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Alguma coisa acontece no meu coração, e quase nunca envolve um painel de LED

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Alguma coisa acontece no meu coração, e quase nunca envolve um painel de LED
Foto: Enviada por Bernardo D'Almeida

Entre referências importadas e decisões aceleradas, o risco não está na tecnologia em si, mas em ignorar a identidade, o tempo e as dinâmicas que realmente constroem um lugar.

Em fevereiro deste ano, o Conpresp, o conselho municipal de preservação de São Paulo, aprovou um projeto que veio sendo chamado, com assustadora naturalidade, de “Times Square paulistana”. A proposta, apresentada pela iniciativa privada, prevê a instalação de grandes painéis de LED no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, geridos por um agente privado por 15 anos, em contrapartida, a empresa arca com cerca de R$ 6 milhões em restauro de patrimônio na região: a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a estátua da Mãe Preta no Largo do Paissandu.

Revitalizar, requalificar, regenerar: não são a mesma coisa

Precisamos ser precisos sobre o que está sendo criticado aqui, porque a imprecisão conceitual é exatamente parte do problema.

Há décadas, o mantra do planejamento urbano era a revitalização, remover pichações, restaurar fachadas, criar um centro cultural aqui e ali, na esperança de “trazer a vida de volta” ao lugar. O verbo parte de uma imagem equivocada: a cidade como paciente sem vida, mas lugares não morrem, eles mudam de status. O centro de São Paulo não está morto; está ocupado por quem a cidade formal talvez não queira enxergar, ou talvez desocupado pelo mesmo motivo. Ao tratar esses lugares como cadáveres e naturalizar intervenções, empurramos os conflitos para o quarteirão seguinte, deixando fachadas impecáveis, aluguéis inflacionados e nenhum ganho social. Atenção, isso não é nostalgia urbana nem uma acusação genérica a qualquer projeto de transformação dos centros, longe disso.

A requalificação foi um passo adiante: ela calibra o hardware urbano, melhora calçadas, praças, mobilidade, mobiliário, acessibilidade. É o que podemos chamar de “ganho rápido” do placemaking: intervenções que geram evidências materiais de que algo está mudando. Importante e necessária em certos contextos, mas é uma etapa, não um destino. Requalificar é abrir espaço para que a vida que já existe se organize, sem isso, é só palco vazio.

Regenerar é o que esse projeto deveria ser, e a diferença não é semântica: regenerar é retroalimentar um ecossistema, sobrepondo hardware, software e futuros. O software urbano são os usos, a economia local, tudo o que acontece no lugar, e os futuros são os cenários, os riscos, as oportunidades que o lugar precisa ser capaz de enfrentar e absorver. 

A diferença entre os três verbos pode ser expressa com mais precisão do que o campo costuma admitir: Regenerar = Hardware + Software × Futuros orientados pela identidade (peopleware). A multiplicação não é retórica, se o componente dos futuros vale zero, o produto retorna a zero, e o lugar volta à obsolescência.

A nossa futura Times Square é puro hardware, sem software, sem futuros, sem comunidade no processo, sem uma única pergunta sobre o que aquele cruzamento precisa ser em 2035 ou 2040. 

A Times Square que ninguém mostra como referência

Existe uma ironia enorme em usar a Times Square como inspiração sem entender como ela se tornou o que é. Em maio de 2009, quando o prefeito Bloomberg e a secretária de transportes Janette Sadik-Khan fecharam as quadras da Broadway para carros, a intervenção começou com cadeiras de plástico colorido. Baratas, provisórias, intencionalmente temporárias, um piloto, um experimento com direito a fracasso assumido. Os comerciantes locais eram contrários, claro. Jan Gehl tinha mapeado que 89% do espaço da praça estava dedicado a carros enquanto 90% dos usuários eram pedestres, uma distorção que precisava de resposta baseada em dados, não em estética. A decisão de tornar o espaço permanente só veio em fevereiro de 2010, depois de meses monitorando resultados, a praça definitiva ficou pronta em 2016, sete anos depois.

O que tornou aquilo possível não foi a instalação de LEDs, foi análise, tempo, ajuste iterativo e devolução do espaço às pessoas mesmo contra a resistência do mercado imediato. Sim, a Times Square original já era relevante antes dessa intervenção, passou a ser ainda mais memorável. O que São Paulo está propondo como “inspiração” é a imagem final desse processo, sem nenhuma das etapas que o tornaram possível.

Piccadilly Circus e a identidade que antecede a luz

Piccadilly Circus foi construída em 1819 por John Nash para conectar a Regent Street à Piccadilly, os primeiros anúncios iluminados chegaram apenas em 1908, com a Perrier como primeira anunciante, os néons vieram em 1923, na fachada do London Pavilion, inaugurados pela Bovril, os LED vieram décadas depois.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os painéis foram completamente apagados por exigência de segurança. Nesse mesmo período, a estação de metrô local abrigava, segundo registros do London Transport Museum, cerca de 7.000 pessoas por noite durante os bombardeios, a praça era abrigo, resistência, o lugar onde Londres sobrevivia ao escuro para acordar de manhã. Quando os painéis voltaram a funcionar em 1949, o fato foi noticiado como sinal de que a cidade havia sobrevivido, não como estratégia de revitalização.

A iluminação é consequência de uma identidade construída ao longo de dois séculos de ocupação, cultura e memória coletiva, não a sua causa, e essa distinção, entre o que é causa e o que é consequência, é exatamente o que está ausente no exemplo paulistano.

O que esse cruzamento já é

Caetano Veloso gravou “Sampa”, eternizando o cruzamento onde serão instalados os painéis. Não me lembro de outro endereço no Brasil com essa carga simbólica construída por uma canção, e o que torna isso mais significativo é que foi um baiano chegando sem entender a cidade que produziu seu documento afetivo mais preciso. Aquela “dura poesia concreta de suas esquinas” não foi projetada por nenhum plano, emergiu do uso, do deslocamento, da fricção cultural e do tempo acumulado, do pertencimento, ou no caso específico, da falta dele, exatamente a camada cultural que qualquer projeto com real pretensão de regeneração deveria revelar antes de instalar qualquer coisa.

A pergunta que ninguém fez antes de aprovar o projeto é a mais importante: o que esse lugar já é? Quem são as pessoas que o habitam hoje? Quais usos já funcionam? O que a comunidade do entorno precisa que ainda não tem? O que esse lugar significa para moradores e visitantes? 

Se fossem feitas com seriedade, essas perguntas poderiam até chegar à conclusão de que o cruzamento precisaria de um painel de LED gigante, mas não de um empréstimo de identidade de Nova York: o lugar precisaria primeiro ser compreendido naquilo que já é, e promovido, reforçado a partir daí.

O problema não é o LED, é a ausência de tudo que vem antes dele, e depois.

A proposta prevê que os painéis não veiculem publicidade comercial, isso é apresentado como diferencial, como prova de que se trata de cultura, mas adicionar conteúdo digital sem entender o software daquele lugar é só uma versão mais cara de autenticidade performática: a aparência do que seria regeneração no lugar do processo que ela exigiria.

Ao travar a identidade daquele cruzamento numa gestão privada por 15 anos, São Paulo está colonizando um futuro que ainda não sabe qual é: apostando que conhece o que o lugar é e representa hoje, que sabe o que ele será por uma geração inteira, e renunciando a qualquer possibilidade de ajuste, aprendizado ou resposta às mudanças e necessidades que certamente virão. Isso não é regeneração, ou progresso, para ficar num léxico menos urbanístico: é colonização de futuro, iluminada com LED.

São Paulo precisa regenerar o seu centro, mas isso começa por uma pergunta que ainda não foi feita: o que esse lugar já é, para quem, e com quais visões de futuro em mente?

REFERÊNCIAS

Projeto da 'Times Square' no Centro de SP prevê via liberada para pedestres nos fins de semana e grandes eventos temáticos

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/23/times-square-no-centro-de-sp-preve-via-liberada-para-pedestres-nos-fins-de-semana-e-grandes-eventos-tematicos.ghtml

Governo e Prefeitura assinam termo de cooperação para o projeto Boulevard São João

https://propmark.com.br/ooh/governo-e-prefeitura-assinam-termo-de-cooperacao-para-o-projeto-boulevard-sao-joao/

"Conselho da Prefeitura de São Paulo aprova projeto da Times Square." Meio & Mensagem, 23 fev. 2026. https://www.meioemensagem.com.br/midia/conselho-da-prefeitura-de-sao-paulo-aprova-projeto-da-times-square

"Projeto da 'Times Square' paulistana é aprovado por conselho em SP." CNN Brasil, 25 fev. 2026. https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/projeto-da-times-square-paulistana-e-aprovado-por-conselho-em-sp/

"Times Square de SP: prefeitura libera painéis de LED no centro." Metrópoles, 25 fev. 2026. https://www.metropoles.com/sao-paulo/times-square-paulistana-prefeitura

ESTEVES, Caio. Cidade Antifrágil: uma perspectiva para os lugares num futuro de incertezas. São Paulo: Editora Realejo, 2021.

