Um dos benefícios seria apontar as rotas frequentes, nos horários em que são mais utilizadas, para um passageiro ir a seu local de trabalho. Foto: Getty Images
“Adoção da MaaS passou a ser discutida entre governos, operadores e outros componentes do ecossistema de transporte.”
O conceito de mobilidade como um serviço (MaaS, na sigla em inglês) é claro: uma plataforma unificada, com diversas opções de transporte, com foco no passageiro. Cada pessoa escolhe o modal ou a combinação de modais que vai utilizar de acordo com a sua necessidade. Assim, a mobilidade é oferecida, de fato, como um serviço.
Essa ideia vem se popularizando, e a adoção da MaaS passou ser discutida entre governos, operadores e outros componentes do ecossistema de transporte. Tanto que acredito já ser possível propor um próximo passo no debate, e explorar uma MaaS personalizada. Em especial, no transporte coletivo, que deve oferecer uma experiência cada vez mais adaptada aos requisitos individuais e momentâneos de cada passageiro.
Tecnologia é aliada na personalização
Ainda sem entrar na opção do transporte público sob demanda, é importante refletir: como o transporte coletivo pode entregar algo personalizado e individual? Os cronogramas e itinerários (ainda) são fixos e regulares. Os veículos também são, praticamente, os mesmos, em qualquer lugar do mundo.
Vejo a resposta na tecnologia. Por ser mais adaptável e veloz do que uma transformação estrutural no transporte, a tecnologia pode atender, mais facilmente, a essa prerrogativa da MaaS de colocar o usuário no centro. Por exemplo, apontar as rotas frequentes, nos horários em que são mais utilizadas, para um passageiro ir a seu local de trabalho ou, ainda, informar, de antemão, qual a viagem de retorno ideal ao ponto de partida em um trajeto – duas funções que foram adicionadas ao Moovit, recentemente.
Um próximo passo para essa funcionalidade pessoal será cruzar informações com dados de congestionamento, por exemplo, e sugerir rotas que sejam mais rápidas ou mais eficientes para chegar a destinos comumente usados. Ou, ainda, checar dados meteorológicos e sugerir outras opções de mobilidade e de trajeto. Por que não indicar uma caminhada, bicicleta ou patinete compartilhados para percorrer uma distância curta em um dia de clima agradável?
Esses benefícios são direcionados ao passageiro, mas uma personalização pela tecnologia, também, beneficia os operadores. Primeiro, por fidelizar o cliente, ao apresentar mais e melhores opções que atendam ao que é desejado. E por reforçar a confiabilidade no sistema de transporte ao mostrar sua previsibilidade. E, por detalhar a integração de modais que a MaaS propõe, trazendo mais passageiros de diferentes serviços ao seu modal.
Produtos e serviços
Outro aspecto de personalização que já começa a ser explorado é a oferta de produtos e serviços na rota do usuário, mais uma vez, usando a tecnologia como conexão. Com o objetivo de aprimorar a experiência, lojas, restaurantes, cafés e demais empreendimentos no seu itinerário podem ter seus produtos e serviços anunciados no aplicativo, usando a localização do usuário como base.
Isso beneficia negócios nas estações e nos terminais nas proximidades, podendo ampliar a receita dos estabelecimentos e trazer mais comodidade aos passageiros.
Esses são exemplos simples, mas que dão uma amostra de como a tecnologia pode ampliar a personalização no transporte coletivo e fazer com que cada passageiro tenha uma experiência mais pessoal.
Evento programado para maio propõe análise de questões estratégicas para o desenvolvimento do transporte de passageiros sobre trilhos em todo o País
Visando discutir o futuro da mobilidade urbana sobre trilhos, o Fórum de Mobilidade ANPTrilhos, evento da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos, reunirá no dia 24 de maio representantes do novo governo federal, dos governos estaduais, formadores de opinião e convidados, em Brasília (DF).
“O Fórum de Mobilidade será uma grande oportunidade do setor metroferroviário apresentar e debater suas propostas para o desenvolvimento da mobilidade urbana sobre trilhos com o novo governo, contribuindo para o aprimoramento do transporte público brasileiro”, ressalta Roberta Marchesi, Diretora Executiva da ANPTrilhos.
Programação
Com uma programação que aborda temas transversais e estratégicos para a realidade do País, a programação do Fórum de Mobilidade abordará o desenvolvimento do transporte metroferroviário urbano, a retomada dos trens regionais de passageiros, autoridade metropolitana de transporte, avanço dos projetos e a atração de investimentos.
Entre os temas a serem debatidos estão a importância do transporte sobre trilhos para a mobilidade dos brasileiros, os desafios a serem enfrentados e a necessidade de reestruturação do marco regulatório e da adoção de uma nova política de financiamento do transporte público.
Outra questão abordada será o impacto do transporte regional de passageiros no desenvolvimento da mobilidade, geração de emprego e renda, investimentos e aquecimento da indústria nacional.
O Fórum de Mobilidade proporá o debate sobre a autoridade metropolitana de transporte como agente de desenvolvimento da mobilidade estruturante, considerando o resgate do planejamento de longo prazo, dos investimentos continuados e da integração modal e, também, sobre o avanço da rede de atendimento de transporte e a ampliação da cadeia de fornecedores.
“O evento será uma contribuição para a aproximação dos entes governamentais e do setor na oportunidade de pautar as principais necessidades para o desenvolvimento do transporte metroferroviário brasileiro”, avalia Joubert Flores, Presidente do Conselho da ANPTrilhos.
A última edição do Fórum de Mobilidade foi realizada em 2018 e contou com a participação de mais de 400 pessoas, entre presidenciáveis, ministros, governadores, secretários, iniciativa privada e representantes do setor, que se uniram para debater novas propostas. Com mais de 150 jornalistas presentes, o evento marcou as discussões presidenciais para a área de mobilidade urbana no Brasil.
