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TARIFA ZERO NÃO É SOLUÇÃO DE TRANSPORTE PARA O BRASIL

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Tarifa zero não é solução de transporte para o Brasil

Mudar o modelo de remuneração no transporte não é adotar tarifa zero

O modelo de financiamento do transporte público tem sido um dos principais entraves para a melhoria da mobilidade urbana. Historicamente, o sistema tem sido sustentado pela arrecadação tarifária dos passageiros, um formato que tem se tornado cada vez mais inviável. Esse modelo reforça uma lógica perversa: a sustentabilidade financeira do sistema depende da superlotação e da redução de frotas e viagens, fatores que comprometem a qualidade do serviço e afastam ainda mais os passageiros.

Diante desse cenário, a tarifa zero tem sido apresentada como solução para a mobilidade urbana. No entanto, quando implementada sem o devido planejamento e capacidade de atendimento, pode se tornar um desastre operacional. É inegável que a gratuidade pode ampliar o acesso ao transporte e gerar impactos positivos para a população de baixa renda. Mas sem uma estrutura financeira e operacional robusta, a qualidade do serviço é comprometida, reforçando a percepção de que o transporte coletivo é ineficiente e pouco confiável.

Experiências recentes mostram que cidades que adotaram a tarifa zero sem planejamento adequado enfrentaram um aumento abrupto da demanda, sem uma expansão proporcional da frota e dos serviços. O resultado foi a lotação excessiva dos veículos, queda na confiabilidade dos horários e um serviço precarizado que, mesmo gratuito, continua mal avaliado pelos usuários.

Prefeitos que herdaram ou implementaram a tarifa zero têm confidenciado nos bastidores que não podem voltar atrás na medida, mas também não possuem capacidade orçamentária para melhorar a oferta e a qualidade do serviço. Pior ainda, reconhecem que a medida retira recursos de áreas essenciais como saúde e educação. Como eles próprios admitem: “o caixa é o mesmo, é preciso fazer uma escolha.”

Outro ponto importante a considerar é que, hoje, o Vale Transporte representa uma receita significativa para o sistema de transporte. A maioria dos trabalhadores que o utilizam não percebe diretamente o custo da tarifa. Com a tarifa zero, esse fluxo de receita é perdido, criando um buraco financeiro que precisa ser coberto pelo orçamento público.

Ao invés de apostar em uma gratuidade total inviável, ou enquanto medidas como do artigo de especialista não são aprovadas, é possível encontrar um meio-termo mais equilibrado. A tarifa zero é o resultado da capacidade de um município em cobrir integralmente os custos do transporte, mas, quando essa capacidade plena não existe, há alternativas viáveis. Programas de tarifa reduzida, subsídios para grupos específicos e financiamento escalonado permitem garantir acesso ao transporte sem comprometer sua qualidade. A adoção de um modelo dinâmico entre custo e receita, como já apontado em artigo anterior, permite que o município adeque sua capacidade de investimento ao mesmo tempo que avalia os impactos de cada política implementada. Assim, é possível ampliar gradualmente o custeio público do transporte, garantindo melhorias reais para a população.

Portanto, é essencial que as cidades que buscam melhorar o transporte coletivo priorizem mudanças estruturais na remuneração dos serviços e garantam que qualquer iniciativa de tarifa reduzida ou zero seja acompanhada de um planejamento financeiro e operacional sólido. O transporte público não pode ser tratado como uma promessa política de curto prazo, mas sim como um serviço essencial que precisa ser gerido com responsabilidade, segurança jurídica e compromisso com a população.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

ESTACIONAMENTOS GANHAM PROTAGONISMO AO PENSAR A MOBILIDADE NOS GRANDES EVENTOS

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Smart parking transforma a competitividade das operações
Crédito: Banco de imagem

Quando bem estruturados, ajudam a evitar congestionamentos e tornam a chegada e a saída dos eventos mais organizadas

Quando se fala em grandes eventos como o Lollapalooza ou o Rock in Rio, a experiência do público vai muito além das atrações no palco. O deslocamento até o local e a logística de acesso são fatores que impactam diretamente a percepção do evento. Ou você, caro leitor, não vai dizer que a primeira coisa que pensa ao ir a um evento de grande porte é: “Mas como eu vou?”. Posso dizer que o estacionamento é parte fundamental da jornada dos espectadores. Quando bem estruturado e integrado à operação, os pátios se tornam um “agente facilitador”, que considero essencial nesse contexto.

Não se trata apenas de uma questão de conveniência. Estudos mostram que motoristas gastam entre 10 e 30 minutos procurando vagas, o que gera 30% do tráfego urbano em áreas congestionadas – como revelou a empresa espanhola Urbiotica. Em um ano, esse tempo perdido pode chegar a 100 horas por motorista, equivalente a mais de quatro dias inteiros. Em eventos, onde a concentração de veículos é exponencial, a falta de gestão adequada amplifica esses números. O resultado? O entorno se transforma em um verdadeiro caos.

Trazendo para a nossa realidade, espaços que comportam grandes eventos já realizam esse tipo de ação. São diversas opções de transporte disponíveis: shuttles exclusivos, transporte público, modais alternativos e o carro particular. No entanto, independentemente do modal escolhido, a chegada e a saída do público precisam ser eficientes para evitar longas esperas, congestionamentos e, claro, frustrações. Ou seja, no “quebra-cabeças” da mobilidade urbana, já está na hora de olharmos para esses espaços como peça estratégica dessa engrenagem.

