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O Protagonismo da Sociedade Civil em Tempos de Eleição

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O Protagonismo da Sociedade Civil em Tempos de Eleição
Foto: José Cruz/Agência Brasil

Participação social, pluralidade de vozes e o redesenho da governança urbana no ciclo eleitoral brasileiro

Estamos vivendo um momento singular na democracia brasileira. À medida que nos aproximamos de mais um ciclo eleitoral, o debate sobre cidades inteligentes ganha uma urgência que ultrapassa a mera discussão tecnológica. Não estamos falando apenas de sensores, aplicativos ou infraestrutura digital; estamos discutindo o modelo de cidade que desejamos para as próximas gerações e, fundamentalmente, como a sociedade civil pode e deve moldar as políticas públicas que serão implementadas nos próximos quatro anos. 

Historicamente, o debate político era restrito aos partidos, no entanto, o século XXI trouxe o que chamamos de pluralização da representação. Hoje, a legitimidade das decisões públicas não emana apenas das urnas, mas da capacidade de diversos atores, como ONGs, movimentos sociais, lideranças locais e o setor privado, de vocalizarem demandas públicas.

Nas cidades inteligentes, essa representação é o que garante a inclusão. Quando a sociedade civil se organiza para discutir mobilidade, segurança ou saúde, ela exerce uma representação virtual e de advocacy. Isso significa que esses grupos dão visibilidade a temas que, muitas vezes, o sistema eleitoral tradicional não consegue captar com agilidade. Em ano de eleição, o papel da sociedade é cobrar que os planos de governo não sejam apenas peças de marketing, mas compromissos reais com a realidade dos cidadãos. 

Um dos pontos mais fascinantes da nossa atualidade é a redemocratização do conceito de cidade inteligente. Existe um movimento importante que defende a cidadania como o direito a ter direitos. Nesse cenário, a inteligência de uma cidade é medida pela sua capacidade de promover a partilha real de poder.

É fundamental que, neste período eleitoral, a sociedade civil brasileira atue como um agente do poder público. Precisamos de desenhos institucionais que favoreçam a participação de baixo para cima. Experiências sugerem que, quando o cidadão participa da elaboração de planos diretores ou da gestão de políticas setoriais, a política pública ganha eficiência e, acima de tudo, humanidade. Discutir cidades inteligentes em ano de eleição é, portanto, um exercício de participação social. 

A legitimidade dos nossos futuros governantes será medida pela sua abertura ao diálogo com esses novos atores da representação civil, focando na vocalização de causas que tiram temas importantes da invisibilidade e os colocam no centro das discussões para garantir que a inovação sirva ao bem comum.

O futuro da governança urbana no Brasil depende da nossa capacidade de integrar múltiplos eixos de representação. O Connected Smart Cities nasceu com esse propósito: conectar governo, empresas e sociedade civil para que a pluralidade social não seja apenas ouvida, mas tenha o poder efetivo de moldar a responsabilidade pública. 

Que este ano eleitoral seja o palco de uma discussão madura, positiva e propositiva. Que possamos ver a tecnologia como meio e a sociedade civil ativa como o coração pulsante das cidades que queremos construir. Afinal, uma cidade só é verdadeiramente inteligente se for capaz de promover o bem-estar de todos os seus cidadãos através de uma democracia vibrante e participativa.

Nova Iguaçu (RJ) recebe investimento para renovação de frota

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Nova Iguaçu (RJ) recebe investimento para renovação de frota
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

seleção de propostas do Novo PAC – Mobilidade Urbana, no eixo de Renovação de Frota (setor privado), foi divulgada pelo Ministério das Cidades nesta segunda-feira (27), contemplando o município de Nova Iguaçu (RJ).

O investimento total é de R$ 12,3 milhões, destinados à aquisição de 15 ônibus Euro 6 para transporte público coletivo urbano. A iniciativa será viabilizada com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e tem com o objetivo de modernizar as frotas, ampliar a eficiência do sistema e melhorar a qualidade do serviço oferecido à população.

Leia também: Inovação e Sustentabilidade no Centro do Debate: Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana postergam prazo de Inscrições para 2026

A iniciativa faz parte das ações do Governo Federal voltadas ao fortalecimento da mobilidade urbana, à melhoria da eficiência do transporte coletivo e à modernização da frota com veículos mais atuais e sustentáveis.

Além dos ganhos operacionais, a renovação da frota também contribui para a agenda ambiental, ao incentivar a utilização de veículos mais eficientes, com menor emissão de poluentes e redução do consumo de combustível.

Fonte: Ministério das Cidades

Por que investidores estrangeiros avaliam que Brasil vive ‘momento de ouro’ na economia

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Petróleo ultrapassa US$ 115 com aumento de tensões entre EUA e Irã
Foto: wirestock

O Brasil voltou aos radares dos investidores estrangeiros. É o que apontam instituições financeiras e analistas internacionais, diante da disparada nos preços do petróleo, alta dos juros e valorização do real.

Um relatório do Bank of America (BofA), uma das principais instituições financeiras americanas, questiona se o país pode ser o “próximo ouro”, em referência ao recente bom desempenho do ativo no mercado financeiro global.

Outra análise, do banco de investimentos Goldman Sachs, indica que o Brasil tem se destacado como um dos principais beneficiários da alta nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz.

Ao elevar a projeção de crescimento da economia brasileira 1,6% para 1,9% em 2026, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também apontou o país como um dos que podem ser favorecidos no curto prazo pela crise, por ser exportador líquido de energia.

O bom momento do Brasil, aliás, chegou às reuniões de primavera organizadas pelo FMI em Washington D.C. em meados de abril, segundo interlocutores. O colóquio é um dos dois grandes encontros globais anuais da instituição e reúne ministros das finanças, presidentes de bancos centrais, gestores de fundos, executivos e outros participantes do setor financeiro global.

“O Brasil tem sido apontado como um dos locais mais atraentes do mundo emergente”, disse Martín Castellano, chefe de pesquisa para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), em entrevista à BBC News Brasil.

“Mas naturalmente, muito se tem discutido sobre as próximas eleições e seus possíveis impactos nas políticas econômicas [do país].”

Como o Brasil se beneficia da guerra?

Há uma leitura comum de que o Brasil — e a América Latina como um todo — tem se beneficiado de um pano de fundo global positivo para os países emergentes.

À primeira vista, pode parecer contraditório que um conflito com efeitos negativos para a economia mundial favoreça, ainda que marginalmente, nações específicas. Mas há uma explicação clara: o papel desses países, incluindo o Brasil, como exportadores de commodities, especialmente energia.