ESTEVES, Caio. “Revitalizar é ressuscitar um corpo que nunca morreu”. O Futuro das Coisas, 2025.  https://ofuturodascoisas.com/revitalizar-e-ressuscitar-um-corpo-que-nunca-morreu/

ESTEVES, Caio. "Place Branding e a Homogeneização do Mundo”. Portal CSC, 2025. https://portal.connectedsmartcities.com.br/2025/12/10/place-branding-e-a-homogeneizacao-do-mundo/

SADIK-KHAN, Janette; SOLOMONOW, Seth. Streetfight: Handbook for an Urban Revolution. New York: Viking, 2016. Trecho em: "Battle for a New Times Square." Urban Land Magazine. https://urbanland.uli.org/infrastructure-transit/battle-new-times-square

SUNNING WILD ON BROADWAY

https://nypost.com/2009/05/26/sunning-wild-on-broadway/

GEHL, Jan. Análise da Times Square documentada em: "How 'People-Centered' Design Made Times Square the Place To Be on New Year's Eve." Next City, 30 dez. 2014. https://nextcity.org/urbanist-news/urban-design-times-square-concrete-bowtie-density-gehl-new-years-eve

"Piccadilly Lights: 110 years of an ad landmark." Campaign Live, jul. 2018. https://www.campaignlive.co.uk/article/piccadilly-lights-110-years-ad-landmark/1495925

HOLLOWAY, Siddy (curadora, Hidden London, London Transport Museum), citada em: "Inside the history of one of London's most iconic landmarks." ABC News, 30 ago. 2019. https://abcnews.go.com/International/inside-history-londons-iconic-landmarks-piccadilly-circus/story?id=65268877

Aumento na conta de luz? Como data centers podem impactar as cidades

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Aumento na conta de luz? Como data centers podem impactar as cidades
Foto: Data center localizado na cidade de Barueri, na Grande São Paulo (Crédito: Divulgação)

Data centers elevam consumo de energia e podem encarecer a conta de luz; entenda como

Nos últimos meses, cresceu o debate sobre o impacto dos data centers no consumo de energia. Nos Estados Unidos, áreas onde construíram grandes instalações já registram uma certa pressão sobre os preços da eletricidade, especialmente no mercado atacadista de energia.

Esse fenômeno acontece devido à alta demanda constante desses centros, que operam 24 horas por dia. No Brasil, apesar de ainda representarem uma parcela pequena do consumo nacional, o crescimento acelerado do setor já traz alertas sobre possíveis custos futuros.

O que são data centers e como funcionam

Data centers, ou centros de processamento de dados, são grandes complexos tecnológicos dedicados a armazenar e processar informações digitais.

Nesses centros de dados são colocados servidores de alto desempenho interligados por redes de alta velocidade. É justamente isso que sustenta o funcionamento de sites, aplicativos, transações bancárias, redes sociais e serviços de nuvem.

Em geral, trata-se de galpões ou prédios com um tipo de infraestrutura especializada: além dos equipamentos de computação, há sistemas de alimentação elétrica, redes de comunicação e estruturas que garantem a segurança.

Por isso, data centers demandam três recursos muito importantes: energia elétrica 24h por dia, sistemas de resfriamento e grande espaço físico.

Por que data centers consomem tanta energia

A principal razão para o alto consumo de energia dos data centers é o próprio processamento de dados e o controle térmico desses equipamentos.

Em primeiro lugar, são instalações que estão sempre “ligadas”. Ou seja, os servidores funcionam 24 horas e executam aplicações intensas, especialmente em serviços de inteligência artificial; com GPUs (unidade de processamento gráfico) de alto desempenho que exigem grande quantidade de eletricidade.

Além disso, esses componentes geram muito calor, o que torna necessário um sistema de refrigeração intenso para manter a temperatura segura. Em muitas dessas instalações, o processo de resfriamento é responsável por uma parte considerável da energia total.

Há ainda o consumo adicional de equipamentos de infraestrutura, como luzes de manutenção, sistemas de gestão, entre outros.

Data centers podem impactar o consumo de energia de cidades?

Infelizmente, os data centers realmente podem impactar o consumo de energia nas cidades. Acontece que a instalação de grandes data centers pode pressionar a rede elétrica local e impactar as contas de luz da população.

Vale destacar três fatores que impactam o consumo de energia nas cidades:

  1. Expansão da rede: novas estruturas exigem investimentos em usinas, linhas de transmissão e subestações;
  2. Maior uso de água: alguns data centers podem consumir grandes volumes de água para o resfriamento. Isso exige mais energia para captação e tratamento da água;
  3. Repasse de custos: em alguns casos, os data centers não pagam proporcionalmente pelo consumo, o que pode transferir parte dos custos para a população local.

Nos Estados Unidos, uma análise da Bloomberg apontou que o custo atacadista da eletricidade em áreas próximas a data centers chegou a ficar até 267% maior do que cinco anos antes.

É importante explicar que o mercado atacadista de energia é a etapa em que a eletricidade é negociada antes de chegar ao consumidor final. Assim, quando esse preço sobe, o aumento não aparece automaticamente na conta de luz, mas pode ser repassado aos moradores por meio de tarifas das distribuidoras.

Para chegar nesse resultado, a Bloomberg analisou dados de cerca de 25 mil pontos da rede elétrica usados por sete operadores nos EUA. A partir desse levantamento, o veículo estimou como os preços atacadistas da eletricidade mudaram nos 48 estados norte-americanos desde 2020.

Casos reais de impacto energético por data centers

Diversas cidades e países já sentem os efeitos do crescimento acelerado dos data centers. Confira alguns exemplos:

  • Eldorado do Sul (Brasil): o projeto Scala AI City pode chegar a 4,75 GW de capacidade. É mais do que a usina de Jirau (3,7 GW), a quarta maior hidrelétrica do país.
  • Loudoun County (EUA): conhecida como “vale dos data centers”, a região teve reforços na rede elétrica e aumento nas tarifas.
  • Illinois (EUA): o crescimento de data centers perto de Chicago foi associado ao aumento nas contas de luz e água dos moradores.
  • Amsterdam (Países Baixos): autoridades suspenderam novos projetos após sinais de sobrecarga na rede elétrica.
  • Chile: o Google mudou planos do projeto de um data center em Cerrillos, em Santiago, após pressão de moradores e questionamentos sobre o uso de água.

No estado do Maine, nos Estados Unidos, uma lei tenta proibir a construção de novos data centers até novembro de 2027. O objetivo é criar uma regulamentação mais clara para o setor nesse período. A proposta se aplica apenas a data centers com consumo superior a 20 megawatts de energia.

Impacto global dos data centers no consumo de energia

Segundo um estudo da Agência Internacional de Energia (IEA), os data centers podem ganhar um peso considerável no consumo global de eletricidade até 2030, impulsionados principalmente pelo avanço da computação em nuvem e da inteligência artificial.

A projeção indica que o consumo desses centros deve mais do que dobrar até o fim da década, chegando a cerca de 945 TWh (trilhões de watts-hora). O que representaria pouco menos de 3% do consumo global de eletricidade nesse mesmo ano.

“De 2024 a 2030, o consumo de eletricidade dos data centers cresce cerca de 15% ao ano – mais de quatro vezes mais rápido do que o crescimento do consumo total de energia dos demais setores. Porém, em um contexto mais amplo, uma participação de 3% em 2030 indica que a fatia dos data centers na demanda global de eletricidade ainda permanece limitada”, é descrito no relatório da IEA.

Em outra análise, o World Resources Institute sugere que o consumo de energia dos data centers pode chegar entre 9% e 17% da demanda elétrica nos Estados Unidos até 2030.

No Brasil, um estudo da Brasscom aponta que o consumo de energia e água por data centers pode chegar a 3,6% até 2029. O número representa um aumento considerável em relação a 2024, quando o consumo foi de cerca de 1,7% da energia no país.

