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Greve em SP: professores da rede estadual decidem “fechar escolas” e marcam ato no Masp

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Greve em SP: professores da rede estadual decidem “fechar escolas” e marcam ato no Masp
Foto: Sam Balye/Unsplash

Categoria protesta contra política de bonificação do governo e exige reajuste linear. “É um momento decisivo”, alerta a deputada Professora Bebel

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) anunciou uma greve dos professores da rede estadual de São Paulo na quinta (9) e sexta-feira (10), com assembleia marcada para o dia 10, às 16h, no vão livre do Masp.

A mobilização cobra melhores condições de trabalho e critica as atuais políticas educacionais do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo a deputada estadual Professora Bebel, a paralisação é resultado da falta de avanços nas pautas da categoria apresentadas ao governo.

“Estamos chamando os professores e as professoras a fecharem suas escolas nos dias 9 e 10 e participarem da assembleia. É um momento decisivo para a nossa categoria, que precisa se posicionar diante das medidas que impactam a educação pública e a carreira do magistério”, diz a parlamentar.

Greve e reivindicações dos professores

Duas das principais reivindicações da categoria são o reajuste salarial e a aplicação correta da jornada do piso nacional, com 26 aulas em classe e 14 fora dela.

A substituição de aumentos reais por bonificações também é alvo de críticas por parte da deputada. Ela destaca que “o governo anunciou R$ 900 milhões em bônus, mas esse recurso poderia ser incorporado aos salários, garantindo um reajuste linear para todos. O que precisamos é de valorização permanente, não de gratificações pontuais atreladas ao desempenho dos estudantes”.

Além da questão salarial, a pauta exige a retirada do PL 1316, o fim da “plataformização” do ensino e critica o sistema de avaliação conhecido como “farol”.

Os professores da rede estadual de São Paulo defendem ainda a equiparação salarial com outros profissionais de nível superior, conforme a meta 17 do Plano Nacional de Educação. “Nós lutamos há anos para que o piso seja o ponto de partida da carreira. Valorização de verdade significa cumprir a carreira e garantir salários compatíveis com a importância do nosso trabalho”, aponta Bebel.

A articulação do movimento tem ocorrido por meio da Caravana da Educação, que já instalou 30 comitês populares pelo estado para debater o tema com a comunidade escolar. O fim da mobilização contará com o ato unificado na Avenida Paulista, logo após a assembleia, onde os rumos da greve serão definidos coletivamente. “A presença de cada professor e professora será fundamental para que possamos decidir os próximos passos do movimento. É na assembleia que a categoria se expressa e define seus rumos”, diz a deputada.

Fonte: Revista Fórum

Aporte de recursos públicos caracteriza necessariamente uma PPP?

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Aporte de recursos públicos caracteriza necessariamente uma PPP?
FoTO: CNN Brasil / gerada por IA

Em novembro do ano passado, quando ministrava o curso “Concessões, PPP & Regulação de Serviços Públicos – Teoria Essencial e Prática” para uma pós-graduação no setor ferroviário, fui indagado acerca do aporte de recursos públicos.

Sem contextualização específica, respondi que o aporte de recursos está contemplado na Lei 11.079, de 30 de dezembro de 2004, denominada Lei das PPPs (Parcerias Público-Privadas). No dia seguinte, um diretor de agência reguladora estadual que participava do curso retomou a discussão questionando se o aporte de recursos públicos caracterizada necessariamente uma parceria público-privada. De pronto, respondi que não e expus as razões. A partir de então, observei relatórios e decisões, inclusive de tribunais de contas, com tratamento equivocado sobre o aporte de recursos e sua necessária vinculação com as PPPs, razão pela qual me levou a escrever o presente artigo.

No início dos anos 1990, o Brasil enfrentava elevadas restrições fiscais à expansão de investimento público, decorrentes de uma década de convivência com hiperinflação e após diversos pacotes econômicos que buscavam controlá-la. Em escala global, sopravam os ventos do neoliberalismo, guiado pelo Consenso de Washington, que clamavam por disciplina fiscal e por privatização de diversas atividades econômicas à época nas mãos do Estado empreendedor, em busca de maior estabilidade econômica, mais recursos para atividades públicas típicas de estado e maior eficiência na prestação de serviços públicos.

Dessa época, e em primeira resposta às pressões por retomada econômica após a turbulenta década de 80, destaca-se a publicação da Medida Provisória 155, de 15 de março de 1990, posteriormente convertida na Lei 8.031, de 12 de abril de 1990, que criou o PND (Programa Nacional de Desestatização). Como resultado, diversas empresas em setores como siderurgia e petroquímica foram privatizadas durante os governos de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco, como a Usiminas (Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais), a Copesul (Companhia Petroquímica do Sul), a Acesita (Aços Especiais Itabira), a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), a Açominas (Aço Minas Gerais S.A), a Petroquímica União e a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica).

Para além das privatizações, a mencionada lei – posteriormente alterada pela Lei 9.491, de 9 de setembro de 1997 – pode ser considerada a gênese das concessões de serviços públicos no Brasil, em que o foco é a transferência da gestão dos serviços públicos para iniciativa privada sem que o Poder Público perca a titularidade do serviço. Em seu cerne, o art. 4º, inciso VI, da mencionada lei já elencava a concessão de serviços públicos como uma das modalidades operacionais para a transferência da prestação dos serviços públicos para o setor privado. O marco maior é o art. 175 da Constituição Federal, o qual estabelece incumbir ao Poder Público, na forma da lei, a prestação de serviços públicos, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão.

