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Operação contra Ciro Nogueira pode ameaçar delação de Vorcaro?

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Senador Ciro Nogueira durante sessão do Senado Federal que votou contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A nova fase da operação Compliance Zero, que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), evidencia que as investigações sobre o escândalo do Banco Master seguirão avançando sobre autoridades independentemente da formalização de um acordo de delação premiada, como tenta conseguir o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmam criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Para estes mesmos criminalistas, a nova ação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, também deixa claro que não será aceita uma proposta tímida de colaboração premiada, que não traga informações novas relevantes.

A defesa de Vorcaro apresentou na quarta-feira (6/5) sua proposta inicial de acordo, um dia antes da nova fase da operação da Polícia Federal. O conteúdo agora está sendo analisado por PF, Procuradoria-Geral da República (PGR) e por Mendonça, relator das investigações sobre o caso no Supremo.

“Me parece que a Polícia Federal e até o ministro Mendonça deram um recado muito claro de que a investigação vai andar. Até onde ela vai, a gente não tem como saber, até porque não sabemos o tamanho do esquema”, afirma o criminalista André Perecmanis, professor da PUC-RJ.

“Para a delação ser aceita, ela tem que primeiro ter ineditismo. Então, se a Polícia Federal já sabe, não adianta você trazer [a informação]. E tem que trazer algo relevante, que desarticule a quadrilha, identifique outros criminosos, recupere valores. Hoje em dia, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República e o próprio Judiciário têm sido muito mais criteriosos com delações”, acrescenta Perecmanis.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, a proposta inicial de delação teria desagradado Mendonça por não trazer detalhes sobre autoridades potencialmente envolvidas no escândalo.

A reportagem cita o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como exemplo de nome ausente na proposta, apesar de conversas analisadas pela PF no celular apreendido com Vorcaro indicarem que eles teriam se reunido na residência oficial da presidência do Senado em abril de 2025.

Além disso, a PF apura a decisão do Amprev, fundo de previdência dos servidores públicos do Amapá, de investir R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Master. A instituição era comandada por um aliado de Alcolumbre, Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro.

O presidente do Senado nega qualquer ilegalidade relacionada ao Master.

Já a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiou que a proposta inicial de delação do banqueiro tampouco incluiria favorecimentos do banco Master ao senador Ciro Nogueira, revelados na operação realizada nesta quinta-feira (7/5).

Segundo a PF, Nogueira teria recebido pagamentos mensais recorrentes, além de outras vantagens, em troca de favores. As investigações da corporação apontam que o senador, que é presidente nacional do Progressistas (PP) e ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), teria ainda apresentado ao Senado uma proposta de emenda escrita pelos assessores do banqueiro para beneficiar o Master.

Em nota, os advogados de defesa de Ciro Nogueira disseram repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Eles reiteraram ainda “o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

Na noite da quinta-feira (7/5), o gabinete de Mendonça se manifestou sobre as especulações em torno da delação de Vorcaro, sem citar o banqueiro diretamente. Mendonça também negou que tenha tido acesso ao material apresentado pela defesa.

“O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada: (i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado; (ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e (iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”, diz a nota.

“Cabe esclarecer, ainda, que o ministro, até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”, concluiu a manifestação.

‘Vorcaro tem muito a apresentar, mas precisa realmente querer fazer uma delação’

“O recado é esse: ‘você está querendo fazer delação, muito bom, mas nós também vamos fazer o nosso serviço’. O Vorcaro tem muita coisa para apresentar, mas ele precisa realmente querer fazer uma delação. Não é só pinçar coisas pra entregar”, ressalta.

“O que eu vejo é que o ministro não vai aceitar uma coisinha mirim. Ele quer tudo: negociações de BRB [banco público do Distrito Federal que comprou títulos podres do Master], negociações com o Legislativo, o modus operandi do Vorcaro no dia a dia”, exemplifica.

Um ponto especialmente delicado em torno da negociação da colaboração premiada é a possibilidade de atingir ministros do STF.

Alexandre de Moraes é alvo de desgaste após a PF apontar supostas mensagens trocadas entre ele e Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro, algo que o ministro nega.

Além disso, é alvo de controvérsia o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Já Dias Toffoli foi obrigado a se declarar suspeito e deixar a relatoria da investigação do Master após ser revelado que sua família fez negócios com um fundo ligado ao banco. A operação envolveu a compra de parte de um resort no Paraná que pertencia a uma empresa de Toffoli e dois irmãos do ministro.

Para os professores entrevistados, uma eventual delação que inclua ministros do STF terá que ser homologada pelo plenário do STF para ter validade.

Além de Vorcaro, outros investigados negociam acordos de colaboração, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador do esquema, e o ex-presidente do banco BRB Paulo Henrique Costa, preso em uma das fases da Operação Compliance Zero.

Fonte: BBC News

‘Tensão’ sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca

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'Tensão' sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca
Foto: Reuters via BBC

Para o governo brasileiro, reunião atingiu ao menos um dos seus objetivos: ganhar tempo e evitar imposição de novas tarifas sobre produtos do país a meses das eleições presidenciais.