A capital baiana irá sediar, na próxima semana, uma série de eventos de âmbito nacional na área de Mobilidade Urbana. A abertura ocorrerá durante a 113ª Edição do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, a ser realizada na próxima segunda-feira (21), no Wish Hotel da Bahia, no Campo Grande. O encontro, promovido pela Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), em parceria com a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), vai reunir gestores e técnicos da área de todo o país, com o objetivo de trocar experiências e buscar novas soluções para a mobilidade nos centros urbanos.
O evento terá a participação do secretário de mobilidade de Salvador, Fabrizzio Muller, além dos gestores de mobilidade de diversas cidades brasileiras. Muller, que também é vice-presidente geral do Fórum, irá apresentar as ações realizadas em Salvador para melhoria da mobilidade urbana, com destaque especial para a aquisição de ônibus elétricos para a operação do BRT. Salvador também será a primeira capital do nordeste a implantar um terminal de eletrocarga, com capacidade para carregar até 40 veículos por vez, o maior do Brasil.
O evento terá ainda apresentações de autoridades de outros estados como Sergipe, São Paulo, Goiás e Paraná, e de representantes de instituições parceiras reconhecidas internacionalmente na área de mobilidade urbana, como a WRI, TUMI e GIZ. Entre os temas que serão discutidos durante o Fórum estão a gratuidade para idosos, a regulamentação dos aplicativos de transporte de passageiros, e a proposta do projeto de lei para criação do Marco Legal do Transporte Público.
“O Fórum será a abertura de um grande encontro de mobilidade, que reunirá técnicos de diversos setores buscando fomentar, cada vez mais, a melhoria da mobilidade urbana em todo país através da troca de conhecimento”, pontua o secretário da Semob, Fabrizzio Muller. “É Salvador confirmando seu protagonismo tanto na temática da mobilidade urbana, como também na recém-chegada eletromobilidade, que assegura, mais uma vez, o compromisso da cidade com a redução de emissões de gases e cumprimento de suas metas definidas ao longo dos últimos anos”, complementa.
Reuniões técnicas – Além do Fórum Nacional de Mobilidade, outras reuniões serão realizadas com as equipes técnicas da área. Em paralelo ao Fórum, também na próxima segunda-feira (21), acontece o TUMI Day. O evento será realizado pela Iniciativa de Mobilidade Urbana Transformativa (TUMI), e reunirá representantes das cinco cidades brasileiras escolhidas pela iniciativa para receber apoio técnico para a implantação de ônibus elétricos na operação de transporte.
Durante o encontro, temas como modelos de negócios, financiamentos, estruturas necessárias e metas de sustentabilidade serão apresentadas e debatidas por técnicos da área de mobilidade. Já na terça e quarta-feira (22 e 23) acontecem as reuniões do grupo Qualionibus, nas quais várias cidades e entidades que se reúnem para discutir diversas temáticas a respeito do transporte coletivo, tais como combate ao assédio sexual, financiamento, mobilidade e gênero, entre outros. O grupo fará também uma visita técnica ao BRT, onde poderá conhecer o local onde será implantado o Eletroterminal de Salvador, além de visitar o Centro de Controle Operacional (CCO) do BRT, um dos mais modernos do país.
Índice divulgado pelo Banco Mundial considera o estado atual da transformação digital de serviços públicos em 198 países
Brasil foi reconhecido pelo Banco Mundial como o segundo país do mundo com a mais alta maturidade em governo digital. A avaliação é resultado do GovTech Maturity Index 2022, índice divulgado, que considera o estado atual da transformação digital do serviço público em 198 economias globais. O Brasil teve o maior avanço entre as nações avaliadas, subindo cinco posições em relação ao ranking divulgado em 2021, passando do sétimo para o segundo lugar e tornando-se líder em governo digital no Ocidente.
O país vem se destacando mundialmente na oferta de serviços públicos digitais por meio da plataforma GOV.BR, que já conta com 140 milhões de usuários – o que equivale a 80% da população brasileira acima de 18 anos. O GOV.BR permite o acesso com senha única a milhares de serviços digitais e facilita a obtenção de informações e o relacionamento do cidadão com o governo.
Por intermédio do GOV.BR, serviços de forte impacto econômico-social passaram a ser acessados pelos cidadãos de forma mais fácil, ágil e cômoda. Entre eles estão as Carteiras Digitais de Trânsito e de Trabalho, Abono Salarial, Certificado de Vacinação, Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), além do Valores a Receber, do Banco Central. O uso de um único login e senha para acesso aos serviços digitais é considerado um dos grandes avanços do país.
“O estudo do Banco Mundial é muito importante para entendermos as tendências mundiais em governo digital e para demonstrar o protagonismo mundial que o Brasil assumiu nessa área”, destaca o secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Leonardo Sultani. “Tal reconhecimento é resultado da execução primorosa de uma estratégia bem planejada, materializada na plataforma GOV.BR, que colocou o cidadão no centro da atuação governamental, utilizando-se de tecnologia para garantir o pleno exercício de sua cidadania”, complementa o secretário de Governo Digital, Fernando Coelho Mitkiewicz.
“A transformação digital é um trabalho invisível, mas é a melhor e mais eficiente ferramenta de transformação econômica e social que qualquer governo pode deixar para os cidadãos. O digital inclui as pessoas na economia, melhora o ambiente de negócios, e consequentemente, aprimora a democracia. E por acreditar que a transformação digital é irreversível, trabalhamos arduamente para elevar o Brasil a uma grande potência digital”, apontou o presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), Gileno Gujão Barreto. O Serpro é a maior empresa pública de tecnologia e atua como braço do governo na transformação digital.
