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Trânsito melhor: Prefeitura reorganiza a mobilidade urbana

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Trânsito melhor: Prefeitura reorganiza a mobilidade urbana
Fotos: Fotógrafos PMJ

Com o programa “Move Aí”, a administração municipal trabalha para ordenar o avanço da cidade, priorizando a fluidez do trânsito

O foco é claro: combater os pontos de congestionamento, oferecer novos modais e garantir que o cidadão gaste menos tempo no trânsito e tenha mais qualidade de vida. Com base em estudos técnicos e atuação conjunta entre equipes, a cidade avança com o programa Move Aí.

O trabalho é conduzido de forma conjunta entre os departamentos da Secretaria de Mobilidade e Transporte, que analisam o comportamento do tráfego nos bairros para definir soluções mais eficientes, como ajustes na sinalização, intervenções pontuais e ações que priorizam a fluidez do trânsito e reduzem o tempo de deslocamento, especialmente nos horários de pico.

Para o prefeito Gustavo Martinelli, este é um momento de reordenamento necessário. “Ninguém é contra o progresso, mas ele precisa ser feito do jeito certo. Estamos trabalhando com planejamento e responsabilidade para corrigir gargalos históricos. Nosso objetivo é entregar uma infraestrutura viária onde a sinalização funcione, o transporte seja pontual e o cidadão se sinta seguro ao circular por Jundiaí.“

Conheça algumas das principais intervenções já realizadas na mobilidade:

Av. Armando Giassetti

A Secretaria de Mobilidade e Transporte (SMMT), por meio do Departamento de Engenharia de Mobilidade, realizou uma importante intervenção na Av. Armando Giassetti. Houve a melhoria da sinalização, a retirada de uma restrição de circulação em uma das faixas e a readequação geométrica de rotatórias, aumentando a capacidade de circulação da via. O trecho contemplado, com aproximadamente 600 metros de extensão, apresentava tempos de travessia de até sete minutos para os ônibus do transporte coletivo. Com as alterações implantadas, esse tempo caiu para dois minutos em condições normais de fluxo.

Av. Dr. Odil Campos Saes com a Rua das Pitangueiras

O cruzamento da Av. Dr. Odil Campos Saes com a Rua das Pitangueiras ganhou uma nova configuração e o resultado da mudança foi mais segurança viária e fluidez do tráfego na região, por conta da redução dos conflitos veiculares e do tempo de espera nos semáforos.

Avenidas Humberto Cereser e José Mezzalira

A SMMT implantou um novo conjunto semafórico no cruzamento das avenidas Humberto Cereser e José Mezzalira, no Caxambu. A mudança se fez necessária em função do aumento expressivo no volume de veículos na região, ocasionado pela expansão habitacional ao longo da Av. José Mezzalira e pelo trânsito oriundo dos municípios vizinhos. Estudos técnicos desenvolvidos pela Secretaria identificaram que, em horários de pico, o cruzamento apresentava conflitos de fluxo, lentidão e formação de filas.

Jardim Bonfiglioli

Segundo a secretária de Mobilidade e Transporte de Jundiaí, Ana Paula Silva de Almeida, a Pasta também fez estudos viários e constatou a necessidade de entregar, com apoio das equipes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (SMISP), um novo trevo de acesso com conjunto semafórico da Rua Catânia para a Rua Messina, no Jardim Bonfiglioli. “Naquela região, há uma alta demanda de cruzamentos, que geram dificuldades tanto na travessia de pedestres quanto na conversão veicular a partir da Rua Catânia em direção à Messina, no sentido da Av. 9 de Julho”, disse. “Nosso desafio constante é melhorar a mobilidade e a segurança viária, com intervenções pontuais nas vias, melhorias na sinalização e campanhas de conscientização. Trata-se de uma gestão técnica que entende que a cidade cresceu e precisa de soluções inteligentes para continuar avançando”, completou.

Fonte: Prefeitura de Jundíai

MGI promove debate sobre gestão pública em ano eleitoral com foco em prevenção de riscos

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MGI promove debate sobre gestão pública em ano eleitoral com foco em prevenção de riscos
Fonte: Ministério das Cidades

Evento do programa Pró-Integridade reúne especialistas para orientar gestores sobre vedações e boas práticas

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) realiza, na próxima quarta-feira (25/3) às 9h30 mais uma edição do programa Pró-Integridade Convida, com o tema “Gestão Pública em Ano Eleitoral: Prevenção de Riscos e Observância das Vedações”. O encontro será realizado no auditório térreo do Bloco K, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e contará com transmissão ao vivo pelo canal do MGI no YouTube.

