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51% dos brasileiros que entram na faculdade não se formam nem 3 anos após o prazo previsto

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Na média da OCDE, índice é de 30% — também considerado alto no ‘Education at a Glance’, estudo divulgado nesta terça-feira (9). Só no primeiro ano da graduação, 1 a cada 4 universitários brasileiros (25%) abandona o curso no país, contra 13% nas demais nações analisadas.

Suponha que 100 alunos brasileiros tenham começado, em janeiro de 2021, uma graduação de quatro anos de duração. Em tese, eles deveriam ter se formado em dezembro de 2024, certo?

Mas, pelo que indicam dados divulgados nesta terça-feira (9), a tendência é que, mesmo em 2027, três anos após a data esperada para a formatura, 51 desses estudantes NÃO tenham terminado o curso. Boa parte (25 deles) terá desistido ainda no 1º ano da faculdade.

Esses números foram comparados aos de nações que são referência em desenvolvimento humano, como Luxemburgo, Suíça e Noruega, na edição de 2025 do estudo “Education at a Glance”, produzido anualmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Veja:

  • No Brasil, 25% dos alunos abandonam o bacharelado ainda no 1º ano. Na média da OCDE, o índice é de 13%, também considerado alto no relatório.
  • Entre os brasileiros, apenas 38% terminam a graduação dentro do prazo esperado (versus 43% na OCDE).
  • Três anos após a data em que, em tese, todos deveriam ter concluído o curso, 51% dos alunos no Brasil continuam sem o diploma. Na OCDE, a média é de 30%.

Essas baixas taxas de permanência e de conclusão explicam por que apenas 24% dos jovens adultos (25 a 34 anos) têm ensino superior completo no Brasil (versus 49% na OCDE).

“Altas taxas de evasão no primeiro ano podem indicar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou exigências do curso, possivelmente refletindo falta de orientação profissional ou de apoio aos calouros”, afirma a análise do “Education at a Glance”.

Por que tantos desistem?

Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), aponta três fatores principais que explicam a alta evasão no ensino superior brasileiro, não só no início dos cursos:

  • Baixa qualidade da educação básica: “Poucos alunos saem com um bom nível de aprendizado, o que impacta a continuidade da graduação. Eles chegam com lacunas importantes nos conhecimentos [que deveriam ter sido aprendidos na escola]”, afirma o especialista.
  • Fator financeiro: “Muitos têm dificuldade de se manter no ensino superior, seja pela questão de custo, já que boa parte está na rede privada, mas também por não haver remuneração no período de estudos”.
  • Falta de perspectiva: “Grande parte dos cursos é de qualidade média ou baixa e, por isso, não passa um efeito sinalizador de grandes retornos financeiros. Os alunos não ficam tão seguros de que, se concluírem a graduação em determinadas faculdades, terão grande compensação depois”, diz Faria.

Claudia Costin, especialista em políticas educacionais e ex-diretora global de educação do Banco Mundial, levanta outras três hipóteses:

  • Consequência da universalização tardia da educação básica: “Pessoas mais vulneráveis passaram a ter acesso à escola só nas últimas décadas — e é ótimo que isso tenha acontecido”, diz.

“Mas o Brasil foi um dos últimos países da América a alcançar esse objetivo. Temos agora alunos que são da primeira geração a fazer faculdade na família. É mais difícil engajar esses estudantes que não têm ainda uma referência [acadêmica] em casa.”

  • Dificuldade de escolher o curso: “Nos Estados Unidos e na Finlândia, a formação profissional acontece não na graduação, mas no mestrado. No Brasil, a escolha [da carreira] pode estar ocorrendo cedo demais, fazendo com que o aluno eventualmente não goste [da faculdade]”, explica Costin.
  • Busca pela opção menos concorrida: “Há quem escolha o curso de licenciatura, por exemplo, não porque quer ser professor, mas porque é um vestibular menos competitivo. E aí, entra na graduação e não se identifica com o que encontra ali”, afirma a especialista.

Nos cursos de STEM (sigla em inglês para Science, Technology, Engineering, and Mathematics — ou seja, Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), a taxa de conclusão é ainda menor do que na área da Saúde, aponta o relatório: 38% contra 46%, respectivamente.

“Essa grande evasão na Engenharia, por exemplo, é muito influenciada pela questão da qualidade da educação básica — principalmente, por causa da lacuna em matemática que parte da população tem”, explica Faria, diretor-fundador do Iede.

Nos países da OCDE, mais da metade (58%) dos ingressantes em STEM termina a graduação — índice bem mais alto do que no Brasil, mas também preocupante, afirma o documento.

No Brasil, 76% dos ingressantes das universidades tiraram um ano de intervalo após o fim do ensino médio. É um percentual bem acima da média do registrado pela OCDE, de 44%.

