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Encceja 2026: veja passo a passo para fazer inscrição no exame

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Encceja 2026: veja passo a passo para fazer inscrição no exame
Foto: Freepik

Prova oferece diploma aos jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou médio no período adequado

As inscrições para o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos) já estão abertas e vão até o dia 15 de maio. A prova oferece certificação para quem não concluiu o Ensino Fundamental ou Médio no período adequado.

Para se inscrever no exame, é necessário acessar o portal do Encceja e preencher o formulário com os dados pessoais até as 23h59 do dia 15 de maio.

Confira abaixo o passo a passo para fazer a inscrição no Encceja 2026:

  1. Acesse o Sistema Encceja e clique em “Inscrição 2026”.
  2. Preencha os campos com seus dados pessoais, como CPF e data de nascimento. Depois, resolva o desafio de autenticação.
  3. Na página seguinte, preencha os dados obrigatórios, como sexo, nome completo do pai, cor ou raça, estado civil, nacionalidade e endereço.
  4. Depois, informe se será necessário atendimento especializado e clique em “próximo”.
  5. Revise as informações e continue a inscrição.
  6. Informe se é necessário tratamento pelo nome social.
  7. Na sequência, preencha o nível de ensino para o qual busca obter certificação, selecione o estado e município em que deseja fazer a prova e a instituição certificadora.
  8. Preencha o questionário socioeconômico.
  9. Por fim, informe os dados de contato e clique em “salvar”.

Vale destacar que o candidato precisa fazer um cadastro Gov.br para acessar a Página do Participante e acompanhar a situação da inscrição.

Encceja 2026

Neste ano, as provas acontecem no dia 23 de agosto em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal. Os locais serão informados posteriormente aos participantes.

Para conseguir o diploma, o participante precisa atingir o mínimo de 100 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e nota igual ou superior a 5 na prova de redação.

Caso um candidato não consiga a nota mínima em todas as áreas, ele pode solicitar a declaração parcial de proficiência. Assim, ele terá a certificação apenas das disciplinas em que alcançou os 100 pontos.

O exame é aplicado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), mas a emissão do certificado e da declaração parcial de proficiência é responsabilidade das Secretarias Estaduais de Educação e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia.

Fonte: CNN Brasil

Cidades Verdes Resilientes: os desafios para um desenvolvimento sustentável na Amazônia

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Sistemas atmosféricos controlam chuvas e transporte de nutrientes da África até a Amazônia
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério das Cidades marcou presença, nesta sexta-feira (8), na Câmara dos Deputados, no segundo dia do 3º Encontro Programa Cidades Verdes Resilientes.

Na mesa “Cidades amazônicas: intercâmbio entre pares sobre governança climática local”, a assessora técnica da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (SNDUM), Taís Furtado, destacou a importância estratégica das cidades amazônicas para a agenda climática.

“A pauta das cidades amazônicas tem sido uma prioridade do Ministério das Cidades, ela ocupa um ligar estratégico com todas as suas especificidades e riquezas. O ministério tem buscado fortalecer uma agenda urbana climática que combine planejamento urbano, estruturação de projetos, financiamento e capacitação.”

Durante sua participação, Taís apresentou as iniciativas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável, com foco no fortalecimento da resiliência climática, da inclusão socioeconômica e da transição justa.

Entre os projetos citados está o Cidade Presente 2, desenvolvido em parceria com a cooperação alemã GIZ, que representa uma nova etapa de atuação voltada ao desenvolvimento urbano sustentável na Amazônia.

“A proposta não está concentrada apenas nas capitais. Também estamos olhando para cidades médias, que possuem papel estratégico, além das pequenas cidades amazônicas, que representam a maior parte dos municípios da região”, explicou.

Fonte: Ministério das Cidades

Governo renova concessões de distribuição de energia em 13 estados; Enel fica de fora

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Apagão de mão de Governo renova concessões de distribuição de energia em 13 estados; Enel fica de fora
Foto: REUTERS/Manon Cruz

Novos contratos endurecem regras para distribuidoras. Assinatura ocorreu em cerimônia com o presidente Lula nesta sexta (8).

O Ministério de Minas e Energia (MME) assinou, nesta sexta-feira (8), a renovação antecipada dos contratos de concessão de 14 distribuidoras de energia elétrica. Duas delas já haviam firmado acordos semelhantes no ano passado.

A cerimônia de assinatura dos contratos contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo estimativas do ministério, os novos contratos devem viabilizar cerca de R$ 130 bilhões em investimentos até 2030, voltados à modernização e à expansão da rede elétrica.

Os recursos devem alcançar 13 estados e beneficiar aproximadamente 41,8 milhões de residências.

A medida, no entanto, não contempla a Enel, apurou o g1. A concessionária enfrenta um processo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão em São Paulo, diante das sucessivas reclamações sobre a prestação de serviços, especialmente durante eventos climáticos extremos, desde 2023.

Novas exigências

Segundo técnicos ouvidos pela reportagem, a proximidade do vencimento dos contratos antigos poderia reduzir os incentivos para novos aportes das distribuidoras.

A renovação antecipada busca justamente garantir a continuidade dos investimentos e ampliar a segurança operacional das redes.

💡Os novos contratos também endurecem as exigências para as concessionárias.

Entre as mudanças estão:

  • mecanismos mais objetivos para eventual cassação de concessões
  • regras para comprovação anual da saúde econômico-financeira das empresas
  • ampliação e modernização dos canais de atendimento ao consumidor e
  • criação de canais específicos para atendimento de gestores públicos.

