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CIDADE PARA OS IDOSOS

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Espaços urbanos ainda não estão preparados para acompanhar o envelhecimento da população

A população do Brasil está envelhecendo rapidamente, dia após dia. Isso não significa, porém, que envelhecer no Brasil é algo simples ou fácil. Urbanistas, movimentos sociais e o Poder Público debatem iniciativas e propostas para melhorar a relação das pessoas com as cidades. A realidade, no entanto, mostra que a vida para os idosos ainda precisa melhorar bastante.

A estimativa da OMS é de que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos, no mundo, vai duplicar. No Brasil, um em cada três brasileiros deverá ser idoso. Se as prospecções estiverem corretas, a população brasileira será a sexta mais envelhecida do planeta. Esse cenário interfere em questões relacionadas à saúde, à previdência e a inúmeros outros aspectos, mas, também, à habitação e à mobilidade urbana.

Envelhecimento escancara desigualdades

As projeções do Seade para a população paulista em 2021 indicam que existem 83 pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 jovens com menos de 15 anos. Os idosos, entretanto, não estão distribuídos de forma hegemônica pela capital. O levantamento de indicadores sociodemográficos da população idosa, divulgado pela prefeitura de São Paulo em 2020, mostra que 27,9% dos moradores do Alto de Pinheiros são idosos, enquanto a proporção corresponde a apenas 8,1% no distrito de Anhanguera.

Essa assimetria é reflexo da expectativa e da qualidade de vida das pessoas que vivem nessas regiões. Para ter ideia, o Mapa da Desigualdade 2021, realizado pela Rede Nossa São Paulo, mostra que a idade média ao morrer, em Alto de Pinheiros, é de 80,9 anos. Ao passo que, em Anhanguera, as pessoas morrem, em média, com 58,6 – à frente, apenas, do distrito de Cidade Tiradentes (58,3).

“A cidade é desigual e as questões relacionadas à mobilidade, infelizmente, ainda variam muito, a depender de onde a pessoa mora”, lamenta Renato Souza, coordenador de Políticas para Pessoas Idosas, da prefeitura de São Paulo. “Se o indivíduo mora na região central, a qualidade de acesso é bem melhor do que a de quem vive numa periferia”, exemplifica.

Ele explica que o mesmo acontece com tópicos, como a arborização das calçadas, os meios de cultura, de lazer, e a distribuição de serviços para essa população. Porém, para ele, essa transformação é um projeto em andamento. “São Paulo tem melhorado nos últimos anos. Pensando em segurança no trânsito, acessibilidade em esquinas e outras intervenções que podem melhorar a relação dos idosos com a cidade”, pontua.

Transformações urbanas para atender a população idosa

“A questão passa por entender melhor as necessidades dos vários tipos de cidadão. A cidade precisa estar mais preparada para os idosos e, dessa forma, estará também pronta para atender melhor a outros públicos, como crianças e deficientes físicos”, defende Karin Regina de Castro Marins, professora do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo (USP).

A professora desenvolveu uma cartilha que busca orientar o desenho urbano das cidades para melhorar a qualidade de vida da população idosa com base na caminhabilidade, ou seja, na concepção de espaços que possam ser acessados a pé. Na prática, isso significa reorganizar parâmetros que vão desde o alargamento e a implantação de corrimão nas calçadas até as mudanças nos projetos de pavimentação públicos.

Essas sugestões se estendem a bancos espalhados ao longo do trajeto para que os idosos possam descansar, aumento da arborização para incentivar as caminhadas, adaptações na iluminação pública, gerenciamento eficiente do tempo em que o semáforo fica aberto para atender à velocidade de caminhada desse público e espalhamento de comércios e serviços de lazer.

“Existe a necessidade de aprimoramento em diversas instalações, sistemas de serviços e da própria estrutura urbana”, aponta Marins. “É importante propiciar uma mobilidade mais autônoma aos idosos, criando percursos que eles possam fazer de forma segura. A população idosa precisa de facilitação, inclusão, aproximação social”, arremata.

EASY CARROS LEVANTA R$ 120 MILHÕES PARA AJUDAR PEQUENAS LOCADORAS A COMPETIR COM AS GRANDES

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FIDC estruturado pela Milenio Capital deve ser empregado na aquisição de 3.000 veículos destinados a ampliar a frota dos 500 clientes da Easy Carros

Uma das empresas de tecnologias dedicadas a dar um empurrão aos negócios de locadoras de veículos, a startup Easy Carros levantou 120 milhões de reais num Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, o FIDC, uma modalidade de investimento no qual titulares de cotas têm rendimentos atrelados a recursos advindos de uma empresa.

A emissão do FIDC foi estruturada pela Milenio Capital, gestora focada no mercado de crédito.

Os recursos vão financiar a aquisição de até 3.000 veículos por parte de pequenas e médias locadoras.

O que está por trás do FIDC

A aquisição de carros é, atualmente, um dos maiores gargalos para concorrentes de menor porte conseguirem competir com grandes como Localiza, Unidas e Movida.

Tradicionalmente, as locadoras de veículos permanecem com carros por entre 12 e 24 meses. Após esse período, os automóveis costumam ser vendidos para financiar a renovação da frota.

A falta de componentes, reflexo da desorganização das cadeias de suprimentos globais após a covid-19, e a consequente queda na produção de veículos e alta no preço, atrapalha planos de expansão das locadoras.

Para elas financiarem seus carros, por meio de uma modalidade de crédito antes restrita a grandes players, mas mantendo a sua operação (ou seja sem precisar vender seus seminovos para financiar a compra da nova frota), a ideia é a Easy Carros emitir Notas Comerciais em nome das locadoras — elas, por sua vez, viram devedoras do FIDC.

Os contratos de locação com os clientes finais — motoristas a passeio ou autônomos a serviço de aplicativos de mobilidade como Uber e 99 — serão cedidos em garantia a esses empréstimos. Assim, a ideia é cobrir as obrigações das Notas Comerciais pelos fluxos financeiros das locadoras.

“Nosso intuito é ajudar a impulsionar o mercado de aluguel de carros, aumentando o fôlego das pequenas e médias locadoras, trazendo maior previsibilidade de receitas e, potencialmente, fomentando um setor que gera emprego e renda para muitas pessoas, o de motoristas por aplicativos”, diz Gustavo Ahrends, sócio da Milenio Capital.

“O crédito sustentável é uma nova tendência e queremos levar este business a um outro patamar, ajudando-os a obter o funding necessário para impulsionar esse novo segmento.”

Como é o modelo de negócio da Easy Carros

Fundada em São Paulo, a Easy Carros tem à frente da operação Fernando Saddi, um dos pioneiros do venture capital no Brasil.

Antes de passar para o outro lado do balcão, o do empreendedor, Saddi foi uma das mentes da operação brasileira da incubadora e venture builder alemã Rocket Internet.

Por lá, foi um dos CEOs do marketplace de artigos de moda e design Airu.

Em paralelo à Easy Carros, Saddi também é um dos partners da MAR Ventures, fundo de VC focado em negócios com blockchain, computação quântica e inteligência artificial.

A Easy Carros nasceu em 2015 como uma plataforma para locadoras com dezenas ou poucas centenas de veículos pudessem mostrar sua frota a potenciais clientes online.

A ideia para o negócio veio da própria experiência de Saddi com a indústria auto — a família dele tem concessionárias de veículos na Grande São Paulo.

“A indústria automobilística passa por uma transformação profunda com o carro deixando de ser um bem e virando um serviço”, diz ele.

“Queremos ajudar as pequenas locadoras de veículos a conseguirem competir com as grandes e serem agentes de transformação do setor.”

Atualmente, apenas 1% da frota mundial é de veículos de serviço por assinatura — algo entre 450.000 e 500.000 veículos —, mas essa fatia pode chegar a 20% nos próximos anos.

Em sete anos, o software da Easy Carros agregou módulos online — a locadora pode comprar o pacote completo, num esquema one-stop-shop, ou consumir um ou outro produto.

Quais são os serviços da Easy Carros

Hoje, as frentes de negócio da Easy Carros com as locadoras de veículos são as seguintes:

  • Gestão de reservas de automóveis
  • Controle de contratos de locação
  • Serviço de manutenção dos veículos
  • Plataforma de gestão financeira

Atualmente são mais de 500 clientes com uma frota somada de 200.000 veículos cadastrados.

“Nosso objetivo é entregar às pequenas e médias locadoras melhores condições de negócio para que elas tenham mais competitividade e, assim, possam crescer. Nossa missão é democratizar o acesso às soluções antes restritas aos grandes players do segmento, oferecendo novas oportunidades de crédito e a expansão dos modelos de negócios das locadoras”, diz Saddi.

“Ajudá-las a atuar no mercado de assinatura com segurança e previsibilidade, atendendo demandas crescentes por veículos faz parte da nossa missão.”

Quanto a Easy Carros movimenta

O Brasil é um terreno fértil para o negócio da Easy Carros pela pulverização do mercado. Aqui, as três maiores do setor têm cerca de 40% do mercado. Na Europa, as cinco maiores têm 90%; nos Estados Unidos, as líderes têm 97%.

Ao contrário de países desenvolvidos, onde o turista em busca de liberdade de circulação nas férias domina o setor, no Brasil a demanda de motoristas de aplicativo costuma ter um peso relevante — 20% das vendas fechadas pelas locadoras cadastradas na Easy Carros são para esse mercado.

Em 2022, a plataforma da Easy Carros deve movimentar 1,5 bilhão de reais em GMV, indicador para o valor total de mercadorias vendidas em um e-commerce. É uma alta anual de 40%.

Antes do FDIC, a Easy Carros já havia levantado 35 milhões de reais em aportes semente, série A e B. Entre os fundos investidores estão Yellow Ventures, de Patrick Sigrist (fundador do iFood).

Fonte: Exame

PTI-BR ESTÁ PRESENTE NO SMART CITY EXPO WORLD CONGRESS 2022, EM BARCELONA

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O evento, realizado em novembro, é considerado um dos maiores congressos mundiais sobre Cidades Inteligentes.

O Parque Tecnológico Itaipu – Brasil (PTI-BR) está levando suas experiências e expertises em Cidade Inteligentes para o Smart City Expo World Congress 2022. O evento, considerado um dos maiores congressos mundiais sobre Cidades Inteligentes, foi realizado de 15 a 17 de novembro, em Barcelona (Espanha).

No estande Brasil, o PTI-BR está contribuindo, juntamente com a Apex, ABDI e Juganu, no posicionamento do Brasil no tema de Smart Cities no âmbito global, demonstrando potencial técnico, econômico, cultural e comercial. Além da atração de investimentos a partir de parcerias institucionais e comerciais, para fomentar negócios e transferência tecnológicas.

O propósito do PTI-BR é divulgar suas ações e iniciativas no intuito de prospectar oportunidades para o Parque Tecnológico e para Foz do Iguaçu por meio de networking, rodadas de negócios, encontros técnicos e exposições, nas suas temáticas de interesse: Cidades Inteligentes, 5G, hidrogênio verde e microrredes.

Segundo o diretor superintendente do PTI-BR, general Eduardo Garrido, estar presente no Congresso Internacional de Cidades Inteligentes é uma oportunidade para expor e posicionar o Parque Tecnológico como referência em inovação, tecnologia e negócios, no estado do Paraná e no Brasil. “Estamos trazendo para o mundo o nosso programa Vila A Inteligente, mostrando o que temos feito em parceria com a Itaipu Binacional e a cidade de Foz do Iguaçu. Ao mesmo tempo, verificando o que existe de mais moderno nessa temática de Cidades Inteligentes para que possamos desenvolver novas parcerias e negócios”, destacou.

“Também estamos divulgando as iniciativas do PTI-BR, demonstrando que o Brasil desenvolve ciência, empreendedorismo e inovação utilizando as tecnologias para proporcionar bem-estar e qualidade de vida para a população”, afirmou.

Ainda, entre os objetivos da participação da instituição no evento está conhecer soluções e produtos na temática de hidrogênio verde, com foco em networking para rede de hidrogênio; apresentar estratégia do Hub Iguassu e Foz do Iguaçu como modelo para desenvolvimento econômico sustentável por meio do empreendedorismo inovador e conectar empresas de base tecnológica e startups, com soluções em 5G.

Maior do mundo
O CEO Brasil da Juganu, empresa especializada em iluminação pública, Bruno Gemus, também falou sobre a importância da participação no evento. “Estamos em Barcelona apresentando as soluções brasileiras e demonstrando para o mundo, em parceria com a ABDI, Apex e PTI-BR, um exemplo do que poder ser feito de infraestrutura em Cidades Inteligentes a partir da iluminação pública como Hub de conectividade. Nada melhor que estar no Smart City Expo de Barcelona demonstrando isso, como referência no Brasil para o mundo inteiro”, explicou.

O diretor de negócios da Apex Brasil, Lucas Fiuza, representando a empresa disse que: “Estamos muitos felizes em contribuir e proporcionar para o Brasil a presença neste evento tão importante, que nós temos avanços nessa distribuição de tecnologia e desenvolvimento de inovação para o melhor funcionamento das nossas cidades. Contamos que essa presença e parceria se fortaleça nos próximos anos”, ressaltou.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, destacou a parceria já desenvolvida com o PTI-BR e agora com a Apex e a Juganu. “Viemos ver o que o mundo tem feito em termos de Cidades Inteligentes e mostrar o que nós temos feito no Brasil. É super importante estar aqui com o ecossistema tecnológico, academias e as pessoas que pensam Cidades Inteligentes. Isso tudo para levar para o Brasil de maneia coordenada o que nós temos de tecnologia e para formulação das próximas políticas públicas”, disse.

Fonte: Iguassu NewsTur

TEMBICI E HOUSI FECHAM PARCERIA PARA AMPLIAR A MOBILIDADE SUSTENTÁVEL NAS CIDADES

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Startups inauguram estação em um dos principais centros econômicos da capital paulista, na Av. Faria Lima, e prometem expansão do projeto

A Tembici, líder em tecnologia para micromobilidade na América Latina, e a Housi, pioneira no serviço de moradia flexível 100% digital, iniciam nesta quinta-feira, 17 de novembro, uma parceria que busca contribuir ainda mais com a mobilidade urbana e a sustentabilidade das cidades. Com isso, a Flagship de moradia flexível passará a ter estações de bikes compartilhadas na frente de seus prédios, a primeira unidade já está instalada em São Paulo, e nos próximos meses a parceria deve se estender para outras localidades na capital paulista e nas demais cidades onde a Tembici e Housi possuem seus projetos.

Em recente pesquisa com usuários da Tembici, 59% das pessoas que usam bikes compartilhadas afirmam levar em consideração a existência de estrutura cicloviária na escolha de uma possível moradia, o que comprova que soluções como essa parceria é resposta à demanda da população que buscam cada vez mais praticidade em seu dia a dia.

Todas as estações viabilizadas pela parceria farão parte dos projetos da Tembici, como o bike Itaú, sendo uma iniciativa que ampliará os sistemas de bicicletas compartilhadas nas cidades, viabilizando trajetos mais eficazes, econômicos e sustentáveis. Sendo assim, a iniciativa será um excelente benefício para moradores Housi, mas também contribuirá para todas as pessoas que pedalam.

“A proposta de valor da Tembici e da Housi se encontram na conveniência e na democratização das cidades, com soluções integradas que tornam o dia a dia das pessoas mais eficaz e confortável. As estações de bicicletas compartilhadas da Tembici seguem critérios como integração com outros meios de transporte, infraestrutura cicloviária e concentração de empregos e atividades na área. Este cenário se conecta totalmente com a proposta de serviço da Housi, que possui imóveis que privilegiam deslocamentos mais rápidos e que assim como a Tembici tem como um dos propósitos impedir que as pessoas passem longas horas no trânsito. Temos certeza que essa iniciativa tem grande potencial seja para deslocamentos gerais ou para o lazer” afirma Raquel Arruda, diretora de parcerias e novos negócios da Tembici.

“O objetivo da parceria entre a Housi e a Tembici é contribuir com a questão da mobilidade urbana, sustentabilidade e incentivo da qualidade de vida. O compartilhamento de bicicletas é uma opção que gera economia de tempo e incentivo à prática de atividades físicas. Como adepto do ciclismo há mais de 20 anos e autor do livro: “Como Viver em São Paulo Sem Carro”, é gratificante incentivar o uso da bike como uma alternativa viável para a mobilidade de maneira mais saudável e ainda ajudar a cuidar do meio ambiente e das cidades”, explica Alexandre Frankel – CEO da Housi.

Primeira estação da parceria chega a São Paulo

A primeira unidade a receber uma estação está em um dos principais centros econômico e financeiro da capital paulista, na Faria Lima, a primeira estação da iniciativa será cor de rosa, em alusão a cor das duas marcas e para celebrar a parceria que contribui para a revolução da mobilidade sustentável das cidades.

Como fará parte do bike Itaú, bicicletas retiradas em qualquer uma das 260 estações do sistema, em São Paulo, poderá ser devolvidas na estação Housi, assim como as bicicletas da estação também poderão ser retiradas por todos os usuários do sistema.A parceria também tem vantagem exclusiva para novos usuários do sistema de bici compartilhada, moradores Housi, que terão 15% de desconto no plano mensal.

Solução para a democratização do espaço público e meio ambiente

Em grandes capitais como São Paulo, as pessoas passam em média 2 horas por dia no trânsito e as soluções oferecidas por Housi e Tembici trazem soluções para esse desafio das metrópoles. A exemplo, das 260 estações na cidade, apenas 7 delas representam 15% do volume de viagens na capital, e elas ficam em pontos localizados próximos a polos com grande número de escritórios, como o Largo da Batata, a Praça do Ciclista e o Shopping Center 3, evidenciando a necessidade de mobilidade inteligente e iniciativas de moradia como a Housi nesses locais.

Além de cumprirem importante papel na democratização de espaços nas cidades, as bicicletas também são fundamentais para o meio ambiente, somente em 2022, mais de 2,7 mil toneladas de dióxido de carbono foram potencialmente evitadas com a utilização das bicicletas compartilhadas da Tembici em São Paulo e parcerias como essa são fundamentais para o crescimento dessas agendas sustentáveis.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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COP27: O DILEMA ÉTICO DA JUSTIÇA CLIMÁTICA

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Como governos, empresas e instituições financeiras podem reorientar seus negócios para uma perspectiva econômica mais inclusiva socialmente e calibrada para não cruzar limites ecológicos planetários cruciais para a sobrevivência da espécie humana?

Por Maria Albuquerque, fundadora e CEO da Synergia Socioambiental, e José Alberto Gonçalves Pereira, consultor em sustentabilidade Synergia Socioambiental

A justiça climática vem ganhando cada vez mais espaço nos fóruns globais que discutem soluções para a mudança do clima. Embora até pouco tempo atrás fosse uma agenda circunscrita sobretudo a ambientalistas e movimentos sociais, hoje, o tema tornou-se item obrigatório até mesmo nas rodas sobre clima no mundo dos negócios, principalmente nos últimos três anos.

Não é mera coincidência que o período seja justamente o da pandemia de Covid-19. A mais devastadora crise sanitária enfrentada pela humanidade em cem anos contribuiu para despertar uma parcela influente do capital para a necessidade de revisão profunda do modelo econômico intensivo em carbono e predatório dos recursos naturais e promotor de desigualdades, sociais, raciais e de gênero.

Tornou-se, assim, inevitável que a justiça climática atraísse os holofotes na 27ª Conferência do Clima (COP27), realizada de 6 a 18 de novembro em Sharm el-Sheikh, no Egito. O movimento internacional por justiça climática levanta um sério dilema ético: regiões e países que menos emitiram gases de efeito estufa desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, são os que padecem dos impactos mais severos das mudanças climáticas, que também exacerbam as desigualdades.

Como governos, empresas e instituições financeiras podem reorientar seus negócios para uma perspectiva econômica mais inclusiva socialmente e calibrada para não cruzar limites ecológicos planetários cruciais para a sobrevivência da espécie humana? Qual o papel reservado ao setor privado na superação desta injustiça climática?

Nas negociações da COP27, a justiça climática está sendo contemplada particularmente nas discussões sobre financiamento à adaptação nos países em desenvolvimento e a criação de um fundo para compensar perdas e danos de nações pobres decorrentes de eventos climáticos extremos. A pauta do movimento de justiça climática, porém, é mais abrangente, incluindo direitos humanoslitigância (disputas judiciais) e migrações, entre outros tópicos.

O respeito aos direitos humanos e o enfrentamento das desigualdades são elementos imprescindíveis da agenda para uma transição justa rumo a uma economia de baixo carbono, associada à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade. Inúmeros estudos já mostraram que a agenda da transição climática justa só tende a fazer bem aos negócios, visto que sua implementação reduz perdas financeiras e riscos legais e reputacionais para os investidores.

É salutar que o governo de Joe Biden, nos Estados Unidos, haja criado em setembro passado o Escritório para Justiça Ambiental e Direitos Civis Externos na Agência de Proteção Ambiental (EPA) com a finalidade de combater as desigualdades climáticas e raciais. Espera-se que o futuro governo do presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também priorize o tema da transição climática com justiça socioambiental na sua estratégia de combate à mudança do clima.

A justiça climática chegou com muita força aos fóruns globais e nacionais sobre mudanças climáticas. Espera-se que a COP27 reconheça a justiça climática como parte imprescindível dos esforços diplomáticos para o mundo acelerar e aprofundar a transição para uma economia de baixo carbono associada à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade e conferir maior relevância às agendas da adaptação e do mecanismo de perdas e danos.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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CONECTIVIDADE DIGITAL: OS DESAFIOS DO NOVO GOVERNO PARA REDUÇÃO DAS DESIGUALDADES ATRAVÉS DO ACESSO À INTERNET DE QUALIDADE

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A inclusão da população brasileira em um mundo cada vez tecnológico é fundamental para a construção de cidades mais inteligentes e humanas

O Brasil lança um olhar de esperança para 2023, com o início do novo governo eleito pela população. Formada pela chapa Lula/Alckmin, a próxima presidência da República promete a retomada da democracia, com o pleno exercício das instituições previstas na nossa Constituição Federal. No entanto, grandes serão os desafios a serem enfrentados. E, entre as causas mais urgentes, como a continuidade dos programas de transferências de renda e de reinserção no mercado de trabalho, a inclusão digital – que inclui acesso à internet banda larga e aprendizado para navegação na web – permeia todas as áreas, da saúde à educação, passando pela cultura, moradia, lazer, mobilidade urbana e tudo o que abrange o conceito de cidades inteligentes para melhorar a qualidade de vida das pessoas.  

Ao contrário do que o senso comum possa indicar, a internet não está ao alcance de todos e todas no Brasil. De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em 2020, 83% dos domicílios brasileiros tinham acesso à internet. O número pode parecer alto, mas esconde atrás de si uma enorme desigualdade. Enquanto 100% dos domicílios da classe A contavam com acesso à internet, apenas 64% dos domicílios das classes D e E tinham internet. Os principais entraves revelados pelos moradores dos domicílios para a ausência de conexão em casa eram o preço (28%) e a ausência de conhecimentos sobre como utilizar a rede (20%).

Além disso, nem sempre a conexão existente era de qualidade: só 69% dos domicílios contavam com banda larga fixa. A desigualdade está não apenas em ter ou não internet em casa, mas também nos dispositivos utilizados para acessar a rede. Computadores, que proporcionam uma experiência mais completa no uso da internet, estão presentes em 100% dos domicílios da classe A, mas somente em 13% das casas das classes D e E. O celular segue sendo o dispositivo mais utilizado no acesso à internet, especialmente entre a população das classes D e E, o que dificulta muito a realização de tarefas como estudar ou elaborar um currículo, por exemplo.

Hoje, oportunidades de emprego, serviços básicos e políticas públicas dependem cada vez mais de tecnologias digitais. Com isso, uma enorme massa de cidadãos e cidadãs seguirá excluída de seus mais básicos direitos em razão da ausência de acesso à internet.

Além de garantir o acesso à bens e serviços básicos, a internet também é essencial para o acesso à informação e para a garantia de direitos políticos. Ela também pode ser uma grande aliada no combate à desinformação e à circulação de fake news, garantindo a preservação da nossa democracia. Uma das causas da desinformação é a ausência de competências para checar a veracidade das informações que recebemos. Daí a importância do letramento digital e da educação midiática.

É necessário não apenas que as pessoas tenham acesso à internet de qualidade e a dispositivos adequados para acessá-la, mas também que estejam aptas a consumir e disseminar informações de forma crítica, responsável e ética. Só assim a inclusão digital será realmente promovida. A chave para combater a desinformação não é a restrição da liberdade de expressão e aumento do controle e vigilância no ambiente digital, mas sim, a qualificação da interação da população com as informações e mídias.  

Mas ainda precisamos avançar, e muito. Recentemente, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) identificaram 20 milhões de brasileiros sem cobertura de internet. Ou seja, um a cada dez brasileiros simplesmente não acessa a internet. O estudo publicado pela Anatel em parceria com o BID é resultado de uma pesquisa feita com dados alimentados pelos próprios usuários sobre a cobertura e a qualidade da banda larga no país. O trabalho identificou que cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em áreas onde não foram encontradas evidências de conectividade banda larga. 

Conforme estimou o levantamento, estender a cobertura do serviço de banda larga para os habitantes nessas áreas não cobertas geraria um crescimento de 2,4% do PIB nacional. Ainda segundo o estudo, o Brasil precisaria de cinco anos de investimento para promover a inclusão digital das cerca de 20 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso à banda larga fixa ou móvel. 

Nesse contexto, é importante ressaltar que a inclusão digital pressupõe, antes de mais nada, a alfabetização digital. Esse letramento digital é fundamental para que as pessoas conheçam e entendam a transformação digital que acontece hoje. As pessoas precisam tanto aprender a mexer nos equipamentos, quanto a navegar pela internet. O Brasil precisa investir, mais do que nunca, em alfabetização digital, para que só então alcancemos a tão desejada inclusão digital, que é dever do Estado e um direito fundamental da população.

A inclusão digital precisa estar definitivamente na agenda do novo Governo. É emergencial adotarmos políticas públicas de inclusão digital que aliem expansão da conectividade, acesso à rede e equipamentos, e letramento digital de toda a população. Só assim a esperança vai entrar, de fato, na casa de todos os brasileiros e brasileiras.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

É GOL DE BICICLETA: TEMBICI LANÇA CAMPANHA ESPECIAL DE COPA DO MUNDO

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Iniciativa, válida para novos usuários de todas as praças com sistema bike Itaú, traz preço de R$6 no primeiro mês da assinatura, em campanha com alusão à busca do hexacampeonato pela seleção brasileira

Com o intuito de estimular deslocamentos mais eficazes e sustentáveis, durante a Copa do Mundo, a Tembici, líder em micromobilidade na América Latina, lançou a campanha ‘É Gol de Bicicleta’. A iniciativa disponibilizará um plano especial para os novos usuários do sistema, com preço fixo de R$6 no primeiro mês da assinatura, em alusão à busca pelo hexacampeonato.

A ação é válida para todas as praças que possuem bike Itaú (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Recife, Olinda e Jaboatão dos Guarapes), sendo um estímulo para que as pessoas utilizem o modal para chegar ao local onde irão assistir aos jogos, além servir como alternativa para fugir do trânsito, algo frequente na realização do Mundial. Vale destacar que mais de 60% das viagens realizadas nas grandes cidades têm distâncias menores que 8 km e poderiam ser feitas com o uso das bicis.

“A campanha traz a bicicleta como uma opção mais eficaz para o deslocamento nos dias de partidas da Copa do Mundo, que muitas vezes são realizadas em horários com alto fluxo de veículos nas ruas, em especial em dias de jogos do Brasil. Além disso, o nosso sistema oferece praticidade, permitindo a retirada ou devolução das bicicletas nas estações mais convenientes ao usuário, seja perto do próprio local onde vai assistir aos jogos ou até mesmo em conexão com algum outro meio de transporte”, afirma o diretor de negócios da Tembici, Gabriel Reginato

A intermodalidade com o transporte público já é algo que costuma ocorrer no dia a dia das cidades, uma vez que 20% dos usuários da Tembici iniciam ou terminam suas viagens em estações de metrô ou terminais de ônibus.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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GRANDES EMPRESAS SE UNEM PARA RESTAURAR, CONSERVAR E PRESERVAR 4 MILHÕES DE HECTARES DE FLORESTAS NATIVAS

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“Biomas” prevê o plantio de aproximadamente dois bilhões de árvores

BRASIL PODERÁ TER A MAIOR FROTA DE ÔNIBUS ELÉTRICOS DA AMÉRICA LATINA ATÉ 2024 ALCANÇANDO 3 MIL UNIDADES

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✓ Somente a cidade de São Paulo já contará 2.600 unidades em 2024; Minas Gerais tem caráter estratégico numa potencial produção de células para baterias dos veículos, de acordo com Edgar Barassa, um dos maiores especialistas do setor no país  

O Brasil potencialmente chegará em 2024 com a maior frota de ônibus elétricos do continente. Algumas leis que já foram implementadas em cidades brasileiras direcionando o uso desses veículos fazem acreditar que o Brasil viverá uma grande alavancagem nos próximos dois anos, podendo chegar a aproximadamente 3 mil unidades e se tornando um dos protagonistas regionais na diminuição das emissões de gás carbônico no transporte público. A previsão é de Edgar Barassa, especialista e pesquisador nas áreas de eletromobilidade, energias renováveis e tecnologias emergentes de baixo carbono, que abordará o tema num dos painéis da segunda edição do “Ampère – Ecossistema de Mobilidade Elétrica no Brasil”, um dos maiores eventos de mobilidade elétrica e de energias renováveis do país, que será realizado de 22 a 25 de novembro, no Mineirão, em Belo Horizonte.

Atualmente o país conta com apenas 68 ônibus elétricos a bateria em uso no transporte público, muito aquém da Colômbia, que já tem 1.589 ônibus elétricos, e do Chile que soma 849, com base na plataforma e-bus Radar[1]. “Tendo em vista que somos um país de dimensão continental, esses números nos mostram que estamos alguns passos atrás, mas temos uma perspectiva de que vamos superar esses números latino-americanos devido ao volume de frota total que o Brasil tem hoje no transporte público e pelos compromissos já estabelecidos”, salienta Barassa. Somente a cidade de São Paulo, ressalta, já contará 2.600 unidades em 2024. A capital paulista criou a Lei de Mudanças Climáticas (Lei nº 16.802), que tornou obrigatória a transição energética dos transportes via decarbonização para todo ônibus novo que entrar em circulação. Barassa aponta que a proibição de novos ônibus a diesel poderá evitar emissões acumuladas da ordem de 1.924.662 toneladas de CO2 entre 2022 e 2028, tendo em vista à introdução de 2.602 ônibus de emissão zero até o final de 2024 e 6.602 em 2028, de acordo com estudo publicado pelo ICCT (2022)[2].

Minas Gerais como potencial protagonista na produção de células para bateria

A previsão é que a aceleração desse processo de eletrificação deve impulsionar a economia mineira, gerando uma demanda significativa na produção de baterias para abastecer esses veículos elétricos. “As matérias-primas que compõem as baterias, como lítio e seus derivados, são encontradas em abundância em solos mineiros, fazendo com que o estado tenha uma participação estratégica no crescimento e abastecimento desse mercado”, observa. Contudo, o especialista ressalta que para se tornar um player nesse segmento, abastecendo esse cluster produtivo, Minas precisa desenvolver competências em Pesquisa e Desenvolvimento e Manufatura em seu setor produtivo em prol das baterias de alta tensão e investir em especialização de sua mão-de-obra local. “Temos profissionais especializados no mercado para montar os módulos e pacotes de baterias; fazer a programação e o sistema de gestão da bateria, mas para o principal ativo, que são as células, ainda estamos carentes de competências direcionadas. Lá fora o mundo já está se capacitando, mas no Brasil ainda não existem essas competências adequadamente formadas”.

Eletrificação do transporte público vai gerar renda, empregos e melhoria da saúde pública

Barassa destaca que o Brasil é um dos maiores produtores de ônibus urbanos do mundo, atrás apenas de China e Índia . Mas ressalta que é preciso, antes de qualquer coisa, fazer um trabalho de transição para que o país tenha vantagens econômicas com a eletrificação do transporte público. “Se trouxermos o ônibus elétrico importado, perdemos o efeito multiplicador de criação de renda interna, abrindo mão de capturar valor e de gerar emprego e conhecimento”, registra. De acordo com estudo feito para a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), que teve Barassa como um dos autores, a cada R$ 1 milhão em vendas relacionadas a ônibus elétricos, promove-se a geração de 15 empregos na economia. Em termos de impactos para o PIB, o cenário ideal apresenta um incremento na ordem de 0,04% (cerca de R$ 3, 1 bilhões) por ano. Em termos de geração de impostos, a arrecadação acumulada poderia chegar a R$ 44,3 bilhões em 2050.[3]

Para além do aspecto econômico, com a eletrificação do setor haverá uma grande melhoria da saúde pública. Uma das principais causas de morte no mundo está relacionada a problemas pulmonares provocados pela poluição atmosférica. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 7 milhões de mortes prematuras são provocadas todos os anos pela poluição do ar, sobretudo nos países de baixo e de médio rendimentos. E o setor de transportes terrestres pesados responde por grande parte dessas emissões. De acordo com os dados do Instituto Saúde e Sustentabilidade, 33.751 (27%) das mortes e 19.638 (28%) das internações públicas as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vitória, Porto Alegre e Curitiba se devem exclusivamente às emissões de diesel dos ônibus do transporte público destas regiões. O custo estimado para o SUS é de R$13,6 bilhões e R$37,2 milhões, para o período de 2018 a 2025.

Maior evento sobre mobilidade elétrica e energias renováveis do país

Ampère: Ecossistema de Mobilidade Elétrica do Brasil terá a segunda edição entre os dias 22 e 25 de novembro, no Mineirão, em Belo Horizonte e apresentará soluções de mobilidade elétrica e energia limpa para o grave problema de emissão de CO2 no país e no mundo, além de promover uma imersão no Congresso Internacional Ampère (AIC), com palestras e seminários, test drive de veículos elétricos; inauguração da rota turística e sustentável na Estrada Real com pontos de carregamento para veículos elétricos entre Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e Conceição do Mato dentro; e a premiação nacional para projetos em mobilidade elétrica. O evento é uma iniciativa da Sama Produções e Eventos, Evbras Mobility e conta com o patrocínio, dentre outros, da Prefeitura de Belo Horizonte, Belotur, Aeroporto Internacional de Belo Horizonte e apoio Institucional da Fundep. PNME, Rádio e TV 98, Band Minas e a curadoria do congresso realizada pela Barassa & Cruz Consulting.

2ª Edição do maior evento sobre o Ecossistema de Mobilidade Elétrica do Brasil!

Ampère: Ecossistema de Mobilidade Elétrica do Brasil

22 a 25 de novembro de 2022, no Mineirão

Inscrições gratuitas para primeiro lote de ingressos: www.eventoampere.com.br

Acompanhe a programação completa no link: https://eventoampere.com.br/wp-content/uploads/2022/10/cronograma_ampere.pdf

 

[1] A esse respeito, https://www.ebusradar.org/

[2] Ver https://theicct.org/wp-content/uploads/2022/11/Beneficios-ZEBRA-A4-v3.pdf

[3] https://www.cepal.org/pt-br/publicaciones/47833-oferta-onibus-eletrico-brasil-cenario-recuperacao-economica-baixo-carbono

Com informações da Assessoria de Imprensa

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MOBILIDADE COMO SERVIÇO CADA VEZ MAIS PESSOAL

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“Adoção da MaaS passou a ser discutida entre governos, operadores e outros componentes do ecossistema de transporte.”

O conceito de mobilidade como um serviço (MaaS, na sigla em inglês) é claro: uma plataforma unificada, com diversas opções de transporte, com foco no passageiro. Cada pessoa escolhe o modal ou a combinação de modais que vai utilizar de acordo com a sua necessidade. Assim, a mobilidade é oferecida, de fato, como um serviço.

Essa ideia vem se popularizando, e a adoção da MaaS passou ser discutida entre governos, operadores e outros componentes do ecossistema de transporte. Tanto que acredito já ser possível propor um próximo passo no debate, e explorar uma MaaS personalizada. Em especial, no transporte coletivo, que deve oferecer uma experiência cada vez mais adaptada aos requisitos individuais e momentâneos de cada passageiro.

Tecnologia é aliada na personalização

Ainda sem entrar na opção do transporte público sob demanda, é importante refletir: como o transporte coletivo pode entregar algo personalizado e individual? Os cronogramas e itinerários (ainda) são fixos e regulares. Os veículos também são, praticamente, os mesmos, em qualquer lugar do mundo.

Vejo a resposta na tecnologia. Por ser mais adaptável e veloz do que uma transformação estrutural no transporte, a tecnologia pode atender, mais facilmente, a essa prerrogativa da MaaS de colocar o usuário no centro. Por exemplo, apontar as rotas frequentes, nos horários em que são mais utilizadas, para um passageiro ir a seu local de trabalho ou, ainda, informar, de antemão, qual a viagem de retorno ideal ao ponto de partida em um trajeto – duas funções que foram adicionadas ao Moovit, recentemente.

Um próximo passo para essa funcionalidade pessoal será cruzar informações com dados de congestionamento, por exemplo, e sugerir rotas que sejam mais rápidas ou mais eficientes para chegar a destinos comumente usados. Ou, ainda, checar dados meteorológicos e sugerir outras opções de mobilidade e de trajeto. Por que não indicar uma caminhada, bicicleta ou patinete compartilhados para percorrer uma distância curta em um dia de clima agradável?

Esses benefícios são direcionados ao passageiro, mas uma personalização pela tecnologia, também, beneficia os operadores. Primeiro, por fidelizar o cliente, ao apresentar mais e melhores opções que atendam ao que é desejado. E por reforçar a confiabilidade no sistema de transporte ao mostrar sua previsibilidade. E, por detalhar a integração de modais que a MaaS propõe, trazendo mais passageiros de diferentes serviços ao seu modal.

Produtos e serviços

Outro aspecto de personalização que já começa a ser explorado é a oferta de produtos e serviços na rota do usuário, mais uma vez, usando a tecnologia como conexão. Com o objetivo de aprimorar a experiência, lojas, restaurantes, cafés e demais empreendimentos no seu itinerário podem ter seus produtos e serviços anunciados no aplicativo, usando a localização do usuário como base.

Isso beneficia negócios nas estações e nos terminais nas proximidades, podendo ampliar a receita dos estabelecimentos e trazer mais comodidade aos passageiros.

Esses são exemplos simples, mas que dão uma amostra de como a tecnologia pode ampliar a personalização no transporte coletivo e fazer com que cada passageiro tenha uma experiência mais pessoal.

Fonte: Mobilidade Estadão