A reunião entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu, na avaliação do governo brasileiro, ao menos um dos seus objetivos principais: ganhar tempo e evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos do país a pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais.

Essa crença foi expressada por assessores do presidente Lula após o encontro.

Apesar de boa parte das tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros a partir de julho do ano passado ter sido retirada ao longo dos últimos meses, o Brasil é alvo de duas investigações com base na chamada seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que investiga supostas práticas comerciais irregulares do país.

Uma delas tem prazo para terminar em julho e, em tese, poderia servir de base para mais tarifas norte-americanas até mesmo antes desse tempo.

Mas, segundo o governo brasileiro, os dois presidentes determinaram a criação de um grupo de trabalho para discutir a questão tarifária com um primeiro prazo de conclusão em 30 dias. Com isso, o governo brasileiro entende que ganhou pelo menos um mês com a garantia de que novas tarifas não serão aplicadas.

Interlocutores do presidente familiarizados com o teor da reunião afirmam que a questão tarifária foi, de fato, o único ponto em que houve alguma discordância entre as duas equipe técnicas que acompanharam os dois presidentes.

De acordo com eles, o representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teria sido o responsável por “tensionar” parte da reunião, defendendo que a tarifa média brasileira sobre produtos importados dos Estados Unidos ainda estaria em níveis elevados, o que justificaria a aplicação de tarifas a exportações brasileiras.

Segundo um assessor do presidente Lula ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado, Greer teria atuado como o “policial mau”, responsável por colocar pressão nas negociações.

Segundo ele, esse comportamento de Greer já era esperado pela equipe brasileira uma vez que o oficial norte-americano é um notório defensor da política de tarifas. Sua atuação, no entanto, segundo a delegação brasileira, teria sido parcialmente contornada pela postura de Trump ao longo do encontro, que acatou a proposta brasileira de criar o grupo de trabalho para debater o tema.

A equipe econômica brasileira, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, intervieram pontuando que o Brasil teria um deficit de pelo menos US$ 20 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos nos últimos anos.

Nos cálculos dos próprios norte-americanos, segundo Rosa, esse déficit seria ainda maior: US$ 30 bilhões.

De acordo com o governo, os dados mostrariam que não haveria razões para os EUA sancionar um país com quem eles têm saldo positivo na sua balança comercial.

O que é a Seção 301

O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.

A investigação envolve um amplo conjunto de temas. Entre eles estão políticas brasileiras ligadas ao comércio digital, ao sistema Pix, regras de proteção de dados, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, às tarifas preferenciais concedidas a outros parceiros comerciais, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

Na avaliação do governo americano, essas práticas podem criar barreiras ou distorções que prejudicam a competitividade de empresas dos EUA no Brasil.

A Seção 301 autoriza o governo americano a investigar, de forma unilateral, atos, políticas ou práticas de outros países que “onerem ou restrinjam” o comércio dos Estados Unidos.

Se o USTR concluir que houve prejuízo e que as medidas estrangeiras são “injustificáveis” ou “irracionais”, a lei permite a adoção de medidas de retaliação, como tarifas, restrições comerciais ou a suspensão de benefícios.

O instrumento ganhou notoriedade nos últimos anos por ter embasado o “tarifaço” imposto pelos EUA à China durante o primeiro mandato de Donald Trump.

No caso brasileiro, a abertura do processo ocorre em um contexto de maior tensão política e comercial entre os dois países.

Além das críticas de setores empresariais americanos, a iniciativa também reflete uma estratégia do governo dos EUA de buscar bases legais mais robustas para ações comerciais, após decisões judiciais internas terem limitado o uso de outros mecanismos tarifários.

O governo brasileiro contesta a investigação e afirma que suas políticas são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Itamaraty argumenta ainda que a Seção 301 é um instrumento unilateral, incompatível com o sistema multilateral de solução de controvérsias, e lembra que os EUA mantêm superávit comercial na relação bilateral.

A apuração segue um rito formal, com consultas entre os governos, audiências públicas e coleta de contribuições de empresas e entidades interessadas. O processo pode se estender por cerca de um ano.

Até sua conclusão, o principal impacto tende a ser a incerteza para exportadores e investidores, diante do risco de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Surpresa: terras raras

Um dos pontos que mais chamou atenção da equipe brasileira foi a postura de Trump e sua equipe em relação a minerais críticos.

Segundo integrantes da comitiva do presidente, Trump demonstrou um interesse mediano pelo assunto, o que contrastou com a expectativa de que este fosse um assunto que dominaria, pela lado norte-americano, parte do debate.

Nos últimos meses, técnicos brasileiros e norte-americanos vinham mantendo reuniões sobre o assunto e uma proposta chegou a ser enviada pelos EUA a respeito do assunto.

Desde o início do governo Trump, o governo dos EUA vem tentando diminuir a dependência do país em relação à China no acesso a minerais críticos como as terras raras, usadas na produção de equipamentos para a transição energética e de produtos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e armamentos.

Neste contexto, o Brasil é visto como um potencial parceiro, pois o país detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Em março, o governo dos EUA promoveu um fórum sobre minerais críticos envolvendo empresários brasileiros e norte-americanos, além de ter firmado um protocolo de intenções com o governo de Goiás relacionado à pesquisa e exploração desses minerais.