Os contratos ainda preveem medidas para regularizar o compartilhamento de postes entre distribuidoras e empresas de telecomunicações, um dos principais gargalos de infraestrutura elétrica no país.

➡️No litoral baiano, por exemplo, estão previstas a implantação de 18 novas subestações e a modernização e ampliação de outras dez unidades, com incorporação de tecnologias de automação.

➡️Na região metropolitana de João Pessoa, na Paraíba, o plano prevê a construção de 27 quilômetros de linhas de distribuição e três novas subestações.

➡️Já no agreste sergipano, uma nova subestação deve beneficiar mais de 40 mil consumidores.

Fonte: G1

Cultura de Inovação – uma Missão Técnica no Vale do Silício (Considerações finais)

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Cultura de Inovação - uma Missão Técnica no Vale do Silício (Considerações finais)
Crédito: Freepik

Esta é a última parte do artigo “Cultura de Inovação – uma Missão Técnica no Vale do Silício” (leia aqui a parte I, parte II, parte III).

São inúmeros os conteúdos dos quais eu poderia abordar ainda referente a Missão Técnica realizada no Vale do Silício, entretanto, vou encerrar com este último artigo, que terá como intuito realizar um fechamento deste assunto, apesar de que, muita coisa ainda há de ser dita, portanto, me procurem para que possamos estreitar relacionamentos, criar conexões e fazer um bom networking!

Mas vamos lá…

Na primeira parte do artigo, a intenção foi de apresentar um overview relacionado ao assunto, já na segunda parte pude comentar de forma um pouco mais aprofundada algumas características do vale, na terceira parte a intenção foi detalhar o que foi observado durante as visitas e agora nesta última parte faço minhas considerações finais:

Pode parecer estranho, mas esta última parte contará sobre duas das primeiras visitas realizadas no Vale, que foram fundamentais para compreensão do local e que agora resumirão tudo o que compartilhei antes…

Consulado Brasileiro

Onde fomos recepcionados pelo Cônsul Geral do Brasil em San Francisco, o embaixador Pedro Henrique Lopes Borio, e pudemos conversamos muito sobre alguns temas muito pertinentes, como políticas de investimento à tecnologia, internacionalização e desenvolvimento socioeconômico. 

“Inovação e tecnologia não são só importantes, são o que há de mais importante neste momento. Entendi isso, quando cheguei aqui [no Vale do Silício]. Passamos por uma das maiores revoluções e fazemos parte disso” (Pedro Henrique, Cônsul Embaixador do Brasil nos EUA)

O embaixador também mencionou que 70% do capital de risco do mundo está concentrado no Vale do Silício, o que torna a região ainda mais atraente para startups e investidores. Ele enfatizou a importância de pessoas talentosas e empreendedoras, mas destacou que o ambiente é altamente competitivo, e que as empresas muitas vezes são comparadas a “máquinas de moer carne”.

Assim como um moedor de carne processa grandes quantidades de carne em um curto espaço de tempo, muitas empresas contratam um grande número de funcionários para atender às demandas do mercado. No entanto, assim como um moedor de carne descarta a carne que não atende aos padrões de qualidade, muitas empresas demitem funcionários que não atendem às expectativas ou que não se adaptam às mudanças da empresa.

Essa pressão constante pode fazer com que os funcionários se sintam como se estivessem sendo “moídos” pela empresa, como se estivessem sendo tratados como uma matéria-prima descartável. A incerteza constante sobre a permanência no emprego pode gerar ansiedade e estresse, e muitos funcionários podem sentir-se desvalorizados e desmotivados. 

Embora o embaixador reconheça que o Vale do Silício é um lugar para todos, ele alertou para o crescimento da cidade e o aumento do custo de vida, que pode excluir as minorias, como artistas e outros profissionais que não podem pagar pelos altos preços. 

O embaixador defende ainda a criação de uma “massa crítica brasileira” nos EUA, enviando bons profissionais e empreendedores para o Vale do Silício.

O sentimento no Vale do Silício é de que “todos os dias acordo sentindo que não estou entregando o suficiente”, destacando a importância de buscar sempre a excelência e se superar.

Consulado dos Estados Unidos

Uma outra importante visita foi ao Consulado dos Estados Unidos em San Franscisco, onde fomos recepcionados pelo Diretor do U.S Commercial Service Export Assistance Center, Douglas Wallace, que apresentou como funciona a relação entre empresas, governo americano e instituições de ensino para o fortalecimento do ecossistema de inovação. A partir da conversa foi ainda possível observar que os modelos de negócio nos Estados Unidos se diferenciam pelo dinamismo e pelo comprometimento de todos os atores que fazem parte do processo.

Um dos pontos mais interessantes que aprendi durante a visita é que, no Vale do Silício, errar faz parte do processo de inovação.

“As empresas aqui sabem que precisam estar dispostas a assumir riscos para criar soluções verdadeiramente inovadoras. Isso significa que, se uma ideia falha, as empresas não ficam presas ao fracasso. Em vez disso, elas aprendem com os erros e usam essas experiências para se aprimorarem” (Douglas Wallace, Diretor do U.S Commercial Service Export Assistance Center)

Outra ponto importante que foi discutido é a aposta na juventude. 

