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Do caos ao transporte inteligente: como as cidades brasileiras podem reinventar a mobilidade urbana

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Do caos ao transporte inteligente: como as cidades brasileiras podem reinventar a mobilidade urbana
Foto: Custodio Coimbra

Soluções como inteligência artificial, robotáxis, veículos elétricos e mobilidade como serviço (MaaS) apontam caminhos para um transporte mais eficiente e sustentável

Noel Rosa já cantou que o bonde parecia uma carroça: “coisa nossa, muito nossa”, atestou o bamba, em 1932. Meio século depois, a escola de samba Em Cima da Hora viajaria pelos trilhos do subúrbio carioca com o trabalhador que, de “peito amargurado”, batucava na marmita para esquecer a tristeza quando o trem quebrava. Na década seguinte, Gabriel o Pensador alertou: “É um assalto, malandro!” E se choveu, pronto, “tudo alagado”. Era a rotina, convertida em rap, de quem sacolejava nos ônibus da antiga linha 175 (Barra da Tijuca-Central).

O ir e vir de milhões de brasileiros nos transportes costuma inspirar a música popular. As agruras cantadas no passado resistem, como evidencia a vida em metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo. Mas, se os artistas continuarão refletindo esse cotidiano, outros cenários devem aparecer em suas obras.

A mobilidade urbana do futuro já está em construção. Dos veículos autônomos à inteligência artificial (IA) a serviço da gestão do tráfego, tendências ganham as ruas mundo afora. Mudanças climáticas impõem a urgência de soluções mais sustentáveis, como a eletrificação das frotas de ônibus. E o desenvolvimento de novas tecnologias acelera a expectativa de tornar as cidades mais disponíveis a todos.

— Será uma mobilidade descarbonizada, com a extinção gradativa do uso dos combustíveis fósseis, autônoma e conectada, com mais veículos guiados por IA. Vai ser também compartilhada, sob demanda, reduzindo a propriedade de veículos individuais, e altamente planejada e orientada por dados — prevê Glaydston Ribeiro, professor do programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ. — Vejo as cidades interagindo com os veículos, e os veículos interagindo com as cidades, que devem ser mais humanas e equitativas, nas quais o transporte não será só um meio, mas um direito que estrutura o acesso a elas.

No pé no chão da realidade nacional, diz Ribeiro, alcançar esse amanhã não é utopia, porém é preciso agir. Estudos com comparações globais põem em perspectiva os desafios brasileiros. Enquanto os serviços de alta capacidade, como trem e metrô, são recomendados para as áreas mais populosas, um relatório recente da Associação Internacional de Transporte Público (UITP, na sigla em inglês) mostra que, com base em dados de 2022, a Região Metropolitana do Rio tinha quatro quilômetros de linhas de metrô para cada um milhão de habitantes, e a de São Paulo, mais numerosa, cinco. Na mesma proporção, Londres contava com 46 quilômetros, Madri, com 44, e Santiago do Chile, 20.

Impacto na saúde

Outro levantamento sobre transporte público, do aplicativo Moovit, indica que, no ano passado, o Rio registrou o maior tempo médio entre dez capitais do país no deslocamento casa-trabalho: 58 minutos, o oitavo pior resultado entre 50 regiões do mundo.

— No final do dia, olhamos para as pessoas e vemos indignação, cansaço. É sofrimento que impacta na saúde física e mental delas — lamenta Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, centro de estudos que produz o Índice de Qualidade da Mobilidade Urbana. — Em entrevistas em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, a população deu notas de zero a 10 aos transportes. Nenhuma das capitais chegou à média ideal. A do Rio foi a pior: 4,6 (contra 4,8 em Belo Horizonte e 5,4 em São Paulo) — afirma ele sobre a edição de abril da pesquisa.

Tarifas pesadas

O diagnóstico, segundo Quintella, passa por integração ineficiente entre os modais e passagens que pesam no bolso. No Rio, onde a tarifa única segue como promessa, um dos desencontros mais recentes envolve a bilhetagem eletrônica. Prefeitura e estado não chegam a um acordo e, a partir do mês que vem, muitos usuários terão que usar dois cartões (Jaé e Riocard) se embarcarem, por exemplo, numa linha de ônibus municipal e, depois, num trem.

— Costumo dizer: de nada adianta uma cidade inteligente, com tecnologia, se não há o básico — lamenta Quintella.

Na contramão do que se preconiza, cresceu no pós-pandemia da Covid-19 o uso do transporte motorizado individual, e mais gente migrou para carros e motos por aplicativo. Mas há luz no fim do túnel, afirmam especialistas: atalhos na busca de soluções.

Alguns foram testados e adotados. Entre eles, a construção de terminais multimodais, como o carioca Gentileza — que integra ônibus, BRTs e VLT — e a instauração de autoridades metropolitanas para articular decisões conjuntas entre cidades, como faz a Grande Vitória. O transporte sobre trilhos se impõe. E seguem na agenda faixas exclusivas para ônibus, BRT e soluções hidroviárias, como as barcas no Rio e o projeto de transporte aquático pelos rios de São Paulo.

Outros caminhos se apoiam nas transformações tecnológicas. Não são os carros voadores que, embora em testes, podem demorar a se tornar viáveis em larga escala. Trata-se de apostas mais factíveis e aplicáveis nos grandes centros urbanos.

Tendências para o futuro de acordo com as propostas dos especialistas

Nesse rumo, Estocolmo, na Suécia, e Helsinque, na Finlândia, estão na vanguarda no modelo de MaaS (mobilidade como serviço), que não tem nada de restrito a contextos como o dos países nórdicos. A Confederação Nacional do Transportes define que o conceito se baseia “na integração entre os modos de transporte disponíveis em um determinado território, sejam eles públicos ou privados, individuais ou coletivos”. Glaydston Ribeiro explica que isso pode ocorrer por meio de uma plataforma digital ou aplicativo para celular em que a pessoa consegue encontrar as informações sobre os trajetos que deseja, planejar seu itinerário da forma mais rápida e confortável, reservar e pagar as tarifas de forma única (por viagem, mensalidade ou até anuidade). Tudo à mão.