O Banco Mundial também identificou como evoluções do Brasil em governo digital a oferta para a população da declaração pré-preenchida do imposto de renda por meio da conta GOV.BR; o maior engajamento dos cidadãos na avaliação dos serviços, com a criação da plataforma de feedback; o incentivo à atuação das startups Govtechs na transformação digital do país; a criação de páginas específicas no GOV.BR com serviços digitais de Seguridade Social e Trabalho e Emprego; além de avanços na interoperabilidade dos sistemas governamentais centrais.
O ranking dos dez líderes em governo digital do mundo traz a Coreia do Sul em primeiro lugar, seguida por Brasil, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Estônia, França, Índia, Lituânia, Mongólia e Rússia.
Como é feita a avaliação?
O Índice GovTech Maturity Index 2022 do Banco Mundial avaliou 198 economias globais com a média simples das pontuações de quatro componentes: Índice de Sistemas Governamentais Centrais, Índice de Prestação de Serviços Públicos, Índice de Engajamento do Cidadão e Índice de Habilitadores GovTech. O Brasil se destacou no grupo das nações com maiores índices de maturidade. Ao todo, o índice utiliza 48 indicadores-chave para medir essas quatro áreas de governo digital.
O Índice de Sistemas Governamentais Centrais mede aspectos relativos à articulação sistêmica de governo, e o Índice de Prestação de Serviços Públicos avalia portais on-line, serviços de atendimento eletrônico e recursos de pagamento eletrônico, entre outros. Já o Índice de Engajamento do Cidadão mede a participação pública, o feedback dos cidadãos e os portais de dados abertos. Por fim, o Índice de Habilitadores GovTech considera estratégia, instituições, regulamentos, habilidades digitais e programas de inovação.
As notas em cada indicador variam de 0 a 1 e, dependendo do resultado comparado com os números globais, os países são classificados em grupos de acordo com a maturidade: muito alta, alta, média e baixa. O Brasil teve seu desempenho considerado como “muito alto” nos quatro componentes avaliados.
A cidade de Curitiba (PR) foi a 1ª colocada do Ranking Connected Smart Cities 2022, o Selo Connected Smart Cities foi uma grande novidade e os diversos temas das palestras do evento atraíram atenção do público para a busca de melhorias e soluções para as cidades brasileiras
O Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP), recebeu a 8ª edição do Connected Smart Cities, que ocorreu nos dias 4, 5 e 6 de outubro de 2022, sendo os dois primeiros dias presencialmente, e o último dia de forma online. Os eventos de Abertura e Apresentação do Ranking Connected Smart Cities & Mobility 2022, no primeiro dia do CSC 2022, também contaram com transmissão ao vivo pelo Youtube, e você pode ver novamente.
A edição 2022 do Ranking Connected Smart Cities, principal iniciativa do setor de cidades inteligentes do Brasil, destacou as cidades mais inteligentes e conectadas do País. A vencedora da edição 2022 foi a cidade de Curitiba (PR), que foi seguida pelas cidades de Florianópolis (SC) e São Paulo (SP), ocupando o 2º e o 3º lugar, respectivamente. Você pode acompanhar os resultados completos do Ranking CSC 2022 clicando aqui. Além disso, publicamos um texto destacando os primeiros colocados da edição 2022, tanto de forma geral quanto pelos 11 eixos temáticos abordados: indicadores de mobilidade, urbanismo, meio ambiente, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, governança e energia.
Imagem: Thomaz Assumpção e Willian Rigon na Abertura do Connected Smart Cities 2022
E os vencedores por eixo temático foram: Curitiba (PR), na categoria Empreendedorismo; Santos (SP) em Urbanismo; São Paulo (SP) em Mobilidade e Acessibilidade; Meio Ambiente foi para Balneário Camboriú (SC); Economia: São Paulo (SP); Tecnologia e Inovação: Fortaleza (CE); Saúde: Belo Horizonte (MG); Educação: São Caetano do Sul (SP); Segurança: São Caetano do Sul (SP); e Governança foi vencida por Balneário Camboriú (SC).
Selo Connected Smart Cities
Já no dia 5 de outubro, segundo dia do evento, foi apresentada ao público a grande novidade da edição 2022 do Connected Smart Cities, o Selo Connected Smart Cities, que visa incentivar o desenvolvimento e reconhecer as boas práticas em cidades inteligentes.
A premiação do Selo ocorreu nos seguintes níveis: Ouro, Prata, Bronze e Aspiracional. As cidades vencedoras foram: Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Santos (SP), São Paulo (SP) e Recife (PE), no nível Ouro; Mogi das Cruzes (SP), Tubarão (SC) e Goiânia (GO), no nível Prata; Campo grande (MS), Niterói (RJ), Caxias do Sul (RS), Foz do Iguaçu (PR), Jundiaí (SP), São Caetano do Sul (SP), Osasco (SP), São Luís (MA), Lucas do Rio Verde (MT) e Blumenau (SC), no nível Bronze; Primavera do Leste (MT), Pato Branco (PR), Quatro Barras (PR), Amargosa (BA), Suzano (SP), Rio Branco (PR), Jaguariúna (SP) e Palhoça (SC), no nível Aspiracional.
Imagem: Entrega do Selo Connected Smart Cities à Prefeitura de São Luís (MA)
Painéis Connected Smart Cities e Air Connected
Variados assuntos foram abordados durante os 3 dias de evento nos painéis do Connected Smart Cities 2022 e Air Connected pelos mais de 320 painelistas convidados, que realizaram apresentações em 77 painéis, nos 12 palcos simultâneos, para um público de quase 3.300 participantes do evento, incluindo profissionais, representantes de governos, parceiros, empresas, autoridades, entidades e o público em geral, que prestigiou as atrações. Além disso, o evento também teve 53 patrocinadores e expositores, além de mais de 170 rodas de negócios agendadas, onde foi possível debater sobre diversos temas e apresentar soluções entre empresas, municípios e demais atores do setor.