Veja outros dados:

Diferenças entre homens e mulheres

  • Em todos os países, as mulheres que ingressam em cursos de bacharelado têm mais probabilidade do que os homens de concluir a graduação no tempo certo ou em até três anos após a data prevista para a formatura.
  • Por outro lado, elas são maioria na geração “Nem-Nem”. Em 2024, no Brasil, quase um quarto dos jovens (24%) de 18 a 24 anos no Brasil não trabalhava, nem estudava — taxa de 29% entre as mulheres e de 19% entre os homens.

“Temos o problema da gravidez na adolescência e do cuidado com irmãos mais novos. Como a cultura de escola em tempo integral ainda não é predominante no Brasil, alguém precisa ficar em casa para cuidar dos pequenos”, diz Costin. “Em geral, é a própria mãe ou a irmã mais velha.”

Na média da OCDE, a taxa geral de “Nem-Nem” é de 14%.

Alunos podem não perceber, mas salários estão ligados ao diploma

As desigualdades de renda entre trabalhadores com diferentes níveis de escolaridade são altas no Brasil:

  • Adultos de 25 a 64 anos com ensino superior completo ganham, em média, 148% a mais do que aqueles com ensino médio completo (na OCDE, o abismo é menor, de 54%).
  • Quem tem escolaridade abaixo do ensino médio recebe, em média, 75% do rendimento de quem completou a educação básica.
  • Em média, indivíduos com mestrado têm empregabilidade e rendimentos significativamente mais altos do que aqueles que só estudaram até o bacharelado. Só 1% dos brasileiros chega a esse nível da pós-graduação stricto sensu. Na OCDE, índice é de 16%.

Nem sempre esse incremento salarial trazido pelo diploma é algo imaginado pelo jovem que está na faculdade.

“Ele acha que vai ganhar mais se largar o curso e começar a trabalhar. É uma visão errada do que ocorre: quem tem curso superior ganha o triplo de quem não tem”, explica Costin.

Gasto por aluno no Brasil continua baixo em comparação à média da OCDE

Do ensino fundamental ao superior, o gasto governamental por aluno é de 3.762 dólares a cada ano (cerca de R$ 20,4 mil) , cerca de um terço da média da OCDE.

Comparado a outras nações da América Latina, o valor é menor do que os registrados na Argentina, no Chile e na Costa Rica, mas maior do que no México e no Peru.

Por outro lado, quando expresso em percentual do PIB, o investimento brasileiro em educação (4,3%) supera a média da OCDE (3,6%).

Observação: Os gastos com educação no Brasil representam uma parcela do PIB semelhante às da Suécia e da Nova Zelândia, considerados referência em desenvolvimento.

No entanto, o que realmente importa na comparação é o investimento que cada nação faz por aluno. Usar o PIB como critério significa considerar realidades econômicas e sociais totalmente diferentes:

  • O PIB do Brasil em 2022 foi de US$ 1,92 trilhão, enquanto na Suécia foi de US$ 591,2 bilhões e, na Nova Zelândia, de US$ 248,1 bilhões.
  • As populações destes países eram, no mesmo ano, de 215,3 milhões de pessoas no Brasil, 10,49 milhões na Suécia e 5,124 milhões na Nova Zelândia.

Ou seja, mesmo que o PIB do Brasil seja mais alto e que o percentual de investimento esteja próximo aos dos outros dois países, a população brasileira é muito maior, com número consideravelmente superior de alunos e de professores.

Diluindo o valor gasto pelo número de estudantes, fica nítido que os gastos com educação são proporcionalmente menores no Brasil.

“O nosso problema é gastar pouco por investir pouco na qualidade do professor. Os salários melhoraram com a Lei do Piso, mas estão muito abaixo de profissões que demandam a mesma escolaridade. É preciso aumentar a remuneração dos docentes”, diz Costin.

O que é o relatório ‘Education at a Glance 2023’?

  • Divulgado anualmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o relatório “Education at a Glance” reúne e compara os principais indicadores internacionais ligados à educação.
  • Os números mostram a realidade de 49 países, incluindo os 38 membros da OCDE e 11 parceiros (Argentina, Brasil, Bulgária, Croácia, China, Índia, Indonésia, Peru, Romenia, Arábia Saudita e África do Sul).
  • Os dados são fornecidos pelos próprios países.

Fonte: G1

COP30 coloca Amazônia e sustentabilidade no centro do debate

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Líderes mundiais discutirão clima, florestas e energia limpa

Às vésperas da realização da trigésima  Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP-30, os debates sobre o futuro do planeta ganham força!  Questões essenciais como a redução de emissões, investimentos em energias renováveis, preservação de florestas e biodiversidade, além de justiça climática, estarão na mesa do encontro, que vai reunir em Belém, no Pará, líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil.Mas, essa batalha ambiental vem de longe e se sedimentou em 1997. Naquele ano um tratado internacional estabeleceu compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerado causa da elevação anormal da temperatura média do planeta.

Primeiro acordo global contra a poluição, o Protocolo de Quioto entrou em vigor para valer em 16 de fevereiro de 2005, estabelecendo metas de redução de emissões para os países desenvolvidos. E ganhou o nome por ter sido assinado na cidade japonesa de Kyoto.

A proposta era que os países mais poluidores promovessem um corte maior nas suas emissões.

Ao menos 30 nações industrializadas se comprometeram em reduzir cerca de 5% de suas emissões de gases nocivos até 2012, frente aos níveis de 1990.

O líder em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, Fundo Mundial para a Vida Selvagem,  Alexandre Prado, explica como foi esse processo.

Entre outras novidades, o acordo criou um mercado de créditos de carbono, em que países com emissões reduzidas passaram a ganhar créditos, com possibilidade de vendê-los às nações mais poluentes.

O Protocolo de Quioto estabeleceu um rigoroso sistema de monitoramento, revisão e verificação dos registros precisos dessas transações.

O Protocolo também auxiliou os países na adaptação aos efeitos adversos das mudanças climáticas. E facilitou o desenvolvimento e a implantação de tecnologias para aumentar a resiliência aos impactos das mudanças climáticas.

Segundo o ambientalista Alexandre Prado,  por conta do tratado internacional,  o Brasil avançou na legislação ambiental.

Em 2015, o mundo deu mais um salto nas questões climáticas. O Acordo de Paris substituiu o Protocolo de Quioto, e é o documento que vale até hoje. Nos primeiros sete anos, nada menos que 194 países assinaram o acordo, se comprometendo a reduzir as emissões para manter o aumento da temperatura média mundial abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais.

Agora, a expectativa é que todas essas questões, assim como as discussões sobre financiamento para países em desenvolvimento, ganhem espaço na COP-30.

A proposta é reforçar as metas de descarbonização, os avanços em sustentabilidade e economia verde, estabelecidos no Acordo de Paris.

Tudo isso, daqui a cerca de dois meses, quando será aberta a COP-30. Entre os dias 10 e 21 de novembro, a Conferência fará os olhos do mundo se voltarem para o norte do Brasil, que abriga uma joia ambiental: a região amazônica, parte da maior floresta tropical do mundo

Fonte: Agência Brasil

Carbono Oculto: secretaria da Fazenda de SP cassa inscrição de três distribuidoras de combustíveis

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A decisão vem na esteira da portaria publicada na última sexta-feira pela secretaria de Fazenda que estabelece critérios mais rigorosos para a concessão e alteração da inscrição estadual de empresas que atuam no setor de combustíveis.

A Secretaria Estadual da Fazenda do Estado de São Paulo cassou a inscrição estadual de três distribuidoras de combustíveis investigadas pela Operação Carbono Oculto, que mirou fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Duas delas são ligadas à Refit: a Estrela Distribuidora de Combustíveis e a VMR Distribuidora de Combustíveis e Lubrificantes, ambas sediadas em Jardinópolis. A cidade no interior paulista é um dos polos do comércio ilegal exposto na operação deflagrada no dia 28 de agosto.

A terceira empresa com inscrição estadual cassada foi a Petroworld Combustíveis.

A decisão vem na esteira da portaria publicada na última sexta-feira pela secretaria de Fazenda que estabelece critérios mais rigorosos para a concessão e alteração da inscrição estadual de empresas que atuam no setor de combustíveis.

A empresa a Estrela Distribuidora teve um faturamento total de 3 bilhões entre janeiro de 2024 e maio de 2025 e movimentou 230 milhões de litros no primeiro semestre de 2025. Já a VMR teve baixa movimentação de vendas pois seria usada como “empresa reserva”, caso o outro CNPJ do grupo Refit fosse cassado.

Segundo o processo administrativo, a Petroworld vendeu 175 milhões de litros em igual período em mercados como São Paulo e Goiás.

A Refit não encaminhou o posionamento sobre a sanção admnistrativa. Os responsáveis pela Petroworld não foram localizados.

Fonte: CBN

Novo sistema aumenta a produção de biogás a partir de resíduos de frutas e verduras

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O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento

Todos os meses, 17 a 25 toneladas de resíduos da Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa – CE) são enviadas ao aterro sanitário, a um custo aproximado de R$ 230 mil. Para transformar esse passivo em energia renovável, pesquisadores da Embrapa e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram o Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios. A inovação aumenta a produção de biogás, com alto teor de metano, ocupa menos área e reduz custos e emissão de GEE. Projetada para a Ceasa do estado, a tecnologia tem potencial de replicação nas outras 57 centrais de abastecimento brasileiras.

O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento. Essa biomassa não utilizada, altamente biodegradável, é ideal para produzir um biogás rico em metano, aproveitável na forma de combustível.

No método usual, a fermentação dos resíduos de frutas e verduras ocorre em Reatores de Mistura Completa (CSTR, sigla em inglês), que possuem limitações operacionais e exigem grandes volumes. O novo sistema aprimora esse processo ao aplicar um pré-tratamento que separa os resíduos por meio de trituração e prensagem em duas frações: líquida e sólida. Cada uma delas é direcionada a um reator especializado. A fração líquida é tratada em reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (UASB, sigla em inglês), eficazes para cargas orgânicas elevadas, e oferecem excelente rendimento na digestão de substratos altamente biodegradáveis. E a fração sólida é encaminhada para compostagem, o que resulta em um fertilizante de alta qualidade, ou para reatores de metanização seca, capazes de operar com resíduos com alto teor de sólidos, mas ainda em fase de estudos.

Segundo o pesquisador que coordenou esse trabalho, Renato Leitão, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), com o uso do novo sistema, a quantidade de biogás gerada na Ceasa-CE pode produzir energia elétrica suficiente para suprir a demanda dessa central em até 100% da energia nos horários de ponta e mais 20% da energia fora desses períodos. “Caso não seja utilizado na própria Ceasa, esse biogás pode ser comercializado na forma de biometano após tratamento adequado”, complementa. Entre as vantagens desse tipo de aproveitamento está a redução do impacto ambiental e também a diminuição de custos de transporte e tratamento do material, visto que atualmente existe um contrato para encaminhamento desses resíduos para o aterro sanitário.

Renato Leitão explica que o sistema representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos orgânicos em energia renovável, reduzindo custos de descarte e emissões de gases do efeito estufa. O próximo passo do estudo é ampliar a escala de produção, mas para isso é necessária a construção de uma unidade-piloto maior, para calibrar os equipamentos.

“O impacto pode ser enorme: energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática.”, acrescenta o professor André dos Santos, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da UFC.

Biohidrogênio: uma nova frente

Os pesquisadores também testaram a produção de biohidrogênio a partir do material. Embora não tenha chegado a um volume competitivo, a pesquisa abre possibilidade para estudar uma nova rota de produção no futuro. Os pesquisadores usaram fermentação escura, uma tecnologia emergente para geração de energia limpa. O estudo utilizou reator anaeróbio de leito estruturado (AnStBR, sigla em inglês) alimentado com a fração líquida do resíduo.

Fonte: Embrapa

Saiba como funciona o programa de passagem gratuita para mães e responsáveis por crianças em SP

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Famílias precisam estar inscritas no CadÚnico e ter crianças matriculadas em creches

O programa Mamãe Tarifa Zero oferece gratuidade no transporte público para mães e responsáveis por crianças matriculadas em creches na cidade de São Paulo. De acordo com estimativa da Prefeitura de São Paulo, 15 mil pessoas podem ter acesso ao cartão de transporte.

Lançado em março, o Mamãe Tarifa Zero pode chegar a representar cerca de R$ 200 reais por mês na renda das famílias; valor equivalente a uma passagem de ida e outra de volta ao longo de um mês, no transporte público.

O cartão de transporte, direcionado para os responsáveis legais por crianças matriculadas em creches públicas, está disponível para familiares de qualquer grau de parentesco. Mães, pais, avós ou tios, por exemplo, podem acessar o benefício, desde que estejam cadastrados junto à creche.

As crianças matriculadas devem ter entre 0 e 4 anos e morar a mais de 1,5 quilômetros da instituição. A família responsável também precisa estar cadastrada no CadÚnico.

Como fazer o cartão Mamãe Tarifa Zero?

Para solicitar o Bilhete Único Mamãe Tarifa Zero, os responsáveis pelas crianças precisam acessar o site da SPTrans e inserir alguns dados pessoais para comprovar, por exemplo, a inscrição no CadÚnico. Após isso, é possível solicitar a entrega do cartão.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o bilhete único é entregue no endereço escolhido em até dez dias depois da solicitação. Os créditos são inseridos no cartão a partir de três dias desde o recebimento, com a quantidade equivalente para viagem de ida e volta da creche. Calculados com base nos dias letivos de cada mês, o cartão de transporte deve receber carga mensalmente.

Para carregar, o titular do cartão precisa apenas aproximar o Bilhete Único especial em qualquer máquina de recarga disponível nos terminais, estações e interior dos ônibus.

Requisitos obrigatórios para ter passagem gratuita:

  • Ser responsável legal de criança entre 0 e 4 anos e estar matriculadas na creche;
  • Criança regularmente matriculada (com CPF próprio) em uma creche da rede municipal;
  • Família devidamente cadastrada no CadÚnico;
  • Distância entre residência da criança e a creche superior a 1,5 km;
  • Não ser usuária do Transporte Escolar Gratuito – TEG.

Fonte: Mobilidade Estadão

Comissão debate impacto da inteligência artificial nos direitos autorais

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A Comissão Especial sobre Inteligência Artificial da Câmara dos Deputados realiza, nesta terça-feira (9), nova audiência pública. Desta vez, para discutir os impactos dessa tecnologia na proteção dos direitos autorais.

O debate foi solicitado pelos deputados Gustavo Gayer (PL-GO), David Soares (União-SP), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Adriana Ventura (Novo-SP) e Vinicius Carvalho (Republicanos-SP).

A audiência está marcada para as 13h30, em plenário ainda a ser definido.

A proposta em debate

A comissão analisa o Projeto de Lei 2338/23, que classifica os sistemas de inteligência artificial conforme os níveis de risco para a vida humana e divide as aplicações em duas categorias: inteligência artificial; e inteligência artificial generativa.

Quanto aos direitos autorais, o projeto, de autoria do Senado, prevê que conteúdos protegidos poderão ser utilizados livremente apenas por instituições de pesquisa, de jornalismo, museus, arquivos, bibliotecas e organizações educacionais. O material precisa ser obtido de forma legítima e a aplicação não pode ter fins comerciais.

Nos demais casos, o titular de direitos autorais poderá proibir o uso dos conteúdos protegidos. Caso elas sejam utilizadas no desenvolvimento de sistemas comerciais de inteligência artificial, o titular terá direito a remuneração.

Comissão debate impacto da inteligência artificial nos direitos autorais
Fonte: Agência Câmara

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Pesquisa mede impacto de mudanças do clima e desmatamento na Amazônia

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Trabalho é de pesquisadores da Universidade de São Paulo

O período de estiagem na Amazônia brasileira está mais severo e a temperatura da floresta aumentou 2 graus entre 1985 e 2020, segundo estudo liderado por cientistas da Universidade de São Paulo. A análise revisou 35 anos de dados de desmatamentos, temperatura e chuvas no bioma, o que permitiu medir o impacto do desmatamento e da emissão de gases de efeito estufa em todo o mundo sobre a floresta. O desmatamento é responsável por 74,5% da redução de chuvas e 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca.

A pesquisa separou o território do bioma em 29 blocos de análise. Esses blocos, com área delimitada de 300 quilômetros (km) por 300 km, foram pensados assim pois permitiam análises que consideravam o comportamento do clima em escala ampla, considerando grandes chuvas e sistemas climáticos com escala de quilômetros. Sua precisão, porém, era bem mais próxima: usando o mapeamento desenvolvido para monitoramento de supressão de vegetação, pela rede MapBiomas, a “visão” dos pesquisadores chegava a impressionantes 30 metros. Cruzando essas informações, foi possível acompanhar como, nos diferentes quadrantes da região, as mudanças em cobertura vegetal ao longo das décadas tiveram impacto na precipitação e na temperatura.

Além de entender o processo, acenderam mais uma luz de alerta: a manutenção dos ritmos atuais de devastação aqui e de emissão de gases no planeta aumentará os extremos climáticos na região, chegando mais próximo do que seria um ponto de estresse, com impactos cada vez mais profundos no equilíbrio da vida na região, já para 2035. Hoje, a média é de 19% de perda da cobertura, porém há áreas com pico de 80% de superfície desmatada.

“A Amazônia é um bioma bastante complexo, que recebe umidade do oceano e tem dinâmica bastante equilibrada a respeito do ciclo hidrológico. Ela já está impactada, precisamos começar a reverter este processo e não há margem para mais fatores de estresse do bioma, internos ou não”, explicou o professor Marco Franco , do Instituto de Astronomia da USP, principal autor do artigo, que recebeu destaque na revista Nature.

Os pesquisadores preferem não falar em ponto de não retorno para a floresta, pois o termo não tem consenso na comunidade científica, mas não têm dúvidas em afirmar que não há margem segura para permitir a exploração na região. Grandes empreendimentos, como minas e usinas, podem desequilibrar ainda mais o entorno, com potencial para afetar áreas extensas.

“Isso já tem sido sentido na produção da safrinha, que é uma condição rara do nosso agronegócio, em relação ao mundo. Em algumas áreas do bioma ela tem tido quedas relevantes. A seca está aumentando, em média, 12 dias a cada 10 anos”, disse Franco.

Ela já é sentida a partir de um limiar relativamente pequeno de supressão, com 10% de perda da vegetação nas áreas analisadas. Segundo os dados obtidos, taxas de supressão entre 10% e 40% da vegetação nativa levam a uma queda mais brusca das chuvas e acentuam o aumento local de temperaturas. A partir daí, a taxa de impacto diminui, porém é cada vez mais difícil reflorestar.

Conhecendo esse impacto, alertam os participantes, fica mais transparente a responsabilidade e a possibilidade de cooperação entre governos.

“Já sabíamos que as alterações climáticas ocorriam, a partir de outros estudos. Agora conseguimos mensurar isso, o que nos permite sentar e conversar com os responsáveis. Saber o nosso papel, do Brasil, em relação ao desmatamento, e conversar com o resto do mundo sobre o impacto que as emissões de gases globais de efeito estufa têm sobre a floresta”, explicou o professor Luiz Machado, que acompanhou e coordenou o levantamento.

Segundo os resultados obtidos, as chuvas apresentaram redução de cerca de 21 milímetros (mm) na estação seca por ano, com o desmatamento contribuindo para uma diminuição de 15,8 mm. A temperatura máxima aumentou cerca de 2 °C, sendo 16,5% atribuídos ao efeito da perda florestal e o restante às mudanças climáticas globais. Esse peso varia. Áreas da Amazônia oriental, onde a cobertura vegetal está mais próxima da original, com supressão abaixo de 10%, sofrem bem menos com a seca. Lá a contribuição para o aumento de temperatura é quase exclusiva da emissão industrial, externa e ligada aos países do norte global, como Estados Unidos e a China. Em áreas do sudeste do bioma, como a região de Santarém, no Pará, o impacto do desmatamento no aumento da temperatura é mais equilibrado, além do impacto das secas ser bem mais relevante, explicou Franco.

No artigo, os pesquisadores alertam que se o desmatamento continuar sem controle, a extrapolação dos resultados sugere um declínio adicional na precipitação total durante a estação seca e maior elevação da temperatura. O próximo desafio do grupo está em mensurar o impacto possível, em diferentes cenários, para a floresta, até o ano de 2100. Uma das contribuições do grupo além da mensuração e da comprovação dessa relação entre desmatamento, precipitações e aumento das temperaturas, está na disponibilização de parâmetros para outros grupos de pesquisa, permitindo por exemplo, que biólogos usem esses dados para entender impactos em espécies e territórios mais restritos, dentro do bioma.

A Amazônia brasileira perdeu 14% da vegetação nativa entre 1985 e 2023, de acordo com dados do MapBiomas, atingindo uma área de 553 mil km2, o equivalente ao território da França. A pastagem foi a principal causa no período. Mesmo com a queda nos últimos dois anos em relação à área desmatada, o fogo e o avanço de áreas agrícolas continuam ameaçando a região.

Fonte: Agência Brasil

O que é Justiça Climática?

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Calor extremo, desmatamento e avanço do mar atingem populações que menos contribuíram para o problema — e esse é um dos temas centrais da cúpula em Belém

O calor extremo chegou para todos, mas seus efeitos não são iguais. Em 2024, o ano mais quente da história, a cidade brasileira que mais sofreu com extremos foi Melgaço (PA), município com o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

Na cidade, muitas casas são de palafita, não têm energia elétrica ou isolamento térmico. Enfrentar temperaturas de 40 °C nesse cenário é completamente diferente de viver em prédios com ar-condicionado.

Esse contraste é um exemplo do que especialistas chamam de justiça climática: entender que a crise do clima não atinge todo mundo da mesma forma.

No cenário global, países tropicais como o Brasil são os primeiros a sentir a alta das temperaturas, mesmo sem serem os principais responsáveis pelas emissões.

E o exemplo mais dramático vem do Pacífico: Tuvalu, país insular com 11 mil habitantes, corre o risco de desaparecer nas próximas décadas. O ponto mais alto do território tem apenas cinco metros de altitude — vulnerável ao avanço dos oceanos.

A crise climática não é só ambiental, mas também social. Ela amplia desigualdades e escancara contrastes.

Por isso, a participação dos países ricos é vista como essencial: eles são os maiores responsáveis históricos pelas emissões e precisam financiar a adaptação e a transição em regiões que sofrem mais.

Esse é um dos grandes desafios da COP30, que será realizada em novembro, em Belém. A conferência deve discutir como garantir recursos para países emergentes enfrentarem os extremos climáticos e avançarem rumo a uma economia menos poluente.

Fonte: G1

Grupo português Mota-Engil vence leilão de projeto para túnel imerso Santos-Guarujá

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O grupo português Mota-Engil venceu o leilão do edital para construção do túnel Santos-Guarujá, um projeto com valor total estimado em R$ 6,8 bilhões, divididos entre governo federal, governo estadual paulista e a iniciativa privada. A disputa foi contra o grupo espanhol Acciona.

O leilão foi realizado na tarde desta sexta-feira, 5, na B3, e contou com a participação do vice-presidente da república e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho e o governador do estado de São Paulo, Tarcisio Freitas.

O critério de julgamento do leilão foi o maior percentual de desconto sobre o valor máximo a ser pago pelo governo na PPP (parceria Público-Privada) do projeto, fixado em R$ 438,3 milhões ao ano. O grupo português ofereceu 0,5% de desconto, enquanto a proposta do grupo espanhol foi de 0%.

A Mota-Engil agora será a responsável pela construção, operação e manutenção do túnel por um período de 30 anos. O edital de concessão do túnel estabelece base de R$ 6,15 para o pedágio na ida e na volta.

O mega-projeto faz parte do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, e tem investimentos tanto do governo federal como do governo de São Paulo, além da participação privada.

Ibéricos na disputa

O grupo português Mota-Engil é uma multinacional que atua em 21 países distribuídos pela Europa, África e América Latina. Atua em áreas de infraestrutura como engenharia de construção, industrial e energia, mas também tem subsidiárias em mineração, imobiliárias, mobilidade e gestão de ativos.

No Brasil, a empresa atua com maior foco na área de infraestrutura, com projetos de ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, óleo e gás e mineração por meio da Empresa Construtora Brasil (ECB).

É também responsável, entre outros negócios, pela gestão e manutenção de um trecho de 265,8 km da BR-386, no Rio Grande do Sul, e pelos serviços de coleta de lixo em Brasília. Assinou recentemente um contrato com a Petrobras para execução de serviços dos sistemas submarinos de plataformas offshore.

A espanhola Acciona está presente em 65 países e também tem forte atuação na área de infraestrutura. É mais conhecida atualmente por ser a responsável pela construção da linha-6 laranja do metrô de São Paulo e sua gestão quando estiver operando.

A empresa iniciou seus negócios no Brasil há quase 30 anos, quando foi responsável pelo projeto do Terminal 2 do Porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Também responde pela restauração e reforma da antiga estação ferroviária Júlio Prestes na Sala São Paulo. Ainda no Brasil, na área de saneamento de esgoto de cidades em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco.

Além do metrô em São Paulo, também fez o projeto de construção do metrô em Fortaleza (CE). E ainda foi responsável pelas reformas, em São Paulo, do complexo Estúdio Vera Cruz Filmes, da estação da Luz e do edifício Martiniano de Carvalho, atual sede da Telefônica.

A Acciona ainda teve a concessão da chamada Rodovia do Aço, tendo operado por 10 anos a Rodovia Lúcio Meira (BR-393), em um trecho de 200 quilômetros de extensão, que passa por sete municípios da região sul do estado do Rio de Janeiro.

União política

Para além da grandiosidade da obra, prevista para ser entregue em 2031, ela também simboliza a junção de polos opostos da política nacional, envolvendo o governo federal, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e estadual paulista, de Tarcísio de Freitas. No lançamento do edital, Lula destacou que a parceria com o governo paulista é “histórica”.

Dos R$ 6,8 bilhões estimados para a obra, até R$ 5,14 bilhões serão aportados pela esfera pública, divididos igualmente entre o governo de São Paulo e o governo federal. O restante será coberto pela iniciativa privada.

Estima-se que cerca de 80 mil pessoas utilizem diariamente a ligação, hoje limitada às balsas e catraias.

Santos é a 14ª cidade mais populosa de São Paulo, conforme o Censo Demográfico de 2022, e a 13ª colocada em arrecadação de Imposto Sobre Serviços do país. A atividade econômica gera uma forte migração sazonal das demais cidades da Baixada Santista, o que inclui o Guarujá, quarto município mais populoso da região, para lá.

Atualmente, esse fluxo ocorre por meio de balsas que transportam mais de 21 mil veículos que cruzam diariamente as duas margens utilizando barcos de pequeno porte (catraias) e as balsas, além de 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres. A alternativa por terra é um trajeto de 43 quilômetros pela rodovia Cônego Domênico Rangoni, a SP-055.

Com o túnel, o tempo gasto na travessia deve cair para cerca de dois minutos. Hoje, turistas e moradores dos dois municípios levam entre 8 e 60 minutos.

A obra também deve impulsionar o Porto de Santos.

A obra

O túnel ficará a 21 metros de profundidade para não atrapalhar a circulação de navios que passam pelo local chegando e partido do Porto de Santos, o maior porto da América Latina.

Serão três pistas para a passagem de automóveis, motocicletas, caminhões e uma via de quatro metros de largura para a travessia de bicicletas e pedestres, e uma via para um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de uma galeria de serviços.

A obra será montada sobre uma estrutura pré-moldada e isolada da água por uma camada de areia e rochas. Também terá. O túnel terá uma extensão de 1,5 quilômetros, sendo 870 deles imersos sob o estuário.

O projeto do túnel tem uma história centenária.

A primeira proposta para ligar Guarujá e Santos foi do engenheiro Enéas Marini, em 1927, e consistia em um túnel submerso de 900 metros de extensão e 20 metros de profundidade. O autor se comprometeu a bancar a construção, mas pediu a concessão do túnel por ao menos três décadas, em contrapartida, segundo o jornal A Tribuna, o que dificultou o avanço da proposta.

Nas décadas seguintes, propostas de pontes para a travessia foram discutidas, mas nenhuma foi adiante. Em 2010, a ideia foi retomada por um projeto apresentado do então governador José Serra (PSDB) de uma ponte com 4,6 quilômetros de extensão, que custaria cerca de R$ 700 milhões.

Engenheiros ouvidos pela imprensa na ocasião avaliaram que esse projeto traria um problema de limitação de altura para a circulação de navios cargueiros no estaleiro, um problema em especial na medida em que esses modelos crescem ano após ano — na prática, os navios correriam o risco de bater na base da ponte.

Em 2013, o então governador tucano Geraldo Alckmin abandonou a ideia de seu antecessor e retomou a proposta de um túnel submerso, orçado em R$ 1,89 bilhão. O projeto não se viabilizou financeiramente.

Em 2020, a Ecovias, concessionária que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, responsável pela ligação rodoviária entre a capital paulista e a Baixada Santista, propôs novamente a construção de uma ponte orçada em R$ 2,9 bilhões, em troca de 30 anos da extensão da concessão da rodovia que já administra.

A iniciativa teve o apoio do governador João Doria (então no PSDB), mas representantes do setor portuário sustentaram novamente que haveria riscos para a circulação de navios no Porto de Santos. Cinco anos mais tarde, o anúncio do edital concretiza as demandas centenárias da região.

Fonte: Istoe Dinheiro

Crescimento Urbano e a Necessidade de Soluções Inteligentes no Brasil

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O Brasil é um dos países mais urbanizados do mundo: segundo o IBGE (2022), mais de 85% da população brasileira vive em áreas urbanas, percentual bem acima da média mundial de 57% (ONU-Habitat, 2020). Esse processo de urbanização acelerado trouxe ganhos econômicos e sociais, mas também gerou graves desafios urbanos, como déficit habitacional, problemas de mobilidade, precariedade dos serviços públicos, poluição, enchentes recorrentes e forte desigualdade socioespacial (Rolnik, 2019).

Diante desse cenário, ganha força o debate sobre cidades inteligentes (smart cities). Uma cidade inteligente não pode ser reduzida apenas ao uso de tecnologia: ela deve ser também humana e sustentável. Isso significa colocar o cidadão no centro das decisões, promover qualidade de vida, garantir justiça social e adotar práticas de sustentabilidade ambiental — como o uso de energias limpas, a destinação adequada de resíduos sólidos e a proteção dos recursos naturais (Magrani, 2018).

Para que isso seja possível, alguns pilares fundamentais precisam estar presentes:

  • Conectividade e interconectividade, permitindo acesso a internet de qualidade e integração entre os diferentes sistemas e serviços públicos;
  • Governança urbana clara e participativa, em que cada ator (poder público, iniciativa privada, sociedade civil) tenha papéis definidos;
  • Planejamento de curto, médio e longo prazo, que evite o crescimento desordenado e direcione o desenvolvimento urbano de forma sustentável;
  • Eficiência na gestão pública, tanto na utilização de recursos quanto na entrega de serviços para o cidadão (Nam & Pardo, 2011).

No entanto, no contexto brasileiro, a implementação de cidades inteligentes enfrenta diversos obstáculos:

  • Instabilidade política e institucional, que compromete a continuidade de projetos urbanos;
  • Baixa conectividade digital em muitos municípios, tanto para a população quanto para os próprios órgãos públicos;
  • Ausência de planejamento urbano consistente, dificultada pelo ciclo eleitoral curto;
  • Déficit de capacidade técnica das equipes municipais para implementar projetos complexos;
  • Restrição orçamentária severa: 40% do orçamento municipal é constitucionalmente vinculado a saúde e educação, e até 50% pode ser comprometido com folha de pagamento (Lei de Responsabilidade Fiscal). Isso reduz drasticamente a margem para investimentos em inovação, mobilidade, cultura e segurança (BNDES, 2021; ABDI, 2020).

Nesse cenário, muitos municípios só conseguem avançar em projetos inteligentes por meio de parcerias público-privadas ou outras formas de captação de recursos que ofereçam segurança ao investidor privado e sustentabilidade ao ente público.

Portanto, diante do contínuo crescimento das cidades, as soluções inteligentes não devem ser vistas como opção futurista, mas como necessidade estratégica para enfrentar os desafios urbanos do Brasil. Somente com cidades inteligentes — tecnológicas, humanas e sustentáveis — será possível promover um desenvolvimento urbano inclusivo, resiliente e alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities