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ANTT sedia evento com autoridades e especialistas internacionais para debater o presente e futuro das concessões e PPPs na América Latina

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ANTT sedia evento com autoridades e especialistas internacionais para debater o presente e futuro das concessões e PPPs na América Latina
Foto: Divulgação

Evento destaca avanços no setor em toda américa latina, na integração regulatória e segurança jurídica

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) será a anfitriã, no próximo dia 28 de abril, do Fórum Latino-Americano de Reguladores de Transportes de P3C – PPS e Concessões. Ao longo do dia, o auditório da Agência receberá representantes de órgãos reguladores, especialistas e lideranças para um diálogo estratégico voltado ao aprimoramento das concessões e parcerias público-privadas (PPPs) na região. O Evento é realizado pela ANTT e P3C.

Com o tema “Regulação, Integração e Previsibilidade: Diálogos entre Reguladores da América Latina”, o evento reforça o papel da ANTT como espaço de articulação técnica e institucional para o desenvolvimento do setor de transportes. A iniciativa ganha ainda mais relevância em um contexto de expansão dos investimentos em infraestrutura, aumento da complexidade contratual e necessidade de maior coordenação entre países.

A programação contará com a presença de nomes de destaque do cenário nacional e internacional. Entre eles, o Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, e o diretor da Agência Felipe Queiroz, que participam das discussões ao lado de autoridades como o ministro dos Transportes, George Santoro. A agenda também reúne lideranças de outras agências reguladoras e entidades, como Frederico Dias (ANTAQ), Tiago Faierstein (ANAC) e diretores de agências reguladoras do Peru, Chile e Colômbia, além de representantes do mercado e da academia, como Cláudio Frischtak (Inter B Consultoria), Marcos Siqueira (BID).

Ao sediar o encontro, a ANTT amplia sua atuação como protagonista no fortalecimento do ambiente regulatório, promovendo a troca de experiências entre países e incentivando a construção de soluções conjuntas para desafios comuns. A expectativa é que o diálogo contribua para maior segurança jurídica, previsibilidade e eficiência nos projetos de infraestrutura, aspectos essenciais para atrair investimentos e garantir melhores serviços à população.

Cooperação entre setor público e privado

O evento integra a agenda do P3C – PPPs e Concessões, iniciativa voltada à promoção da cooperação entre setor público e privado. Durante o encontro, os participantes irão compartilhar experiências práticas, discutir modelos regulatórios e analisar caminhos para a evolução dos contratos de longo prazo.

Como resultado, será elaborado um documento consolidado com os principais encaminhamentos e aprendizados das discussões. O material deverá servir como referência para o aperfeiçoamento contínuo das práticas regulatórias na América Latina, ampliando o impacto das reflexões realizadas em Brasília.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma Sympla. Inscreva-se aqui.

Serviço

Data: 28 de abril

Local: Auditório da ANTT – SCES, trecho 3, lote 10, Projeto Orla Polo 8, Brasília (DF)

Horário: 13h às 18h

Fonte: Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT

Expansão do Clube de Parceiros CSC fortalece o ecossistema de cidades inteligentes com 16 reuniões estratégicas pelo Brasil

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Expansão do Clube de Parceiros CSC fortalece o ecossistema de cidades inteligentes com 16 reuniões estratégicas pelo Brasil
Foto: Gerada por IA/ Gemini

Iniciativa conecta líderes do setor público e privado em todas as regiões do país para acelerar soluções de inovação e infraestrutura urbana

O cenário da inovação nas cidades do Brasil ganha um novo fôlego com a estruturação da agenda anual de Reuniões Regionais Estratégicas pelo país, dando origem ao Clube de Parceiros CSC, uma iniciativa que se consolida como um hub de colaboração de alto impacto. Reunindo empresas e organizações comprometidas com a aceleração do desenvolvimento tecnológico e social dos municípios, o Clube se prepara para uma jornada extensiva em 2026, com a realização de 16 Reuniões Estratégicas Regionais que percorrerão todas as regiões do país. Este calendário robusto visa descentralizar o debate sobre cidades inteligentes, levando especialistas, soluções e investimentos para além dos grandes eixos e permitindo que as particularidades de cada estado brasileiro sejam ouvidas e atendidas de forma personalizada.

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O grande diferencial desses encontros está na criação de um ambiente de proximidade inédito entre o setor privado e o poder público. Para as empresas participantes, as reuniões representam uma janela de visibilidade qualificada e a oportunidade de conexão direta com secretários municipais e tomadores de decisão locais. Esse diálogo frente a frente é essencial para que as demandas por mobilidade, sustentabilidade, infraestrutura e inovação deixem de ser apenas conceitos teóricos e se transformem em projetos viáveis e executáveis. Ao fortalecer essa rede, o CSC promove um intercâmbio de experiências onde o governo apresenta suas dores e o mercado oferece as ferramentas necessárias para elevar a qualidade de vida do cidadão.

Entre os protagonistas desse movimento está a TEVX, que ocupa a categoria Master do clube. Com foco na criação de cidades mais silenciosas, conectadas e com ar limpo, a empresa exemplifica como a tecnologia de mobilidade pode ser o motor de uma infraestrutura inteligente. Cadu Cardoso, CEO da TEVX, reforça o valor estratégico dessa articulação ao destacar a longevidade e a profundidade do trabalho realizado: “É uma parceria em que de fato a gente consegue construir uma relação entre empresa e administração pública, além de trazer o conhecimento da NECTA para transformar as ideias, as necessidades dos cidadãos, aqueles problemas e aquelas oportunidades identificadas em um projeto concreto”.  

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Somando forças a esse ecossistema, a categoria Standard traz nomes como a Geopixel, que ataca gargalos específicos da gestão pública, atuando na inteligência de dados por meio de soluções de GIS e TI, permitindo que prefeituras tomem decisões baseadas em fatos mensuráveis, o que otimiza a arrecadação e a eficiência dos processos internos.

Diante desse cenário de transformação, o Clube de Parceiros CSC reafirma que o futuro das cidades não é construído isoladamente, mas sim por meio de uma coalizão entre aqueles que detêm a tecnologia e aqueles que gerem o bem comum. A agenda das 16 reuniões regionais em 2026 oferece um terreno fértil para empresas que buscam não apenas vender produtos, mas se posicionar como parceiras estratégicas na modernização do Estado brasileiro. Participar desta rede significa estar na vanguarda do setor, garantindo uma cadeira à mesa onde as políticas públicas de inovação são debatidas e as parcerias público-privadas ganham forma.

Para organizações que acreditam no poder da colaboração e desejam ampliar sua capilaridade no mercado governamental, o Clube de Parceiros CSC abre suas portas. Integrar esse grupo é a oportunidade de converter visão técnica em impacto social real, conectando marcas a uma rede de influência que entende que o progresso urbano depende de soluções integradas. Empresas interessadas em impulsionar este ecossistema e garantir visibilidade em todos os cantos do país podem se juntar ao clube e fazer parte da próxima etapa de evolução das cidades brasileiras.

Para saber mais, clique aqui.

Cidades + Inteligentes: edital vai selecionar mais 20 municípios para estratégias digitais e sustentáveis

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Cidades + Inteligentes: edital vai selecionar mais 20 municípios para estratégias digitais e sustentáveis
Foto: Júlio César Santos/TV Globo

Está aberto o edital de Seleção Pública SNDUM nº 01/2026 do Ministério das Cidades, que vai selecionar 20 municípios ou consórcios públicos municipais para receber assessoria técnica especializada no âmbito do Projeto Cidades + Inteligentes. A iniciativa é realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Os selecionados contarão com suporte técnico e metodológico de uma Rede de Suporte Acadêmico, formada por instituições de referência em diferentes regiões do país. O objetivo é apoiar a elaboração de estratégias locais de Transformação Digital Urbana, contribuindo para a implementação de políticas públicas mais eficientes, sustentáveis e alinhadas aos desafios climáticos. 

A rede de apoio é composta pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), na região Norte; Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Nordeste; Universidade Federal de Goiás (UFG), no Centro-Oeste; Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no Sudeste; além da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da UFRGS, que atuam na região Sul. 

O projeto busca fortalecer a atuação dos gestores públicos na identificação e superação de desafios em áreas como governança, mobilidade inteligente, adaptação climática e segurança de dados, promovendo soluções inovadoras para melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras. 

Critérios de seleção 

Para garantir a diversidade de realidades urbanas, o edital prevê a distribuição regional das vagas: serão selecionadas 3 propostas nas regiões Norte e Centro-Oeste4 no Nordeste e 5 nas regiões Sul e Sudeste. 

Também serão contemplados municípios de diferentes portes populacionais, permitindo a aplicação das metodologias em contextos variados. 

A seleção considerará critérios técnicos, como a qualidade da proposta apresentada, o nível de maturidade em transformação digital, o ecossistema local de inovação e a proximidade com polos da Rede de Suporte Acadêmico. 

Ao final do processo, será elaborado um guia com orientações para apoiar outras cidades brasileiras na implementação das iniciativas. 

Vale destacar que a participação no projeto não envolve transferência de recursos financeiros diretos. O principal benefício é o acesso ao conhecimento técnico e científico das instituições parceiras. 

Como participar 

As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 8 de maio de 2026, por meio de formulário eletrônico.

Os interessados devem apresentar: 

  • proposta técnica de trabalho, com detalhamento da equipe;  
  • documentos que comprovem a maturidade em transformação digital e inovação;  
  • carta de compromisso assinada pelo prefeito ou representante legal. 

Acesso o edital completo aqui 

Fonte: Ministério das Cidades

O problema não é falta de dinheiro. É falta de método.

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O problema não é falta de dinheiro. É falta de método.
Foto: Enviada por Paula Consalter Campos

A crise fiscal que vai apertar as prefeituras em 2026 não se resolve com cortes lineares. Resolve-se com inteligência de dados e articulação entre os atores que toda cidade já possui ao seu redor.

Quando se fala em inovação no Brasil, o olhar vai naturalmente para o setor privado. Fintechs, startups, inteligência artificial transformando como compramos, trabalhamos, cuidamos da saúde. É uma transformação real — e visível.

Mas há outra inovação acontecendo em paralelo, menos barulhenta e potencialmente mais decisiva para o cotidiano de quem vive nas cidades. É a inovação na gestão pública municipal.

O paradoxo é que o conhecimento para fazê-la já existe. Nas universidades, nos institutos de pesquisa, nas organizações da sociedade civil — todos os dias, alguém no Brasil estuda como governar melhor, gastar com mais eficiência, articular parceiros com mais inteligência.

E mesmo assim, 80% dos gestores municipais chegam a 2026 com a crise financeira como principal obstáculo. Vinte e nove por cento encerraram 2025 com atraso no pagamento de fornecedores. Setenta e seis por cento das prefeituras operam com gestão ineficaz.

Academia e gestão pública vivem, cada uma no seu mundo, como ilhas de excelência desconectadas do continente da realidade.

O problema não é falta de dinheiro. É falta de método para conectar o que já existe.

Um país de municípios 

O Brasil tem mais de 5.500 municípios. Noventa e quatro por cento deles têm menos de 100 mil habitantes e dependem fortemente de transferências federais para funcionar. O BID calculou, em 2019, que o país perde 3,9% do PIB — cerca de US$ 68 bilhões por ano — em gastos públicos ineficientes. Para a maioria das prefeituras, não há folga orçamentária que absorva ineficiência — e não há tempo para esperar que o conhecimento chegue sozinho.

A resposta tradicional diante da pressão fiscal é o corte linear. Reduz-se tudo igualmente, sem critério, sem distinção entre o que funciona e o que desperdiça. A escola mais eficiente do município recebe o mesmo corte da mais cara. A unidade de saúde que atende o dobro da demanda com metade do custo perde recursos junto com a que tem estrutura ociosa. O resultado é sempre o mesmo: serviço pior para quem mais precisa, e nenhuma ineficiência corrigida.