Os 12 painéis, divididos entre Connected Smart Cities e Air Connected, envolveram e debateram temas para o desenvolvimento de cidades inteligentes, buscando o melhor para a população e cidades brasileiras. E para ficar ainda mais interativo e tendo sinergia com o público, em cada palco era possível que o público enviasse suas dúvidas que foram respondidas pelos palestrantes integrantes de cada palco.
Imagem: André Cruz em painel do Air Connected 2022
Imagem: Paulo Takito em painel do Connected Smart Cities 2022
Realmente foi um evento incrível. E não se esqueça, a edição 2023 do Connected Smart Cities já tem data e local definidos: 4 e 5 de setembro, novamente no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP). Acompanhe as redes sociais do Connected Smart Cities e da Urban Systems para saber mais informações. Até lá!
Acesse aqui o relatório completo do Ranking Connected Smart Cities 2022.
Consulte também o Portal Urban Systems elaborado para o Connected Smart Cities, trazendo todos os nossos conteúdos, serviços e soluções para auxiliar no desenvolvimento de cidades mais inteligentes, clicando aqui.
Os resultados do Ranking CSC, por eixos, região, porte de cidade e por estado, podem ser consultados diretamente na plataforma online e este ano é possível comparar a evolução das cidades entre 2021 e 2022, confira aqui.
De forma inédita, Banco será carbono neutro até 2050. Instituição é a primeira a fazê-lo entre seus pares mundiais
De forma inédita entre os bancos de desenvolvimento do mundo, o BNDES divulgou na COP27 um documento com seus compromissos para o clima. Em alinhamento com a Nationally Determined Contributions (NDC – em português Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira, o BNDES assume o compromisso de ser neutro em carbono até 2050, considerando os escopos 1, 2 e 3 de seu inventário de emissões. O Banco é o primeiro a fazê-lo entre os bancos de desenvolvimento internacionais e de forma abrangente a todas as operações.
Para assumir este compromisso, o BNDES está divulgando o documento “Clima e desenvolvimento – A contribuição do BNDES para uma transição justa”, no qual o Banco organiza as ações, aprovadas no planejamento estratégico do banco, que estão sendo e serão tomadas para alcançar, além da neutralidade em carbono até 2050, o banco se compromete a neutralizar as emissões nos escopos 1, 2 e as relacionadas a viagens a negócios e deslocamento de funcionários (casa-trabalho) a partir de 2025; finalizar o inventário das emissões financiadas do escopo 3 para as demais carteiras do BNDES; definir, em 2023, metas de neutralidade para as carteiras de crédito direto, indireto e renda variável; definir, em 2023, metas de engajamento para acelerar a transição dos seus clientes para a neutralidade em carbono; e incorporar, em 2023, a contabilização de carbono nos processos de aprovação de apoio a novos projetos.
“O mais importante é a abrangência destes compromissos. Eles serão contabilizados para todos os negócios do banco, incluindo a carteira de crédito direto, indireto e participações acionárias. O BNDES será neutro em carbono em todas suas operações até 2050. Além disso, até o fim de 2023, todos os novos projetos terão seus inventários de emissões detalhados e oportunamente serão neutralizados”, explica Bruno Aranha, diretor de Crédito Produtivo e Sociambiental.
As contribuições do BNDES para clima e desenvolvimento são alinhadas à estratégia climática nacional. O Banco atua na mitigação, já com resultado nos mais diversos setores, como energia, logística e mobilidade urbana, mudanças de uso da terra e florestas (MUTF), agropecuária, indústria e saneamento, além de também estimular o crédito à adaptação.
O documento contou com o apoio técnico da WayCarbon, empresa de base tecnológica e consultoria estratégica com foco exclusivo em sustentabilidade e mudança do clima, apoio esse viabilizado por meio de uma parceria do BNDES com o UK Pact (Governo Britânico). “As instituições financeiras possuem responsabilidade de contribuir com a justiça climática, analisando também quais os riscos climáticos dos projetos financiados e, consequentemente, seu impacto no respectivo território”, avalia Laura Albuquerque, gerente sênior de Consultoria na WayCarbon. “Esse projeto com BNDES deve se tornar referência mundial em transição climática justa pelo engajamento das empresas da carteira de crédito direta e definição de metas e estratégias de transição para o net-zero, além da mobilização de agentes financeiros, públicos e privados, para apresentação de inventário de emissões de GEE e promoção de práticas de mitigação e adaptação dos efeitos das mudanças climáticas, com produtos que incentivem investimentos associados”, complementa a executiva.
Segundo o documento “para alcançar esses compromissos de transição climática, foram traçadas ainda estratégias transversais e estratégias específicas aos setores-chave. As estratégias transversais incluem a busca do engajamento das empresas e instituições financeiras repassadoras dos recursos do BNDES, tanto em relação à elaboração de inventários de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE), quanto à definição de metas e estratégias de transição para neutralidade de emissões e incorporação de boas práticas relativas a clima. Preveem ainda a oferta de produtos financeiros que promovam investimentos em transição e resiliência climática e o avanço na incorporação de inventariado de emissões e de aspectos climáticos na estruturação de projetos de infraestrutura e desestatização. O Banco pretende ainda trabalhar com outros parceiros para promover práticas de adaptação aos efeitos da mudança do clima e contribuir para a estruturação do mercado de carbono brasileiro, de projetos de prevenção do desmatamento e de soluções baseadas na natureza.