A iniciativa tem como objetivo orientar gestores e servidores públicos sobre os cuidados necessários no período eleitoral, abordando limites legais, riscos institucionais e boas práticas para assegurar a integridade da atuação pública.

Participam do debate pela Advocacia-Geral da União (AGU) Izabel Vinchon Nogueira de Andrade e Maria Helena Martins Rocha, consultoras da União; Rafael Rossi do Valle, coordenador-geral eleitoral da Procuradoria-Geral da União; e Carlos Henrique Costa Leite, consultor jurídico adjunto da Consultoria Jurídica do MGI.

A atividade integra as ações da Rede de Parcerias e do Pró-Integridade, iniciativas voltadas ao fortalecimento da governança, da transparência e da conformidade na administração pública federal. O evento contará com acessibilidade em Libras e é aberto ao público, especialmente a gestores, servidores e profissionais que atuam com políticas públicas e processos administrativos.

Serviço

Evento: Pró-Integridade Convida – Gestão Pública em Ano Eleitoral

Data: 25 de março de 2026

Horário: 9h30

Local: Esplanada dos Ministérios, Bloco K, auditório Roseli Faria – térreo

Transmissão: canal do MGI no YouTube

Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

Santos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC sobre porto, inovação e desenvolvimento urbano

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Santos vai sediar, pela primeira vez, reunião estratégica sobre cidades inteligentes
Foto: Divulgação

Encontro no Parque Tecnológico reúne autoridades, especialistas e lideranças do setor público e privado para debater a relação porto-cidade, inovação urbana e inclusão no desenvolvimento das cidades brasileiras.

No dia 9 de abril de 2026, a cidade de Santos recebe a Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC, encontro que reunirá lideranças públicas, empresariais e especialistas para discutir caminhos para o desenvolvimento urbano sustentável a partir da relação entre porto, inovação e cidade. O evento acontece das 13h30 às 18h00, no Parque Tecnológico de Santos, e integra a agenda de encontros regionais da Plataforma CSC, iniciativa que promove o diálogo entre governos, empresas e organizações para impulsionar soluções inteligentes nas cidades brasileiras.

Com localização estratégica no litoral paulista, Santos foi escolhida para sediar o encontro por sua relevância econômica, logística e urbana. A cidade abriga o maior porto da América Latina e se consolidou como um dos principais polos econômicos do país, com forte presença de atividades ligadas à logística portuária, comércio, turismo e serviços. Com um Produto Interno Bruto estimado em cerca de 36 bilhões de reais e Índice de Desenvolvimento Humano de 0,840, o município também se destaca por iniciativas voltadas à inovação urbana, sustentabilidade e planejamento costeiro.

Leia mais: Santos é a oitava cidade mais inteligente e conectada do Brasil

Esse conjunto de fatores tem colocado Santos em posição de destaque nos indicadores nacionais de cidades inteligentes. No Ranking Connected Smart Cities, o município ocupa a 8ª posição entre as cidades mais inteligentes do Brasil e a 5ª colocação na região Sudeste. A cidade também recebeu importantes reconhecimentos na certificação da Plataforma CSC, conquistando o Selo CSC Cidade Inteligente Ouro e o Selo CSC Ecossistemas de Inovação Bronze.

Além da força econômica e logística, Santos é reconhecida pela qualidade urbana e pela integração entre patrimônio histórico, turismo e planejamento urbano. A cidade possui uma extensa orla com jardins reconhecidos internacionalmente, considerada pelo Guinness Book como o maior jardim de orla marítima do mundo, e abriga importantes marcos culturais, como o Museu do Café e o centro histórico revitalizado. A mobilidade urbana também tem recebido investimentos nos últimos anos, com iniciativas voltadas ao transporte público e à mobilidade ativa, fortalecendo o modelo de urbanismo costeiro que se tornou referência nacional.

Leia mais: Santana de Parnaíba recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC

A programação da Reunião Estratégica Regional contará com três painéis temáticos que abordarão diferentes dimensões do desenvolvimento urbano em cidades portuárias. O primeiro painel será dedicado à apresentação da cidade, com destaque para o projeto Parque Palafitas, iniciativa que busca promover soluções urbanísticas e sociais para territórios vulneráveis localizados em áreas costeiras. Na sequência, o segundo painel discutirá tecnologia e inovação na relação porto-cidade, tema central para cidades que conciliam atividades logísticas de grande escala com qualidade urbana e sustentabilidade. Encerrando a programação, o terceiro painel abordará inclusão, educação e participação cidadã como pilares para a construção de cidades mais justas e inteligentes.

O encontro reunirá representantes do poder público, do setor empresarial e de organizações ligadas à inovação e planejamento urbano. Entre os palestrantes confirmados estão Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos; Fábio Ferraz, secretário de Governo da Prefeitura de Santos; Glaucus Renzo Farinello, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade do município; Ludmilla Rossi, CEO da JuicyHub; Mauro Sammarco, presidente da Associação Comercial de Santos; e Paulo Alexandre Barbosa, deputado federal. A programação conta ainda com a presença de Selley Storino, secretária de Comunicação e Economia Criativa da Prefeitura de Santos.

Leia mais: Ponta Porã é a primeira cidade do Brasil a sediar a Reunião Estratégica da Plataforma CSC em 2026

Também participam do encontro especialistas em mobilidade e inovação urbana, como Sérgio Avelleda, sócio fundador da Urucuia: Mobilidade Urbana, além de lideranças da própria Plataforma Connected Smart Cities, como Paula Faria, CEO e idealizadora da Necta e da Plataforma CSC, e Willian Rigon, sócio e diretor de novos negócios da Necta e da Plataforma CSC. 

Ao reunir diferentes atores do ecossistema urbano em uma cidade que simboliza a integração entre porto, inovação e qualidade de vida, a Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC busca ampliar o diálogo sobre soluções para o futuro das cidades brasileiras, fortalecendo a colaboração entre setores e estimulando iniciativas que promovam desenvolvimento sustentável e inclusão.

Saiba mais sobre o evento, clique aqui

Recife lança sistema de patinetes elétricos compartilhados e amplia mobilidade urbana

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Recife lança sistema de patinetes elétricos compartilhados e amplia mobilidade urbana
Foto: Vanessa Alcântara/PCR

Iniciativa da Prefeitura do Recife amplia alternativas sustentáveis e inicia fase experimental com mais de mil equipamentos distribuídos pela cidade

A Prefeitura do Recife deu mais um passo importante na construção de uma cidade mais inovadora, sustentável e conectada ao futuro. Neste domingo (22), o prefeito João Campos lançou oficialmente o sistema de patinetes elétricos compartilhados, uma nova alternativa de micromobilidade urbana que passa a operar, de forma experimental, em diferentes áreas da capital.

Durante o evento de lançamento, o prefeito destacou o funcionamento do serviço, reforçando que, apesar de acessível, o uso exige responsabilidade. “Pode até parecer um brinquedo, mas é um meio de transporte, com regras claras. É permitido apenas para maiores de 18 anos, não pode ser utilizado sob efeito de álcool e deve ser conduzido e estacionado nos locais adequados”, afirmou.

Ele também explicou a dinâmica de uso e o modelo de operação. “São duas empresas credenciadas, cada uma com seu aplicativo. O usuário pode retirar o patinete em um dos pontos e devolvê-lo em outro. Estamos iniciando um período experimental, com possibilidade de expansão ao longo do tempo. É importante destacar que o custo de operação é totalmente das empresas, cabendo à Prefeitura apenas a regulamentação”, completou.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia e integra o programa EITA! Labs, que transforma o Recife em um laboratório vivo para testes de soluções tecnológicas em ambiente real.

Nesta fase inicial, o sistema conta com cerca de 90 pontos de estacionamento distribuídos em bairros estratégicos, como Bairro do Recife, Boa Viagem, Pina, Santo Antônio, São José, Boa Vista, Santo Amaro, Graças, Aflitos, Espinheiro, Casa Forte, Santana, Poço da Panela, Parnamirim, Jaqueira, Torre, Madalena, Derby e Paissandu. Ao todo, a operação poderá chegar a mais de mil patinetes em circulação, organizados de forma planejada para garantir segurança, acessibilidade e ordenamento do espaço público.

O serviço será operado pelas empresas Jet e Whoosh, selecionadas por meio do EITA! Labs, e funcionará por aplicativo. Os usuários poderão localizar os patinetes disponíveis, desbloquear os equipamentos via QR Code e realizar o pagamento diretamente na plataforma. Ao final do trajeto, os veículos deverão ser estacionados em pontos autorizados.

O investimento varia de acordo com a empresa escolhida e o tempo de utilização. Os preços partem de R$ 0,63 por minuto, com opções de pacotes a partir de R$ 13,00 por 20 minutos.