Com as interrupções na oferta de petróleo e as incertezas nesse mercado provocadas pela guerra no Oriente Médio, os preços do combustível subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra.

Energia mais cara também encarece transporte, produção industrial e alimentos — especialmente em países dependentes de importações. Por isso, economias importadoras de commodities tendem a ser as mais prejudicadas, enfrentando inflação mais alta, desvalorização cambial e perda de renda.

Para os exportadores de energia ou commodities, porém, o cenário pode ser outro.

No caso do Brasil, que é considerado pelo FMI um exportador líquido de energia — ou seja, vende mais petróleo e derivados ao exterior do que compra — preços internacionais altos significam ganhos maiores. Esse efeito melhora os chamados “termos de troca” (a relação entre preços de exportação e importação), e pode impulsionar o crescimento econômico.

Por tudo isso, o FMI considerou em seu relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado em abril, que a guerra deve ter “um pequeno efeito líquido positivo” sobre o Brasil em 2026, elevando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual.

“É importante destacar também que o Brasil é um dos países com altíssima participação de energias renováveis, o que representa outro fator atenuante”, afirmou a vice-diretora no Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, em um pronunciamento à imprensa durante as reuniões nos EUA na semana passada.

Atraindo investimentos
Para instituições financeiras como o Bank of America (BofA) e o Goldman Sachs, esse cenário também ajuda a consolidar o país como atrativo para investimentos estrangeiros.

Mas além do peso das commodities na economia local, o Brasil se tornou destaque neste momento por conta das altas taxas de juros e o enfraquecimento do dólar.

Segundo o relatório publicado pelo Bank of America (BofA) em 14 de abril, “os investidores seguem confortáveis em manter exposição ao real brasileiro e às ações brasileiras”.

A percepção, de acordo com os economistas do BofA, é de que o aumento nas previsões de inflação diante dos impactos da guerra e da alta do petróleo devem manter os rendimentos atrativos, já que o Banco Central pode encontrar mais dificuldades para acelerar o ritmo de cortes de juros.

A avaliação veio após reuniões com clientes em Nova York, às vésperas dos encontros do FMI e do Banco Mundial, que também organiza discussões com investidores todos os anos em abril.

Analistas do Goldman Sachs também apontaram em um diagnóstico de 15 de abril que o Brasil segue sendo um foco interessante para investimentos por conta do impulso das matérias-primas.

O banco afirma, porém, que setores domésticos que vêm sofrendo com a crise global, como os ligados ao crescimento local (bancos, varejo, construção), podem ver sua situação melhorar à medida que os cortes de juros forem aplicados.

Mas a conclusão é positiva. “Na América Latina, o Brasil se destacou como beneficiário da alta dos preços do petróleo”, dizem os economistas.

“Com avaliações, em nossa opinião, atrativas em relação ao nível das taxas, e com expectativas de novos cortes na taxa e alta sensibilidade do mercado acionário às taxas de juros, esperamos que as ações brasileiras tenham um desempenho superior”, afirma o relatório.

Até 22 de abril, o capital estrangeiro na Bolsa de Valores (B3) somou R$ 64,42 bilhões neste ano, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025 (R$ 25,47 bilhões), segundo dados da consultoria Elos Ayta.

Isso significa que 61,2% de tudo que entrou na bolsa brasileira em 2026 veio do exterior, uma tendência de elevação do fluxo internacional observada desde 2023.

Mais recentemente, porém, o mercado acionário brasileiro vem atravessando um período de certa turbulência.

O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma desvalorização acentuada de aproximadamente 10 mil pontos em um curto intervalo de tempo, após atingir a máxima histórica em 14 de abril.

Analistas afirmam que o episódio deve ser visto mais como um ajuste típico de fluxo após um período de alta prolongado do que um sinal de alerta estrutural para a economia brasileira.

Segundo um relatório do banco Santander, o movimento de venda de ações recente foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.

Uma estimativa do Instituto de Finanças Internacionais indica ainda que, a cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo, o Brasil recebe cerca de US$ 4 bilhões adicionais em entradas de dólares nas contas externas.

“Isso representa aproximadamente 0,2% do PIB em termos de ingresso adicional de recursos”, afirma Castellano.

Para o economista e seus colegas do IIF, a alta no preço das commodities também afeta positivamente o crescimento no país.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução do preço médio das matérias-primas disparou desde o início da guerra.

O índice da Sondagem Industrial, que mede a variação do preço das commodities, saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos.

O indicador não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia de covid-19.

O Brasil, que tem uma base de exportações mais diversificada do que outros países da América Latina, se beneficia especialmente desse movimento, diz Martín Castellano.

“Outro fator que considero importante é que a economia brasileira é relativamente fechada, portanto não está tão exposta a choques globais”, avalia.

“Além disso, acredito que os investidores entendem que o governo brasileiro lidou bem com o choque das tarifas [impostas pelos] EUA, conseguiu negociar e o impacto foi relativamente limitado”, diz Castellano.

Depois de impor tarifas elevadas contra produtos brasileiros — em alguns casos chegando a 40% ou 50%, sob o argumento de desequilíbrios comerciais e questões políticas — o governo de Donald Trump reverteu parte dessas medidas em novembro passado.

Há um temor, porém, de que o governo americano esteja se preparando para anunciar uma nova onda de tarifas, que podem ter o Brasil como alvo mais uma vez.

‘A tempestade perfeita’ para o real

O momento de crise no Oriente Médio também foi definido como “a tempestade perfeita” para o real pelo pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, Robin Brooks.

Segundo Brooks, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pode ser o gatilho para uma das maiores valorizações do real dos últimos anos. Em artigo do início de abril, ele projetou que o dólar poderia ficar abaixo de R$ 4,50.

Brooks lembra o que ocorreu em 2022 como um precedente. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o petróleo do tipo Brent subiu 40% no primeiro trimestre e o real se valorizou 20%, tornando-se a moeda de melhor desempenho entre os emergentes.

“Assim que os mercados perceberam que as coisas não iriam sair do controle, o real brasileiro — a personificação de uma moeda de beta alto [ou seja, uma moeda que tende a demonstrar alta sensibilidade aos ciclos econômicos globais e ao apetite por risco] — decolou de forma significativa”, aponta Brooks.

Para ele, esse movimento está se repetindo agora.

O real foi a moeda que mais se valorizou em relação ao dólar no mundo em 2026 até o momento. No acumulado do ano, a alta foi de 10,4% até 17 de abril, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.