Já as estratégias setoriais complementam as abordagens transversais. As ações com foco no setor de energia incluem: o apoio à descarbonização da matriz energética brasileira por meio de projetos de eficiência energética, a produção e aproveitamento de biogás e biometano, a geração por fontes renováveis, incluindo a estruturação de projetos de hidrogênio verde para consumo doméstico e internacional, além da promoção de tecnologias de captura e estocagem de carbono (CCUS) nas atividades de biogás/biometano. O tema de eletrificação e uso de fontes renováveis na logística ferroviária e mobilidade urbana será um dos tópicos centrais da atuação do BNDES no setor de logística e mobilidade urbana, assim como o incentivo ao transporte urbano de alta capacidade e baixa emissão, incluindo infraestrutura cicloviária, e o apoio a logística de baixo carbono.
As estratégias para atividades de mudança e uso da terra e florestas incluem investimentos para prevenção, combate e monitoramento do desmatamento ilegal e atividades de recuperação de áreas degradadas. Além disso, soluções de uso sustentável da floresta e da biodiversidade, em especial a bioeconomia, serão incentivadas. Com foco na agropecuária, o BNDES pretende fomentar a sustentabilidade na cadeia de valor do setor, financiando o uso de bioinsumos e biofertilizantes, e impulsionar a redução do desmatamento por meio da integração lavoura- pecuária-floresta. Nas operações diretas do setor, irá investir na produção e uso de biocombustíveis e na redução de emissões de carbono e metano associadas à pecuária bovina, além de apoiar o aumento de produtividade por meio da adoção de novas tecnologias, reduzindo a pressão pela abertura de novas áreas produtivas.
Entre as diferentes atividades da indústria, o Banco atuará para promover a descarbonização a partir de eficiência energética e uso de energias renováveis, substituição de matérias-primas por alternativas de menor intensidade de emissões de GEE, assim como iniciativas de captura de carbono e economia circular. O Banco também fomentará a mineração de insumos essenciais para as tecnologias da economia verde, como cobre, lítio, níquel e outros, monitorando e induzindo o cumprimento de altos níveis de proteção ambiental e contrapartidas sociais. No setor de saneamento, serão incentivados projetos que ampliem o acesso aos serviços e contribuam para reduzir desigualdades sociais e regionais, investir em ações de captura e uso de metano, aproveitamento de biogás, e em iniciativas de geração zero de resíduos e compostagem em macro escala.
Na temática de adaptação, o BNDES atuará em linha ao Plano Nacional de Adaptação (PNA), direcionando capital para setores e tecnologias de adaptação prioritários, incluindo ações com municípios e estados em projetos de infraestrutura e desenvolvimento urbano resiliente. Também pretende ampliar suas linhas de financiamento para adaptação e incluir mitigantes em projetos de infraestrutura, minimizando efeitos de impactos físicos da mudança do clima como enchentes, inundações e deslizamentos. A estratégia climática do BNDES está amparada na oferta de ampla gama de soluções financeiras e não financeiras, para todos os setores-alvo e abrangendo produtos de crédito, fundos garantidores setoriais, serviços e recursos não reembolsáveis.
As iniciativas para medir o impacto do BNDES já começaram na COP 26, realizada em Glasgow na Escócia. Lá, o BNDES lançou seu Painel NDC, com foco em clima, que mostra os desembolsos para os setores de energia, florestas, mobilidade urbana, biocombustíveis e resíduos sólidos que contribuem para as metas de redução de emissão de GEE do Brasil. Somente nos setores de energia, mobilidade urbana, florestas, biocombustíveis, iluminação pública, resíduos sólidos e transportes, para os quais já temos uma metodologia de cálculo, prevemos que nossos projetos aprovados desde 2015 estão contribuindo para evitar a emissão de 86,6 milhões de toneladas de CO2 ao longo de suas vidas úteis, o que equivale a 32 anos das emissões da frota atual de carros da cidade de São Paulo (SP).
Com informações da Assessoria de Imprensa
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Isenção da cobrança mensal será válida apenas na modalidade pré-paga
De olho numa demanda e em uma necessidade crescente dos consumidores, a Veloe, marca especializada em soluções de mobilidade urbana e gestão de frotas, lança um novo plano sem mensalidade para clientes e visando também atingir os não usuários de tags, quantidade estimada em metade da frota do País.
“Esse lançamento reforça nosso posicionamento em sermos cada vez competitivos no mercado e assertivos nas necessidades que os clientes trazem”, afirma André Turquetto, diretor geral da Veloe. Esse modelo com isenção de mensalidade, a princípio, só estará disponível na modalidade pré-pago. “Além de ser uma oferta Veloe, nós também vamos modular essa opção sem mensalidade para nossos parceiros co-branded”, completa Turquetto.
Mesmo com isenção de mensalidade, essa nova oferta gera algumas cobranças adicionais, como taxa de serviço na recarga, taxa de adesão e inatividade. A cada recarga feita pelo cliente será vinculada há uma taxa de serviço e cada nova tag adicional terá um custo de R$20.
As recargas podem ser feitas pelo cartão de crédito, no valor mínimo de R$50. As tags da Veloe são aceitas em todas as rodovias pedagiadas do país, em mais de 1.200 estacionamentos, entre shoppings, prédios comerciais e hospitais, e em 26 aeroportos do Brasil, sendo a maior rede credenciada do mercado.
Com informações da Assessoria de Imprensa
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Modelos iguais aos que estarão rodando em cidades brasileiras são os escolhidos para transportar os participantes do evento no Egito
Maior fabricante de ônibus elétricos no mundo, a HIGER BUS marca presença na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) na cidade verde de Sharm El Sheikh, no Egito, com o Azure, o mesmo modelo que estará brevemente em operação no Brasil.
