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Dose única: SP amplia vacinação contra dengue para quem tem 59 anos

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Dose única: SP amplia vacinação contra dengue para quem tem 59 anos
Foto: Joao Paulo Burini/Getty Images

O estado de São Paulo amplia o público que pode receber a vacina contra a dengue de dose única do Butantan. A partir de hoje, além dos trabalhadores de UBSs, todos os profissionais de saúde —tanto da rede pública quanto da privada— são elegíveis, além de qualquer pessoa com 59 anos —nem mais nem menos.

O que aconteceu

A SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) liberou a Butantan-DV nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). A partir de hoje, além dos profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal, a imunização também estará disponível para trabalhadores da saúde que atuam em estabelecimentos públicos e privados e qualquer pessoa com 59 anos. Estratégia foca em 1,8 milhão de pessoas. A vacinação contra a dengue também está disponível para adolescentes de 10 a 14 anos, desde 4 de abril de 2024. Para esta faixa etária, a vacinação ocorre em esquema de duas doses com o imunizante QDenga, da farmacêutica Takeda.

Estado aplicou mais de 129 mil doses do imunizante desde fevereiro e recebeu 292 mil unidades do governo federal. Os municípios têm autonomia para criar as próprias estratégias de aplicação.

Secretaria orienta que os postos não apliquem a vacina da dengue junto com outros imunizantes. A regra serve para evitar confusão caso o paciente apresente reações adversas e pode mudar com novas evidências.

Paciente precisa aguardar prazos específicos para tomar outras vacinas. Imunizantes inativados exigem intervalo de 24 horas, enquanto as vacinas atenuadas pedem espera mínima de 30 dias após a dose contra a dengue.

Cenário da doença e eficácia da vacina

Vacina de dose única apresentou eficácia geral de 74,7% e protege contra os quatro sorotipos do vírus. Contra a dengue grave, a proteção chegou a 91,6% no público de 12 a 59 anos, com reações leves.

Instituto Butantan iniciou o recrutamento de voluntários de 60 a 79 anos para novos testes clínicos no Sul do país. O objetivo é conseguir autorização para aplicar a vacina em idosos no futuro, por isso a escolha da faixa etária exata de 59 anos foi estratégica.

Estado de São Paulo registrou 33.877 casos de dengue e 13 mortes até o final de abril de 2026. No ano passado, o território paulista confirmou mais de 885 mil casos e 1.133 óbitos por causa da doença.

Infecção pelo vírus causa sintomas repentinos que duram até sete dias. Os sinais incluem febre alta, dor no corpo, manchas vermelhas, mal-estar e, em casos graves, hemorragia.

Fonte: UOL

Plataforma do BB amplia digitalização na gestão pública

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Plataforma do BB amplia digitalização na gestão pública
Foto: Agência Brasil

Cidade mineira recebe prêmio pan-americano de inovação

Usar a tecnologia como aliada ao combate ao desperdício e à promoção do desenvolvimento sustentável. A digitalização de processos administrativos no serviço público em cidades mineiras começa a mostrar resultados, com redução de consumo de papel, de insumos e de custos operacionais.

Desenvolvida pelo Banco do Brasil (BB) em parceria com a empresa de tecnologia governamental Aprova, a plataforma BB Governo Digital obteve sucesso em Ipatinga (MG). O projeto rendeu reconhecimento internacional ao município, com a conquista da Medalha Pan-Americana da Inovação na Expo BH Cidades Inteligentes, em abril. A iniciativa segue agora para a etapa global, prevista para maio, em Boston, Estados Unidos.

A plataforma integra, em um único ambiente, etapas como análise, autorização, assinatura e cobrança, com foco em eficiência e transparência na gestão pública. Em Ipatinga, que participou do projeto piloto, a administração passou a operar com processos 100% digitais. Documentos que antes circulavam fisicamente entre secretarias agora tramitam online, com recursos de automação, inteligência artificial e rastreabilidade em tempo real.

Além da melhoria na gestão, a digitalização também trouxe impactos ambientais e operacionais relevantes. Com a eliminação do papel, os prazos para as respostas dos processos diminuíram de vários dias para algumas horas ou até minutos, beneficiando a população.

Resultados registrados em Ipatinga:

• 700 mil páginas deixam de ser impressas por mês;

• 42 toneladas de papel economizadas por ano;

• Redução de custos operacionais e de insumos;

• Prazos encurtados: de até 20 dias para poucas horas ou minutos;

• Alinhamento a práticas ESG e sustentabilidade.

Outro ganho para a população foi o fim dos deslocamentos e das filas ao acessar serviços públicos de forma digital. Em Ipatinga, todos os pedidos podem ser abertos e acompanhados pela internet.