Por tudo isso, a equipe brasileira preparou documentos para atualizar os norte-americanos sobre o andamento do marco legal para a exploração desse material no Brasil.

Nesta semana, por exemplo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que estabelece os primeiros parâmetros legais do Brasil sobre o tema.

Para o Brasil, a criação da política, que deve ser chancelada pelo Senado nos próximos dias, é vendido como um trunfo aos norte-americanos. Em entrevista coletiva, o presidente Lula disse que o Brasil está aberto a investimentos dos EUA no setor desde que não se limitem a explorar os minerais e a exportá-los apenas como matéria-prima. O governo quer que os investimentos priorizem o beneficiamento deles em território nacional.

Apesar disso, nenhum acordo sobre o assunto foi assinado pelas duas delegações.

A avaliação da equipe brasileira é de que a postura de Trump sobre o assunto durante a reunião possa ser resultado do fato de que, na prática, os norte-americanos já estejam avançando com seus projetos de extração de minerais críticos no Brasil a exemplo da compra de uma mineradora de terras raras em Goiás por uma empresa dos EUA, divulgada em abril.

Crime organizado

Um dos pontos que era tido como prioridade do governo brasileiro foi a pauta do combate ao crime organizado e a tentativa de evitar que os EUA classificassem as facções criminosas brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Segundo Lula e um interlocutor familiarizado com o teor da reunião, a possível designação das facções brasileiras não foi debatida na reunião.

“Não discutimos isso. O que eu queria dizer eu entreguei por escrito. Cada assunto que eu discuti com o presidente Trump, além dos ministros falarem, eu entreguei a ele cada proposta nossa escrita em inglês. Pra que ele não ter dúvida sobre o que nós queremos, porque estamos levando muito a sério essa questão do crime organizado”, disse Lula.

A intenção de designar as facções brasileiras como organizações terroristas havia sido expressa pelos EUA no início do ano, fazendo com que o governo brasileiro mobilizasse sua diplomacia para convencer os governo norte-americano a recuar pelo menos de forma temporária.

O governo alega que é contra essa ideia porque ela abriria brechas para ações militares, policiais e de inteligência norte-americanas em território nacional a exemplo do que acontece em outras regiões do mundo como na costa do Caribe, no Oriente Médio e na costa do Oceano Pacífico.

Durante o almoço entre as duas delegações nesta quinta-feira, o Brasil entregou uma nova proposta de cooperação internacional para o combate ao crime organizado focado em dois eixos: o combate à lavagem de dinheiro que financia organizações criminosas; e o tráfico de armas.

A proposta, segundo interlocutores brasileiros, vai ser analisada pelo governo norte-americano, mas ainda não há prazo para que uma resposta seja dada.

Lula chegou a dizer que na entrevista coletiva que uma das ações previstas seria a criação uma espécie de grupo internacional com países da América do Latina e de outras regiões para atuação em conjunto contra carteis e outras organizações criminosas. Ele citou o exemplo de um centro montado em Manaus que reúne representantes de polícias e forças de seguranças de todos os países da região amazônica.

“Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado”, disse Lula.

Fonte: G1

Soberania tecnológica: o papel das STEMs no desenvolvimento do Brasil (Parte 1)

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Soberania tecnológica: o papel das STEMs no desenvolvimento do Brasil (Parte 1)
Foto: Freepik/pongsaksapakdee

Soberania tecnológica em disputa: formação em STEM, autonomia nacional e o reposicionamento do Brasil na economia global do conhecimento

Vivemos um momento de rupturas aceleradas que até pouco tempo pareciam impossíveis. Nos últimos meses, acumulam-se acontecimentos que, em outras circunstâncias, levariam anos para acontecer: a instabilidade internacional se aprofunda, disputas comerciais e energéticas se intensificam, conflitos bélicos se espalham e a competição redefine, diante dos nossos olhos, novas estruturas globais. Ao mesmo tempo, a economia de dados e a inteligência artificial impactam de maneira irreversível na sociedade como um todo, tornando-a cada vez mais dependente dessas tecnologias e ampliando as disputas que se articulam em torno delas.

No Brasil, esse cenário recolocou em primeiro plano um debate que parecia esquecido sobre a soberania nacional, especialmente a tecnológica, que aparece nas disputas por semicondutores, no controle de infraestruturas críticas, como data centers, energia e defesa, na reorganização das cadeias de valor e na corrida pela inteligência artificial. A capacidade do país de compreender o ritmo das mudanças, avaliar com lucidez suas forças e fragilidades e transformar essa leitura em políticas capazes de responder às tarefas que a conjuntura atual impõe tornaram-se decisivas para garantir a continuidade e a solidez do próprio Estado nacional. 

Na atualidade, a soberania tecnológica só pode ser exercida por um exército expressivo de excelência acadêmica e profissional, capaz de criar as soluções que, em última instância, asseguram a autonomia e a independência. Os países que lideram a corrida pela soberania tecnológica sabem disso e têm em comum políticas públicas focadas na chamada agenda STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). 