A sistematização definitiva do regime de concessões de serviços públicos, contudo, ocorreu após a promulgação da Lei 8.987, de 13 de fevereiro de 1995. Nesse primeiro momento, as concessões possuíam como principais características (i) a remuneração advinda majoritariamente da tarifa paga pelos usuários, ou seja, projeto autossustentável sob as óticas econômica e financeira; (ii) a transferência quase integral dos riscos associados à execução e exploração do serviço para o concessionário; e (iii) a manutenção do caráter público do serviço, porém sob fiscalização estatal. Dessa forma, a partir de meados da década de 1990, o Brasil inicia a transição de Estado empreendedor para Estado regulador.

As delegações de concessões de serviços públicos, no âmbito federal, começaram pelos setores de rodovias, energia elétrica e telecomunicações. Simultaneamente para os dois últimos setores citados e, posteriormente, para o setor rodoviário, foram criadas as agências reguladoras. No entanto, as concessões de serviços públicos se destinavam apenas a projetos autossustentáveis passíveis de serem delegados por meio desse instrumento, não abarcando, por exemplo, todas as necessidades de estados e municípios do país.

Foi nesse ambiente que nasceu a Lei 11.079/2004. Ela veio para preencher pontos omissos da Lei 8.987/1995, notadamente quanto à viabilização de projetos não autossustentáveis e à possibilidade de estabelecer parcerias em serviços em que a administração pública seja a usuária direta ou indireta e que não se enquadram no conceito estrito de serviço público, como é o caso de serviços em complexos penitenciários, em hospitais públicos, centro administrativos e de iluminação pública.

A distinção fundamental entre o regime de concessões comuns e o de PPPs repousa sobre dois pilares centrais: (i) a natureza da remuneração e (ii) a métrica de eficiência. Enquanto nas concessões tradicionais a receita advém majoritariamente da tarifa paga pelos usuários, nas PPPs o Poder Concedente assume o papel de remunerar, total ou parcialmente, o parceiro privado por meio de contraprestações pecuniárias regulares ao longo de toda execução contratual. Dada a natureza plurianual desse compromisso financeiro do Poder Concedente, o modelo exige a constituição de robusto sistema de garantias para assegurar a continuidade e a segurança jurídica do contrato. Ademais, a remuneração do parceiro privado nas PPPs não é estática, estando intrinsecamente vinculada ao pagamento associado ao desempenho do parceiro privado, o que condiciona o recebimento de valores ao efetivo cumprimento de metas de qualidade e disponibilidade do serviço (vide § 1º do art. 6º).

Portanto, a partir de 2005 já estava positivada as delegações por meio de concessões de serviços públicos, regidas pela Lei 8.987/1995, e por meio das PPPs, nas modalidades patrocinada e administrativa, regidas pela Lei 11.079/2004. Ressalte-se que não havia a figura do aporte de recursos, instituído somente em 2012. Dessa forma, o aporte de recursos não é critério diferenciador entre PPP e concessão de serviço público.

A Lei de PPPs dispõe sobre a figura do aporte de forma explícita. Em 2012, foi introduzido o § 2º ao artigo 6º da aludida Lei, em que foi instituído o aporte para investimentos em bem reversíveis, in verbis:

§ 2º O contrato poderá prever o aporte de recursos em favor do parceiro privado para a realização de obras e aquisição de bens reversíveis, nos termos dos incisos X e XI do caput do art. 18 da Lei 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, desde que autorizado no edital de licitação, se contratos novos, ou em lei específica, se contratos celebrados até 8 de agosto de 2012. (Incluído pela Lei 12.766, de 2012)

Em concessões comuns, por sua vez, a figura do aporte pode ser encontrada de forma implícita, mediante análise pormenorizada do arcabouço normativo aplicável. Como regra geral, as receitas provenientes de concessões comuns são as receitas tarifárias (art. 9º da Lei 8.987/1995) e receitas alternativas (art. 11). Entretanto, o art. 17 da Lei 8.987/1995 dispõe que “considerar-se-á desclassificada a proposta que, para sua viabilização, necessite de vantagens ou subsídios que não estejam previamente autorizados em lei e à disposição de todos os concorrentes”.

Conforme se extrai da disciplina legal vigente, as concessões comuns admitem a previsão de subsídios públicos, sejam eles de natureza corrente ou de capital, desde que amparados por autorização legislativa específica e disponibilizados indistintamente a todos os interessados.

No que tange aos subsídios de natureza corrente, pode-se citar as subvenções econômicas, para as quais se enquadra o subsídio tarifário de custeio das concessões comuns de serviços públicos de transporte. Saliente-se que tais subsídios tem fulcro no art. 9º, § 5º, da Lei 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que trata da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

Por outro lado, exemplo de subsídio de natureza de capital é a própria figura do aporte para obras e bens reversíveis destinados à incorporação de investimentos em bens públicos, sendo enquadrado como transferência de capital e necessitando de prévia previsão na lei orçamentária. Não obstante sua aplicação pontual, tal mecanismo não é inédito no ordenamento brasileiro, encontrando precedentes já validados pelo TCU (Tribunal de Contas da União), como é o caso da FNS (Ferrovia Norte-Sul), em que o Estado, por meio da extinta Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., atuou na execução de subtrechos da ferrovia (como o trecho entre Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela d’Oeste (SP) para que esses fossem posteriormente subconcedidos à iniciativa privada, assemelhando-se a um aporte em obras.

De forma análoga, em diversas modelagens de editais de concessões de rodovias federais, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ou a própria União, previram – e, ainda, preveem – a entrega de trechos já duplicados ou com obras de arte especiais (pontes e viadutos) concluídas com recursos do orçamento público antes da assunção pela concessionária., como foi o caso da BR-101/SC (Trecho Sul) e BR-381/MG.