Outras cidades

Outras cidades mineiras também registraram ganhos com a plataforma. Em Formiga, a economia mensal chega a R$ 18 mil, além da liberação de 125 horas de trabalho, número que pode alcançar 300 horas por mês. Em Uberaba, a projeção é economia anual de R$ 3,5 milhões e redução de 28 toneladas de papel.

Para a gerente geral de Estratégia de Governo do Banco do Brasil, Michele Azevedo Alencar, a iniciativa reforça o papel da instituição na modernização da administração pública, com uso de tecnologia voltado à eficiência, transparência e melhoria dos serviços ao cidadão.

Com o sucesso na experiência em Minas Gerais, o banco pretende expandir a solução tecnológica a municípios de diferentes portes, aproveitando a presença institucional da instituição financeira em todo o país.

Fonte: Rondônia Dinâmica

Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS

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Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS
Foto: Ministério da Fazenda

Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Quem renegociar a dívida, ficará impedido de fazer apostas online por um ano.

O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o “Novo Desenrola Brasil” também chamado de “Desenrola 2.0”, um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados.

O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.

“Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas.

Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas.

Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos.
A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores (leia mais abaixo).
A medida provisória (MP) do programa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, com previsão de publicação ainda nesta segunda em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para:

  • famílias (estimado em 20 milhões de pessoas)
  • Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) (estimado em 1,5 milhão de pessoas)
  • empresas
  • agricultores rurais (estimado em 800 mil pessoas)

“Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos, vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, credito pessoal, procure seu banco”, afirmou o ministro.

Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.

Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Lula.

Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.

Fonte: G1

Fontes de recurso

O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.

  • Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos.
  • Também será realizado um novo aporte de até R$ 5 bilhões pelo governo.

Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano.

“É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante que façam suas dividas mas não percam de vista suas condições de pagamento”, afirmou Lula durante coletiva.

“Estamos tentando corrigir, e já fizemos outras vezes. Esse país vem se endividando há muito tempo, a Covid também fez as pessoas se endividarem por necessidade mesmo. Estamos tentando uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para respirar normal, voltar a sonhar, e ter o nome limpo na praça”, prosseguiu o presidente.

Endividamento em alta

Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado, do ponto de vista histórico.

Em um ano marcado por eleições, o governo atua para reduzir o comprometimento de renda dos trabalhadores com empréstimos.

“O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito, mais sensível aos movimentos nas taxas de juros e à maior expansão do crédito emergencial, tipicamente com taxas mais elevadas, alcançou nível recorde no quarto trimestre [de 2025]”, informou a instituição, em março.
Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos, corroendo a renda dos trabalhadores: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio.

Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. Desse modo, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos.

O presidente do Banco Central afirmou, naquele momento, que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda — pois essa linha de crédito tem taxas “punitivas”.

Primeiro Desenrola, de 2024

No primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, o que contribuiu para reduzir a inadimplência naquele período.

O programa começou com os principais bancos retirando 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão em débitos.

Também foram feitas negociações das dívidas diretamente pelos bancos credores (Faixa 2 do Desenrola) com pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil.

Essa faixa terminou no fim de dezembro de 2023 e englobou três milhões de pessoas com a negociação de R$ 25,7 bilhões em débitos.

No site do programa, a média de descontos foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados.

O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista; e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.

De Encontros Regionais ao Cenário Nacional: Como a Plataforma P3C Conecta Investidores e Governos

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De Encontros Regionais ao Cenário Nacional: Como a Plataforma P3C Conecta Investidores e Governos
Foto: Divulgação

Com um calendário robusto de eventos, o projeto percorre o Brasil debatendo desafios urbanos e soluções sustentáveis, aproximando prefeitos, governadores e a iniciativa privada

No atual cenário de restrições fiscais e necessidade premente de modernização dos ativos nacionais, a Plataforma P3C – PPPs e Concessões consolidou-se como o eixo central de articulação para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira. Em um mercado que exige, acima de tudo, previsibilidade e segurança jurídica, o movimento atua como um catalisador de maturidade regulatória, conectando o poder público a investidores e operadores privados. Mais do que um fórum setorial, o P3C estabeleceu um ecossistema de boas práticas que permite a estruturação de projetos bancáveis e sustentáveis, fundamentais para a manutenção dos investimentos em um momento de alocação rigorosa de capital. O legado de 2025, marcado por diálogos estratégicos com entes como a ANTF, ANTT e o Governo de Minas Gerais via CODEMGE, pavimentou o caminho para um ciclo ainda mais robusto em 2026.


Leia mais: FDIRS abre seleção para estruturar projetos de PPPs na educação em estado e municípios

A estratégia da Plataforma P3C para 2026 aprofunda a regionalização, reconhecendo que o gargalo da infraestrutura brasileira muitas vezes reside na capacidade técnica de estados e municípios. Ao descentralizar o debate, a plataforma reduz assimetrias de informação e acelera a curva de aprendizado de gestores locais, permitindo que soluções de Infratech e novos modelos de gestão alcancem a ponta do serviço público.