  • A China se consolidou como a principal potência global nessas disciplinas ao combinar formação em larga escala, investimento robusto em pesquisa e forte capacidade de aplicação tecnológica. Projeções indicam que o país forma cerca de 77 mil doutores em STEM por ano, superando os Estados Unidos. Além disso, os gastos chineses em P&D alcançaram 3,93 trilhões de yuans, o equivalente a 2,8% do PIB, reforçando a prioridade estratégica dada a áreas como inteligência artificial, robótica e telecomunicações.
  • Os Estados Unidos seguem como uma das maiores potências mundiais em STEM, sustentados por universidades de ponta, forte tradição científica e ampla capacidade de absorção de talentos. O país forma cerca de 58 mil doutores por ano, enquanto a força de trabalho em ocupações do setor chega a 37 milhões de pessoas, ou 24% do total. Esse peso também se reflete no investimento em inovação: os gastos com P&D giram em torno de US$ 1 trilhão.
  • A Alemanha mantém uma posição de destaque graças à sua sólida tradição industrial e técnica. Na graduação, 35% dos bacharéis vêm das disciplinas STEM, a maior entre os países da OCDE. O investimento em pesquisa também confirma essa vocação: os gastos em P&D chegaram a €137 bilhões, ou 3,17% do PIB, sustentando a competitividade alemã em engenharia, manufatura avançada e inovação.

No Brasil, esse projeto ainda é um desafio. O país possui escala universitária e base científica relevante, mas ainda forma relativamente poucos graduados nessas áreas. Segundo a OCDE, apenas 16,2% dos bacharéis no país se formam em cursos de STEM, percentual abaixo da média internacional. Já os investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegam, em média a 1,2% do PIB, indicando avanço recente, mas ainda distante do patamar observado nas economias mais avançadas.

Na outra ponta, o setor de entrega por aplicativos emprega cerca de 1,7 milhão de trabalhadores, segundo o IBGE, com informalidade de 71,1%. Pesquisa do Ipea aponta condições de trabalho precárias com aumento de jornada, queda de renda e menor contribuição previdenciária. Esse setor apresenta também uma contradição importante: os trabalhadores, na sua maioria jovens urbanos de escolaridade baixa, precisam de letramento digital para o uso dessas ferramentas, muitas com IA embarcada. 

Há avanços como a ampliação da conectividade em escolas e a digitalização de serviços. Ainda assim, a distância entre acesso e capacidade, como vimos, continua grande. A formação em STEM precisa ser um projeto mais  amplo e de longo prazo que começa na educação básica e se estende até a pós-graduação.

Na educação básica, significa consolidar projetos pedagógicos que integrem pensamento computacional, raciocínio lógico, cultura científica e letramento digital aos currículos, além de garantir infraestrutura adequada, conectividade, formação docente e ambientes de aprendizagem mais voltados à experimentação. No ensino médio, esse esforço ganha densidade por meio da ampliação da formação técnica e profissional articulada às demandas da economia digital. Já no ensino superior, o desafio é expandir a formação de engenheiros, cientistas e pesquisadores, fortalecer laboratórios, aproximar universidades do setor produtivo e criar condições para que a pesquisa aplicada se converta em inovação, produtividade e capacidade tecnológica nacional.

A Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, consolidada no âmbito do CITDigital, reconhece a educação e a capacitação profissional como eixos estruturantes. Essa visão recoloca a tecnologia como base do desenvolvimento econômico. Um país que pretende ganhar relevância na economia do conhecimento precisa formar talentos em escala, aproximar escolas de laboratórios, universidades de vocações produtivas e currículos das demandas concretas da sociedade.

Essa proposta exige políticas públicas consistentes, formação de professores, atualização curricular, ambientes de aprendizagem mais conectados com pesquisa, além de articulação mais estreita entre poder público, academia e setor produtivo. Exige, sobretudo, visão de longo prazo. O problema brasileiro está na fragmentação dos esforços e na descontinuidade das prioridades.

Ampliar a base STEM significa também ampliar a base de talentos do país. Isso envolve enfrentar desigualdades, permanência e representação ligadas à renda e a disparidades regionais. Vale ressaltar também as desigualdades de gênero. Uma estratégia nacional de formação tecnológica será tanto mais robusta quanto maior for sua capacidade de incorporar inteligências diversas e abrir caminhos para quem ainda participa desse ecossistema de forma desigual.

O Brasil reúne escala, criatividade, capacidade universitária e um mercado relevante. O que falta é tratar a formação científica e tecnológica com a importância e a rapidez que o momento exige. O salto digital brasileiro não virá apenas da adoção de novas soluções importadas. Ele dependerá da construção paciente e ambiciosa de um ecossistema educacional capaz de transformar conhecimento em desenvolvimento, inovação e força nacional. É nessa travessia que as STEM deixam de ser um tema setorial e se afirmam como um dos caminhos necessários para garantir o futuro da soberania digital do país.

Latam reduz voos no Brasil e vê impacto de até US$ 700 milhões com combustível

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Latam reduz voos no Brasil e vê impacto de até US$ 700 milhões com combustível
Foto: Gabriel Magacho/Divulgação Aeroporto da Zona da Mata

Controladora da companhia, a Latam divulgou mais cedo redução na estimativa de lucro para este ano também por causa do custo com combustível.

A Latam Airlines Group reduziu entre 2% e 3% os voos previstos para junho no Brasil em meio à alta dos preços do combustível de aviação, que já levou a companhia a rever projeções e estimar custos adicionais superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre.

Segundo o presidente-executivo da Latam Brasil, Jerome Cadier, os ajustes na malha são pontuais e refletem o encarecimento do querosene e o preço atual das passagens. Ele afirmou que, até agora, não houve cancelamentos significativos de viagens em abril e maio, mas alertou que, se a guerra no Oriente Médio se prolongar, a empresa pode antecipar revisões para o terceiro e quarto trimestres.

De acordo com Cadier, a Latam Brasil está pagando atualmente o dobro por litro de combustível em relação a fevereiro, com alta acumulada de cerca de 100% nos últimos três meses.

“Hoje, aqui no Brasil, a Latam Brasil está pagando o dobro para cada litro de combustível de aviação do que estava pagando em fevereiro deste ano. O aumento acumulado nos últimos 3 meses é de 100%.”

O cenário já aparece nos resultados do grupo. Em balanço divulgado, a Latam reportou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre, com margem operacional ajustada de 19,8% e ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 1,3 bilhão. A companhia transportou 22,9 milhões de passageiros no período, alta de 9,1% na comparação anual, após ampliar a capacidade em 10,4%.

Mesmo com o desempenho positivo, a empresa destacou o impacto da alta do combustível, que já gerou cerca de US$ 40 milhões em custos adicionais no trimestre. Diante da volatilidade, a Latam revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar ebitda ajustado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

A companhia afirmou ainda que pretende compensar parte dos impactos com medidas como ajustes de capacidade, controle de custos e gestão de receitas, além de manter a liquidez acima de US$ 4 bilhões. Apesar do aumento dos preços, a empresa disse não ver risco de desabastecimento nos destinos em que opera.

Fonte: G1

Preços de imóveis saltam 5,63% em 12 meses e superam a inflação; confira as cidades mais caras

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Preços de imóveis saltam 5,63% em 12 meses e superam a inflação; confira as cidades mais caras
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A valorização imobiliária em abril foi abrangente, atingindo 55 das 56 cidades monitoradas pela pesquisa

O mercado imobiliário brasileiro apresentou nova aceleração no mês passado. De acordo com o Índice FipeZAP de Venda Residencial, os preços dos imóveis registraram alta de 0,51% em abril de 2026. O resultado demonstra um ritmo de crescimento superior aos meses de janeiro (+0,20%), fevereiro (+0,32%) e março (+0,48%).

No cenário de 12 meses, o Índice FipeZAP acumula alta de 5,63%, superando tanto o IGP-M/ FGV (+0,61%) quanto a inflação ao consumidor (IPCA), que registrou 4,62% no mesmo período. O comportamento dos preços por tipologia mostra que apartamentos menores têm maior liquidez e valorização: o metro quadrado para um dormitório custa, em média, R$ 11.923, enquanto unidades de dois dormitórios apresentam o menor valor médio, de R$ 8.778.

A valorização imobiliária em abril foi abrangente, atingindo 55 das 56 cidades monitoradas pela pesquisa. No topo do ranking de preços por metro quadrado entre as capitais, Vitória (ES) aparece com o valor mais elevado, cotada a R$ 14.818/m², seguida por Florianópolis (SC), com R$ 13.208/m², e São Paulo (SP), com R$ 12.019/m².

Em contrapartida, Belém (PA) foi a única capital a registrar queda mensal, com recuo de 0,42%. No entanto, a capital paraense ainda ostenta a maior alta acumulada no primeiro quadrimestre de 2026, com avanço de 4,46%. O preço médio ponderado para as 56 cidades brasileiras monitoradas pelo índice encerrou o mês em R$ 9.769 m².

Veja ranking das 20 cidades mais caras

No ranking das cidades com o m² mais caro em abril, Santa Catarina aparece com destaque, com quatro entre as cinco primeiras colocadas.

Foto: Istoé Dinheiro

Foto: Istoé Dinheiro

Niterói aposta em dados, inovação e participação para se tornar referência em resiliência urbana no Brasil

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Segurança Jurídica e Governança Fiscal: Por que o modelo brasileiro de concessões virou referência internacional
Foto: Enviado por Giovani Bernardo

Com tecnologia preditiva, gestão orientada por evidências e destaque no Ranking Connected Smart Cities 2025, município transforma a prevenção de desastres em política estruturante e modelo para outras cidades

Diante do avanço das mudanças climáticas e da intensificação de eventos extremos, cidades brasileiras têm sido desafiadas a repensar suas estratégias de prevenção e resposta a desastres. Em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, uma combinação entre tecnologia de ponta, análise de dados e participação social vem consolidando um novo modelo de resiliência urbana: mais preditivo, integrado e, sobretudo, orientado pela justiça social.