Há também exemplos em concessões aeroportuárias, em que o FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) é frequentemente utilizado para subsidiar reformas em aeroportos regionais que, após a modernização com dinheiro público, são agrupados em blocos de concessão comum (como ocorreu nos leilões da 5ª, 6ª e 7ª rodadas da ANAC).

Ademais, a prática administrativa revela que o fomento à viabilidade de concessões comuns não se restringe à entrega de ativos, manifestando-se também por meio de aportes ou subsídios pecuniários diretos. O edital do Leilão BNDES nº 02/2022, que tratou da desestatização da CBTU-MG (Companhia Brasileira de Trens Urbanos em Minas Gerais) e da consequente concessão comum do serviço de transporte metroferroviário, constitui exemplo contemporâneo e paradigmático do uso de aportes para a viabilização de infraestrutura. No referido certame, previu-se, a época, aporte de recursos para investimentos na ordem de R$ 2,4 bilhões – sendo R$ 2,81 bilhões de origem federal e R$ 427,97 milhões provenientes do Tesouro do Estado de Minas Gerais –, com o fito específico de modernizar a Linha 1 e viabilizar a implantação da Linha 2. Saliente-se que, ao analisar o caso em comento, o TCU não vislumbrou impedimentos à modelagem proposta.

Resta demonstrado, portanto, que a presença do aporte de recursos públicos não constitui, por si só, critério definidor para a classificação de um projeto como PPP. Como observado nos precedentes retromencionados, o aporte de recursos configura-se como subsídio de capital voltado à viabilidade da infraestrutura, sendo perfeitamente compatível com o regime de concessões comuns regido pela Lei 8.987/1995, ou seja, a natureza jurídica da parceria não deve ser classificada meramente pela existência de aportes pecuniários ou em obras.

*Adalberto Vasconcelos é CEO da ASV Infra Partners – Consultoria em Infraestrutura.

**Rafael Andrade é diretor de Estruturação de Projetos da ASV Infra Partners – Consultoria em Infraestrutura.

Fonte: Agência iNFRA

Encontro estratégico sobre cidades inteligentes em Santos nesta quinta terá transmissão pela internet

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Niterói recebe Reunião Estratégica da Plataforma CSC para impulsionar inovação urbana
Foto: Divulgação

As vagas para a reunião estratégica regional da Plataforma CSC, que será realizada em Santos nesta quinta-feira (9), estão esgotadas.

Mesmo assim, quem perdeu o prazo para se inscrever e quer participar não vai ficar de fora. O evento contará com transmissão ao vivo pelo Youtube.

Organizado pela maior rede de cidades inteligentes do Brasil, o encontro vai abordar o futuro das cidades brasileiras, com temas como sustentabilidade, inovação e criatividade. É a primeira vez que a região recebe uma das reuniões que são parte de uma programação que antecede o Cidade CSC, evento realizado anualmente na capital paulista.

Os painéis reunirão gestores públicos e autoridades em diversos segmentos. Entre eles, o advogado e professor Sérgio Avelleda, especialista em mobilidade urbana e sócio fundador da Urucuia, empresa de assessoria na área, além de ter sido secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo e presidente da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A programação aberta ao público começa às 14h. Mais informações sobre os palestrantes e temas abordados estão disponíveis no link https://connectedsmartcities.com.br/reunioes-estrategicas-regionais-santos/ . A ocasião também integra as comemorações dos 480 anos da Cidade e conta com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS).

Durante o Cidade CSC, é apresentado o ranking anual que avalia todas as cidades do País, mapeando as com maior potencial de desenvolvimento. Na última edição, Santos alcançou a oitava posição, estando sempre entre os 15 primeiros colocados nos últimos 10 anos, com destaque para indicadores da área de educação, saneamento básico e saúde.

Saiba mais sobre a história e programação dos 480 anos de Santos em www.santos.sp.gov.br/480anos

Esta iniciativa contempla o item 4, Educação de Qualidade, e o item 9, Indústria, Inovação e Infraestrutura dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Conheça os outros artigos dos ODS.

Fonte: Prefeitura de Santos

ANEEL recebe representantes da ENEL-SP para tratar de Termo de Intimação que será apreciado pelo colegiado da Agência nesta terça (7/4)

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Apagão de mão de obra em energia exige estratégia de formação e inclusão
Foto: REUTERS/Manon Cruz

Diretor Fernando Mosna recebeu representantes da Enel-SP para ouvir argumentos da empresa a respeito do Termo de Intimação

O diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Fernando Mosna, recebeu na manhã desta segunda-feira (6/4), na sede da Agência, em Brasília, representantes da Enel São Paulo para tratar do termo de intimação nº 49/2024, lavrado pela fiscalização da ANEEL. Na ocasião, o diretor e seu gabinete ouviram os argumentos da empresa a respeito do desempenho da concessionária nas ocorrências dos últimos anos. O termo integra processo administrativo que avalia eventual recomendação ao Ministério de Minas e Energia (MME) da caducidade da concessão da distribuidora que atua na região da Grande São Paulo.

A deliberação da ANEEL sobre o tema está prevista para esta terça-feira (7/4), em reunião pública da Diretoria Colegiada. O processo trata da concessão de uma das distribuidoras de maior mercado do País e considera a fiscalização da área técnica sobre as recorrentes interrupções no fornecimento de energia e os esclarecimentos apresentados pela empresa no âmbito do processo de intimação.

A diretoria analisará se houve falhas na prestação do serviço por parte da empresa, especialmente após episódios recorrentes de interrupções no fornecimento de energia elétrica registrados nos últimos anos que impactaram milhões de consumidores.

Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica

Sensor do ar de baixo custo será lançado no Acampamento Terra Livre

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Sensor do ar de baixo custo será lançado no Acampamento Terra Livre
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia desenvolveu equipamento

Um sensor de baixo custo para medir a poluição do ar, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) com a Universidade Federal do Pará (UFPA), será lançado nesta segunda-feira (6) no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.

O novo equipamento, segundo o pesquisador do Ipam Filipe Viegas Arruda, contribuirá para expandir a medição da qualidade do ar e permitir que o monitoramento, previsto pela Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei 14.850/2024), seja mais completo.

“A gente quer que esse monitoramento seja feito além das cidades e alcance todas as categorias fundiárias como as comunidades tradicionais, unidades de conservação e propriedades rurais”, defende.

De acordo com o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, há em todo o país 570 estações de monitoramento da qualidade do ar, das quais apenas 12 estão em Terras Indígenas.

RedeAr

O primeiro lote com 60 sensores de tecnologia nacional será distribuído a partir da rede Conexão Povos da Floresta, que reúne além do Ipam, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

A ideia é criar a RedeAr, a partir de setembro, para monitorar poluição, umidade e temperatura em comunidades tradicionais e áreas públicas da Amazônia Legal e integrar os dados gerados com índices de atendimento de doenças respiratórias, da Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai) e do Telesaúde.

Uma nota técnica do Ipam mostra que, em 2024, períodos de extremos climáticos, como secas severas agravadas por queimadas, resultaram em 138 dias de ar nocivo à saúde em estados da Região Amazônica.

“Muitas vezes se tem a falsa ideia de que os indígenas e as pessoas da Amazônia respiram ar puro. Não é isso que vem acontecendo”, alerta.

Tecnologia

O pesquisador explica que, atualmente, o principal equipamento utilizado no país é importado, o que torna o custo mais alto e dificulta a assistência técnica e garantia, especialmente em regiões fora dos centros urbanos.

“Além disso, o sensor não foi desenvolvido para a Região Amazônica, então, entra formigas, abelhas, insetos, aranhas, a poeira também afeta o equipamento. O que a gente fez foi desenvolver um sistema de proteção interna dos sensores”, explica.

O modelo nacional armazena os dados no próprio equipamento em caso de interrupção do sinal da internet e também viabiliza a integração dos dados gerados por outros modelos, facilitando o funcionamento do equipamento em rede.

Segundo Arruda, a partir da integração dos novos equipamentos com os já existentes e futuras expansões, é esperado que a RedeAr chegue a 200 sensores instalados até o final do ano.

“A gente espera ter um grande engajamento para também ter programas de educação ambiental e fortalecer as políticas de prevenção e combate a queimadas”, disse.

O equipamento estará exposto na tenda da Coiab na programação do Abril Indígena do Acampamento Terra Livre, que ocorre até o dia 11 de abril no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília.

Fonte: Agência Brasil

Governo decreta situação de emergência em seis cidades do Acre atingidas pela cheia dos rios

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Foto: Neto Lucena/Secom.

O governo do Acre decretou, neste domingo, 5, situação de emergência em seis municípios do interior do estado em razão da cheia dos rios, que já afeta direta ou indiretamente mais de 40 mil pessoas.

A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 11.865, de 5 de abril de 2026, diante do agravamento das inundações provocadas pelo alto volume de chuvas nas últimas semanas, impactando diretamente comunidades urbanas, rurais e ribeirinhas.

O decreto declara situação de emergência de nível II nos municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro nas áreas atingidas por inundações nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá. O fenômeno é classificado como desastre natural hidrológico, conforme a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres (Cobrade).

A reunião ocorreu no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), que fica na sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

Estavam presentes representantes do Sistema Integrado de Meio Ambiente; secretário de Estado da Casa Civil, Jonathan Donadoni; da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), representada pela chefe de Gabinete, Sandra Amorim; da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Leonardo Carvalho; do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Charles Santos; da Defesa Civil, coronel Carlos Batista; do Institui de Meio Ambiente, Ivo Pericles, diretor de Licenciamento Ambiental de Atividades Rurais, Florestais e Fauna; da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), Temyllis Silva; da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Ana Cristina Moraes; da Secretaria de Educação e Cultura (SEE); da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), Nayara Lessa; da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas, Francisca Arara; e da Polícia Militar (PMAC), subcomandante-geral, coronel Kleison Albuquerque.

Dados técnicos que embasaram a decisão apontam volumes expressivos de chuva nos primeiros dias de abril, com acumulados de até 280 milímetros em algumas regiões. Além disso, os principais rios já ultrapassaram ou se aproximam das cotas de transbordamento. Em Cruzeiro do Sul, por exemplo, o nível do rio atingiu 14,06 metros, acima da cota de 13 metros. Em Feijó, o rio chegou a 12,34 metros, também acima do limite de transbordamento.

Representando a governadora do Acre, Mailza Assis, o chefe de gabinete Douglas Jonathan Santiago, destacou que a medida é fundamental para ampliar a capacidade de resposta do Estado.

“Estamos diante de um cenário que exige resposta rápida e integrada. O decreto permite dar mais agilidade à liberação de recursos, assistência às famílias e à atuação das equipes em campo. A governadora deixou bem claro que a prioridade é resguardar vidas e garantir dignidade às pessoas atingidas pela cheia”, afirmou.

De acordo com a Defesa Civil Estadual, além dos municípios incluídos no decreto, outras regiões seguem em estado de atenção devido à tendência de elevação dos rios. O cenário é considerado de total atenção, com famílias desalojadas, desabrigadas, além de prejuízos significativos à infraestrutura, mobilidade e à agricultura de subsistência.

O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Batista, ressaltou que o monitoramento segue intensificado.

