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Vacina contra a dengue do Butantan deve começar a ser aplicada em dezembro, diz ministro da Saúde

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Vacina contra a dengue do Butantan deve começar a ser aplicada em dezembro, diz ministro da Saúde
Foto: Camilla Carvalho/Instituto Butantan

Primeiro imunizante de dose única contra a dengue no mundo foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e registro deve sair nos próximos dias.

As primeiras doses da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue no mundo aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devem começar a ser aplicadas em dezembro, segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (26).

O imunizante, porém, só deve ser colocado no calendário de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do início do ano que vem.

Já há 1 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan, e espera-se ter mais 25 milhões até o segundo semestre de 2026. Em 2027, deverão ser mais 35 milhões.

Os estudos apontaram que os voluntários que tomaram a vacina ficaram protegidos durante cinco anos.

A Anvisa assinou nesta quarta o termo de compromisso com o Instituto Butantan para estudos e monitoramento da vacina. Essa é a última etapa que faltava para o registro da vacina.

O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa pelo Ministério da Saúde, Butantan e governo de São Paulo com a presença de autoridades, incluindo o governador Tarcísio de Freitas.

Na próxima segunda-feira (1º), haverá uma reunião com comitê de especialistas e gestores do SUS para definir o grupo a ser vacinado.

O imunizante protege contra os quatro tipos de vírus da doença (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e será destinado a pessoas de 2 a 59 anos.

Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallas, a eficácia da vacina é a seguinte:

  • Eficácia geral: 74,7%
  • Proteção para dengue grave ou sinais de alerta: 91,6% (mesmo vacinada, se uma pessoa for infectada pelo vírus, a probabilidade de desenvolver sintomas graves é bem baixa)
  • Proteção para hospitalização: 100%

O instituto também fechou parceria com a empresa chinesa WuXi para ampliar a capacidade de produção.

Dose única

A secretária estadual de Saúde em exercício, Priscilla Perdicares, destacou as vantagens de ter uma vacina de dose única: facilita a logística, aumenta a adesão das pessoas e vai acelerar a imunização da população.

A vacina contra a dengue, com duas doses, foi incorporada ao PNI em dezembro de 2023, quando o Brasil se tornou o primeiro no mundo a oferecer o imunizante na rede pública. Até então, apenas a Qdenga, fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda, estava disponível no SUS.

Como é produzida fora do país e exige duas doses, o imunizante do laboratório japonês ficou restrito a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — público que concentra o maior número de hospitalizações depois dos idosos. A Qdenga não tem autorização da Anvisa para uso acima dos 60 anos.

A nova vacina do Butantan não substitui a japonesa. O contrato do Ministério da Saúde com a Takeda é de 18 milhões de doses.

Estudos

A Butantan-DV vem sendo desenvolvida há mais de uma década em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIH). O pedido de registro foi apresentado à Anvisa em 16 de dezembro de 2023.

A aprovação ocorreu após cinco anos de acompanhamento dos voluntários na fase 3 dos ensaios clínicos.

Segundo o instituto, nos estudos de fase dois, a vacina demonstrou 79,6% de eficácia geral para prevenir casos de dengue sintomática.

Já na terceira fase de estudos, a eficácia chegou a uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos.

Cenário epidemiológico

A ampliação da vacinação ocorre em meio ao aumento expressivo de casos de dengue no país.

O Brasil registrou 6,56 milhões de casos prováveis da doença e 6.321 mortes em 2024, segundo o painel de monitoramento da doença do Ministério da Saúde. O número é quatro vezes maior que o de 2023, quando houve 1,65 milhão de casos e 1.179 óbitos.

Em 2025, já são 1,63 milhão de casos prováveis e 1.730 mortes. O estado de São Paulo concentra 55% das infecções, com 897 mil casos e 1.108 óbitos.

Fonte: g1

Quem vai pagar mais e quem vai pagar menos com a isenção do IR?

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Quem vai pagar mais e quem vai pagar menos com a isenção do IR?
Foto: Mateus Andre / Freepik

Entenda como vai funcionar faixa de descontos e taxação de fortunas de quem ganha acima de R$ 600 mil por ano

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionou nesta quarta-feira (26) o texto que estabelece a isenção total de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e com descontos para quem ganha até R$ 7.350 a partir de 2026.

Originalmente até R$ 7 mil, a faixa de desconto foi estendida após o projeto passar pelas mãos do relator na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL).

O parlamentar considerou que a tributação de altas rendas geraria um excedente de arrecadação, o que permitiria ampliar a isenção parcial a fim de garantir a neutralidade fiscal do projeto.

A tabela a seguir ilustra o que muda para quem vai pagar menos com o projeto:

Fonte: Governo Federal / CNN Brasil

A renúncia fiscal com o projeto deve ficar em torno de R$ 25,8 bilhões anuais. Para compensar o espaço deixado por quem vai pagar menos, alguns contribuintes vão ter de pagar mais.

Foi aprovada uma taxação adicional de até 10% para quem ganha entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão por ano.

O Ministério da Fazenda aponta que atingirá “o topo da pirâmide”: 0,13% dos contribuintes, que hoje pagam, em média, 2,54% de IR.

Para a conta entra toda a renda anual com salários, aluguéis, dividendos e outros rendimentos. Seguem isentos rendimentos com venda de bens, herança, poupança, aposentadoria de doença grave e indenizações.

Para pessoas residentes no exterior, a tributação mínima de 10% sobre a remessa de dividendos será cobrada sobre qualquer valor.

Pelo texto, lucros e dividendos referentes a resultados apurados até o fim de 2025 e cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro daquele ano não serão alcançados pela nova cobrança de 10% na fonte.

Fonte: CNN Brasil

Mais de 57 km debaixo das montanhas: esse é o mais longo e profundo túnel ferroviário do planeta

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Mais de 57 km debaixo das montanhas: esse é o mais longo e profundo túnel ferroviário do planeta
Foto: Wikipedia

Corredor subterrâneo reduz tempo de viagem, amplia capacidade de carga e reforça a integração

No coração dos Alpes suíços, entre os vales de Uri e Ticino, funciona uma das obras de engenharia mais impressionantes já construídas: o Túnel de Base de Gotthard. Aberto em 2016, o corredor ferroviário de 57,09 km, totalmente plano, tornou-se o mais longo e profundo túnel ferroviário do planeta, com até 2.450 metros de montanha sobre sua estrutura.

Projetado para substituir o antigo traçado alpino — marcado por curvas, rampas e túneis em espiral — o novo caminho mantém altitude máxima de 549 metros, o que permite a passagem contínua de trens de carga mais pesados e composições de passageiros em alta velocidade. Ligando Erstfeld, em Uri, a Bodio, no Ticino, o túnel atravessa o maciço de São Gotardo por uma rota direta e sem inclinações.

Infraestrutura, política e meio ambiente no mesmo eixo

O Gotthard é o centro do projeto Nova Ligação Ferroviária pelos Alpes (NRLA), aprovado em referendo em 1992. A meta era reduzir o tráfego de caminhões e reforçar o transporte ferroviário no corredor Rotterdam–Basileia–Gênova, essencial para a logística europeia.

Com o túnel, trens de até 3.600 toneladas cruzam os Alpes sem locomotivas extras, e as viagens entre cidades como Zurique, Lugano e Milão ficaram até uma hora mais rápidas. A NRLA inclui ainda o Túnel de Base de Ceneri, ao sul, e o de Lötschberg, em outro eixo norte–sul.

Iniciadas em 1999, as obras mobilizaram milhares de trabalhadores e criaram uma rede subterrânea que ultrapassa 150 km, somando túneis, galerias de serviço e passagens de segurança a cada 325 metros. As estações técnicas de Sedrun e Faido concentram ventilação, equipamentos e rotas de evacuação. O custo total chegou a 12 bilhões de francos suíços, financiados por impostos, taxas sobre transporte pesado e decisões aprovadas em votações populares.

A complexidade do terreno exigiu adaptações constantes, com temperaturas internas que alcançam 46°C. Nove trabalhadores morreram durante a construção, um dado que revela a escala e o risco do empreendimento.

Do recorde ao teste de segurança

Desde sua abertura, o túnel recebe entre 130 e 160 trens por dia, dois terços de carga. A nova ligação reforçou a integração ferroviária entre o norte e o sul da Europa, tornando o Gotthard mais que um obstáculo geográfico: um eixo estratégico de mobilidade.

O túnel, porém, enfrentou seu maior desafio em agosto de 2023, quando o descarrilamento de um trem de carga danificou quilômetros de trilhos e dormentes. O incidente não deixou feridos, mas paralisou parcialmente a operação por meses, forçando o desvio para a antiga rota alpina. Os reparos incluíram a troca de milhares de dormentes e trechos inteiros de via. O serviço normal só foi retomado em setembro de 2024.

Hoje, o Túnel de Base de Gotthard simboliza a combinação suíça de engenharia de ponta, planejamento de longo prazo e compromisso ambiental — e redefine a forma como passageiros e cargas atravessam uma das cadeias de montanhas mais emblemáticas do mundo.

Fonte: Revista Fórum

Cidades da Região Metropolitana de Curitiba ganham 115 novos ônibus para transporte coletivo

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Cidades da Região Metropolitana de Curitiba ganham 115 novos ônibus para transporte coletivo
Foto: Jonathan Campos/AEN

Essa é a maior renovação da história do serviço e acontece antes mesmo da licitação do transporte, feita mediante acordo entre Agência de Assuntos Metropolitanos, as empresas, o Ministério Público e o Poder Judiciário, beneficiando diretamente os usuários com ônibus novos.

O transporte metropolitano da Grande Curitiba ganhou reforço nesta terça-feira (25) com a entrega de 115 ônibus zero quilômetro. A nova frota vai beneficiar seis municípios: Almirante Tamandaré, Pinhais, Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais, Colombo e Bocaiúva do Sul.

O investimento de R$ 126 milhões foi realizado pelas empresas operadoras do sistema metropolitano, entre elas Expresso Azul, Santo Ângelo, São José, Viação Colombo, Viação Antonina e Viação Nobel. Essa é a maior renovação da história do serviço e acontece antes mesmo da licitação do transporte, feita mediante acordo entre Agência de Assuntos Metropolitanos, as empresas, o Ministério Público e o Poder Judiciário, beneficiando diretamente os usuários com ônibus novos.

Para o governador Carlos Massa Ratinho Junior, a renovação representa mais conforto aos usuários para deslocamentos durante o dia a dia. “Temos a maior integração do transporte público do País e agora novos veículos à disposição. São mais de 25 cidades integradas com a Capital, muitas vezes pagando apenas uma passagem. Agora estamos resolvendo um problema de 40 anos, que é esse vácuo sem licitação do transporte, e ao mesmo tempo garantindo investimentos das atuais empresas operadoras”, acrescentou.

Esse processo foi todo coordenado pela Amep. Cerca de 400 mil pessoas utilizam o transporte coletivo na Grande Curitiba todos os dias. “Essa entrega representa praticamente 15% da frota atual. São veículos que passam a atender cidades grandes e importantes da Região Metropolitana. Transporte público é um direito constitucional e é ele quem permite acesso aos serviços de saúde e educação. Investimentos nesse segmento, que é muito seguro para a população, ajudam a consolidar a cidadania”, afirmou o diretor-presidente da Amep, Gilson Santos.

Do total, seis veículos atenderão a população de Almirante Tamandaré, seis a de Pinhais, 20 a de Fazenda Rio Grande, 36 a de São José dos Pinhais e 46 os municípios de Colombo e Bocaiúva do Sul.

“Nossa população agradece muito essa nova entrega e eu parabenizo o governador Ratinho Junior e as empresas pela sensibilidade, proporcionando ao cidadão um transporte público de qualidade”, afirmou a prefeita do município, Rosa Maria.

O prefeito de Colombo e presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec), Helder Lazarotto, também elogiou a iniciativa. “É um novo momento. O Governo do Estado está trabalhando na licitação do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana e ao mesmo tempo garante esses novos ônibus. A partir desta entrega, o serviço já sobe de patamar”, detalhou.

Os novos veículos são de modelos destinados a atender diferentes demandas operacionais: 52 comuns, 32 articulados (com portas do lado direito), seis articulados linha direta (Ligeirinho),13 padrons linha direta (Ligeirinho), nove multimodais (embarque em nível lado esquerdo e degraus lado direito) e três articulados multimodais.

PRESENÇAS – Estiveram presentes o secretário de Estado da Administração e da Previdência, Luizão Goulart; a prefeita de São José dos Pinhais, Nina Singer; o prefeito em exercício de Fazenda Rio Grande, Serjão; o prefeito de Almirante Tamandaré, Daniel Lovato; o presidente da Metrocard, Lessandro Zem; o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi; os deputados estaduais Thiago Bührer, Márcia Huçulak, Fabio Oliveira e Luiz Claudio Romanelli; o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, Hamilton Marins; e o promotor de Justiça Marcelo Salomão.

Fonte: Governo do Paraná

Embraer vai receber R$ 1 bi do BNDES para dinamizar exportações

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Embraer vai receber R$ 1 bi do BNDES para dinamizar exportações
Foto: Antonio Milena/Arquivo Abr

Empresa espera vender até 85 aviões para o exterior em 2025

A terceira maior fabricante de aviões do mundo, a Embraer, vai receber um empréstimo de R$ 1,09 bilhão para produzir aeronaves comerciais que serão vendidas para o exterior. O financiamento foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme comunicado divulgado pelo banco de fomento nesta terça-feira (25). Os recursos serão utilizados pela empresa para cumprir cronograma de entregas já acertado com importadores em vários países.

A companhia, líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos, espera fechar 2025 com um total de 77 a 85 jatos comerciais entregues. No ano passado, o número ficou em 73. Em 2023 foram 64. Somando aviões comerciais e aeronaves de defesa e segurança foram 206 entregas em 2024 e 181 em 2023.

Os recursos para o empréstimo são da linha de financiamento Exim Pré-embarque, voltado para exportadores, com taxas de juros formadas por custo financeiro, taxa do BNDES e taxa de risco de crédito.

Recorde de pedidos

De acordo com o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, a empresa vivencia um recorde no volume de pedidos e “ritmo sólido de vendas”.

“Estamos realizando investimentos significativos para atender à crescente procura por nossos produtos e o financiamento do BNDES é fundamental para apoiar iniciativas que visam aumentar a capacidade de produção e acelerar as entregas nos próximos anos”, disse no comunicado do banco.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destaca o fato de o Brasil fazer parte de um “seleto grupo” de países com capacidade de projetar, fabricar e exportar aeronaves comerciais, executivas, de defesa e agrícolas.

“É um setor estratégico, devido à alta tecnologia envolvida, ao emprego de mão de obra com alta capacitação e à capacidade de gerar inovações com impactos positivos na economia do Brasil”, afirmou Mercadante.

O banco, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, financiou cerca de US$ 26,3 bilhões em exportações de aeronaves comerciais da Embraer, apoiando a produção de 1.350 jatos, desde 1997.

Embraer

A Embraer tem 23,5 mil funcionários em todo o mundo, sendo 18 mil no Brasil, principalmente na sede em São José dos Campos, em São Paulo.

Há contingente também nas cidades paulistas de Sorocaba, Botucatu e Gavião Peixoto, além de engenheiros em Florianópolis e Belo Horizonte.

A empresa mantém unidades industriais nos Estados Unidos e em Portugal. A maior parte das vendas da Embraer é destinada ao mercado externo.

Fonte: Agência Brasil

Educação e inteligência artificial são fatores essenciais para a inclusão digital

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Educação e inteligência artificial são fatores essenciais para a inclusão digital
Crédito: Banco de imagem

Por que a inclusão digital e a formação em IA são essenciais para reduzir desigualdades e impulsionar o futuro do país.

Nos municípios brasileiros, diferentes realidades revelam contradições sobre o uso das tecnologias emergentes no cotidiano. Em algumas cidades, é comum ver crianças navegando na internet antes mesmo de serem alfabetizadas. Segundo levantamento do Cetic.br, mais de 80% das crianças entre 6 e 8 anos são usuárias de internet no Brasil. Em outras regiões, a falta de conectividade ou de um smartphone impede adultos de realizar tarefas básicas, como enviar ou receber um Pix. Esses contrastes evidenciam as profundas desigualdades que precisam ser enfrentadas por gestores públicos, em todas as esferas governamentais, para que o desenvolvimento econômico e social avance de forma equilibrada e a igualdade de oportunidades chegue a todos.

A expansão da conectividade pelo território nacional trouxe um novo desafio: como preparar a população para participar de forma ativa e qualificada da economia digital? A inteligência artificial, que até pouco tempo era restrita a ambientes corporativos ou acadêmicos, já está nas salas de aula, nos serviços públicos, nas ferramentas de trabalho e até mesmo nas interações cotidianas de milhões de pessoas. Seu avanço é rápido e irreversível, redesenhando relações sociais, profissionais e culturais — de aplicativos que corrigem textos automaticamente a plataformas que personalizam o ensino conforme o ritmo de cada aluno. Diante desse cenário, a educação surge como o elo decisivo entre  aessa e tecnologia e saber usá-la de forma crítica, ética e produtiva e consciente.

Na era da IA, a inclusão digital – que pode ser definida como o acesso a dispositivos, à conectividade e à capacidade plena de utilizá-los – precisa ser defendida como um direito fundamental, tão essencial quanto o acesso à eletricidade ou aos serviços de saneamento básico. Em uma sociedade mediada por tecnologias, estar conectado e saber usar essas ferramentas com autonomia e análise crítica é condição para o pleno exercício da cidadania. Negar esse acesso significa ampliar desigualdades, restringir a participação social e limitar o potencial produtivo de milhões de brasileiros. Nesse contexto, o investimento em educação voltada para a economia digital é elemento central da política de desenvolvimento do país.

O uso da inteligência artificial na educação opera em diferentes camadas. Em um primeiro nível, a ferramenta funciona como meio para a aprendizagem de disciplinas tradicionais: matemática, história e ciências, por exemplo. Em um segundo nível, a própria tecnologia se torna objeto de estudo: letramento digital, segurança da informação, uso ético e compreensão crítica dos algoritmos. Por fim, em um terceiro nível, a formação em IA é caminho para a geração de empregos qualificados, com profissionais e pesquisadores preparados para atuar nos setores mais dinâmicos da nova economia. Essa abordagem multifacetada é essencial para que a educação não seja reduzida a uma única estratégia ou público, mas se consolide como pilar transversal de uma formação completa. Por exemplo, uma mesma escola pode usar IA para reforçar o aprendizado e, ao mesmo tempo, introduzir conceitos de programação e nuvem para alunos do ensino médio.

A experiência da China oferece aprendizados valiosos. Desde cedo, o país asiático introduz conceitos de IA em sala de aula, promovendo o uso ativo e consciente da tecnologia. Reportagem da Forbes mostra que escolas chinesas já adotam plataformas inteligentes que auxiliam tanto professores, quanto alunos na personalização do aprendizado. Até mesmo crianças de seis anos começam a interagir com IA, como parte de uma estratégia nacional que busca posicionar a China como líder global em tecnologia até 2049, formando desde cedo uma geração fluente em competências digitais.Trata-se de política de Estado, contínua, estruturada e de amplo alcance.

No Brasil, um exemplo que merece destaque é o do estado do Piauí, que implementou uma estratégia pioneira de educação digital em parceria com organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa. Segundo o NIC.br, a rede estadual de ensino tem investido em plataformas de aprendizado digital e na capacitação de professores para o uso pedagógico da tecnologia, alcançando cerca de 90 mil alunos em 540 escolas. O Piauí tem se tornado referência em alfabetização mediada por tecnologias, mostrando que é possível inovar mesmo em contextos de restrições orçamentárias. No entanto, a diferença entre os dois exemplos evidencia uma realidade: enquanto a China opera uma estratégia nacional, o caso do Piauí é promissor, mas isolado. Para que a inclusão digital seja efetiva, precisamos transformar boas iniciativas em políticas de Estado.

É nesse contexto que o conceito de Nação Digital ganha relevância. A transformação digital não é apenas uma agenda tecnológica – é uma agenda de país, com impacto direto na educação, no trabalho, na produtividade e na participação social.

No Brasil, o lançamento do Comitê Interministerial para a Transformação Digital (CIT Digital), neste ano, é um passo importante  para superar a fragmentação histórica das políticas públicas. Sua missão é articular diferentes esferas governamentais e setores da sociedade para consolidar uma governança integrada, capaz de alinhar diretrizes, orçamentos e iniciativas. Na educação, isso significa colocar no centro do debate as necessidades das escolas, dos professores e dos estudantes. Ao fortalecer essa articulação, o Brasil avança na inclusão digital, com a educação como sua aliada fundamental.

Educação e IA não são agendas separadas. Pelo contrário, são pilares de uma mesma construção: a soberania digital plena. Preparar crianças e jovens de todas as regiões para interagir com a IA, compreendê-la e usá-la de forma construtiva é investir no capital humano que sustentará o desenvolvimento do país nas próximas décadas. 

Para avançar, o país precisa integrar iniciativas de conectividade para escolas (como o Novo PAC), o Plano Nacional de Educação Digital do MEC, a capacitação de educadores, o uso pedagógico da IA, o desenvolvimento de competências digitais e a implementação de plataformas de aprendizagem. Esses esforços devem ser contínuos, coordenados e orientados pela equidade. A inteligência artificial tem potencial para ser um grande instrumento de progresso coletivo, desde que seja acessível a todos.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities. 

Londrina recebe outro prêmio nacional como uma das cidades mais inteligentes do País

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Londrina recebe outro prêmio nacional como uma das cidades mais inteligentes do País
Foto: Freepik

Londrina vem se consolidando como uma das cidades mais inteligentes do Brasil. Desta vez o reconhecimento veio da Associação Nacional das Cidades Inteligentes, Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), por meio do Prêmio Nacional ANCITI Awards, que tem como objetivo reconhecer as cidades e iniciativas com o melhor desempenho nas áreas de Tecnologia da Informação (TI), Transformação Digital (TD) e Inovação.

Em cerimônia realizada nesta terça-feira (18), Londrina foi premiada com a segunda colocação na categoria Cidades de 500 mil até 1 milhão de habitantes, atrás apenas de Osasco (SP).

Única premiação nacional de Smart Cities com foco exclusivo nas ações dos municípios, o ANCITI Awards avalia as respostas de uma combinação de indicadores, com fontes públicas e locais, às soluções de inovação que vão desde meio ambiente, finanças e governança, segurança e tecnologia e conectividade a educação, mobilidade e urbanismo.

A comissão da ANCITI faz o diagnóstico das cidades inscritas na premiação e o mapeamento das soluções implementadas, analisando as seguintes temáticas: Serviços Digitais, Tecnologia e Inovação, Segurança da Informação, Infraestrutura de TI e Cidades Sustentáveis, Inteligentes e Resilientes.

Neste ano, o prêmio registrou 54 municípios inscritos de 17 estados e do Distrito Federal, sendo dez do Paraná (Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Pato Branco, Arapongas e Assaí). Foram premiadas as cinco mais bem colocadas de cada categoria. Londrina superou Joinville-SC (3ª), Vila Velha-ES (4ª) e Maceió (5ª).

Os outros municípios paranaenses contemplados foram Pato Branco, Assaí (respectivamente 2º e 4º colocados na Categoria Cidades até 100 mil habitantes), Maringá e São José dos Pinhais (respectivamente 3º e 5º na Categoria até 500 mil habitantes).

Reconhecimento – O prêmio da ANCITI foi mais um a consolidar Londrina como um dos ecossistemas de inovação mais eficientes do País. Em setembro, a cidade já havia sido classificada como as dez mais inteligentes entre os municípios com mais de 500 mil habitantes no Ranking Connected Smart Cities (CSC), promovido pelo Cidade CSC, em São Paulo, maior evento de inovação do País.

Em um ano, Londrina avançou sete posições na classificação geral do ranking, passando da 24ª posição em 2024 para a 17ª, com 55,25 pontos. A cidade é a quinta colocada na Região Sul, sendo que no Paraná está atrás apenas de Curitiba (5º) e Pato Branco (15º).

Fonte: Prefeitura de Londrina

SC: Cidades atingidas por temporal e granizo decretam situação de emergência

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SC: Cidades atingidas por temporal e granizo decretam situação de emergência
Foto: Reprodução/Instagram @defesa_civilsji

Seis municípios pediram ajuda da Defesa Civil estadual por conta dos estragos

O número de cidades em situação de emergência por conta dos temporais que atingem o estado de Santa Catarina subiu para seis nesta segunda-feira, 24: Luiz Alves, São João do Itaperiú, Balneário Barra do Sul, Ibirama, Lontras e Petrolândia.

Desde sábado, 22, dezenas de municípios registraram danos. Ao menos 130 pessoas estão desalojados.

Luiz Alves registra os maiores acumulados de chuva, inúmeros alagamentos, bairros isolados e aulas suspensas. Já a cidade de Ibirama enfrenta estragos severos após temporal de granizo, com mais de 60 ocorrências e 51 casas danificadas, segundo a Defesa Civil do município.

Em São João do Itaperiú, as aulas suspensas na segunda à tarde devido aos alagamentos e vias intransitáveis. De acordo com a prefeitura, o transporte escolar foi comprometido.

Em Luiz Alves, choveu 140 milímetros em apenas seis horas, elevando o nível de alerta para o máximo, segundo a Defesa Civil municipal. Com o registro de diversos pontos de alagamento, as aulas foram suspensas no período vespertino e noturno, tanto para a rede municipal e quanto para a estadual.

A Prefeitura montou um abrigo na Escola Paulina Regina Weber Köhler, na Vila do Salto, para moradores afetados. As situações piores são nos bairros:

  • Vila do Salto
  • Centro
  • Dom Bosco
  • Braço Elza
  • Braço Miguel
  • Alto Canoas
  • Baixo Canoas
  • Serafim
  • Baixo Máximo
  • Vila Nova

Em Balneário Barra do Sul, as chuvas se intensificaram mais ao longo da segunda, alagado ruas e interditando vias. Segundo a Prefeitura, a maré alta vem dificultando o escoamento da água. A cidade não tem pessoas desalojadas ou desabrigadas até o momento.

Ibirama foi atingida por um temporal de granizo ainda na noite de sábado, 22, que impactou severamente a cidade. A Defesa Civil municipal precisou realizar mais de 60 atendimentos.

Com o temporal, 51 famílias foram afetadas. Nove pessoas estão desalojadas. Os bairros atingidos são:

  • São Miguel
  • Areado
  • Ribeirão do Salto
  • Ribeirão das Pedras
  • Padre Anchieta

De acordo com a Defesa Civil estadual, a previsão do tempo para as próximas horas prevê instabilidade no Litoral catarinense e na região dos Planaltos, com chuva isolada e risco de novos temporais. O Oeste volta a ter sol e calor.

A partir de quarta-feira, 26, o tempo fica firme na maior parte do estado, com máximas de até 30°C no Oeste e variações entre 22°C e 27°C no Litoral e no Vale.

A Defesa Civil pede que a população evite transitar em áreas alagadas, não atravesse enxurradas e procure abrigo seguro se sua casa estiver em área de risco. Em caso de emergência, os telefones para pedir ajuda são o 199 (Defesa Civil) e 193 (Bombeiros).

Fonte: Portal Terra

COP30: os quatro pontos que definiram a conferência do clima em Belém

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COP30: os quatro pontos que definiram a conferência do clima em Belém
Foto: Wirestock

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (C), fala ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (D), do presidente da COP30, André Corrêa do Lago (2º à esq.), e da CEO da COP30, Ana Toni, durante uma coletiva de imprensa na COP30

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA), terminou no sábado (22/11), um dia depois do previsto e após negociações que atravessaram a madrugada.

Um dos principais textos finais da conferência, chamado de “Mutirão Global: Unindo a humanidade em uma mobilização global contra a mudança climática”, frustrou ambientalistas, cientistas e propostas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao não incluir menções a “mapas do caminho” para reduzir a dependência mundial em relação a combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento.

“Qualquer texto sem uma menção clara para reduzir o consumo de combustíveis fósseis é frustrante e não vai na direção do que a ciência defende”, disse à BBC News Brasil o climatologista brasileiro Carlos Nobre.

Apesar disso, a ausência dos Estados Unidos, segundo maior emissor individual de emissões de gases do efeito estufa, e a possibilidade de que a COP30 terminasse sem que os países chegassem a um acordo entre os 194 participantes fizeram com que o resultado das negociações fosse aplaudido na plenária final do evento. Havia o temor de que ausência dos norte-americanos pudesse levar a um travamento de todas as discussões relevantes da conferência.

“Sabíamos que esta COP ocorreria em águas políticas tempestuosas. A negação, a divisão e a geopolítica desferiram duros golpes na cooperação internacional este ano. Mas, amigos, a COP30 mostrou que a cooperação climática está viva e forte, mantendo a humanidade na luta por um planeta habitável, com a firme determinação de manter o 1,5ºC ao seu alcance”, disse o secretário da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC), Simon Stiel, em seu discurso durante o último dia da conferência.

“Belém entregou o que era possível em um mundo radicalmente transformado para a pior. Evitou a implosão do Acordo de Paris, hoje a única coisa a nos separar de um mundo 3ºC mais quente”, disse em comunicado o coordenador de política internacional da organização não-governamental Observatório do Clima, Cláudio Angelo.

Apesar da ausência de menções a combustíveis fósseis nos documentos principais acordados durante a COP30, ambientalistas apontaram que houve avanços, ainda que moderados, entre alguns dos temas debatidos ao longo das duas semanas da conferência. Confira abaixo quatro dos principais assuntos sobre os quais a COP30 deliberou.

1 – “Mapas do caminho” barrados

Os “mapas do caminho” propostos pelo presidente Lula durante suas passagens por Belém foram um dos temas que mais causaram tensão durante as negociações da COP30.

Lula propôs que a COP30 terminasse com a aprovação de alguma menção para a elaboração de roteiros com dois objetivos: acabar com o desmatamento e com a dependência mundial em relação aos combustíveis fósseis.

A queima de combustíveis fósseis é apontada por cientistas como responsável por até 80% das emissões de gases do efeito estufa que causam as mudanças climáticas.

A proposta chegou a ganhar o apoio formal e informal de aproximadamente 80 países liderados por nações como a Colômbia, França, Reino Unido, Suécia e Dinamarca.

Na terça-feira, um rascunho de um dos textos em negociação trazia menções ao mapa do caminho sobre combustíveis fósseis, mas elas acabaram sendo retiradas nos rascunhos seguintes.

Países como a Arábia Saudita, Índia e China, grandes produtores ou consumidores de petróleo e outros combustíveis fósseis como carvão mineral, fizeram oposição à proposta e, segundo dois negociadores brasileiros ouvidos pela BBC News Brasil em caráter reservado, chegaram ameaçar bloquear o restante das negociações caso o tema não fosse retirado dos textos em discussão.

Países do bloco europeu e da América Latina protestaram, mas prevaleceu a posição capitaneada pelos países árabes e o texto final ficou sem nenhuma menção sequer a combustíveis fósseis ou a mapas do caminho.

Em entrevista coletiva à imprensa durante o G20 neste domingo (23/22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi questionado se ele teria ficado realmente satisfeito com o resultado do documento, considerando que os ‘mapas do caminho’ não entrou no texto.

Em resposta, Lula afirmou que já sabia que o tema seria polêmico. “Quando nós introduzimos a discussão, nós sabíamos que era um tema difícil. O Brasil é produtor de petróleo, estamos tirando cerca de cinco milhões de barris por dia, não é pouca coisa”, disse.

Segundo ele, o “mapa do caminho” “não é uma imposição de data, é uma discussão”. “Você tem que envolver especialistas, tem que envolver as empresas de petróleo para começar a vislumbrar os passos que têm que ser dados até chegar a extinguir o uso de combustível fóssil”, afirmou.

Lula disse ainda que “o petróleo não é só para gasolina” e que ele “vai continuar tendo sua importância”, citando o uso na indústria petroquímica. “Eu sabia que era difícil a Arábia Saudita concordar”, declarou.

“O que nós quisemos foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que vai ter que acontecer”, disse.

Apesar disso, o presidente afirmou que a discussão foi “extraordinária” e “um grande começo”.

Na plenária final, o presidente da COP30, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, anunciou que, apesar de o assunto ter ficado de fora dos textos finais da conferência, a presidência brasileira da COP, que termina no final de 2026, vai elaborar os dois “mapas do caminho” que depois serão apresentados aos países membros do Acordo de Paris.

“Nós precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa. Eu vou criar dois mapas: um para reverter desmatamento e outro para fazer transição para longe dos fósseis de maneira equitativa e justa”, disse o diplomata.

Mais tarde, em entrevista coletiva, o embaixador afirmou que sabia que a proposta enfrentaria dificuldades para ser aprovada durante a COP30.

“Nós imaginávamos que seria de ter um consenso sobre isso. Desde que aprovamos (uma menção sobre o assunto) em Dubai (na COP28), houve uma grande resistência em continuarmos a falar sobre isso”, afirmou.

Na coletiva, Corrêa do Lago afirmou ainda que os dois mapas do caminho que serão desenvolvidos pela presidência brasileira da COP deverão reunir informações sobre medidas que precisariam ser tomadas em escala global para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e para acabar com o desmatamento e o resultado desses estudos deverá ser apresentado na COP31, que será realizada na Turquia, mas cuja presidência ficará a cargo da Austrália.

Para ambientalistas, a ausência de menções aos dois roteiros (sobre desmatamento e combustíveis fósseis) foi um ponto negativo.

“O assunto mais importante dessa COP ficou fora das decisões formais. Apesar de um crescente apoio de países ao chamado do Presidente Lula para a construção de mapas do caminho para acabar com o desmatamento e se afastar dos combustíveis fósseis, não foi possível dentro do processo formal”, lamentou a especialista em políticas climáticas da organização não-governamental Observatório do Clima, Stela Herschamnn.

Em nota, a diretora de mobilização da ONG S.O.S Mata Atlântica, Afra Balazina, também lamentou o resultado.

“Mais uma vez, os países que mais contribuíram historicamente para o aquecimento global, e os que mais emitem hoje, atuaram para bloquear avanços essenciais. Continuam também resistindo a financiar e apoiar os países e populações mais vulneráveis, que já sofrem, e seguirão sofrendo, os impactos mais graves dos eventos extremos”.

A decisão de criar os mapas do caminho fora do circuito convencional das negociações da COP foi vista como reserva por ambientalistas.

“A decisão da Presidência de criar os dois mapas do caminho, tanto para zerar o desmatamento quanto para o fim dos combustíveis fósseis, tem gosto de prêmio de consolação. É claro que isso permitirá que o trabalho siga no próximo ano, e que o momentum criado em Belém não se perca. Mas não é o avanço que esperávamos, e que o mundo desesperadamente precisa”, disse, em nota, diretora-executiva da organização não-governamental Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali.

2 – Aumento do financiamento para adaptação

Um dos pontos que avançaram na pauta de negociações da COP30 foi a previsão de um aumento no orçamento destinado ao financiamento de ações voltadas para adaptação de países em desenvolvimento às consequências das mudanças climáticas.

O texto acordado na COP30 prevê triplicar para até US$ 120 bilhões o valor a ser destinado por ano até 2035 para projetos relacionados à adaptação.

O aumento desse montante era uma das principais reivindicações dos países em desenvolvimento e encontrava resistência de blocos de países desenvolvidos, principalmente da União Europeia.

Pelas normas do Acordo de Paris, os países desenvolvidos devem repassar recursos para os países em desenvolvimento para financiar projetos que preparem essas nações para os impactos mais nocivos das mudanças climáticas.

Apesar de o aumento no volume de recursos ter sido comemorado internamente por alguns dos países em desenvolvimento, ambientalistas avaliam que o prazo dado para que o valor chegue a US$ 120 bilhões, 2035 e não 2030, como estava previsto antes, é um fator negativo em função do agravamento da crise climática e do aumento na intensidade e frequência de eventos climáticos extremos.

“A promessa de triplicar o financiamento para adaptação é bem-vinda, mas, estendida até 2035, ainda fica aquém. A adaptação não pode esperar, especialmente porque o financiamento para os países em desenvolvimento está diminuindo enquanto os impactos climáticos se aceleram”, disse a presidente do Instituto Talanoa, Natalie Unterstell.

A especialista em políticas climáticas do Greenpeace Brasil, Ana Cárcamo, também avalia a decisão com ressalvas.

“Apesar de pressões de países menos desenvolvidos para triplicar o financiamento para a adaptação até 2030, a decisão final apenas decide convocar esforços para triplicar até 2035, de forma vaga e sem ano de base. Assim, os países desenvolvidos, mais uma vez, mantém suas carteiras fechadas, enquanto comunidades marginalizadas pagam com suas vidas”, disse a especialista em um comunicado divulgado pela organização.

3. Menção a afrodescendentes

Outro tema comemorado ao fim das negociações foi a inclusão do termo “afrodescendentes” no principal texto negociado durante a COP30.

O documento reconhece a importância das populações de descendência africana no combate às mudanças climáticas.

A inclusão do termo é considerada uma vitória de movimentos em defesa dos direitos da população negra em diversos países, inclusive do Brasil, onde comunidades quilombolas são reconhecidas por trabalharem na preservação de ecossistemas como o Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica.

“O reconhecimento de afrodescendentes nos textos da UNFCCC abre caminho para políticas climáticas mais justas, eficazes e enraizadas nas realidades dos territórios historicamente afetados por desigualdades estruturais”, disse, em nota, a organização não-governamental Geledés – Instituto da Mulher Negra.

A diretora do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixadora Lillian Chagas, também celebrou a inclusão afirmando que essa era uma pauta defendida pelo Brasil e que envia uma “mensagem clara” a essas populações.

4. Indicadores de adaptação

Outro ponto considerado como um avanço da COP30 foi o acordo em torno de um conjunto de indicadores para medir a velocidade e a forma como os países estão se adaptando às mudanças climáticas.

Esta era uma pauta defendida por países latino-americanos e os do bloco europeu, mas vinha encontrando resistência do bloco de nações africanas que alegavam, nas negociações, que a adoção desses critérios poderia ser usada por países desenvolvidos para condicionar o repasse de recursos para adaptação às mudanças climáticas.

Outro impasse era a resistência dos países desenvolvidos em aceitarem a inclusão de um indicador que avaliasse o volume de financiamento que eles deveriam prover às nações mais pobres.

Inicialmente, especialistas elaboraram uma lista com mais de mil indicadores. No decorrer das negociações, a lista foi reduzida para aproximadamente 100 e, no final, foram definidos 59 critérios de avaliação.

“A adoção dos indicadores da GGA (sigla em inglês para ‘Meta global sobre adaptação’) é um progresso real: pela primeira vez, mediremos a ação climática não apenas em toneladas de carbono evitadas, mas em vidas protegidas e infraestrutura capaz de resistir ao que está por vir”, disse Natalie Unterstell, do Instituto Talanoa.

Para Ana Cárcamo, do Greenpeace Brasil, a decisão trouxe pontos positivos, mas poderia ter sido melhor.

“Os indicadores para acompanhar os avanços globais da adaptação foram reduzidos de forma política e muitos não são mensuráveis. Os países ainda devem trabalhar para revisar os indicadores até a COP32, na África”, disse.

Fonte: BBC Brasil

Cidades resilientes: aumento de eventos climáticos extremos no PR exige novo modelo de construções, alertam especialistas

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Cidades resilientes: aumento de eventos climáticos extremos no PR exige novo modelo de construções, alertam especialistas
Foto: Henrique Cabra

Para lidar com impacto das mudanças climáticas, conceito interdisciplinar prevê que cidades estejam preparadas para sofrerem menos danos com tornados, por exemplo. Paraná acumula episódios de destruição com tornados, aponta pesquisa.

A destruição em cidades no Paraná por tornados ao longo dos anos, como aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu em 7 de novembro, se soma à discussão mundial sobre a capacidade de resistência estrutural de casas e comércios a eventos climáticos extremos – e a recorrência e intensidade dos eventos reforça a questão.

Antes de Rio Bonito do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, no oeste do estado, teve diversas casas destruídas, em 2015, também durante a passagem de um tornado. Veja números abaixo.

Para especialistas, o Paraná vive um momento em que precisa se discutir como o estado pode ajudar a população a se preparar para enfrentar adversidades como essas e, ao mesmo tempo, proporcionar a construção das chamadas cidades resilientes. O conceito, de caráter interdisciplinar, dá condições dos municípios se prepararem para enfrentar tornados, enchentes e outros eventos climáticos extremos com o menor dano possível e maior capacidade de recuperação.

A pesquisadora Karin Linete Hornes, especialista em tornados e professora na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que os desastres climáticos no Paraná têm sido cada vez mais frequentes. O estado é considerado, inclusive, o segundo maior corredor de tornados do mundo.

“Nós sofremos constantemente desastres relacionados a eventos climatológicos e meteorológicos. O Paraná teve mais de 12 mil ocorrências e aproximadamente 15 milhões de pessoas afetadas nas últimas quatro décadas. Todos os municípios tiveram algum prejuízo ligado a esse tipo de evento […] Os órgãos de emergências, hospitais e prefeitura precisam ser extremamente bem construídos, porque esses locais servem de abrigo e vão auxiliar a população”, afirma a pesquisadora Karin Linete Hornes.

Segundo ela, os vendavais são os fenômenos que mais provocam danos no estado. “São 3.867 registros de ocorrências no mesmo período, segundo a Defesa Civil. E há subnotificação, porque muitos lugares sofrem prejuízos, mas não acionam o órgão”, diz.

Para Hornes, o Paraná ainda não trabalha de forma consistente com educação climática e prevenção.

“Nós precisamos atuar na educação ambiental e na educação climática, explicando quais fenômenos mais acontecem no Paraná e como eles nos afetam, assim, conseguimos construir cidades que resistam aos fenômenos que ocorrem aqui”, afirma.

Preparo, impacto e capacidade de recuperação

Segundo o pesquisador Eduardo Gomes Pinheiro, doutor em Gestão Urbana pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o conceito de cidades resilientes prevê uma relação direta entre preparo, impacto do evento climático e capacidade de recuperação. Segundo ele, as cidades resilientes, que se antecipam ao problema, sofrem menos danos e retomam as atividades mais rapidamente.

“A resiliência atravessa todas as etapas do ciclo de desastres, a prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, e deve orientar o planejamento urbano como um todo”, diz ele.

Pinheiro destaca que muitos municípios ainda não consideram que podem enfrentar desastres recorrentes, o que é um erro, segundo ele, especialmente em estados como o Paraná, onde enchentes, granizo e estiagens se repetem todos os anos.

Para ele, cada obra e ação pública deveria partir da pergunta: isso aumenta ou reduz a vulnerabilidade do município aos eventos climáticos que fazem parte da nossa realidade?

“Como esse tipo de raciocínio costuma ficar fora das práticas administrativas, cidades seguem sendo construídas sem infraestrutura adequada, o que intensifica perdas humanas, destruição de patrimônio, impactos na economia local e até interrupções no calendário escolar” — Eduardo Gomes Pinheiro, doutor em Gestão Urbana

Reconstrução emergencial com casas pré-fabricadas

Segundo a Defesa Civil, 90% de Rio Bonito do Iguaçu ficou destruída e mais de mil pessoas ficaram desabrigadas. Sete pessoas morreram e cerca de 830 ficaram feridas.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) realizou cerca de 2,2 mil laudos de inspeção técnica depois da passagem do tornado e observou preliminarmente que 40% dos imóveis da cidade foram totalmente destruídos. Outros 60% podem ser recuperados, com danos que variam de reparos simples a intervenções estruturais complexas.

No processo de reconstrução, o secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, explica que o governo realiza atua em duas frentes. Na primeira, 140 engenheiros voluntários produziram laudos sobre cada residência afetada. De acordo com ele, os documentos vão orientar a distribuição de recursos.

Paralelamente, o governo estadual autorizou a construção de 320 unidades habitacionais com casas pré-fabricadas. As obras começaram em 17 de novembro e priorizam casas de modelo construtivo mais rápido, que levam cerca de dois meses para estarem prontas. Dessas moradias, 200 serão erguidas nos próprios terrenos devastados e 120 em um novo bairro, que está sendo estruturado.

No dia 20 de novembro, o estado divulgou que as casas são pré-fabricadas em woodframe, uma estrutura de madeira leve, e possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 46 m², 51 m² e 53 m². Segundo o governo, a previsão é de que a primeira casa seja concluída em até 10 dias.

O coronel Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil, explica que a instalação das casas pré-fabricadas exigem preparações técnicas, como a fundação dos terrenos, antes delas serem efetivamente levantadas.

O secretário Guto Silva afirma que a Secretaria das Cidades firmou protocolos com a Organização das Nações Unidas (ONU Migração) para desenvolver projetos de municípios, segundo ele, mais resilientes.

“Vamos analisar todos os episódios com calma, identificar as causas e construir soluções de longo prazo. É um trabalho detalhado para reduzir impactos ambientais e fortalecer a segurança das cidades”, afirma.

Tornados têm sido mais destrutivos no Paraná ao longo dos anos

Cresce o número de tornados na região Sul do BrasilEntre 2018 e 2023, foram 92 tornados
Fonte: Pesquisa de Maria Cristina Pietrovski

Segundo estudos da pesquisadora Maria Cristina Pietrovski, de 2018 a 2023, a região Sul registrou 92 tornados – a maior ocorrência em comparação com as outras regiões do país. No período, 17 deles foram no Paraná.

Anos antes do período analisado, outros eventos similares também causaram grandes problemas no estado, entre eles, o tornado de maio de 1992, que atingiu Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, classificado como F3. À época, seis pessoas morreram.

Outro tornado aconteceu no mesmo mês e ano em Borrazópolis, no norte do estado, deixando 12 mortos.

Em Nova Laranjeiras, um evento registrado em 1997 provocou quatro mortes e 72 feridos.

Um dos episódios mais recentes foi em Marechal Cândido Rondon, no oeste, em novembro de 2015. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos ultrapassaram 115 quilômetros por hora.

A prefeitura informou que 1,5 mil casas foram danificadas, 200 empresas tiveram prejuízos e cerca de 14 mil residências ficaram sem energia. A pesquisadora Karin Hornes estava em Marechal Cândido Rondon no dia do tornado e diz que a lembrança nunca se apaga. Ela conta que o desespero foi maior porque um de seus filhos estava na escola e ela não conseguia contato devido à falta de energia e telefone.

“Quem passou por isso nunca mais esquece. A destruição é muito rápida e intensa. Eu nunca mais esqueci o som, a velocidade, a força. Quando saí de casa, vi um portão levantado e uma árvore arrancada pela raiz na Avenida Rio Grande do Sul. Eu realmente chorei. Não conseguia passar e não sabia como estava o meu filho.”

Para o climatologista Francisco Mendonça, a repetição e a força dos tornados no Paraná têm relação direta com o aquecimento global.

“Os tornados estão mais repetitivos e mais intensos do que no passado. Um ou outro antigo pode ter tido magnitude semelhante, mas não havia essa frequência.”

Ele afirma que é necessário repensar a estrutura urbana, com áreas de proteção e mata ao redor das cidades para amortecer os ventos. Sem isso, diz ele, comunidades podem ser destruídas novamente por futuros eventos severos.

Orientações para proteção

Hornes orienta que moradores acompanhem alertas de institutos como Simepar, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e também observem o céu, nuvens e mapas de radar.

Ela recomenda que as casas tenham pelo menos um cômodo seguro, mais resistente que os demais, como um porão ou um espaço com vigas, laje e colunas reforçadas.

“Entre embaixo de uma mesa, de uma cama. Isso ajuda a evitar ferimentos por estilhaços”, recomenda.
Para quem estiver dirigindo, a orientação é se afastar do fenômeno e estacionar longe de postes e árvores.

“Estacione em local seguro, coloque o cinto e fique em posição fetal. Se não houver abrigo, use cobertores ou colchões para proteção extra”, diz.

Fonte: g1 RP