É uma resposta que apaga incêndio sem entender a causa.

E é por isso que a escassez — ao contrário do que a intuição sugere — não precisa ser apenas um freio. Pode ser o que impulsiona soluções criativas.

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O que o Estado moderno precisa aprender

Em janeiro de 2026, o Ministério da Gestão e o PNUD lançaram o relatório “Futuros do Brasil: Sinais de Transformação”. Construído com mais de 500 especialistas, gestores e lideranças comunitárias de todas as regiões do país, o documento mapeou tendências críticas para o Brasil até 2035.

Um dos achados centrais é o Potencial de Inovação em Governança — apesar dos desafios institucionais, surgem iniciativas em todo o Brasil gerando impacto real sem aumento proporcional de orçamento. A conclusão é clara: o Estado moderno não é apenas aquele que reage bem às crises. É aquele que antecipa, planeja e constrói capacidade de entrega antes de ser forçado a cortar.

Essa distinção é o que separa a gestão que transforma da gestão que apenas sobrevive.

Duas frentes, um mesmo propósito

A inovação na gestão pública pode operar por dois caminhos complementares.

O primeiro é a inteligência de gasto. Saber, com precisão, onde cada real é aplicado e qual resultado produz. Os sistemas contábeis municipais registram despesas por secretaria e por natureza — lógica correta para prestação de contas, insuficiente para decisão. O prefeito sabe quanto a Educação gastou com energia elétrica; não sabe qual escola consome o dobro da média, nem o custo real por aluno de cada unidade. Sem esse dado, o corte será sempre cego.

Quando o gestor enxerga o custo por unidade operacional — escola, unidade de saúde, unidade de assistência social — as possibilidades mudam. O corte deixa de ser linear e passa a ser cirúrgico. Preserva-se onde há resultado. Corrige-se onde há desperdício estrutural.

O segundo caminho é a governança colaborativa. Entender que cada secretaria não pode operar como uma ilha isolada, mas como um arquipélago conectado — pontes de escuta, cooperação e propósito comum, reunindo universidades, setor privado, governo federal, organismos internacionais e sociedade civil em torno de objetivos que nenhum ator conseguiria entregar sozinho.

Mais do que governar, articular.

Essa não é tese abstrata. Há um município de fronteira em Mato Grosso do Sul que decidiu testá-la na prática — e os resultados começaram a aparecer.

Ponta Porã: onde os números falam

Ponta Porã é município de fronteira. Não tem orçamento de capital, mas tem posição geográfica única: integra com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, uma conurbação internacional de 215 mil pessoas, abriga o segundo aeroporto mais movimentado do estado e está na rota de expansão logística sul-americana. Decidiu tratar essa posição como ativo, não como destino.

E decidiu inovar — de forma estruturada.

O NIPE — Núcleo de Inovação e Planejamento Estratégico — foi criado por lei municipal no final de 2023 e implantado efetivamente em 2024. É o centro de inteligência e articulação do município: planeja, capta recursos e costura projetos de forma transversal, conectando secretarias e parceiros em torno de objetivos concretos.

Sua arquitetura combina conselho estratégico, escritório de projetos, centro de inteligência de dados e grupos temáticos, com portfólio alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à Carta Brasileira para Cidades Inteligentes.

É governança orientada por evidências e articulação em rede, conectando planejamento, captação e entrega de forma integrada. Quando criamos o NIPE, a pergunta que guiava cada decisão era simples: como fazer o conhecimento que existe ao nosso redor chegar a quem precisa? Os resultados começaram a responder.

No Assentamento Itamarati, um dos maiores da América Latina, com mais de 50 mil hectares e população em situação de alta vulnerabilidade social, Ponta Porã desenvolve desde 2017 o Centro de Desenvolvimento Rural, em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados. A rede construída ao redor do projeto inclui Itaipu Binacional, Embrapa, CNPq, CAPES, Instituto Federal de Mato Grosso do Sul, Agraer e parcerias internacionais.

Os resultados são verificáveis: 83 projetos executados, equipe de 60 profissionais de diferentes áreas do conhecimento, cinco bolsistas de produtividade do CNPq — a modalidade mais competitiva do sistema brasileiro de pesquisa —, 372 visitas técnicas ao assentamento em dois anos, cobertura de 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. E pelo menos 8.722 pessoas impactadas diretamente.

O projeto agora ganha ancoragem física: o Casarão de Itamarati está sendo estruturado como Complexo de Formação em Bioeconomia e Inovação para a Agricultura Familiar — no modelo das hélices da inovação, que articula universidade, empresas, governo, sociedade civil, território, cultura, jovens e idosos como forças ativas do desenvolvimento regional.

O município entrou com o convênio inicial, a articulação e a estrutura de campo. O conhecimento, a pesquisa e parte significativa dos recursos vieram de fora — de parceiros que encontraram em Ponta Porã um ambiente sério o suficiente para investir.

Não foi coincidência. Foi método.

Outro exemplo está no Grupo Binacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres na Fronteira. Em sete meses, o NIPE saiu de uma reunião inaugural com dezesseis órgãos — polícia civil e militar, Ministério Público, Tribunal de Justiça, OAB, Defensoria, CREAS, Bombeiros, secretarias municipais, Câmara e a Delegacia de Atendimento à Mulher de Pedro Juan Caballero — para a assinatura, em outubro de 2025, de uma Carta de Intenção firmada pelo Município, pelo Estado de Mato Grosso do Sul e pelo Governo do Paraguai via Consulado.

Sete meses entre uma reunião técnica e um instrumento intergovernamental transfronteiriço é o tipo de velocidade que a gestão pública brasileira raramente entrega. Quando entrega, é porque há método — não improviso.