Com 117 comunidades localizadas em áreas de encosta, o município figura entre os territórios mais sensíveis aos impactos de chuvas intensas. Esse cenário, que historicamente expôs desigualdades socioespaciais, tem sido enfrentado com uma abordagem inovadora por meio do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). A principal mudança está na forma de enxergar o território: em vez de mapas tradicionais com áreas irregulares, a cidade passou a adotar uma grade uniforme composta por 6.270 hexágonos, cada um com cerca de 133 metros de lado. Essa espécie de “colmeia digital” permite uma leitura mais precisa e equitativa dos riscos, garantindo que comunidades menores ou historicamente invisibilizadas também sejam priorizadas nas políticas públicas.

Leia mais: Niterói sediará encontro sobre cidades inteligentes em maio 

A inovação, no entanto, não se limita à geometria. O cálculo do risco em Niterói incorpora uma dimensão fundamental: a vulnerabilidade social. A partir de uma metodologia que cruza dados físicos e socioeconômicos, o Índice de Risco é determinado pela relação entre o perigo, identificado por meio de modelos como o SHALSTAB, que analisa a estabilidade do solo, e a vulnerabilidade, medida com base em dados como renda familiar e registros no Cadastro Único. Na prática, isso significa reconhecer que o impacto de um deslizamento não depende apenas da geologia, mas também da capacidade de resposta das populações afetadas.

Essa integração de dados marca uma ruptura com modelos tradicionais de gestão, frequentemente baseados em ações emergenciais. Em vez de atuar apenas após os desastres, o município tem investido em estratégias preventivas, buscando maior eficiência no uso de recursos públicos. Entre as iniciativas, destacam-se as chamadas Soluções Baseadas na Natureza, como a implementação de jardins de chuva, áreas alagáveis construídas e corredores verdes, que ajudam a absorver e desacelerar o fluxo da água, reduzindo a pressão sobre sistemas de drenagem e encostas.

Outro diferencial do modelo adotado em Niterói é a valorização do conhecimento local. Em áreas prioritárias, a prefeitura promoveu mapeamentos participativos, nos quais moradores contribuíram com informações sobre o comportamento das chuvas, o escoamento da água e sinais de instabilidade do solo. O resultado foi uma convergência significativa entre os dados técnicos e a percepção da população, reforçando a importância de integrar ciência e experiência cotidiana na formulação de políticas públicas.

Leia mais: Niterói é primeira colocada no Eixo Economia e Finanças do Ranking Connected Smart Cities 2025

Esse avanço na forma de gerir riscos também se reflete no posicionamento de Niterói entre as cidades mais inteligentes e resilientes do país. No Ranking Connected Smart Cities (CSC) 2025, o município alcançou a 3ª colocação geral, além de figurar em 2º lugar tanto na região Sudeste quanto entre cidades de porte semelhante. O resultado dialoga diretamente com as estratégias adotadas no campo da prevenção de desastres: ao integrar tecnologia, dados territoriais e indicadores sociais, Niterói não apenas aprimora sua capacidade de resposta a eventos extremos, mas consolida um modelo de gestão urbana que articula diferentes dimensões, da infraestrutura à governança, de forma coordenada e orientada por evidências.

Os dados que sustentam esse desempenho ajudam a explicar por que a cidade tem conseguido avançar em soluções inovadoras como a “colmeia” de risco e os sistemas preditivos. Com um PIB per capita elevado, crescimento expressivo no número de empresas e uma gestão fiscal considerada sólida, Niterói dispõe de condições concretas para investir em políticas públicas estruturantes. A destinação de 8% do orçamento para fundos de reserva voltados a desastres, por exemplo, reforça a lógica preventiva que atravessa toda a estratégia municipal.

Leia mais: Niterói conquista terceira posição entre as cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil

Esse protagonismo também se estende ao campo do diálogo e da articulação entre cidades, como demonstra a realização da Reunião Estratégica da Plataforma CSC, marcada para o dia 14 de maio, na Reserva Cultural de Niterói, no Caminho Niemeyer. O encontro reúne especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir planejamento, inovação e qualidade urbana, consolidando o município como um polo de reflexão sobre os desafios contemporâneos das cidades. A programação, que inclui painéis sobre direção estratégica e visão de futuro, economia azul e ecossistema de inovação, além de segurança pública integrada e resiliência urbana, reforça a coerência entre discurso e prática: Niterói não apenas implementa soluções baseadas em dados e participação social, como também se posiciona como espaço de construção coletiva de caminhos para enfrentar a crise climática e reduzir desigualdades urbanas.

Para saber mais sobre a Plataforma CSC, clique aqui.

É seguro usar Wi-Fi público? Entenda os riscos e saiba como se proteger

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É seguro usar Wi-Fi público? Entenda os riscos e saiba como se proteger
Foto: istockphoto/divulgação

Redes de shoppings e aeroportos costumam carecer de equipes de monitoramento, facilitando o roubo de dados e a instalação de softwares maliciosos

Quem nunca precisou usar um Wi-Fi público? Seja em um restaurante, shopping, hospital ou aeroporto, muitas pessoas já passaram pela situação de se conectar a um Wi-Fi que estava disponível ao público. Mas você já parou para pensar se esse tipo de conexão é segura?

“O Wi-Fi público não foi feito para ser seguro, foi feito para ser prático”, disse Laura Barros, vice-presidente de Produtos da EXA, em entrevista à CNN Brasil. “Muitas vezes queremos economizar o 5G ou estamos com o acesso ruim à Internet e usamos o Wi-Fi público.”

Entretanto, a especialista em segurança digital afirma que a rede não foi criada para fornecer a mesma segurança que um Wi-Fi privado oferece aos usuários.

Guilherme Aquino, professor do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), explica que as redes privadas são mais confiáveis porque costumam ter uma equipe dedicada à segurança. “Quando eu estou em um Wi-Fi em uma empresa, por exemplo, tem uma equipe que cuida desse ambiente. Outros espaços normalmente não têm essa equipe: no restaurante, a preocupação é com a comida. Então eles contratam alguém para instalar a Internet e não têm uma equipe olhando para isso”, disse.

Riscos do Wi-Fi público

Sabendo disso, é importante conhecer os perigos que os usuários correm ao se conectar em uma rede pública. Barros explica que existem duas ameaças principais: o usuário se conectar a uma rede falsa ou se conectar a uma rede verdadeira, mas ter sua navegação interceptada e, com isso, criminosos terem acesso aos seus dados.

“Se alguém conseguir interceptar sua navegação, ele passa a ter acesso a tudo que você está fazendo no seu celular ou no notebook. Seu CPF, seu e-mail, seu passaporte ou a foto que você tem no seu celular”, disse Barros.

Além do roubo de credenciais de redes sociais e banco, Aquino acrescenta que criminosos também podem instalar malware nos dispositivos.

Saiba como se proteger

Os dois especialistas concordam que, para se manter seguro, é necessário estar em alerta. “Quando você está num Wi-Fi público, é como se você estivesse em um ambiente potencialmente inseguro, como andar em uma rua escura”, avisa Aquino.

Eles recomendam algumas medidas:

  • Manter o sistema operacional do celular ou do computador atualizado;
  • Usar credenciais fortes (seja a senha do Wi-Fi, de redes sociais, ou outras);
  • Instalar um bom EDR (Endpoint Detection and Response);
  • Ativar um firewall;
  • Usar VPN, que criptografa a navegação do usuário.

Em resumo, os usuários não precisam deixar de usar a rede pública, mas é importante saber quais medidas podem ser adotadas para evitar golpes digitais.

Fonte: CNN Brasil

Dose única: SP amplia vacinação contra dengue para quem tem 59 anos

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Dose única: SP amplia vacinação contra dengue para quem tem 59 anos
Foto: Joao Paulo Burini/Getty Images

O estado de São Paulo amplia o público que pode receber a vacina contra a dengue de dose única do Butantan. A partir de hoje, além dos trabalhadores de UBSs, todos os profissionais de saúde —tanto da rede pública quanto da privada— são elegíveis, além de qualquer pessoa com 59 anos —nem mais nem menos.

O que aconteceu

A SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) liberou a Butantan-DV nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). A partir de hoje, além dos profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal, a imunização também estará disponível para trabalhadores da saúde que atuam em estabelecimentos públicos e privados e qualquer pessoa com 59 anos. Estratégia foca em 1,8 milhão de pessoas. A vacinação contra a dengue também está disponível para adolescentes de 10 a 14 anos, desde 4 de abril de 2024. Para esta faixa etária, a vacinação ocorre em esquema de duas doses com o imunizante QDenga, da farmacêutica Takeda.

Estado aplicou mais de 129 mil doses do imunizante desde fevereiro e recebeu 292 mil unidades do governo federal. Os municípios têm autonomia para criar as próprias estratégias de aplicação.

Secretaria orienta que os postos não apliquem a vacina da dengue junto com outros imunizantes. A regra serve para evitar confusão caso o paciente apresente reações adversas e pode mudar com novas evidências.

Paciente precisa aguardar prazos específicos para tomar outras vacinas. Imunizantes inativados exigem intervalo de 24 horas, enquanto as vacinas atenuadas pedem espera mínima de 30 dias após a dose contra a dengue.

Cenário da doença e eficácia da vacina

Vacina de dose única apresentou eficácia geral de 74,7% e protege contra os quatro sorotipos do vírus. Contra a dengue grave, a proteção chegou a 91,6% no público de 12 a 59 anos, com reações leves.

Instituto Butantan iniciou o recrutamento de voluntários de 60 a 79 anos para novos testes clínicos no Sul do país. O objetivo é conseguir autorização para aplicar a vacina em idosos no futuro, por isso a escolha da faixa etária exata de 59 anos foi estratégica.

Estado de São Paulo registrou 33.877 casos de dengue e 13 mortes até o final de abril de 2026. No ano passado, o território paulista confirmou mais de 885 mil casos e 1.133 óbitos por causa da doença.

Infecção pelo vírus causa sintomas repentinos que duram até sete dias. Os sinais incluem febre alta, dor no corpo, manchas vermelhas, mal-estar e, em casos graves, hemorragia.