“As empresas aqui [Vale do Silício] estão sempre procurando por jovens talentos que possam trazer novas ideias e perspectivas para seus negócios. E isso não é apenas uma questão de idade, mas sim de mentalidade. As empresas do Vale do Silício querem colaboradores que sejam criativos, inovadores e capazes de pensar fora da caixa”.

Além disso, a cultura do Vale do Silício é altamente colaborativa. A vida social e o emprego estão intimamente ligados, e as empresas incentivam a interação e a troca de ideias entre seus colaboradores. 

“O networking é tão importante aqui [Vale do Silício] que muitas empresas realizam happy hours e outros eventos informais para que seus colaboradores possam conhecer outras pessoas do setor.

Outra coisa interessante que aprendi durante a conversa é que as empresas do Vale do Silício não se preocupam em perder empresas para outros lugares. Elas sabem que a região é altamente criativa e que novas empresas sempre surgirão para preencher o espaço deixado pelas antigas. O importante é manter a cultura do conhecimento, da criatividade e da inovação viva.

Por fim, a conversa também me ensinou sobre a importância do setor público no fomento à inovação. O Vale do Silício conta com o investimento de capital de risco em startups, inclusive do setor público. Além disso, o setor público ajuda a atrair investidores e realiza eventos de tecnologia e inovação para fomentar o crescimento da região.

Finalizando…

Em resumo, a cultura do Vale do Silício é baseada em riscos, aposta na juventude, networking, criatividade e inovação. Esses são os pilares que têm permitido que a região seja um celeiro de inovação e empreendedorismo.

Se você tem interesse em empreender ou trabalhar no Vale do Silício, é importante estar ciente desses aspectos e entender como você pode se adaptar a essa cultura. Lembre-se de que a cultura do Vale do Silício pode não ser para todos, mas, se você estiver disposto a assumir riscos e pensar de maneira criativa, essa região pode ser o lugar perfeito para você.

Por fim, eu gostaria de ressaltar que a Missão Técnica no Vale do Silício, foi uma oportunidade incrível para aprender mais sobre a cultura do Vale do Silício e como ela tem impactado a região. Espero que este artigo tenha sido útil para quem busca entender mais sobre o Vale do Silício e seus setores de interesse. Se você tem alguma experiência na região ou curiosidade, sinta-se à vontade para compartilhar nos comentários!

E agora?!

Tudo que foi ouvido e discutido nestas duas primeiras visitas, só começaram a fazer sentido depois de encerrar a Missão Técnica – quando voltei para casa e comecei a digerir tudo que aconteceu, tudo que vi e pude vivenciar, as coisas então começaram a fazer sentido! 

Operação contra Ciro Nogueira pode ameaçar delação de Vorcaro?

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Senador Ciro Nogueira durante sessão do Senado Federal que votou contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A nova fase da operação Compliance Zero, que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), evidencia que as investigações sobre o escândalo do Banco Master seguirão avançando sobre autoridades independentemente da formalização de um acordo de delação premiada, como tenta conseguir o banqueiro Daniel Vorcaro, afirmam criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Para estes mesmos criminalistas, a nova ação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, também deixa claro que não será aceita uma proposta tímida de colaboração premiada, que não traga informações novas relevantes.

A defesa de Vorcaro apresentou na quarta-feira (6/5) sua proposta inicial de acordo, um dia antes da nova fase da operação da Polícia Federal. O conteúdo agora está sendo analisado por PF, Procuradoria-Geral da República (PGR) e por Mendonça, relator das investigações sobre o caso no Supremo.

“Me parece que a Polícia Federal e até o ministro Mendonça deram um recado muito claro de que a investigação vai andar. Até onde ela vai, a gente não tem como saber, até porque não sabemos o tamanho do esquema”, afirma o criminalista André Perecmanis, professor da PUC-RJ.

“Para a delação ser aceita, ela tem que primeiro ter ineditismo. Então, se a Polícia Federal já sabe, não adianta você trazer [a informação]. E tem que trazer algo relevante, que desarticule a quadrilha, identifique outros criminosos, recupere valores. Hoje em dia, tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República e o próprio Judiciário têm sido muito mais criteriosos com delações”, acrescenta Perecmanis.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, a proposta inicial de delação teria desagradado Mendonça por não trazer detalhes sobre autoridades potencialmente envolvidas no escândalo.

A reportagem cita o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como exemplo de nome ausente na proposta, apesar de conversas analisadas pela PF no celular apreendido com Vorcaro indicarem que eles teriam se reunido na residência oficial da presidência do Senado em abril de 2025.

Além disso, a PF apura a decisão do Amprev, fundo de previdência dos servidores públicos do Amapá, de investir R$ 400 milhões em títulos de alto risco do Master. A instituição era comandada por um aliado de Alcolumbre, Jocildo Silva Lemos, alvo da PF em fevereiro.

O presidente do Senado nega qualquer ilegalidade relacionada ao Master.

Já a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiou que a proposta inicial de delação do banqueiro tampouco incluiria favorecimentos do banco Master ao senador Ciro Nogueira, revelados na operação realizada nesta quinta-feira (7/5).

Segundo a PF, Nogueira teria recebido pagamentos mensais recorrentes, além de outras vantagens, em troca de favores. As investigações da corporação apontam que o senador, que é presidente nacional do Progressistas (PP) e ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), teria ainda apresentado ao Senado uma proposta de emenda escrita pelos assessores do banqueiro para beneficiar o Master.