Para o primeiro semestre de 2026, a agenda de reuniões estratégicas já possui marcos definidos para o debate de regulação e infraestrutura social:

  • 28/04: Fórum Latino-Americano de Reguladores de Transportes.
  • 05/05: Encontro de Municípios do FDIRS.
  • 07/05: Reunião Estratégica Santa Catarina.
  • 16/06: Reunião Estratégica Mato Grosso do Sul.

O calendário estende-se com janelas de oportunidade ao longo do segundo semestre, além do ápice do ecossistema, o P3C Nacional, que ocorrerá tradicionalmente em São Paulo, em fevereiro. Esta continuidade é vital para que empresas mantenham o share of mind junto aos principais decision-makers do país ao longo de todo o ano fiscal.


Leia mais: P3C 2026 reúne líderes públicos e privados para aprimorar modelo de PPPs e concessões no Brasil

A “Assinatura de Parceiros” não deve ser vista sob a ótica do patrocínio tradicional, mas como um investimento em business intelligence e acesso qualificado ao deal flow de infraestrutura. O modelo oferece um atalho para o diálogo direto com secretários de estado, CEOs de concessionárias e órgãos de controle, otimizando o ciclo de prospecção em ambientes de alta densidade técnica.

A plataforma oferece três categorias de adesão desenhadas para diferentes níveis de posicionamento:

  • Standard: Foco em presença regional estratégica, garantindo participação em 2 eventos ao longo do ciclo anual.
  • Premium: Amplia o alcance para 4 eventos regionais e inclui um pacote de inserções digitais expandido para reforço contínuo de marca.
  • Master: Categoria de elite com presença total nos 6 eventos regionais, entrega de conteúdo institucional para toda a base e uma Masterclass exclusiva, consolidando a marca como autoridade técnica no setor.

O que a marca recebe no ecossistema:

  • Networking Direto: Acesso privilegiado a prefeitos, secretários e decisores do setor público e privado.
  • Visibilidade Institucional: Logo no telão de transmissão, vídeos institucionais e menções nominais por mestres de cerimônia.
  • Onipresença Digital: Presença constante no Portal CSC, banners rotativos e inserções em newsletters semanais para uma base qualificada.

Para 2026, a Plataforma P3C amplia seu escopo para além dos setores tradicionais de transporte e logística. A agenda está aberta para a estruturação de projetos em Infraestrutura Social, Gestão de Riscos, Reequilíbrio Contratual e Infratech. Organizações e estados interessados em sediar reuniões setoriais ou regionais até dezembro de 2026 podem submeter suas propostas via edital de adesão.

O futuro da eficiência pública brasileira passa, necessariamente, pela solidez das conexões geradas na Plataforma P3C. Esteja à mesa onde a nova infraestrutura do Brasil está sendo desenhada.

Para saber mais, clique aqui.

Petróleo ultrapassa US$ 115 com aumento de tensões entre EUA e Irã

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Petróleo ultrapassa US$ 115 com aumento de tensões entre EUA e Irã
Foto: wirestock

Agência de ​notícias iraniana relatou incidente com um ​navio de guerra no Estreito de Ormuz, gerando preocupações sobre interrupção prolongada no canal

Os preços do petróleo avançam nesta segunda-feira (4), depois que uma agência de ​notícias iraniana relatou incidente com um ​navio de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz, gerando preocupações sobre uma interrupção prolongada na rota crucial para o trânsito de petróleo.

Por volta das 15h, o petróleo Brent subia próximo de 5%, para US$ 113 por barril – no início dia dia, chegou aos US$ 115,24.

Enquanto o WTI, referência no mercado americano, avançava cerca de 3%, a US$ 105 por barril.

Um navio de guerra dos EUA que pretendia passar pelo Estreito de ​Ormuz foi obrigado a recuar após ignorar um aviso do Irã, informou a Fars ⁠nesta segunda-feira, citando fontes locais, acrescentando que dois ⁠mísseis atingiram o navio quando ele navegava perto de Jask.

A Marinha ​do ‌Irã também disse que impediu a entrada de navios de guerra dos EUA na área ⁠do Estreito de Ormuz.

A Reuters não conseguiu verificar os relatos de forma independente.

Não houve resposta imediata dos Estados Unidos, mas a Axios citou uma autoridade sênior dos EUA negando que um navio ‌norte-americano ⁠tenha sido atingido.

Os ‌preços do petróleo já estavam sendo negociados em alta durante a sessão devido às contínuas interrupções no fornecimento da commodity pelo estreito.

“A trajetória dos preços segue inclinada para o lado positivo ⁠enquanto os fluxos através do estreito permanecerem restritos”, ⁠disse o analista do UBS Giovanni Staunovo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país começaria a se ‌esforçar para ajudar os navios presos no Estreito de Ormuz, mas os preços permaneceram acima de US$100 por barril, sem nenhum acordo de paz à vista e com o transporte marítimo através da hidrovia ainda limitado.

Os militares do Irã, em resposta, alertaram as ‌forças dos EUA nesta segunda-feira para não entrarem no estreito, acrescentando que suas forças “responderiam duramente” a qualquer ameaça.

No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, ⁠conhecida como Opep+, disse que aumentaria as metas de produção de petróleo em 188.000 barris por dia em junho para sete membros, marcando o terceiro aumento mensal consecutivo.

O aumento corresponde ao ​acordado para maio, menos a participação dos Emirados Árabes Unidos, que deixou a Opep em ​1º de maio. No entanto, espera-se que os barris adicionais permaneçam em grande parte no papel enquanto a guerra do Irã continuar a interromper o fornecimento de petróleo do Golfo através do Estreito de Ormuz.

*Com informações da Reuters

Fonte: CNN Brasil

Capitais da alegria: Ranking de cidades mais felizes do mundo tem Rio de fora e São Paulo como melhor da América Latina

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Capitais da alegria: Ranking de cidades mais felizes do mundo tem Rio de fora e São Paulo como melhor da América Latina
Foto: Edilson Dantas/Agência O GLOBO

Levantamento internacional que avaliou 64 indicadores de qualidade de vida coloca cidades europeias e asiáticas no topo; brasileiras Curitiba e Belo Horizonte também aparecem em relação, além da capital paulista

Um novo levantamento internacional sobre qualidade de vida urbana colocou mais uma vez cidades europeias e asiáticas entre as mais bem avaliadas do planeta. O Happy City Index 2026, elaborado com base em 64 indicadores distribuídos em seis grandes temas, analisou fatores como educação, saúde, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, inovação, acesso a serviços e bem-estar social.

Neste ano, o ranking foi liderado por Copenhague, na Dinamarca, seguida por Helsinque, na Finlândia, e Genebra, na Suíça. A lista reúne 250 cidades de diferentes continentes e busca medir, de forma ampla, o que define uma cidade feliz.

Entre os destaques da América Latina, São Paulo aparece como a cidade mais bem posicionada do continente, ocupando a 161ª colocação, com 5.743 pontos, acima de grandes centros globais como Nova York e Dubai. Já considerando apenas cidades brasileiras, Curitiba surge em seguida, na 197ª posição, e Belo Horizonte aparece em 219º lugar. O Rio de Janeiro, por sua vez, ficou de fora da seleção das 250 cidades listadas.

A metodologia do índice considera quatro tipos principais de indicadores. Entre eles, estão dados binários — como a existência ou não de políticas públicas específicas para grupos diversos da população —, métricas nacionais com impacto direto na vida dos moradores, indicadores de contexto socioeconômico do país e dados quantitativos específicos das cidades.

Segundo os organizadores, o modelo busca equilibrar o peso entre fatores que podem ser influenciados diretamente pela gestão municipal e aqueles determinados por condições nacionais. Dessa forma, evita-se que variáveis de âmbito federal tenham influência desproporcional sobre a avaliação das cidades.

Cada um dos 64 indicadores recebe uma ponderação específica. Enquanto variáveis binárias podem representar até 1,2% da nota final, indicadores nacionais de contexto têm contribuição limitada a 0,5 ponto percentual no índice geral.

O relatório também destaca que a metodologia foi aperfeiçoada ao longo de cinco edições anteriores, em um processo contínuo de revisão técnica e ajustes com base em evidências sobre qualidade de vida urbana.

Entre os critérios avaliados estão acessibilidade ao ensino superior, cobertura de seguro médico, jornada média de trabalho, dias de férias remuneradas, potencial de inovação, uso de serviços bancários eletrônicos e participação da economia criativa.

No topo da lista, a predominância europeia chama atenção: entre as dez primeiras colocadas, sete são cidades do continente. A Ásia também marca presença forte, com Tóquio em quinto lugar e Singapura em 22º.

Já nas Américas, além de São Paulo, aparecem cidades como Vancouver, Toronto, Montreal, San Francisco e Buenos Aires.

Fonte: O Globo

Estacionamentos no setor imobiliário evoluem e viram parte da estratégia para a mobilidade urbana

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Estacionamentos no setor imobiliário evoluem e viram parte da estratégia para a mobilidade urbana
Crédito: Banco de imagem

Mais do que apoio ao empreendimento, os estacionamentos passam a atuar como pontos estratégicos na organização dos fluxos urbanos, conectando experiência do usuário, tecnologia e mobilidade inteligente.

Os estacionamentos, durante muito tempo, foram tratados apenas como uma extensão do ativo imobiliário. Projetos eram concebidos com foco no edifício, enquanto as áreas de estacionamento permaneciam em segundo plano, sob a premissa de que bastava “funcionar”.

Esse paradigma começou a mudar. À medida que os ativos geradores de tráfego evoluíram, ficou mais evidente que o estacionamento não apenas gera receita, mas influencia diretamente a experiência do usuário. Hoje, ele representa, na prática, o início e o fim da jornada de clientes, colaboradores e visitantes, impactando a tomada de decisão em vários aspectos.

No entanto, limitar essa discussão à experiência do usuário é olhar apenas parte do problema. Em cidades cada vez mais congestionadas, os estacionamentos de centros comerciais, supermercados, lojas, edifícios comerciais, entre outros empreendimentos, passam a desempenhar um papel importante na organização da mobilidade urbana.

Quando bem planejados e operados, esses espaços ajudam a estruturar os fluxos das cidades, pois são capazes de reduzir paradas irregulares nas vias públicas e organizar pontos de chegada e saída. Podem atuar como elementos que absorvem e distribuem o tráfego de forma mais eficiente.

Esse papel se torna ainda mais evidente quando os estacionamentos deixam de ser apenas destinos finais e passam a funcionar como hubs de mobilidade. A incorporação de áreas para embarque e desembarque de aplicativos, integração com micromobilidade, pontos de recarga para veículos elétricos e até conexões com transporte público amplia sua função dentro da cidade.

Nesse contexto, a gestão profissional e apoiada por tecnologia ganha importância não só para o desempenho do ativo, mas também para o ambiente urbano. Sistemas inteligentes permitem prever demanda, ajustar fluxos, reduzir filas e minimizar impactos viários.

Além disso, a capacidade de entender padrões de uso permite decisões mais estratégicas, como escalonar horários de maior demanda, adaptar serviços e até influenciar comportamentos de mobilidade.

Em um cenário de crescente pressão sobre a infraestrutura das cidades, subutilizar ou tratar de forma simplista esses espaços é negligenciar uma ótima oportunidade. O estacionamento pode fazer “uma ponte” entre o empreendimento e a cidade, contribuindo tanto para a experiência do usuário quanto para a mobilidade urbana.

O Protagonismo da Sociedade Civil em Tempos de Eleição

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O Protagonismo da Sociedade Civil em Tempos de Eleição
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Participação social, pluralidade de vozes e o redesenho da governança urbana no ciclo eleitoral brasileiro

Estamos vivendo um momento singular na democracia brasileira. À medida que nos aproximamos de mais um ciclo eleitoral, o debate sobre cidades inteligentes ganha uma urgência que ultrapassa a mera discussão tecnológica. Não estamos falando apenas de sensores, aplicativos ou infraestrutura digital; estamos discutindo o modelo de cidade que desejamos para as próximas gerações e, fundamentalmente, como a sociedade civil pode e deve moldar as políticas públicas que serão implementadas nos próximos quatro anos. 

Historicamente, o debate político era restrito aos partidos, no entanto, o século XXI trouxe o que chamamos de pluralização da representação. Hoje, a legitimidade das decisões públicas não emana apenas das urnas, mas da capacidade de diversos atores, como ONGs, movimentos sociais, lideranças locais e o setor privado, de vocalizarem demandas públicas.

Nas cidades inteligentes, essa representação é o que garante a inclusão. Quando a sociedade civil se organiza para discutir mobilidade, segurança ou saúde, ela exerce uma representação virtual e de advocacy. Isso significa que esses grupos dão visibilidade a temas que, muitas vezes, o sistema eleitoral tradicional não consegue captar com agilidade. Em ano de eleição, o papel da sociedade é cobrar que os planos de governo não sejam apenas peças de marketing, mas compromissos reais com a realidade dos cidadãos. 

Um dos pontos mais fascinantes da nossa atualidade é a redemocratização do conceito de cidade inteligente. Existe um movimento importante que defende a cidadania como o direito a ter direitos. Nesse cenário, a inteligência de uma cidade é medida pela sua capacidade de promover a partilha real de poder.

É fundamental que, neste período eleitoral, a sociedade civil brasileira atue como um agente do poder público. Precisamos de desenhos institucionais que favoreçam a participação de baixo para cima. Experiências sugerem que, quando o cidadão participa da elaboração de planos diretores ou da gestão de políticas setoriais, a política pública ganha eficiência e, acima de tudo, humanidade. Discutir cidades inteligentes em ano de eleição é, portanto, um exercício de participação social. 

A legitimidade dos nossos futuros governantes será medida pela sua abertura ao diálogo com esses novos atores da representação civil, focando na vocalização de causas que tiram temas importantes da invisibilidade e os colocam no centro das discussões para garantir que a inovação sirva ao bem comum.

O futuro da governança urbana no Brasil depende da nossa capacidade de integrar múltiplos eixos de representação. O Connected Smart Cities nasceu com esse propósito: conectar governo, empresas e sociedade civil para que a pluralidade social não seja apenas ouvida, mas tenha o poder efetivo de moldar a responsabilidade pública. 

Que este ano eleitoral seja o palco de uma discussão madura, positiva e propositiva. Que possamos ver a tecnologia como meio e a sociedade civil ativa como o coração pulsante das cidades que queremos construir. Afinal, uma cidade só é verdadeiramente inteligente se for capaz de promover o bem-estar de todos os seus cidadãos através de uma democracia vibrante e participativa.

Nova Iguaçu (RJ) recebe investimento para renovação de frota

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Nova Iguaçu (RJ) recebe investimento para renovação de frota
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

seleção de propostas do Novo PAC – Mobilidade Urbana, no eixo de Renovação de Frota (setor privado), foi divulgada pelo Ministério das Cidades nesta segunda-feira (27), contemplando o município de Nova Iguaçu (RJ).

O investimento total é de R$ 12,3 milhões, destinados à aquisição de 15 ônibus Euro 6 para transporte público coletivo urbano. A iniciativa será viabilizada com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e tem com o objetivo de modernizar as frotas, ampliar a eficiência do sistema e melhorar a qualidade do serviço oferecido à população.

Leia também: Inovação e Sustentabilidade no Centro do Debate: Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana postergam prazo de Inscrições para 2026

A iniciativa faz parte das ações do Governo Federal voltadas ao fortalecimento da mobilidade urbana, à melhoria da eficiência do transporte coletivo e à modernização da frota com veículos mais atuais e sustentáveis.

Além dos ganhos operacionais, a renovação da frota também contribui para a agenda ambiental, ao incentivar a utilização de veículos mais eficientes, com menor emissão de poluentes e redução do consumo de combustível.

Fonte: Ministério das Cidades

Por que investidores estrangeiros avaliam que Brasil vive ‘momento de ouro’ na economia

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Petróleo ultrapassa US$ 115 com aumento de tensões entre EUA e Irã
Foto: wirestock

O Brasil voltou aos radares dos investidores estrangeiros. É o que apontam instituições financeiras e analistas internacionais, diante da disparada nos preços do petróleo, alta dos juros e valorização do real.

Um relatório do Bank of America (BofA), uma das principais instituições financeiras americanas, questiona se o país pode ser o “próximo ouro”, em referência ao recente bom desempenho do ativo no mercado financeiro global.

Outra análise, do banco de investimentos Goldman Sachs, indica que o Brasil tem se destacado como um dos principais beneficiários da alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Ao elevar a projeção de crescimento da economia brasileira 1,6% para 1,9% em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também apontou o país como um dos que podem ser favorecidos no curto prazo pela crise, por ser exportador líquido de energia.

O bom momento do Brasil, aliás, chegou às reuniões de primavera organizadas pelo FMI em Washington D.C. em meados de abril, segundo interlocutores. O colóquio é um dos dois grandes encontros globais anuais da instituição e reúne ministros das finanças, presidentes de bancos centrais, gestores de fundos, executivos e outros participantes do setor financeiro global.

“O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente”, disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista à BBC News Brasil.

“Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país].”

Como o Brasil se beneficia da guerra?

Há uma leitura comum de que o Brasil — e a América Latina como um todo — tem se beneficiado de um pano de fundo global positivo para os países emergentes.

À primeira vista, pode parecer contraditório que um conflito com efeitos negativos para a economia mundial favoreça, ainda que marginalmente, nações específicas. Mas há uma explicação clara: o papel desses países, incluindo o Brasil, como exportadores de commodities, especialmente energia.

Com as interrupções na oferta de petróleo e as incertezas nesse mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra.

Energia mais cara também encarece transporte, produção industrial e alimentos — especialmente em países dependentes de importações. Por isso, economias importadoras de commodities tendem a ser as mais prejudicadas, enfrentando inflação mais alta, desvalorização cambial e perda de renda.

Para os exportadores de energia ou commodities, porém, o cenário pode ser outro.

No caso do Brasil, que é considerado pelo FMI um exportador líquido de energia — ou seja, vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra — preços internacionais altos significam ganhos maiores. Esse efeito melhora os chamados “termos de troca” (a relação entre preços de exportação e importação), e pode impulsionar o crescimento econômico.

Por tudo isso, o FMI considerou em seu relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, que a guerra deve ter “um pequeno efeito líquido positivo” sobre o Brasil em 2026, elevando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual.

“É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante”, afirmou a vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, em um pronunciamento à imprensa durante as reuniões nos EUA na semana passada.

Atraindo investimentos
Para instituições financeiras como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs, esse cenário também ajuda a consolidar o país como atrativo para investimentos estrangeiros.

Mas além do peso das commodities na economia local, o Brasil se tornou destaque neste momento por conta das altas taxas de juros e o enfraquecimento do dólar.

Segundo o relatório publicado pelo Bank of America (BofA) em 14 de abril, “os investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real brasileiro e às ações brasileiras”.

A percepção, de acordo com os economistas do BofA, é de que o aumento nas previsões de inflação diante dos impactos da guerra e da alta do petróleo devem manter os rendimentos atrativos, já que o Banco Central pode encontrar mais dificuldades para acelerar o ritmo de cortes de juros.

A avaliação veio após reuniões com clientes em Nova York, às vésperas dos encontros do FMI e do Banco Mundial, que também organiza discussões com investidores todos os anos em abril.

Analistas do Goldman Sachs também apontaram em um diagnóstico de 15 de abril que o Brasil segue sendo um foco interessante para investimentos por conta do impulso das matérias-primas.

O banco afirma, porém, que setores domésticos que vêm sofrendo com a crise global, como os ligados ao crescimento local (bancos, varejo, construção), podem ver sua situação melhorar à medida que os cortes de juros forem aplicados.

Mas a conclusão é positiva. “Na América Latina, o Brasil se destacou como beneficiário da alta dos preços do petróleo”, dizem os economistas.

“Com avaliações, em nossa opinião, atrativas em relação ao nível das taxas, e com expectativas de novos cortes na taxa e alta sensibilidade do mercado acionário às taxas de juros, esperamos que as ações brasileiras tenham um desempenho superior”, afirma o relatório.

Até 22 de abril, o capital estrangeiro na Bolsa de Valores (B3) somou R$ 64,42 bilhões neste ano, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025 (R$ 25,47 bilhões), segundo dados da consultoria Elos Ayta.

Isso significa que 61,2% de tudo que entrou na bolsa brasileira em 2026 veio do exterior, uma tendência de elevação do fluxo internacional observada desde 2023.

Mais recentemente, porém, o mercado acionário brasileiro vem atravessando um período de certa turbulência.

O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma desvalorização acentuada de aproximadamente 10 mil pontos em um curto intervalo de tempo, após atingir a máxima histórica em 14 de abril.

Analistas afirmam que o episódio deve ser visto mais como um ajuste típico de fluxo após um período de alta prolongado do que um sinal de alerta estrutural para a economia brasileira.

Segundo um relatório do banco Santander, o movimento de venda de ações recente foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.

Uma estimativa do Instituto de Finanças Internacionais indica ainda que, a cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo, o Brasil recebe cerca de US$ 4 bilhões adicionais em entradas de dólares nas contas externas.

“Isso representa aproximadamente 0,2% do PIB em termos de ingresso adicional de recursos”, afirma Castellano.

Para o economista e seus colegas do IIF, a alta no preço das commodities também afeta positivamente o crescimento no país.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço médio das matérias-primas disparou desde o início da guerra.

O índice da Sondagem Industrial, que mede a variação do preço das commodities, saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos.

O indicador não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de covid-19.

O Brasil, que tem uma base de exportações mais diversificada do que outros países da América Latina, se beneficia especialmente desse movimento, diz Martín Castellano.

“Outro fator que considero importante é que a economia brasileira é relativamente fechada, portanto não está tão exposta a choques globais”, avalia.

“Além disso, acredito que os investidores entendem que o governo brasileiro lidou bem com o choque das tarifas [impostas pelos] EUA, conseguiu negociar e o impacto foi relativamente limitado”, diz Castellano.

Depois de impor tarifas elevadas contra produtos brasileiros — em alguns casos chegando a 40% ou 50%, sob o argumento de desequilíbrios comerciais e questões políticas — o governo de Donald Trump reverteu parte dessas medidas em novembro passado.

Há um temor, porém, de que o governo americano esteja se preparando para anunciar uma nova onda de tarifas, que podem ter o Brasil como alvo mais uma vez.

‘A tempestade perfeita’ para o real

O momento de crise no Oriente Médio também foi definido como “a tempestade perfeita” para o real pelo pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, Robin Brooks.

Segundo Brooks, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pode ser o gatilho para uma das maiores valorizações do real dos últimos anos. Em artigo do início de abril, ele projetou que o dólar poderia ficar abaixo de R$ 4,50.

Brooks lembra o que ocorreu em 2022 como um precedente. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo do tipo Brent subiu 40% no primeiro trimestre e o real se valorizou 20%, tornando-se a moeda de melhor desempenho entre os emergentes.

“Assim que os mercados perceberam que as coisas não iriam sair do controle, o real brasileiro — a personificação de uma moeda de beta alto [ou seja, uma moeda que tende a demonstrar alta sensibilidade aos ciclos econômicos globais e ao apetite por risco] — decolou de forma significativa”, aponta Brooks.

Para ele, esse movimento está se repetindo agora.

O real foi a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar no mundo em 2026 até o momento. No acumulado do ano, a alta foi de 10,4% até 17 de abril, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Como país exportador e autossuficiente de petróleo, o Brasil tem se beneficiado diretamente da entrada adicional de dólares, o que pressiona a moeda nacional para cima.

O cenário também é reflexo da procura dos investidores estrangeiros pelo país, seja por meio da bolsa de valores ou de títulos de renda fixa, dizem os especialistas.

“O Brasil, assim como vários outros países, busca consolidar o apelo de sua moeda por meio de uma economia bem administrada”, aponta Colin Lewis, professor da LSE (London School of Economics and Political Science), no Reino Unido.

Segundo o economista, contribuem para isso outros bons indicadores econômicos atuais do Brasil, tais como um mercado de trabalho aquecido e a previsão de crescimento de 1,9% estimada pelo FMI.

“(O primeiro-ministro britânico) Keir Starmer adoraria ter um crescimento de 2% no Reino Unido”, brinca Lewis.

A última previsão do FMI é que a economia britânica deverá crescer apenas 0,8% em 2026, abaixo da projeção anterior de 1,3%.

“O Brasil está bem conectado globalmente e projetando sua imagem como um parceiro comercial confiável e previsível”, acrescenta o economista britânico em entrevista à BBC Brasil.

É apenas passageiro?

Mas por quanto tempo esse cenário positivo pode se manter?

Para Martín Castellano, do IIF, o avanço do Brasil em relação à produção de petróleo significa que as altas internacionais no preço da commodity devem continuar a beneficiar, ou pelo menos não afetar intensamente, o país.

O economista destaca a mudança estrutural da última década: “o Brasil era um importador líquido de energia até 2017, mas após mudanças significativas no setor e alterações nas políticas, o país emergiu como um exportador líquido de petróleo bruto”.

Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo foi o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja. No ano passado, o feito se repetiu e o país se consolidou como o sétimo exportador do mundo.

No entanto, a indústria nacional importa cerca de 10% da gasolina e até 25% do diesel que consome, por conta da falta de capacidade das refinarias locais.

Ainda assim, os choques causados por variações internacionais no preço dos combustíveis afetam muito menos o país atualmente do que no passado. As exportações também auxiliam no crescimento da economia.

“Analisando todo o contexto global, o Brasil é percebido como uma economia bastante bem administrada, o que indica certa confiança nas mudanças estruturais que vêm ocorrendo internamente”, avalia Colin Lewis.

Por outro lado, afirmam os especialistas, uma mudança nas taxas de juros pode sim afastar investidores estrangeiros, apesar de melhorar o acesso doméstico a crédito e aquecer a economia internamente.

Em março, o Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos, reduzindo a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

Atualmente, o mercado já espera uma nova redução, possivelmente para 14,5% ao ano.

Outros dois fatores também podem interferir no atual cenário: as eleições presidenciais marcadas para outubro e o preço global dos fertilizantes.

A incerteza em relação ao cenário eleitoral e o futuro das políticas públicas pode afastar alguns investidores, apontam os especialistas.

Após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o principal índice da Bolsa brasileira mergulhou em fortes perdas, indicando uma possível aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro.

“Lula tem uma bagagem, mas de qualquer forma os mercados já o conhecem”, avalia Lewis.

E segundo Martín Castellano, há uma preocupação específica com o futuro das políticas fiscais no país.

“A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira”, diz, apontando as mudanças constantes nessa frente e falta de disciplina como motivos que podem afastar investidores.

Além disso, afirma, um aumento brusco no preço global dos fertilizantes pode ter um impacto negativo no setor agropecuário e no custo dos alimentos, neutralizando parte do ganho em outros setores.

O setor dos fertilizantes é visto como um alvo invisível da guerra no Irã, principalmente a ureia, um composto nitrogenado essencial para o cultivo em escala.

Para o Brasil, que tem a cadeia do agronegócio como propulsora da economia e não produz seus próprios fertilizantes, o baque pode ser grande.

“O Oriente Médio fornece aproximadamente um terço das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, o Irã responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho, deixando a economia vulnerável a potenciais interrupções no fornecimento e no comércio”, aponta o relatório do IIF sobre possíveis desdobramentos da crise para o Brasil.

Fonte: BBC Brasil