Fonte: UOL

Plataforma do BB amplia digitalização na gestão pública

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Plataforma do BB amplia digitalização na gestão pública
Foto: Agência Brasil

Cidade mineira recebe prêmio pan-americano de inovação

Usar a tecnologia como aliada ao combate ao desperdício e à promoção do desenvolvimento sustentável. A digitalização de processos administrativos no serviço público em cidades mineiras começa a mostrar resultados, com redução de consumo de papel, de insumos e de custos operacionais.

Desenvolvida pelo Banco do Brasil (BB) em parceria com a empresa de tecnologia governamental Aprova, a plataforma BB Governo Digital obteve sucesso em Ipatinga (MG). O projeto rendeu reconhecimento internacional ao município, com a conquista da Medalha Pan-Americana da Inovação na Expo BH Cidades Inteligentes, em abril. A iniciativa segue agora para a etapa global, prevista para maio, em Boston, Estados Unidos.

A plataforma integra, em um único ambiente, etapas como análise, autorização, assinatura e cobrança, com foco em eficiência e transparência na gestão pública. Em Ipatinga, que participou do projeto piloto, a administração passou a operar com processos 100% digitais. Documentos que antes circulavam fisicamente entre secretarias agora tramitam online, com recursos de automação, inteligência artificial e rastreabilidade em tempo real.

Além da melhoria na gestão, a digitalização também trouxe impactos ambientais e operacionais relevantes. Com a eliminação do papel, os prazos para as respostas dos processos diminuíram de vários dias para algumas horas ou até minutos, beneficiando a população.

Resultados registrados em Ipatinga:

• 700 mil páginas deixam de ser impressas por mês;

• 42 toneladas de papel economizadas por ano;

• Redução de custos operacionais e de insumos;

• Prazos encurtados: de até 20 dias para poucas horas ou minutos;

• Alinhamento a práticas ESG e sustentabilidade.

Outro ganho para a população foi o fim dos deslocamentos e das filas ao acessar serviços públicos de forma digital. Em Ipatinga, todos os pedidos podem ser abertos e acompanhados pela internet.

Outras cidades

Outras cidades mineiras também registraram ganhos com a plataforma. Em Formiga, a economia mensal chega a R$ 18 mil, além da liberação de 125 horas de trabalho, número que pode alcançar 300 horas por mês. Em Uberaba, a projeção é economia anual de R$ 3,5 milhões e redução de 28 toneladas de papel.

Para a gerente geral de Estratégia de Governo do Banco do Brasil, Michele Azevedo Alencar, a iniciativa reforça o papel da instituição na modernização da administração pública, com uso de tecnologia voltado à eficiência, transparência e melhoria dos serviços ao cidadão.

Com o sucesso na experiência em Minas Gerais, o banco pretende expandir a solução tecnológica a municípios de diferentes portes, aproveitando a presença institucional da instituição financeira em todo o país.

Fonte: Rondônia Dinâmica

Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS

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Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS
Foto: Ministério da Fazenda

Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Quem renegociar a dívida, ficará impedido de fazer apostas online por um ano.

O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o “Novo Desenrola Brasil” também chamado de “Desenrola 2.0”, um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados.

O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.

“Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas.

Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas.

Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos.
A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores (leia mais abaixo).
A medida provisória (MP) do programa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, com previsão de publicação ainda nesta segunda em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para:

  • famílias (estimado em 20 milhões de pessoas)
  • Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) (estimado em 1,5 milhão de pessoas)
  • empresas
  • agricultores rurais (estimado em 800 mil pessoas)

“Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos, vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, credito pessoal, procure seu banco”, afirmou o ministro.

Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.

Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Lula.

Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.

Fonte: G1

Fontes de recurso

O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.

  • Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos.
  • Também será realizado um novo aporte de até R$ 5 bilhões pelo governo.

Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano.

“É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante que façam suas dividas mas não percam de vista suas condições de pagamento”, afirmou Lula durante coletiva.

“Estamos tentando corrigir, e já fizemos outras vezes. Esse país vem se endividando há muito tempo, a Covid também fez as pessoas se endividarem por necessidade mesmo. Estamos tentando uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para respirar normal, voltar a sonhar, e ter o nome limpo na praça”, prosseguiu o presidente.

Endividamento em alta

Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado, do ponto de vista histórico.

Em um ano marcado por eleições, o governo atua para reduzir o comprometimento de renda dos trabalhadores com empréstimos.

“O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito, mais sensível aos movimentos nas taxas de juros e à maior expansão do crédito emergencial, tipicamente com taxas mais elevadas, alcançou nível recorde no quarto trimestre [de 2025]”, informou a instituição, em março.
Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos, corroendo a renda dos trabalhadores: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio.

Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. Desse modo, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos.

O presidente do Banco Central afirmou, naquele momento, que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda — pois essa linha de crédito tem taxas “punitivas”.

Primeiro Desenrola, de 2024

No primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, o que contribuiu para reduzir a inadimplência naquele período.

O programa começou com os principais bancos retirando 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão em débitos.

Também foram feitas negociações das dívidas diretamente pelos bancos credores (Faixa 2 do Desenrola) com pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil.

Essa faixa terminou no fim de dezembro de 2023 e englobou três milhões de pessoas com a negociação de R$ 25,7 bilhões em débitos.

No site do programa, a média de descontos foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados.

O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista; e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.