Em nota, os advogados de defesa de Ciro Nogueira disseram repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Eles reiteraram ainda “o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

Na noite da quinta-feira (7/5), o gabinete de Mendonça se manifestou sobre as especulações em torno da delação de Vorcaro, sem citar o banqueiro diretamente. Mendonça também negou que tenha tido acesso ao material apresentado pela defesa.

“O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada: (i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado; (ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e (iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração”, diz a nota.

“Cabe esclarecer, ainda, que o ministro, até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”, concluiu a manifestação.

‘Vorcaro tem muito a apresentar, mas precisa realmente querer fazer uma delação’

“O recado é esse: ‘você está querendo fazer delação, muito bom, mas nós também vamos fazer o nosso serviço’. O Vorcaro tem muita coisa para apresentar, mas ele precisa realmente querer fazer uma delação. Não é só pinçar coisas pra entregar”, ressalta.

“O que eu vejo é que o ministro não vai aceitar uma coisinha mirim. Ele quer tudo: negociações de BRB [banco público do Distrito Federal que comprou títulos podres do Master], negociações com o Legislativo, o modus operandi do Vorcaro no dia a dia”, exemplifica.

Um ponto especialmente delicado em torno da negociação da colaboração premiada é a possibilidade de atingir ministros do STF.

Alexandre de Moraes é alvo de desgaste após a PF apontar supostas mensagens trocadas entre ele e Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro, algo que o ministro nega.

Além disso, é alvo de controvérsia o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

Já Dias Toffoli foi obrigado a se declarar suspeito e deixar a relatoria da investigação do Master após ser revelado que sua família fez negócios com um fundo ligado ao banco. A operação envolveu a compra de parte de um resort no Paraná que pertencia a uma empresa de Toffoli e dois irmãos do ministro.

Para os professores entrevistados, uma eventual delação que inclua ministros do STF terá que ser homologada pelo plenário do STF para ter validade.

Além de Vorcaro, outros investigados negociam acordos de colaboração, como Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador do esquema, e o ex-presidente do banco BRB Paulo Henrique Costa, preso em uma das fases da Operação Compliance Zero.

Fonte: BBC News

‘Tensão’ sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca

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'Tensão' sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca
Foto: Reuters via BBC

Para o governo brasileiro, reunião atingiu ao menos um dos seus objetivos: ganhar tempo e evitar imposição de novas tarifas sobre produtos do país a meses das eleições presidenciais.

A reunião entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu, na avaliação do governo brasileiro, ao menos um dos seus objetivos principais: ganhar tempo e evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos do país a pouco mais de cinco meses das eleições presidenciais.

Essa crença foi expressada por assessores do presidente Lula após o encontro.

Apesar de boa parte das tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros a partir de julho do ano passado ter sido retirada ao longo dos últimos meses, o Brasil é alvo de duas investigações com base na chamada seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que investiga supostas práticas comerciais irregulares do país.

Uma delas tem prazo para terminar em julho e, em tese, poderia servir de base para mais tarifas norte-americanas até mesmo antes desse tempo.

Mas, segundo o governo brasileiro, os dois presidentes determinaram a criação de um grupo de trabalho para discutir a questão tarifária com um primeiro prazo de conclusão em 30 dias. Com isso, o governo brasileiro entende que ganhou pelo menos um mês com a garantia de que novas tarifas não serão aplicadas.

Interlocutores do presidente familiarizados com o teor da reunião afirmam que a questão tarifária foi, de fato, o único ponto em que houve alguma discordância entre as duas equipe técnicas que acompanharam os dois presidentes.

De acordo com eles, o representante-geral de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, teria sido o responsável por “tensionar” parte da reunião, defendendo que a tarifa média brasileira sobre produtos importados dos Estados Unidos ainda estaria em níveis elevados, o que justificaria a aplicação de tarifas a exportações brasileiras.

Segundo um assessor do presidente Lula ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado, Greer teria atuado como o “policial mau”, responsável por colocar pressão nas negociações.

Segundo ele, esse comportamento de Greer já era esperado pela equipe brasileira uma vez que o oficial norte-americano é um notório defensor da política de tarifas. Sua atuação, no entanto, segundo a delegação brasileira, teria sido parcialmente contornada pela postura de Trump ao longo do encontro, que acatou a proposta brasileira de criar o grupo de trabalho para debater o tema.

A equipe econômica brasileira, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, intervieram pontuando que o Brasil teria um deficit de pelo menos US$ 20 bilhões na balança comercial com os Estados Unidos nos últimos anos.

Nos cálculos dos próprios norte-americanos, segundo Rosa, esse déficit seria ainda maior: US$ 30 bilhões.

De acordo com o governo, os dados mostrariam que não haveria razões para os EUA sancionar um país com quem eles têm saldo positivo na sua balança comercial.

O que é a Seção 301

O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.

A investigação envolve um amplo conjunto de temas. Entre eles estão políticas brasileiras ligadas ao comércio digital, ao sistema Pix, regras de proteção de dados, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro, às tarifas preferenciais concedidas a outros parceiros comerciais, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.

Na avaliação do governo americano, essas práticas podem criar barreiras ou distorções que prejudicam a competitividade de empresas dos EUA no Brasil.

A Seção 301 autoriza o governo americano a investigar, de forma unilateral, atos, políticas ou práticas de outros países que “onerem ou restrinjam” o comércio dos Estados Unidos.

Se o USTR concluir que houve prejuízo e que as medidas estrangeiras são “injustificáveis” ou “irracionais”, a lei permite a adoção de medidas de retaliação, como tarifas, restrições comerciais ou a suspensão de benefícios.

O instrumento ganhou notoriedade nos últimos anos por ter embasado o “tarifaço” imposto pelos EUA à China durante o primeiro mandato de Donald Trump.

No caso brasileiro, a abertura do processo ocorre em um contexto de maior tensão política e comercial entre os dois países.

Além das críticas de setores empresariais americanos, a iniciativa também reflete uma estratégia do governo dos EUA de buscar bases legais mais robustas para ações comerciais, após decisões judiciais internas terem limitado o uso de outros mecanismos tarifários.

O governo brasileiro contesta a investigação e afirma que suas políticas são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O Itamaraty argumenta ainda que a Seção 301 é um instrumento unilateral, incompatível com o sistema multilateral de solução de controvérsias, e lembra que os EUA mantêm superávit comercial na relação bilateral.

A apuração segue um rito formal, com consultas entre os governos, audiências públicas e coleta de contribuições de empresas e entidades interessadas. O processo pode se estender por cerca de um ano.

Até sua conclusão, o principal impacto tende a ser a incerteza para exportadores e investidores, diante do risco de novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Surpresa: terras raras

Um dos pontos que mais chamou atenção da equipe brasileira foi a postura de Trump e sua equipe em relação a minerais críticos.

Segundo integrantes da comitiva do presidente, Trump demonstrou um interesse mediano pelo assunto, o que contrastou com a expectativa de que este fosse um assunto que dominaria, pela lado norte-americano, parte do debate.

Nos últimos meses, técnicos brasileiros e norte-americanos vinham mantendo reuniões sobre o assunto e uma proposta chegou a ser enviada pelos EUA a respeito do assunto.

Desde o início do governo Trump, o governo dos EUA vem tentando diminuir a dependência do país em relação à China no acesso a minerais críticos como as terras raras, usadas na produção de equipamentos para a transição energética e de produtos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e armamentos.

Neste contexto, o Brasil é visto como um potencial parceiro, pois o país detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Em março, o governo dos EUA promoveu um fórum sobre minerais críticos envolvendo empresários brasileiros e norte-americanos, além de ter firmado um protocolo de intenções com o governo de Goiás relacionado à pesquisa e exploração desses minerais.

Por tudo isso, a equipe brasileira preparou documentos para atualizar os norte-americanos sobre o andamento do marco legal para a exploração desse material no Brasil.

Nesta semana, por exemplo, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), que estabelece os primeiros parâmetros legais do Brasil sobre o tema.

Para o Brasil, a criação da política, que deve ser chancelada pelo Senado nos próximos dias, é vendido como um trunfo aos norte-americanos. Em entrevista coletiva, o presidente Lula disse que o Brasil está aberto a investimentos dos EUA no setor desde que não se limitem a explorar os minerais e a exportá-los apenas como matéria-prima. O governo quer que os investimentos priorizem o beneficiamento deles em território nacional.

Apesar disso, nenhum acordo sobre o assunto foi assinado pelas duas delegações.

A avaliação da equipe brasileira é de que a postura de Trump sobre o assunto durante a reunião possa ser resultado do fato de que, na prática, os norte-americanos já estejam avançando com seus projetos de extração de minerais críticos no Brasil a exemplo da compra de uma mineradora de terras raras em Goiás por uma empresa dos EUA, divulgada em abril.

Crime organizado

Um dos pontos que era tido como prioridade do governo brasileiro foi a pauta do combate ao crime organizado e a tentativa de evitar que os EUA classificassem as facções criminosas brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

Segundo Lula e um interlocutor familiarizado com o teor da reunião, a possível designação das facções brasileiras não foi debatida na reunião.

“Não discutimos isso. O que eu queria dizer eu entreguei por escrito. Cada assunto que eu discuti com o presidente Trump, além dos ministros falarem, eu entreguei a ele cada proposta nossa escrita em inglês. Pra que ele não ter dúvida sobre o que nós queremos, porque estamos levando muito a sério essa questão do crime organizado”, disse Lula.

A intenção de designar as facções brasileiras como organizações terroristas havia sido expressa pelos EUA no início do ano, fazendo com que o governo brasileiro mobilizasse sua diplomacia para convencer os governo norte-americano a recuar pelo menos de forma temporária.

O governo alega que é contra essa ideia porque ela abriria brechas para ações militares, policiais e de inteligência norte-americanas em território nacional a exemplo do que acontece em outras regiões do mundo como na costa do Caribe, no Oriente Médio e na costa do Oceano Pacífico.

Durante o almoço entre as duas delegações nesta quinta-feira, o Brasil entregou uma nova proposta de cooperação internacional para o combate ao crime organizado focado em dois eixos: o combate à lavagem de dinheiro que financia organizações criminosas; e o tráfico de armas.

A proposta, segundo interlocutores brasileiros, vai ser analisada pelo governo norte-americano, mas ainda não há prazo para que uma resposta seja dada.

Lula chegou a dizer que na entrevista coletiva que uma das ações previstas seria a criação uma espécie de grupo internacional com países da América do Latina e de outras regiões para atuação em conjunto contra carteis e outras organizações criminosas. Ele citou o exemplo de um centro montado em Manaus que reúne representantes de polícias e forças de seguranças de todos os países da região amazônica.

“Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado”, disse Lula.

Fonte: G1

Soberania tecnológica: o papel das STEMs no desenvolvimento do Brasil (Parte 1)

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Soberania tecnológica: o papel das STEMs no desenvolvimento do Brasil (Parte 1)
Foto: Freepik/pongsaksapakdee

Soberania tecnológica em disputa: formação em STEM, autonomia nacional e o reposicionamento do Brasil na economia global do conhecimento

Vivemos um momento de rupturas aceleradas que até pouco tempo pareciam impossíveis. Nos últimos meses, acumulam-se acontecimentos que, em outras circunstâncias, levariam anos para acontecer: a instabilidade internacional se aprofunda, disputas comerciais e energéticas se intensificam, conflitos bélicos se espalham e a competição redefine, diante dos nossos olhos, novas estruturas globais. Ao mesmo tempo, a economia de dados e a inteligência artificial impactam de maneira irreversível na sociedade como um todo, tornando-a cada vez mais dependente dessas tecnologias e ampliando as disputas que se articulam em torno delas.

No Brasil, esse cenário recolocou em primeiro plano um debate que parecia esquecido sobre a soberania nacional, especialmente a tecnológica, que aparece nas disputas por semicondutores, no controle de infraestruturas críticas, como data centers, energia e defesa, na reorganização das cadeias de valor e na corrida pela inteligência artificial. A capacidade do país de compreender o ritmo das mudanças, avaliar com lucidez suas forças e fragilidades e transformar essa leitura em políticas capazes de responder às tarefas que a conjuntura atual impõe tornaram-se decisivas para garantir a continuidade e a solidez do próprio Estado nacional. 

Na atualidade, a soberania tecnológica só pode ser exercida por um exército expressivo de excelência acadêmica e profissional, capaz de criar as soluções que, em última instância, asseguram a autonomia e a independência. Os países que lideram a corrida pela soberania tecnológica sabem disso e têm em comum políticas públicas focadas na chamada agenda STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). 

  • A China se consolidou como a principal potência global nessas disciplinas ao combinar formação em larga escala, investimento robusto em pesquisa e forte capacidade de aplicação tecnológica. Projeções indicam que o país forma cerca de 77 mil doutores em STEM por ano, superando os Estados Unidos. Além disso, os gastos chineses em P&D alcançaram 3,93 trilhões de yuans, o equivalente a 2,8% do PIB, reforçando a prioridade estratégica dada a áreas como inteligência artificial, robótica e telecomunicações.
  • Os Estados Unidos seguem como uma das maiores potências mundiais em STEM, sustentados por universidades de ponta, forte tradição científica e ampla capacidade de absorção de talentos. O país forma cerca de 58 mil doutores por ano, enquanto a força de trabalho em ocupações do setor chega a 37 milhões de pessoas, ou 24% do total. Esse peso também se reflete no investimento em inovação: os gastos com P&D giram em torno de US$ 1 trilhão.
  • A Alemanha mantém uma posição de destaque graças à sua sólida tradição industrial e técnica. Na graduação, 35% dos bacharéis vêm das disciplinas STEM, a maior entre os países da OCDE. O investimento em pesquisa também confirma essa vocação: os gastos em P&D chegaram a €137 bilhões, ou 3,17% do PIB, sustentando a competitividade alemã em engenharia, manufatura avançada e inovação.

No Brasil, esse projeto ainda é um desafio. O país possui escala universitária e base científica relevante, mas ainda forma relativamente poucos graduados nessas áreas. Segundo a OCDE, apenas 16,2% dos bacharéis no país se formam em cursos de STEM, percentual abaixo da média internacional. Já os investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegam, em média a 1,2% do PIB, indicando avanço recente, mas ainda distante do patamar observado nas economias mais avançadas.

Na outra ponta, o setor de entrega por aplicativos emprega cerca de 1,7 milhão de trabalhadores, segundo o IBGE, com informalidade de 71,1%. Pesquisa do Ipea aponta condições de trabalho precárias com aumento de jornada, queda de renda e menor contribuição previdenciária. Esse setor apresenta também uma contradição importante: os trabalhadores, na sua maioria jovens urbanos de escolaridade baixa, precisam de letramento digital para o uso dessas ferramentas, muitas com IA embarcada. 

Há avanços como a ampliação da conectividade em escolas e a digitalização de serviços. Ainda assim, a distância entre acesso e capacidade, como vimos, continua grande. A formação em STEM precisa ser um projeto mais  amplo e de longo prazo que começa na educação básica e se estende até a pós-graduação.

Na educação básica, significa consolidar projetos pedagógicos que integrem pensamento computacional, raciocínio lógico, cultura científica e letramento digital aos currículos, além de garantir infraestrutura adequada, conectividade, formação docente e ambientes de aprendizagem mais voltados à experimentação. No ensino médio, esse esforço ganha densidade por meio da ampliação da formação técnica e profissional articulada às demandas da economia digital. Já no ensino superior, o desafio é expandir a formação de engenheiros, cientistas e pesquisadores, fortalecer laboratórios, aproximar universidades do setor produtivo e criar condições para que a pesquisa aplicada se converta em inovação, produtividade e capacidade tecnológica nacional.

A Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, consolidada no âmbito do CITDigital, reconhece a educação e a capacitação profissional como eixos estruturantes. Essa visão recoloca a tecnologia como base do desenvolvimento econômico. Um país que pretende ganhar relevância na economia do conhecimento precisa formar talentos em escala, aproximar escolas de laboratórios, universidades de vocações produtivas e currículos das demandas concretas da sociedade.

Essa proposta exige políticas públicas consistentes, formação de professores, atualização curricular, ambientes de aprendizagem mais conectados com pesquisa, além de articulação mais estreita entre poder público, academia e setor produtivo. Exige, sobretudo, visão de longo prazo. O problema brasileiro está na fragmentação dos esforços e na descontinuidade das prioridades.

Ampliar a base STEM significa também ampliar a base de talentos do país. Isso envolve enfrentar desigualdades, permanência e representação ligadas à renda e a disparidades regionais. Vale ressaltar também as desigualdades de gênero. Uma estratégia nacional de formação tecnológica será tanto mais robusta quanto maior for sua capacidade de incorporar inteligências diversas e abrir caminhos para quem ainda participa desse ecossistema de forma desigual.

O Brasil reúne escala, criatividade, capacidade universitária e um mercado relevante. O que falta é tratar a formação científica e tecnológica com a importância e a rapidez que o momento exige. O salto digital brasileiro não virá apenas da adoção de novas soluções importadas. Ele dependerá da construção paciente e ambiciosa de um ecossistema educacional capaz de transformar conhecimento em desenvolvimento, inovação e força nacional. É nessa travessia que as STEM deixam de ser um tema setorial e se afirmam como um dos caminhos necessários para garantir o futuro da soberania digital do país.

Latam reduz voos no Brasil e vê impacto de até US$ 700 milhões com combustível

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Latam reduz voos no Brasil e vê impacto de até US$ 700 milhões com combustível
Foto: Gabriel Magacho/Divulgação Aeroporto da Zona da Mata

Controladora da companhia, a Latam divulgou mais cedo redução na estimativa de lucro para este ano também por causa do custo com combustível.

A Latam Airlines Group reduziu entre 2% e 3% os voos previstos para junho no Brasil em meio à alta dos preços do combustível de aviação, que já levou a companhia a rever projeções e estimar custos adicionais superiores a US$ 700 milhões no segundo trimestre.

Segundo o presidente-executivo da Latam Brasil, Jerome Cadier, os ajustes na malha são pontuais e refletem o encarecimento do querosene e o preço atual das passagens. Ele afirmou que, até agora, não houve cancelamentos significativos de viagens em abril e maio, mas alertou que, se a guerra no Oriente Médio se prolongar, a empresa pode antecipar revisões para o terceiro e quarto trimestres.

De acordo com Cadier, a Latam Brasil está pagando atualmente o dobro por litro de combustível em relação a fevereiro, com alta acumulada de cerca de 100% nos últimos três meses.

“Hoje, aqui no Brasil, a Latam Brasil está pagando o dobro para cada litro de combustível de aviação do que estava pagando em fevereiro deste ano. O aumento acumulado nos últimos 3 meses é de 100%.”

O cenário já aparece nos resultados do grupo. Em balanço divulgado, a Latam reportou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre, com margem operacional ajustada de 19,8% e ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 1,3 bilhão. A companhia transportou 22,9 milhões de passageiros no período, alta de 9,1% na comparação anual, após ampliar a capacidade em 10,4%.

Mesmo com o desempenho positivo, a empresa destacou o impacto da alta do combustível, que já gerou cerca de US$ 40 milhões em custos adicionais no trimestre. Diante da volatilidade, a Latam revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar ebitda ajustado entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões.

A companhia afirmou ainda que pretende compensar parte dos impactos com medidas como ajustes de capacidade, controle de custos e gestão de receitas, além de manter a liquidez acima de US$ 4 bilhões. Apesar do aumento dos preços, a empresa disse não ver risco de desabastecimento nos destinos em que opera.

Fonte: G1

Preços de imóveis saltam 5,63% em 12 meses e superam a inflação; confira as cidades mais caras

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Preços de imóveis saltam 5,63% em 12 meses e superam a inflação; confira as cidades mais caras
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A valorização imobiliária em abril foi abrangente, atingindo 55 das 56 cidades monitoradas pela pesquisa

O mercado imobiliário brasileiro apresentou nova aceleração no mês passado. De acordo com o Índice FipeZAP de Venda Residencial, os preços dos imóveis registraram alta de 0,51% em abril de 2026. O resultado demonstra um ritmo de crescimento superior aos meses de janeiro (+0,20%), fevereiro (+0,32%) e março (+0,48%).

No cenário de 12 meses, o Índice FipeZAP acumula alta de 5,63%, superando tanto o IGP-M/ FGV (+0,61%) quanto a inflação ao consumidor (IPCA), que registrou 4,62% no mesmo período. O comportamento dos preços por tipologia mostra que apartamentos menores têm maior liquidez e valorização: o metro quadrado para um dormitório custa, em média, R$ 11.923, enquanto unidades de dois dormitórios apresentam o menor valor médio, de R$ 8.778.

A valorização imobiliária em abril foi abrangente, atingindo 55 das 56 cidades monitoradas pela pesquisa. No topo do ranking de preços por metro quadrado entre as capitais, Vitória (ES) aparece com o valor mais elevado, cotada a R$ 14.818/m², seguida por Florianópolis (SC), com R$ 13.208/m², e São Paulo (SP), com R$ 12.019/m².

Em contrapartida, Belém (PA) foi a única capital a registrar queda mensal, com recuo de 0,42%. No entanto, a capital paraense ainda ostenta a maior alta acumulada no primeiro quadrimestre de 2026, com avanço de 4,46%. O preço médio ponderado para as 56 cidades brasileiras monitoradas pelo índice encerrou o mês em R$ 9.769 m².

Veja ranking das 20 cidades mais caras

No ranking das cidades com o m² mais caro em abril, Santa Catarina aparece com destaque, com quatro entre as cinco primeiras colocadas.

Foto: Istoé Dinheiro

Foto: Istoé Dinheiro

Niterói aposta em dados, inovação e participação para se tornar referência em resiliência urbana no Brasil

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Segurança Jurídica e Governança Fiscal: Por que o modelo brasileiro de concessões virou referência internacional
Foto: Enviado por Giovani Bernardo

Com tecnologia preditiva, gestão orientada por evidências e destaque no Ranking Connected Smart Cities 2025, município transforma a prevenção de desastres em política estruturante e modelo para outras cidades

Diante do avanço das mudanças climáticas e da intensificação de eventos extremos, cidades brasileiras têm sido desafiadas a repensar suas estratégias de prevenção e resposta a desastres. Em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, uma combinação entre tecnologia de ponta, análise de dados e participação social vem consolidando um novo modelo de resiliência urbana: mais preditivo, integrado e, sobretudo, orientado pela justiça social.

Com 117 comunidades localizadas em áreas de encosta, o município figura entre os territórios mais sensíveis aos impactos de chuvas intensas. Esse cenário, que historicamente expôs desigualdades socioespaciais, tem sido enfrentado com uma abordagem inovadora por meio do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). A principal mudança está na forma de enxergar o território: em vez de mapas tradicionais com áreas irregulares, a cidade passou a adotar uma grade uniforme composta por 6.270 hexágonos, cada um com cerca de 133 metros de lado. Essa espécie de “colmeia digital” permite uma leitura mais precisa e equitativa dos riscos, garantindo que comunidades menores ou historicamente invisibilizadas também sejam priorizadas nas políticas públicas.

Leia mais: Niterói sediará encontro sobre cidades inteligentes em maio 

A inovação, no entanto, não se limita à geometria. O cálculo do risco em Niterói incorpora uma dimensão fundamental: a vulnerabilidade social. A partir de uma metodologia que cruza dados físicos e socioeconômicos, o Índice de Risco é determinado pela relação entre o perigo, identificado por meio de modelos como o SHALSTAB, que analisa a estabilidade do solo, e a vulnerabilidade, medida com base em dados como renda familiar e registros no Cadastro Único. Na prática, isso significa reconhecer que o impacto de um deslizamento não depende apenas da geologia, mas também da capacidade de resposta das populações afetadas.

Essa integração de dados marca uma ruptura com modelos tradicionais de gestão, frequentemente baseados em ações emergenciais. Em vez de atuar apenas após os desastres, o município tem investido em estratégias preventivas, buscando maior eficiência no uso de recursos públicos. Entre as iniciativas, destacam-se as chamadas Soluções Baseadas na Natureza, como a implementação de jardins de chuva, áreas alagáveis construídas e corredores verdes, que ajudam a absorver e desacelerar o fluxo da água, reduzindo a pressão sobre sistemas de drenagem e encostas.

Outro diferencial do modelo adotado em Niterói é a valorização do conhecimento local. Em áreas prioritárias, a prefeitura promoveu mapeamentos participativos, nos quais moradores contribuíram com informações sobre o comportamento das chuvas, o escoamento da água e sinais de instabilidade do solo. O resultado foi uma convergência significativa entre os dados técnicos e a percepção da população, reforçando a importância de integrar ciência e experiência cotidiana na formulação de políticas públicas.

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Esse avanço na forma de gerir riscos também se reflete no posicionamento de Niterói entre as cidades mais inteligentes e resilientes do país. No Ranking Connected Smart Cities (CSC) 2025, o município alcançou a 3ª colocação geral, além de figurar em 2º lugar tanto na região Sudeste quanto entre cidades de porte semelhante. O resultado dialoga diretamente com as estratégias adotadas no campo da prevenção de desastres: ao integrar tecnologia, dados territoriais e indicadores sociais, Niterói não apenas aprimora sua capacidade de resposta a eventos extremos, mas consolida um modelo de gestão urbana que articula diferentes dimensões, da infraestrutura à governança, de forma coordenada e orientada por evidências.

Os dados que sustentam esse desempenho ajudam a explicar por que a cidade tem conseguido avançar em soluções inovadoras como a “colmeia” de risco e os sistemas preditivos. Com um PIB per capita elevado, crescimento expressivo no número de empresas e uma gestão fiscal considerada sólida, Niterói dispõe de condições concretas para investir em políticas públicas estruturantes. A destinação de 8% do orçamento para fundos de reserva voltados a desastres, por exemplo, reforça a lógica preventiva que atravessa toda a estratégia municipal.

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Esse protagonismo também se estende ao campo do diálogo e da articulação entre cidades, como demonstra a realização da Reunião Estratégica da Plataforma CSC, marcada para o dia 14 de maio, na Reserva Cultural de Niterói, no Caminho Niemeyer. O encontro reúne especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir planejamento, inovação e qualidade urbana, consolidando o município como um polo de reflexão sobre os desafios contemporâneos das cidades. A programação, que inclui painéis sobre direção estratégica e visão de futuro, economia azul e ecossistema de inovação, além de segurança pública integrada e resiliência urbana, reforça a coerência entre discurso e prática: Niterói não apenas implementa soluções baseadas em dados e participação social, como também se posiciona como espaço de construção coletiva de caminhos para enfrentar a crise climática e reduzir desigualdades urbanas.

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