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Brasil registra recorde com 4,6 milhões de pequenos negócios em 2025

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Número supera resultado de 2024, com 4,1 milhões de empresas criadas

O Brasil abriu 4,6 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e novembro de 2025, número que já supera o resultado de 2024, quando foram criadas 4,1 milhões de empresas. Os dados mostram alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, consolidando o melhor desempenho da série histórica.

Os pequenos negócios representaram 97% das empresas abertas no país em 2025. Entre elas, 77% são microempreendedores individuais (MEI), 19% são microempresas e 4% são empresas de pequeno porte.

O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirma que o crescimento reflete a confiança dos empreendedores no cenário econômico. Segundo ele, o país vive “situação de pleno emprego e inflação sob controle”, fatores que estimulam a abertura de novos negócios.

“Sessenta por cento dos brasileiros sonham em empreender. O empreendedorismo é porta para inclusão, geração de empregos e renda”, disse.

Em novembro, o país registrou a abertura de 350 mil novos pequenos empreendimentos, 28 mil a mais do que no mesmo mês de 2024.

Serviços lideram novos registros

O setor de serviços respondeu por 64% das novas empresas abertas até novembro. Nesse segmento, a abertura de MEI cresceu 24,5% em relação ao mesmo período de 2024. Em seguida, aparecem o comércio, com 21% do total, e a indústria, com 7%.

São Paulo (29%), Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8%) foram os estados que mais registraram abertura de pequenos negócios em 2025.

Atividades com maior número de novos empreendimentos

Microempreendedores individuais (MEI):

  • Atividades de malote e entrega: 22.986 novos MEI (9%)
  • Transporte rodoviário de carga: 19.753 novos MEI (7%)
  • Atividades de publicidade: 16.091 novos MEI (6%)

Micro e pequenas empresas (MPE):

  • Atenção ambulatorial por médicos e odontólogos: 4.981 novas MPE (6%)
  • Serviços combinados de escritório e apoio administrativo: 3.949 novas MPE (5%)
  • Atividades de saúde, exceto médicos e odontólogos: 3.326 novas MPE (4%)

Fonte: Agência Brasil

Resiliência financeira em contratos de concessão e parcerias público-privadas

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Requisito estrutural para a sustentabilidade das políticas públicas

Os contratos de concessão e de parcerias público-privadas (PPPs) tornaram-se instrumentos centrais para a execução de políticas públicas de infraestrutura no Brasil. Sua natureza complexa, de longa duração e com elevada assimetria de riscos exige modelos contratuais capazes de suportar oscilações econômicas, mudanças regulatórias, choques externos e eventos imprevistos.

Nesse contexto, a resiliência financeira (entendida como a capacidade do contrato de se adaptar e se recuperar de perturbações adversas, preservando o equilíbrio econômico-financeiro e garantindo a continuidade da prestação adequada do serviço) passa a ser elemento estruturante da boa governança contratual.

Sem mecanismos que permitam absorver e responder a eventos disruptivos, os contratos tornam-se frágeis, suscetíveis a disputas, interrupções, necessidade de renegociação constante e, em casos extremos, caducidade.

O equilíbrio econômico-financeiro, previsto no art. 37, XXI da Constituição Federal e regulamentado na Lei 8.987/1995, estabelece que o contratado deve preservar a relação entre encargos assumidos e remuneração recebida. Entretanto, a experiência brasileira mostrou que a mera recomposição ex post, muitas vezes, não é suficiente para lidar com eventos severos ou recorrentes.

Nesse sentido, a resiliência financeira amplia essa perspectiva ao incorporar uma visão sistêmica e preventiva: não basta recompor; é necessário projetar o contrato para resistir. E elementos que compõem essa resiliência incluem:

  • modelagens econômico-financeiras robustas, capazes de simular diferentes cenários macroeconômicos;
  • mecanismos automáticos de revisão e reajuste, reduzindo litigiosidade;
  • distribuição eficiente e calibrada de riscos, com matriz revisitada periodicamente e coerente com a capacidade de mitigação de cada parte;
  • estruturas de garantias e colchões financeiros, como fundos de reserva, contas vinculadas e step-in rights; e
  • indicadores de desempenho que dialoguem com o risco, evitando transferências excessivas e incompatíveis com a realidade operacional.

Esses instrumentos permitem que o contrato absorva variações de demanda, inflação, custos operacionais e impactos excepcionais, como crises sanitárias ou desastres climáticos – fenômenos cuja intensidade e frequência vêm crescendo[1].

De fato, nos últimos anos, concessões e PPPs no Brasil foram expostas a choques significativos: recessões econômicas, eventos climáticos extremos, mudanças legislativas, alta volatilidade cambial e crises de demanda. Tais impactos revelaram fragilidades estruturais e a necessidade de aprimoramento da engenharia contratual.

Esse cenário evidencia que não há contrato de longo prazo sem mecanismos de adaptação. A ausência de resiliência financeira produz efeitos deletérios, como aumento de pedidos de reequilíbrio; excessiva judicialização; redução da capacidade de investimento do concessionário; encarecimento do crédito; deterioração do serviço prestado ao usuário; e risco de descontinuidade contratual.

Ao contrário, contratos financeiramente resilientes funcionam como amortecedores institucionais, permitindo respostas rápidas e previsíveis. No entanto, a resiliência não é apenas um atributo do desenho inicial do contrato; é também um produto de sua gestão de longo prazo. A Lei 14.133/2021 e a Lei 11.079/2004 reforçam a importância de mecanismos de governança, comissões de acompanhamento, transparência e monitoramento de riscos.

Nesse sentido, destacam-se:

  • revisões periódicas do contrato, independentemente de pleitos formais;
  • comissões de governança com participação técnica, reduzindo assimetrias de informação;
  • mapeamento contínuo de riscos, com planos de mitigação e monitoramento;
  • integração entre indicadores financeiros, operacionais e regulatórios; e
  • disclosure sistemático de informações ao financiador e ao poder concedente.