Já existem mais de 6000 unidades do Azure rodando no mundo, em mais de 100 cidades, o que atesta os atributos de eficiência e qualidade para transporte de pessoas de forma limpa e sustentável.
E, já em 2024, a TEVX HIGER iniciará a produção desse e de outros modelos em sua fábrica em Pecém, no Ceará.
A Higer já superou a marca de 50 mil veículos elétricos fabricados e conta com as mais renomadas empresas de componentes do mercado, todas já atuantes no Brasil e que seguirão na versão nacional do Azure, como ZF, que fornece eixos e suspensão; Bosch, sistema de direção; Valeo, ar-condicionado; Catl, baterias, que no Brasil são representadas pela Moura; Wabco, sistema de freios; Sachs, amortecedores; Dana, motor elétrico; Mobitec, itinerário eletrônico; Fanavid, vidros e para-brisas; Alcoa, rodas de alumínio; Grammer, assentos de motorista e passageiros.
Com informações da Assessoria de Imprensa
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Startups curitibanas se destacam em ranking das 100 mais atraentes do Brasil. Foto: Cesar Brustolin/SMCS
Startups de Curitiba e região são destaques em categorias do ranking 100 Open Startups 2022, que reúne as empresas de base tecnológica mais atraentes para o mercado no Brasil. Em sua sétima edição, o levantamento foi divulgado pelo Movimento 100 Open Startups, na última terça-feira (8/11).
Ao todo, 15 startups do Vale do Pinhão se destacaram em 11 categorias: Laura (saúde), 4avants (energia), IoTag (agronegócio), Comunica.in (recursos humanos), Exati e Automa (cidades inteligentes), ST-One e Ubivis (indústria), Oystr (jurídico), Syx Global (verde), Cargo e Exy Exoesqueletos (transporte/logística), Driva e Peepi (marketing com impacto social) e TruggHub (marketplace). Cada categoria traz dez empresas que se destacam em seus segmentos (Top 10). Entre as categorias especiais, dois representantes curitibanos: Exy Exoesqueletos (Empreendedorismo Feminino) e ST-One (LGBTQIA+).
Seis startups da capital e região – Oystr (29º), ST-One (44º), Laura (46º), Syx Global (54º), Comunica.in (58º) e Driva (71º) – também aparecem no ranking principal, o das Top 100 Open Startups.
O 100 Open Startups é elaborado com base em avaliações de atratividade das startups para grandes instituições, como empresas, aceleradoras e investidores. Para tanto, é levado em consideração o interesse nos empreendimentos, negociações em andamento e parcerias realizadas pelas startups.
O Movimento 100 Open Startups é uma rede de conexão que envolve grandes empresas como Bradesco, Grupo Fleury, 3M, Abbott, Natura, Itaú, IBM, J&J, Estácio, fundos de investimento, olheiros e grandes programas de empreendedorismo interconectados.
Ambiente de inovação
Para Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, a forte presença das empresas curitibanas no ranking 100 Open Startups só confirma a importância da Prefeitura e do ecossistema de inovação da capital estarem mobilizados em torno do Vale do Pinhão, o movimento formado por poder público, universidades, incubadoras, entidades de fomento (como Fiep, Sebrae e ACP), empresas e terceiro setor para tornar Curitiba a cidade mais inteligente do país.
“A inovação e os processos de mudança tecnológica têm sido a principal força motora para o desenvolvimento econômico sustentável, com aumento da produtividade, da renda, da geração de empregos e da competitividade internacional. O propósito do Vale do Pinhão é cada vez mais fortalecer e potencializar esse ambiente de inovação da cidade por meio do empreendedorismo, economia criativa e tecnologia para transformar Curitiba em uma cidade cada vez mais inteligente”, reforça Cris Alessi.
A presidente da Agência Curitiba salienta ainda que esta melhora no ambiente de negócios da cidade se reflete, inclusive, na aceleração econômica de Curitiba, com recuperação do mercado de trabalho local. “Curitiba gerou 36.043 empregos com carteira assinada de janeiro a setembro de 2022. A cidade foi a quinta do País em número de empregos gerados, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte”, acrescenta ela. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência no mês passado.
Saiba mais sobre as startups curitibanas no 100 Open Startups 2022
SAÚDE
Laura (Curitiba) – Healthtech curitibana desenvolveu o Robô Laura, tecnologia única no mundo que alerta sobre o risco de infecções generalizadas (sepse) em pacientes internados em hospitais.
ENERGIA
4Vants (Curitiba) – A startup de inteligência artificial que identifica e analisa imagens para que companhias de energia e de outros setores”enxerguem” o que estão fazendo a distância.
INDÚSTRIA
ST-One (Curitiba) – Finalista do Pitch Live em 2020, a indtech é especializada em automação industrial com foco na digitalização de dados.
Ubivis (Curitiba) – A startup criou um software que avalia os parâmetros das máquinas de uma linha de produção e realiza ajustes, como temperatura e quantidade de matéria-prima, sem intervenção humana — por meio de inteligência artificial.
TRANSPORTE/LOGÍSTICA
Cargon (Curitiba) – A logtech oferece uma plataforma que gerencia a logística da indústria e de transportadoras, com foco em otimização, segurança e informação.
Exy Exoesqueletos (Curitiba) – A empresa criou um exoesqueleto, que oferece maior segurança, produtividade e ergonomia em ambientes industriais, ao reduzir o esforço do colaborador em até 30%.
MARKETPLACE
TruggHub (Curitiba) – Startup da capital oferece uma plataforma de marketplace (shopping virtual) de frete digital especializada em cargas fracionadas, com processo de cotações e leilões-relâmpago.
