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STARTUPS USAM TECNOLOGIA E INOVAÇÃO PARA ECONOMIZAR E PURIFICAR ÁGUA

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Startups usam tecnologia para economizar e purificar água

A crise hídrica no planeta está relacionada não só com a falta de sistemas de purificação de água seguros, mas também com as mudanças climáticas, a rápida urbanização e a poluição. Água e saneamento básico são considerados direitos humanos, mas um quarto da população mundial não tem acesso à água, segundo estudo conjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Banco Mundial.

No Brasil, quase 35 milhões de pessoas vivem sem água tratada e 100 milhões não têm acesso a saneamento, de acordo com o Ranking do Saneamento 2022, do Instituto Trata Brasil. Diante desse panorama, a disponibilidade e gestão sustentável da água entraram na agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Buscando resolver o problema, várias startups criaram soluções tecnológicas voltadas para o uso sustentável da água.

A T&D Sustentável, startup especialista em gestão de recursos hídricos, oferece o Sistema de Economia de Água (SEA), que faz a gestão de grandes consumidores. A solução identifica melhorias, corrige falhas, monitora vazamentos em tempo real por meio de inteligência artificial e promete redução de gastos com água em até 70%. Desde que começou a atuar, em 2018, a empresa comunica que foram economizados mais de 280 milhões de litros de água potável, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 3 milhões de habitantes por um dia.

Além disso, mais de R$ 9,2 milhões de reais foram poupados pelos clientes, segundo a companhia. Essa economia é o que mantém a startup, que ganha 50% em cima do resultado obtido e não cobra taxas de contratação. “Antes do ESG, tem que vir o ROI (retorno sobre investimento). Se ele não existir, a conta não fecha. Então, o nosso cliente quando começa a economizar milhões de litros de água e a conscientizar pessoas [sobre o melhor aproveitamento da água], ele também está colocando dinheiro do próprio bolso”, afirma Camilo Torquato, CEO da T&D Sustentável.

A Wash Me, startup de gestão de lavagem ecológica de frotas, também trabalha para fazer economia de água e evitar a locomoção da frota, já que presta o serviço na área do cliente. No ano passado, a empresa declara que mais de 60 milhões de litros de água deixaram de ser gastos. O aplicativo da startup permite saber a quantidade de litros poupados e de carbono não emitido ao evitar a movimentação dos veículos para serem lavados.

Para diferenciar-se de outras empresas que prestam o mesmo tipo de serviço, a Wash Me investiu em governança. “Garantimos que a empresa iniciará a operação com as documentações em dia, com funcionários devidamente treinados e registrados e que os serviços de limpeza prestados estão dentro das normas de segurança”, diz o CEO, João Salvatori.

Startup de impacto socioambiental reconhecida pela ONU, a Sustainable Development And Water For All (SDW) disponibiliza tecnologias que dão acesso à água potável para comunidades remotas. Anna Luísa Beserra, CEO da SDW, diz que seus clientes são companhias que têm empreendimentos em áreas próximas a populações com necessidade de água e saneamento e decidem investir em projetos de responsabilidade social. Segundo ela, a cada R$1 investido por empresas em projetos da SWD, R$ 27 retornam para a sociedade.

Isso significa que essas ações conseguem economizar custos com saúde, saneamento, educação e proporcionam melhoria na qualidade de vida para essas comunidades, que têm alta vulnerabilidade social. Ainda assim, há resistências a esses projetos. “Temos uma problemática muito grande com a forma como essas empresas visualizam o investimento social. Elas querem investir o mínimo possível para o maior impacto possível”, diz.

Hoje, a SDW possui entre as tecnologias do seu portfólio o Aqualuz, equipamento de tratamento de água de cisternas que usa a radiação solar, o Sanuseco, banheiro sustentável sem necessidade de descarga para remoção de dejetos, e o Sanuplant, tecnologia complementar ao Sanuseco, voltada para o escoamento e tratamento do esgoto doméstico.

Fonte: Valor.Globo

P3C REALIZA PRÉ-EVENTO SOBRE IMPORTÂNCIA DA UNIVERSALIZAÇÃO DO SANEAMENTO BÁSICO

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P3C
Mesa com participantes do Universalização do Saneamento - Novo Marco Legal. Foto: P3C

Discussões nas mesas temáticas favoreceram reflexões sobre a relação estratégica do assunto com a projeção de cidades inteligentes.

“O que é preciso fazer para atingir a universalização do saneamento até 2033 que, no momento, abrange cerca de 33% dos municípios e 25% da população brasileira?” Na última quarta-feira, 08/02, Brasília recebeu o pré-evento do P3C – PPPs e Concessões sobre a Universalização do Saneamento – Novo Marco Legal. Transmitido ao vivo pelo canal oficial P3C no Youtube, o evento presencial contou com a participação de autoridades importantes dos setores da infraestrutura nacional: Mauricio Portugal Ribeiro, Sócio da Portugal Ribeiro Advogados, Verônica Sánchez da Cruz Rios, Diretora-Presidente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Jerson Kelman, Professor de Recursos Hídricos da COPPE-UFRJ .

Além da presença da Presidente da Trata Brasil, Luana Pretto, Gesner de Oliveira, Professor da FGV-SP, Mario Engler Pinto Jr., Presidente do Conselho de Administração da SABESP e CORSAN, Cleverson Aroeira, Analista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Gustavo Kaercher Loureiro, Pesquisador sênior do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura – CERI da FGV-RJ, Karla Bertocco, Sócia da Mauá Capital e Percy Soares, Diretor Executivo da ABCON.

A programação integrou cinco mesas temáticas, cujos palestrantes geraram um debate construtivo e de alto nível sobre o cenário do setor de saneamento básico no Brasil, com análises críticas sobre as atuações dos poderes públicos e privados nesse âmbito, importância do cumprimento das premissas da Lei do Novo Marco Legal, instituída em 2020, para aceleração da universalização nacional dos serviços de água e esgoto até 2033. 

O encontro ainda teceu visões sobre a trajetória da ANA nesse contexto e o relacionamento da instituição com agências reguladoras locais, analisando dificuldades, destacando necessidades de melhorias e refletindo perspectivas para a construção de cidades mais inteligentes e inclusivas, com acesso facilitado e de qualidade a serviços essenciais, como água potável, coleta e tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos etc.

“O objetivo foi reunir os principais atores dos ecossistemas de infraestrutura para amadurecer ainda mais as discussões sobre os propósitos do marco legal de saneamento básico e ressaltar sua importância para o alcance mais rápido de efeitos positivos para a saúde da sociedade e conservação do meio ambiente, possibilidade o desenvolvimento de cidades mais democráticas, resilientes e sustentáveis”, explica a idealizadora do P3C e CEO da Necta, Paula Faria.

Universalização do Saneamento e perspectivas de cidades inteligentes

Para o avanço de uma sociedade equilibrada, a cidade precisa evoluir conjuntamente, desenvolvendo uma espécie de sintonia sistêmica. A prestação de um serviço de saneamento universal e de qualidade integra o rol de atividades estratégicas de políticas urbanas para a implementação de uma cidade inteligente. Entretanto, os índices de habitantes brasileiros sem acesso à água e serviços de coleta e tratamento de esgoto ainda são alarmantes e ultrapassam casas de milhões.

“Não adianta falar de universalização, sem pensar em investimentos. Cada estado precisa pensar em como resolver uma situação para ter investimentos e alcançar a universalização, pensando em melhorar a qualidade de vida, que se traduz em melhorias”, afirmou, durante o evento, a presidente da Trata Brasil, Luana Pretto.

Nessa mesma linha de raciocínio, o professor de Recursos Hídricos da COPPE-UFRJ, Jerson Kelman, ressaltou que o “Novo Marco Legal tem chance de resolver gravíssimos problemas no país” e que medidas direcionadas às áreas social, econômica e ambiental devem ser “governadas a partir do setor público, por meio de novos contratos de concessão total ou  PPPs, visando atrair aportes do capital privado”, desenvolvendo administrações mais homogêneas, com segurança jurídica, e acelerando, com isso, as transformações necessárias para a conquista de cidades resilientes e promissoras.

Com isso, para a gestão de cidades inteligentes, necessita-se fortalecer medidas de acompanhamento e fiscalização, conforme ditames do Novo Marco Legal, da prestação de serviços de saneamento realizada pelos municípios de todo o Brasil. Já que, de acordo com o sócio da Portugal Ribeiro Advogados, Maurício Portugal Ribeiro, não há ainda “um caminho concreto para esses municípios atingirem a universalização e assumirem possíveis consequências”. 

“Com isso, é preciso que o Novo Marco estenda o seu braço para receber eventuais problemas”, ressaltou Ribeiro, que ainda destacou que uma medida eficiente para incentivar esse projeto de regionalização, resultando em uma maior adesão dos municípios à Universalização, seria a geração de incentivos à prefeituras e, consequentemente, haveria maior transparência na prestação de contas de ordem econômica e financeira.

O caminho não será fácil. “Temos que dobrar o patamar de investimentos em Saneamento (para cerca de R$ 36 bilhões)” para mudanças de contextos, ressaltou o Professor da FGV, Gesner de Oliveira, que ainda sugeriu a proposta de formulação de um ranking de qualidade de agências de regulação para auxiliar a transformação desse cenário nacional. 

Além disso, está em jogo a necessidade da elevação de investimentos institucionais públicos e privados em soluções técnicas, operacionais (incluindo, a revisão e valorização do projeto Tarifa Social da água para garantia de acesso facilitado a esse bem essencial pelas populações mais vulneráveis, como apontou a presidente da ANA), de infraestrutura, inovação e capacitação de agentes para a construção de um ecossistema de cidade inteligente justo, integrado e autossuficiente. 

P3C

Uma realização da Necta e da Portugal Ribeiro Advogados, com correalização da B3, a agenda Universalização do Saneamento – Novo Marco Legal integra o P3C que é o principal evento multissetorial sobre infraestrutura com o propósito de tornar o ambiente de negócios mais previsível e seguro para os investidores no Brasil. O P3C será realizado entre os dias 27 (premiação) e 28 de fevereiro (conferência), respectivamente, na B3 e no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Para informações sobre a programação e inscrições, acesse o portal do evento. 

 

ESPECIALISTAS E AUTORIDADES DEFENDEM MANUTENÇÃO DE CONQUISTAS DO MARCO LEGAL DO SANEAMENTO BÁSICO

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marco legal

Especialistas e autoridades ligadas ao setor de saneamento afirmaram que é possível aperfeiçoar o marco legal do saneamento básico, mas que a prioridade do país será evitar retrocessos que dificultem a universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. Nesta quarta-feira (8), eles participaram da abertura do evento “Universalização do Saneamento – Novo Marco Legal”, iniciativa preparatória à conferência e ao prêmio P3C, que devem ser realizados nos dias 27 e 28 de fevereiro. A organização é da Necta, com apoio da B3 e da Portugal Ribeiro Advogados.

Mais de 100 milhões de brasileiros não têm coleta e tratamento de esgoto e 35 milhões não têm acesso à água potável, de acordo com o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério do Desenvolvimento Regional.

Segundo Jerson Kelman, professor de recursos hídricos na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), uma das principais causas do fracasso de políticas públicas no Brasil é a descontinuidade delas devido a mudanças na administração pública. Desde a vitória eleitoral do presidente Lula, há pressões de parte do setor, ligada a empresas públicas, para que sejam feitas mudanças no marco legal.

O especialista lembrou que o marco legal foi aprovado em 2020 e que tem chance de resolver a falta de acesso dos brasileiros a água e esgoto tratados. Por isso, diz que não é preciso rediscutir o modelo que facilita maior participação da iniciativa privada para garantir o cumprimento das metas de universalização. “É evidente que o Tesouro é incapaz de prover os investimentos necessários para chegar à universalização. Nós temos um problema fiscal. O aporte de investimentos privados seria bom.”

Velocidade
Karla Bertocco, sócia da Mauá Capital, lembrou que o novo marco legal do saneamento estabelece que, até 2033, 99% da população brasileira deverá ter acesso à água tratada e 90% à coleta e tratamento de esgoto. Ela considera as metas de universalização conquistas das quais o país não pode abrir mão.

“O ano de 2033 está logo ali. Dez anos não são suficientes para fazer todo o investimento para avançar o que a gente precisa quando você olha para a velocidade do passado. A gente vê o marco como uma forma de ganhar velocidade para alcançar essas metas, porque parece inimaginável os habitantes do país um dia a mais sequer do que isso.”

Um dos organizadores do evento, o advogado Mauricio Portugal Ribeiro afirmou que a manutenção do marco legal do saneamento básico é questão central para o país e que, sem essa legislação, a universalização dos serviços não será possível. “Os efeitos do ponto de vista de saúde pública e ambiental são muito importantes. O novo marco legal é uma conquista da sociedade brasileira. Apesar de ter sido aprovado no governo anterior, não é uma pauta só do governo anterior, mas da sociedade brasileira”, destacou.

Espinha dorsal
A presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, defendeu que a “espinha dorsal” do marco não seja alterada, porque dela depende a universalização dos serviços de saneamento, a melhoria de vida dos mais pobres e, também, do meio ambiente. “A gente fala de um programa de inclusão social. A universalização poderia tirar 37 milhões de pessoas da pobreza. É um grande programa, que não depende de governo a, b ou c. Vamos deixar de lançar 5.500 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza.”

O sócio da GO Associados e doutor em economia, Gesner Oliveira, sugeriu que a sociedade civil crie uma organização para acompanhar de perto a implementação do marco no país. “Talvez deveríamos organizar um grupo de pessoas para contribuir de forma sistemática, avançar onde for possível, evitar retrocessos e, principalmente, colocar esse debate na opinião pública.”

Paixões ideológicas
Mario Engler Pinto Jr., presidente do conselho de administração da Sabesp, ressaltou que o debate em torno do saneamento básico deve deixar de lado as paixões ideológicas e o corporativismo. Somente assim será possível desenvolver o setor, avalia.

“A discussão séria, por especialistas, de quem realmente quer fazer acontecer esses objetivos, tem que deixar de fora isso, porque se esse for o drive da discussão, o risco de não se chegar a bons resultados é muito grande. Ideologia e corporativismo não podem guiar qualquer ideia de mudança no novo marco legal.”

Já o presidente da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento), de Campinas, Manuelito Pereira Magalhães Jr., destacou que é preciso pensar o saneamento em harmonia com outras mudanças que estão ocorrendo. “Precisamos engajar o saneamento na transição climática, na transição energética e também na transição digital. O saneamento não é à parte do mundo. Precisamos olhar para o saneamento como podemos fazer dele instrumento de adaptação a essa nova realidade.”

Fonte: Agência Infra

CARROS ELÉTRICOS RESPONDERÃO POR 55% DAS VENDAS NO BRASIL EM 2040, DIZ ESTUDO

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Carros elétricos responderão por 55% das vendas em 2040

O Brasil tem potencial para se tornar um dos grandes mercados globais de carros elétricos. A posição de destaque do país na transição para a mobilidade elétrica foi confirmada pelo estudo “Acelerando a mudança rumo à Mobilidade Sustentável no Brasil, da McKinsey & Company”, que trouxe dados muito interessantes sobre o perfil do consumidor e um futuro promissor nesse campo, desde que as transformações necessárias ocorram.

Em primeiro lugar, a pesquisa realizada nos principais centros urbanos do país mostra o que já havia sido indicado em outras análises: o brasileiro é mais suscetível às questões ambientais e sustentáveis, sobretudo ao carro elétrico, na comparação com outros países. Mas há dois pontos de divergência aqui: o preço de aquisição e a previsibilidade de recarga em rodovias, durantes as viagens.

Nesse ponto, a análise da McKinsey traz muitos dados interessantes sobre o perfil dos brasileiros:

  • 44% buscam uma alternativa sustentável para os deslocamentos (33% na média global)
  • 24% se consideram entusiastas da mobilidade limpa (18% na média global)
  • 26% pretendem que o próximo carro seja sustentável (15% elétrico a bateria e 11% híbrido)

O interesse do público brasileiro pelos veículos elétricos é tão significativo que 30% comprariam um veículo elétrico mesmo sem uma opção de recarga em casa. Além disso, 55% estariam dispostos a pagar entre 5% e 20% mais caro por eles, na comparação com um modelo a combustão equivalente, ainda que 40% deles informe que o preço é uma das maiores preocupações.

Frota de 11 milhões em 2040

De acordo com o estudo da McKinsey, o Brasil terá uma frota com 11 milhões de carros elétricos a bateria em circulação em 2040, um volume que representará 55% das vendas de veículos 0 Km no país – em 2022, a participação dos elétricos a bateria foi de apenas 0,4% no total de emplacamentos.

Confira abaixo a previsão de evolução da participação nas vendas:

  • 2% em 2025
  • 22% em 2030
  • 35% em 2035
  • 55% em 2040

Custo de propriedade

O estudo também apurou que o Custo Total de Propriedade de carros elétricos está em queda na comparação com os modelos a combustão. No caso do segmento médio (com preço entre R$ 200 mil e R$ 400 mil), o custo do elétrico já é inferior para quem roda mais de 150 km/dia. Mas a tendência é que por volta de 2030, esse custo já seja mais vantajoso para os carros elétricos mais acessíveis, o que ajudará na disseminação desses veículos.

Em termos de emissões, a vantagem é clara para os carros elétricos a bateria, que têm um volume de emissões durante o ciclo de vida por veículo entre 10 e 14 toneladas de CO2, enquanto os veículos convencionais emitem de 17 a 44 toneladas de CO2 durante sua vida útil.

Tudo isso mostra que o Brasil tem grande potencial na transição para a mobilidade sustentável, seja pelo grande interesse do público, como pela matriz energética mais limpa. Mas a jornada depende ainda de um grande esforço que envolva governos, sociedade e transformação da indústria.

Incentivos

Nesse ponto, o estudo indica quatro pilares fundamentais para avançar na eletrificação:

  • incentivos para o comprador de carro elétrico
  • política de incentivo industrial
  • investimentos constantes na infraestrutura de recarga
  • adequação da infraestrutura de geração e transmissão de energia

Além de aprimorar os incentivos à produção e aquisição de carros elétricos, o Brasil também precisa desenvolver uma infraestrutura de energia para comportar o crescimento nas vendas desses veículos. No entanto, o estudo conclui que a geração e transmissão de energia provavelmente não serão muito afetadas pelo crescimento da mobilidade elétrica: o aumento no consumo energia corresponderá a cerca de 3% da energia gerada por ano, em valores atuais.

Mas a infraestrutura de carregamento se impõe como um desafio, que precisará de incentivos para a instalação de carregadores residenciais e comerciais, bem como constante ampliação da rede pública: o estudo estima que seria necessário um crescimento de 45% ao ano até 2040 para comportar o avanço da frota de carros elétricos no país.

Mercado bilionário

Por fim, com base na experiência de grandes mercados como China, Europa e Estados Unidos, a análise conclui que a transição para a mobilidade elétrica irá gerar grandes oportunidades de negócio. Em 2022, esse mercado gerou receitas de US$ 1 bilhão aqui no Brasil, número que irá quadruplicar até 2025 e alcançar US$ 65 bilhões em 2040.

Fonte: Insideevs

NOVA FERRAMENTA PERMITE A EMPRESAS AVALIAR TRAJETÓRIA PARA A SUSTENTABILIDADE

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Nova ferramenta permite a empresas avaliar trajetória para a sustentabilidade

Solução criada pelo BCSD Portugal pretende ajudar as empresas a posicionarem-se na jornada para a sustentabilidade, para cumprirem os objetivos ESG até 2030

O BCSD Portugal vai disponibilizar no final de fevereiro uma nova ferramenta online que vai permitir às empresas fazer o diagnóstico da sua posição no caminho para a sustentabilidade e também acompanhar esse caminho através de um roadmap disponibilizado para cada empresa.

Na plataforma Jornada 2030, as empresas são convidadas a responder a um questionário com diversas perguntas, que no final dá o posicionamento nesta caminhada para cumprirem os critérios ESG (ambiental, social, governação). A ferramenta coloca questões sobre a caracterização da empresa, cultura empresarial, estratégia, sobre o plano de ação, comunicação e stakeholders, e mais especificamente sobre os critérios ambientais sociais e de governação implementados.

Após responder a tudo, um painel geral dará o posicionamento da mesma na jornada para a sustentabilidade, composta por seis etapas: despertar, conhecer, construir, comunicar, consolidar, coliderar. Ficará também disponível uma matriz de prioridades com sugestão de ações a implementar.

A parte de diagnóstico geral estará disponível para todas as empresas, mas a parte mais concreta de avaliação das áreas ambiental, social e de governação destina-se apenas às empresas signatárias do BCSD, estando já acessível às mesmas. Porém, a plataforma não terá quaisquer custos nos primeiros dois anos.

“Queremos que as empresas possam experimentar, responder a um primeiro questionário de autoavaliação e explorar os conteúdos. Depois, há um acesso reservado para entidades signatárias e estas poderão aí fazer a gestão efetiva dos indicadores, como estão a evoluir em termos ambientais, sociais e de governance, verem que oportunidades têm de melhoria e o que podem fazer, etc.”, explica ao Negócios Maria João Coelho, Head of Sustainability Knowledge do BCSD Portugal.

Um levantamento feito recentemente pelo BCSD, junto de 67 empresas portuguesas, permitiu, entretanto, aferir que a maioria está ainda nas primeiras etapas da Jornada 2030: despertar (21%), conhecer (46%), construir (21%), comunicar (1%), consolidar (6%), coliderar (4%).

“Percebemos que 67% das empresas estão a despertar ou então a começar a fazer o diagnóstico, a conhecer os stakeholders, etc. e depois 21% estão na fase da construção. Isto significa que 88% estão ou a dar os primeiros passos ou a conhecer a sua organização e impactos ou a construir o plano de ação”, destaca Maria João Coelho sobre o estado em que se encontra o setor empresarial português rumo à sustentabilidade, acrescentando que “só as maiores é que estão nas fases mais adiantadas enquanto que as PME e as micro empresas estão nas fases iniciais”.

Os temas mais tratados pelas empresas são os resíduos, questões relacionadas com a prevenção, saúde e segurança e gestão da água. “Estes são os temas clássicos que as empresas começaram a endereçar por causa também das exigências da própria legislação”, sublinha a responsável.

Este levantamento permitiu também perceber que 93% das empresas já têm compromissos ao nível da missão, mas apenas 55% têm uma estratégia delineada. Entretanto, 73% já têm um responsável, equipa ou departamento dedicado aos temas da sustentabilidade, porém, quando se trata de ação, as percentagens são mais baixas. Por exemplo, apenas 37% das empresas já têm um plano de ação com indicadores de monitorização, calendarização e alocação de responsabilidades.

Fonte: Jornal de Negócios

A NOVA ERA DAS “SMART CITIES”: A ESFERA HUMANA DAS CIDADES INTELIGENTES E SUSTENTÁVEIS

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O mercado de cidades inteligentes em 2025
Crédito: Banco de imagem

A cidade inteligente deve propiciar ao cidadão que ali vive uma qualidade de vida melhor, reconhecida a partir de serviços públicos de qualidade, ofertados com nível de eficiência, transparência, agilidade e facilidade.

Embora o conceito de cidade inteligente não seja novo, no Brasil ele se tornou mais evidente a partir de 2020, com a publicação da Carta Brasileira para Cidades Inteligentes, que dispõe de diretrizes para o planejamento de políticas públicas e infraestrutura sustentáveis para as cidades. O conceito de “smart city” é amplo e engloba diversos aspectos. Apesar de não haver um consenso para a definição de uma cidade inteligente, o uso de tecnologia sempre aparece como fator de viabilização para o aumento da eficiência de serviços, conectividade de setores e pessoas e fornecimento de dados que confiram inteligência à gestão.

Considerando a visão de diversos autores, artigos e publicações, podemos concluir que a cidade inteligente deve propiciar ambientes de inovação, integração, crescimento econômico, serviços públicos eficientes e uma melhor qualidade de vida para o cidadão, sendo que para se atingir estes objetivos, o uso de tecnologia é fundamental. 

No contexto brasileiro com base na visão da “Carta Brasileira para as Cidades Inteligentes”, o texto apresenta uma visão abrangente, incluindo dimensões de governança, aspectos socioculturais, gestão colaborativa, redução de desigualdade, sendo um dos conceitos de cidade inteligente mais completos que eu já li.

É interessante perceber que as primeiras referências ao termo cidade inteligente já incluíam a utilização da tecnologia para a resolução de problemas nas cidades e a capacidade de processamento dos dados da gestão urbana, destacando-se, porém, que a tecnologia constitui o meio pelo qual as informações são processadas, e não o fim por si só. 

A tecnologia revolucionou nossas vidas e as cidades. Com a popularização da internet, o acesso a serviços tornou- se mais ágil, possibilitando um crescimento de plataformas de serviços. Além disso, empresas de base tecnológica começaram a desenvolver sistemas específicos para auxiliar na resolução de problemas nas cidades. Outro ponto interessante é que os próprios sistemas de gestão urbanos começaram a ser desenvolvidos e utilizados para o planejamento e para a gestão das cidades. 

Em 2008, a IBM, uma das empresas pioneiras no desenvolvimento de soluções para cidades inteligentes e líder do segmento, aprovou o projeto IBM Smarter Planet que previa o desenvolvimento de rede e sensores de inteligência nas cidades, os IoTs, um marco para as smart cities. 

Muitas cidades brasileiras têm iniciado um movimento de implementação de medidas a fim de se tornarem mais inteligentes, como a troca de lâmpadas de led, instalação de câmeras de segurança, implementação de wi-fi público, disponibilização de serviços públicos nos portais, entre outras. Apesar de todas essas ações serem benéficas e contribuírem para a evolução da transformação e digitalização da cidade, ainda observamos dificuldades na obtenção de melhores resultados que tragam impacto para a vida da população. 

A cidade inteligente deve propiciar ao cidadão que ali vive uma qualidade de vida melhor, reconhecida a partir de serviços públicos de qualidade, incluindo uma maior facilidade na locomoção, uma sensação efetiva de segurança pública, enfim, uma percepção de que as medidas tomadas beneficiaram a vida do cidadão na utilização dos serviços ofertados com nível de eficiência, transparência, agilidade e facilidade. 

Apesar de os projetos de tecnologia serem implementados, o cidadão muitas vezes não percebe uma melhoria na sua qualidade de vida. Existem localizações de “privilégio”, em que a qualidade percebida é mais evidente. Em outros casos, há falta de informação, os serviços não são eficientes, e, ainda, a prefeitura carece de novos processos que deveriam estar atrelados à governança digital para permitir um avanço condizente às tecnologias e IoTs instalados.

Um dos desafios é a integração dos dados que possibilitam ao gestor público identificar de maneira mais ampla os principais problemas da cidade, buscando uma tomada de decisão mais assertiva com base em dados estratégicos. Outro problema é que, além de não estarem conectados entre si, os projetos com foco tecnológico para cidades inteligentes não contemplaram as complexidades e particularidades de cada região. 

Percebemos que os avanços tecnológicos estão no centro do desenvolvimento de cidades mais inteligentes. Entretanto, o planejamento de ações envolvendo cidades inteligentes deve abordar não somente a implementação de soluções tecnológicas, IoTs, aplicativos ou centrais operacionais de controle, que visam a eficiência e o fornecimento de dados para a gestão, mas também, um planejamento de políticas públicas de longo prazo que contemplem e antecipem os problemas da cidade buscando melhorar a qualidade de vida do cidadão. 

 Além disso, ao analisarmos os principais rankings de cidades inteligentes no mundo, percebemos que os indicadores que balizam os índices incluem dimensões humanitárias que constituem uma nova era para as cidades inteligentes. Indicadores como o capital humano, a educação, a cultura, a governança, a liderança e o planejamento, conferem às cidades um status de inteligência mais participativa que contribui com o desenvolvimento de políticas públicas mais sustentáveis. Assim, enquanto as smart cities amadurecem em um novo contexto tecnológico, dinâmico e acelerado, podemos repensar o planejamento das cidades com a colaboração e a participação cidadã.

Embora a tecnologia seja o principal fator de inteligência para as cidades, as cidades funcionam a partir de processos dinâmicos e trocas entre os diversos atores, cidadãos e setores, representando sistemas complexos que devem ser interligados, como ecossistemas vivos em constante evolução. Por isso, a esfera humanitária deve ser considerada para a construção de comunidades melhores, onde haja inclusão digital, educação e a formação de pessoas e lideranças que poderão contribuir para o desenvolvimento mais sustentável das cidades. 

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

O NOVO MARCO DO SANEAMENTO É O MAIOR PROGRAMA SOCIOAMBIENTAL DO PAÍS…

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Agência prorroga inscrições para o Prêmio ANA 2023 até 26 de abril.

Comentário preparado para evento sobre o novo marco da P3C
saneamento

Marco do saneamento já produziu avanços…

• Do ponto de vista da responsabilidade social, é fundamental estimular o investimento para atingir a universalização de água e esgoto até 2033. O sucesso nessa empreitada depende de grande volume de inversões públicas e privadas o que, por sua vez, requer uma regulação simples, clara e independente.
• Um dos aspectos mais importantes do novo marco do saneamento (Lei nº14.026/20) foi precisamente conferir a uma agência reguladora independente como a ANA o papel de supervisão regulatória de forma a contribuir com as agências infranacionais na construção institucional em prol da excelência técnica e independência.
• Para tanto é imperativo harmonizar a regulação em setor no qual há nada menos do que 86 agências infranacionais, sendo 26 estaduais, 19 intermunicipais e 41 municipais.
• Segundo BNDES, Caixa Econômica e B³, após a promulgação do novo marco do saneamento foram realizados 13 grandes leilões, somando R$ 65,5 bilhões em investimentos contratados para os próximos 35 anos, beneficiando 31,2 milhões de pessoas.
• Além destes leilões maiores, o Radar PPP reportou a publicação de 238 procedimentos de manifestação de interesse (PMI) para os segmentos de água e esgoto, equivalente a 16% do total de 1448 PMIs publicadas e 191 PMIs para resíduos sólidos, perfazendo 12% do total.

Não dá para pensar em desenvolvimento com as crianças brincando no esgoto

Fonte: Instituto Trata Brasil

• O novo marco não está restrito a água e esgotamento sanitário. Em 2021 a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) publicou a Norma de Referência nº 1 que dispõe sobre o regime, a estrutura e parâmetros da cobrança pela prestação do Serviço Público de Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (SMRSU), bem como os procedimentos e prazos de fixação, reajuste e revisões tarifárias.
• Segundo o SNIS 2021, existem cerca de 2.100 unidades de disposição inadequada (lixão ou aterro controlado) para resíduos sólidos.

Não dá para pensar em desenvolvimento com crianças tendo que sobreviver em lixões

Crédito: João Paulo Guimarães

O marco do saneamento permitiu um salto em investimento, mas é preciso muito mais…

• Na falta de investimento não há serviços satisfatórios para a maioria da população com mais de 30 milhões de pessoas sem água tratada, mais de 100 milhões sem coleta de esgoto, enquanto as perdas na distribuição de água chegam a cerca de 40%.
• O sucesso dos leilões realizados após a aprovação do novo marco é apenas o início de um longo caminho.
Serão necessários novos saltos no investimento. Segundo dados do SNIS, o investimento médio do período de 2015/21 foi de R$ 17 bilhões¹. A GO Associados estima que o nível necessário de investimento anual em água e esgoto para universalização chega a R$ 36,2 bilhões, o que exigiria praticamente dobrar o patamar atual.

Fonte: GO Associados e SNIS.

• Outros exercícios de projeção chegam a números superiores de investimento necessário para a universalização. Novas estimativas da GO Associados chegaram a R$ 500 bilhões até 2033.
• O desafio é ainda maior quando se considera que este valor de investimento anual necessário para universalização não inclui as inversões necessárias em manejo de resíduos sólidos e drenagem. A GO Associados estima que seriam necessários R$ 70 bilhões e R$ 250 bilhões nestas duas áreas, respectivamente, para garantir atendimento universal.

• O caminho é desafiador, mas os benefícios são enormes. O modelo de insumo produto aplicado em estudo da GO Associados para o Instituto Trata Brasil revelou que um investimento anual de R$ 36,2 bilhões para universalização dos serviços até 2033 acarreta efeitos multiplicadores expressivos com os seguintes aumentos de:
• 851 mil empregos
• R$117 bilhões de produção
• R$ 2 bilhões de arrecadação de impostos

Sem o salto do investimento, os pobres continuarão pagando pela falta de saneamento…

• Boa regulação e competição viabilizam investimentos sem onerar excessivamente a população e sobretudo os mais pobres. Estes são os que mais sofrem com a falta de saneamento pela exposição às doenças e por habitar em áreas de risco, degradadas pela poluição dos cursos d´água e sujeitas a enchentes e deslizamentos.
• Os números sugerem que as estruturas tarifárias podem ser mais progressivas cobrando
proporcionalmente mais dos ricos e menos dos pobres. O preço médio da tarifa de água é relativamente baixo, mas muito mal distribuído, onerando os mais pobres que ficam sem os serviços básicos.
• Uma caixa d’água de 1000 litros tem o mesmo valor de 2 garrafas de água (1L) que podem ser compradas no supermercado. Segundo o SNIS 2021, a tarifa média no Brasil é de R$ 4,81 por m³ que multiplicada por 1.000 litros vale R$ 4,81, equivalente a cerca de duas garrafas de 1 litro. Ou seja, mil litros de água tratada valem apenas dois litros de água engarrafada!

  • Segundo a ponderação do IPCA de 2022 calculado pelo IBGE e baseado na Pesquisa de Orçamento Familiar 2018, o peso da conta de energia representa mais do que o dobro da água e esgoto.

  • A boa regulação e gestão podem promover estruturas tarifárias mais justas nas quais as famílias carentes tenham tarifa social. No entanto, segundo o SNIS, a tarifa social tem uma baixa representatividade no Brasil, alcançando apenas 5% da população.
    • Segundo informações do mesmo SNIS, 18 dentre as 27 Companhias Estaduais tem um alcance da tarifa social inferior a 5%. Além disso, há uma grande variância, indicando falta de critérios claros e foco nas famílias do cadastro único.
    • Os contratos estruturados mais recentemente pelo BNDES (Alagoas, Amapá, Rio de Janeiro e Ceará) possuem mecanismos mais adequados para incentivar o incremento da participação da tarifa social nos contratos, alcançando um número maior de famílias.
    • Nestes contratos, caso a participação da tarifa social ultrapasse um determinado patamar (por exemplo, mais do que 5% dos usuários), há um ajuste automático da tarifa para que exista uma compensação.
    Dessa forma, cria-se um incentivo adequado para que a conta de água tenha uma maior
    representatividade em relação à renda das famílias, além de potencialmente aumentar a base de clientes do serviço.
¹ Preços de dezembro 2020

Gesner Oliveira: Doutor em Economia, Professor da FGV e sócio da GO Associados, 
Pedro Scazufca:Mestre em economia e sócio da GO Associados, 
Lucas Godoi: Mestre em Economia, Luccas Saqueto: Mestre em economia, 
Vicente Santos: Mestre em Economia

PRIMEIRO FREE FLOW COMEÇA A FUNCIONAR NO BRASIL

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CCR inicia negociações para atrair investidores no setor de mobilidade e aeroportos
Foto: Divulgação CCR

Os pórticos do pedágio sem cancela estão em operação em três pontos da Rio-Santos (BR-101)

Começou a funcionar, na segunda-feira dia 30 de janeiro, o primeiro pedágio sem cancela do Brasil. O sistema chamado Free Flow está sob a responsabilidade da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a CCR Rio/SP. Os pórticos estão instalados em trechos da BR-101 (Rio-Santos), em Paraty (km 538), em Mangaratiba (km 447) e em Iguati (km 414).

De acordo com a ANTT, neste mês de fevereiro, serão feitas análises de fluxo e de passagens com tags ou placas de veículo. E sem nenhuma cobrança. Somente após eventuais ajustes nos equipamentos, o que deve acontecer em março, haverá o início das cobranças. Como o Free Flow elimina as praças de pedágio, a cobrança é feita por leitura via câmera.

Segundo a CCR Rio-SP, o sistema agiliza o fluxo de veículos – daí o nome, em inglês, Free Flow, que significa “fluxo livre”. De acordo com a empresa austríaca Kapsch TrafficCom, responsável por trazer a tecnologia ao País, a vantagem do pedágio sem cancela é a inexistência de barreiras. Além disso, haverá redução no consumo de combustível dos veículos e consequente redução de emissões de poluentes.

“Queremos melhorar cada vez mais a mobilidade nas estradas”, diz Ramiro Virreira, vice-presidente da Kapsch para a região – empresa que participou da implantação dessa solução em países como o Chile e o Equador.

Na prática

Virreira lembra que o sistema está amplamente estabelecido na Europa, nos Estados Unidos, na Austrália e em alguns países da Ásia. Segundo o executivo, nesses locais, praticamente, já não existem cabines de pedágio.

Conforme a Kapsch, o sistema utiliza pórticos nas estradas. Essas estruturas têm câmeras, sensores e antenas que conseguem identificar e classificar o veículo por categoria. Essa leitura é feita por meio de tag no para-brisa ou da placa do veículo.

No primeiro caso, o preço do pedágio é cobrado na fatura da operadora da tag. Porém, é possível oferecer descontos no caso de usuários frequentes. Além disso, todos os veículos com tag terão desconto de 5% na tarifa de pedágio pelo uso do dispositivo.

Veículos leves terão vantagem adicional com desconto progressivo a partir da segunda até a 30ª passagem no mesmo local e sentido, dentro do mesmo mês. Os descontos irão variar de 5% a 70%, de acordo com a empresa.

Leitura por placa

Para veículos sem tag, o pagamento da tarifa poderá ser feito por PIX ou por meio de outros aplicativos, como WhatsApp Chatbot, App ou portal da concessionária na internet. De acordo com a CCR, os valores das tarifas ainda não foram divulgados. Conforme a concessionária, isso é atribuição da ANTT.

“A Rio-Santos será a primeira rodovia do Brasil com esse inovador método de cobrança eletrônica de tarifas”, diz Eduardo Camargo, presidente da CCR Rodovias. De acordo com ele, com base na experiência acumulada nesse trecho, será possível expandir a tecnologia para as demais rodovias e concessionárias.

Antes de dar início à nova forma de cobrança, a empresa fará uma campanha educativa para mostrar aos usuários como o equipamento funciona e destacar seus benefícios.

TARCÍSIO E MÁRCIO FRANÇA DEBATEM PRIVATIZAÇÃO DO PORTO DE SANTOS NESTA QUARTA (8)

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Tarcísio e Márcio França debatem privatização do porto de Santos
Foto: Tadeu Nascimento/Prefeitura de Santos

Estratégia do governador de São Paulo é demonstrar que a privatização beneficia diretamente a população da Baixada Santista

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reúne nesta quarta-feira (8) com o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, para debater a privatização do porto de Santos.

Será o primeiro encontro entre os dois desde que assumiram seus cargos. França foi o primeiro no governo federal a expressar divergência sobre a privatização do porto, umas das principais medidas defendidas por Tarcísio.

Depois disso, o governador se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo relatos, disse não ter posição fechada sobre a ideia.

A estratégia de Tarcísio é demonstrar que a privatização beneficia diretamente a população da Baixada Santista com a geração de empregos e benefícios como a construção de um túnel entre Santos e Guarujá, antiga reivindicação da região, que é base eleitoral de França.

Fonte: CNN Brasil

PREFEITURA DE SP ACERTA AO SUSPENDER O USO DE CALÇADÕES DO CENTRO COMO VAGAS PARA ESTACIONAMENTO

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Prefeitura de SP acerta ao suspender o uso de calçadões do centro como vagas para estacionamento
Funcionários da prefeitura pintam vagas para carros no calçadão em frente ao Theatro Municipal. Foto: Felipe Rau/Estadão

Ou firmamos um compromisso em favor do transporte público e da mobilidade ativa ou não vamos combater as mudanças climáticas nem promover inclusão e democratização do espaço público

A prefeitura de São Paulo tomou uma medida correta em desistir da ideia de ocupar espaços públicos de pedestres para estacionamento de veículos. A decisão havia sido divulgada no dia 19 de janeiro (confira na matéria publicada pelo Estadão) com o objetivo de aumentar a presença de público no Theatro Municipal de São Paulo em dias de espetáculo — o que, claro, é uma iniciativa que merece elogios.

Segundo a prefeitura, as vagas em cima dos calçadões poderiam ser usadas em dias de apresentações no teatro no período noturno, entre 19h e 2h. Mas voltou atrás posteriormente.

Como todos sabemos, os centros das cidades brasileiras, à noite, não registram atividades comerciais, serviços e lazer. Com isso, o fluxo de pedestres se reduz bastante, o que aumenta a sensação de insegurança e, como em um ciclo vicioso, afasta ainda mais frequentadores potenciais dos espaços culturais lá instalados.

Democratizar os espaços públicos

Mas não se pode fazer isso incentivando o uso do transporte individual motorizado e, muito menos, tomando espaços históricos, reservados aos pedestres. A questão é simples. Ou firmamos um compromisso em favor do transporte público e da mobilidade ativa, e somos coerentes com ele, ou não vamos combater as mudanças climáticas nem promover inclusão e democratização do espaço público.

O uso dos calçadões para veículos não irá promover ocupação de pessoas. O motorista simplesmente estaciona seu carro e vai ao teatro. Mas, durante o espetáculo, a rua permanece deserta e, potencialmente, insegura.

Corredores culturais

No entanto, penso que a prefeitura pode atender ao seu legítimo desejo de estimular com que mais pessoas frequentem o teatro e, ainda, promover a requalificação do centro e incentivar o uso do transporte público e da mobilidade ativa.

O Theatro Municipal fica a seis minutos de distância da Estação República e a três da Anhangabaú, a pé, ambas pertencentes à Linha 2-Vermelha do metrô.

No percurso entre as saídas das estações até a entrada do teatro, a prefeitura poderia, por exemplo, criar um corredor cultural, nos dias de espetáculo, incentivando ambulantes de comidas artesanais, músicos de rua, entre outras atrações, a se apresentarem naquele espaço.

E, ao mesmo tempo, incentivar lojistas a abrir as portas de seus comércios, bares e restaurantes. Além disso, outras medidas poderiam ser colocadas prática para atrair o público, como ações de zeladoria nas ruas e praças, melhorias na iluminação pública e maior presença de agentes da Guarda Civil e da Polícia Militar.

Como cereja do bolo, um acordo entre o Metrô, a Via Mobilidade e o Theatro Municipal poderia resultar em descontos ou incentivos a quem fosse ao teatro de transporte público. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, sob liderança da competente Aline Cardoso, poderia mobilizar ambulantes e food trucks que poderiam expor seus produtos. A Secretaria de Cultura poderia ficar responsável pela curadoria dos artistas de rua. As secretarias das prefeituras regionais e de Infraestrutura providenciariam a requalificação das ruas Barão de Itapetininga e Xavier de Toledo. E à Secretaria Municipal de Segurança Urbana caberia criar uma estratégia de proteção aos transeuntes.

Tenho certeza de que, com algumas dessas medidas, seria possível aumentar a audiência do Theatro Municipal, revitalizar alguns espaços públicos da região central da cidade bem como criar novas oportunidades de renda, estimular comércio local e incentivar o uso do transporte público e da mobilidade ativa. Não tenho dúvida de que um projeto bem estruturado, unindo vários entes públicos, atrairia muito mais gente do que apenas a plateia do teatro. Por que não tentar?

Fonte: Mobilidade Estadão