Uma governança robusta, portanto, reduz comportamentos oportunistas, melhora o alinhamento entre as partes e amplia a previsibilidade dos impactos econômicos, fortalecendo o ambiente institucional e mitigando custos futuros de transação.

A resiliência financeira dos contratos de concessão e PPPs, portanto, é elemento essencial para a sustentabilidade das políticas públicas e para a preservação do equilíbrio econômico-financeiro ao longo de sua execução. Contratos capazes de se adaptar econômica e financeiramente, e se recuperar de eventos adversos reduzem riscos, fortalecem a confiança entre os agentes, evitam rupturas e garantem a continuidade do serviço público.

Avançar nessa agenda implica combinar modelagem robusta, governança qualificada, gestão ativa de riscos e transparência. Somente assim será possível construir contratos mais estáveis, eficientes e alinhados às demandas de um país que depende fortemente da infraestrutura para seu desenvolvimento econômico e social.


[1] A intensificação de eventos climáticos extremos e seus efeitos sobre infraestrutura têm sido amplamente documentados em relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) e em análises do Banco Mundial.

Fonte: JOTA

Fundo para financiar transporte coletivo da Capital pode nem sair do papel

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Idealizado em outubro pela Câmara Municipal, projeto está em análise e corre risco de ser inconstitucional, diz especialista

Idealizado pela Câmara Municipal de Campo Grande visando levar segurança financeira ao transporte público da Capital, o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (FMMUT) pode nem sair do papel por correr risco de ser inconstitucional, segundo especialista em Direito entrevistado pelo Correio do Estado.

Em 23 de outubro, um dia depois dos motoristas pararem por 1 hora e 30 minutos a circulação dos ônibus em Campo Grande, a Casa de Leis criou o Projeto de Lei nº. 12.127/2025. Conforme consta no texto que define detalhes sobre o fundo, o objetivo dele é “assegurar a captação, gestão e aplicação de recursos destinados à execução de políticas públicas voltadas à mobilidade urbana, ao transporte coletivo e à infraestrutura viária”.

Contudo, segundo o professor de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro Rogério Monteiro de Oliveira, o projeto tem um teor do chamado vício de iniciativa, que é quando um projeto de lei é criado por quem não tem a prerrogativa constitucional para tal, sendo reservada essa prerrogativa a um dos Poderes (Executivo, Legislativo ou Judiciário).

“Em tese tem vício de iniciativa, deveria ser de iniciativa do Executivo Municipal”, afirma.

O especialista também chama a atenção para a ausência de justificativa legal para o projeto virar lei. Nas justificativas presentes no projeto, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), cita a importância do Fundo para o transporte público de Campo Grande e o contexto atual de necessidade urgente do projeto ser aprovado, mas não cita leis ou outras normas.

“Com o Fundo, o Município passa a dispor de um instrumento permanente de financiamento e de planejamento estratégico, capaz de garantir maior estabilidade e autonomia à gestão pública da mobilidade”, diz Papy em uma das justificativas, além de acrescentar que o transporte coletivo enfrenta dificuldades financeiras e operacionais.

Caso seja comprovado o vício de iniciativa por parte da Casa de Leis, Sandro afirma que “haveria necessidade de intervenção judicial provocado pelo Executivo Municipal”.

À reportagem, a Câmara Municipal disse que o projeto segue em tramitação para “conhecimento das Comissões Permanentes”, para que depois seja levado à votação no plenário. Porém, segundo informações obtidas pela reportagem, o projeto não foi à votação porque a Procuradoria Jurídica da Casa analisa a legalidade da iniciativa. Caso seja deliberada sua aprovação, o Fundo vai entrar em vigor dentro de 90 dias a partir de sua publicação.

Detalhes

Segundo o texto do projeto em tramitação na Câmara, a ideia é que o Fundo seja gerido por um Comitê Gestor, que será formado por representantes da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades) e da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), além de pessoas da sociedade civil ligadas ao tema.

Ao todo, as receitas do Fundo poderão ser provenientes de nove espaços diferentes, a maioria ligados a atividades e projetos públicos relacionados à mobilidade urbana e ao transporte público. Ademais, recursos oriundos dos executivos Municipal, estadual e federal também poderão compor a ferramenta.

O projeto prevê também que no final de cada trimestre, o comitê gestor seja responsável por emitir um relatório de gestão e aplicação de recursos, que deverá conter: a origem e destinação dos recursos; os projetos e ações financiados; os resultados obtidos e indicadores de desempenho; e o saldo financeiro e a execução orçamentária do Fundo.

Além disso, a movimentação financeira e as aplicações do Fundo deverão ser publicadas mensalmente no Portal da Transparência do Município.

A Casa de Leis ainda deixa claro que, caso o Fundo seja extinto, o “saldo remanescente será transferido ao Tesouro Municipal, após a quitação de todas as obrigações e compromissos assumidos”.

Crise

Na sexta-feira, o Consórcio Guaicurus, responsável pela administração do transporte público de Campo Grande desde 2012, anunciou que está em crise financeira, sob alegação de inadimplência do poder público acerca dos repasses, que beiram os R$ 35,8 milhões anuais (R$ 22,8 milhões do Município e R$ 13 milhões do Estado).

Segundo o comunicado da empresa, as consequências da suposta dívida serão o não pagamento dos direitos dos motoristas dos ônibus, já que os vencimentos de dezembro (salário, vale e 13º) devem atrasar.

Como informado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrios Freitas, ao Correio do Estado, essa situação do Consórcio pode colocar em risco a circulação do transporte público, já que uma paralisação está em debate pela categoria.

Na semana passada, o governo do Estado já havia dito que estava em dia com o acordado no convênio. Ontem, a Prefeitura retornou os contatos feitos pela reportagem e também disse que está adimplente com suas obrigações financeiras previstas no contrato, ou seja, contrariando a versão dada inicialmente pelo Consórcio. Além disso, prestou esclarecimentos sobre uma possível greve dos motoristas perante a situação.

“Em relação à possibilidade de interrupção dos serviços de transporte público, o Município não foi informado previamente sobre possível paralisação ou greve geral, estando tal movimento suscetível a sanções contratuais previstas”, afirma o Executivo Municipal em resposta enviada ao Correio do Estado.