Como país exportador e autossuficiente de petróleo, o Brasil tem se beneficiado diretamente da entrada adicional de dólares, o que pressiona a moeda nacional para cima.

O cenário também é reflexo da procura dos investidores estrangeiros pelo país, seja por meio da bolsa de valores ou de títulos de renda fixa, dizem os especialistas.

“O Brasil, assim como vários outros países, busca consolidar o apelo de sua moeda por meio de uma economia bem administrada”, aponta Colin Lewis, professor da LSE (London School of Economics and Political Science), no Reino Unido.

Segundo o economista, contribuem para isso outros bons indicadores econômicos atuais do Brasil, tais como um mercado de trabalho aquecido e a previsão de crescimento de 1,9% estimada pelo FMI.

“(O primeiro-ministro britânico) Keir Starmer adoraria ter um crescimento de 2% no Reino Unido”, brinca Lewis.

A última previsão do FMI é que a economia britânica deverá crescer apenas 0,8% em 2026, abaixo da projeção anterior de 1,3%.

“O Brasil está bem conectado globalmente e projetando sua imagem como um parceiro comercial confiável e previsível”, acrescenta o economista britânico em entrevista à BBC Brasil.

É apenas passageiro?

Mas por quanto tempo esse cenário positivo pode se manter?

Para Martín Castellano, do IIF, o avanço do Brasil em relação à produção de petróleo significa que as altas internacionais no preço da commodity devem continuar a beneficiar, ou pelo menos não afetar intensamente, o país.

O economista destaca a mudança estrutural da última década: “o Brasil era um importador líquido de energia até 2017, mas após mudanças significativas no setor e alterações nas políticas, o país emergiu como um exportador líquido de petróleo bruto”.

Em 2024, pela primeira vez na história, o petróleo foi o produto que o Brasil mais exportou, superando até a soja. No ano passado, o feito se repetiu e o país se consolidou como o sétimo exportador do mundo.

No entanto, a indústria nacional importa cerca de 10% da gasolina e até 25% do diesel que consome, por conta da falta de capacidade das refinarias locais.

Ainda assim, os choques causados por variações internacionais no preço dos combustíveis afetam muito menos o país atualmente do que no passado. As exportações também auxiliam no crescimento da economia.

“Analisando todo o contexto global, o Brasil é percebido como uma economia bastante bem administrada, o que indica certa confiança nas mudanças estruturais que vêm ocorrendo internamente”, avalia Colin Lewis.

Por outro lado, afirmam os especialistas, uma mudança nas taxas de juros pode sim afastar investidores estrangeiros, apesar de melhorar o acesso doméstico a crédito e aquecer a economia internamente.

Em março, o Banco Central cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos, reduzindo a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

Atualmente, o mercado já espera uma nova redução, possivelmente para 14,5% ao ano.

Outros dois fatores também podem interferir no atual cenário: as eleições presidenciais marcadas para outubro e o preço global dos fertilizantes.

A incerteza em relação ao cenário eleitoral e o futuro das políticas públicas pode afastar alguns investidores, apontam os especialistas.

Após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, o principal índice da Bolsa brasileira mergulhou em fortes perdas, indicando uma possível aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro.

“Lula tem uma bagagem, mas de qualquer forma os mercados já o conhecem”, avalia Lewis.

E segundo Martín Castellano, há uma preocupação específica com o futuro das políticas fiscais no país.

“A política fiscal tem sido uma espécie de calcanhar de Aquiles de longa data para a economia brasileira”, diz, apontando as mudanças constantes nessa frente e falta de disciplina como motivos que podem afastar investidores.

Além disso, afirma, um aumento brusco no preço global dos fertilizantes pode ter um impacto negativo no setor agropecuário e no custo dos alimentos, neutralizando parte do ganho em outros setores.

O setor dos fertilizantes é visto como um alvo invisível da guerra no Irã, principalmente a ureia, um composto nitrogenado essencial para o cultivo em escala.

Para o Brasil, que tem a cadeia do agronegócio como propulsora da economia e não produz seus próprios fertilizantes, o baque pode ser grande.

“O Oriente Médio fornece aproximadamente um terço das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, o Irã responde por cerca de 20% das exportações brasileiras de milho, deixando a economia vulnerável a potenciais interrupções no fornecimento e no comércio”, aponta o relatório do IIF sobre possíveis desdobramentos da crise para o Brasil.

Fonte: BBC Brasil

Niterói sediará encontro sobre cidades inteligentes em maio

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Niterói sediará encontro sobre cidades inteligentes em maio
Foto: Divulgação

Plataforma CSC reúne gestores públicos, especialistas e autoridades para debater inovação, sustentabilidade e segurança urbana

Niterói será palco de um dos principais eventos do país voltados à inovação na gestão pública. No próximo dia 14 de maio, a cidade receberá a Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC, encontro que vai reunir prefeitos, secretários, especialistas e representantes municipais para discutir soluções modernas para os desafios urbanos.

A escolha de Niterói reforça o protagonismo do município no cenário nacional. A cidade vem se destacando nos rankings de cidades inteligentes e aparece como líder da Região Sudeste em 2025 em indicadores ligados à inovação, tecnologia e qualidade da gestão pública.

O evento será realizado na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural Niterói, localizado na Avenida Visconde do Rio Branco, 880, no bairro São Domingos.

Entre as autoridades confirmadas estão o prefeito Rodrigo Neves, o secretário executivo Felipe Peixoto, o secretário de Ordem Pública Gilson Chagas e o secretário de Defesa Civil Walace Medeiros, além de outros representantes do poder público.

A programação terá início às 11h, com uma reunião voltada ao fortalecimento dos ecossistemas de inovação. Já a abertura oficial está marcada para 14h.

Ao longo do encontro, os participantes irão debater temas estratégicos para o futuro das cidades, como planejamento urbano, sustentabilidade, Economia Azul, segurança pública integrada e resiliência urbana.

A realização do evento em Niterói consolida a imagem da cidade como referência em administração moderna e inovação pública, além de ampliar a troca de experiências com outros municípios brasileiros.

Fonte: Agenda do Poder

Censo: 17% de creches e pré-escolas têm itens básicos para funcionar

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Censo: 17% de creches e pré-escolas têm itens básicos para funcionar
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Levantamento considerada 11 componentes de infraestrutura básica

Em todo o país, menos de duas em cada dez unidades de ensino infantil públicas tem todos os itens considerados básicos para o funcionamento adequado. Os dados são do Censo Escolar 2025 e estão disponíveis no portal de dados educacionais QEdu.