JURÍDICO
Oystr (Curitiba) – A legaltech da capital desenvolveu robôs que capturam e enviam informações dentro do ambiente jurídico.
MARKETING
Peepi (Curitiba) – A startup ajuda as empresas a crescer impulsionadas pelo engajamento de seus clientes e colaboradores, transformando-os em Defensores da Marca.
Driva (Curitiba) – Empresa usa dados do cliente e de mercado para ajudar empresas B2B, que comercializam com outras empresas, a vender mais e melhor.
RECURSOS HUMANOS
Comunica.in (Curitiba) – HRtech criou uma plataforma que reúne várias funcionalidades importantes para o dia a dia das equipes de comunicação interna, como criação e agendamento do disparo de comunicados e pesquisas, segmentação, controle e planejamento das campanhas de comunicação e mensuração de resultados de performance.
AGRONEGÓCIO
IoTag (Curitiba) – Startup criou três inovações para máquinas agrícolas: hardware que automatiza a operação do computador de bordo da equipamento; plataforma que permite a gestão do maquinário e aplicativo que funciona como interface para a plataforma tanto no celular quanto no tablet.
VERDE
Syx Global (Campo Largo) – Startup oferece uma plataforma simples e transparente para a compra e venda de ativos de empresas, cooperativas e outros parceiros, como caminhões, máquinas industriais, equipamentos agrícolas e itens de segmentos como mineração e manejo de florestas.
CIDADES INTELIGENTES
Automa (Curitiba) – A citytech moderniza a gestão de cidades, fazendas e grandes empresas, fornecendo uma plataforma de API (conjunto de rotinas e padrões de programação) para tornar as cidades mais inteligentes.
Exati (Curitiba) – A startup da capital oferece uma plataforma para gestão de serviços públicos como iluminação, arborização, pavimentação, gestão de Resíduos, saneamento, monitoramento de rios e telegestão.
Foto: Liuzhou Forest City – projeto do arquiteto italiano Stefano Boeri para a cidade chinesa.
Fonte foto: https://www.stefanoboeriarchitetti.net/en/project/liuzhou-forest-city/
O Brasil está envelhecendo: o futuro é dos grisalhos.
Por Adriana Costa Koch e Silvia Barcik
Como você imagina a cidade do futuro? Carros voadores, turismo intergaláctico, robôs caminhando naturalmente pelas ruas, cidades suspensas no ar? Talvez. Mas isso está mais para um clichê futurista dos Jetsons do que uma análise mais densa.
Para entender o futuro é preciso estar atento aos sinais emitidos no aqui e agora. Um deles é sobre o envelhecimento da população. Isso sugere que a cidade do futuro seguramente terá muito cabelo grisalho, longa experiência de vida, rugas na testa e alto nível de exigência no consumo de tecnologia e mobilidade. E, para isso, cidades, governos e toda a sociedade precisam se preparar.
Segundo relatórios da ONU (Organização das Nações Unidas), uma em cada oito pessoas no mundo hoje tem mais de 60 anos. Até 2050, a população global na terceira idade deverá duplicar ultrapassando 1,5 bilhão de pessoas. No Brasil, a tendência não é diferente.
Segundo o estudo World Population Prospects, divulgado pela ONU em 2019, teremos mais do que o dobro de pessoas acima de 60 anos em 2050. No Brasil, a tendência é ainda mais acentuada. A população brasileira vai atingir o pico no ano de 2045, com 229,6 milhões de pessoas. Porém, o número de idosos deve seguir subindo, atingindo o ápice entre 2070 e 2080, conforme tabela abaixo (em milhões de pessoas).
E o que será feito com essas informações? Para os pesquisadores de Futuro (há pessoas sérias estudando como será a humanidade em um cenário de curto, médio e longo prazo) um dos primeiros passos para elaborar soluções para o futuro é trabalhar com os sinais do agora.
Um estudo divulgado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em setembro deste ano confirma que as taxas de fecundidade no Brasil devem seguir tendência de queda nas próximas décadas. Se as projeções se confirmarem, a população brasileira passará a ter crescimento negativo a partir de 2050. Em 2100, os mais jovens (de 0 a 14 anos) representarão 13% da população, enquanto idosos (considerados aqui acima de 65) serão 30% – hoje, esse grupo representa 9,6% da população.
Iniciativas do presente que estão planejando as cidades do futuro: ODS, smart cities e os modelos que vem de fora
O ritmo de desenvolvimento das cidades que consideram os desafios das projeções demográficas ainda não é dos mais desejáveis. O que não significa que nada está sendo feito. Na Assembleia Geral das Nações Unidas de 2015 foi estabelecido um conjunto de 17 objetivos a serem cumpridos até 2030 que ficaram conhecidos como Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Um desses objetivos trata de “tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Entre os elementos esperados para as cidades do futuro, é que elas sejam capazes de colocar em prática tecnologias integradoras que amplifiquem a eficiência e qualidade dos serviços públicos.
Aqui no Brasil, o IPEA tem acompanhado juntamente com o IBGE as metas que integram este objetivo. Há ainda um caminho a percorrer, sobretudo para a necessidade de se buscar a integração entre as políticas setoriais que afetam o desenvolvimento das cidades, uma tendência sem volta de incentivar a transversalidade dos temas ambientais e urbanos. (www.ipea.gov.br)
Neste ponto, se juntarmos as pontas do que os sinais do futuro nos emitem (por exemplo, envelhecimento da população e as questões climáticas) e a incrível capacidade humana de inovação, é de se esperar que a projeção urbanística dessas cidades considere a transversalidade do desenvolvimento social, econômico e ambiental, inclusive no Brasil.
O processo para que o cenário do futuro vire realidade leva em conta também muitos outros elementos. O termo smart city (cidade inteligente) surgiu na década de 1990, com a publicação de The Technopolis Phenomenon: Smart Cities, Fast Systems, Global Networks, que estudava o fenômeno do desenvolvimento urbano sob uma perspectiva tecnocêntrica. Nos anos 2000, novos estudos (comandados pelo professor Rudolf Giffinger) passaram a adotar uma abordagem voltada para um maior equilíbrio na combinação entre capital humano e social visando a qualidade de vida nas grandes cidades.
Não à toa as principais iniciativas hoje em termos de cidade do futuro consideram os elementos de necessidades humanas como princípios norteadores em seus planejamentos. O arquiteto Jan Gehl, autor do livro “Cidades para as pessoas”, defende que todas as tendências globais devem ser consideradas porém, com uma abordagem focada nas pessoas, imaginando como o ambiente construído pode promover o bem-estar e a qualidade de vida. E as cidades, desde seu planejamento estratégico até o design, devem ser centradas no ser humano.
Endossando ainda mais o tema, um estudo recente publicado pela consultoria Deloitte¹ apontou 12 tendências que devem impactar as cidades do futuro. Baseado em levantamento com especialistas de mais de 40 cidades de todo o mundo, algumas das tendências apontadas já podem ser observadas em algumas poucas iniciativas, mas ainda é insignificante diante da urgência que o tema demanda. Confira quais são:
Planejamento verde de espaços públicos: ruas verdes projetadas para pessoas, com novos corredores e espaços públicos como centros da vida social. Esse já é o caso do planejamento de Liuzhou Forest City, na China, cidade projetada para ser a primeira totalmente ecológica do mundo – e que tem a missão de absorver 10 mil toneladas de CO2 do mundo.
Foto: Liuzhou Forest City – projeto do arquiteto italiano Stefano Boeri para a cidade chinesa. Fonte foto: https://www.stefanoboeriarchitetti.net/en/project/liuzhou-forest-city/
Comunidades inteligentes de saúde: prevenção e cuidados de saúde personalizados (como a genômica, que estuda sequenciamento de DNA).
Cidade de 15 minutos: mobilidade a 15 minutos a pé ou de bicicleta de qualquer destino. É o caso da International Business District (IBD), em Songdo, na Coreia do Sul: a cidade foi planejada priorizando o uso de transporte público e bicicletas, além de ter um plano urbanístico que tem como prioridade reduzir o tempo de locomoção dos seus habitantes.
Foto: imagem aérea do IBD, na cidade de Songdo, na Coreia do Sul. https://www.mansionglobal.com/articles/sustainable-and-smart-south-koreas-songdo-offers-green-spaces-and-good-schools-228684
Mobilidade inteligente, sustentável e como serviço: ela passa a ser cada vez mais limpa, inteligente, autônoma e intermodal, com mais espaços para a mobilidade ativa (caminhadas e uso de bicicletas).
Serviços inclusivos e planejamento: fornecimento de acesso à habitação e infraestrutura, direitos e participação iguais, empregos e oportunidades.
Ecossistemas de inovação digital: cidades tendem adotar uma abordagem multidimensional para a inovação (interações entre universidade, indústria, governo, público e meio ambiente) com governos municipais atuando como plataformas que possibilitam conexões políticas, locais e de infraestrutura para o ecossistema florescer.
Economia circular e produção local: circulação saudável de recursos e princípios de compartilhamento, reutilização e restauração.
Edifícios e infraestrutura inteligentes e sustentáveis: otimização acentuada do consumo de energia e melhor gestão de recursos como água, por exemplo.
Participação em massa: cidades estão evoluindo para serem centradas no homem e projetadas por e para seus cidadãos, promovendo processo colaborativo com políticas governamentais abertas.
Operações por meio de inteligência artificial: baseadas em dados, cidades tendem a evoluir para plataformas digitais que funcionarão como ‘cérebros da cidade’, onde toda a atividade urbana é orquestrada e operada permitindo a correlação de eventos, identificação de problemas de forma rápida e assertiva, análise preditiva (por meio de aprendizado de máquina) e gerenciamento de incidentes, e fornecendo insights operacionais por meio da visualização.
Cibersegurança e conscientização sobre privacidade: mais conscientização sobre a importância da privacidade dos dados e dos impactos causados por ataques cibernéticos.
Vigilância e policiamento preditivo: mais segurança e proteção aos cidadãos por meio da inteligência artificial com o uso cada vez mais comum de sistemas de segurança ágeis que podem detectar redes de crime ou terrorismo e atividades suspeitas, e até mesmo contribuir para a eficácia dos sistemas de justiça.
Para além das inovações em termos de tecnologia e a preocupação com os temas relativos à biodiversidade, as projeções apontam que o futuro do século XXI será grisalho. O percentual de pessoas idosas alcançará seu ápice não só no Brasil, mas no mundo, e isso é um marco da história da humanidade.
E a maior parte dessa população viverá nas grandes cidades: em 2018, 87% da população residia ambientes urbanos. Esse percentual deve se estabilizar em 90% nas projeções de longo prazo, segundo informe técnico “O que são cidades inteligentes e sustentáveis? ”, divulgado em 2020 pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia).
Deste modo, para se construir as cidades do futuro, para que elas sejam efetivas smart cities (cidades inteligentes) a discussão deve trazer também o aspecto demográfico da população em que estarão inseridas. Questões como tecnologia, mobilidade, saúde, mercado de trabalho, entre outros temas, todo o ambiente econômico e social será altamente impactado se não considerar essa massa populacional na construção de suas políticas hoje.
As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade da autora, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities.