreciso. O Sistema 2, por sua vez, é acionado quando o usuário precisa recalcular sua rota ou avaliar se o custo-benefício de alterar um comportamento padrão supera o estresse do transporte público.

Para que o transporte coletivo seja uma alternativa competitiva, ele precisa operar dentro da lógica do Sistema 1 — ou seja, reduzir ao máximo o esforço cognitivo necessário para o seu uso. Isso não significa simplificar a operação, mas tornar a experiência previsível a ponto de dispensar análise constante por parte do usuário.

Na prática, isso ocorre quando o sistema oferece sinais confiáveis e repetitivos: horários cumpridos, previsões consistentes e informação acessível. Esses elementos permitem que o deslocamento seja internalizado como um comportamento automático, reduzindo a necessidade de acionamento do Sistema 2.

O inverso também é verdadeiro. Quando há falhas no básico — atraso, inconsistência ou ausência de informação — o passageiro é forçado a operar continuamente em modo analítico, antecipando riscos, recalculando rotas e monitorando o sistema. Esse deslocamento cognitivo transforma uma atividade cotidiana em uma tarefa de alta carga mental, o que impacta diretamente a percepção de qualidade do serviço e a decisão de uso.

Nesse sentido, a informação não atua apenas como suporte operacional, mas como um elemento estruturante da decisão. É ela que determina se o sistema será percebido como confiável (ativando o automático) ou como arriscado (exigindo esforço deliberativo). A falta do “básico” força o Sistema 2 a permanecer em estado de alerta constante, monitorando riscos de atraso e perdas de compromissos, o que gera uma exaustão mental que afasta o usuário do sistema.

A evidência sugere que a insatisfação do usuário é impulsionada mais pelo valor monetizado do tempo perdido e pela incerteza do que pela mera duração da viagem. Isso significa que o gestor que foca em perfumarias antes de garantir a precisão está tentando aplicar um “remédio emocional” em uma ferida estrutural, uma estratégia que a economia comportamental demonstra ser ineficaz no longo prazo.

A compreensão de que o tempo no transporte público funciona como uma “moeda” exige uma mudança de paradigma na gestão urbana. Para o usuário, a precisão do horário não é apenas um detalhe técnico, mas o alicerce de sua confiança no sistema. Quando um passageiro se depara com a irregularidade e a falta de informação fidedigna, ele experimenta uma “perda” que, psicologicamente, possui um peso muito superior a qualquer ganho proporcionado por uma conexão de internet gratuita durante o trajeto.

Teoria da Perspectiva e a Assimetria entre Ganhos e Perdas

A Teoria da Perspectiva postula que os indivíduos avaliam ganhos e perdas em relação a um ponto de referência dinâmico, e que a dor de uma perda é significativamente mais intensa do que o prazer de um ganho equivalente. No transporte público, o ponto de referência é a expectativa do usuário: “o ônibus deve passar às 08h00”. Quando o veículo chega às 08h05, o usuário não percebe apenas um atraso de cinco minutos; ele codifica uma perda de controle e de tempo que impacta negativamente sua curva de utilidade.

Se aplicarmos este modelo matemático à mobilidade, podemos observar que o ganho de utilidade proporcionado pela presença de Wi-Fi ou ar-condicionado (um ganho marginal sobre o estado atual) é muito inferior à perda de utilidade gerada por um atraso recorrente.

Essa assimetria ajuda a explicar por que melhorias incrementais não compensam falhas estruturais. No contexto da mobilidade, o usuário não “equilibra” ganhos e perdas — ele reage de forma desproporcional à perda de previsibilidade. Uma única experiência negativa recorrente pode anular sucessivos ganhos marginais, consolidando a percepção de que o sistema não é confiável.

Modelagem Matemática da Aversão ao Risco no Transporte

A utilidade esperada de um serviço de mobilidade pode ser modelada considerando a variabilidade do tempo como um fator de risco. O prêmio de variabilidade, ou seja, o quanto o usuário estaria disposto a “pagar” em tempo adicional para garantir que não haverá atrasos, depende da sua aversão absoluta ao risco (ARA).