O mesmo método sustentou outras entregas. O Parque Tecnológico Internacional (PTIn), que abriga o CEIMPP — Centro de Cultura, Empreendedorismo, Inovação e Memória do Tereré — como seu núcleo de inovação de impacto social, foi viabilizado por uma combinação de convênios com governo federal e estadual, recursos captados junto à Itaipu Binacional, universidades parceiras e o Sistema S. O conjunto opera como polo de integração entre universidades, setor produtivo e ecossistema de inovação fronteiriço. Cada ator entrou com o que tinha de melhor. O município entrou com articulação, intencionalidade e governança.

E o horizonte já está desenhado. A inteligência em governança esteve em virar a lógica: onde a faixa de fronteira costuma ser inventário de dificuldades, passou a ser mapa de oportunidades. O município se posicionou na Rota de Integração Latino-Americana e no Corredor Bioceânico de Capricórnio, que une Atlântico e Pacífico. A conurbação binacional de 215 mil pessoas virou mercado integrado: Lei Maquila paraguaia, incentivos de ICMS brasileiros, operadores industriais já instalados dos dois lados. 

De cidade de fronteira, Ponta Porã passou a atuar como fronteira de oportunidades.

O que uma cidade inteligente realmente é

Uma cidade inteligente não é a cidade com mais sensores ou com o dashboard mais bonito. É a cidade que sabe onde cada real vai. Que articula o que existe ao redor — academia, mercado, governo, comunidade. Que orienta cada decisão por evidências e por um propósito coletivo claro.

O que o relatório PNUD identificou como potencial de inovação em governança é exatamente isso: gestões que, em contexto de restrição fiscal, criaram capacidade de entregar mais. Não porque tiveram mais dinheiro. Porque fizeram mais com o que tinham — e atraíram o que não tinham.

Esse modelo é replicável. Não exige ser capital. Não exige orçamento de metrópole. Exige visão estratégica, estrutura de governança e disposição para articular — em vez de tentar resolver tudo sozinho.

O futuro das cidades brasileiras não será definido pelo tamanho do orçamento, mas pela capacidade de estruturar inteligência pública, articular atores e transformar conhecimento em decisão.

Prefeituras que cortam no escuro vão terminar 2026 como começaram: ilhas. As que construírem pontes — entre secretarias, entre saberes, entre atores — vão atravessar a crise com capacidade de entrega intacta.

A diferença é método.

Apagão de mão de obra em energia exige estratégia de formação e inclusão

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Apagão de mão de obra em energia exige estratégia de formação e inclusão
Foto: REUTERS/Manon Cruz

O debate sobre o chamado apagão de mão de obra no Brasil já não é novidade. Mas, no setor de energia, talvez ainda falte nomear com precisão o que está por trás desse fenômeno. Não se trata apenas de falta de profissionais. Trata-se, sobretudo, de uma desconexão crescente entre formação, oportunidade e as novas exigências do mundo do trabalho.

O paradoxo é evidente. De um lado, empresas enfrentam dificuldade para preencher posições críticas, acelerar processos de sucessão e formar novas lideranças. De outro, o país ainda convive com milhões de jovens fora da escola, do emprego e da qualificação. Segundo o IBGE, em 2024, 18,5% dos jovens de 15 a 29 anos estavam nessa condição — um contingente que evidencia o tamanho do desafio.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho passa por uma transformação acelerada. O Fórum Econômico Mundial estima que, até 2030, cerca de 39% das habilidades dos trabalhadores precisarão ser atualizadas. No setor de energia, essa pressão é ainda mais intensa. A combinação entre transição energética, digitalização e incorporação de novas tecnologias exige profissionais com competências que ainda não estão sendo desenvolvidas na escala necessária.

Esse cenário é agravado por um fator estrutural: o envelhecimento da força de trabalho. Parte significativa dos profissionais da indústria de petróleo, gás e energia deve se aposentar nos próximos anos, levando consigo conhecimento crítico acumulado ao longo de décadas. Ao mesmo tempo, a reposição desses talentos não ocorre no mesmo ritmo, nem com o mesmo nível de aderência às novas demandas do setor.

O apagão de mão de obra, portanto, não é apenas quantitativo. Ele é também qualitativo, estrutural e geracional. A própria percepção sobre carreira e liderança está em transformação. Uma pesquisa da Robert Walters mostra que 52% dos profissionais da geração Z não têm interesse em ocupar cargos de média gerência, enquanto 69% associam essas posições a alto estresse e baixa recompensa. Ainda assim, 89% das empresas consideram essa camada essencial para o funcionamento das organizações. O desafio, portanto, não é apenas atrair talentos, mas redesenhar trajetórias para que elas façam sentido para as novas gerações.

Diante desse contexto, a formação de talentos deixa de ser uma responsabilidade exclusiva do sistema educacional e passa a ser uma agenda estratégica da própria indústria. É necessário aproximar, de forma mais estruturada, empresas, instituições de ensino e jovens profissionais, criando caminhos mais claros, acessíveis e alinhados às necessidades reais do setor.

Iniciativas como o programa Ziga, da UnIBP, apontam caminhos concretos nesse sentido. O Ziga é um programa estruturado de diversidade voltado à formação e inserção de profissionais negros no setor de energia, combinando capacitação técnica, desenvolvimento de competências comportamentais e conexão direta com empresas. Seu propósito é atuar de forma intencional sobre uma das principais lacunas do mercado, que é o acesso desigual às oportunidades de qualificação e entrada no setor. Ao preparar esses profissionais para demandas reais da indústria e aproximá-los de processos seletivos e redes corporativas, o programa não apenas promove inclusão, mas amplia de forma concreta e qualificada o pipeline de talentos disponível. Nesse contexto, o Ziga se posiciona como uma alternativa prática ao apagão de mão de obra, ao ativar um contingente relevante de profissionais que historicamente ficou fora das estratégias tradicionais de recrutamento e formação.

Essa lógica também se reflete em iniciativas voltadas à formação técnica e à inserção profissional. O Programa Offshore do Futuro, também desenvolvido pela UnIBP com apoio da indústria, é um exemplo dessa abordagem. Voltado à capacitação prática e teórica de profissionais para atuação offshore, o programa já apresenta resultados relevantes, com mais de 80% dos participantes inseridos no mercado de trabalho. Esse tipo de iniciativa demonstra que, quando há alinhamento entre formação e demanda real, a resposta do mercado é imediata.

No setor de energia, esse movimento não é apenas desejável, é indispensável. A crescente complexidade dos projetos, a pressão por eficiência, segurança e sustentabilidade e a integração entre diferentes fontes de energia exigem profissionais mais preparados, adaptáveis e capazes de atuar em ambientes de alta exigência técnica e estratégica.

Sem uma ação coordenada, o risco é claro: continuar convivendo com empresas que não conseguem preencher suas vagas e, ao mesmo tempo, com profissionais que não encontram caminhos para ingressar no setor. Superar esse desafio exige mais do que abrir oportunidades. Exige construir pontes entre educação e indústria, entre diversidade e empregabilidade, e entre o presente e o futuro do trabalho no setor de energia.

Fonte: CNN Brasil

P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza

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P3C Regional Nordeste impulsiona infraestrutura e atração de investimentos em Fortaleza
Foto: Divulgação

Com foco em energias renováveis, saneamento e parcerias público-privadas, evento reúne lideranças dos nove estados para debater o desenvolvimento que impacta mais de 56 milhões de brasileiros 

O Nordeste brasileiro reafirma sua posição estratégica no cenário econômico nacional com a realização do P3C Regional Nordeste, que acontece no dia 3 de julho de 2026, em Fortaleza. O Centro de Eventos do Ceará, localizado na Avenida Washington Soares, serve como sede para este encontro decisivo que reúne representantes dos nove estados da região para debater o futuro da infraestrutura e dos serviços públicos. O evento foca no imenso potencial de desenvolvimento regional, visando beneficiar diretamente mais de 56,4 milhões de pessoas, o que representa quase 27% da população do país. Com uma estrutura robusta composta por quatro palcos simultâneos, mais de 60 palestrantes e 12 painéis temáticos, o P3C se consolida como um ecossistema de peso para a geração de negócios e fomento de parcerias público-privadas (PPPs).

Leia mais: P3C 2026 reúne líderes públicos e privados para aprimorar modelos de PPPs e concessões no Brasil

A programação oficial tem início às 9h com uma plenária de abertura conduzida por Paula Faria, idealizadora do P3C, e Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste (BNB), contando ainda com a presença do governador Elmano de Freitas e do prefeito Evandro Leitão. O debate inicial estabelece o tom do evento, sublinhando como a combinação entre logística, energia renovável e ativos públicos estruturantes pode acelerar a atração de investimentos e a geração de empregos. Ao longo do dia, o Palco 1 dedica-se a temas cruciais como a iluminação pública inteligente, vista como a porta de entrada para as smart cities, e o protagonismo nordestino na geração eólica e solar. Especialistas discutem não apenas a produção de energia, mas os desafios de armazenamento em baterias e a expansão da infraestrutura digital por meio de data centers, que encontram na região um território fértil e seguro para crescimento.

Leia mais: P3C Regional Nordeste reuniu lideranças e reforçou o potencial da região em PPPs e Concessões

Paralelamente, o Palco 2 foca na mobilidade e logística, abordando desde o reequilíbrio de concessões rodoviárias até a eficiência dos portos e aeroportos, com destaque para o papel do Porto do Pecém na competitividade global. O saneamento básico também recebe atenção especial, tratando da universalização dos serviços de água e esgoto sob o novo marco legal, especialmente em áreas de menor densidade populacional. No Palco 3, a discussão se volta para o impacto social e ambiental, abrangendo a gestão de resíduos sólidos e as inovadoras PPPs sociais voltadas para a educação infantil e a saúde. Secretários de capitais como Recife, Natal, Salvador e Fortaleza compartilham experiências sobre como a gestão privada pode modernizar creches e hospitais, garantindo maior eficiência no atendimento à população.

Leia mais: Recife avanã em inovação e é a principal referência de cidade inteligente no Nordeste

Enquanto isso, o Palco 4 mergulha nas questões técnicas e financeiras que sustentam esses projetos de longo prazo. Painéis sobre descarbonização, gestão de riscos contratuais e o papel das instituições financeiras públicas, como o BNB e o BNDES, oferecem aos investidores e gestores públicos um panorama detalhado sobre mecanismos de garantia e financiamento. Além das discussões teóricas, o evento oferece uma área de exposição com tecnologias inovadoras, rodadas de negócios e workstation, criando um ambiente propício para que o pipeline de projetos de estados e municípios saia do papel. O P3C Regional Nordeste encerra suas atividades com a certeza de que a colaboração entre os setores público e privado é o motor necessário para transformar as carências históricas da região em oportunidades de desenvolvimento sustentável e próspero.

Para saber mais sobre o encontro, clique aqui

Prazo para tirar e regularizar título de eleitor vai até 6 de maio

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Prazo para tirar e regularizar título de eleitor vai até 6 de maio
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

Primeiro turno das eleições 2026 será realizado no dia 4 de outubro

Os eleitores têm até o dia 6 de maio para tirar o título de eleitor, atualizar dados cadastrais, transferir o domicílio eleitoral ou regularizar pendências na Justiça Eleitoral.

Quem estiver com o título cancelado ou com alguma pendência não poderá votar nas eleições deste ano. O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro.

Quem precisa tirar o título?

O voto é obrigatório para quem tem acima de 18 anos de idade. É facultativo para pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos. Estrangeiros e cidadãos em serviço militar obrigatório não podem se alistar para votar.

Como posso solicitar o título de eleitor?

Veja as formas de solicitação:

  • Autoatendimento Eleitoral: disponível no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE);
  • Cidadão pode ir a um cartório eleitoral ou postos de atendimento da Justiça Eleitoral.

O TSE alerta que aqueles que optarem pelo atendimento on-line precisam ir a um cartório ou posto de atendimento para a coleta da biometria.

Confira os documentos necessários para tirar o título:

  • Documento oficial de identificação com foto (carteira de identidade, carteira de trabalho ou passaporte);
  • Comprovante de residência recente;
  • Comprovante de quitação do serviço militar para homens que completam 19 anos no ano do alistamento.
  • É importante que o documento de identificação permita a comprovação da nacionalidade brasileira e contenha foto.

Fonte: Agência Brasil

SP inaugura quatro novos centros de pesquisa voltados à inclusão e à acessibilidade

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SP inaugura quatro novos centros de pesquisa voltados à inclusão e à acessibilidade
Foto: Lyubov Ivanova/Getty Images

Iniciativas articulam universidades e governo para desenvolver soluções aplicadas voltadas a pessoas com deficiência

Um workshop realizado na quinta-feira, dia 9 de abril, na cidade de São Paulo, marcou o início das atividades de quatro Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), aprovados na mais recente chamada da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e que contemplam diferentes frentes relacionadas à inclusão e à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.

A iniciativa é fruto de uma articulação entre a Fapesp e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) com o objetivo de aproximar a produção científica de demandas concretas da sociedade, com impacto potencial sobre políticas públicas e serviços voltados à população.

O encontro foi realizado no auditório da SEDPcD, na capital paulista, e reuniu representantes de instituições públicas, empresas e organizações da sociedade civil envolvidas com o tema.

Segundo o secretário da pasta, Marcos da Costa, os projetos chegam para preencher lacunas enfrentadas pela população com deficiência: “Há três anos, demos início a uma iniciativa inédita ao reconhecer o potencial das universidades para enfrentar uma demanda urgente: hoje, são cerca de 3 milhões de pessoas no Estado de São Paulo e aproximadamente 15 milhões no Brasil que precisam de tecnologia assistiva e ainda não encontram soluções nacionais que lhes garantam apoio com dignidade. Ao apostar naquilo que o País tem de melhor, que são seus pesquisadores e cientistas, estruturamos uma rede de centros e ações que já começa a gerar resultados concretos, do desenvolvimento de novas próteses a aplicações de inteligência artificial. Nossa expectativa é que os novos centros avancem com a mesma intensidade, contribuindo para ampliar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com deficiência”.

Três dos centros apresentados são sediados na USP. Um deles, a Plataforma Aberta de Jogos Adaptativos para Educação Inclusiva, prevê o desenvolvimento de uma ferramenta digital voltada a estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental da rede pública paulista. A proposta utiliza inteligência artificial para ajustar, em tempo real, o conteúdo ao perfil de cada aluno, com atenção especial a estudantes neurodivergentes, especialmente aqueles com transtorno do espectro autista (TEA). O pesquisador responsável é Carlos Bandeira de Mello Monteiro, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) que, no evento, chamou a atenção para o aumento exponencial que vem ocorrendo na quantidade de pessoas diagnosticadas com neurodivergências: “Estamos caminhando para um futuro em que uma a cada sete crianças será diagnosticada no espectro, exigindo muito mais diversidade e individualidade nas salas de aula”, afirmou.

Outro projeto, o Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPODV), tem como foco a ampliação da inclusão social, educacional e profissional de pessoas com deficiência visual. A iniciativa prevê o desenvolvimento de tecnologias assistivas, além da produção e disseminação de conhecimento para reduzir barreiras de acesso. A pesquisadora responsável, Maria Célia Pereira Lima Hernandes, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), destacou a importância de um projeto como este diante da quantidade de pessoas com deficiência visual na sociedade: “Trata-se da deficiência com maior incidência na população. No entanto, os cegos estão longe de estarem incluídos e presentes em todos os tipos de ambientes”.

Também foi apresentado o Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpico e Paradesportivo: saúde, formação, alto desempenho e tecnologia (CMEPP), que reúne pesquisadores de diferentes áreas para atuar no desenvolvimento do paradesporto e do esporte paralímpico. A proposta considera tanto os benefícios físicos da prática esportiva quanto seus impactos na saúde mental, no bem-estar e na qualidade de vida. O pesquisador responsável é José César Rosa Neto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB). “Esperamos gerar impacto significativo no paradesporto a partir de quatro eixos: saúde, formação, alto desempenho e tecnologia. Vamos conduzir pesquisas para entender a relação entre a atrofia muscular associada à deficiência e o sistema imunológico, além de avaliar como o treinamento físico influencia respostas inflamatórias, hormonais e metabólicas em pessoas com deficiência. Também vamos analisar condições socioambientais para subsidiar políticas públicas mais eficazes de inclusão”, explicou o professor.

“Sinto-me honrado por participar deste momento, que marca o lançamento de novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento concebidos a partir de demandas concretas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Trata-se de um avanço importante no modelo de fomento à pesquisa, ao aproximar universidades, gestores públicos, setor produtivo e organizações da sociedade civil na construção de soluções colaborativas voltadas a desafios reais do Estado de São Paulo. Os centros assumem o compromisso de, em até cinco anos, produzir resultados relevantes tanto para o avanço do conhecimento quanto para a melhoria de políticas públicas, especialmente nas áreas de acessibilidade e inclusão. Ao integrar diferentes perspectivas e competências, a iniciativa busca desenvolver tecnologias que ampliem a autonomia, a cidadania e a qualidade de vida das pessoas com deficiência, promovendo uma cultura efetiva de inclusão e fortalecendo os valores democráticos”, celebrou o reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado.

A quarta iniciativa, chamada Centro de Tecnologia Assistiva e Inclusão Escolar (CTAIE), é desenvolvida pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e tem como foco a tecnologia assistiva aplicada à educação. O projeto é coordenado pela professora Maria Cecília Martinelli e pretende identificar e mapear demandas de acessibilidade na rede pública de ensino e desenvolver soluções com o uso de inteligência artificial e impressão 3D, com o objetivo de apoiar estudantes com deficiência ou dificuldades de aprendizagem.

O que são os CCDs da Fapesp

Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) são uma modalidade de financiamento da Fapesp voltada à produção de conhecimento com aplicação direta em problemas sociais relevantes. Os projetos são estruturados a partir da colaboração entre universidades, órgãos públicos e outros parceiros, com foco na implementação de soluções.

Diferentemente de iniciativas acadêmicas tradicionais, os CCDs buscam integrar pesquisa, desenvolvimento tecnológico e políticas públicas desde o início. Isso permite que os resultados tenham maior potencial de impacto concreto, seja na formulação de políticas, seja na oferta de serviços à população.

Os centros operam em rede e envolvem equipes multidisciplinares, reunindo especialistas de diferentes áreas para enfrentar desafios complexos, como inclusão educacional, acessibilidade e saúde. A proposta é reduzir a distância entre a produção científica e sua aplicação prática, ampliando o alcance social do conhecimento gerado.

O presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, pontuou que se trata de uma das vertentes que representam a robustez paulista no campo da pesquisa: “É importante destacar que iniciativas como esta só são possíveis porque o Estado de São Paulo mantém, há décadas, uma política consistente de investimento em ciência, tecnologia e ensino superior, com aportes expressivos que não encontram paralelo em outros contextos. Ao mesmo tempo, chama atenção a atuação da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que tem direcionado esforços para áreas capazes de gerar impacto concreto na vida das pessoas. Nesse cenário, os Centros de Ciência para o Desenvolvimento representam um modelo inovador, construído a partir de demandas reais do poder público e desenvolvido em parceria com a comunidade acadêmica. Hoje já são dezenas de centros em funcionamento, reunindo universidades, institutos de pesquisa e outros parceiros em projetos colaborativos que buscam aplicar ciência e tecnologia para ampliar a autonomia, a inclusão e as oportunidades das pessoas com deficiência, com resultados práticos e retorno direto para a sociedade”, afirmou.

Fonte: Jornal da USP | Michel Sitnik

Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana

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Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana
Foto: Divulgação

Com a presença de gestores e especialistas, evento na Reserva Cultural debate os pilares que tornaram o município fluminense a cidade mais inteligente da Região Sudeste em 2025

A cidade de Niterói, reconhecida como um dos principais expoentes de inovação e planejamento urbano no Brasil, recebe no próximo dia 14 de maio a Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC. O evento, que ocorrerá na Sala Nelson Pereira dos Santos, dentro do complexo Reserva Cultural Niterói, marca a continuidade de um movimento nacional que busca transformar a realidade urbana brasileira por meio da colaboração e da valorização das diversidades regionais. Após ter acontecido em Ponta Porã, Santana de Parnaíba e Santos, a iniciativa chega ao território fluminense para consolidar um espaço de diálogo qualificado entre gestores públicos, especialistas e atores estratégicos do ecossistema de cidades inteligentes.

Leia mais: Santos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC sobre porto, inovação e desenvolvimento urbano

A escolha de Niterói para sediar este encontro estratégico não é por acaso, dado que o município ostenta o título de terceira cidade mais inteligente do Brasil e a liderança no ranking da Região Sudeste. Com um Produto Interno Bruto de 40 bilhões de reais e um Índice de Desenvolvimento Humano expressivo de 0,837, a cidade destaca-se por uma gestão pública que alia tecnologia à sustentabilidade. A robustez das políticas locais é chancelada pelos Selos CSC de Cidades Inteligentes na categoria Ouro e de Ecossistemas de Inovação na categoria Prata, refletindo um ambiente favorável ao surgimento de startups e ao fortalecimento da chamada Economia do Mar.

Leia mais: Niterói é a primeira colocada no Eixo Economia e Finanças do Ranking Connected Smart Cities 2025

A programação do encontro terá início às 11h com uma reunião focada nos ecossistemas de inovação, seguida pela abertura oficial às 14h, conduzida por Paula Faria, CEO e idealizadora da Necta e da Plataforma CSC. O evento contará com painéis temáticos que mergulham nos pilares que sustentam o sucesso niteroiense. O primeiro debate abordará a direção estratégica do município e seus projetos de futuro, seguido por uma discussão dedicada à Economia Azul e ao fortalecimento do ecossistema de inovação local. O encerramento ficará a cargo do painel sobre segurança pública integrada e resiliência urbana, com a participação confirmada de Gilson Chagas, Secretário de Ordem Pública de Niterói, reforçando o compromisso da cidade com a proteção cidadã e a capacidade de adaptação frente aos desafios contemporâneos.

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Além da agenda técnica, o evento destaca o cenário privilegiado do Caminho Niemeyer, integrando o debate sobre eficiência urbana ao patrimônio arquitetônico e cultural da cidade, famosa pelo Museu de Arte Contemporânea. Ao promover essa aproximação entre o poder público e o setor privado em um ambiente de forte tradição em planejamento, a Plataforma CSC reafirma seu papel como catalisadora de impacto real. Para Niterói, a reunião é uma oportunidade de compartilhar suas políticas públicas inovadoras e sua expertise em mobilidade e qualidade de vida, servindo de inspiração para outros municípios brasileiros que buscam trilhar o caminho da transformação digital e social.

Para saber mais sobre a Reunião Estratégica Regional em Niterói, clique aqui.

Criação de búfalos fortalece economia no Vale do Ribeira, mas manejo inadequado pode prejudicar o solo e o meio ambiente

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Criação de búfalos fortalece economia no Vale do Ribeira, mas manejo inadequado pode prejudicar o solo e o meio ambiente
Crédito: DepositPhoto

Pesquisador da Unesp sugere que pecuaristas adotem rotatividade das áreas de pastoreio para evitar a compactação do terreno e perda da biodiversidade. Dano prejudica culturas agrícolas e pode estimular expansão da produção sobre reservas de Mata Atlântica.

O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, é conhecido por ser um dos maiores polos produtores de banana do Brasil. Isso acontece devido ao clima úmido favorável da região, com solos férteis e abundância de recursos hídricos. Mas não é apenas a fruticultura que se beneficia desse local: desde a década de 1960, produtores utilizam as áreas alagadas da região para criar búfalos, comercializando posteriormente o leite e a carne desses ruminantes.

A bubalinocultura está presente, principalmente, no Norte do Brasil, mas ainda representa uma pequena parcela da produção pecuária do país. No entanto, segundo dados do IBGE, São Paulo possui o maior rebanho fora dessa região, com 118.824 cabeças, sendo que aproximadamente 53% dos bubalinos produzidos no estado estão no Vale do Ribeira, região que abriga os maiores remanescentes de Mata Atlântica do país. O que vem preocupando os pesquisadores é que, se por um lado essa atividade pecuária fortalece a economia local, ela pode estar acompanhada de riscos ambientais em virtude do manejo inadequado desses animais.

Uma pesquisa conduzida na Unesp e publicada na revista Geoderma Regional demonstrou que a criação de gado bubalino pode estar degradando o solo, tornando-o improdutivo para a produção agrícola. Como consequência, produtores abrem mais áreas de cultivo e pastoreio, afetando diretamente a Mata Atlântica nativa.

Pressão sobre quatro patas

Desde 1999, o Vale do Ribeira é considerado Patrimônio Natural pela Unesco. A região abriga um verdadeiro mosaico de unidades de conservação, além de contar com destinos como o PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, espaços que chamam atenção pelo ecoturismo, com paisagens naturais e atrativos de aventura.

Mas a ocupação histórica por pastagens na região tem gerado perda de biodiversidade e degradação do solo. Pense no tamanho dos búfalos: alguns desses gigantes podem atingir a altura de uma pessoa adulta (1,70 m) e pesar mais de 800 kg. O animal se sustenta em quatro patas, exercendo uma pressão de contato em movimento de até 408 kPa (quilopascal).

“O valor é superior ao exercido pelos rodados das maiores e mais potentes máquinas agrícolas, devido a baixa relação da área de contato da pata do animal com o solo”, explica o orientador da pesquisa, Reginaldo Barboza da Silva, docente da Faculdade de Ciências Agrárias do Vale do Ribeira da Unesp, no câmpus de Registro. “Essa situação ainda é mais critica quando o solo está saturado, devido a sua baixa resistência mecânica e capacidade de suporte de carga”, afirma.

O pisoteio gera um aumento da densidade do solo e da resistência à penetração, que frequentemente ultrapassa o limite crítico de 2 a 3 MPa (megapascals). Essa mudança nas propriedades do solo acaba impedindo o crescimento radicular, ou seja, o ambiente fica inadequado para a expansão e ramificação das raízes de uma planta, o que dificulta o seu crescimento e a absorção de água e nutrientes de forma adequada.

A superfície passa ainda por uma degradação hídrica, já que o solo compactado impede a infiltração de água, agravando o encharcamento superficial e a erosão do solo. Para fins de comparação, a infiltração da água em áreas de vegetação nativa costuma ser de 92% a 95% maior do que nestes locais danificados pelas patas dos búfalos.

O estudo foi conduzido em uma área próxima ao rio Ribeira de Iguape, região com predomínio de solos hidromórficos e argilosos. Conforme a água infiltra, o terreno perde resistência mecânica e fica ainda mais maleável, o que intensifica a compactação causada pelo pisoteio. Rodrigo Batista Pinto, primeiro autor do estudo e mestre em agronomia pela Unesp, explica que as pegadas em terreno seco também gerariam impacto para o solo, mas em menor proporção.

O cientista atenta também para a questão das chuvas associadas ao pisoteio. O evento climático pode intensificar o acúmulo de água no solo, favorecendo a expansão de áreas alagadas ao longo do tempo. “Quando esse processo ocorre em locais em que houve abertura de floresta às margens do rio, o problema pode se intensificar, pois a vegetação atua como uma barreira natural que regula o escoamento da água, aumenta a infiltração e reduz a ocorrência de enchentes”, define Batista Pinto.

Novas práticas de manejo sustentável

O pesquisador reforça que não é contra a bubalinocultura, mas que busca, por meio de sua pesquisa, evidenciar práticas agrícolas baseadas em manejos corretos. Alguns animais analisados no estudo passavam até 21 dias em uma única área de pastagem durante o verão, o que não é considerado adequado do ponto de vista das boas práticas.

“É importante que os animais circulem com maior frequência entre as áreas de pastejo, permanecendo menos tempo em cada espaço. Esse tipo de manejo tende a ser menos prejudicial ao solo, pois reduz a intensidade do pisoteio contínuo em um mesmo local. Com uma rotação bem planejada, há tempo para que o solo se recupere, diminuindo a compactação e favorecendo a regeneração da vegetação”, explica Batista Pinto.

A deposição contínua de esterco é também uma opção para manter a qualidade do solo em níveis próximos aos da vegetação nativa, assim como o controle do ambiente combinados a análises de peso do animal, evitando o pastejo em épocas de alta umidade do solo.

No momento em que a área de pastagem fica imprópria para os animais ou mesmo para o cultivo agrícola, há uma tendência dos produtores abrirem novas áreas ao redor, colocando a Mata Atlântica em risco.

O uso agropecuário de Áreas de Preservação Permanente (APPs) é proibido pelo Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012). Conforme explicado por Barboza, a ocupação indevida nessas zonas compromete a regulação hídrica e a manutenção de ecossistemas saudáveis.

Segundo o professor, estudos como esse devem ser realizados e repassados para a comunidade com a finalidade de conscientizar a população, o empresário rural e o produtor, mostrando que existe uma legislação e que ela precisa ser cumprida. “Ela precisa ser cumprida não apena por se tratar de uma questão legal, mas porque o ambiente precisa disso, aquela região precisa disso. A bubalinocultura, a exemplo de qualquer outra prática agropecuária, pode ser feita, mas é preciso cuidado em alguns aspectos”, argumenta o professor.

Fonte: Jornal da UNESP | Carolina Fioratti