Ao todo, são considerados 11 itens de infraestrutura básica: prédio escolar, energia de rede pública, água da rede pública, banheiro, rede de esgoto, cozinha, alimentação para os alunos, coleta de lixo, acessibilidade, internet, biblioteca e/ou sala de leitura.

De acordo com os dados, apenas 17% das creches e pré-escolas públicas detêm todos esses componentes, que são baseados em lei sancionada em março deste ano.

Um dos maiores entraves é dispor de bibliotecas ou salas de leitura. Do total das instituições, 64% ainda não contam com esses espaços. Além disso, 33% não usam água da rede pública e 4% não contam com rede de esgoto.

Alimentação

Na outra ponta, a alimentação é item atendido em todas as escolas de educação infantil no Brasil.

Além dos itens básicos, são analisados elementos de infraestrutura específicos: banheiro infantil, jogos e brinquedos pedagógicos, materiais artísticos, parque infantil e área verde.

Considerados esses itens, apenas 12% das unidades públicas de educação infantil do país conseguem assegurar todos eles. Menos da metade das escolas conta com parque infantil (45%) ou com área verde (36%).

Jogos e brinquedos pedagógicos – quesitos importantes para as atividades educacionais nessa etapa de ensino – estão presentes em 83% das unidades.

Educação infantil

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (29), quando a plataforma QEdu passa a contar com dados referentes à educação infantil. É possível consultar dados dessa etapa de ensino em nível nacional, por unidades da Federação e municípios e fazer comparações.

“Educação infantil precisa estar no centro, a gente precisa falar mais sobre o que é educação infantil de qualidade”, destacou o diretor-executivo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Ernesto Martins Faria – cocriador do QEdu.

A inserção dos dados de educação infantil no portal QEdu faz parte de uma iniciativa conjunta do Iede, Fundação Bracell, Fundação Itaú, Fundação VélezReyes+, Fundação Van Leer e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Faz parte também da iniciativa a criação do indicador de atendimento em nível municipal. Esse marcador mostra que, em 16% dos municípios, ou seja, em 876 cidades brasileiras, pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos não frequentam creches ou pré-escolas.

Ministério da Educação

Procurado, o Ministério da Educação (MEC) informou, em nota, que vem “intensificando as ações para apoiar os municípios, responsáveis diretos pela educação infantil, na ampliação do acesso com qualidade a essa etapa do ensino”.

A pasta cita como um dos principais instrumentos o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que reúne mais de 2,5 mil entes federados.

“O objetivo é unir esforços em torno da expansão de vagas, da permanência de bebês e crianças nas creches e pré-escolas e da implementação de parâmetros nacionais de qualidade, sempre considerando as diferentes realidades territoriais e sociais do país.”

No texto, o MEC destacou ainda a que, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), 886 unidades de educação infantil foram entregues e estão previstas 1.684 novas creches e escolas de educação infantil.

Outras prioridades são a retomada e a conclusão de obras paralisadas. Das 1.318 unidades de educação infantil que manifestaram interesse em retomar as construções, 904 foram aprovadas e 278 foram concluídas.

“Esses dados demonstram uma mudança de prioridade na gestão, com a ampliação dos investimentos recentes para dar mais condições aos municípios de abrir vagas, garantindo o atendimento pleno e atuando de forma proativa para superar as lacunas ainda existentes na educação infantil brasileira”, acrescentou o ministério.

Fonte: Agência Brasil

Inscrições abertas para os Selos da Plataforma CSC: o caminho para a certificação da gestão inteligente

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Inscrições abertas para os Selos da Plataforma CSC: o caminho para a certificação da gestão inteligente
Foto: Divulgação

Municípios têm até 2 de junho para submeter evidências de boas práticas em governança, inovação e planejamento urbano na nova edição do Ranking nacional.

Estão abertas as inscrições para uma das mais importantes etapas de reconhecimento do desenvolvimento urbano e tecnológico no Brasil. Até o dia 02 de junho de 2026, municípios de todo o país podem submeter suas candidaturas ao Ranking Connected Smart Cities, ao Selo CSC: Cidades Inteligentes e ao Selo CSC: Ecossistemas de Inovação. A iniciativa, que entra em um novo ciclo decenal focado em metas para 2035, busca mapear e premiar cidades que investem em sustentabilidade, resiliência e governança eficiente. 

O Selo CSC: Ecossistemas de Inovação, desenvolvido em parceria com a EXXAS, é uma ferramenta essencial para cidades que desejam mensurar seu nível de maturidade em inovação. Por meio de um processo autodeclarado, mas que exige comprovação documental, a análise foca em seis dimensões cruciais: estrutura de governança, integração das hélices (governo, empresas, academia e sociedade), operação da governança, recursos e sustentabilidade, resultados e impacto, além da conexão externa. O reconhecimento é dividido em cinco categorias, que acompanham a evolução do município desde o estágio “Aspirante”, para ecossistemas incipientes, até o “Diamante”, destinado a cidades com governança institucionalizada e forte inserção internacional.

Leia mais: Plataforma CSC anuncia cidades reconhecidas com o Selo CSC: Ecossistemas de Inovação 2025

Paralelamente, o Selo CSC: Cidades Inteligentes, realizado em conjunto com a Spin – Soluções Públicas Inteligentes, avalia as boas práticas em planejamento, governança, ambientes experimentais, infraestrutura de TIC e maturidade para parcerias. Este selo funciona como um guia para o desenvolvimento municipal, classificando as prefeituras em categorias que vão da “Aspirante” à “Diamante”. Atualmente, a categoria máxima ainda aguarda sua primeira cidade representante, o que representa um desafio e uma oportunidade para municípios que já possuem ecossistemas legais maduros e indicadores de gestão monitorados em tempo real. É importante ressaltar que a inscrição por si só não garante a certificação, uma vez que todas as informações passam pelo crivo de um comitê avaliador especializado.

Leia mais: Municípios podem se inscrever para os Selos CSC: Cidades Inteligentes e Ecossistemas de Inovação, que reconhecem boas práticas em cidades inteligentes e inovação pública

A edição de 2026 do Ranking Connected Smart Cities também traz novidades. Em colaboração com a SPIn e a Scipopulis, o novo ranking está alinhado às normas ISO ABNT (37120, 37122 e 37123), expandindo-se para 13 eixos temáticos que cobrem desde mudanças climáticas e segurança alimentar até telecomunicações e finanças. Com uma metodologia de ponderação aprimorada e o suporte da plataforma Plancity para visualização interativa de dados, a iniciativa oferece um diagnóstico estratégico sem precedentes para a gestão pública. O resultado final e a comunicação dos selecionados ocorrerão em 12 de agosto, com a cerimônia oficial de entrega dos selos agendada para o dia 29 de setembro de 2026. A participação é um convite para que as cidades brasileiras não apenas recebam um selo, mas utilizem esses dados para transformar a qualidade de vida de seus cidadãos e atrair novos investimentos.