Porém, em mais uma guerra de narrativas, o Consórcio Guaicurus informou que o valor da dívida a curto prazo do poder público é de R$ 13,2 milhões, o que corresponde a pouco mais de um terço do repasse total. Também, a empresa disse que R$ 7.215.313,96 desse montante “representam apenas a quantia mais recente e urgente da dívida pendente”.

Fonte: Correio do Estado

BNDES aprova R$ 200 milhões para a Eve, subsidiária da Embraer

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SÃO PAULO – A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de soluções para o mercado de Mobilidade Aérea Urbana (UAM), anunciou a aprovação de financiamento no valor de R$ 200 milhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O anúncio ocorreu na cerimônia de toque de campainha na B3, em São Paulo, em que comemora a listagem da companhia na Bolsa brasileira.

Segundo a companhia, os recursos serão aplicados na integração e o funcionamento dos motores elétricos da primeira aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL), bem como a preparação do veículo para a campanha de testes para a obtenção do certificado de tipo junto à ANAC.

O financiamento foi concedido pelo Programa BNDES Fundo Clima (Modalidade Indústria Verde) e do Finem Inovação (Linha Incentivada A), a nova operação contempla dois subcréditos – R$ 160 milhões do Fundo Clima e R$ 40 milhões de recursos do BNDES captados em moeda estrangeira – e tem prazo total de até 15 anos.

“Esse financiamento acelera uma etapa crítica do nosso programa: a integração do sistema de propulsão elétrica, que garantirá desempenho, segurança e confiabilidade à nossa primeira aeronave certificável. Agradecemos ao BNDES pela confiança e pelo apoio contínuo à nossa visão de transformar a mobilidade urbana com soluções eficientes e sustentáveis, desenvolvidas e industrializadas no Brasil”, disse CFO da Eve, Eduardo Couto.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a fabricação do eVTOL é uma inovação disruptiva no conceito de mobilidade urbana, “com um veículo que vai conectar os principais pontos das grandes cidades e regiões metropolitanas, com menor emissão de gases de efeito estufa que helicópteros e carros convencionais”.

Desde 2022, o BNDES já liberou mais de R$ 1,2 bilhão em financiamentos para a Eve, consolidando a base financeira da Empresa para levar o eVTOL à certificação e iniciar as operações comerciais, informou a companhia.

Fonte: Amazonas Atual

O estudo global que contesta queda da desigualdade no Brasil celebrada pelo governo Lula

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O Brasil está ficando ainda mais desigual ou, ao contrário, a distância entre ricos e pobres vem diminuindo?

Dois estudos recentes mostraram cenários opostos para essa questão, esquentando o debate entre economistas.

Um novo relatório sobre desigualdade global divulgado nesta quarta-feira (10/12), o World Inequality Report 2026, afirma que a renda concentrada no bolso dos mais ricos aumentou nos últimos anos no Brasil, tornando o país ligeiramente mais desigual entre 2014 e 2024.

Ainda segundo esse relatório, produzido por um amplo grupo de economistas, entre eles o francês Thomas Piketty, a desigualdade brasileira “permanece entre as mais altas do mundo”.

A conclusão entra em choque com uma nota técnica recém-divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que apontou que a desigualdade brasileira atingiu o menor nível em 30 anos em 2024.

Esse estudo mostrou também um importante aumento na renda dos mais pobres e a consequente redução da pobreza ao menor patamar em três décadas.

A publicação do Ipea foi celebrada por autoridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a receber no Palácio do Planalto a presidente do instituto, Luciana Servo, acompanhada dos autores da nota técnica: os pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher.

Houve, porém, controvérsia entre economistas. Os dados sobre a redução da pobreza são considerados corretos, mas o anúncio de que a desigualdade estaria em uma baixa histórica é alvo de questionamentos.

Para estudiosos do tema ouvidos pela BBC News Brasil, a metodologia usada pelo Ipea não mede com precisão a renda dos mais ricos — por isso, não seria a mais apropriada para calcular desigualdade.

Os próprios autores do estudo foram transparentes sobre isso e apontaram essas limitações ao publicarem os resultados. Ainda assim, a decisão de usar os dados, apesar desses problemas, gerou incompreensão entre os especialistas entrevistados.

Inclusive porque um dos autores, Pedro Herculano Souza, é um sociólogo premiado por seus estudos sobre desigualdade e já demonstrou, em pesquisas passadas com método diferente da nova do Ipea, números que contrariam a conclusão de que a concentração de renda estaria em queda no país.

Segundo essas pesquisas anteriores, a desigualdade ficou estável entre 2005 e 2014, período que, no novo estudo do Ipea, se deu queda expressiva da concentração de renda.

O estudo foi celebrado no Palácio do Planalto. A informação de que a desigualdade estaria no menor patamar em 30 anos passou a ser destacada por Lula e ministros do governo, como Gleisi Hoffmann, chefe da Secretaria de Relações Institucionais.

“Em julho, a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] confirmou que o Brasil saiu mais uma vez do mapa da fome. Na última semana, o IPEA divulgou que atingimos o menor nível de desigualdade da série histórica. E hoje, novos dados do IBGE mostram que mais de 8 milhões de pessoas saíram da pobreza”, postou Lula na rede social X, no dia 3 de dezembro.

“Resultados que se complementam, e mostram que o Brasil vive uma nova realidade, com mais oportunidades, melhora da renda e redução da desigualdade. E que apontam a direção correta de se governar: do lado do povo brasileiro”, continuou.

Apesar das controvérsias sobre os rumos da alta desigualdade brasileira, especialistas ouvidos pela reportagem reconhecem que o governo Lula tem adotado medidas para enfrentar o problema.

Entre elas, destacam a aprovação pelo Congresso da reforma do Imposto de Renda proposta pelo presidente, que vai, de um lado, isentar do IR todos que ganham até R$ 5 mil e, de outro, criar um novo imposto mínimo de até 10% para os que ganham a partir de R$ 50 mil por mês.