A utilidade de uma viagem com tempo aleatório t pode ser expressa por meio de uma expansão de Taylor em torno do tempo médio μ :

Nesta equação:

  • Φc representa o custo monetário da tarifa.
  • u(μ) é a utilidade do tempo médio de viagem.
  • σ² é a variância do tempo (a medida da incerteza operacional).
  • u”(μ) é a segunda derivada da função de utilidade, que para usuários avessos ao risco é negativa.

O termo (1/2)u”(μ)σ² demonstra que a incerteza operacional reduz a utilidade total do sistema de forma drástica. Portanto, um investimento que reduz a variância () através de melhorias na precisão da informação e no cumprimento de horários gera um aumento de bem-estar muito superior a qualquer investimento que tente aumentar a utilidade através de amenidades, sem atacar a variabilidade.

Dimensão Psicológica Impacto no Sistema 1 (Rápido) Impacto no Sistema 2 (Devagar)
Precisão de Horários Gera paz de espírito e segurança imediata. Facilita o planejamento lógico da jornada.
Informação em Tempo Real Reduz a ansiedade da espera no ponto. Permite a tomada de decisão racional sobre rotas.
Wi-Fi e Conforto Gera um ganho emocional efêmero e marginal. O Ganho é praticamente perdido se a imprevisibilidade e o tempo total é acima do esperado.
Incerteza Operacional Dispara gatilhos de estresse e rejeição. Avalia a migração para o transporte individual.

 

O Valor do Tempo Certo: A Informação como Moeda

O tempo de espera no ponto de ônibus é percebido de forma subjetiva. Estudos indicam que o tempo de espera percebido é, em média, 1,21 vezes superior ao tempo real. No entanto, quando não há informação disponível, esse fator pode subir para 1,5 ou até 3,0 vezes, dependendo do ambiente e da sensação de segurança. Ao fornecer a previsão exata de chegada, o gestor transforma um “tempo de espera incerto” (perda de alta intensidade) em um “tempo de espera planejado” (custo de baixa intensidade), permitindo que o usuário utilize esse intervalo para outras atividades mentais ou produtivas.

Estado da Informação Percepção do Tempo de Espera Impacto na Lealdade
Sem Informação / Impreciso Sentimento de abandono; tempo parece 2x mais longo. Alta probabilidade de abandono do sistema.
Informação Estática (Papel) Confiança moderada; ansiedade se o atraso ocorre. Lealdade condicional.
Tempo Real (GTFS-R/AVL) Sentimento de controle; tempo percebido tempo real. Alta retenção; uso do Sistema 1 para confiança.
Predição com IA / Histórico Planejamento avançado; minimização total do estresse. Fidelização e recomendação do serviço.

 

O Paradoxo da Frota Nova e o Jogo Real da Qualidade

A aversão à perda explica por que a renovação da frota, por si só, falha em atrair o usuário de classe média. Para quem possui um veículo individual, a migração para o transporte coletivo só ocorre quando a “previsibilidade do sistema” supera a “conveniência do privado”. Se o sistema público falha no básico (informação e horários), ele reforça o viés de confirmação de que o transporte coletivo é um serviço de “segunda classe”, destinado apenas a quem não tem outra opção.

A “perfumaria” tecnológica, como o Wi-Fi, muitas vezes funciona como uma cortina de fumaça para deficiências operacionais. No Brasil, onde o custo do plano de dados móveis caiu significativamente na última década, o valor marginal de um Wi-Fi instável dentro do ônibus é próximo de zero para o usuário. No entanto, o custo político e financeiro de manter esses sistemas muitas vezes retira recursos que poderiam ser aplicados na melhoria da gestão de dados e no controle operacional, que são os verdadeiros pilares da satisfação.

No limite, a qualidade do transporte público pode ser interpretada como a capacidade do sistema de operar predominantemente no Sistema 1 do usuário. Quanto maior a necessidade de ativação do Sistema 2, maior o custo cognitivo associado ao deslocamento — e menor a competitividade do transporte coletivo frente às alternativas individuais.

Conclusões e Recomendações

A aplicação da teoria de Kahneman ao transporte público brasileiro revela que a crise de demanda não é apenas uma questão de preço ou de conforto, mas de confiança e percepção de perda. O passageiro, agindo como um agente econômico avesso ao risco, rejeita a incerteza sistemática que caracteriza muitos de nossos sistemas urbanos. Priorizar o básico é a única estratégia que ataca diretamente a causa raiz da insatisfação.

As recomendações para gestores e operadores que buscam transformar a mobilidade em suas cidades seguem uma hierarquia lógica baseada na economia comportamental:

  1. Garantir que existam informação ao passageiro: Antes de qualquer mudança ou tentativa de melhoria é necessário garantir que o planejado a ser executado está divulgado, acessível e de conhecimento da população.
  2. Garantir a Precisão como Prioridade Zero: Antes de investir em Wi-Fi ou novos ônibus, os municípios devem garantir que 100% da frota esteja rastreada e que os dados sejam confiáveis e precisos. 
  3. Reduzir a Variância do Tempo de Espera: O foco do planejamento deve ser a regularidade. Uma linha que atrasa sempre em um mesmo trecho permite que o tempo de passagem seja apenas ajustado para contemplar a nova realidade. A redução da incerteza gera ganhos de utilidade social muito superiores ao aumento da velocidade média em condições de tráfego irregular.

O transporte público é o sistema circulatório das cidades inteligentes. Para que ele funcione, ele não precisa ser “luxuoso”, mas deve ser, acima de tudo, “certo”. No mundo de “Rápido e Devagar”, a vitória pertence aos sistemas que permitem ao cidadão pensar menos no deslocamento e mais no destino, removendo o fardo cognitivo da incerteza e devolvendo a ele o valor mais precioso de todos, o seu tempo.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Novas regras para mobilidade no Rio dependem de mais infraestrutura

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Novas regras para mobilidade no Rio dependem de mais infraestrutura
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Tema é discutido entre especialistas de engenharia viária

As novas regras para a circulação de equipamentos elétricos de micromobilidade como ciclomotores (duas ou três rodas e a velocidade máxima de 50 quilômetros por hora) e autopropelidos (podem ter uma ou mais rodas e a velocidade máxima de 32 quilômetros por hora) na cidade do Rio vêm promovendo debate entre especialistas de engenharia viária, planejamento urbano e usuários.

A medida veio uma semana após o atropelamento e morte de mãe e filho que estavam em uma bicicleta elétrica por um ônibus na Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro.

As regras já estão em vigor, com exceção da exigência de emplacamento, que terá prazo até 31 de dezembro deste ano.

Passa a ser obrigatório o uso de capacete para todos os usuários. Além disso, é proibido transportar na garupa mais de uma pessoa que também deverá utilizar equipamento de segurança. Outro ponto é a exigência de registro, licenciamento e emplacamento para ciclomotores — incluindo equipamentos autopropelidos com assento, que passam a ser equiparados a essa categoria.

O condutor precisará estar devidamente habilitado com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) enquadrada na categoria A. Ciclomotores e autopropelidos, a partir de agora, não podem circular nas ciclovias da cidade, que passam a ser restritas a bicicletas, patinetes e bicicletas elétricas, com velocidade limitada de 25km/h.

Nas vias com BRS, sistema de faixas exclusivas para ônibus no Rio de Janeiro (Bus Rapid Service), está proibida a circulação de bicicletas elétricas, ciclomotores e patinetes elétricas.

Para o professor do curso de Engenharia Civil e do Programa de Engenharia Urbana da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Victor Hugo Souza de Abreu, as novas regras implementadas pela Prefeitura do Rio representam um avanço relevante no esforço de organizar a circulação dos novos modos de micromobilidade, atuando de forma complementar à Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nº 996/2023.

“De maneira geral, a iniciativa é positiva. A exigência de emplacamento e habilitação para veículos autopropelidos — definidos pelo novo decreto como aqueles dotados de sistema próprio de propulsão, que dispensam esforço físico contínuo, de uso individual, dimensões reduzidas e sem pedal — quando conduzidos na posição sentada e, portanto, equiparados aos ciclomotores, contribui para o aumento da segurança viária, o ordenamento do espaço urbano e a responsabilização dos condutores”, avalia o professor.

Segundo o pesquisador, nesse contexto, o emplacamento favorece a identificação e a fiscalização, enquanto a exigência de habilitação assegura um nível mínimo de conhecimento das normas de trânsito, elemento essencial para a convivência segura entre os diferentes modos de transporte.

Ele acrescenta que, no entanto, há desafios relevantes. “Parte significativa dos usuários utiliza esses veículos como alternativa acessível de mobilidade, e a exigência de habilitação pode se tornar uma barreira de acesso. Além disso, o poder público ainda precisa estruturar adequadamente os processos de registro, fiscalização e comunicação com a população. Portanto, é uma medida viável, mas que exige implementação gradual e bem planejada”.

Victor Hugo avalia que quanto aos impactos na circulação viária, as medidas têm potencial tanto de melhorar quanto de gerar novos conflitos. “A retirada de autopropelidos na posição sentada das ciclovias e ciclofaixas, por exemplo, é tecnicamente coerente, pois esses veículos tendem a operar com maior velocidade e massa, aumentando o risco para ciclistas e pedestres. Por outro lado, se não houver infraestrutura adequada nas vias, essa mudança pode deslocar o problema para o tráfego geral, aumentando a exposição ao risco”.

O pesquisador destaca que a definição de limites de velocidade das vias (até 40 km/h e até 60 km/h) também é uma diretriz correta do ponto de vista normativo, pois busca compatibilizar o desempenho dos veículos com o ambiente viário. “Entretanto, a efetividade dessa medida depende diretamente das condições reais de operação — como sinalização, fiscalização e, principalmente, infraestrutura adequada. Sem isso, há o risco de que a norma tenha baixo impacto prático”, afirma.

O que pode ser melhorado

  • Investimento em infraestrutura segregada para micromobilidade motorizada;
  • Campanhas de educação no trânsito voltadas a todos os usuários;
  • Fiscalização efetiva e contínua;
  • Regulamentação mais diferenciada, considerando potência e velocidade dos veículos; • Integração dessas medidas ao planejamento urbano e de transportes.

Para o especialista, é fundamental fortalecer o chamado tripé da engenharia de tráfego — internacionalmente conhecido como “3 E’s of Traffic Engineering” — baseado na atuação integrada em Engineering (Engenharia), Education (Educação) e Enforcement (Fiscalização). “Esses pilares são essenciais para garantir a efetividade das medidas, promover mudanças de comportamento e assegurar condições seguras de circulação para todos os usuários do sistema viário”, disse Victor Hugo.

Território nacional

De acordo com o professor da UFRJ, em âmbito nacional, o principal desafio é a convivência entre modos tão distintos — veículos motorizados, bicicletas, ciclomotores, patinetes e pedestres — em um mesmo espaço viário. Para ele, essa coexistência só é possível de forma segura quando há uma clara hierarquização do sistema viário, com definição adequada de espaços, velocidades e prioridades.

“O Brasil ainda enfrenta dificuldades nesse aspecto, especialmente pela falta de infraestrutura e pela cultura de priorização do automóvel. A tendência, no entanto, é que a micromobilidade ganhe cada vez mais espaço, exigindo regulamentações mais integradas, consistentes e alinhadas com os princípios da segurança viária e da mobilidade sustentável”, afirmou.

“Em síntese, a regulamentação do Rio é um passo necessário e tecnicamente justificável, mas seu sucesso dependerá da capacidade de implementação, fiscalização e, sobretudo, da criação de condições reais para uma convivência segura entre os diferentes modos de transporte”, completou Victor Hugo.

Regulamentação necessária

Na avaliação da professora Marina Baltar, do Programa de Engenharia de Transportes do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), há anos era necessário um regramento para esses tipos de transportes.

“Mas a cidade precisa se preparar para essa regulamentação, que é baseada em velocidades nas vias. É preciso questionar as velocidades que a gente tem hoje na cidade, ver se elas realmente fazem sentido. Quando a gente pensa em segurança viária, o pilar central é a redução da velocidade na cidade como um todo. Primeiro é necessário esse estudo das velocidades e instalar placas de sinalização. Quem usa bicicleta elétrica e ciclomotores precisa saber quais são as vias com até 40 km/h e até 60 km/h”, disse a professora.

Marina avalia que para se ter uma cidade mais atrativa para esses modos mais sustentáveis como a bicicleta é preciso planejamento e engajamento da comunidade. “Precisa planejar e expandir as ciclovias. A cidade teve expansão pequena de ciclovias concentradas na zona sul”.

Ela destaca que a proibição dos ciclomotores e bicicletas elétricas em vias com BRS vai atrapalhar muito porque é onde há pontos de interesse como o comércio. “Para esses pontos, a gente precisa ter um grupo de trabalho que realmente consiga definir, não apenas proibir a circulação das bicicletas em vias com BRS”, disse a professora.

Novos meios de transporte

O técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Erivelton Pires Guedes avalia, a princípio, como positiva a iniciativa de tentar normatizar e de alguma forma disciplinar o grande problema que é a micromobilidade urbana hoje.

“As tecnologias rapidamente evoluíram, principalmente no modo elétrico, e surgiram vários equipamentos diferentes que nós não estávamos acostumados. Além disso, surgiu um novo mundo com muitas motos e bicicletas para entregas, além de motos por aplicativos para passageiros. Esta grande diversidade de interesses gera grandes conflitos, difíceis de serem resolvidos”, pontuou o pesquisador.

Segundo o técnico do Ipea, por outro lado, o decreto traz divergências conceituais em relação aos veículos normatizados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

“Isso possivelmente vai gerar insegurança jurídica e questionamentos. Este é um grande desafio, pois todos estes veículos possuem características muitas vezes próximas, que dificultam sua exata classificação. Isso confunde tanto os fornecedores quanto os cidadãos e todos têm muitas dúvidas a respeito do que pode e o que não pode”, afirmou Guedes.

Para ele, é importante que governos federal, estadual e municipal tratem o problema da segurança viária de forma integrada. “Os problemas são grandes e esta situação tratada neste decreto é apenas parte do grande problema. Estamos assistindo a um crescente aumento do número de mortes no trânsito, em especial com motocicletas”.

“Dentro das ações integradas podemos destacar a principal ação, disponível a todas as prefeituras: a redução e o controle da velocidade. Esta é uma ação que muitas vezes gera reações negativas, mas que precisa ser enfrentada”, disse o especialista.

“Reforçando: a segurança viária precisa ser vista como um todo. Ações isoladas não resolvem os problemas. A ação da prefeitura é oportuna mas ainda incipiente. É necessária uma coordenação nacional e um esforço em diversas frentes para que possamos reduzir (com foco em zero) os sinistros de trânsito”, ponderou o técnico do Ipea.

Bicicleta elétrica

Moradora de Copacabana, na zona sul do Rio, a produtora de eventos Ananda Ruschel Sayão, de 48 anos, adotou a bicicleta elétrica há 3 anos para o seu dia a dia. Ela usa bastante o equipamento para levar e buscar a filha de 7 anos ao colégio, para supermercado, além de outras tarefas cotidianas.

“Na pista eu fico insegura porque os carros e as motos principalmente ignoram as bicicletas. Tiram fino. A gente fica sem espaço. Não tenho ciclovias em todos os meus trajetos. Existem algumas ruas com ciclofaixas que estão quase apagadas, mas os carros não respeitam essas faixas pintadas no chão. Quando não tem ciclovia eu ando pela esquerda onde não está a pista de ônibus”, comenta Ananda.

Ela acredita que é preciso um projeto de planejamento urbano para mais ciclovias. E acrescenta que a convivência com os ciclomotores é sempre ruim. “Essas motinhas andam na calçada como se fosse bicicleta, têm velocidade maior e são maiores. Isso causa um estranhamento para quem está de bicicleta e para o pedestre. Como tem muito motoboy usando essas motinhas para entrega, eles andam como uns loucos. Isso acaba afetando as pessoas que andam direito. A gente tem que ter muito cuidado com eles, que andam na contramão, não respeitam os sinais”, observa a produtora de eventos.

Ananda completa que é a favor das novas regras para ciclomotores, autopropelidas e bicicletas elétricas. “Tem que ter regras, e mais ciclovias internas”.

Fonte: Agência Brasil

Estações do metrô de SP oferecem manutenção gratuita de cadeiras de rodas e bengalas; saiba como funciona

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Estações do metrô de SP oferecem manutenção gratuita de cadeiras de rodas e bengalas; saiba como funciona
Foto: Divulgação Metrô

Serviço funciona nos Centros de Informação à Pessoa com Deficiência nas estações Barra Funda, Santa Cruz e Tatuapé. Nesses pontos são realizados pequenos reparos e ajustes gratuitos para usuários que dependem dos equipamentos no dia a dia.

Quem precisa fazer algum tipo de manutenção em cadeiras de rodas e bengalas na capital paulista pode procurar o serviço gratuito dos Centros de Informação à Pessoa com Deficiência, da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Os reparos são disponibilizados em três estações do metrô: Barra Funda e Tatuapé, na Linha 3-Vermelha, e Santa Cruz, na Linha 1-Azul.

Os atendimentos incluem pequenos reparos, ajustes e consertos, com o objetivo de garantir o bom funcionamento dos equipamentos utilizados no dia a dia. Para acessar o serviço, basta comparecer a uma das unidades e realizar um cadastro simples no local.

Além da manutenção, os espaços também oferecem salas de acolhimento sensorial, voltadas principalmente para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). O ambiente conta com estímulos controlados e busca proporcionar mais conforto e tranquilidade durante o uso do transporte público.

Funcionamento

As unidades funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e também atuam como pontos de orientação para pessoas com deficiência e seus familiares. No local, é possível receber informações sobre serviços públicos, direitos, emissão de documentos e encaminhamento para atendimentos especializados.

Segundo a secretaria, em 2025 foram registrados mais de 3,5 mil atendimentos nas três unidades, incluindo manutenção de bengalas e cadeiras de rodas. Em 2026, só no primeiro mês do ano, já foram contabilizados mais de 370 atendimentos.

Os pontos de atendimento estão instalados em áreas de grande circulação e, segundo a pasta, fazem parte de uma estratégia para ampliar a acessibilidade no transporte público, oferecendo suporte direto à população e facilitando o acesso a serviços essenciais.

Endereços das unidades:

  • Estação Palmeiras-Barra Funda: Rua Bento Teobaldo Ferraz, 119 – Barra Funda, Zona Oeste
  • Estação Tatuapé: Rua Melo Freire, S/N – Tatuapé, Zona Leste
  • Estação Santa Cruz: Rua Domingos de Morais, 2494 – Vila Mariana, Zona Sul

Fonte: G1

Aneel aprova venda da Roraima Energia para Âmbar, dos irmãos Batista, e valida contrato

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Apagão de mão de obra em energia exige estratégia de formação e inclusão
Foto: REUTERS/Manon Cruz

De acordo com a Aneel, a Roraima Energia apresenta indicadores financeiros considerados adequados, com relação entre dívida líquida e resultado operacional dentro dos limites previstos em contrato

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira, 7, a anuência prévia para a transferência do controle societário da Roraima Energia, atualmente detido pela Oliveira Energia, para a Futura Venture Capital, veículo ligado à Âmbar Energia, do grupo J&F, dos irmão Joesley e Wesley Batista. O voto do relator, Gentil Nogueira de Sá Júnior, foi acompanhado pela maioria do colegiado.

Segundo o relator, a operação atende aos requisitos legais, regulatórios e contratuais exigidos para a transferência de controle de concessionárias de distribuição, não havendo impedimentos jurídicos ou técnicos.

A análise das áreas técnicas da agência indicou regularidade fiscal e trabalhista das empresas envolvidas, ausência de sanções impeditivas e capacidade econômico-financeira compatível com a assunção da concessão.

“A Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado da Aneel emitiu a nota técnica na qual analisou os aspectos econômicos, financeiros, regulatórios, contratuais e jurídicos da operação, concluindo que a documentação apresentada atende às exigências normativas e que não se verificam impedimentos à concessão da anuência prévia”, afirmou no voto.

De acordo com o relator, a Roraima Energia apresenta indicadores financeiros considerados adequados, com relação entre dívida líquida e resultado operacional dentro dos limites previstos em contrato. O diretor destacou que a troca de controle não traz riscos à continuidade, à qualidade do serviço ou à modicidade tarifária.

A operação foi justificada como parte da estratégia de desinvestimento da Oliveira Energia no segmento de distribuição, aliada à entrada de um novo controlador com capacidade de investimento e foco na melhoria operacional.

O relator afirmou ainda que a medida pode contribuir para o fortalecimento da governança e para a realização de investimentos necessários à integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Além da anuência à operação, a agência aprovou a celebração de um termo aditivo ao contrato de concessão para adequar cláusulas econômico-financeiras à legislação superveniente. A alteração incorpora novos prazos e critérios de eficiência, em linha com mudanças legais recentes e recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU).

Fonte: Istoe Dinheiro

Mutirão Rural leva atendimentos de saúde para 17 cidades em MT

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Mutirão Rural leva atendimentos de saúde para 17 cidades em MT
Foto: Da assessoria redacao@gazetadigital.com.br

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), em parceria com os Sindicatos Rurais, inicia em abril mais uma rodada do Mutirão Rural, com atendimentos gratuitos voltados à promoção da saúde e da qualidade de vida de trabalhadores e famílias do meio rural.

A programação começa no dia 1º de abril, em Tangará da Serra, e segue até o dia 28, passando por 17 municípios do estado. Os atendimentos serão realizados das 8h às 17h.

A ação tem como foco orientar a população sobre hábitos saudáveis, cuidados preventivos e a importância do diagnóstico precoce. Nesta etapa, o mutirão disponibiliza consultas com oftalmologista, atendimento odontológico e suporte de equipe de enfermagem.

Além disso, o Mutirão Rural contará com uma ótica parceira, que disponibilizará um mostruário com cerca de 150 armações. Os participantes que receberem prescrição médica poderão escolher o modelo de óculos, que será confeccionado e entregue pelo Senar MT ao sindicato rural local em até 60 dias, para posterior repasse aos beneficiados.

Mais informações sobre os atendimentos, locais e organização da ação podem ser obtidas diretamente nos sindicatos rurais de cada município participante.

Cronograma de atendimentos

01/04 – Tangará da Serra
06/04 – Porto Esperidião
07/04 – Campo Novo do Parecis e Glória d’Oeste
08/04 – Campo Novo do Parecis e São José dos Quatro Marcos
09/04 – Sapezal e Figueirópolis d’Oeste
10/04 – Sapezal e Reserva do Cabaçal
13/04 – Campos de Júlio e Indiavaí
14/04 – Campos de Júlio e Jauru
15/04 – Araputanga
16/04 – Arenápolis
17/04 – Nortelândia
23/04 – Nova Maringá e Norte Show Sinop
24/04 – Nova Maringá e Norte Show Sinop
27/04 – São José do Rio Claro
28/04 – São José do Rio Claro

Fonte: Gazeta Digital