Quanto à IA e à internet das coisas (IoT), sensores instalados em veículos, sinais e vias públicas passaram a ser empregados em diversas cidades para otimizar a gestão do tráfego, regular padrões de semáforos, prever congestionamentos e recomendar rotas alternativas, além de identificar as áreas de estacionamento livre. Desde o começo deste ano, o Rio é uma das capitais que testam sua IA, chamada de Cora, no Centro de Operações e Resiliência (COR). O objetivo é estabelecer protocolos para agilizar respostas a engarrafamentos e intempéries.

Planeta afora, essa nova revolução digital permite que veículos autônomos convivam com convencionais, seja no transporte de passageiros, como os “robotáxis” de São Francisco, nos Estados Unidos, ou na entrega de mercadorias, como acontece em Vilnius, capital da Lituânia. É questão de tempo esbarrar com uma dessas novidades na Avenida Paulista, no carioca Túnel Rebouças ou no Eixo Monumental de Brasília.

Mobilidade sustentável

Já o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, do Ministério das Cidades e do BNDES, cita Londres como referência. Na capital inglesa, está em curso uma estratégia de redução da dependência dos carros, ampliação para 80% da proporção de viagens a pé, de bicicleta ou por transporte público coletivo até 2041, redução drástica das mortes no trânsito e promoção de mobilidade sustentável. Uma ações já é famosa: a Zona de Emissão Ultra Baixa (Ulez), onde motoristas de veículos mais poluentes pagam taxa para entrar.

No Brasil, é impositivo levar a mobilidade para o centro do debate sobre a crise climática, diz Nabil Bonduki, professor de Planejamento Urbano da USP e vereador em São Paulo.

— Vêm da mobilidade urbana 60% a 65% dos gases de efeito estufa nas cidades. Uma pessoa em um carro emite aproximadamente 75% mais que um passageiro de ônibus. Por isso, é inevitável a transição do modal individual para o coletivo — diz ele, que aposta na eletrificação da frota como parte das medidas para um futuro sustentável. — Devemos acelerar a eletrificação dos ônibus e dos carros.

Na América Latina, apesar de cerca de três vezes mais caros, ônibus elétricos integram a paisagem de capitais como Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia). No Brasil, se espalham aos poucos. A plataforma E-bus Radar, que monitora a transição, indica que, dos 1.059 ônibus elétricos em circulação no país em abril passado, 789 (74,5%) estavam na cidade de São Paulo. No programa federal Novo PAC foram incluídos investimentos para a compra, nos setores público e privado, de cerca de 2.300 desses veículos. No Rio, a prefeitura promete que, na licitação dos ônibus municipais prevista para ocorrer em etapas até o fim de 2028, a nova frota terá motor Euro 6 (movido a diesel, porém, menos poluente) e, em menor parcela, bateria elétrica.

A eletricidade também move bicicletas, patinetes e motonetas que tomam áreas da Zona Sul do Rio ou a região da Faria Lima, em São Paulo. São recursos da chamada mobilidade ativa ou micromobilidade, que inclui deslocamentos a pé e com bicicletas comuns. Por todos os cantos, o país produz cenas que mostram a adesão das pessoas a esse movimento. As mudanças de comportamento, no entanto, parecem ocorrer mais rapidamente do que a capacidade de adaptação das cidades.

— Há morosidade tanto na criação de infraestrutura para a mobilidade ativa quanto na regulamentação do uso dos veículos elétricos, que podem desenvolver velocidades acima dos 20km/h — diz Clarisse Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). —Hoje, pedestres e ciclistas, que já dividem espaço com os carros, também disputam com bicicletas elétricas, motonetas… — completa ela, ao defender que as cidades encarem a redução do espaço para carros.

Ela faz coro com urbanistas que propõem vias dedicadas à mobilidade ativa, a criação de zonas de baixa velocidade na malha viária ou a construção de bicicletários amplos e seguros perto das estações de transporte de média e alta capacidade, para estimular que a micromobilidade seja um alimentador de modais como BRTs, metrô e trens.

— Precisamos ter bacias cicloviárias e de pedestres nos bairros, além de uma ambiência melhor para esses deslocamentos. Mas é necessário também haver integração com o transporte público — ressalta Clarisse.

Alcançada essa conjuntura, os benefícios, mais uma vez, são para os cidadãos e para o planeta. O estudo “Cenário de cidades compactas eletrificadas”, do ITDP, demonstra o impacto da eletrificação da frota e da substituição dos modais pela mobilidade ativa, frente às mudanças climáticas. Nas próximas três décadas, calculam os pesquisadores, a combinação desses dois cenários reduziria as emissões de dióxido de carbono oriundas do transporte em cerca de 87%.

Soluções locais

Diante das muitas vias possíveis para o futuro, o professor Glaydston Ribeiro destaca que se deve investir no desenvolvimento de tecnologias locais com o intuito de se encontrar saídas para desafios particulares do Brasil.

—Isso colocaria o país numa posição estratégica, porque nossas soluções seriam ‘tropicalizadas’ — afirma ele, ao ressaltar a expertise da Coppe/UFRJ na modelagem de sistemas complexos de transportes e em eletromobilidade. — Estamos falando de respostas para a nossa realidade. Não se pode só replicar uma solução de Copenhague, na Dinamarca, no Rio. Nossa região é diferente, do clima às demandas sociais. É preciso tropicalizar as soluções e replicar, aí sim, em cidades com características parecidas.

Na recente Cúpula da UITP, em Hamburgo, na Alemanha, em junho, esse mesmo debate ecoou. Ao comparar a Europa com a América Latina, o secretário-geral da associação, Mohamed Mezghani, frisou: aplicar modelos de mobilidade não é uma tarefa simples de copiar e colar. É preciso levar em conta, como já cantava Noel, que há “coisa nossa, muito nossa”.

Desafios que o setor precisa enfrentar

Na semana em que o metrô do Rio fez seu primeiro aniversário, a edição do GLOBO de domingo, em 9 de março de 1980, estampou: “Rápido, barato e confortável. Os passageiros, claro, disseram sim”. Trinta e seis anos mais tarde, em 31 de julho de 2016, a primeira página do jornal anunciava: “Sorria, o metrô chegou à Barra” — era o dia seguinte à abertura da Linha 4. Desde então, prestes a completar uma década daquela inauguração, a cidade não ganhou um único quilômetro a mais do modal. As obras da estação Gávea, que tinham ficado para trás, só recentemente foram retomadas. Inércia que, na capital fluminense e em outras cidades brasileiras, tem origem quase sempre nos mesmos obstáculos, que, para especialistas, precisam ser tirados do caminho para destravar o desenvolvimento dos transportes urbanos.

Déficit

A demanda de investimentos é superlativa: R$ 670 bilhões, se considerados apenas 403 projetos de sistemas de transporte público de média e alta capacidades já existentes em 21 regiões metropolitanas do país com população conurbada superior a um milhão de habitantes. O mapeamento é do BNDES com o Ministério das Cidades para o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, em andamento para construir uma estratégia nacional para reduzir o déficit de investimentos no setor. Do total, o estudo propõe a realização de 194 projetos de metrô, trens urbanos, BRTs, VLTs, monotrilhos e corredores de ônibus.

O plano é aumentar em 122% a rede atual implantada, passando dos 2.007 quilômetros de sistemas de transporte público de média e alta capacidades para 4.453 quilômetros. Seriam 2.446 quilômetros de ampliações, sobretudo, nas regiões metropolitanas de São Paulo (563 quilômetros), Brasília (295), Belo Horizonte (230) e Rio (195). Numa próxima etapa do estudo, serão calculados os investimentos requeridos até 2054.

Financiamento

Encontrar formas de financiar obras do setor é um desafio central. Parcerias público-privadas (PPPs) se tornaram uma das saídas. Já Clarisse Linke, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), defende reposicionar o transporte público como serviço essencial para cidades mais resilientes e adaptadas às mudanças climáticas. Reside aí, afirma, a oportunidade de aproveitar a onda de financiamentos globais ligados a esse cenário:

— Argumento pelo transporte público limpo, que promova a redução do efeito estufa e dos gases poluentes locais. Os projetos também precisam incluir elementos de infraestrutura verde e levar em consideração o aumento da temperatura, as ondas de calor, enchentes e as variações na precipitação.

Subsídios

Onde já há serviços de transportes, a busca é por subsídios à operação, com redução da tarifa para o usuário. A pergunta é: de onde vêm os recursos quando os cofres públicos estão combalidos? No mundo, há alternativas como pedágios urbanos para carros que ajudam a financiar o transporte coletivo. Nabil Bonduki, arquiteto e urbanista da USP, defende a criação de um fundo nacional que poderia ser abastecido pela Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis. Em Brasília, discute-se a criação de um Sistema Único de Mobilidade Urbana Sustentável (SUM), com gestão e custo do transporte público divididos entre os governos federal, estadual e municipal.

Foco nos trilhos

Quando o assunto é planejamento, muitas cidades sequer têm planos de mobilidade urbana elaborados. Nos trajetos onde há mais de 30 mil passageiros/hora/sentido, Ana Patrizia Gonçalves Lira, diretora executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), não tem dúvidas de que se deve priorizar os modais de alta capacidade, como metrô e trem:

— Hoje, as cidades não fazem isso. São 1.100 km de trilhos, com 2,6 bilhões de passageiros transportados por ano no país. O potencial de crescimento é enorme. Sobre trilhos, há menos acidentes e poluição.

Expansão

Em São Paulo, apesar de haver empecilhos, há expansão gradativa do metrô. Em Salvador, foi assinada recente autorização para publicação de edital de ampliação da malha metroviária. No Rio, são antigos os planos para extensão da Linha 2, até a Praça Quinze, e para levar a Linha 4 ao Recreio dos Bandeirantes. Com relação à Linha 3 — ligando a capital a Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, e na mesa dos políticos desde 1968— o governo do estado contratou este ano a Coppe/UFRJ para a realização de um estudo técnico.

Mesmo diante de compreensível ceticismo, o professor Glaydston Ribeiro, que trabalhou no estudo, garante que é uma expansão factível, inclusive, com um túnel sob a Baía de Guanabara.

— Estamos falando de 2 milhões de pessoas afetadas diretamente pela Linha 3. É imperativo que aconteça — diz ele, citando exemplos de túneis subaquáticos pelo mundo, do Eurotúnel, entre a Inglaterra e a França, em operação desde 1994, ao Fehmarnbelt, entre a Dinamarca e a Alemanha, com previsão de conclusão em 2029.

Rafael Galdo é editor de Rio do GLOBO

Fonte: O Globo

Mato Grosso sedia Reunião Estratégica do P3C para impulsionar parcerias em infraestrutura

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Mato Grosso sedia Reunião Estratégica do P3C para impulsionar parcerias em infraestrutura
Foto: Emanoele Daiane

Especialistas, investidores e gestores públicos se reúnem em Cuiabá para debater soluções em infraestrutura e ampliar parcerias estratégicas no estado

No próximo dia 5 de agosto, o auditório da Escola Superior de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), em Cuiabá, será palco de um encontro decisivo para o futuro da infraestrutura regional. A Reunião Estratégica Regional do P3C – Plataforma PPPs e Concessões – reunirá especialistas, gestores públicos, investidores e representantes do setor privado em um ambiente exclusivo de debate, análise e construção de soluções voltadas ao fortalecimento das parcerias público-privadas (PPPs) e concessões no estado.

A Plataforma P3C é um movimento nacional que busca transformar a infraestrutura brasileira a partir da valorização de boas práticas, soluções inovadoras e parcerias estratégicas. Com foco em governança, responsabilidade social e sustentabilidade, a iniciativa visa tornar o ambiente de negócios no Brasil mais previsível e seguro para investidores, ao mesmo tempo em que conecta os principais atores do setor e promove a evolução contínua dos projetos de infraestrutura.

Leia mais: Lançamento do Evento P3C marca encontro decisivo para o futuro das PPPs e Concessões no Brasil

Com o tema “Fortalecendo a infraestrutura de Mato Grosso: desafios e oportunidades em PPPs e concessões”, o evento irá explorar as potencialidades do estado, que tem se destacado como uma das regiões mais promissoras do país para o desenvolvimento de novos projetos. O setor de transporte e logística do estado têm atraído a atenção de investidores, por meio de projetos que visam a melhoria dos serviços públicos no estado.

A programação da reunião contará com a participação de lideranças nacionais e especialistas renomados. Entre os confirmados estão Adalberto Vasconcelos, CEO da ASV Infra Partners; Carlos Alexandre Nascimento, coordenador geral do MBA PPP e Concessões; Caio Albuquerque, secretário adjunto de Logística e Concessões do Governo do Mato Grosso; Fábio Marchiori, CEO da VLI Logística; Fernando Marcato, professor e sócio da FGV e do podcast Infracast; Guilherme Theo Sampaio, diretor geral da ANTT; Jefferson Bernardino e Simony Jin, auditores do TCE-MT; Luciano Uchoa, CEO da Nova Rota do Oeste; Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da ABCR; Mauricio Portugal Ribeiro, sócio do escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados; Natascha Schmitt, sócia da Carneiro Sampaio & Schmitt; e Paula Faria, CEO da Necta e idealizadora da Plataforma P3C.

Leia mais: P3C promove Reuniões Estratégicas Regionais e Setoriais para impulsionar infraestrutura brasileira

Ao longo do dia, os participantes poderão mergulhar em análises sobre o cenário atual das PPPs em Mato Grosso, discutir os entraves enfrentados por projetos em andamento, identificar caminhos para novas concessões e fortalecer redes de colaboração entre o poder público e o setor privado. As discussões promovidas nessas reuniões são parte essencial do ciclo de eventos do P3C e culminam no maior encontro do setor no Brasil: o P3C Nacional, que acontecerá em fevereiro de 2026, em São Paulo. Este evento reunirá os principais nomes da infraestrutura brasileira para aprofundar os debates iniciados nos encontros regionais e acelerar a implementação de projetos estruturantes em todo o território nacional.

A realização da reunião em Mato Grosso reforça o compromisso do P3C com o desenvolvimento sustentável e qualificado de todas as regiões do país. Além de proporcionar um espaço de escuta e troca entre especialistas e lideranças locais, o evento tem como missão fomentar novas parcerias, estimular investimentos estratégicos e contribuir para a criação de um ecossistema mais eficiente, integrado e colaborativo.

O P3C está selecionando novos estados e organizações parceiras para sediar suas reuniões regionais e setoriais até dezembro de 2025. As temáticas abordadas vão desde mobilidade urbana e infraestrutura social até saneamento, logística, resíduos sólidos e iluminação pública. Interessados em organizar uma reunião podem entrar em contato com a plataforma e contribuir ativamente para a construção de soluções que conectam conhecimento, experiência e oportunidade, com foco no desenvolvimento sustentável da infraestrutura brasileira.

Clique aqui para saber mais

IA sem governança de dados é risco real para as empresas

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Cultura de Inovação - uma Missão Técnica no Vale do Silício (Parte I)
Foto: Freepik

Ao ser alimentada por dados de baixa qualidade, enviesados ou sem conformidade, a IA pode gerar decisões equivocadas, prejuízos financeiros e sanções, comprometendo a inovação e a competitividade

A explosão do volume de dados gerados e armazenados por empresas tem acendido um alerta sobre a necessidade urgente de estruturar práticas robustas de governança. Segundo projeções da IDC, o mundo deverá produzir mais de 180 zettabytes de dados até o fim de 2025 — um crescimento de mais de 300% em comparação a 2020. Em meio à corrida pela inovação com inteligência artificial, cresce também a preocupação com a forma como os dados são gerenciados, protegidos e utilizados.

Para especialistas, a governança de dados deixou de ser uma recomendação e passou a ser uma exigência para organizações que desejam inovar com segurança e responsabilidade. “Sem políticas claras, os dados utilizados por soluções de IA podem estar enviesados, incompletos ou até mesmo ilegais, o que representa riscos altos para a organização”, afirma Letícia Carvalho, Chief Strategy Officer da Dataside, consultoria especializada em Dados e Inteligência Artificial.

De acordo com o DAMA-DMBOK, a governança de dados é o conjunto de políticas, processos, padrões e métricas que asseguram o uso consistente, seguro e responsável das informações dentro de uma organização. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi um marco importante para impulsionar o tema, mas os especialistas destacam que a discussão vai além da conformidade legal.

Apesar da crescente relevância, a implementação ainda enfrenta desafios estruturais e culturais. Uma pesquisa da McKinsey mostra que 70% das iniciativas de dados e analytics falham em atingir os objetivos esperados. Entre os principais obstáculos, a consultoria Dataside destaca a resistência à mudança, a fragmentação de dados em departamentos, a escassez de profissionais especializados e os custos iniciais de estruturação.

“É importante envolver a alta liderança desde o início, começar por projetos-piloto com escopo controlado, capacitar as equipes e utilizar ferramentas adequadas como soluções de MDM (Master Data Management) e catálogos de dados”, recomenda Nelson Anchite Junior, analista de Governança de Dados da Dataside. “Outro ponto essencial é formar uma equipe dedicada ou um comitê de governança, com autonomia para aplicar políticas e acompanhar indicadores”, complementa.

A relação entre governança e inteligência artificial também tem respaldo em estudos internacionais. Um relatório do MIT Sloan Management Review aponta que 62% das empresas com desempenho acima da média em IA possuem práticas maduras de governança de dados. Isso porque a IA depende diretamente da qualidade das informações com as quais é treinada e alimentada.

“O desenvolvimento de soluções de IA depende da confiança nos dados. Quando alimentadas por informações imprecisas ou obtidas sem consentimento, essas soluções podem gerar decisões equivocadas e até expor a empresa a sanções legais”, destaca Caio Amante, CEO da Dataside.

Com a intensificação da digitalização dos negócios, os especialistas defendem que a governança de dados seja tratada como uma infraestrutura crítica — ao lado de cibersegurança e gestão de riscos — fundamental para sustentar a inovação de forma ética, eficiente e sustentável

Fonte: Terra

Biometria: Entenda como vai funcionar a tecnologia nos benefícios sociais

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Uso de inteligência artificial na administração pública já traz benefícios, diz especialista
Foto: Freepik

Nova medida determinará uso obrigatório de biometria vinculada à Carteira de Identidade Nacional para recebimento de benefícios como Bolsa Família

O governo federal implementará uma nova medida que tornará obrigatório o uso da biometria para o recebimento de benefícios sociais. A tecnologia estará vinculada à Carteira de Identidade Nacional, que se tornará a base oficial de referência para os cadastros.

A iniciativa visa aprimorar a segurança e o controle na distribuição dos recursos, combatendo fraudes nos pagamentos e evitando a duplicidade de cadastros. O sistema promete garantir um acesso mais justo aos programas sociais.

Benefícios da nova tecnologia

Entre as vantagens anunciadas, destaca-se a agilidade no processo de pagamento, a redução das filas e a diminuição da necessidade de deslocamentos para recebimento dos valores. Os programas contemplados incluem o Bolsa Família, Farmácia Popular e benefícios trabalhistas e previdenciários.

O governo informou que já possui uma extensa base de dados biométricos cadastrada, dispensando a necessidade imediata de comparecimento aos postos de identificação. O cronograma de implementação será definido pelo Ministério da Gestão e Inovação.

Fonte: CNN Brasil

Pitch Challenge 2025 destaca soluções tecnológicas para transformar a gestão pública

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Pitch Challenge 2025 destaca soluções tecnológicas para transformar a gestão pública
Foto: Divulgação

Iniciativa da ABES e do Cidade CSC reunirá startups e empresas do ecossistema GovTech no Connected Smart Cities para apresentar inovações com impacto direto nas cidades brasileiras.

O Pitch Challenge Connected Smart Cities 2025 promete ser um dos destaques da próxima edição do evento, reunindo soluções tecnológicas inovadoras que buscam transformar a gestão pública brasileira. Fruto de uma parceria entre a ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) e o Cidade CSC, a iniciativa é voltada exclusivamente para empresas associadas à ABES e expositoras do evento, com o objetivo de impulsionar a digitalização de serviços e processos no setor público.

Leia mais: ABES a vertical de negócios de cidades inteligentes: transformação digital para um futuro sustentável

Com inscrições abertas até 11 de agosto de 2025, o Pitch Challenge está em busca de propostas com impacto comprovado ou validado, abrangendo desde startups em estágio inicial até empresas já operacionais que atuam no ecossistema GovTech e em áreas relacionadas a cidades inteligentes. A única exigência é que as soluções tenham impacto público claro e mensurável. As iniciativas inscritas serão organizadas em três categorias temáticas: GovTech, voltada à digitalização de processos, serviços públicos digitais, compras públicas e gestão de dados; Cidades Inteligentes, que contempla áreas como saneamento, mobilidade, iluminação pública, resíduos sólidos, energia e acessibilidade; e Tecnologias Transversais, com foco em saúde, educação, meio ambiente, inclusão, segurança e sustentabilidade.

Para participar, as empresas devem preencher um formulário eletrônico contendo dados institucionais e uma descrição detalhada da solução, incluindo o problema público que ela resolve, funcionamento, diferenciais em relação ao mercado, público-alvo, estágio de desenvolvimento, impacto potencial com dados ou projeções, e aplicações anteriores, se houver. Também é obrigatória a submissão de um vídeo pitch de até dois minutos, hospedado no YouTube em português (público ou não listado), além de um material visual de apoio com no máximo duas páginas. 

Leia mais: Grandes nomes confirmados como keynotes no Cidade CSC 25, o maior evento de cidades inteligentes da América Latina 

As empresas selecionadas serão divulgadas até o dia 1º de setembro e terão a oportunidade de apresentar suas propostas presencialmente no dia 24 de setembro de 2025, durante o Connected Smart Cities. Cada pitch contará com até cinco minutos de duração e será avaliado por uma banca de especialistas convidados, que darão feedbacks breves após cada apresentação. Os critérios de avaliação consideram a clareza e objetividade da proposta, inovação e diferencial competitivo, aplicabilidade e impacto na gestão pública ou urbana, além da escalabilidade e viabilidade da solução. Vale destacar que o foco da seleção é qualitativo: não haverá premiação formal, mas sim a oportunidade de visibilidade, conexões estratégicas e reconhecimento público.

A participação no Pitch Challenge é gratuita e requer presença obrigatória no evento. A ausência implica em exclusão da programação. Os participantes autorizam o uso institucional de seus nomes, logos, imagens e materiais para fins de divulgação, e terão visibilidade nos canais oficiais do Connected Smart Cities e da ABES. A comissão organizadora reserva-se o direito de ajustar o número de pitches conforme a programação do evento.

Em um momento em que a inovação se torna cada vez mais essencial para enfrentar os desafios urbanos e melhorar a eficiência da gestão pública, o Pitch Challenge surge como uma vitrine para soluções que podem fazer a diferença na construção de cidades mais inteligentes, inclusivas e sustentáveis.

Clique aqui para mais informações. 

Motoristas de app recebem placas contra o assédio nesta sexta-feira (25) em SP

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Motoristas de app recebem placas contra o assédio nesta sexta-feira (25) em SP
Foto: bilanol/Adobe Stock

Pit Stop Não Se Cale acontece no Autódromo de Interlagos durante o dia

A Secretaria de Políticas para a Mulher do Estado de São Paulo realiza nesta sexta-feira, 25 de julho, o Pit Stop Não Se Cale, ação voltada à segurança das mulheres nos transportes. Das 9h às 17h, motoristas de aplicativo e de autoescolas poderão receber placas informativas contra o assédio, no Autódromo de Interlagos. A iniciativa, que integra o Protocolo Não Se Cale, conta com apoio do Detran-SP, Prefeitura de São Paulo, Uber e LadyDriver.

As placas fixadas nos veículos trazem um QR Code que direciona ao site da SP Mulher, com orientações sobre serviços de proteção e o gesto de pedido de ajuda, um sinal simples, mas eficaz: palma da mão aberta, polegar dobrado e dedos fechando sobre ele.

“Esse pedido de ajuda é um instrumento poderoso de proteção. Queremos que ele seja amplamente reconhecido”, diz Valéria Bolsonaro, secretária estadual de Políticas para a Mulher.

O evento aberto ao público terá cerimônia oficial às 11h, com participação de parceiros do protocolo. Além disso, o público orientações do Detran-SP sobre segurança no trânsito e um ponto de atendimento com técnicos da SP Mulher. Cada motorista terá uma placa instalada no veículo e poderá se vacinar contra a gripe no local.

Assédio é problema para motoristas de app

Uma pesquisa realizada pela 99 em parceria com a consultoria Think Eva traçou um panorama da rotina e dos desafios das mulheres motoristas de aplicativo no Brasil. O levantamento, feito com 878 mulheres em seis capitais brasileiras, mostra que sete em cada dez motoristas são mães e que, para 79% delas, a direção por aplicativo é a principal fonte de renda. Além disso, 93% das motoristas afirmam perceber que as passageiras se sentem mais seguras quando são conduzidas por mulheres.

Aliás, outro dado relevante é a diferença entre a percepção de risco das motoristas ativas e das potenciais motoristas. Enquanto 51% das motoristas em atividade relatam medo de assédio sexual, entre as que ainda não dirigem o número chega a 90%. Essa diferença, conforme o estudo, revela a importância do acolhimento e da informação sobre as ferramentas de segurança disponíveis no aplicativo.

Reconhecimento facial se espalha pelo Brasil e levanta debate sobre segurança, privacidade e viés racial

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Reconhecimento facial se espalha pelo Brasil e levanta debate sobre segurança, privacidade e viés racial
Foto: Reprodução/TV Globo

Tecnologia já ajudou a prender mais de 2.700 pessoas em São Paulo, mas especialistas alertam para riscos de erro e discriminação

O uso de câmeras com reconhecimento facial está se tornando cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros. A tecnologia, que conta muitas vezes com inteligência artificial, movimentou R$ 14 bilhões em 2024 – e já é usada em estádios, condomínios e nas ruas de grandes cidades. A expectativa é de que o mercado cresça mais de 22% em 2025.

O Profissão repórter desta terça-feira (22) investigou como essas câmeras estão sendo usadas na segurança pública e os impactos no dia a dia da população. Assista à íntegra do programa no vídeo acima.

A reportagem visitou um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para entender como a tecnologia funciona. Na prática, esse sistema compara imagens captadas pelas câmeras com fotos armazenadas em um banco de dados, analisando características como textura da pele, olhos e boca.

Mas o reconhecimento nem sempre é preciso.

“Muitos desses algoritmos foram treinados apenas com imagens de pessoas brancas, dificultando o reconhecimento de pessoas negras, indígenas ou asiáticas”, alerta um professor da universidade. Esse viés pode levar a erros graves, como prisões injustas.

Além disso, manter o banco de dados atualizado com imagens recentes é essencial para garantir a precisão. A Unicamp também estuda formas de burlar o sistema, como o uso de disfarces ou alterações faciais. “É uma guerra de gato e rato. Antes falsificavam cheques, agora tentam enganar a biometria”, diz o pesquisador.

Estádios e condomínios visam aumentar a segurança

Desde a retomada do Campeonato Brasileiro, os clubes foram obrigados a adotar o reconhecimento facial nas catracas dos estádios. A medida visa dificultar a ação de cambistas e ajudar a polícia a localizar foragidos da Justiça.

“Acho legal, hoje tudo tem digital, íris… Está tranquilo”, comentou um torcedor.

Nos condomínios, por sua vez, a tecnologia também avança. Em bairros como Perdizes, na zona oeste de São Paulo, moradores têm aprovado a instalação de câmeras voltadas para as ruas.

“É a segurança privada apoiando a segurança pública”, explica Camila Ricci, diretora de inteligência artificial.

O Profissão Repórter acompanhou uma assembleia de moradores que aprovou a instalação do sistema, com custo mensal entre R$ 500 e R$ 1.500, dividido entre os condôminos.

Smart Sampa: mais de 30 mil câmeras conectadas

Na capital paulista, o programa Smart Sampa já conta com cerca de 31 mil câmeras — 20 mil públicas e 11 mil privadas — integradas ao sistema da prefeitura. Desde novembro do ano passado, quase 1,5 mil foragidos foram capturados com ajuda da tecnologia.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando, explica que o sistema cruza imagens em tempo real com um banco de dados da Secretaria de Segurança do Estado.

“Mesmo com barba, óculos e boné, a inteligência artificial identificou o chefe de uma quadrilha de furtos em condomínios de luxo”, conta.

Para o alerta ser disparado, a similaridade entre as imagens precisa ser de pelo menos 92%. O sistema também já ajudou a localizar 71 pessoas desaparecidas e prendeu mais de 2,7 mil em flagrante.

Em uma das ações acompanhadas pelo Profissão Repórter, uma mulher foragida foi identificada enquanto trabalhava como vendedora ambulante no Brás. Ela foi abordada por guardas civis e levada à delegacia. Segundo a polícia, ela tinha uma condenação por tráfico de drogas e ainda precisava cumprir cinco anos de pena.

Fonte: G1

Plano de Logística Sustentável do MGI 2024-2026 foca em inovação, sustentabilidade e inclusão

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Plano de Logística Sustentável do MGI 2024-2026 foca em inovação, sustentabilidade e inclusão
Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos

Documento elaborado pela Secretaria de Serviços Compartilhados estabelece metas e diretrizes para tornar as contratações públicas e operações logísticas mais sustentáveis e inovadoras

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou o seu Plano de Logística Sustentável (PLS) para o período de 2024 a 2026. O documento, elaborado pela Secretaria de Serviços Compartilhados (SSC), em parceria com as demais secretarias da pasta, estabelece diretrizes e metas para tornar as contratações públicas e operações logísticas mais sustentáveis, eficientes e socialmente responsáveis.

O PLS é um instrumento de governança vinculado ao planejamento estratégico do MGI, seguindo as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e à Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD). Entre os destaques do plano estão:

  • Sustentabilidade ampliada: O plano adota uma abordagem tripla — ambiental, social e econômica — para orientar as ações do Ministério.
  • Inclusão e equidade: Um dos eixos estratégicos do PLS é a gestão humanizada de pessoas, com foco em diversidade, combate ao assédio e valorização de mulheres em situação de violência doméstica, conforme previsto no Decreto nº 11.430/2023.
  • Inovação nas contratações: O plano incentiva o uso de critérios sustentáveis desde o planejamento das compras públicas, priorizando fornecedores com responsabilidade social e produtos de menor impacto ambiental.
  • Monitoramento contínuo: A execução do plano será acompanhada por uma comissão específica, com relatórios trimestrais e avaliações anuais para garantir a efetividade das ações.

Além disso, o PLS/MGI 2024–2026 está sendo implementado em articulação com o Plano de Logística Sustentável do Arquivo Nacional, fortalecendo a integração entre as unidades do ministério. A iniciativa também se alinha ao Programa Pró-Integridade, que promove uma cultura organizacional pautada na ética, na valorização da diversidade e na disseminação de boas práticas na gestão pública.

Algumas ações relevantes realizadas dentro dos esforços do PLS:

  • Programa de contratação de mulheres em situação de violência doméstica
  • Contratação de carros híbridos para o deslocamento de autoridades
  • Programa de gestão de resíduos sólidos
  • Comunicação, letramento e inclusão
  • Implantação do recesso para o pessoal terceirizado

Diretrizes

O PLS 2024-2026 foi elaborado a partir de 14 diretrizes, estruturadas com base em sete eixos temáticos, sendo eles: racionalização e consumo consciente, racionalização da ocupação de espaços físicos; identificação dos objetos de menor impacto ambiental; fomento à inovação no mercado; negócios de impacto nas contratações; divulgação, conscientização e formação; e gestão humanizada de pessoas, inclusão, equidade e diversidade.

No contexto deste último, a ministra Esther Dweck assinou a adesão ao Programa Selo PNUD de Igualdade de Gênero e Raça nas Instituições Públicas, iniciativa global que reconhece governos e instituições públicas comprometidos com a promoção da inclusão e construção de uma sociedade com igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

A implantação de uma logística sustentável no ministério é resultado do compromisso coletivo das pessoas que atuam no órgão. Em consonância com a Diretriz nº 6 do PLS, que trata da divulgação, conscientização e formação do instrumento, a SSC tem se empenhado em ampliar a divulgação das ações e avanços do PLS junto ao público interno do ministério.

Conheça o Plano de Logística Sustentável do MGI.

Fonte: Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI)

“Projeto do século”: Maior barragem hidroelétrica do mundo já está em construção

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"Projeto do século": Maior barragem hidroelétrica do mundo já está em construção
Foto: Reprodução/Youtube WION

Nova megabarragem no rio Yarlung Tsangpo deve gerar 300 milhões de MWh por ano e levanta preocupações sobre deslocamentos, meio ambiente e tensões regionais

Em uma cerimônia oficial realizada no Tibete, o premiê chinês Li Qiang declarou o início da construção de uma gigantesca usina hidrelétrica no rio Yarlung Tsangpo — projeto considerado por ele como o “empreendimento do século”. A iniciativa, ambiciosa tanto em escala quanto em impacto geopolítico, animou os mercados chineses e reacendeu tensões com países vizinhos.

O plano faz parte das metas estabelecidas no 14º Plano Quinquenal da China, divulgado em 2020, e prevê a construção de um sistema de cinco usinas interligadas. Juntas, essas instalações deverão gerar cerca de 300 milhões de megawatts-hora por ano, com investimento estimado em 1,2 trilhão de yuans (aproximadamente £124 bilhões).

Para efeito de comparação, a Barragem das Três Gargantas custou cerca de 250 bilhões de yuans e gera 88 milhões de MWh por ano.

Reações regionais

Apesar do entusiasmo chinês, a obra tem provocado reações contrárias em Bangladesh e na Índia, países que dependem das águas do mesmo rio — conhecido como Brahmaputra em território indiano e Jamuna em solo bengalês. Há temores de que Pequim possa controlar o fluxo hídrico, afetando milhões de pessoas rio abaixo.

Analistas como Neeraj Singh Manhas alertam que a barragem pode ser usada como ferramenta de influência regional. A Índia, inclusive, apresentou protestos diplomáticos à China em encontros recentes. Em resposta, autoridades chinesas afirmaram que o país não tem intenções hegemônicas e se comprometeram com o diálogo e a cooperação para prevenir catástrofes ambientais.

Impactos locais e preocupações ambientais

A construção no Tibete também levanta preocupações de ordem social e ecológica. Organizações tibetanas destacam a existência de locais sagrados na área da barragem e denunciam a falta de transparência sobre possíveis deslocamentos forçados.

Casos anteriores, como os protestos contra a barragem de Kamtok, demonstram que há tensão crescente em torno de grandes obras no território. Centenas de pessoas foram presas durante mobilizações locais.

Desafios geológicos e resposta oficial

Ambientalistas alertam para os riscos de deslizamentos, atividade tectônica e impactos severos na biodiversidade da região montanhosa onde o projeto será executado.

Apesar das críticas, o governo chinês reforça que a obra será essencial para impulsionar a energia limpa, fortalecer a economia local e garantir segurança energética. Segundo Li Qiang, a construção respeitará princípios de conservação ecológica para minimizar danos ao meio ambiente.

Fonte: Revista Forum 

Gerar energia eólica no Brasil é mais barato que a média global

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Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa; 98% da produção do estado vem de fontes renováveis
Foto: Vitor Paladini/Unsplash

Relatório confirma vantagem de preço das fontes renováveis em relação aos combustíveis fósseis; infraestrutura é desafio para expansão

Um relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena), divulgado nesta terça-feira (22), confirma que as fontes renováveis seguem gerando energia a um custo mais baixo do que as de combustíveis fósseis – e o Brasil está entre os países com os menores custos.

Em todo o mundo, os projetos de energia eólica onshore foram 53% mais baratos, enquanto a energia solar fotovoltaica (PV) foi, em média, 41% mais barata do que a alternativa fóssil de menor custo.

A geração de energia eólica onshore teve, em 2024, um custo médio global em US$ 0,034/kWh; a solar fotovoltaica ficou em US$ 0,043/kWh; e a hidrelétrica, em US$ 0,057/kWh.

O relatório destaca que as fontes renováveis são vantajosas por limitar a dependência de mercados internacionais de combustíveis, melhorando a segurança energética dos países.

“A competitividade de custo das renováveis é uma realidade atual. Considerando todas as fontes renováveis atualmente em operação, os custos evitados com combustíveis fósseis em 2024 chegaram a até US$ 467 bilhões. A nova geração renovável supera os combustíveis fósseis em custo, oferecendo um caminho claro para energia acessível, segura e sustentável”, afirma o diretor-geral da Irena, Francesco La Camera.

Brasil tem custo abaixo da média

No Brasil, o custo de geração de energia eólica onshore ficou abaixo da média global e em patamar semelhante ao da China, em US$ 0,030/kWh. Segundo o relatório, isso se deve à disponibilidade de recursos eólicos, manufatura doméstica e execução de projetos otimizada.

Já em relação aos custos da energia solar fotovoltaica, a média do Brasil ficou em US$ 0,048/kWh em 2024, um custo relativamente maior do que registrado em 2023 (US$ 0,042/kWh) e 2022 (US$ 0,045/kWh)

Embora as hidrelétricas forneçam 50% da geração de energia do Brasil, a expansão dessas duas fontes de energia renovável indica que o país passa por um processo de diversificação robusto, segundo o relatório.

O documento destaca que o avanço é sustentado por leilões públicos com PPAs indexados, que reduzem riscos financeiros e impulsionam o acesso a capital.

Desafios

O avanço da tecnologia e o fortalecimento das cadeias de suprimento devem contribuir para a redução de custos da geração de energia nos próximos anos, mas ainda há desafios de curto prazo.

Entre eles, estão as mudanças geopolíticas, como tarifas comerciais, gargalos de matérias-primas e dinâmicas industriais em evolução, especialmente na China.

Na Europa e América do Norte, desafios estruturais como atrasos em licenciamento, capacidade limitada da rede e maiores despesas de equilíbrio do sistema devem pressionar os custos.

Já Ásia, África e América do Sul podem experimentar quedas acentuadas nos custos devido ao grande potencial renovável nessas regiões.

No caso do Brasil, a flexibilidade da rede e os sistemas de armazenamento ainda estão em desenvolvimento e serão cruciais para sustentar a expansão das renováveis variáveis. O documento aponta que o sucesso da estratégia dependerá da capacidade do país em manter estruturas regulatórias claras, com mecanismos de contratação confiáveis e ambientes de investimento previsíveis — essenciais para atrair capital global.

“Mitigar o risco de financiamento é central para escalar as renováveis tanto em mercados maduros quanto emergentes. Instrumentos como contratos de compra de energia (PPAs) desempenham papel fundamental no acesso a financiamento acessível, enquanto ambientes políticos inconsistentes e processos de contratação opacos minam a confiança dos investidores”, diz o relatório.

“Energia limpa é economia inteligente – e o mundo está seguindo o dinheiro. As renováveis estão em ascensão, a era dos combustíveis fósseis está desmoronando, mas os líderes devem remover barreiras, construir confiança e liberar financiamento e investimentos. As renováveis estão iluminando o caminho para um mundo com energia acessível, abundante e segura para todos”, diz o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

Fonte: InforMoney