A circulação seguirá normas de segurança, com uso permitido apenas para maiores de 18 anos, respeitando limites de velocidade e áreas específicas, como ciclovias, ciclofaixas e vias com velocidade reduzida.

A implantação será acompanhada continuamente pela Prefeitura ao longo de 12 meses. Durante esse período, serão avaliados o comportamento dos usuários, os impactos na mobilidade urbana e a eficiência do modelo, permitindo ajustes e aprimoramentos na operação.

Para o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia, Rafael Cunha, a iniciativa representa mais um avanço na agenda de inovação urbana. “O Recife está colocando a inovação para rodar nas ruas. Estamos ampliando as opções de mobilidade com uma solução sustentável, prática e conectada com o futuro das cidades”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância do caráter experimental do projeto. “Essa fase permite que a Prefeitura acompanhe de perto o uso da tecnologia, compreenda seu funcionamento na dinâmica da cidade e tome decisões mais assertivas sobre a expansão e regulamentação do serviço”, completou.

A iniciativa contribui para diversificar as opções de deslocamento, fortalecer a mobilidade sustentável e impulsionar o Recife como referência nacional em inovação no setor público.

O educador físico Júnior Moraes, de 27 anos, participou do lançamento e aprovou a novidade. “Achei bem interessante. Um amigo veio de Abreu e Lima, e aproveitamos para conhecer e testar. Foi uma experiência legal”, contou.

Ele também destacou o potencial do serviço para lazer e deslocamento. “É uma alternativa que se soma à bicicleta, tanto para lazer quanto como meio de transporte. Pode ajudar as pessoas a circularem mais pela cidade e aproveitarem melhor os espaços do Recife”, concluiu.

Fonte: Prefeitura de Recife

Crescimento urbano desordenado aproxima cidades de riscos ambientais e sanitários

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Crescimento urbano desordenado aproxima cidades de riscos ambientais e sanitários
Foto: Gerada por IA/ Gemini

Avanço sobre áreas naturais traz animais silvestres para o ambiente urbano e favorece a disseminação de doenças, além de comprometer recursos como a água

O professor Paulo Saldiva explica que a expansão desordenada das cidades está reduzindo a separação entre áreas urbanas e naturais, criando zonas de contato cada vez mais imprecisas. Com isso, animais silvestres, como capivaras, aves e morcegos, passam a ocupar espaços urbanos em busca de alimento e sobrevivência.

Esse processo também favorece a chegada de doenças antes restritas a áreas rurais ou florestais, como leishmaniose, raiva e febre maculosa, agora presentes nas cidades e, em alguns casos, transmitidas por animais domésticos ou silvestres. Além disso, a ocupação irregular de mananciais e o despejo de esgoto comprometem a qualidade da água, aumentando problemas de saúde, como diarreias.

O cenário reflete um desequilíbrio ambiental causado pelo crescimento urbano acima da capacidade dos ecossistemas, exigindo melhor planejamento do uso do solo para evitar o agravamento de riscos à saúde pública.

Fonte: Rádio USP – Paulo Saldiva

A arqueologia de dados: escavando metadados e contextos de intencionalidade nas cidades inteligentes

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A arqueologia de dados: escavando metadados e contextos de intencionalidade nas cidades inteligentes
Foto: Enviada por Giovanni Bernardo

Como a arqueologia digital fortalece a integridade e a transparência na tomada de decisão urbana

Por Débora Zeferino Leoratto e Jamile Sabatini Marques 

As cidades estão cada vez mais orientadas por dados. Sensores monitoram o trânsito, algoritmos apoiam decisões em segurança pública, plataformas digitais organizam serviços urbanos. Nesse contexto, torna-se essencial ir além da superfície dos gráficos e indicadores. A metáfora da arqueologia, aplicada ao letramento de dados, convida o olhar analítico a explorar as profundezas da produção da informação. 

Conforme propõe Gitelman (2013), se os dados são aprimorados por infraestruturas de interpretação, a tarefa do letrado em dados é realizar uma arqueologia digital: um processo de descoberta que identifica as camadas de escolhas e os contextos de valor que moldam o registro da informação. Na arqueologia tradicional, estuda-se a sucessão de camadas de solo para contextualizar artefatos. No campo das cidades inteligentes, essa função de preservação e clareza é exercida pelos metadados — os “dados sobre os dados”.

Escavar os metadados significa investigar a proveniência e a integridade da informação por meio de três dimensões fundamentais: 

  1. Origem do registro: identificar quem gerou o dado e qual o propósito específico da coleta; 
  2. Padronização técnica: compreender em qual protocolo técnico o dado foi estruturado e quais critérios garantem sua consistência; 
  3. Jornada de transformação: mapear as etapas pelas quais o dado passou entre a coleta e a visualização final.

Um banco de dados é um “artefato digital” desenhado com intencionalidade. Assim como um vaso grego reflete a estética e as leis de sua época, um algoritmo reflete a lógica e as prioridades da organização que o desenvolve.  Quando exploramos a intenção por trás da coleta, elevamos a tecnologia a um novo patamar de transparência, legitimidade, eficiência e governança consciente. 

A seguir, uma comparação estruturada da Ciência de Dados como prática arqueológica aplicada à gestão urbana:

Elemento Perspectiva Arqueológica Aplicação no Letramento de Dados
O Objeto Artefato: algo feito com um propósito específico. Dataset: uma construção humana; registro de intenção.
A Escavação Estratigrafia: analisar camadas para entender o tempo. Proveniência: rastrear a origem e transformações do dado.
A Lacuna Silêncio material: o que o tempo preservou para novas leituras. Visibilidade: identificar quem foi mapeado e como integrar novas vozes.
A Ferramenta Pincel e espátula: cuidado para preservar o contexto. Curadoria:  atenção aos detalhes que contam a história real.
O Objetivo Reconstrução:  compreender como a sociedade se organizava. Auditoria: entender como o sistema decide e quem ele prioriza.

 

No letramento de dados aplicado às cidades inteligentes, a proveniência descreve a jornada completa de cuidado com a informação. Essa trajetória assegura a qualidade do que é entregue ao ecossistema urbano:

  1. Captura:  o momento em que sensores e formulários são calibrados para perguntas abrangentes e inclusivas; 
  2. Processamento: a fase em que o dado é normalizado e valores atípicos são analisados como possíveis sinais relevantes da realidade social;
  3. Entrega: o estágio em que o algoritmo pondera os dados para gerar resultados técnicos consistentes e eticamente responsáveis.

Um profissional letrado em dados realiza, portanto, uma verdadeira estratigrafia digital. Ele opera a informação com consciência crítica, examinando sua validade, sua atualidade e o contexto em que foi produzida, compreendendo que cada dado carrega decisões, critérios e prioridades. Em cidades cada vez mais conectadas, transparência é fundamento estrutural da governança urbana.  Ao rastrear a linhagem do dado da captura ao processamento e à aplicação algorítmica — qualificamos as decisões públicas, ampliamos a confiança institucional e fortalecemos uma gestão urbana orientada por responsabilidade e clareza.

Esse compromisso com a proveniência posiciona a governança de dados como dimensão estratégica do planejamento urbano contemporâneo e fortalece a estrutura institucional das cidades. Ao reconhecer que os dados carregam história, contexto e intencionalidade, superamos a visão simplista que os reduz a recursos prontos para consumo. Cidades inteligentes se constroem a partir da compreensão — e da visibilidade — das camadas que sustentam suas decisões, integrando tecnologia com responsabilidade e transparência.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Brasil faz maior leilão de energia da história, com 19 GW e R$ 64,5 bilhões em investimentos

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Brasil faz maior leilão de energia da história, com 19 GW e R$ 64,5 bilhões em investimentos
Foto: REUTERS/Manon Cruz

O recorde anterior havia sido em 2009, com o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, de 11 GW de potência.

O Brasil negociou, em leilão nesta quarta-feira, 19 gigawatts (GW) em novos contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas, garantindo negócios para empresas como Petrobras, Eneva, Axia e Copel. Foi a maior contratação já realizada pelo setor elétrico do país.

Ao todo, 100 empreendimentos, novos e existentes, foram contratados, somando cerca de R$ 64,5 bilhões em investimentos, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) com base em informações das empresas.

A nova capacidade, equivalente a quase 10% do parque instalado atual, busca garantir a segurança no fornecimento de energia já a partir deste ano.

Com o crescimento das energias eólica e solar nos últimos anos, o país passou a precisar também de usinas que possam entrar em operação rapidamente quando houver queda na geração dessas fontes, que variam conforme o clima.

O leilão viabilizou a recontratação de várias termelétricas já existentes, como Norte Fluminense e Santa Cruz, da Âmbar Energia (do grupo J&F), além de Nova Piratininga, Juiz de Fora, Seropédica, Termomacaé e Termobahia, da Petrobras.

Também foram contratadas usinas flutuantes a gás da turca Karpowership, além de projetos a carvão mineral da Eneva em Itaqui e Pecém.

Na área hidrelétrica, empresas como Axia, Engie Brasil, Copel e a chinesa SPIC garantiram contratos para instalar novas máquinas em usinas já existentes.

Esse foi o maior leilão de geração de energia já realizado no Brasil, tanto em volume quanto em investimentos. O recorde anterior havia sido em 2009, com o leilão da hidrelétrica de Belo Monte, de 11 GW de potência.

Já o único leilão de capacidade realizado até então, em 2021, contratou 4,6 GW e garantiu R$ 5,98 bilhões em investimentos.

Fonte: G1

Estado promove treinamento para 48 cidades contempladas com investimentos em inovação

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Estado promove treinamento para 48 cidades contempladas com investimentos em inovação
Foto: Raphaella Piovezan/SEIA

O encontro reúne integrantes dos municípios contemplados pelo programa Pacto Pela Inovação e Fundo a Fundo para um dia de capacitação, troca de experiências e orientações sobre formas de aplicação do investimento do Governo do Estado.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA), realiza nesta quinta e sexta-feira (19 e 20) um workshop para a capacitação sobre aplicação dos recursos recebidos pelos 48 municípios contemplados pelo programa Pacto Pela Inovação e Fundo a Fundo. O objetivo é reunir representantes das cidades para um momento de troca de experiências e alinhamento técnico sobre ações locais de inovação.

A programação do evento é voltada à disseminação de boas práticas em inovação pública, apresentação de cases de sucesso e orientações estratégicas para a execução dos projetos nos municípios. Além das palestras, os participantes realizaram visitas técnicas na Agência Curitiba, no Vale do Pinhão, na sede da SEIA e no Hub GovTech Paraná, proporcionando uma imersão em ambientes de inovação e governança pública.

Segundo o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, o evento visa apoiar os municípios na estruturação dos ecossistemas de inovação e garantir mais eficiência e transparência na aplicação dos recursos.

“Mais do que o repasse financeiro, é fundamental que os municípios estejam preparados para planejar e utilizar bem esses recursos, por isso, trabalhamos na orientação e na construção de uma governança local, para que os investimentos sejam aplicados de forma estratégica e gerem resultados concretos, impactando diretamente o desenvolvimento das cidades”, ressaltou.

Durante o workshop, os municípios puderam acompanhar apresentações da pasta da Inovação no Estado, da Celepar e do Sebrae/PR, tendo como foco orientações técnicas e detalhadas sobre o edital e o uso adequado dos recursos do Fundo a Fundo, além de exemplos metodologias de gestão da inovação e experiências bem-sucedidas de cidades de pequeno porte na aplicação de recursos para a área.

PROGRAMA

Em dezembro de 2025, o Governo do Estado, por meio da SEIA, repassou R$ 55 milhões para os 48 municípios contemplados no Pacto Pela Inovação e Fundo a Fundo. O novo modelo de repasses do programa permitiu a transferência direta do Estado para as cidades sem necessidade de convênios, tornando o processo mais ágil e acessível.

Para serem contemplados, os municípios precisavam obrigatoriamente dispor de uma Lei Municipal de Inovação, possuir um fundo municipal com CNPJ próprio, ter um conselho municipal ativo e assinar o termo de adesão do Pacto Pela Inovação. A análise para escolha das cidades considerou os aspectos técnicos e documentais de habilitação.

A iniciativa é regulamentada pela Lei nº 22.107/2024, que assegura a destinação de parte dos recursos do Fundo Paraná para apoiar projetos de modernização, ciência, tecnologia e inovação nos municípios.

Com o dinheiro em conta, as cidades podem utilizá-lo para compra de equipamentos como notebooks, telas interativas, impressora 3D, entre outros, além de serem utilizados para estruturação de ambientes de inovação para fomentar o empreendedorismo inovador, como a criação de hubs e laboratórios. Outra forma de aplicação do aporte é por meio da viabilização de programas, projetos e desafios de inovação, difusão científica, inclusão digital e transformação de serviços públicos.

Confira os 48 municípios contemplados e o valor destinado a cada um:

Antonina – R$ 1.459.103,27

Apucarana – R$ 995.574,72

Arapongas – R$ 995.574,72

Assaí – R$ 1.260.448,18

Bandeirantes – R$ 1.227.339,00

Barbosa Ferraz – R$ 1.359.775,73

Boa Ventura de São Roque – R$ 1.359.775,73

Campo Largo – R$ 995.574,72

Campo Mourão – R$ 1.028.683,90

Carlópolis – R$ 1.359.775,73

Cascavel – R$ 980.247,17

Castro – R$ 1.128.011,45

Chopinzinho – R$ 1.128.011,45

Cianorte – R$ 1.028.683,90

Cornélio Procópio – R$ 1.028.683,90

Cruzeiro do Oeste – R$ 1.128.011,45

Francisco Beltrão – R$ 1.028.683,90

Goioerê – R$ 1.128.011,45

Grandes Rios – R$ 1.359.775,73

Guarapuava – R$ 995.574,72

Ibiporã – R$ 1.128.011,45

Irati – R$ 1.128.011,45

Ivaiporã – R$ 1.260.448,18

Ivatuba – R$ 1.161.120,63

Jaboti – R$ 1.359.775,73

Jacarezinho – R$ 1.128.011,45

Jandaia do Sul – R$ 1.128.011,45

Japurá – R$ 1.260.448,18

Jussara – R$ 1.260.448,18

Mamborê – R$ 1.260.448,18

Marechal Cândido Rondon – R$ 1.028.683,90

Maringá – R$ 896.247,17

Ortigueira – R$ 1.227.339,00

Palotina – R$ 1.028.683,90

Pato Branco – R$ 1.028.683,90

Peabiru – R$ 1.359.775,73

Ponta Grossa – R$ 896.247,17

Prudentópolis – R$ 1.128.011,45

Realeza – R$ 1.260.448,18

Ribeirão Claro – R$ 1.359.775,73

Rolândia – R$ 1.128.011,45

Santa Helena – R$ 1.128.011,45

Santo Antônio da Platina – R$ 1.227.339,00

São José dos Pinhais – R$ 896.247,17

São Miguel do Iguaçu – R$ 1.128.011,45

Siqueira Campos – R$ 1.128.011,45

Toledo – R$ 896.247,17

Umuarama – R$ 896.247,17

Fonte: Governo do Estado do Paraná

Um em cada quatro brasileiros já saiu de casa por evento climático

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Um em cada quatro brasileiros já saiu de casa por evento climático
Foto: Corpo de Bombeiros de MG/Divulgação

Ondas e calor e falta de energia estão entre os impactos mais citados

Um em cada quatro brasileiros (24%) já precisou sair de casa temporariamente por causa de eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos, incêndios ou ondas de calor.

O dado faz parte de uma pesquisa da Ipsos para o Instituto Talanoa. Os resultados foram divulgados nesta segunda-feira (16), Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas.

Nos últimos 12 meses, os impactos climáticos mais citados pelos entrevistados foram ondas de calor extremo (48%), falta de energia elétrica (42%) e tempestades fortes (35%), seguidos por escassez de água (26%), doenças transmitidas por mosquitos (23%) e enchentes (21%).

A pesquisa também indica que o tema da adaptação climática já entrou no radar da população brasileira. Cerca de 81% dos entrevistados dizem já ter ouvido falar no conceito, embora apenas 13% afirmem conhecê-lo bem.

Cerca de 70% dos entrevistados acreditam que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes. Entre os aspectos do cotidiano mais afetados estão saúde (40%), alimentação (37%), gastos com energia elétrica (37%), moradia (29%) e mobilidade (25%).

Apoio a obras

Apesar de possíveis custos adicionais, a maioria dos entrevistados apoia medidas para preparar cidades e infraestruturas para os impactos do clima.

A pesquisa mostra que 63% concordam que novas construções devem considerar os efeitos das mudanças climáticas. O apoio sobe para 76% quando as obras são financiadas com recursos públicos.

Mesmo quando essas medidas podem provocar transtornos imediatos, como obras urbanas ou mudanças em regras de construção, o apoio permanece elevado. Dois terços da população (66%) afirmam apoiar ações de adaptação, enquanto apenas 9% se posicionam contra.

O apoio aparece em todas as regiões do país, variando de 58% no Sul a 73% no Sudeste, segundo o levantamento.

A pesquisa foi feita entre 19 e 29 de dezembro de 2025, com 1 mil entrevistas por meio de painel online. A amostra é representativa das classes A, B e C em todo o país e leva em conta gênero, faixa etária e região.

Fonte: Agência Brasil

Mobilidade Como Infraestrutura Social: Acessibilidade, Inclusão e Justiça Espacial nas Cidades

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Mobilidade Como Infraestrutura Social: Acessibilidade, Inclusão e Justiça Espacial
créditos: Cidade de Bordeaux/ Divulgação

Por que pensar a mobilidade além da infraestrutura é essencial para enfrentar desigualdades nas cidades

Por Dustin Hofman e Daniel Luis Notari

As cidades modernas são frequentemente avaliadas por sua capacidade de inovar e incorporar tecnologia, mas a pergunta central permanece: quem consegue, de fato, se mover pela cidade e acessar as facilidades e equipamentos urbanos que ela oferece? A mobilidade urbana, tradicionalmente associada à organização dos sistemas de transporte dentro do espaço construído, precisa ser compreendida como instrumento de garantia de acesso a direitos. A Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei nº 12.587/2012) estabelece princípios e diretrizes como equidade no uso do espaço público, prioridade ao transporte coletivo e aos modos não motorizados, bem como integração entre transporte e uso do solo. Entretanto, a existência de infraestrutura não assegura, por si só, que as oportunidades urbanas estejam acessíveis de maneira justa.

A mobilidade humana, por sua vez, amplia esse debate ao transportar o foco dos sistemas para as experiências concretas das pessoas. Deslocar-se não é apenas percorrer distâncias, mas administrar tempo, renda e condições físicas dentro de um território desigual. A qualidade de um sistema de transporte tem impacto direto na inclusão socioeconômica de uma população ao se apresentar como elemento-chave para garantir acesso a emprego, educação e serviços. Quando uma trabalhadora da periferia compromete três horas diárias em deslocamento ou quando um idoso deixa de utilizar o transporte por insegurança ou falta de informação acessível, não se trata apenas de ineficiência operacional, mas de limitação concreta ao exercício da cidadania.

É nesse ponto que a mobilidade inclusiva deixa de ser um conceito abstrato e passa a demandar escolhas políticas específicas. A inclusão envolve desenho de redes que conectem bairros periféricos a centralidades econômicas sem exigir múltiplas integrações onerosas; políticas tarifárias que considerem a capacidade de pagamento; informação em tempo real acessível a pessoas com deficiência visual ou auditiva; e priorização de modos ativos (ou coletivos) com infraestrutura segura. A Nova Agenda Urbana da ONU reforça o compromisso com sistemas de transporte seguros, acessíveis e sustentáveis para todos, mas sua concretização depende de decisões locais que enfrentem desigualdades territoriais históricas.

A justiça espacial emerge como eixo estruturante dessa agenda. Não basta que a cidade possua equipamentos, serviços e oportunidades; é necessário que estejam distribuídos de forma equitativa no território ou que existam conexões eficientes e acessíveis entre onde as pessoas moram e onde essas oportunidades se concentram. A ausência de transporte adequado em áreas periféricas, a precariedade de calçadas em bairros populares e a concentração de infraestrutura de qualidade em regiões centrais revelam como o espaço urbano pode reproduzir desigualdades. A mobilidade inclusiva, nesse sentido, é política de redistribuição territorial.

Desta forma, a acessibilidade é o elemento que materializa essa justiça no cotidiano. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) converge com a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ao estabelecer a acessibilidade como condição para o exercício pleno da cidadania. Isso significa garantir travessias seguras com sinalização sonora, pontos de ônibus acessíveis, plataformas niveladas e veículos adaptados, além de calçadas contínuas e com inclinação adequada. A delegação da execução e manutenção das calçadas aos proprietários resulta em fragmentação e desigualdade; a padronização e a uniformidade poderiam ser ampliadas com maior protagonismo do poder público, reduzindo assimetrias e custos de fiscalização para a municipalidade. Normas como a ABNT NBR 9050 orientam tecnicamente essas soluções, mas sua efetividade depende de fiscalização, manutenção e incorporação do desenho universal desde a fase de projeto urbano.

Ao integrar planejamento territorial, mobilidade inclusiva e acessibilidade, tendo as pessoas como centro das políticas, a cidade reduz não apenas distâncias físicas, mas distâncias sociais. O ODS 11 da Agenda 2030 reafirma o compromisso com cidades inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis, mas esse compromisso se concretiza apenas quando a mobilidade é tratada como infraestrutura social estratégica. Uma cidade verdadeiramente inteligente não é apenas a que monitora fluxos ou digitaliza serviços, mas a que, ao assumir a mobilidade como um direito, utiliza as tecnologias para enfrentar desigualdades espaciais, eliminar barreiras físicas e garantir que todas as pessoas possam circular, acessar oportunidades e participar plenamente da vida urbana.

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