Fonte: CNN Brasil

Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde

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Canetas emagrecedoras: entenda quando o uso pode fazer mal à saúde
Foto: Receita Federal/divulgação

Sbem alerta para mercado ilegal e doenças como pancreatite

A diretoria-colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute esta semana uma proposta de instrução normativa sobre procedimentos e requisitos técnicos relacionados a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

A popularização das canetas emagrecedoras, que podem ter diferentes princípios ativos, incluindo a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida, ampliou o uso indiscriminado e o mercado ilegal desse tipo de medicamento que, atualmente, só pode ser adquirido por meio de receita médica.

Em razão dos riscos à saúde da população, a Anvisa vem tomando uma série de medidas para coibir o comércio ilegal, que inclui versões manipuladas sem autorização. A agência também criou grupos de trabalho para dar suporte à atuação da autarquia no controle sanitário e garantir a segurança de pacientes.

Também este mês, o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), junto à própria Anvisa, assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro de canetas emagrecedoras.

A proposta é prevenir riscos sanitários associados a produtos e práticas irregulares, além de zelar pela saúde da população brasileira.

“A Anvisa e os conselhos propõem uma atuação conjunta baseada em troca de informações, no alinhamento técnico e em ações educativas”, informou a agência.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Neuton Dornelas, avaliou que o uso de canetas emagrecedoras para tratar a obesidade e o diabetes figura como uma espécie de revolução, mas que o uso indiscriminado do medicamento preocupa.

“São medicamentos muito bons, eficazes, potentes, que abriram realmente um grande horizonte para o tratamento, sobretudo para pessoas que vivem com obesidade. São medicamentos que revolucionaram sob essa perspectiva. Tudo o que a gente já teve pra tratar obesidade tinha resultado menos potente, menos eficaz e eu diria até menos seguro.”

“Pra quem vive com uma doença que é crônica, ter a promessa, a expectativa, a esperança de um tratamento, a longo prazo que seja, mas que funcione abriu um horizonte. Esses medicamentos são importantes, ajudam muito não apenas na perda de peso e no controle da glicose, mas, sobretudo, para diminuir o risco cardiovascular”, completou.

Dornelas destacou levantamento recente feito pela Anvisa, segundo o qual a importação de insumos farmacêuticos para a manipulação de canetas emagrecedoras tem sido incompatível com o mercado nacional. Os dados mostram que, apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos, quantidade suficiente para a preparação de aproximadamente 20 milhões de doses.

“Quando se fala em 20 milhões de doses, é um número chamativo, mas mais do que isso: eles apreenderam 1,3 milhão de medicamentos por algum grau de ilegalidade ou irregularidade, seja pelo transporte, pelo armazenamento”, lembrou.

“Isso é estarrecedor. É assustador. A Sbem já vem alertando há muito tempo sobre isso. Para que as pessoas não consumam medicamentos de fontes que não são legais, medicamentos que não são registrados. Isso é altamente preocupante. Além disso, ter uma medicação que é aprovada para duas doenças crônicas, diabetes e obesidade, e as pessoas usarem de maneira indiscriminada realmente é condenatório.”

Bloqueio da manipulação

Dornelas destacou ainda que apoiou, junto a outras entidades, a decisão da Anvisa para que farmácias e drogarias passassem a reter as receitas de canetas emagrecedoras desde junho do ano passado. “O consumo desenfreado, eu diria, vem do mercado paralelo”.

“Hoje, diante desse boom, desse exagero que estamos vendo, talvez valesse a pena a Anvisa bloquear por três meses, por seis meses ou até por um ano qualquer manipulação de qualquer uma dessas drogas injetáveis para o tratamento da obesidade”, defendeu.

“Não se tem estrutura, na agência, suficiente para fiscalizar e fazer tudo isso com um volume de 20 milhões de doses. Então, num ponto crítico como esse, eu defenderia o bloqueio da manipulação, nem que seja por um período transitório, até que se tenha outras medidas mais cabíveis pra isso.”

Benefícios x riscos

Ao comentar os benefícios das canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade e diabetes, o médico explicou que os medicamentos atuam por meio de três mecanismos de ação: ajudam no controle da glicose; retardam o esvaziamento do estômago ou esvaziamento gástrico, fazendo com que a pessoa mantenha uma plenitude alimentar mais prolongada; e atuam no cérebro, reduzindo o apetite por meio do aumento da saciedade.

“Com isso, eles promovem uma menor ingesta de alimentos e, por meio de mecanismos fisiológicos e da interrelação com outros hormônios, eles promovem uma perda de peso bastante substancial. A semaglutida, por exemplo, tem uma média de 15% de perda de peso e a tirzepatida pode chegar a 22% ou 25%, variando de pessoa para pessoa, dependendo da dose, do acompanhamento de um profissional, além da adesão a outras medidas, como mudança de estilo de vida e melhoras na alimentação.”

Dornelas destacou que todo medicamento pode apresentar efeitos colaterais e que, no caso das canetas, os principais efeitos são náuseas, vômitos e demais sintomas gastrointestinais.

“Com o uso indiscriminado, comprando de fontes não seguras medicamentos não bem armazenados ou transportados, esses riscos aumentam muito”.

“A Anvisa começou a registrar efeitos colaterais mais severos, como a pancreatite. A gente que é médico, que avalia, sabe que a pancreatite já é uma doença, infelizmente, muito frequente. No Brasil, são em torno de 40 mil internações por ano. Mas ela habitualmente é causada por dois grandes fatores: bebida alcoólica em exagero ou pedras na vesícula.”

“Esses medicamentos, por si só, quando se faz o retardo do esvaziamento gástrico, eles promovem uma maior parada do líquido que fica dentro da vesícula biliar. E o fato desse líquido, utilizado no processo da digestão, ficar mais tempo parado dentro vesícula pode facilitar a formação de cálculos. Isso poderia aumentar o risco, para algumas pessoas, de pancreatite. Esse é o maior risco hoje.”

Pilares da segurança

O presidente da Sbem descreveu ainda o que os médicos chamam de quatro pilares da segurança e da responsabilidade em meio ao uso de medicamentos:

  • Utilizar um produtor seguro e legal, com registro no Brasil;
  • Ter a prescrição de um médico com registro e que faça, inclusive, o acompanhamento adequado, desde o diagnóstico;
  • Saber quem está vendendo, preferencialmente farmácias e drogarias em que a compra possa ser feita com segurança;
  • Usar doses corretas, seguindo a orientação médica, além de nunca comprar em mercados paralelos.

“Quando a gente fala de efeitos colaterais, não significa que é pra pessoa sentir isso. Náuseas, por exemplo, podem ocorrer entre 30% e 40% dos casos, mas, em tese, não é para acontecer. Então, se a pessoa está usando a medicação e não há efeito colateral, isso é muito bom. Não significa que a medicação não esteja atuando. Entre 60% e 70% das pessoas não sentem nada.”

“Mas náuseas mais intensas, vômitos e, principalmente, dor abdominal importante que não melhora – a dor é o sinal de alerta. Se há dor importante na parte superior do abdômen, temos que pensar na possibilidade, ainda que rara, de uma pancreatite. A dor é o mais preocupante”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil

Inovação e Sustentabilidade no Centro do Debate: Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana postergam prazo de Inscrições para 2026

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Inovação e Sustentabilidade no Centro do Debate: Prêmios Connected Smart Cities e Parque da Mobilidade Urbana postergam prazo de Inscrições para 2026
Foto: Divulgação

Iniciativas buscam soluções inovadoras e profissionais de destaque para transformar as cidades brasileiras em centros urbanos mais inteligentes, sustentáveis e conectados em 2026

Com o objetivo de transformar a realidade das cidades brasileiras e promover soluções que atendam às necessidades dos cidadãos, a Plataforma CSC deu início ao ciclo de 2026 das duas mais importantes premiações do setor de urbanismo e transporte do país. O Prêmio CSC, realizado em parceria com a Neurônio desde 2015, e o Prêmio PMU, em colaboração com a Urucuia, buscam identificar e dar visibilidade a projetos, empresas e profissionais que lideram a construção de centros urbanos mais inteligentes, conectados e humanos. As inscrições para ambas iniciativas seguem abertas até o dia 21 de abril, consolidando o evento nacional Cidade CSC como o palco principal para a consagração dos vencedores no segundo semestre deste ano. 

O Prêmio CSC foca no ecossistema de negócios inovadores, permitindo a participação de qualquer pessoa jurídica sediada no Brasil que apresente produtos ou serviços voltados à resolução de problemas urbanos. A estrutura da premiação é dividida em três frentes distintas para garantir que ideias em diferentes estágios da maturação possam competir de forma justa. A categoria de Negócios Pré-Operacionais acolhe projetos que ainda estão em fase de teste e financiamento, enquanto a de Negócios Operacionais foca em soluções que já geram receita e estão disponíveis no mercado. Há também um espaço exclusivo para o setor público, a categoria Negócios Soluções do Poder Público, destinada a iniciativas de órgãos federais, estaduais ou municipais que apresentem resultados mensuráveis após pelo menos seis meses de execução. 

Leia mais: Inscrições abertas para o Prêmio CSC e Call for Papers: Participe do maior evento de cidades inteligentes da América Latina

O processo de seleção do Prêmio CSC é rigoroso, passando por uma análise de elegibilidade técnica e uma avaliação detalhada por um comitê de especialistas, pesquisadores e acadêmicos. Os critérios de julgamento abrangem desde o impacto socioeconômico e ambiental até a viabilidade financeira e a capacidade de escalabilidade da solução. Aqueles que superarem essas etapas serão anunciados como finalistas no dia 12 de agosto e convidados para o grande evento Cidade CSC no dia 30 de setembro, em São Paulo. Nesta fase final, os empreendedores terão cinco minutos para realizar uma apresentação presencial perante uma banca de jurados e o público participante, em um formato livre que privilegia a criatividade e a clareza na exposição do benefício real para o usuário final. 

Simultaneamente, o Prêmio Parque da Mobilidade Urbana volta seus olhares para a sustentabilidade, a segurança viária e a inclusão. Diferente do CSC, o PMU não foca apenas em empresas, mas também reconhece carreiras e profissionais que fazem a diferença em território nacional. O espectro da premiação é amplo, cobrindo o transporte público, a logística urbana, mobilidade ativa e trânsito. Entre as categorias de destaque estão as iniciativas em favor da mobilidade sustentável e transformadora, com divisões para o setor público e privado, além de prêmios específicos para segurança viária e mobilidade ativa. No campo humano, a premiação celebra a trajetória de lideranças através das categorias Carreira Inspiradora, Mulheres que Inspiram e a novidade deste ano: Profissional de Destaque na Mobilidade Urbana. 

Leia mais: Parque da Mobilidade Urbana Anuncia Finalistas do Prêmio PMU

Ambas as premiações compartilham o mesmo cronograma de 2026. As inscrições foram prorrogadas até 06 de maio de 2026. O reconhecimento não se limita apenas ao troféu: para os finalistas do Prêmio CSC que residem fora da Região Metropolitana de São Paulo, a organização oferece suporte logístico para garantir que as pessoas por trás das inovações possam estar presentes na cerimônia oficial. Ao unir tecnologia, gestão pública e mobilidade sustentável, os prêmios CSC e PMU reafirmam o compromisso de criar um legado de eficiência para as futuras gerações, transformando ideias disruptivas em políticas e negócios que realmente funcionem no cotidiano das cidades.

Para saber mais sobre o Prêmio CSC, clique aqui.

Para saber mais sobre o Prêmio PMU, clique aqui.

PIS/Pasep: Caixa libera novo lote do dinheiro esquecido nesta segunda

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PIS/Pasep: Caixa libera novo lote do dinheiro esquecido nesta segunda
Foto: Foto: José Cruz/Agência Brasil

Veja quem recebe nesta rodada, como consultar os valores esquecidos e o calendário para os próximos pagamentos.

Um novo lote de pagamento relativos ao dinheiro esquecido no antigo fundo PIS/Pasep será pago nesta segunda-feira (27). Dessa vez, o dinheiro destinado a quem solicitou o ressarcimento até 31 de março.

Já quem pedir o ressarcimento até quinta-feira (30) receberá o dinheiro em 25 de maio, conforme o calendário divulgado pelo governo. (Veja abaixo como consultar, pedir o ressarcimento e quando receber)

  • 🔎 O antigo fundo PIS/Pasep era usado para incrementar a renda de trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos entre 1971 e 1988. Ele é diferente do abono salarial PIS/Pasep pago atualmente.

O trabalhador pode checar se tem valores a receber por meio do site Repis Cidadão ou pelo aplicativo do FGTS.

Segundo o governo, o saldo médio disponível para saque é de R$ 2,8 mil por pessoa, mas o montante varia conforme o tempo trabalhado e o salário recebido na época. Os valores estão corrigidos pela inflação.

A plataforma Repis Cidadão também ensina o procedimento para retirar o dinheiro, inclusive com orientações específicas para herdeiros, no caso de falecimento do beneficiário. Para acessá-la, é necessário ter conta gov.br nos níveis prata ou ouro.

Se o ressarcimento não for solicitado até setembro de 2028, os valores serão definitivamente incorporados ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de saque.

Veja a seguir:

  1. Como consultar se tenho dinheiro esquecido?
  2. Como saber o número do PIS/NIS?
  3. Como pedir o ressarcimento dos valores?
  4. Quando vou receber?
  5. O que é o antigo PIS/Pasep?

1. Como consultar se tenho dinheiro esquecido?

  1. Acesse o site http://repiscidadao.fazenda.gov.br/;
  2. Clique em “entrar com gov.br”. Se você não tiver uma conta no sistema do governo federal, veja aqui como fazer;
  3. Faça login com seu CPF e senha, e clique em “autorizar”;
  4. Informe o NIS (Número de Identificação Social) do beneficiário. O número é o mesmo do PIS e pode ser encontrado em vários lugares (leia mais abaixo);
  5. Clique em “pesquisar”. E, se você tiver valores a receber, o site vai orientá-lo sobre as próximas etapas.

2. Como saber o número do PIS/NIS?

NIS é a sigla para Número de Identificação Social. O documento é uma sequência de 11 dígitos disponibilizada pela Caixa Econômica Federal.

Esse cadastro é necessário tanto para quem trabalha com carteira assinada como para quem quer ter acesso a programas sociais, como o Bolsa Família.

Os números do NIS e do PIS (Programa de Integração Social) são os mesmos. A diferença está na origem deles: enquanto o NIS é gerado no momento em que alguém passa a usar benefícios sociais, o PIS é gerado quando a carteira de trabalho é assinada pela primeira vez.

O NIS pode ser consultado tanto de forma física quanto digital em diversos canais do governo. Veja a seguir:

  • Extrato do FGTS: é possível conferir o número do PIS dentro de um dos contratos registrados no aplicativo.
  • Cartão Cidadão: o número do NIS está identificado logo abaixo do nome do beneficiário e acima da data de emissão do cartão.
  • Meu INSS: no site, o número do NIS aparece como NIT, na parte dos dados cadastrais. A consulta também pode ser feita pelo telefone da Previdência Social (135), de segunda a sábado, das 7h às 22h.
  • CadÚnico: é possível encontrar o NIS após preencher informações pessoais no site CadÚnico ou pelo aplicativo.

3. Como pedir o ressarcimento?

O trabalhador pode protocolar o pedido de ressarcimento em uma agência da Caixa Econômica Federal ou fazer a solicitação pelo aplicativo do FGTS.

Ele vai precisar fazer login no app, acessar a opção “mais”, “ressarcimento PIS/Pasep” e seguir as orientações para anexar os documentos exigidos.

Se o pedido for feito pelo próprio beneficiário, basta que ele tenha em mãos um documento de identidade oficial.

Já no caso de herdeiros, será necessário apresentar:

  • Certidão PIS/PASEP/FGTS emitida pela Previdência Social com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte; ou
  • Declaração de dependentes habilitados à pensão emitida pelo órgão pagador do benefício; ou
  • Autorização judicial ou escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, se capazes e concordantes, atestando por escrito a autorização do saque e declarando não haver outros dependentes ou sucessores conhecidos.

4. Quando vou receber?

Após a solicitação, a Caixa vai analisar o pedido e enviar as informações ao Ministério da Fazenda. O pagamento será realizado diretamente na conta bancária do interessado na Caixa ou por meio de conta poupança social digital, de acordo com o calendário a seguir.

5. O que é o antigo PIS/Pasep?

O Programa de Integração Social (PIS) foi criado em 1970 para incrementar a poupança individual dos trabalhadores do setor privado.

Logo depois, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi lançado para servidores públicos civis e militares, inspirado no mesmo princípio.

Em 1975, os recursos dos dois programas foram transferidos para um único fundo: o Fundo PIS-Pasep, que parou de funcionar 1988, quando foi substituído pelo abono salarial atual.

Em 2020, as cotas do fundo que não haviam sido sacadas foram transferidas para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, três anos depois, para uma conta única do Tesouro Nacional.

Desde então, a Caixa abriu para que os trabalhadores com dinheiro esquecido na conta peçam o ressarcimento dos valores.

O abono salarial atual — uma espécie de 14º salário, no valor de até um salário mínimo — é pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que atendem aos requisitos do programa.

Neste ano, têm direito ao abono pessoas que trabalharam durante pelo menos 30 dias em 2023 e receberam até dois salários-mínimos por mês. Veja aqui todas as regras e o calendário de pagamentos.

 Fonte: G1

Expansão do Clube de Parceiros CSC fortalece o ecossistema de cidades inteligentes com 16 reuniões estratégicas pelo Brasil

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Expansão do Clube de Parceiros CSC fortalece o ecossistema de cidades inteligentes com 16 reuniões estratégicas pelo Brasil
Foto: Gerada por IA/ Gemini

Iniciativa conecta líderes do setor público e privado em todas as regiões do país para acelerar soluções de inovação e infraestrutura urbana

O cenário da inovação nas cidades do Brasil ganha um novo fôlego com a estruturação da agenda anual de Reuniões Regionais Estratégicas pelo país, dando origem ao Clube de Parceiros CSC, uma iniciativa que se consolida como um hub de colaboração de alto impacto. Reunindo empresas e organizações comprometidas com a aceleração do desenvolvimento tecnológico e social dos municípios, o Clube se prepara para uma jornada extensiva em 2026, com a realização de 16 Reuniões Estratégicas Regionais que percorrerão todas as regiões do país. Este calendário robusto visa descentralizar o debate sobre cidades inteligentes, levando especialistas, soluções e investimentos para além dos grandes eixos e permitindo que as particularidades de cada estado brasileiro sejam ouvidas e atendidas de forma personalizada.

Leia mais: Santos recebe Reunião Estratégica Regional da Plataforma CSC sobre porto, inovação e desenvolvimento urbano

O grande diferencial desses encontros está na criação de um ambiente de proximidade inédito entre o setor privado e o poder público. Para as empresas participantes, as reuniões representam uma janela de visibilidade qualificada e a oportunidade de conexão direta com secretários municipais e tomadores de decisão locais. Esse diálogo frente a frente é essencial para que as demandas por mobilidade, sustentabilidade, infraestrutura e inovação deixem de ser apenas conceitos teóricos e se transformem em projetos viáveis e executáveis. Ao fortalecer essa rede, o CSC promove um intercâmbio de experiências onde o governo apresenta suas dores e o mercado oferece as ferramentas necessárias para elevar a qualidade de vida do cidadão.

Entre os protagonistas desse movimento está a TEVX, que ocupa a categoria Master do clube. Com foco na criação de cidades mais silenciosas, conectadas e com ar limpo, a empresa exemplifica como a tecnologia de mobilidade pode ser o motor de uma infraestrutura inteligente. Cadu Cardoso, CEO da TEVX, reforça o valor estratégico dessa articulação ao destacar a longevidade e a profundidade do trabalho realizado:

“É uma parceria em que de fato a gente consegue construir uma relação entre empresa e administração pública, além de trazer o conhecimento da NECTA para transformar as ideias, as necessidades dos cidadãos, aqueles problemas e aquelas oportunidades identificadas em um projeto concreto”.  

Leia mais: Barretos lidera Ranking Connected Smart Cities 2025 no Eixo Saúde, Agricultura Local/Urbana e Segurança Alimentar

Somando forças a esse ecossistema, a categoria Standard traz nomes como a Geopixel, que ataca gargalos específicos da gestão pública, atuando na inteligência de dados por meio de soluções de GIS e TI, permitindo que prefeituras tomem decisões baseadas em fatos mensuráveis, o que otimiza a arrecadação e a eficiência dos processos internos.

Diante desse cenário de transformação, o Clube de Parceiros CSC reafirma que o futuro das cidades não é construído isoladamente, mas sim por meio de uma coalizão entre aqueles que detêm a tecnologia e aqueles que gerem o bem comum. A agenda das 16 reuniões regionais em 2026 oferece um terreno fértil para empresas que buscam não apenas vender produtos, mas se posicionar como parceiras estratégicas na modernização do Estado brasileiro. Participar desta rede significa estar na vanguarda do setor, garantindo uma cadeira à mesa onde as políticas públicas de inovação são debatidas e as parcerias público-privadas ganham forma.

Para organizações que acreditam no poder da colaboração e desejam ampliar sua capilaridade no mercado governamental, o Clube de Parceiros CSC abre suas portas. Integrar esse grupo é a oportunidade de converter visão técnica em impacto social real, conectando marcas a uma rede de influência que entende que o progresso urbano depende de soluções integradas. Empresas interessadas em impulsionar este ecossistema e garantir visibilidade em todos os cantos do país podem se juntar ao clube e fazer parte da próxima etapa de evolução das cidades brasileiras.

Para saber mais, clique aqui.

Apps de Namoro sob Algoritmos: evolução inteligente ou erosão afetiva nas cidades

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Apps de Namoro sob Algoritmos: evolução inteligente ou erosão afetiva nas cidades
Foto: wahyu_t

Entre conexões instantâneas e vínculos descartáveis, o que está em jogo não é a eficiência do encontro, mas a profundidade que estamos dispostos de sustentar.

Nas cidades inteligentes, onde tudo parece otimizado — do trânsito ao delivery — o amor também entrou na lógica da eficiência. Não por acaso, aplicativos como Tinder, Hinge, Bumpy e Timeleft se tornaram extensões quase inevitáveis da vida urbana. Eles prometem o improvável com precisão matemática: reduzir o acaso a uma equação.

E, em muitos casos, entregam. Histórias reais de casamento, famílias formadas, encontros que escaparam da estatística. O amor, sim, também floresceu nesses ambientes. Seria ingênuo negar.

Mas toda tecnologia que aproxima também revela — e amplifica — aquilo que carregamos.

A promessa era simples: mais opções, mais chances. O resultado, porém, lembra um cardápio infinito onde nada satisfaz completamente. O deslizar virou reflexo condicionado. Em menos de um segundo, alguém é aprovado ou descartado. Sem contexto, sem voz, sem chance de contradição. Quando pessoas viram estoque, o vínculo vira consumo.

E o consumo, por definição, não cria compromisso — cria ansiedade e substituição.

O lado sombrio: quando o algoritmo encontra o ressentimento

É aqui que o ambiente digital começa a ferver em silêncio.

A dinâmica de rejeição constante, combinada com validação intermitente, cria um terreno fértil para distorções emocionais. Não é raro ver o surgimento de discursos carregados de misoginia e misandria, alimentados por experiências negativas repetidas. O outro deixa de ser indivíduo e passa a ser categoria: “todos são iguais”, “ninguém presta”, “é sempre assim”.

Aplicativos como o Bumpy tensionam ainda mais esse cenário ao expor, quase sem filtro, a lógica da rejeição: quem viu, quem ignorou, quem descartou. É a gamificação da indiferença.

E o impacto psicológico disso não é trivial. Ser avaliado em frações de segundo, repetidamente, não passa ileso. A autoestima começa a negociar com o algoritmo. A percepção de valor próprio entra em leilão silencioso.

A pergunta incômoda emerge: os aplicativos criaram esse ambiente ou apenas retiraram o verniz social que antes escondia essas reações?

Na tentativa de corrigir excessos, surgem propostas como o Timeleft, que troca o isolamento da tela pela mesa compartilhada. A ideia é quase um resgate: devolver ao encontro sua imprevisibilidade original, ainda que mediada por dados.

Mas há algo paradoxal nisso. Estamos usando algoritmos para simular espontaneidade.

E quando essa engenharia falha, o constrangimento é amplificado. Um grupo sem sintonia, silêncios longos, expectativas desalinhadas. O erro deixa de ser apenas técnico — vira experiência emocional negativa com hora e local marcados.

Amor, carência e oportunidade: o território dos golpes

Enquanto alguns encontram conexão, outros encontram armadilhas.

A mesma estrutura que aproxima também facilita a atuação de perfis falsos e redes de golpe. O roteiro se repete: atenção rápida, intimidade acelerada, confiança construída em tempo recorde — e, então, a ruptura acompanhada de prejuízo emocional ou financeiro.

Não é coincidência. A lógica dos aplicativos favorece intensidade curta. E é justamente nesse curto espaço que o golpe se instala.

A cidade conectada criou um novo tipo de vulnerabilidade: a carência digitalmente exposta.

Apesar de tudo, as pessoas continuam voltando. Porque, no fundo, a esperança resiste. Sempre há a possibilidade de um encontro que valha a pena, de uma conversa que ultrapasse o script, de alguém que não seja apenas mais um perfil.

Mas há um custo invisível nesse ciclo. Muitos usuários desenvolvem uma espécie de armadura emocional. Não se trata de cinismo, mas de autopreservação. Sentem menos para não se desgastar. Investem menos para não perder. Conectam-se sem mergulhar.

E, assim, o que poderia ser profundo permanece raso — não por falta de desejo, mas por excesso de defesa.

A tecnologia não inventou o desejo, a rejeição ou o preconceito. Mas deu escala, velocidade e uma interface elegante para tudo isso.

O que está em jogo não é apenas como nos conectamos, mas como passamos a nos enxergar como seres humanos.

Aceitar que transformamos relações em fluxo — rápidas, substituíveis, eficientes — e que o amor maduro talvez seja incompatível com as novas gerações, talvez não seja verdade.

 

Casos de gripe disparam e reforçam alerta para a necessidade de se vacinar

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Casos de gripe disparam e reforçam alerta para a necessidade de se vacinar
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A ampla oferta e os benefícios inegáveis da vacinação não têm sido suficientes para levar a população aos postos

Esperada para o período de maio a setembro, a temporada da gripe chegou mais cedo e com mais força ao Brasil em 2026.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 17 de abril, foram contabilizados 4.181 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao vírus influenza, dos quais 259 pessoas morreram. Os números são muito superiores aos verificados no mesmo período de 2025.

A tendência, avalia a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é de que a alta se mantenha em 14 das 27 Unidades da Federação.

O cenário não é surpresa. No início de dezembro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou os estados membros para a possibilidade de a temporada da doença começar antes do habitual e transcorrer de forma mais intensa.

O motivo era o aumento significativo da atividade do vírus, relacionado ao recém-identificado subclado K (J.2.4.1) do Influenza A(H3N2). Não é possível afirmar que a situação no Brasil esteja relacionada exclusivamente a este subclado, mas a detecção regional de alguns casos e o fato de a cepa protagonista no país ser a A(H3N2) são indicativos disso.

Embora a gripe e os resfriados sejam confundidos pela população devido à semelhança dos sintomas, a gripe é uma séria preocupação em saúde pública.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, anualmente, acontecem cerca de 500 milhões de casos de Influenza sazonal, dos quais 3 a 5 milhões são graves. O total de mortes varia de 290 mil a 650 mil. Crianças pequenas, idosos, gestantes e imunocomprometidos são especialmente vulneráveis.

Vacina reduz internação e mortalidade

A literatura científica evidencia que a vacinação é uma das ferramentas mais eficazes para minimizar o impacto da enfermidade.

Um robusto trabalho de metanálise e revisão sistemática divulgado em 2025, por exemplo, sinalizou que a vacinação contra o influenza foi capaz de reduzir as hospitalizações pelo vírus em 42%, a mortalidade em 36%, as internações em UTI em 52%, a necessidade de ventilação mecânica em 55% e a ocorrência de pneumonia em 51%.

Foram incluídos na avaliação 165 estudos conduzidos em diferentes regiões do planeta, após a seleção de mais de 7.700 publicações.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza a vacina contra a gripe ao longo de todo o ano para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas a partir de 60 anos. Nas Campanhas de Vacinação, realizadas antes dos períodos de maior circulação do vírus, também são contemplados outros públicos prioritários.

Mitos comuns sobre a imunização

A ampla oferta e os benefícios inegáveis da vacinação, no entanto, não têm sido suficientes para levar a população aos postos. Em 2025, a cobertura da campanha da Região Norte foi de apenas 41,1%, enquanto a voltada às demais regiões do país foi de 54,15%. A meta é 90%.

A baixa adesão às campanhas, assim como acontece com outras vacinas, tem múltiplas causas.

Entre elas, dificuldade de acesso às unidades de saúde devido à distância ou horário restrito de funcionamento, falta de recomendação por parte dos profissionais da saúde, a percepção errônea de que a gripe é uma doença leve e dúvidas a respeito da segurança e da eficácia das vacinas, muitas vezes motivadas por conteúdos equivocados que circulam nas redes sociais.

Entre os mitos mais comuns está a crença de que a vacina causa gripe, o que é impossível, pois os vírus utilizados na composição são inativados (mortos). Outro equívoco frequente é a ideia de que a vacina não funciona.

Embora a eficácia possa variar de ano para ano, a depender da coincidência das cepas presentes com os vírus em circulação e de outros fatores, a diminuição de mortes e hospitalizações é amplamente documentada.

A vacina desta temporada, inclusive, de acordo com estudos feitos em modelos animais, oferece proteção contra o subclado K mesmo sem contê-lo na fórmula.

Se você faz parte dos públicos-alvo do Ministério da Saúde, aproveite que a campanha de vacinação contra a influenza nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul está em andamento para atualizar a sua caderneta.

Se não fizer parte dos grupos prioritários, busque mais informações nos meios de comunicação da cidade onde mora para saber onde e quando pode se vacinar.

Muitos municípios já liberaram a vacina para toda a população. A rede privada também é uma alternativa para tomar o imunizante. E procure conscientizar os seus conhecidos: vacinar-se é uma medida simples, segura e essencial para proteger a saúde do indivíduo e da comunidade. Engaje-se nessa causa.

Este artigo foi escrito em parceria com o jornalista Carlos Caroni, da Sociedade Brasileira de Imunizações.

*O pediatra Renato Kfouri é membro da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização do Programa Nacional de Imunizações (CTAI-PNI) e representante do Brasil na rede de programas de imunizações das Américas na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

**** Este texto foi publicado originalmente no site The Conversation Brasil

Fonte: G1

Fim da escala 6×1? Veja o que dizem as empresas que já adotam jornadas reduzidas

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Fim da escala 6×1? Veja o que dizem as empresas que já adotam jornadas reduzidas
Foto: istockphoto/divulgação

Negócios adotam modelos como 5×2 e 4×3, com impactos distintos. Especialistas apontam que fim do modelo antigo de trabalho pode favorecer equilíbrio entre vida pessoal e profissional

A rotina de trabalho no comércio, especialmente em bares e restaurantes, sempre esteve associada a jornadas longas e poucos dias de descanso. Esse modelo, conhecido como escala 6×1, ainda predomina em setores de atendimento contínuo, mas começa a ser revisto por empresários que testam formatos alternativos.

A mudança ganha força em meio ao debate no Congresso sobre a redução da jornada e após o adiamento da proposta de emenda à Constituição que trata do tema. Passado o recesso do feriado de Tiradentes, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por unanimidade nesta quarta-feira, 22, a PEC que propõe o fim dessa escala no país.

Com a aprovação, a proposta segue para discussão numa comissão especial, que tem entre 10 e 40 sessões para aprovar ou rejeitar um parecer com uma regra de transição antes de a proposta ser finalmente votada no plenário.

Modelos alternativos

À frente de uma hamburgueria com duas unidades em São Paulo e uma no litoral paulista, Fernando Russell, de 50 anos, decidiu alterar a escala da equipe após anos operando num modelo híbrido, que alternava semanas de 6×1 e 5×2. “Até 2025, todas as unidades trabalhavam numa escala em que domingos abria meio período e nas segundas não abria. Dessa forma, metade da equipe folgava aos domingos”, diz. Na prática, os funcionários trabalhavam numa semana 6×1 e na outra semana 5×2.

Em junho de 2025, a hamburgueria iniciou um teste em uma das lojas, reduzindo a carga de trabalho. “Para compensar a contratação, passamos a abrir também às segundas-feiras. Deu certo e a unidade passou a ter um resultado financeiro melhor”, afirma.

Segundo ele, a mudança não reduziu a lucratividade e ainda contribuiu para diminuir faltas e trocas de equipe. “Eu mesmo sou professor universitário há 21 anos. Por esse background, sei o quão importante é ter condições de trabalho saudáveis.”

O modelo foi expandido para as demais unidades neste mês e segue em avaliação. Sobre o fim do atual modelo de escala, ele acredita que terá mais pontos positivos do que negativos. “Acredito que o grande empresário não vai quebrar, não vai ser prejudicado. Na pior das hipóteses, vai operar com uma margem um pouco menor”, opina. Nos pequenos empreendimentos, diz Fernando, os efeitos tendem a ser diferentes de acordo com o setor e o nível de organização. “Talvez eles sejam mais impactados por não terem uma gestão profissional e, até por isso, o Governo precisa auxiliar de alguma forma.”

A experiência se soma a outras iniciativas no setor que buscam equilibrar funcionamento contínuo com jornadas menos extensas, um movimento que começa a redesenhar a dinâmica do trabalho nesses setores. “É sempre bom lembrar que as pessoas de folga costumam gastar mais no comércio. É um dia a mais para ir ao salão de beleza, para ir a um restaurante, para ir ao comércio fazer compras”, complementa o empresário.

Como empresas adotam a escala 4×3 e 5×2 no atendimento

A adoção de jornadas reduzidas no comércio não segue um único modelo. Enquanto parte dos negócios migra para o 5×2, outros avançam para formatos como o 4×3, com três dias de folga por semana. Em comum, está a necessidade de reorganizar equipes e turnos para manter o funcionamento diário.

Em São Paulo, a empresária Isabela Raposeiras, dona da cafeteria Coffee Lab e escola de cafés, decidiu avançar além do 5×2 e implementar a escala 4×3 nas lojas em julho de 2025.

A mudança partiu de uma decisão de gestão e de experiência própria. Após anos trabalhando sob regime 6×1, ela optou por não replicar o modelo na empresa.

“Nunca fomos 6×1, jamais seria. Todos os meus empregos CLT foram 6×1 e jamais quis impor esse horror e opressão aos meus funcionários”, diz a empresária.

Hoje, as unidades funcionam todos os dias, com equipes em escala rotativa e ao menos duas folgas consecutivas. Áreas internas, como escritório e torrefação, ainda operam em 5×2, mas com migração em curso para o 4×3.

Segundo ela, a motivação principal foi reduzir o desgaste de quem atua diretamente com o público. “Atender o consumidor é uma atividade exigente. A ideia foi garantir mais tempo de descanso para melhorar a qualidade do trabalho”, afirma. A empresária diz que, após ajustes nos processos, a operação absorveu a mudança sem perda de eficiência.

Os efeitos, relata, apareceram na rotina e nos resultados. A equipe passou a apresentar menos erros e maior estabilidade, enquanto o faturamento cresceu ao longo do ano. Para ela, o modelo exige revisão de processos e gestão mais detalhada, mas pode ser adotado em diferentes tipos de negócio.

Em outra frente, redes maiores também testam mudanças na jornada. O restaurante Gurumê, com unidades no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, iniciou, em junho de 2025, a implementação da escala 5×2 em parte das unidades, com base em um redesenho da operação. A proposta parte de um mapeamento da demanda por turno e por horário, ajustando o número de funcionários à necessidade real.

“Nosso objetivo é aumentar a retenção e a performance, criando um equilíbrio entre vida pessoal e profissional para todas as funções do restaurante. Isso já se reflete na experiência do cliente”, afirma o sócio-fundador Jerônimo Bocayuva. A estratégia também responde à dificuldade de contratação e retenção em funções que exigem treinamento.

A rede iniciou o projeto em uma unidade piloto e ampliou gradualmente o modelo, sem aumento do quadro de funcionários. A avaliação é que a mudança pode melhorar a retenção e a experiência do cliente, embora o formato não seja necessariamente replicável em operações menores, que têm menos margem para ajustes.”Por isso, é preciso um alinhamento em torno da necessidade de se evitar qualquer tipo de imposição ao empreendedor que não venha acompanhado de contrapartidas capazes de preservar a sustentabilidade das empresas e os empregos que dependem do segmento”, pontua Jerônimo.

Produtividade x redução da jornada

A relação entre menos horas de trabalho e desempenho das empresas não é automática e depende de como a mudança é implementada. Segundo a economista Patrícia Tendolini, mestre em Administração e coordenadora dos curso de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os efeitos variam conforme o setor, o porte da empresa e a capacidade de reorganizar processos.

Em atividades com maior uso de tecnologia, gestão por metas e menor dependência de presença contínua, a redução da jornada pode vir acompanhada de ganhos de produtividade. Já em setores intensivos em mão de obra presencial e com necessidade de cobertura constante, como parte do segmento de consumo e serviços, o impacto tende a ser mais limitado.

Estudos recentes apontam que não há relação direta entre redução da jornada e queda da atividade econômica. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, divulgado em fevereiro de 2026, indica que, com a redução para 40 horas semanais e manutenção da remuneração, o custo médio do trabalho celetista subiria 7,84%. Ainda assim, ao considerar o peso da mão de obra no custo operacional total, o impacto agregado em setores como indústria e comércio ficaria abaixo de 1%.

Os economistas afirmam ainda que experiências internacionais, como testes no Reino Unido, indicam manutenção da produtividade, melhora no bem-estar e redução da rotatividade. Para Nelson Marconi, economista da FGV EAESP, parte desse efeito passa pelo comportamento do trabalhador. Segundo ele, isso pode se refletir no desempenho, especialmente quando combinado a mudanças na organização do trabalho.

Marconi ressalta, no entanto, que produtividade não depende apenas de esforço individual. O ganho tende a vir de investimento em tecnologia, reorganização das jornadas e melhor distribuição das equipes. Em setores de serviços, ferramentas digitais e automação podem ajudar a sustentar a redução da carga horária.

Além dos efeitos econômicos, especialistas apontam impactos sociais. A redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida, reduzir desigualdades e, no longo prazo, gerar ganhos indiretos para empresas e para o mercado de trabalho.

“A avaliação não deve se restringir ao desempenho empresarial no curto prazo. Deve considerar impactos mais amplos, como melhora na qualidade de vida, maior disponibilidade de tempo para atividades de cuidado e potenciais efeitos positivos sobre a saúde da população”, diz Tendolini.

Ainda assim, a sustentabilidade desses efeitos depende de adaptação gradual e das características de cada setor, afirmam os especialistas.

Desafios para implementação

Se por um lado experiências práticas e estudos indicam possíveis ganhos, a implementação de jornadas menores envolve uma série de entraves operacionais e econômicos. Para Tendolini, da PUCPR, o debate vai além da simples redução de horas trabalhadas.

Ela aponta que o primeiro desafio é a definição do modelo. Migrar para 40 horas semanais em escala 5×2 exige adaptações diferentes de um eventual avanço para 36 horas em 4×3. A diversidade entre setores também pesa: comércio, indústria e serviços têm estruturas e demandas distintas, o que dificulta a adoção de uma regra única.

Outro ponto importante, segundo a economista, é a adaptação das pequenas empresas, que têm menor margem financeira e mais dificuldade para recompor equipes. A isso se somam questões como negociação coletiva, segurança jurídica e a necessidade de compatibilizar diferentes formatos de jornada, como banco de horas, turnos e horas extras.

Tendolini também destaca a importância de uma transição gradual e previsível. Para ela, mudanças desse porte exigem tempo para que empresas invistam em gestão, tecnologia e reorganização de processos. “Não é apenas sobre trabalhar menos, mas sobre como reorganizar produção, atendimento e competitividade sem transferir todo o custo para emprego, preços ou informalidade”, afirma.

Representantes do setor de bares e restaurantes, por outro lado, veem riscos mais imediatos. Para Paulo Solmucci, presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a redução da jornada pode ampliar custos e agravar a escassez de mão de obra, especialmente em funções especializadas.

Ele afirma que o aumento de custos pode afetar preços e consumo, sobretudo em regiões de renda mais baixa, além de pressionar a organização das equipes.

Segundo Solmucci, trabalhadores que dependem de comissões, como garçons, também poderiam ter perda de renda com menos dias trabalhados. “A gorjeta de um dia a menos de trabalho, especialmente nos finais de semana, será penosa, pois ela chega a representar 2/3 do ganho total”, diz.

Na avaliação do setor, mudanças na jornada sem mecanismos de compensação podem levar a ajustes na operação e na distribuição da mão de obra. O impacto, segundo ele, tende a variar conforme o perfil do negócio e o público atendido.

Saúde mental em xeque

Além dos efeitos econômicos, a discussão sobre a redução da jornada tem colocado em evidência impactos diretos na saúde dos trabalhadores. Para Marconi, a diminuição dos dias trabalhados tende a influenciar o comportamento no trabalho.

Segundo ele, com mais tempo livre, o trabalhador fica mais disposto e engajado, o que pode se refletir no desempenho ao longo do tempo. Esse efeito não é imediato, mas resultado de uma reorganização da jornada dentro das empresas. “É um ganho que se sustenta porque vem de um rearranjo da forma de trabalhar”, afirma.

Marconi também aponta que jornadas extensas influenciam a dinâmica do mercado de trabalho. Modelos como o 6×1, diz, dificultam a atração de trabalhadores para vagas formais e podem estimular a informalidade. A redução da jornada, nesse sentido, tende a tornar esses postos mais atrativos.

Do ponto de vista da saúde, os efeitos são mais diretos. A médica do trabalho Letícia Mameri, doutoranda em Bioética pela Universidade do Porto (Portugal), explica que jornadas prolongadas, com pouco tempo de descanso, estão associadas ao aumento do risco de exaustão física e mental. Segundo ela, trabalhar seis dias consecutivos com apenas um de descanso eleva o risco de fadiga crônica e compromete o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

A especialista afirma ainda que estudos também associam esse tipo de rotina a maior incidência de ansiedade, depressão, distúrbios do sono e doenças cardiovasculares. Em contrapartida, escalas mais flexíveis tendem a reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e contribuir para a produtividade ao longo do tempo. “Escalas mais flexíveis trazem ganhos claros: melhor saúde física e mental, com redução do estresse. Maior produtividade sustentada, já que trabalhadores descansados rendem mais”, diz.

Fonte: Istoé Dinheiro

Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa

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Ministério da Saúde alerta para risco de casos de sarampo após Copa
Foto: REUTERS/David Swanson/Direitos reservados

Países que sediam evento enfrentam surtos ativos da doença

O Ministério da Saúde emitiu alerta sobre o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026. Neste ano, a competição será sediada a partir de junho pelos Estados Unidos, Canadá e México, países que enfrentam surtos da doença.

A nota técnica descreve um cenário de alta transmissibilidade do sarampo nas Américas e um grande número de brasileiros com destino aos países-sede do evento, bem como a outros países onde há surto ativo da doença.

“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados”.

Vai viajar para a Copa?

O documento reforça recomendações de vacinação contra a doença, visando proteger viajantes e a população residente no Brasil, considerando que os países-sede apresentam elevado número de casos, com surtos ainda ativos.

“A vacinação oportuna de viajantes e a vigilância sensível dos serviços de saúde são as únicas estratégias capazes de mitigar o risco de reintrodução do vírus”, alertou o Departamento do Programa Nacional de Imunizações no documento.

“Reitera-se, portanto, a necessidade de estados, municípios e profissionais de saúde priorizarem a atualização vacinal e o monitoramento rigoroso de casos suspeitos, a fim de manter o status do Brasil como país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo”, completou a nota.

Orientações para o viajante

Se você está de malas prontas para o Mundial, fique atento a esses passos:

  • Atualize sua caderneta: verifique se você tomou as doses da vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola).
  • Antecedência: o imunizante deve ser tomado pelo menos 15 dias antes do embarque, para que o corpo crie a proteção necessária.
  • Vigilância no retorno: ao voltar ao Brasil, caso apresente febre e manchas vermelhas pelo corpo, procure imediatamente um serviço de saúde e informe sobre sua viagem.

Copa do Mundo

A Copa do Mundo 2026 será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, com jogos sediados em cidades dos Estados Unidos, do México e do Canadá. A estimativa é que milhões de pessoas participem, incluindo grande número de viajantes internacionais provenientes de diferentes regiões do mundo.

“Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”, destacou o ministério no documento.

Sarampo nas Américas

O Ministério da Saúde define o sarampo como uma doença viral infecciosa aguda altamente contagiosa e potencialmente grave. Sua transmissão acontece principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus causador da infecção pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas.

O ministério alerta que o sarampo permanece com ampla distribuição global, com persistência de surtos em todos os continentes. “Em 2025, foram confirmados 248.394 casos mundialmente, demonstrando que a circulação viral permanece como uma ameaça crítica à saúde pública”.

“Esse cenário é agravado pela existência de bolsões de indivíduos suscetíveis, resultantes da hesitação vacinal e de falhas na cobertura vacinal em diversas regiões.”

Na região das Américas, o documento aponta um aumento expressivo na incidência da doença, com milhares de casos de sarampo, sobretudo nos países-sede da Copa.

Em 2025, a epidemia de sarampo no Canadá causou 5.062 casos, causando a perda da certificação de país livre de sarampo. Em 2026, foram 124 casos, mantendo a área como de circulação endêmica.

Situação semelhante foi observada no México, que passou de sete casos, em 2024, para 6.152, em 2025, e 1.190 casos, em janeiro de 2026, conforme dados preliminares.

Já os Estados Unidos notificaram 2.144 casos em 2025 e 721 casos apenas em janeiro de 2026.

Os três países se encontram com surtos ativos de sarampo, quando há transmissão contínua do vírus ocorrendo nesse momento. O cenário de agravamento culminou na perda do status da região das Américas como zona livre de transmissão endêmica em novembro de 2025.

Brasil livre do sarampo

Apesar do contexto regional, o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024.

Em 2025, o país registrou 3.952 casos suspeitos, dos quais 3.841 foram descartados, 46 permanecem em investigação e 38 foram confirmados. Destes, dez foram importados, 25 foram classificados como relacionados à importação e três apresentaram fonte de infecção desconhecida.

“Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal”, destacou o ministério.

Em 2026, até meados de março, o Brasil registrou 232 casos suspeitos e confirmou dois casos: uma criança de 6 meses, residente em São Paulo e com histórico de viagem à Bolívia; e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro, com investigação em andamento; ambas não vacinadas.

“O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto.”

Vacinação

A nota reforça que a vacinação constitui a principal medida de prevenção e controle da doença. A proteção é oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações, por meio das vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).

Dados da pasta mostram que, no Brasil, a cobertura da 1ª dose (D1) atingiu 92,66% em 2025, aproximando-se da meta preconizada de 95% em nível nacional. A homogeneidade (indicador da qualidade da cobertura em diferentes localidades) chegou a 64,56%, sendo que 3.596 municípios atingiram a meta de 95%.

Já a cobertura da 2ª dose (D2) atingiu 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24%, e 1.963 municípios atingiram a meta de 95%.

“Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou com a chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”, ressaltou o documento.

Para viajantes internacionais, a orientação é verificar o cartão de vacina e procurar uma unidade de saúde para atualizar a situação vacinal contra o sarampo antes da viagem, conforme esquema detalhado a seguir:

  • Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo hábil para a produção de anticorpos.
  • Crianças de 12 meses a adultos de 29 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal completo, de 2 doses, o ideal é que a 1ª dose seja realizada, no mínimo, 45 dias antes da viagem, a fim de ter tempo hábil para receber a 2ª dose (30 dias após a 1ª dose) e período adequado para a produção de anticorpos (aproximadamente 15 dias).
  • Adultos de 30 a 59 anos: para pessoas que precisam receber o esquema vacinal com uma dose da vacina, é necessário iniciar o esquema, no mínimo, 15 dias antes do embarque, para que haja tempo hábil de soroconversão.

“Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”, destacou o ministério.

Risco real

Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o risco de reintrodução da doença no Brasil é real.

“Justamente no momento em que nós recuperamos o status de zona livre do sarampo, estamos vivenciando um grande surto nas Américas, principalmente na América do Norte. Mas também há casos na Bolívia, na Argentina e no Paraguai”.

“Obviamente que o deslocamento frequente de pessoas faz com que o risco de reintrodução da doença seja real”, disse. “A chance de alguém entrar com sarampo aqui é grande”, completou.

Para Kfouri, o Brasil precisa manter sua população vacinada, o que funciona como uma barreira para a transmissão do vírus, além de realizar uma vigilância bastante ativa para a detecção precoce de casos.

“Casos importados vão acontecer. Em 2025, tivemos 35. Mas esses casos não se traduziram em uma cadeia de doença. Portanto, a gente só teve esses casos. Não temos transmissão mantida entre nós”.

O vice-presidente da Sbim ressaltou a importância de capacitação de todos os profissionais de saúde, não só para o reconhecimento precoce da doença, mas para ações imediatas de isolamento, bloqueio e coleta de exames.

“Que neste momento de aglomeração, que a gente tenha um cuidado ainda maior. Viajar com a vacinação em dia, e estar alerta para os que voltam de lá com sintomas”, disse.

Fonte: Agência Brasil