Confira como foi a edição anterior! 

Países discutem eliminação de combustíveis fósseis em meio a guerra

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Petróleo ultrapassa US$ 115 com aumento de tensões entre EUA e Irã
Foto: wirestock

Debate também deve abordar como criar condições de investimento para que indústrias mudem do gás para eletricidade

Governos de cerca de 60 países, incluindo Brasil, Alemanha, Canadá e Nigéria, realizarão a primeira reunião internacional nesta semana para discutir a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, uma vez que a guerra do Irã abala os mercados globais de petróleo e gás e faz com que os preços disparem.

A reunião de ministros e autoridades em Santa Marta, Colômbia, que começa na terça-feira (28), se concentrará em medidas práticas para afastar as economias dos combustíveis fósseis, em vez de estabelecer novas metas globais do tipo acordado nas cúpulas climáticas da ONU.

“Não estamos negociando ambições, não estamos negociando compromissos. Trata-se realmente de compartilhar como fazer isso”, disse Stientje van Veldhoven, ministra do clima da Holanda, que está coorganizando a reunião com a Colômbia.

Os governos discutirão “que tipo de instrumentos financeiros, que tipo de incentivos regulatórios, que tipo de instrumentos de planejamento” são necessários para dar início à eliminação gradual, disse ela.

As conversas também abordarão como criar condições de investimento para que as indústrias mudem do gás para a eletricidade e como reformar os subsídios aos combustíveis fósseis.

A reunião reúne uma coalizão de nações dispostas, com os dois maiores poluidores do mundo – China e EUA – notavelmente ausentes. Arábia Saudita e outros grandes produtores de petróleo e gás do Oriente Médio também não estão presentes.

A guerra do Irã expôs a grande dependência de muitos países em relação às importações de petróleo e gás, com as economias asiáticas atingidas pela escassez de combustível e os países europeus enfrentando o aumento dos custos de energia.

Van Veldhoven disse que a crise energética reforçou o argumento a favor da eliminação gradual do petróleo e do gás para reforçar a segurança econômica e energética, e não apenas para combater as mudanças climáticas.

“Essa guerra no Oriente Médio tem ramificações em todo o mundo devido à nossa dependência de combustíveis fósseis”, disse ela. “Quanto menos você depender deles, menos vulnerável você será.”

A reunião também reflete a frustração de alguns governos com o lento progresso nas negociações anuais da ONU sobre o clima, em que quase 200 países precisam tomar decisões por consenso.

Os países concordaram em fazer a transição dos combustíveis fósseis na cúpula climática COP28 em 2023. No entanto, as reuniões subsequentes da COP fizeram pouco para cumprir essa promessa, com países como a Arábia Saudita bloqueando propostas recentes voltadas para os combustíveis fósseis.

As emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de carvão, petróleo e gás são o principal fator das mudanças climáticas.

Fonte: CNN Brasil

AGU garante piso mínimo do frete e fiscalização pela ANTT

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AGU garante piso mínimo do frete e fiscalização pela ANTT
Foto: Reprodução/CCR RioSP

Em duas decisões recentes, Justiça mantém Política Nacional de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e valida papel da agência reguladora

Advocacia-Geral da União (AGU) obteve recentemente duas decisões favoráveis à Política Nacional de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (Tabela do Frete), instituída pela Lei Federal 13.703/2018 e regulamentos posteriores. As decisões também validaram o papel da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na fiscalização do serviço e na aplicação de punições previstas em lei.

O primeiro julgamento favorável ao piso mínimo foi no Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF3), que acatou agravo interno interposto pela AGU, por meio da Procuradoria Regional Federal da Terceira Região (PRF3), e reformou decisão monocrática anterior que havia mantido liminar favorável obtida em primeira instância por uma transportadora sediada no estado de São Paulo. Com o acolhimento do agravo, o TRF3 restabeleceu a exigibilidade do cumprimento da tabela do piso mínimo de frete, além do poder fiscalizatório e de aplicação de multas por parte da ANTT.

Ao cassar a liminar, o relator, desembargador Souza Ribeiro, entendeu que interromper a obrigação de cumprimento da tabela do piso mínimo de frete e a fiscalização da ANTT, inclusive com aplicação de multas, “é conceder-se um salvo-conduto à empresa para praticar o preço que entender cabível, quando existente tabelamento com o valor mínimo do frete, ainda que objeto de questionamento judicial”.

Na ação de origem, a transportadora alega pendência de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.956-DF, que questiona a constitucionalidade da Política Nacional de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas e discute a interferência estatal na livre iniciativa e as punições aplicadas pela ANTT por descumprimento do piso. A empresa pede a suspensão de novos autos de infração, a emissão de certidão de regularidade fiscal e a exclusão do nome da companhia dos órgãos de proteção de crédito.

“O Supremo Tribunal Federal não suspendeu a normatização editada pela ANTT, permanecendo a obrigatoriedade dos pisos mínimos de frete, na forma exigida pela legislação, ainda que não se tenha julgamento definitivo da ADIN 5.956-DF”, afirma o desembargador no despacho sobre o agravo de instrumento ajuizado pela AGU e que cassou a liminar concedida pela 14ª Vara Cível Federal de São Paulo.

Na defesa da ANTT, a AGU sustenta que, embora a constitucionalidade da lei federal esteja pendente de julgamento final pelo STF na ADI 5.956, o regramento continua, mediante expressa decisão da Suprema Corte, em vigor e produzindo todos os seus regulares efeitos até segunda ordem, “não havendo qualquer decisão que autorize o descumprimento generalizado da tabela de fretes ou que impeça a ANTT de cumprir seu dever legal de fiscalização”.

O procurador federal Fabio Vieira Blangis, integrante do Núcleo de Ações Prioritárias da Equipe de Cobrança Judicial da PRF3, destacou a importância da reafirmação de uma política pública nacional como a do piso mínimo do frete para a estabilidade de uma atividade como o transporte rodoviário de carga, o principal modal do Brasil, movimentando cerca de 60% do total de cargas no País.

“Essa política nacional garante a remuneração mínima para os caminhoneiros, evita jornada excessiva de trabalho e resguarda a continuidade de um segmento vital para a economia brasileira, que já sofre efeitos de variação de valoração dos combustíveis por fatores internacionais”, explicou. “Concessões para descumprimento da legislação podem gerar efeitos jurídicos em cadeia, comprometendo a concretização da vigência dessa política pública.”