A diferenças entre o estudo do Ipea e o relatório internacional

Controvérsias metodológicas estão no cerne dos resultados tão divergentes dos dois novos estudos sobre desigualdade.

Enquanto a análise do Ipea é baseada apenas em dados de renda coletados em pesquisa pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o World Inequality Report 2026 usa esses dados associados a informações da Receita Federal, fonte considerada mais precisa para medir os rendimentos dos mais ricos por ter como base as declarações de Imposto de Renda feitas pela população.

Os números do IBGE analisados vêm da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Nesse tipo de levantamento, pesquisadores visitam os domicílios de uma amostra representativa da população e perguntam a renda das pessoas entrevistadas.

Com isso, estabelecem um panorama sobre como a renda se divide na população e como esses ganhos estão evoluindo ao longo do tempo.

Entre estudiosos da distribuição de renda, porém, é consenso que pesquisas domiciliares tendem a subestimar a renda das pessoas.

Essa subestimação não acontece apenas no topo da pirâmide, mas costuma ser mais significativa entre os ricos, cuja maior parte da renda não vem de salários, mas de investimentos e ganhos de capital (vendas de bens, por exemplo).

Os pesquisadores do Ipea reconhecem o problema. À reportagem, Pedro Souza disse que escolheu não usar dados da Receita Federal porque eles estavam menos atualizados que os do IBGE quando iniciou seu estudo.

“Nossa análise é inteiramente baseada em informações de pesquisas domiciliares, que possuem limitações importantes. No mundo todo, esse tipo de pesquisa enfrenta dificuldades para captar os rendimentos de trabalhadores por conta própria e empregadores, transferências da assistência social e, principalmente, rendimentos financeiros e do capital e outros rendimentos recebidos irregularmente”, diz a nota técnica do Ipea.

“No Brasil, a concentração de renda no topo é muito maior nos dados tributários e segue trajetória distinta da revelada pelas pesquisas domiciliares”, continua a publicação.

Segundo o economista Guilherme Klein, professor da Universidade de Leeds (Reino Unido), a subestimação da renda em levantamentos como a Pnad ocorre tanto porque os mais ricos tendem a informar nessas pesquisas rendimentos menores do que de fato possuem — seja intencionalmente, seja por não terem claro quais são seus ganhos — como pela dificuldade de acessar essas residências para entrevistar esse grupo, que muitas vezes vivem em domicílios mais protegidos.

Por isso, Klein considera “um problema” o estudo do Ipea trazer conclusões sobre desigualdade apenas baseado nos números da Pnad.

“Quando a gente fala de desigualdade, é fundamental a gente olhar para o topo, para o 1% mais rico, para o 0,1% mais rico, e a gente só consegue olhar para isso olhando os dados da Receita Federal”, defende.

“Quando você combina os dados da Pnad com os dados de Imposto de Renda, você tem uma visão melhor, mais consistente da desigualdade. Então, eu acho de fato que é um problema você não fazer isso e falar sobre desigualdade”, continuou Klein, que é também pesquisador associado do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP).

Segundo os números da Pnad analisados pelo Ipea, a renda média mensal por pessoa cresceu quase 70% no Brasil entre 1995 e 2024, passando de R$ 1.191, para R$ 2.015.

Com isso, a pobreza extrema caiu consideravelmente. Em 1995, um quarto da população estava nesse grupo. Trinta anos depois, a taxa caiu de 25% para 5%.

A melhora desses indicadores, aponta o Ipea, é reflexo da expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e do aumento da oferta de emprego.

Já o coeficiente de Gini (indicador que mede a desigualdade e varia de 0 a 100, sendo 100 a desigualdade máxima) recuou quase 18%, de 61,5 para 50,4, quando se analisam os dados da Pnad. É esse último dado que gera controvérsias.

Desigualdade no Brasil é a menor em 30 anos, diz Ipea

O que diz o World Inequality Report?

O World Inequality Report 2026 traz um amplo apanhado da desigualdade no mundo, mostrando a persistência da forte concentração de renda no planeta.

O relatório foi produzido pelo World Inequality Lab, um laboratório internacional de estudo da desigualdade, que tem o francês Thomas Piketty como um de seus diretores.

Piketty se projetou globalmente após a publicação do livro O Capital no Século XXI (2013), em que analisou historicamente a concentração de renda e riqueza em diferentes países.

No caso do Brasil, os dados analisados no novo relatório indicam que a renda concentrada pelos 10% mais ricos tem oscilado nos últimos anos, com tendência de alta.

O aumento mais significativo ocorreu durante a pandemia de coronavírus (2020/2021), momento em que grupos de maior renda conseguiram se proteger da turbulência econômica, enquanto os mais pobres foram mais prejudicados pela interrupção ou redução de diversas atividades.

Segundo esses dados, a fatia da renda nacional detida pelos 10% mais ricos subiu de 57,9% em 2014 para 59,9% em 2021. Depois disso, o percentual recuou para 59,1% em 2024, mas continuou acima do observado uma década antes.

No sentido inverso, a fatia da renda detida pelos 50% mais pobres caiu de 10,7% em 2014 para 8,2% em 2021, apresentando, depois, recuperação parcial e chegando a 9,3% em 2024.

Para medir a evolução da desigualdade, o relatório usa um indicador obtido ao dividir a fatia da renda dos 10% mais ricos pela fatia da renda dos 50% mais pobres.

Esse índice subiu de 53,7 para 63,5 entre 2014 e 2024, evidenciando o aumento da desigualdade. O ápice ocorreu em 2021, quando chegou a 73.

A BBC News Brasil questionou os economistas do World Inequality Lab, responsáveis pelo relatório, sobre a metodologia utilizada e as divergências em relação ao estudo do Ipea.

Na resposta enviada por meio da assessoria de imprensa, eles afirmam que estatísticas oficiais sobre desigualdade na América Latina, baseadas exclusivamente em pesquisas domiciliares, capturam apenas parte da renda nacional e subestimam a renda do capital (valores obtidos com investimentos ou vendas de propriedades, por exemplo).

“Isso cria uma percepção equivocada de sociedades que parecem ser mais pobres e menos desiguais. No World Inequality Lab, estamos trabalhando para corrigir esse viés”, disseram ainda.

“Nossas estimativas são construídas utilizando informações de pesquisas domiciliares, mas também de outras fontes das autoridades fiscais e das contas nacionais de cada país. Mesmo com premissas conservadoras, a desigualdade aumenta significativamente”, continuaram.

A resposta indica que os números brasileiros analisados no relatório juntam dados do IBGE, responsável pela Pnad e o cálculo das contas nacionais, e da Receita Federal, autoridade fiscal brasileira.

Os dados de declaração de Imposto de Renda, porém, só estão disponíveis até 2023 no Brasil, o que significa que os autores do World Inequality Report 2026 fizeram extrapolações matemáticas para estimar a distribuição de renda em 2024, usando dados da Pnad e projeções próprias para a renda dos mais ricos.

A reportagem pediu esclarecimentos sobre isso aos autores do estudo, por meio da assessoria de imprensa, mas não obteve retorno até a publicação.

Renda do topo subiu no Brasil após pandemia, aponta relatório global

Pesquisador do Ipea diz que optou por dados do IBGE por serem mais atualizados

A BBC News Brasil conversou sobre as críticas ao estudo do Ipea com um dos autores, o sociólogo Pedro Herculano de Souza, que é referência em estudos da desigualdade.

Seu doutorado nesse tema, realizado na Universidade de Brasília, ganhou o prêmio Capes de melhor tese em Sociologia em 2017. Dois anos depois, ele recebeu o prêmio Jabuti pelo livro “Uma História da Desigualdade: a Concentração de Renda entre os Ricos no Brasil – 1926-2013”.

Souza foi um dos primeiros a incorporar dados do Imposto de Renda na análise da desigualdade brasileira e, naquele momento, seus estudos chamaram atenção ao revelar que a desigualdade não havia recuado entre os anos 2005 e 2014, como apontavam estimativas anteriores, feitas apenas com base nas pesquisas domiciliares do IBGE.

O período foi marcado por forte crescimento econômico e redução da pobreza, mas a queda da desigualdade não se confirmou porque houve também alta relevante da renda dos mais ricos, captada pelas declarações de IR.

Até por isso, sua decisão de publicar agora uma nota técnica do Ipea baseada apenas nos dados de renda da Pnad causou surpresa entre estudiosos do tema.

À BBC News Brasil, Souza disse que optou por não usar dados do Imposto de Renda em sua análise porque não havia números atualizados.

Seu objetivo, contou, era entender a evolução da renda após a pandemia, mas quando iniciou o estudo, em março, só existiam dados tributários disponíveis até 2021.

Ao longo do ano, a Receita atualizou esses números até 2023.

Já a Pnad, pesquisa domiciliar do IBGE, é feita trimestralmente e tem atualização mais frequente, o que permitiu analisar a dinâmica da renda até 2024.

“Para mim, o processo científico normal é esse: você pega o melhor dado possível para o objetivo que você quer”, disse.

“No nosso caso, tinha uma demanda clara de saber a evolução [da pobreza e da desigualdade] de curto prazo, do pós-pandemia, porque acho que está pegando muita gente de surpresa, não só na questão de pobreza e desigualdade, mas no desempenho econômico, a própria manutenção do baixo desemprego e o comportamento da inflação”, disse ainda.

Embora seja um defensor do uso de dados tributários para estudos sobre desigualdade, Souza diz que os números da Receita Federal também devem ser vistos com cautela, pois, às vezes, mudanças na taxação de investimentos geram ajustes nas aplicações dos mais ricos que acabam gerando ganhos de renda extraordinários que distorcem a série histórica.

Na sua avaliação, o forte aumento da renda dos mais ricos captada nos dados do IR durante a pandemia ainda precisa ser mais bem esclarecido.

Além do aumento apontado pelo World Inequality Report, essa alta também foi identificada no estudo “Concentração de renda no Brasil: o que os dados do IRPF revelam?”, publicado em agostos pelo Fiscal Data, de autoria dos economistas Frederico Nascimento Dutra, Priscila Kaiser Monteiro e Sérgio Wulff Gobetti.

“É um aumento muito grande e num período muito curto. Eu não sei se está contaminado por alguma coisa temporária da pandemia, se isso é um problema das tabelas da Receita”, disse Souza à reportagem.

Além disso, o sociólogo defende que a Receita aperfeiçoe a divulgação dos dados tributários, que hoje ainda é feita de forma limitada e com restrições. Por exemplo, cita o pesquisador do Ipea, há dificuldade para identificar se a renda declarada é de uma pessoa apenas ou se envolve cônjuge e dependentes.

Ainda assim, ele diz que fará a análise dos dados tributários quando informações mais atuais forem disponibilizadas pela Receita.

“Se, em algum momento que a gente tiver os dados de IR mais recentes e conseguir construir uma série longa, as conclusões [sobre os rumos da desigualdade] mudem, a gente muda as conclusões, porque a gente vai atualizando as conclusões conforme as melhores informações e melhores métodos disponíveis. Estou muito curioso”, ressaltou.

Gráficos da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil

Fonte: BBC News Brasil

Após Fed e Copom, Brasil segue com 2º maior juro real do mundo; veja lista

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Copom manteve Selic em 15% ao ano, enquanto Fomc cortou a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,5% a 3,75%

As autoridades monetárias de Brasil e Estados Unidos redefiniram nesta quarta-feira (10) o patamar das respectivas taxas de juros. A “superquarta” não teve surpresas nas decisões, com o Copom mantendo por aqui a Selic em 15% ao ano e o Fomc reduzindo em 0,25 ponto percentual o intervalo nos EUA, para 3,5% a 3,75%.

Com isso, o Brasil segue como o 2º país de maior juro real do mundo – atrás apenas da Turquia, segundo levantamento realizado pela MoneYou e Lev Intelligence.

A taxa de juros real é o indicador que desconta do valor nominal os impactos da inflação.

Para o cálculo, foi considera a taxa de juros a mercado no vencimento mais líquido 12 meses à frente para o período e a inflação projetada para os 12 meses consecutivos, como referencial o último dado fornecido pelas autoridades econômicas de cada país.

Eis o ranking:

Fonte: CNN Brasil

Governo de SP orienta municípios com pesquisas de deslocamento para planejamento da mobilidade urbana

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Infográfico e cartilha produzidos pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos visam compartilhar conhecimento técnico e incentivar uso da ferramenta para elaboração de políticas públicas

A Secretaria dos Transportes Metropolitanos (STM) de São Paulo, por meio da sua Coordenadoria de Planejamento e Gestão (CPG), anuncia nesta segunda-feira (8) o lançamento de um infográfico e de uma cartilha orientativa sobre pesquisas de deslocamento. Os materiais foram desenvolvidos para auxiliar os municípios das regiões metropolitanas paulistas na compreensão e aplicação desta ferramenta essencial para o planejamento da mobilidade urbana.

A iniciativa busca compartilhar a vasta experiência acumulada pela STM e suas vinculadas, como o Metrô de São Paulo, ao longo de décadas na realização da Pesquisa Origem e Destino (OD). A cartilha e o infográfico oferecem uma visão acessível e atualizada sobre os fundamentos, as metodologias e, principalmente, as aplicações práticas da pesquisa, que funciona como um “raio-X da mobilidade”.

Esse modelo de pesquisa é um diagnóstico detalhado que revela como, por quê, quando e com quais meios de transporte as pessoas se deslocam. Ela coleta dados sobre o número e motivo das viagens, os modos de transporte utilizados, os horários, as origens e destinos dos deslocamentos, além do perfil socioeconômico da população. Essas informações são a base para o desenvolvimento de Planos de Mobilidade Urbana (PMUs), para o redesenho de linhas de transporte coletivo, para a projeção de demandas futuras e para a identificação de gargalos de infraestrutura.

“Compreender o cenário de forma ampla é fundamental para um bom planejamento de mobilidade”, afirma Epaminondas Duarte Junior, coordenador da CPG e responsável pelo projeto na STM. “Com esses materiais, queremos capacitar os gestores municipais para que saiam do campo da suposição e entrem no planejamento baseado em evidências, justificando tecnicamente investimentos e políticas públicas que melhorem a qualidade de vida da população.”

A cartilha aborda desde os componentes essenciais de uma pesquisa, como a entrevista domiciliar e a análise socioeconômica, até o planejamento técnico, incluindo a definição de zonas de tráfego, o dimensionamento da amostra e a coleta de dados. O material também explora metodologias complementares que utilizam tecnologias como dados de telefonia móvel e de aplicativos.

Deslocamento nas Regiões Metropolitanas

O lançamento desses materiais ocorre em um momento estratégico, em que a STM inicia uma rodada de pesquisas de deslocamento em todas as regiões metropolitanas do estado, começando pela Região Metropolitana de Jundiaí. Os dados coletados nessas pesquisas regionais são fundamentais para a elaboração do Plano Integrado de Transportes Urbanos (PITU), que orienta os investimentos e as políticas públicas de mobilidade para as próximas décadas. O objetivo da STM é atuar na articulação entre os municípios para promover a integração dos sistemas de transporte e construir soluções mais sustentáveis e eficientes.

O infográfico e a cartilha estão disponíveis para consulta e download gratuitos no site da STM.

Sobre a Secretaria dos Transportes Metropolitanos

A STM tem como missão a formulação de políticas públicas que assegurem a mobilidade urbana integrada, segura, acessível e sustentável para concretização do direito social do acesso ao transporte. A Pasta é referência no planejamento e na gestão do transporte metropolitano de passageiros que, diariamente, transporta cerca de 8,5 milhões de pessoas, na média dos dias úteis. Vinculadas à STM, estão a CPTM e o Metrô.

Fonte: Agência SP

Carta de Belém pela Eletromobilidade

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O transporte sustentável é mais uma oportunidade para o Brasil e a América Latina; o preço da hesitação nos obrigará, mais uma vez, a pagar o custo do atraso

Um dos documentos mais importantes divulgados na COP30 é a Carta de Belém pela Eletromobilidade. 

Assinada pela presidente da Eletra, Milena Braga Romano, é uma veemente defesa da mobilidade elétrica como a melhor estratégia de industrialização para o Brasil e para a América Latina, com amplo impacto econômico, social, ambiental e tecnológico.

A eletromobilidade – diz o documento – deve estar no “mapa do caminho” para o desenvolvimento econômico da América Latina, e não há mais tempo a perder.

O texto é um alerta para mais uma oportunidade que se abre ao Brasil e um chamamento à urgência das decisões por parte poderes públicos e das lideranças políticas e empresariais.

Ele cita um estudo da C40 (rede de cidades globais comprometidas com a mobilidade sustentável) para apoiar a eletrificação do transporte público, ressaltando que os ônibus elétricos “podem ser oportunidades de indústrias e representantes da América Latina se reposicionarem no contexto da chamada ‘neoindustrialização’, se transformando em produtoras e exportadoras de veículos mais modernos e de maior valor agregado”. 

E conclui: “ficaremos para trás se nada fizermos. Mas dá tempo. A hora é agora. Senão, o custo será alto demais: o custo do atraso”.

Principais trechos:

“Carta de Belém Pela Eletromobilidade como Estratégia Ambiental, Econômica e Social para a América Latina”

“A eletrificação dos transportes nas cidades é a verdadeira escolha que deve ser tomada pelas nações latino-americanas para atender aos três pilares básicos do que é sustentabilidade de fato: o social, econômico e ambiental. A Eletromobilidade na América Latina deve estar no ‘mapa do caminho’”. 

“Os biocombustíveis têm sua aplicação, que pode ser interessante, na área de transportes de médias e longas distâncias, como em caminhões pesados e ônibus rodoviários, neste momento. Mas jamais podem ser pretextos para não investir na expansão da Eletromobilidade, em especial para os deslocamentos urbanos e metropolitanos”. 

“Num país como o Brasil, parceiro no Mercosul e em outros acordos e tratados internacionais, onde a geração de energia elétrica é limpa em mais de 90% dos casos, deixar de aplicar esforços em ampliar a infraestrutura de distribuição, carregamento e frotas de ônibus, carros e caminhões de entrega elétricos é, no mínimo, uma decisão pouco inteligente”.

“O Brasil e demais nações parceiras na América Latina podem se tornar expoentes e assumirem posição de destaque no mundo como grandes exportadores de tecnologias, veículos, equipamentos e conhecimento”. 

“Sustentabilidade é atender a três pilares básicos. 

Meio Ambiente: Os ônibus, caminhões e carros elétricos não poluem em suas operações, e em nações com fontes renováveis e limpas de geração de energia deixam o ciclo ainda mais vantajoso. 

Econômico: Operar ônibus, caminhões e carros elétricos se mostrou vantajoso e vai ser ainda mais, com o barateamento dos veículos e baterias. A manutenção é mais simples, mais barata e gera menos impactos, com menos óleos, lubrificantes e fluidos, que deixam de ser descartados no meio ambiente. 

Social: Nesse aspecto, a indústria brasileira e dos demais parceiros na América Latina ganham de lavada. Afinal, com a produção local de ônibus, caminhões e carros elétricos, bem como de toda sua cadeia de equipamentos, suprimentos, conhecimento e serviços, geramos empregos e rendas aqui”. 

“Geramos arrecadação para o Poder Público investir no Social. E exportamos, gerando para o Brasil e demais parceiros receitas globais, embarcando não apenas produtos latinos, mas produtos da América Latina de ponta e de alto valor agregado. Atendemos o que as cidades precisam: um transporte mais confortável, eficiente e que não só desloque as pessoas, mas faça o cidadão se sentir bem, prestigiado”. 

“Ônibus modernos, sem poluição, com quase nada de trepidação e barulho, não só conquistam demanda para os transportes, mas conquistam corações. O veículo elétrico vai além de não poluir. Ele atende a saúde, a preservação da Vida Humana”. 

“Contra fatos não há argumentos. A Eletromobilidade é a estratégia em vários aspectos. A América Latina tem sido invadida por produtos elétricos não adequados às realidades das cidades dos países da região porque tais veículos e equipamentos ganham em preços, frutos de políticas agressivas de subvenções de seus países de origem”. 

“Estamos perdendo a oportunidade, ficaremos para trás se nada fizermos. Mas dá tempo. A hora é agora. Senão, o custo será alto demais: o custo do atraso”.

Íntegra: Confira

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Ciclone extratropical: fenômenos ‘devastadores’ no Brasil são culpa das mudanças climáticas?

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A passagem de um ciclone extratropical pelo sul do Brasil tem gerado chuvas intensas e vendavais pelo país, provocando estragos em diversas regiões, principalmente no Centro-Sul.

Três mortes foram registradas na cidade de Palhoça, em Santa Catarina, que nas últimas 24 horas registrou um acúmulo de chuva de 137 mm, de acordo com o MetSul.

Meteorologistas consideram o ciclone de “altíssimo risco”, com previsão de rajadas de vento que podem chegar a 120km/h.

Para climatologistas ouvidos pela BBC News Brasil, por mais que a ocorrência de ciclones seja comum no hemisfério sul, não há como negar o impacto das mudanças climáticas em eventos intensos como esse.

“Não é incomum ter um ciclone esta época do ano, o que é incomum é a intensidade que estamos vendo. E os estudos indicam que esse cenário é uma tendência do aquecimento global”, afirma o climatologista José Marengo, que coordena o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Nos últimos anos, diversos ciclones foram registrados no Brasil, muitos com chuvas intensas, rajadas de vento, principalmente na região sul.

O mais recente foi registrado em novembro, ocasionando a formação de um tornado que atingiu o Paraná e destruiu 90% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no interior do estado.

Seis pessoas morreram e mais de mil moradores ficaram desalojados. Os ventos chegaram a 250km/h.

Segundo Franscisco Aquino, climatologista e professor da UFRGS, nem todo evento meteorológico é resultado das mudanças do clima, mas a frequência e a intensidade dos ciclones extratropicais aumentou nas últimas décadas no hemisfério sul.

Ele avalia que há uma relação direta entre os efeitos dessas mudanças, sobretudo na Antártica, e o aumento de ciclones que atingiram o Brasil desde setembro.

Aquino explica que, neste ano, a Antártica registrou baixa extensão de gelo marinho, tanto no verão quanto no inverno.

Essa redução de gelo coloca a oscilação Antártica em fase negativa, empurrando o cinturão de ciclones extratropicais para o sul do Brasil, o que explica essa sequência incomum de tempestades e eventos extremos.

“Como a atmosfera está mais quente, e o planeta segue em mudança climática, não tem como entender que não há uma combinação desses fatores, nesse caso reduzindo o gelo marinho, deixando a fase negativa no sul, e permitindo a formação de ciclones mais intensos”, afirma.

‘Ciclones-bombas’

O ciclone que atinge o sul do Brasil é apontado por meteorologistas como um evento atípico esta época do ano pela combinação de vários fatores, entre eles a pressão excepcionalmente baixa e sua intensidade.

É esperado que ele alcance um valor mínimo de pressão atmosférica abaixo de 1000 hPa (hectopascal), valores considerados “excepcionalmente baixos e raríssimos”.

Enver Gutierrez, pesquisador e Chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explica que as ondulações de jatos — correntes de ventos que ficam na parte superior da atmosfera e são responsáveis por organizar o clima do planeta — registradas nesse ciclone foram muito intensas, algo que é comum no inverno, e não na primavera.

Com isso, os ventos se projetaram para as camadas de baixo, contribuindo para a intensificação do ciclone.

Segundo ele, essas características são apontadas em estudos como possíveis efeitos de mudanças climáticas.

“Estudos desses cenários de aquecimento global indicam que os ciclones estariam mais intensos, e nesse caso, foi registrada uma ondulação bem intensa, o que corrobora com esses estudos”, declarou.

Marengo acrescenta que tem-se observado no Brasil uma tendência na formação de ciclones chamados “ciclones-bombas”, com ventos intensos, aproximação do continente.

A frequência desses eventos costuma ser associada ao aquecimento da temperatura.

Apesar de pontuar que ainda é cedo para classificar como “ciclone-bomba” o sistema que atualmente atravessa o Rio Grande do Sul, Marengo afirma que não há dúvidas de que ele seja um “ciclone intenso, com alta probabilidade de desastres”.

Especialistas alertam que esses ‘ciclones devastadores’ tendem a se intensificar cada vez mais se seus impactos não forem suavizados.

Isso engloba ter uma agenda focada nas mudanças do clima, com soluções baseadas na natureza, para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, mas também uma estrutura voltada para a população, argumenta Aquino.

“Neste momento é preciso aumentar a estrutura da Defesa Civil, criar alertas antecipados, criar métodos para melhorar a comunicação e permitir que as pessoas possam se informar dos riscos e se proteger. É muito importante que a população esteja atenta a alertas no smartphone, à previsão do tempo. Só assim conseguimos reduzir impactos.”

Fonte: BBC News

Vendaval histórico atinge SP sem chuva e se prolonga por mais de 12 horas; rajada chega a 98,1 km/h

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Rajadas de vento acima de 75 km/h começaram por volta das 9h de quarta e seguiram até a noite; Inmet diz que é a primeira vez que a capital paulista registra ventos tão fortes sem chuva ou temporal.

A cidade de São Paulo enfrentou uma ventania considerada inédita pelos meteorologistas: é a primeira vez que rajadas tão fortes atingem a capital sem a presença de chuva ou temporais. O vento começou ainda pela manhã da quarta-feira (10) e seguiu intenso até a noite, algo que também chamou a atenção do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com meteorologistas, a longa duração do vendaval surpreende especialistas e não tem precedentes na capital paulista.

Em outras ocasiões em que a capital registrou ventos tão fortes — como em setembro, quando o Campo de Marte marcou 98,2 km/h — a cidade enfrentava temporais. Desta vez, porém, o céu permaneceu firme, com sol entre nuvens e nenhum sinal de chuva, o que aumenta o caráter incomum do evento.

Desde as 9h, na quarta, as rajadas ultrapassaram 75 km/h em diversos bairros. No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Inmet registrou ventos de 80 km/h. A maior rajada do dia foi registrada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) na Lapa, Zona Oeste, e chegou a 98,1 km/h.

Os ventos fortes deixaram um rastro de destruição na capital e região metropolitana de São Paulo: mais de 2 milhões de imóveis sem luz, queda de 151 árvores, fechamento de parques, voos cancelados e até consultas em hospital precisaram ser canceladas.

O responsável pelo vendaval é um ciclone extratropical que atua no litoral do Rio Grande do Sul. Embora longe de São Paulo, o sistema tem grande área de influência — e por isso ventou tanto na cidade, segundo meteorologistas.

“É um ciclone muito amplo. Mesmo distante, sua circulação gera ventos fortes em boa parte do Sul e Sudeste”, explicou o Inmet à TV Globo.

A expectativa é que o ciclone se afaste gradualmente para o mar durante esta quinta (11), reduzindo a força do vento.

Veja lista de maiores rajadas de vento até as 14h desta quarta, segundo a Defesa Civil:

  • 98,1 km/h — Lapa, às 12h40;
  • 96,3 km/h — Aeroporto de Congonhas, às 12h;
  • 81,2 km/h — Santana, às 12h50;
  • 79,6 km/h — Aeroporto Campo de Marte, às 13h.

Previsão do tempo

Segundo a Climatempo, a previsão para os próximos dias é:

Quinta (11)

  • Rajadas: até 70 km/h
  • Temperaturas: de 19°C (mínima) a 30°C (máxima)
  • Grande SP, litoral e Vale do Paraíba ainda podem ter ventos fortes

Sexta (12)

  • Ventos mais fracos
  • Temperaturas: de 19°C a 31°C
  • Previsão de chuva à tarde ou à noite

Sábado (13)

  • Temperaturas: de 20°C a 26°C
  • Chuva prevista, que pode ser forte

Domingo (14)

  • Temperaturas: de 20°C a 25°C
  • Chuva ao longo do dia

Mudança de padrão

Segundo Cesar Soares, meteorologista do Climatempo, os dados confirmam uma mudança de padrão climático na região metropolitana de São Paulo.

“Essas rajadas de vento que antes eram valores inusitados, extremos, vão passar a ser frequentes. Com mais energia na atmosfera, mais aquecimento e mais calor retido, a gente terá condições cada vez mais severas e intensas”, disse Soares.

O especialista explica que, nos anos 2000, linhas de instabilidade capazes de provocar ventos tão fortes eram raras, mas passaram a se repetir anualmente.

“Agora a gente está vendo com frequência. Está acontecendo pelo menos uma ou duas vezes ao longo de cada ano. Os últimos anos têm registrado rajadas cada vez mais intensas”, afirmou.

Escala de Beaufort

Pela Escala de Beaufort, que classifica a intensidade dos ventos, os danos ocorridos na Grande São Paulo nos últimos anos indicam a categoria 10 e 11, ou seja, com ventos entre 89 km/h a 117 km/h.

Criada há mais de 200 anos para facilitar a navegação marítima, a escala vai de 0, que representa ventos calmos, quase sem movimento, com fumaça subindo verticalmente a 12, que correspondem a furacões.

A partir de 10 na escala já é considerado uma tempestade. Nessas circunstâncias, há estragos em construções e árvores, além de mar extremamente turbulento.

Com rajadas cada vez mais frequentes e intensas, São Paulo já registra episódios que se aproximam das categorias mais altas da Escala de Beaufort — criada há mais de 200 anos para orientar navegadores e que hoje ajuda a dimensionar o impacto de ventos que, em terra firme, estão se tornando parte da rotina dos paulistas.

Fonte: G1