“Estamos em alerta máximo, acompanhando o comportamento dos rios e as previsões meteorológicas. As equipes estão mobilizadas para atender as ocorrências, prestar assistência e, se necessário, realizar evacuações para garantir a segurança da população, tivemos uma subida rápido dos rios devido o volume de chuvas, que esta atípico”, explicou.

Com o decreto, a Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil do Estado do Acre (CEPDC) passa a ter prioridade no atendimento por parte dos órgãos públicos, podendo mobilizar recursos humanos e materiais, coordenar ações de socorro, além de autorizar despesas emergenciais para instalação de abrigos, fornecimento de insumos e apoio logístico.

O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carbalho, explicou que o decreto foi elaborado de acordo com uma nota técnica elaborada pela (Sema).

“Elaboramos a nota técnica no Cigma para subsidiar o governo com dados que demonstrassem a necessidade de um decreto de emergência por conta da cheia. A Sema é esse órgão, detentor da política pública que subsidia os demais órgãos para atuar em conjunto nesses momentos de eventos extremos de cheias e secas”, afirmou.

Secretária do Povos Indígenas, Francisca Arara, falou que a situação nas aldeias ainda não é crítica e reforçou que o governo tem atuado durante todo o ano em apoio aos povos indígenas e não especificamente em momentos de cheia e seca.

“Mas quando estamos em momentos de cheia é claro que colocamos todo o nosso sistema integrado em apoio aos povos indígenas. Temos, por enquanto, identificamos necessidade nos municípios de Feijó e Tarauacá, onde ficam os povos katuquinas e kaxinauas. Mas está tudo dentro do controle e estamos monitorando”, ressaltou.

A medida também autoriza, em situações de risco iminente, a entrada forçada em imóveis para resgate de pessoas e o uso de propriedades particulares, com garantia de indenização em caso de danos.

O comandante do CBMAC, coronel Charles Santos, falou que a corporação tem dado assistência a todos os municípios do Acre.

“Nossa atuação atende todos os municípios, então atuamos em apoio às prefeituras, pessoas e também junto à Defesa Civil, estamos apostos e prontos para dar uma resposta rápida”, enfatizou.

O decreto tem validade de 180 dias e reforça a atuação integrada entre Estado, municípios e governo Federal para minimizar os impactos da cheia. A previsão de chuvas acima da média nos próximos dias mantém o cenário de alerta, com risco de novas elevações nos níveis dos rios.

Veja o nível dos rios das cidades que estão em emergência

Cota de 05/04, às 9h

Tarauacá – 7,26m
Cota de transbordamento: 9,50m

Feijó – 12,10m
Cota de transbordamento: 12m

Rodrigues Alves – acima de 14m

Cota de transbordamento: 13,50m

Cruzeiro do Sul – 14,07m
Cota de transbordamento: 13,0m

Mâncio Lima – 6,24m
Cota de transbordamento: 6,20

Plácido de Castro – sem leitura
Cota de transbordamento: 12,20m

Fonte: Agência de Notícias do Acre

Motiva assume a administração da rodovia Fernão Dias; recapeamento no Sul de MG deve começar na segunda

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Motiva assume a administração da rodovia Fernão Dias; recapeamento no Sul de MG deve começar na segunda
Foto: istockphoto/divulgação

De acordo com a concessionária, a partir de segunda-feira (6) serão iniciadas as primeiras ações para recapeamento profundo do asfalto em áreas mais críticas.

A concessionária Motiva MG-SP assumiu oficialmente a administração da rodovia Fernão Dias (BR-381), nesta sexta-feira (3). O Sul de Minas já deverá receber obras de recapeamento a partir da próxima segunda-feira (6).

Segundo a nova concessionária, a mudança não afeta os serviços de atendimento aos usuários nem os canais de comunicação. A previsão é de operação integral desde o primeiro dia, com atendimento ao usuário, monitoramento e serviços de apoio funcionando sem interrupções.

📞 Em caso de emergências, como auxílio médico ou mecânico, os usuários devem acionar a central de atendimento pelo telefone 0800 283 0381.

A concessionária informou que vai absorver 100% da antiga concessionária e que deve abrir mais 140 vagas de empregos, principalmente no setor de engenharia.

Investimentos

O novo contrato prevê investimentos de quase R$ 14,8 bilhões ao longo de 15 anos. Maior parte do valor deve ser aplicada em obras de infraestrutura. O restante será destinado à operação e modernização da rodovia, incluindo iluminação em LED, ampliação da conectividade e instalação de câmeras com detecção automática de acidentes.

  • Entre os investimentos previstos no trecho estão a instalação da tecnologia 4G nos 569 quilômetros de extensão a partir do segundo ano de concessão.
  • De acordo com a concessionária, a partir de segunda-feira (6) serão iniciadas as primeiras ações para recapeamento profundo do asfalto em áreas mais críticas, como, por exemplo, entre Pouso Alegre e Cambuí.
  • A rodovia irá receber 60 novos radares e 108 km de faixas adicionais.
  • Serão construídos 19 novos dispositivos para a passagem de fauna e 29 novas passarelas.

Pedágio irá subir

O valor do pedágio será reajustado. De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a concessionária, nova tarifa será definida após a assinatura do aditivo do contrato, no final deste mês.

O novo valor deve começar a ser cobrado em seguida à assinatura do aditivo. As motos serão isentas de pagamento.

Quem usa tag para pagamento automático receberá o desconto básico de tarifa (DBT) de 5% no valor da tarifa e, no caso de veículos de passeio, também o desconto de usuário frequente (DUF).

Foto: Arte/g1
Foto: Arte/g1

Fonte: G1

Lei FELCA não é regulação — é um marco civilizatório digital

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O ECA Digital e a nova fronteira da fiscalização das plataformas no Brasil
Foto: Freepik

Se cidades inteligentes querem futuro, precisam começar protegendo  suas crianças no ambiente virtual 

O Brasil deu, em 18 de março de 2026, um passo que muitas nações ainda  hesitam em dar. Com a entrada em vigor da Lei FELCA — o chamado ECA  Digital — deixamos para trás a ilusão de que o ambiente online pode continuar  operando sob lógica de autorregulação quando o assunto é infância. Não pode e não deve são palavras de ordem. 

A Lei não é apenas uma atualização normativa, é, na prática, um marco  civilizatório digital. Um reposicionamento claro: crianças e adolescentes não  são usuários como quaisquer outros, afinal são sujeitos em desenvolvimento e,  portanto, exigem proteção ativa, estruturada e inegociável. 

Durante anos, aceitamos um modelo distorcido, as plataformas digitais  cresceram, escalaram e lucraram com base em engajamento, inclusive de  menores de idade, enquanto transferiam às famílias uma responsabilidade  impossível de ser exercida sozinha. Pais tentavam controlar o incontrolável, as  ferramentas eram complexas, escondidas ou ineficazes. Bastava um clique,  uma autodeclaração falsa de idade, e uma criança estava exposta a conteúdos  impróprios, violência, exploração ou manipulação algorítmica. A nova normativa veio para romper com esse ciclo. 

Chega de ficção: identidade digital agora é responsabilidade das plataformas. A  obrigatoriedade de verificação efetiva de idade, seja por CPF, biometria facial  ou integração futura com sistemas oficiais, encerra um dos maiores paradoxos  da internet: o de exigir responsabilidade no mundo físico e aceitar anonimato  permissivo quando se trata de acesso a conteúdo sensível. Não estamos  falando de controle, estamos falando de coerência. Se há classificação  indicativa, ela precisa ser respeitada, e, pela primeira vez, isso deixa de ser  uma escolha do usuário e passa a ser uma obrigação do sistema. 

Chegou ao fim a neutralidade, quem lucra com o ambiente digital deve protegê lo, o ponto central e talvez o mais disruptivo é o fim da neutralidade confortável  das plataformas. A Lei estabelece algo que deveria ser óbvio há muito tempo:  quem cria o ambiente também é responsável por ele. Não basta mais reagir a  denúncias e nem remover conteúdo depois que o dano já foi causado, as  plataformas passam a ter o dever de prevenir, monitorar riscos de forma  proporcional e agir com rapidez diante de violações. 

Cyberbullying, exploração, incentivo à automutilação, conteúdo extremista. tudo isso deixa de ser “externalidade” e passa a ser responsabilidade operacional. Isso muda tudo. 

Etá encerrado o ciclo da engenharia do vício para crianças. Há uma dimensão  da lei que merece atenção especial, que toca diretamente no modelo de negócios das big techs: o design. A exigência de um ambiente digital mais  responsável, que não estimule uso compulsivo por crianças e adolescentes, é  um divisor de águas, durante anos, naturalizamos mecanismos de  engajamento baseados em dopamina, notificações incessantes e recompensas  contínuas, e isso tem um nome, chamamos de inovação, mas, quando aplicado  à infância, isso tem outro nome: exploração comportamental. A regulação confronta essa lógica e faz a pergunta que o mercado evitou por muito tempo:  até onde é aceitável capturar a atenção de uma criança? 

Outro avanço decisivo é a restrição ao uso de dados e à publicidade  direcionada. Crianças deixaram de ser apenas usuárias e tornaram-se ativos  valiosos na economia digital. Seus dados, preferências e comportamentos  passaram a alimentar algoritmos e campanhas altamente direcionadas. A lei  interrompe esse ciclo. 

Proibir publicidade de apostas, álcool e outros conteúdos prejudiciais é o  mínimo, mais importante é reconhecer que a infância não pode ser tratada  como segmento de mercado. Esse é um recado direto: crescimento econômico  não pode vir à custa da vulnerabilidade infantil. 

Em um ambiente onde decisões algorítmicas moldam experiências, exigir  relatórios de transparência não é detalhe, é governança. As plataformas agora  precisam explicar como moderam conteúdo, como lidam com denúncias e  quais medidas adotam para proteger menores. Isso aproxima o setor digital das  exigências já presentes em áreas estratégicas das cidades inteligentes, porque  não existe cidade inteligente sem responsabilidade informacional. 

Toda regulação que toca o ambiente digital enfrenta o mesmo argumento: o  risco à liberdade de expressão é um debate legítimo, mas mal colocado. A Lei  FELCA não autoriza monitoramento massivo, não impõe censura prévia e não  restringe o direito de manifestação, o que ela faz é estabelecer critérios, definir  responsabilidades e proteger direitos fundamentais. Isso não é excesso é maturidade. 

Um dos maiores equívocos do modelo anterior era exigir que famílias  enfrentassem sozinhas um ecossistema altamente sofisticado e desenhado  para capturar atenção e gerar dependência, a lei vem para corrigir essa  distorção. Pais continuam sendo essenciais, mas agora contam com  ferramentas mais acessíveis, ambientes mais seguros e estruturas que  favorecem o cuidado, educação digital, diálogo e presença seguem  indispensáveis. Mas, pela primeira vez, não estão sozinhos. 

Há um ponto que precisa ser dito com clareza: não existe cidade inteligente se  o ambiente digital, que hoje é parte indissociável da vida urbana, não for  seguro para crianças. As cidades inteligentes não existem sem infância  protegida. Mobilidade eficiente, sensores, dados em tempo real, inteligência  artificial, tudo isso perde sentido se ignorarmos quem mais precisa de proteção. 

O ECA Digital amplia o conceito de smart cities. Ela nos obriga a entender que  inovação não é apenas eficiência, é também ética, responsabilidade e  compromisso com o futuro.

A Lei FELCA não resolve todos os problemas, nenhuma lei resolve. Mas ela  estabelece um novo padrão, um limite e um ponto de partida mais justo. Ela  diz, de forma inequívoca, que o Brasil não aceita mais que crianças e  adolescentes sejam expostos, explorados ou negligenciados em nome da  inovação, e isso, por si só, já é transformador. porque, no fim, a pergunta não é  sobre tecnologia, é sobre que tipo de sociedade estamos dispostos a construir,  e sociedades inteligentes de verdade começam protegendo quem ainda está  aprendendo a existir nelas.

Serpro passa a integrar conselho de nova organização global de dados criada em Pequim

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Serpro passa a integrar conselho de nova organização global de dados criada em Pequim
Foto: Freepik/pongsaksapakdee

Eleição da estatal para a World Data Organization (WDO) posiciona o Brasil no centro do debate internacional sobre governança e uso estratégico de dados

A governança global de dados ganhou um novo marco nesta segunda-feira, 30, com a criação da World Data Organization (WDO), durante assembleia inaugural realizada em Pequim. O encontro reuniu representantes de governos, empresas, academia e organismos internacionais para estruturar uma plataforma de cooperação voltada ao uso estratégico de dados e ao desenvolvimento digital.

O Serpro, estatal brasileira de inteligência em governo digital, participou do evento e foi eleito para integrar o conselho da organização, passando a contribuir diretamente para a definição de diretrizes internacionais sobre governança de dados, segurança da informação, inovação e economia digital.

O presidente do Serpro, Wilton Mota, estava presente na cerimônia e destacou a importância do encontro. “Essa assembleia reúne 42 países em torno de um objetivo comum: estabelecer normas e padrões e, ao mesmo tempo, fortalecer a troca de informações, a interoperabilidade e o compartilhamento de conhecimento. É também uma oportunidade concreta de o Brasil participar da construção dessas regras desde o início”, disse.

“A governança global de dados passa necessariamente pela cooperação entre países e instituições, com respeito à soberania digital de cada nação. O Brasil tem muito a contribuir com sua experiência em tecnologia pública, garantindo que os dados sejam utilizados de forma segura, responsável e voltada ao interesse da sociedade”, completou Mota.

Dados, inovação e padrões internacionais

A programação da assembleia refletiu temas centrais da agenda global de dados, alinhados a recomendações de organismos internacionais como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Banco Mundial e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), que desenvolvem estudos e orientações sobre economia digital, fluxos de dados e políticas públicas para o desenvolvimento.

Entre os principais pontos discutidos estão a promoção do intercâmbio internacional de dados com segurança e confiança, o fortalecimento de infraestruturas digitais e a definição de padrões que garantam interoperabilidade entre sistemas e países.

Também foram debatidas estratégias para formação de profissionais especializados, considerada um dos principais desafios para o avanço da economia digital em escala global.

Brasil no debate global sobre dados

A eleição do Serpro para o conselho da WDO representa o reconhecimento internacional da experiência brasileira em governo digital, interoperabilidade e segurança da informação.

“Com mais de 61 anos de atuação em tecnologia pública, o Serpro acumulou experiência em soluções que sustentam serviços essenciais do Estado. Estar nesse espaço reforça a contribuição do Brasil na construção de padrões internacionais e de uma governança de dados mais segura, inclusiva e orientada ao interesse público”, afirmou Wilton.

Em seguida, concluiu: “Isso representa um ganho significativo para o Serpro, que passa a atuar de forma protagonista nesse tema. É o Brasil participando do futuro da informação e dos dados, discutindo como eles serão utilizados e tratados em escala global. Essa conquista reflete a nossa competência e o papel estratégico que desempenhamos no país.”

Fonte: Serpro

Ônibus leva literatura a praças do interior paulista e transforma cidades em espaços de leitura

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Ônibus leva literatura a praças do interior paulista e transforma cidades em espaços de leitura
Foto: Sté Frateschi - Acervo da Fundação

Projeto Livro Vivo percorre municípios com atividades gratuitas e reforça impacto da Política Nacional Aldir Blanc na democratização do acesso à cultura

Em cada parada, o ônibus estaciona e, em poucos minutos, transforma o espaço ao redor. Praças, escolas e ruas passam a abrigar histórias, vozes e encontros que antes não estavam ali. É assim que o projeto Ônibus Livro Vivo retoma sua circulação pelo interior de São Paulo, levando atividades culturais gratuitas e ampliando o acesso à leitura em territórios onde o livro ainda chega com dificuldade.

A iniciativa é da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, que há mais de duas décadas atua na formação de leitores e na promoção da literatura. Com apoio de políticas públicas, como a Política Nacional Aldir Blanc, e parcerias institucionais, o projeto ganha as estradas com uma proposta direta, aproximar as pessoas do universo literário no cotidiano das cidades.

Dentro e fora do ônibus, a programação reúne contação de histórias, oficinas criativas, intervenções artísticas, cortejos literários e ações de doação de livros. A experiência é pensada para todas as idades e aposta no lúdico como porta de entrada para a leitura.

Além da programação, a própria estrutura do ônibus funciona como espaço cultural itinerante. Adaptado para receber o público, o veículo conta com ambientação voltada à leitura, acervo de livros e áreas para atividades mediadas. Do lado de fora, tendas, tapetes e mobiliário transformam o entorno em um ambiente acolhedor, convidando o público a permanecer e participar.

Segundo a presidente da Fundação, Dulce Neves, a proposta nasce da necessidade de chegar a públicos que historicamente ficam fora dos circuitos culturais. “O projeto surgiu do desejo de ampliar o alcance das ações literárias para além dos grandes centros. Ao levar livros e atividades diretamente às comunidades, buscamos estimular o hábito da leitura e fortalecer vínculos com a cultura”, afirma.

Ela destaca que esse primeiro contato com o livro pode ser decisivo na formação de leitores. “Trabalhamos com o imaginário e com o encantamento. Esse primeiro encontro cria uma memória afetiva com a leitura, que tende a acompanhar essas crianças ao longo da vida”, completa.

Foco em quem mais precisa

A circulação do ônibus segue critérios definidos. A iniciativa prioriza municípios do interior e comunidades com menor oferta cultural, buscando levar atividades onde elas ainda são escassas. A escolha das cidades também considera a articulação com parceiros locais, como prefeituras, escolas e agentes culturais, garantindo que as ações dialoguem com cada realidade.

A programação é adaptada ao perfil de cada território, fortalecendo iniciativas já existentes e ampliando o alcance das atividades. Com isso, a presença do projeto tende a deixar impactos que vão além do dia da ação.

Nas cidades por onde passa, o Ônibus Livro Vivo promove uma ocupação qualificada dos espaços públicos e cria novas possibilidades de encontro com a literatura, especialmente entre crianças e jovens.

“O impacto do projeto se evidencia na ampliação do acesso à leitura e na valorização do livro como ferramenta de conhecimento e expressão. Ele também promove inclusão cultural, alcançando públicos que muitas vezes não têm condições de participar de grandes eventos”, explica Dulce Neves.

Esse movimento se reflete no envolvimento das famílias e na permanência do público nas atividades. Em muitos casos, a experiência não se encerra ali, mas se desdobra em novos vínculos com a leitura e com os espaços culturais locais.

Inclusão e equidade

A proposta itinerante permite superar barreiras geográficas, econômicas e estruturais que ainda afastam parte da população dos equipamentos culturais. Ao chegar diretamente aos territórios, o projeto amplia o acesso e cria novas possibilidades de encontro com a literatura.

Para Dulce Neves, esse movimento é central na redução das desigualdades culturais. “Iniciativas como essa têm um papel estratégico porque descentralizam a oferta cultural e garantem que a literatura chegue a lugares onde tradicionalmente está ausente”, afirma.

Ela também destaca a acessibilidade como eixo estruturante do projeto. “A gente pensa o projeto para que todos possam participar. Isso inclui adaptar o espaço e as atividades, para que pessoas com deficiência se reconheçam como parte desse ambiente de cultura e imaginação”, completa.

Outro diferencial do Ônibus Livro Vivo está na articulação com escolas, secretarias municipais, bibliotecas e agentes culturais locais, ampliando a mobilização do público e fortalecendo o diálogo com os territórios.

Segundo Dulce Neves, essa conexão garante continuidade às ações. “Quando a gente trabalha junto com educadores e agentes locais, consegue integrar as atividades ao cotidiano da cidade. Isso faz com que a leitura continue depois que o ônibus vai embora”, explica.

Esse vínculo também contribui para fortalecer redes culturais locais e criar condições mais favoráveis à formação contínua de leitores.

Circulação cultural

A retomada do projeto evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura nos territórios. A Política Nacional Aldir Blanc foi fundamental para viabilizar a iniciativa, com investimento de cerca de R$ 250 mil na adaptação do ônibus e na estruturação das atividades.

No estado de São Paulo, a política já destinou R$ 566 milhões no primeiro ciclo, entre 2023 e 2024, com execução total dos recursos. No segundo ciclo, iniciado em 2025, são mais R$ 491 milhões, ampliando o alcance de projetos culturais em diferentes regiões.

Para o secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piuba, iniciativas como essa demonstram o impacto direto da política cultural na vida das pessoas. “O Ônibus Livro Vivo é uma iniciativa relevante que leva atividades de promoção do livro e da leitura a diferentes territórios. A Política Nacional Aldir Blanc possibilita a execução de projetos como esse, ampliando o acesso da população e fortalecendo a formação de leitores no país”, destaca.

Próximos passos

Com atuação já consolidada em regiões do interior paulista, o projeto tem potencial de crescimento. Apenas a região metropolitana de Ribeirão Preto reúne 34 municípios, enquanto a região administrativa de Franca soma outros 23, evidenciando a demanda por iniciativas desse tipo.

Entre os próximos passos estão a integração com o projeto digital Livro Vivo, reconhecido como tecnologia social, e a ampliação de ações formativas voltadas a professores e estudantes. A proposta é preparar os territórios antes mesmo da chegada do ônibus, criando uma base mais sólida para a formação de leitores.

Com agenda em andamento, o Ônibus Livro Vivo segue ampliando sua circulação pelo interior paulista. Até o fim de abril, está prevista uma passagem pela cidade de Guará (SP), ainda em fase de agendamento. Na sequência, o projeto acompanha as feiras literárias organizadas pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, levando atividades culturais a diferentes municípios.

SERVIÇO

Agenda de feiras literárias com participação do Ônibus Livro Vivo

ABRIL

8 a 12 de abril: Feira do Livro de Jardinópolis – 7ª Semana do Livro, Leitura e Biblioteca Dr. João Baptista Berardo

MAIO

18 a 21 de maio: Feira do Livro de Monte Alto

28 a 30 de maio: Feira do Livro de Ipuã

AGOSTO

6 a 8 de agosto: Feira do Livro de São Joaquim da Barra

AGOSTO / SETEMBRO

30 de agosto a 5 de setembro: 25ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

SETEMBRO

17 a 20 de setembro: Feira do Livro de Guará

Fonte: Ministério da Cultura