A INDIGO, líder mundial em gestão de estacionamentos, trabalha para que esses espaços não sejam apenas locais de parada, mas hubs de conectividade para diferentes modais. Como? Em eventos de grande porte, o estacionamento pode se tornar um ponto intermediário de contato com o cliente, permitindo que ele estacione seu carro em pontos estratégicos e finalize o trajeto com outros meios de transporte, como ônibus exclusivos, bicicletas ou até mesmo veículos elétricos compartilhados.

O impacto vai além. Iniciativas como essa reduzem a “pressão” sobre o entorno do evento e melhoram a fluidez do trânsito, como comprovado em cidades como Santander (Espanha) e Gramado (RS), onde sensores inteligentes em vagas diminuíram em 25% o tempo de circulação de veículos.

Esse é um dos pontos em que a tecnologia é fundamental. Quando bem usada, podemos dizer que ela se torna indispensável. A plataforma Indigo Neo, por exemplo, usada em mais de 200 cidades em todo o mundo, permite não apenas a reserva antecipada de vagas, mas também ajusta preços conforme a demanda – uma prática recomendada por Donald Shoup, referência global em mobilidade, que defende uma taxa de ocupação de 80-85% para equilibrar oferta e fluxo.  

Aos organizadores de grandes eventos, pensem nisso: não vejam os estacionamentos como espaços isolados. Planejem os festivais incluindo o estacionamento como parte do core business. É necessário ir além da visão tradicional e integrar soluções como parklets (que transformam vagas em áreas de convívio) e modelos de economia compartilhada. É necessário ir além da visão tradicional e planejar de forma ampla e inteligente toda a logística operacional, unindo gestão eficiente, conveniência, excelência e boa experiência.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

O IMPACTO E A GESTÃO DOS DISPOSITIVOS IOT NO DESLIGAMENTO DAS REDES 2G E 3G NO BRASIL

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O Impacto e a Gestão dos Dispositivos IoT no Desligamento das Redes 2G e 3G no Brasil

A transição tecnológica que envolve o desligamento das redes 2G e 3G no Brasil tem gerado intensos debates, especialmente no que diz respeito ao impacto sobre dispositivos de Internet das Coisas (IoT). Com milhões de equipamentos IoT ainda dependentes dessas redes legadas, o desafio não se limita à modernização tecnológica, mas também à gestão dessa migração de forma eficiente e sustentável.

As motivações para o desligamento das redes móveis 2G e 3G são todas plausíveis, e podem ser inclusive consideradas urgentes. A transição para tecnologias mais avançadas, é vista como um passo lógico para melhorar a eficiência espectral e oferecer melhores serviços aos usuários sejam empresas ou o cliente final.

Motivações para o Desligamento

  1. Eficiência Espectral: As redes 2G e 3G ocupam frequências valiosas que poderiam ser melhor aproveitadas por tecnologias mais modernas, como o 4G e o 5G, que oferecem maior capacidade de transmissão de dados e menor latência.
  1. Redução de Custos Operacionais: Manter redes legadas implica custos elevados para as operadoras, tanto em manutenção quanto em energia. O desligamento bem conduzido pode promover ganhos de eficiência e sustentabilidade que serão capturados por toda a sociedade.
  1. Inovação Tecnológica: A transição permite a implementação de soluções mais avançadas, como aplicações de Internet das Coisas (IoT), que demandam conectividade mais robusta e eficiente.

O Cenário Atual dos Dispositivos IoT

  1. Dependência de Redes Legadas: Um número significativo de dispositivos IoT no Brasil, como módulos instalados em veículos, máquinas industriais e equipamentos agrícolas, opera exclusivamente em redes 2G ou 3G. Muitos desses dispositivos estão em locais de difícil acesso ou integrados a sistemas que dificultam sua substituição ou atualização.
  1. Amplitude do Impacto: Estima-se que milhões de dispositivos IoT estejam conectados às redes legadas. Diferentemente de outros países, onde o desligamento ocorreu sem grandes impactos devido à baixa adoção de IoT nessas redes, o Brasil enfrenta uma realidade mais complexa.
  1. Equipamentos Não Acessíveis Externamente: Alguns módulos IoT estão embutidos em componentes internos de máquinas ou veículos, como blocos de motor. A remoção ou substituição desses dispositivos pode ser tecnicamente inviável ou economicamente proibitiva.

Diante desse contexto desafiador é importante que a sociedade entenda os desafios e oportunidades apresentados pelo tamanho do mercado de IoT, as dimensões geográficas e as diversas aplicações que utilizam dessas redes.

Desafios da Migração

  1. Custo da Substituição: A troca de dispositivos IoT 2G ou 3G para modelos compatíveis com redes mais modernas pode representar um custo elevado. Esse ônus financeiro é um ponto central da discussão, especialmente em setores onde margens de lucro são estreitas.
  1. Coordenação entre Setores: A falta de uma estratégia coordenada entre operadoras, órgãos reguladores e fabricantes dificulta a transição. A Anatel, por exemplo, regula frequências e não tecnologias específicas, o que complica a implementação de políticas claras para mitigar o impacto dos usuários quando do desligamento das redes legadas.
  1. Impacto nos Serviços Críticos: Muitos dispositivos IoT são utilizados em aplicações críticas, como monitoramento remoto em áreas rurais ou controle de frota. A interrupção desses serviços pode gerar prejuízos operacionais significativos.

Soluções Propostas

A ABINC entende que é necessário uma coordenação mais ampla e um suporte consultivo para conduzir o processo de transição tecnológica de forma a mitigar os impactos da transição tecnológica.

Essa coordenação poderia passar pelos seguintes pontos:

  1. Planejamento Gradual e Regionalizado: Um cronograma escalonado para o desligamento das redes pode ajudar a mitigar os impactos. Áreas com maior concentração de dispositivos IoT dependentes das redes legadas poderiam ter prazos mais longos para adaptação.
  1. Programas de Incentivo à Substituição: Parcerias entre governo e setor privado podem viabilizar subsídios ou financiamentos para a troca de dispositivos antigos por modelos compatíveis com as novas tecnologias.
  1. Criação de Redes Alternativas (Fallback): Manter uma rede mínima para suportar dispositivos IoT críticos durante o período de transição seria uma solução intermediária para evitar interrupções abruptas nos serviços.
  1. Engajamento Setorial: Associações como a ABINC têm papel fundamental na articulação entre os diferentes atores do setor, promovendo discussões técnicas e propondo soluções práticas para a migração dos dispositivos IoT.

Conclusão

O desligamento das redes 2G e 3G no Brasil representa um avanço tecnológico necessário, mas traz desafios significativos para a gestão dos dispositivos IoT conectados a essas infraestruturas. Uma abordagem planejada e colaborativa será essencial para minimizar os impactos econômicos e operacionais dessa transição, garantindo que o país avance rumo à modernização sem comprometer serviços essenciais nem sobrecarregar usuários finais.

A ABINC pode ajudar a coordenar as ações e garantir um processo de inovação tecnológica suave sem impacto para seus associados e para a sociedade. Está na hora de darmos a devida atenção a essa discussão para que a sociedade brasileira possa usufruir dos benefícios da transição tecnológica e da liberação de espectro para outras aplicações sem, contudo, trazer um impacto significativo para toda a indústria de IoT que utilizou de forma consistente essas tecnologias nos últimos 25 anos.

Fonte: ABINC

TEMPORADA DE PREMIAÇÕES DO CONNECTED SMART CITIES 2025 ESTÁ OFICIALMENTE ABERTA

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Último dia de inscrição para Selos e Ranking Connected Smart Cities é nesta quarta-feira
Crédito: Diego Leão.

Iniciativas reconhecem projetos inovadores, cidades conectadas e soluções que moldam o futuro das cidades no Brasil

A temporada de premiações e iniciativas do Connected Smart Cities já começou, e com ela surge a oportunidade de dar visibilidade a ideias, projetos e cidades que estão transformando o Brasil em um território mais inteligente, sustentável e conectado. As inscrições para o Cidade CSC 2025 já estão abertas, reunindo iniciativas que reconhecem o impacto positivo de gestores públicos, empresas e pesquisadores que atuam na construção do futuro das cidades.

Leia mais: Prêmio P3C 2025 Reconhece Destaques da Infraestrutura no Brasil

Entre as oportunidades disponíveis está o tradicional Call for Papers, que convida especialistas de todo o país a submeterem palestras com propostas inovadoras para os desafios contemporâneos das cidades. Os selecionados apresentarão suas ideias durante o evento, ampliando conexões e colaborando com soluções reais.

Outro destaque da temporada são os Selos CSC Cidades Inteligentes e CSC Ecossistemas de Inovação, certificações que reconhecem práticas de inovação com impacto social, ambiental e econômico nos setores público e privado. Eles se somam ao Prêmio Connected Smart Cities, que desde sua criação valoriza soluções aplicadas e boas práticas que transformam a vida nas cidades.

Leia mais: Conheça os Vencedores do Prêmio Connected Smart Cities 2024 

Na mesma linha, o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana (PMU) volta a premiar projetos que promovem uma mobilidade mais inclusiva, segura e eficiente. A premiação destaca experiências que rompem paradigmas e tornam o deslocamento urbano mais acessível e sustentável.

Além disso, cidades de todo o país já estão participando do Ranking Connected Smart Cities, a principal referência para medir o grau de inteligência das cidades brasileiras. O ranking oferece visibilidade para municípios que se destacam em áreas como mobilidade, meio ambiente, urbanismo, governança, saúde, educação e empreendedorismo.

Leia mais: Prêmio Parque da Mobilidade Urbana 2024: Confira os Vencedores de 2024 

Todos esses reconhecimentos e premiações acontecem durante o evento Cidade CSC 2025, mas exigem inscrição prévia. Por isso, o momento de garantir sua participação é agora. Não perca a chance de mostrar como sua ideia, seu projeto ou sua cidade está colaborando para construir um país mais inteligente.

O prazo para inscrições é limitado. Para saber mais e garantir sua participação nas iniciativas, acesse o site oficial do programa: Call for Papers, Ranking CSC, Selos CSC Cidades Inteligentes e CSC Ecossistemas de Inovação, Prêmio CSC e Prêmio PMU.

Saiba mais e inscreva-se agora

COP 30: AS DURAS CRÍTICAS ÀS POLÍTICAS AMBIENTAIS DO BRASIL PUBLICADAS EM IMPORTANTE JORNAL CIENTÍFICO

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COP 30: as duras críticas às políticas ambientais do Brasil publicadas em importante jornal científico
Pesquisadores defendem que parar o desmatamento na Amazônia é apenas uma das ações necessárias para lidar com as mudanças climáticas na região

“Como anfitrião, o Brasil não está liderando pelo exemplo.”

Oito meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP 30, que será realizada em novembro na cidade Belém do Pará, a atuação do governo brasileiro virou alvo de críticas num editorial da prestigiada revista científica Science.

Assinado pelos cientistas Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e Walter Leal Filho, da Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo, na Alemanha, o texto aponta que, “com exceção do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, virtualmente todos os setores do governo promovem atividades que aumentam as emissões de gases do efeito estufa“.

Como exemplo, eles citam o projeto do Ministério dos Transportes de recuperar a BR-319, que vai de Manaus, no Estado do Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia.

Segundo os autores, a restauração dessa rodovia pode “abrir grandes áreas da Floresta Amazônica à entrada de desmatadores”.

“Essa vasta região que será exposta pelas estradas contém carbono suficiente para empurrar o aquecimento global a um ponto irreversível”, alertam eles.

Fearnside e Leal Filho também citam o subsídio oferecido pelo Ministério da Agricultura para “transformar pastagens em plantações de soja“. Segundo eles, esse é outro elemento incentivador do desmatamento.

“Quando a terra se torna mais valiosa para o plantio de soja, pecuaristas (incluindo aqueles que vêm de fora da Amazônia) vendem a terra para agricultores e usam os lucros para comprar áreas maiores e mais baratas em regiões remotas da Amazônia”, argumentam eles.

“Cada hectare de pasto convertido em plantação de soja pode gerar muitos hectares de desmatamento.”

Os autores do editorial ainda citam a ação do Ministério de Minas e Energia para a abertura de novos campos de exploração de petróleo e gás na Floresta Amazônica e em regiões costeiras — incluindo os planos para avaliar o potencial energético na foz do rio Amazonas.

Os especialistas avaliam que o plano brasileiro de continuar a buscar novos poços de petróleo até o país alcançar o nível econômico de países desenvolvidos é “a fórmula para um desastre climático”.

Eles lembram que, em 2021, a Agência Internacional de Energia se mostrou favorável a não abrir qualquer novo ponto de exploração de gás ou petróleo, além de restringir a extração nos campos já abertos. A proposta da instituição é acabar com esse tipo de atividade até 2050.

Para Fearnside e Leal Filho, os estudos sobre petróleo na foz do Amazonas implicam efeitos de longo prazo. Eles calculam que um campo de exploração aberto ali demoraria cinco anos para começar a operar e outros cinco anos para dar retorno financeiro.

“E porque ninguém quer apenas recuperar o investimento, uma iniciativa dessas levaria a décadas de extração — muito além de quando o mundo precisaria abandonar os combustíveis fósseis”, escrevem eles.

‘Impactos catastróficos’

Para os especialistas que assinaram o editorial na revista Science, o fato de o Brasil assumir a liderança na luta contra as mudanças climáticas faz todo o sentido — e não apenas porque o país vai sediar a COP 30.

Eles lembram que o aumento da temperatura fora de controle terá “impactos catastróficos” no país.

“[Nesse cenário de impactos catastróficos,] O Brasil perderia a Floresta Amazônica, incluindo o papel vital que ela tem ao reciclar a água que supre a Grande São Paulo, a quarta maior região metropolitana do mundo.”

A bacia hidrográfica que chega a São Paulo recebe entre 16% e 70% de sua água das chuvas, cujo vapor é transportado a partir da Amazônia a partir dos chamados “rios voadores”.

Estimativas apontam que a destruição desse bioma aumentaria a frequência de secas extremas no Sudeste do país.

“A região semi-árida no Nordeste, que é densamente populada, se transformaria num deserto, e as populações que habitam a costa litorânea seriam expostas a um aumento das tempestades e do nível do mar.”

“O agronegócio e a agricultura familiar brasileiras também sofreriam impactos pesados. Secas de uma severidade ‘sem precedentes’ são esperadas no Brasil, e a frequência desses eventos poderia aumentar em pelo menos dez vezes.”

Com isso, “surpresas climáticas” — como as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024 — se tornarão mais comuns, apontam os pesquisadores.

‘Mudança radical’

Por fim, os responsáveis pelo editorial opinam que, para a COP 30 ser um evento capaz de reverter o “curso desastroso em direção ao ponto de não-retorno climático”, será necessário não apenas conter o desmatamento

“É preciso facilitar uma transição rápida para o fim do uso de combustíveis fósseis“, dizem eles.

Fearnside e Leal Filho defendem que o Brasil, como anfitrião da conferência, precisa ser “encorajado a modificar as práticas atuais”.

“A COP 30 enfrenta grandes desafios para atingir os seus objetivos. E uma parte importante disso envolve conter as emissões de gases a partir da Amazônia“, escrevem eles.

Os cientistas defendem uma “mudança radical nas políticas do governo brasileiro, tanto nos fatores que causam desmatamento quanto na extração de combustível fóssil”.

O que diz o governo

A BBC News Brasil entrou em contato com os ministérios citados no editorial para que eles pudessem se posicionar sobre o debate.

O Ministério do Transporte informou que “as políticas ambientais do Governo Federal são definidas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima” e ficou à disposição para mais esclarecimentos sobre as políticas da pasta.

Já o Ministério de Minas e Energia pontuou que “os projetos exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas não estão próximos à Floresta Amazônica”.

“Os blocos atualmente sob contrato nessa região estão situados em águas ultraprofundas, a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas e a 180 km do litoral do Amapá.”

“A pesquisa dessas áreas segue rigorosos padrões ambientais, com avaliações técnicas detalhadas conduzidas pelos órgãos reguladores competentes. O objetivo é conhecer o potencial geológico da Margem Equatorial, uma nova fronteira exploratória offshore que pode contribuir para a segurança energética do Brasil.”

O ministério ainda defendeu que “a transição para uma economia de baixo carbono é um processo gradual”.

“O petróleo seguirá desempenhando um papel estratégico na matriz energética global até 2050, e reduzir sua exploração de forma abrupta, sem planejamento, pode gerar impactos econômicos e sociais significativos. Além disso, a exploração brasileira tem uma das menores pegadas de carbono do mundo, o que a torna uma alternativa mais sustentável frente à produção global.”

“Se o Brasil deixar de explorar suas reservas, poderá se tornar dependente da importação de petróleo nas próximas décadas, resultando em perda de arrecadação e vulnerabilidade energética. De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do próprio MME, a não exploração da Margem Equatorial pode levar a perdas de até R$ 3 trilhões até 2050.”

Por fim, o ministério reafirmou “o compromisso com uma transição energética justa, sustentável e alinhada às metas climáticas globais, garantindo ao mesmo tempo o desenvolvimento econômico e a segurança energética do país”.

O Ministério da Agricultura e Pecuária não enviou respostas até a publicação desta reportagem.

Fonte: BBC 

RECIFE SEDIA ENCONTRO DE MUNICÍPIOS DO FDIRS PARA IMPULSIONAR PROJETOS DE PPPS NO BRASIL

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Evento discutirá oportunidades em infraestrutura social, saneamento, iluminação pública e smart cities

No dia 8 de maio, a cidade de Recife será palco de um dos eventos mais estratégicos do ano para o desenvolvimento regional: o Encontro de Municípios do FDIRS. Com a presença de prefeitos, secretários e gestores municipais de diversas regiões do país, o encontro tem como principal objetivo apresentar oportunidades para a estruturação e desenvolvimento de projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em estados, no Distrito Federal e nos municípios.

Leia mais: Jornada da Vida: Recife Lidera a Transformação Digital com Inspiração Estoniana

O FDIRS (Fundo de Desenvolvimento da Infraestrutura Regional Sustentável) é uma iniciativa inovadora que tem movimentado o cenário nacional. Com um patrimônio líquido de 1 bilhão de reais, é o primeiro fundo de capital da União com gestão privada e discricionária voltado exclusivamente para viabilizar PPPs. Criado para ser um catalisador de investimentos em infraestrutura, o fundo busca atrair o setor privado para áreas fundamentais do serviço público, promovendo eficiência, sustentabilidade e impacto social.

Durante o encontro, serão discutidas as possibilidades de investimento e parceria em setores considerados prioritários para o desenvolvimento nacional, como iluminação pública e smart cities, saneamento básico, resíduos sólidos, perímetros irrigados, PPPs sociais nas áreas de educação e saúde, e mobilidade urbana. A programação contempla uma série de palestras e painéis temáticos com especialistas que vêm se destacando na promoção de soluções para a infraestrutura pública.

Leia mais: Expansão das Parcerias Público Privadas no Brasil: Desafios e Oportunidades no Setor Político e Social

Entre os palestrantes confirmados estão Gustavo Valente, Principal da Vinci Compass; Luiz Campos, Sócio-Líder de Governo e Infraestrutura da EY para a América Latina; e Mateus Renault, presidente da Opy Health. A pauta também contempla discussões sobre iluminação pública e cidades inteligentes, encerrando o encontro com a perspectiva de futuros investimentos estratégicos.

Mais do que um seminário técnico, o Encontro de Municípios do FDIRS se consolida como um espaço de articulação entre os diferentes entes federativos e o setor privado, com o propósito de transformar boas ideias em projetos viáveis, sustentáveis e duradouros. Ao reunir os principais atores públicos e privados do país, o evento pretende fomentar um ambiente de cooperação capaz de transformar a infraestrutura brasileira e melhorar a qualidade de vida da população.

Saiba mais sobre o FDIRS

O Encontro de Municípios do FDIRS é um esquenta para o Cidade CSC, o maior evento de cidades inteligentes da América Latina, que acontece em setembro na cidade de São Paulo. A expectativa é que os debates iniciados em Recife se desdobrem e ganhem ainda mais força na programação do Cidade CSC, reunindo gestores públicos, investidores e especialistas para aprofundar discussões e impulsionar a concretização de projetos transformadores em todo o país.

Saiba mais sobre o Cidade CSC

ESPAÇOS URBANOS CONECTADOS: A INOVAÇÃO DIGITAL COMO CAMINHO PARA CIDADES MELHORES

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CNH em declínio: como a nova geração está redefinindo a mobilidade
Crédito: imagem gerada pela IA Adobe Firefly

A transformação digital das cidades está redefinindo a relação entre os cidadãos e o espaço urbano. As tecnologias digitais oferecem alternativas inovadoras para enfrentar desafios urbanos antigos, como mobilidade, segurança e sustentabilidade, com o poder público desempenhando um papel central na garantia de que essas inovações sejam inclusivas e acessíveis.

A implementação de tecnologias digitais nos espaços urbanos já não é mais apenas uma tendência, mas uma ferramenta indispensável para melhorar o funcionamento das cidades. Quando integradas ao cotidiano, essas tecnologias permitem uma interação em tempo real entre moradores e a cidade, otimizando serviços e recursos, além de criar ambientes mais seguros e sustentáveis.

Aplicativos de mobilidade, sistemas de transporte público com informações atualizadas e plataformas culturais facilitam o planejamento diário dos cidadãos. Essas ferramentas oferecem maior liberdade de escolha e controle das atividades diárias, ao passo que reduzem congestionamentos e incentivam o uso de opções mais sustentáveis, como transporte coletivo e bicicletas. Para as cidades, os benefícios incluem maior eficiência na prestação de serviços urbanos e melhor alocação de recursos, contribuindo para a redução da poluição e outros problemas estruturais.

Em Barcelona, a plataforma digital Decidim Barcelona (https://timeuse.barcelona/good-practices/decidim-barcelona-digital-participatory-platform/) demonstra como a inovação digital pode promover a participação cidadã. Essa ferramenta, baseada em software de código aberto, permite que os cidadãos contribuam para decisões políticas e urbanas, garantindo transparência e inclusão. O modelo exemplifica como soluções digitais fortalecem o engajamento público, ao mesmo tempo em que abordam desafios práticos de mobilidade e sustentabilidade.

Plataformas digitais para consultas e fóruns promovem engajamento nas decisões políticas, permitindo que a diversidade de opiniões seja considerada. A inclusão social também é favorecida, uma vez que essas ferramentas possibilitam a participação de grupos historicamente limitados por barreiras como restrições de tempo ou mobilidade. Para os gestores públicos, o resultado é um processo decisório mais representativo, com impactos diretos na formulação de políticas urbanas. Deve ser levada em consideração que a participação de formato digital também promove exclusões, seja por limitação de acesso à redes, equipamentos ou letramento digital, demandando um uso complementar de soluções participativas online e offline.

A digitalização contribui para ambientes urbanos mais seguros. Sensores inteligentes, câmeras de monitoramento e sistemas de alerta em tempo real não apenas reduzem a criminalidade, mas também agilizam a resposta das autoridades em emergências, como acidentes ou desastres naturais. Singapura, por meio do programa Smart Nation (https://www.smartnation.gov.sg/), exemplifica o uso de sensores e tecnologias avançadas para monitorar emergências e reduzir a criminalidade. Esses sistemas digitais não apenas melhoram a segurança nas cidades, mas também otimizam a alocação de recursos, priorizando áreas vulneráveis.

Tecnologias inteligentes também apoiam práticas urbanas sustentáveis. Sensores para monitoramento de energia e consumo de água, sistemas de gestão de resíduos e ferramentas para reutilização de materiais são exemplos concretos de como a tecnologia pode reduzir o impacto ambiental das cidades. Essas soluções incentivam comportamentos mais responsáveis entre os moradores e geram benefícios econômicos e ambientais para as cidades, que passam a operar com menores custos e menor impacto climático.

A digitalização urbana depende de esforços colaborativos entre diferentes atores: o poder público, empresas de tecnologia e a sociedade civil. Cabe ao setor público regulamentar e coordenar essas iniciativas, enquanto as empresas implementam soluções e os cidadãos contribuem com engajamento ativo. Essa colaboração garante que as soluções sejam adaptadas às necessidades locais e acessíveis a todos, criando um modelo de cidade que evolui com a participação da comunidade e respeitando suas especificidades.

A transformação digital é uma oportunidade para reimaginar os espaços urbanos como locais conectados, sustentáveis e inteligentes. Para os cidadãos, isso significa acesso facilitado à informação, maior participação nas decisões públicas e ambientes mais seguros. Para os gestores públicos, representa uma oportunidade de otimizar recursos, melhorar a qualidade de vida e impulsionar práticas sustentáveis.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities.

CIDADES DO FUTURO: COMO A TECNOLOGIA ESTÁ MOLDANDO OS NOVOS CENTROS URBANOS

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3 cidades mais inteligentes do Brasil: o que elas têm em comum
Crédito: Banco de imagem
Com investimentos bilionários e tecnologias de ponta, as cidades inteligentes estão deixando o papel e ganhando forma em várias partes do mundo. Mas será que essas inovações vão realmente transformar a forma como vivemos? A resposta pode estar mais perto — ou mais longe — do que imaginamos.

As chamadas “smart cities” vêm ganhando protagonismo como modelo de urbanização para o futuro. De centros ultraconectados na Ásia a experiências sustentáveis na Europa, projetos ambiciosos se espalham pelo mundo, misturando inovação, sustentabilidade e planejamento urbano inteligente. E enquanto algumas já começam a funcionar, outras ainda enfrentam desafios técnicos, sociais e políticos que colocam em xeque sua viabilidade.

Megaprojetos que prometem revolucionar o urbanismo

Entre os maiores projetos do planeta está Neom, na Arábia Saudita. Com investimento estimado em US$ 1,5 trilhão até 2030, o plano inclui cidades sem carros, energia 100% renovável e infraestrutura tecnológica avançada, como trens de alta velocidade e inteligência artificial aplicada à gestão urbana.

O Japão também aposta nesse futuro com a Toyota Woven City. Mais do que uma cidade, trata-se de um laboratório vivo onde empresas testam soluções de mobilidade e automação em tempo real. Com sua primeira fase concluída, o projeto deve começar a receber moradores ainda em 2025.

Na China, a Chengdu Future Science and Technology City quer se tornar o maior centro de ciência aplicada do país, com mobilidade totalmente automatizada e áreas funcionais sem uso de veículos. Já a Oceanix Busan, na Coreia do Sul, propõe uma comunidade flutuante e autossustentável, pensada para enfrentar o aumento do nível do mar.

Os desafios por trás do glamour

Apesar dos conceitos futuristas, nem todas as cidades inteligentes têm trajetória promissora. O caso de Masdar City, nos Emirados Árabes, ilustra os riscos: projetada para abrigar 50 mil pessoas, hoje é apenas um centro de pesquisa com poucos habitantes, marcada por altos custos e baixa funcionalidade.

Outro exemplo é Quayside, no Canadá, uma parceria do Google cancelada após problemas com privacidade de dados e divergências com o governo. Mesmo com bilhões investidos, o projeto foi encerrado antes de sair do papel.

Além disso, denúncias sobre violações trabalhistas em grandes obras, como as ligadas ao projeto Vision 2030 da Arábia Saudita, acendem alertas éticos e humanitários sobre os bastidores dessas megaconstruções.

A Europa mostra que é possível 

Enquanto algumas cidades são construídas do zero, outras se reinventam com inteligência. Londres, Copenhague, Zurique e Barcelona adotam tecnologias que melhoram a mobilidade, reduzem consumo energético e envolvem os cidadãos nas decisões públicas.

Com sensores, redes 5G e plataformas digitais, essas cidades conseguem monitorar tráfego, qualidade do ar e consumo de recursos em tempo real. Além disso, investem em transparência e participação popular por meio de aplicativos e dados abertos.

Cingapura, por exemplo, combina tecnologia com bem-estar social. Lá, sensores monitoram idosos em casa, drones combatem focos de dengue e ônibus autônomos já circulam em áreas específicas.

E o Brasil nessa corrida?

Embora ainda distante da sofisticação de Ásia e Europa, o Brasil tem bons exemplos em seu território. Segundo o ranking Connected Smart Cities 2024, Florianópolis lidera com forte presença de startups, cobertura quase total de 5G e expansão acelerada do setor de TI.

Vitória e São Paulo também se destacam com avanços em saúde, mobilidade e conectividade. Salvador é a única representante do Nordeste no top 10, investindo em iluminação e semáforos inteligentes e cobertura de 5G quase total.

No entanto, o país ainda enfrenta barreiras como falta de integração entre setores, resistência interna em órgãos públicos e dificuldades de adaptação da legislação urbana às novas tecnologias.

Conclusão: o futuro é promissor, mas exige cautela

As cidades inteligentes prometem revolucionar o modo como vivemos, trabalhamos e interagimos com o ambiente. Mas, para que isso aconteça de forma ética, funcional e inclusiva, é necessário planejamento, transparência e envolvimento da sociedade. Mais do que tecnologia, o futuro das cidades depende de visão humana e responsabilidade coletiva.

CONNECTED SMART CITIES REALIZA ENCONTRO REGIONAL EM MANAUS E REFORÇA COMPROMISSO COM O FUTURO DAS CIDADES INTELIGENTES

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 Evento reuniu especialistas, lideranças locais e representantes do setor público para debater soluções urbanas

Manaus, 11 de abril – A Plataforma Connected Smart Cities realizou mais uma edição das Reuniões Estratégicas Regionais em Manaus, reunindo representantes do ecossistema local, especialistas em cidades inteligentes e lideranças públicas e privadas comprometidas com a construção de um futuro urbano mais conectado e sustentável.

Criada em 2015, a Plataforma Connected Smart Cities é um movimento nacional que promove o desenvolvimento inteligente das cidades brasileiras, por meio do incentivo à mobilidade sustentável, transformação digital, inovação e formação de parcerias estratégicas. A iniciativa valoriza a escuta ativa das demandas municipais, o compartilhamento de boas práticas e a articulação entre diferentes setores para promover mudanças reais nas cidades.

As Reuniões Estratégicas Regionais integram esse compromisso, promovendo encontros presenciais em diversas regiões do país para estimular o diálogo entre os atores locais e fomentar a cooperação regional. Nesta edição, cerca de 50 participantes — entre especialistas, gestores públicos e convidados estratégicos — debateram temas como governança, infraestrutura, sustentabilidade, inovação e desenvolvimento territorial.

O encontro também reforçou o papel das cidades como protagonistas na transformação urbana e demonstrou o potencial da articulação entre diferentes setores para acelerar soluções que geram impacto positivo e duradouro no território local.

Veja fotos e tudo o que rolou no evento.

Sobre o Connected Smart Cities
A Plataforma Connected Smart Cities é uma iniciativa da Necta que reúne representantes do setor público, privado e da academia para promover a transformação das cidades brasileiras em espaços mais inteligentes, humanos e sustentáveis. O movimento atua por meio de eventos, rankings, cursos e prêmios, promovendo conexões estratégicas e o compartilhamento de soluções inovadoras para os desafios urbanos.

Para mais informações acesse: https://connectedsmartcities.com.br/reunioes-estrategicas-regionais/.

A ECONOMIA DE DADOS E A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO ELEMENTOS PARA FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS (PPBE)

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A economia de dados e a inteligência artificial como elementos para formulação de políticas públicas baseadas em evidências (PPBE)

Este artigo explora como a economia de dados e a Inteligência Artificial (IA) servem como suporte para a formulação de Políticas Públicas Baseadas em Evidências (PPBE). Foi formulado a partir de uma revisão sistemática e integrativa da literatura realizada nas bases Scopus e Web of Science. Os resultados indicam que a integração de grandes volumes de dados, analisados em tempo real pela IA, oferece potencial significativo para a elaboração de políticas públicas mais precisas e eficientes. Contudo, há desafios, como infraestrutura tecnológica, privacidade, segurança de dados e capacitação profissional, que precisam ser superados. Além disso, destaca-se a necessidade de uma abordagem ética e regulamentada para evitar o aprofundamento de desigualdades já existentes e garantir o uso responsável dos dados na formulação de políticas públicas.

A economia de dados emerge como um paradigma econômico multifacetado que vai além da simples coleta e análise de informações. Nesse contexto, os dados são ativos estratégicos comparáveis ao capital e ao trabalho, mas com características distintivas, como a não rivalidade, que possibilita seu uso simultâneo por múltiplos agentes econômicos (Börner et al., 2018; Cong, Xie & Zhang, 2021). Esse modelo fundamenta-se na aplicação de IA, Big Data e Business Intelligence, permitindo a otimização de processos decisórios em organizações e governos (Bodislav et al., 2018). Por outro lado, há desafios regulatórios e éticos, como o capitalismo de vigilância e os impactos sociais da monetização dos dados (White & Boatwright, 2020; Snell, Tarkkal & Tupasela, 2021). A partir de outra perspectiva, a característica sistêmica dessa economia destaca a necessidade de uma regulamentação capaz de equilibrar interesses comerciais e proteção de direitos individuais (Tang, Plasek & Bates, 2018).

Pois bem, a IA potencializa a economia de dados ao ampliar a análise de grandes volumes de informações, identificando padrões e tendências para fundamentar decisões estratégicas (Chang et al., 2024). A automação proporcionada por algoritmos permite respostas mais ágeis e precisas em setores como saúde, finanças e segurança pública (Wamba et al., 2018; Börner et al., 2018). A análise de grandes volumes de dados, coletados de diferentes formas hoje em dia, permite identificar padrões, antecipar demandas e personalizar ações governamentais, tornando a gestão pública mais ágil e responsiva. Além disso, a interoperabilidade entre diferentes níveis de governo possibilita a criação de sistemas integrados de informação, favorecendo a transparência, a participação social e a inovação nas políticas públicas (OCDE, 2023).

A crescente integração da IA nesse cenário fortalece a capacidade de análise e uso de grandes volumes de dados, promovendo políticas públicas mais precisas e adaptáveis. Países como o Canadá e membros da União Europeia já utilizam estratégias digitais para embasar políticas em tempo real, garantindo maior alinhamento com as necessidades populacionais (World Economic Forum, 2023; Government of Canada, 2018). O potencial dessa abordagem inclui a promoção da transparência, o fortalecimento da participação cidadã e a mitigação de vieses político-partidários (Mayer-Schönberger & Cukier, 2013).

Como aplicação, a economia de dados e a inteligência artificial (IA) têm permitido a formulação de políticas públicas baseadas em evidências (PPBE), impulsionando tomadas de decisão mais informadas e eficazes, por se basearem em uma análise mais completa de dados para otimizar recursos e ampliar o impacto social das políticas públicas. Essa abordagem, que foi impulsionada pelo avanço tecnológico e pelo movimento New Public Management (NPM), reforça a importância da tomada de decisões embasada em evidências empíricas (Fogaça et al., 2023). Exemplos ocorrem na saúde pública, com programas de imunização e triagem neonatal (Bronstein et al., 2019; Dabanch et al., 2019). No setor educacional, dados ajudam a personalizar. A integração multidisciplinar de evidências e a desconexão entre pesquisa acadêmica e formulação de políticas são apontadas como desafios (Loader & Sparks, 2014).

A implementação das PPBE enfrenta desafios éticos, sociais e tecnológicos. A proteção da privacidade dos dados das pessoas sugere políticas rigorosas de segurança de dados para evitar abusos e vazamentos (Elvy, 2017). Além disso, o viés algorítmico pode reforçar desigualdades e comprometer a justiça social, o que indica a necessidade de algoritmos mais claros e justos (Holm & Ploug, 2017). Nessa direção, Murtagh et al. (2022) reforçam que a transparência nos processos de IA é essencial para a construção da confiança pública e do controle social sobre as políticas formuladas.

Além disso, a desigualdade no acesso à tecnologia compromete a representatividade dos dados, exigindo iniciativas de inclusão digital para garantir políticas públicas mais equitativas (Sestino et al., 2023). Barreiras técnicas, como a interoperabilidade de sistemas governamentais, dificultam a integração de dados, demandando padrões comuns para melhorar a eficiência administrativa (Zech, 2016).

A pesquisa concluiu que a integração entre IA e economia de dados tem um potencial transformador para as PPBE, proporcionando decisões políticas mais fundamentadas e adaptativas (Börner et al., 2018). A personalização das políticas possibilita intervenções ajustadas às necessidades de diferentes segmentos populacionais, promovendo inclusão social (Lammi & Pantzar, 2019; Börner et al., 2018). Essa fusão promove maior eficiência e responsividade na gestão pública e, aprimora o monitoramento em tempo real das políticas implementadas (Tang et al., 2019). 

Diante desse cenário, a consolidação das Políticas Públicas Baseadas em Evidências (PPBE) na era da economia de dados e da Inteligência Artificial exige um esforço contínuo para equilibrar inovação tecnológica e governança responsável. O avanço das ferramentas de análise de dados permite políticas mais eficazes e adaptáveis, mas demanda investimentos em infraestrutura, regulamentação e capacitação profissional para que seus benefícios sejam amplamente acessíveis. Assim, o futuro das PPBE dependerá não apenas da evolução tecnológica, mas também da capacidade dos governos de criar ambientes regulatórios que garantam transparência, ética e inclusão digital, assegurando que o uso de dados e IA contribua para uma gestão pública mais eficiente e equitativa.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities