ESPECIAL COVID-19: COMO A SEGUNDA ONDA AFETARÁ AS CIDADES

Entenda quais medidas as cidades brasileiras devem tomar para conter a disseminação do vírus e como as novas mutações afetam o país:

Se em março de 2020 a perspectiva para a volta à normalidade era distante, em março de 2021 é preciso convencer a população a voltar para a realidade do ano passado. Com o afrouxamento de medidas que tinham como objetivo promover o distanciamento social, o final de 2020 e começo de 2021 foram ‘normais’ para a maior parte da população. 

Fotos do ano passado que mostravam ruas vazias, transportes públicos sem passageiros e traziam uma energia ‘apocalíptica’, parecem nunca terem existido em uma realidade em que ruas, praias e comércios seguem mais lotados do que nunca. Como resultado disso, hoje o Brasil representa 30% das novas infecções no mundo: na sexta-feira (5), o Brasil bateu recorde de novas ocorrências com 71,7 mil em apenas um dia, sendo que o único país que obteve números similares foi o Estados Unidos com 65 mil ocorrências em uma população 56% maior que a brasileira. 

O país também é responsável por uma das novas variantes do vírus, a P.1, que surgiu em Manaus no final de 2020. A variante já foi identificada em 17 estados, sendo que um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz Amazônia aponta que essa passou a ser responsável pela maior parte dos casos de infecção no Estado. De acordo com pesquisadores do Projedo Cadde, a variante possui 2,2 vezes maior poder de transmissão que o vírus, sendo que a carga viral (quantidade de vírus no organismo) chega a ser dez vezes maior do que o coronavírus. 

Dentro desse contexto, caso o país não tome medidas que busquem conter a disseminação do vírus, o Brasil poderá se tornar uma ameaça para outros países do mundo que estão com o número de infectados decrescendo: segundo o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanori Ghebreyesus, se o Brasil não for sério, toda a América Latina será afetada. 

Com as cidades insistindo em manter o funcionamento normal, o vírus poderá se replicar e, com isso, existe uma chance maior de surgirem variantes mais resistentes às vacinas já existentes. Já foram identificadas pessoas infectadas com a P.1 na Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, Japão e Reino Unido. 

A NECESSIDADE DE DESENVOLVER CIDADES INTELIGENTES 

Apesar do cenário ser caótico, existe uma luz no fim do túnel: a discussão que permeia o desenvolvimento de smart cities amadureceu muito no último ano com a necessidade da criação de cidades resilientes. Com a inevitabilidade de desviar grande parte do orçamento para reduzir o impacto da pandemia, as cidades passaram a desenvolver estratégias para um planejamento mais eficiente. 

É possível observar também a necessidade de construir cidades que não apenas englobem o que é considerado a tríplice hélice das cidades, ou seja, o governo, as empresas e universidades, como também cidades que incluem o terceiro setor e a sociedade como agentes essenciais.

Nesse sentido, no momento atual, nunca foi tão primordial a união de forças entre todos os componentes que constituem uma cidade para desenvolver diferentes soluções e alternativas para a nova realidade. A colaboração dos setores para que exista um segundo lockdown durante a segunda onda de contágio do vírus é essencial para diminuir o número de casos e garantir o funcionamento do sistema de saúde. 

Com isso, um dos grandes legados deixado pela pandemia será a de maior autonomia dos municípios que, durante o ano de 2020, passaram a tomar medidas com maior protagonismo de acordo com a necessidade que cada região enfrentava. Além disso, passou a se valorizar comércios locais e de fácil acesso: diversos cidadãos tiveram que redescobrir o bairro que residiam e passaram a fazer mais percursos a pé. 

Outro ponto essencial para o desenvolvimento de smart cities que foi alavancado pela pandemia foi a digitalização de serviços. Com as medidas de isolamento social, houve um crescimento substancial de plataformas que permitem trabalhar e estudar remotamente, além de existir um crescimento substancial no e-commerce e plataformas digitais para serviços do governo, que desburocratizaram muitos processos e garantem uma melhor qualidade de vida. 

Em um cenário em que a população é fundamental para a diminuição de casos, nunca foi tão importante trazer a discussão de cidades inteligentes para esse setor da sociedade, elucidando o fato de que não existem soluções sem pessoas. Pensando nisso, o Portal Connected Smart Cities irá desenvolver uma série de matérias que irão abordar como o coronavírus impacta as cidades a partir de uma óptica de como as cidades inteligentes poderão se desenvolver a partir disso. 

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Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito
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