Também atuaram no processo o Núcleo de Gerenciamento de Atuação Prioritária da PRF3 e a Procuradoria Federal junto à ANTT.

Fiscalização eletrônica

A segunda decisão favorável à Tabela de Fretes aconteceu na Vara Federal de Jundiaí (SP), que rejeitou pedido de liminar de transportadora do interior paulista para suspender a fiscalização eletrônica implementada pela ANTT desde outubro passado. O novo método decorre de regulamentação da Lei 13.703/2018 e da Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que agravou as penas pelo descumprimento da tabela.

Em mandado de segurança, a transportadora requereu o cancelamento de autos de infração já lavrados contra a empresa com base na fiscalização eletrônica automatizada e com cruzamento de dados do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e documentos correlatos. Pede ainda a suspensão de novas sanções enquanto o STF não julgar a ADI 5.956.

A empresa alega “ilegalidade do método utilizado, por desconsiderar a necessidade de análise material da operação concreta, ampliando risco de enquadramentos automáticos dissociados da realidade material, econômica e contratual do transporte efetivamente realizado, com consequente insegurança jurídica”.

Em defesa da política nacional e da atribuição da ANTT, a AGU, por meio da PRF3, sustentou que a utilização de ferramentas eletrônicas para fiscalização do transporte rodoviário de cargas já estava prevista na Resolução ANTT 5.867, de 2020, que regulamentou a Lei 13.703/2018.

“Menos de 0,5% dos 7,5 milhões de Manifestos Eletrônicos de Documentos Fiscais gerados mensalmente se transformam em notificações às empresas”, disse o procurador federal Aécio Pereira Junior. Ele observou que fiscalização eletrônica vem se mostrando bem mais efetiva que o modelo anterior, em que as informações eram conferidas manualmente.

A documentação eletrônica visa exatamente a maior facilidade para todos os operadores, inclusive para a fiscalização da ANTT, não havendo nada de ilegal ou desproporcional no cotejamento entre as informações constantes das bases oficiais de dados, o MDF-e, o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), explicou o juiz José Tarcísio Januário, da Primeira Vara Federal de Jundiaí (SP).

Ele acrescentou que, por não se vislumbrar qualquer ilegalidade no cruzamento dos dados existentes no MDF-e, CT-e e CIOT, “não há espaço para suspensão das autuações”.

Processos: 5030449-87.2025.4.03.6100 e 5001010-10.2026.4.03.6128

Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU

Fonte: Advocacia-Geral da União

Alguma coisa acontece no meu coração, e quase nunca envolve um painel de LED

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Alguma coisa acontece no meu coração, e quase nunca envolve um painel de LED
Foto: Enviada por Bernardo D'Almeida

Entre referências importadas e decisões aceleradas, o risco não está na tecnologia em si, mas em ignorar a identidade, o tempo e as dinâmicas que realmente constroem um lugar.

Em fevereiro deste ano, o Conpresp, o conselho municipal de preservação de São Paulo, aprovou um projeto que veio sendo chamado, com assustadora naturalidade, de “Times Square paulistana”. A proposta, apresentada pela iniciativa privada, prevê a instalação de grandes painéis de LED no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, geridos por um agente privado por 15 anos, em contrapartida, a empresa arca com cerca de R$ 6 milhões em restauro de patrimônio na região: a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a estátua da Mãe Preta no Largo do Paissandu.

Revitalizar, requalificar, regenerar: não são a mesma coisa

Precisamos ser precisos sobre o que está sendo criticado aqui, porque a imprecisão conceitual é exatamente parte do problema.

Há décadas, o mantra do planejamento urbano era a revitalização, remover pichações, restaurar fachadas, criar um centro cultural aqui e ali, na esperança de “trazer a vida de volta” ao lugar. O verbo parte de uma imagem equivocada: a cidade como paciente sem vida, mas lugares não morrem, eles mudam de status. O centro de São Paulo não está morto; está ocupado por quem a cidade formal talvez não queira enxergar, ou talvez desocupado pelo mesmo motivo. Ao tratar esses lugares como cadáveres e naturalizar intervenções, empurramos os conflitos para o quarteirão seguinte, deixando fachadas impecáveis, aluguéis inflacionados e nenhum ganho social. Atenção, isso não é nostalgia urbana nem uma acusação genérica a qualquer projeto de transformação dos centros, longe disso.

A requalificação foi um passo adiante: ela calibra o hardware urbano, melhora calçadas, praças, mobilidade, mobiliário, acessibilidade. É o que podemos chamar de “ganho rápido” do placemaking: intervenções que geram evidências materiais de que algo está mudando. Importante e necessária em certos contextos, mas é uma etapa, não um destino. Requalificar é abrir espaço para que a vida que já existe se organize, sem isso, é só palco vazio.

Regenerar é o que esse projeto deveria ser, e a diferença não é semântica: regenerar é retroalimentar um ecossistema, sobrepondo hardware, software e futuros. O software urbano são os usos, a economia local, tudo o que acontece no lugar, e os futuros são os cenários, os riscos, as oportunidades que o lugar precisa ser capaz de enfrentar e absorver. 

A diferença entre os três verbos pode ser expressa com mais precisão do que o campo costuma admitir: Regenerar = Hardware + Software × Futuros orientados pela identidade (peopleware). A multiplicação não é retórica, se o componente dos futuros vale zero, o produto retorna a zero, e o lugar volta à obsolescência.

A nossa futura Times Square é puro hardware, sem software, sem futuros, sem comunidade no processo, sem uma única pergunta sobre o que aquele cruzamento precisa ser em 2035 ou 2040. 

A Times Square que ninguém mostra como referência

Existe uma ironia enorme em usar a Times Square como inspiração sem entender como ela se tornou o que é. Em maio de 2009, quando o prefeito Bloomberg e a secretária de transportes Janette Sadik-Khan fecharam as quadras da Broadway para carros, a intervenção começou com cadeiras de plástico colorido. Baratas, provisórias, intencionalmente temporárias, um piloto, um experimento com direito a fracasso assumido. Os comerciantes locais eram contrários, claro. Jan Gehl tinha mapeado que 89% do espaço da praça estava dedicado a carros enquanto 90% dos usuários eram pedestres, uma distorção que precisava de resposta baseada em dados, não em estética. A decisão de tornar o espaço permanente só veio em fevereiro de 2010, depois de meses monitorando resultados, a praça definitiva ficou pronta em 2016, sete anos depois.

O que tornou aquilo possível não foi a instalação de LEDs, foi análise, tempo, ajuste iterativo e devolução do espaço às pessoas mesmo contra a resistência do mercado imediato. Sim, a Times Square original já era relevante antes dessa intervenção, passou a ser ainda mais memorável. O que São Paulo está propondo como “inspiração” é a imagem final desse processo, sem nenhuma das etapas que o tornaram possível.

Piccadilly Circus e a identidade que antecede a luz

Piccadilly Circus foi construída em 1819 por John Nash para conectar a Regent Street à Piccadilly, os primeiros anúncios iluminados chegaram apenas em 1908, com a Perrier como primeira anunciante, os néons vieram em 1923, na fachada do London Pavilion, inaugurados pela Bovril, os LED vieram décadas depois.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os painéis foram completamente apagados por exigência de segurança. Nesse mesmo período, a estação de metrô local abrigava, segundo registros do London Transport Museum, cerca de 7.000 pessoas por noite durante os bombardeios, a praça era abrigo, resistência, o lugar onde Londres sobrevivia ao escuro para acordar de manhã. Quando os painéis voltaram a funcionar em 1949, o fato foi noticiado como sinal de que a cidade havia sobrevivido, não como estratégia de revitalização.

A iluminação é consequência de uma identidade construída ao longo de dois séculos de ocupação, cultura e memória coletiva, não a sua causa, e essa distinção, entre o que é causa e o que é consequência, é exatamente o que está ausente no exemplo paulistano.

O que esse cruzamento já é

Caetano Veloso gravou “Sampa”, eternizando o cruzamento onde serão instalados os painéis. Não me lembro de outro endereço no Brasil com essa carga simbólica construída por uma canção, e o que torna isso mais significativo é que foi um baiano chegando sem entender a cidade que produziu seu documento afetivo mais preciso. Aquela “dura poesia concreta de suas esquinas” não foi projetada por nenhum plano, emergiu do uso, do deslocamento, da fricção cultural e do tempo acumulado, do pertencimento, ou no caso específico, da falta dele, exatamente a camada cultural que qualquer projeto com real pretensão de regeneração deveria revelar antes de instalar qualquer coisa.

A pergunta que ninguém fez antes de aprovar o projeto é a mais importante: o que esse lugar já é? Quem são as pessoas que o habitam hoje? Quais usos já funcionam? O que a comunidade do entorno precisa que ainda não tem? O que esse lugar significa para moradores e visitantes? 

Se fossem feitas com seriedade, essas perguntas poderiam até chegar à conclusão de que o cruzamento precisaria de um painel de LED gigante, mas não de um empréstimo de identidade de Nova York: o lugar precisaria primeiro ser compreendido naquilo que já é, e promovido, reforçado a partir daí.

O problema não é o LED, é a ausência de tudo que vem antes dele, e depois.

A proposta prevê que os painéis não veiculem publicidade comercial, isso é apresentado como diferencial, como prova de que se trata de cultura, mas adicionar conteúdo digital sem entender o software daquele lugar é só uma versão mais cara de autenticidade performática: a aparência do que seria regeneração no lugar do processo que ela exigiria.

Ao travar a identidade daquele cruzamento numa gestão privada por 15 anos, São Paulo está colonizando um futuro que ainda não sabe qual é: apostando que conhece o que o lugar é e representa hoje, que sabe o que ele será por uma geração inteira, e renunciando a qualquer possibilidade de ajuste, aprendizado ou resposta às mudanças e necessidades que certamente virão. Isso não é regeneração, ou progresso, para ficar num léxico menos urbanístico: é colonização de futuro, iluminada com LED.

São Paulo precisa regenerar o seu centro, mas isso começa por uma pergunta que ainda não foi feita: o que esse lugar já é, para quem, e com quais visões de futuro em mente?

REFERÊNCIAS

Projeto da 'Times Square' no Centro de SP prevê via liberada para pedestres nos fins de semana e grandes eventos temáticos

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/23/times-square-no-centro-de-sp-preve-via-liberada-para-pedestres-nos-fins-de-semana-e-grandes-eventos-tematicos.ghtml

Governo e Prefeitura assinam termo de cooperação para o projeto Boulevard São João

https://propmark.com.br/ooh/governo-e-prefeitura-assinam-termo-de-cooperacao-para-o-projeto-boulevard-sao-joao/

"Conselho da Prefeitura de São Paulo aprova projeto da Times Square." Meio & Mensagem, 23 fev. 2026. https://www.meioemensagem.com.br/midia/conselho-da-prefeitura-de-sao-paulo-aprova-projeto-da-times-square

"Projeto da 'Times Square' paulistana é aprovado por conselho em SP." CNN Brasil, 25 fev. 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/projeto-da-times-square-paulistana-e-aprovado-por-conselho-em-sp/

"Times Square de SP: prefeitura libera painéis de LED no centro." Metrópoles, 25 fev. 2026. https://www.metropoles.com/sao-paulo/times-square-paulistana-prefeitura

ESTEVES, Caio. Cidade Antifrágil: uma perspectiva para os lugares num futuro de incertezas. São Paulo: Editora Realejo, 2021.

ESTEVES, Caio. “Revitalizar é ressuscitar um corpo que nunca morreu”. O Futuro das Coisas, 2025.  https://ofuturodascoisas.com/revitalizar-e-ressuscitar-um-corpo-que-nunca-morreu/

ESTEVES, Caio. "Place Branding e a Homogeneização do Mundo”. Portal CSC, 2025. https://portal.connectedsmartcities.com.br/2025/12/10/place-branding-e-a-homogeneizacao-do-mundo/

SADIK-KHAN, Janette; SOLOMONOW, Seth. Streetfight: Handbook for an Urban Revolution. New York: Viking, 2016. Trecho em: "Battle for a New Times Square." Urban Land Magazine. https://urbanland.uli.org/infrastructure-transit/battle-new-times-square

SUNNING WILD ON BROADWAY

https://nypost.com/2009/05/26/sunning-wild-on-broadway/

GEHL, Jan. Análise da Times Square documentada em: "How 'People-Centered' Design Made Times Square the Place To Be on New Year's Eve." Next City, 30 dez. 2014. https://nextcity.org/urbanist-news/urban-design-times-square-concrete-bowtie-density-gehl-new-years-eve

"Piccadilly Lights: 110 years of an ad landmark." Campaign Live, jul. 2018. https://www.campaignlive.co.uk/article/piccadilly-lights-110-years-ad-landmark/1495925

HOLLOWAY, Siddy (curadora, Hidden London, London Transport Museum), citada em: "Inside the history of one of London's most iconic landmarks." ABC News, 30 ago. 2019. https://abcnews.go.com/International/inside-history-londons-iconic-landmarks-piccadilly-circus/story?id=65268877

Aumento na conta de luz? Como data centers podem impactar as cidades

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Aumento na conta de luz? Como data centers podem impactar as cidades
Foto: Data center localizado na cidade de Barueri, na Grande São Paulo (Crédito: Divulgação)

Data centers elevam consumo de energia e podem encarecer a conta de luz; entenda como

Nos últimos meses, cresceu o debate sobre o impacto dos data centers no consumo de energia. Nos Estados Unidos, áreas onde construíram grandes instalações já registram uma certa pressão sobre os preços da eletricidade, especialmente no mercado atacadista de energia.

Esse fenômeno acontece devido à alta demanda constante desses centros, que operam 24 horas por dia. No Brasil, apesar de ainda representarem uma parcela pequena do consumo nacional, o crescimento acelerado do setor já traz alertas sobre possíveis custos futuros.

O que são data centers e como funcionam

Data centers, ou centros de processamento de dados, são grandes complexos tecnológicos dedicados a armazenar e processar informações digitais.

Nesses centros de dados são colocados servidores de alto desempenho interligados por redes de alta velocidade. É justamente isso que sustenta o funcionamento de sites, aplicativos, transações bancárias, redes sociais e serviços de nuvem.

Em geral, trata-se de galpões ou prédios com um tipo de infraestrutura especializada: além dos equipamentos de computação, há sistemas de alimentação elétrica, redes de comunicação e estruturas que garantem a segurança.

Por isso, data centers demandam três recursos muito importantes: energia elétrica 24h por dia, sistemas de resfriamento e grande espaço físico.

Por que data centers consomem tanta energia

A principal razão para o alto consumo de energia dos data centers é o próprio processamento de dados e o controle térmico desses equipamentos.

Em primeiro lugar, são instalações que estão sempre “ligadas”. Ou seja, os servidores funcionam 24 horas e executam aplicações intensas, especialmente em serviços de inteligência artificial; com GPUs (unidade de processamento gráfico) de alto desempenho que exigem grande quantidade de eletricidade.

Além disso, esses componentes geram muito calor, o que torna necessário um sistema de refrigeração intenso para manter a temperatura segura. Em muitas dessas instalações, o processo de resfriamento é responsável por uma parte considerável da energia total.

Há ainda o consumo adicional de equipamentos de infraestrutura, como luzes de manutenção, sistemas de gestão, entre outros.

Data centers podem impactar o consumo de energia de cidades?

Infelizmente, os data centers realmente podem impactar o consumo de energia nas cidades. Acontece que a instalação de grandes data centers pode pressionar a rede elétrica local e impactar as contas de luz da população.

Vale destacar três fatores que impactam o consumo de energia nas cidades:

  1. Expansão da rede: novas estruturas exigem investimentos em usinas, linhas de transmissão e subestações;
  2. Maior uso de água: alguns data centers podem consumir grandes volumes de água para o resfriamento. Isso exige mais energia para captação e tratamento da água;
  3. Repasse de custos: em alguns casos, os data centers não pagam proporcionalmente pelo consumo, o que pode transferir parte dos custos para a população local.

Nos Estados Unidos, uma análise da Bloomberg apontou que o custo atacadista da eletricidade em áreas próximas a data centers chegou a ficar até 267% maior do que cinco anos antes.

É importante explicar que o mercado atacadista de energia é a etapa em que a eletricidade é negociada antes de chegar ao consumidor final. Assim, quando esse preço sobe, o aumento não aparece automaticamente na conta de luz, mas pode ser repassado aos moradores por meio de tarifas das distribuidoras.

Para chegar nesse resultado, a Bloomberg analisou dados de cerca de 25 mil pontos da rede elétrica usados por sete operadores nos EUA. A partir desse levantamento, o veículo estimou como os preços atacadistas da eletricidade mudaram nos 48 estados norte-americanos desde 2020.

Casos reais de impacto energético por data centers

Diversas cidades e países já sentem os efeitos do crescimento acelerado dos data centers. Confira alguns exemplos:

  • Eldorado do Sul (Brasil): o projeto Scala AI City pode chegar a 4,75 GW de capacidade. É mais do que a usina de Jirau (3,7 GW), a quarta maior hidrelétrica do país.
  • Loudoun County (EUA): conhecida como “vale dos data centers”, a região teve reforços na rede elétrica e aumento nas tarifas.
  • Illinois (EUA): o crescimento de data centers perto de Chicago foi associado ao aumento nas contas de luz e água dos moradores.
  • Amsterdam (Países Baixos): autoridades suspenderam novos projetos após sinais de sobrecarga na rede elétrica.
  • Chile: o Google mudou planos do projeto de um data center em Cerrillos, em Santiago, após pressão de moradores e questionamentos sobre o uso de água.

No estado do Maine, nos Estados Unidos, uma lei tenta proibir a construção de novos data centers até novembro de 2027. O objetivo é criar uma regulamentação mais clara para o setor nesse período. A proposta se aplica apenas a data centers com consumo superior a 20 megawatts de energia.

Impacto global dos data centers no consumo de energia

Segundo um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers podem ganhar um peso considerável no consumo global de eletricidade até 2030, impulsionados principalmente pelo avanço da computação em nuvem e da inteligência artificial.

A projeção indica que o consumo desses centros deve mais do que dobrar até o fim da década, chegando a cerca de 945 TWh (trilhões de watts-hora). O que representaria pouco menos de 3% do consumo global de eletricidade nesse mesmo ano.

“De 2024 a 2030, o consumo de eletricidade dos data centers cresce cerca de 15% ao ano – mais de quatro vezes mais rápido do que o crescimento do consumo total de energia dos demais setores. Porém, em um contexto mais amplo, uma participação de 3% em 2030 indica que a fatia dos data centers na demanda global de eletricidade ainda permanece limitada”, é descrito no relatório da IEA.

Em outra análise, o World Resources Institute sugere que o consumo de energia dos data centers pode chegar entre 9% e 17% da demanda elétrica nos Estados Unidos até 2030.

No Brasil, um estudo da Brasscom aponta que o consumo de energia e água por data centers pode chegar a 3,6% até 2029. O número representa um aumento considerável em relação a 2024, quando o consumo foi de cerca de 1,7% da energia no país.

Fonte: CNN Brasil