spot_img
Home Blog Página 55

Veja 3 formas de investir no meio ambiente pela bolsa de valores

0
Declaração apresentada pelo Brasil consegue respaldo político de países como Alemanha e Reino Unido;
Crédito: Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica do Pará.

De acordo com estudo do World Resources Institute (WRI), que analisou ações em 12 países em um universo de US$ 133 bilhões em investimentos, cada um dólar investido em adaptação climática é capaz de gerar outros US$ 10 em benefícios ao longo de dez anos. Confira como os investidores podem contribuir para investir no meio ambiente por meio da B3.

Títulos verdes

Os Títulos Verdes, Sociais e Sustentáveis são instrumentos de dívida emitidos por empresas, governos e entidades multilaterais negociados nos mercados de capitais com a finalidade de atrair capital para projetos que tenham como propósito um impacto socioambiental positivo. Desde de novembro de 2018, esses títulos passaram a fazer parte das negociações no mercado de capitais brasileiro.

Já os Sustainability-Linked Bonds (SLB) são instrumentos de dívida que têm como objetivo final fazer com que o emissor alcance metas ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês), que são calibradas a partir de indicadores-chave de desempenho. Esses títulos podem ter suas características financeiras e estruturais alteradas dependendo do atingimento ou não das metas de sustentabilidade pré-estabelecias.

Títulos verdes
Fonte: Istoé Dinheiro

ISE B3, ICO2 B3 e outros ETFs com foco no meio ambiente

O objetivo do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3) é ser o indicador do desempenho médio das cotações das ações de empresas selecionadas pelo seu reconhecido comprometimento com a sustentabilidade empresarial.

Já o ICO2 B3, Índice Carbono Eficiente da B3, busca incentivar as companhias listadas a adotarem práticas que melhorem a eficiência na gestão das emissões de GEE.

Para investir na carteiras dos índice existem ETFs (Exchange traded funds) atrelados aos indicadores como o ISUS11 e o ECOO11. Há também outros ETFs ligados a ESG e sustentabilidade listados na bolsa. Confira todos neste link.

Ações verdes

Outra opção aos investidores é a classificação das Ações Verdes (BAV) na B3. Esse projeto reconhece companhias que contam com atividades que contribuem com a proteção do meio ambiente e com o combate às mudanças climáticas.

Esta designação especial busca incentivar as companhias, de maneira voluntária, a atuarem de forma alinhada às melhores práticas Ambientais, Sociais e de Governança Corporativa (ASG).

Podem solicitar a classificação as empresas listadas que tenham mais de 50% da sua receita bruta anual proveniente de atividades consideradas verdes, mais de 50% dos investimentos e despesas operacionais anuais destinados a tais atividades, além de menos de 5% da receita bruta anual derivada de combustíveis fósseis.

O objetivo é ajudar os investidores a direcionar seus recursos para o financiamento de uma economia mais sustentável. Para as empresas, é uma forma de demonstrar de maneira clara seus compromissos com a economia verde, além de facilitar eventual fluxo de capital sustentável potencialmente alocável.

O nome BAV se inspira nos Green Equity Principles, lançados em 2023 pela World Federation of Exchanges (WFE), organização que apoia o desenvolvimento do mercado de capitais por meio de pesquisas, estudos e estatísticas sobre boas práticas de mercado, incluindo finanças sustentáveis e normas internacionais.

Leia a reportagem completa no site do B3 Bora Investir, parceiro de IstoÉ Dinheiro.

Big data é usado para revelar desigualdades no acesso à mobilidade urbana em São Paulo

0
Parque da Mobilidade Urbana promete imersão no futuro do transporte durante o Cidade CSC
Crédito: Marcos Santos

O estudo de Mateus Henrique Cunha Barboza baseia-se em três artigos interligados, que integram abordagens espaço-temporais e dados em larga escala, como registros de telefonia móvel

Entender as desigualdades espaciais e temporais no acesso à cidade é essencial para o desenvolvimento de políticas urbanas mais justas. Foi com esse objetivo que o engenheiro Mateus Henrique Cunha Barboza, doutorando do Departamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da USP, conduziu sua pesquisa de doutorado. O trabalho propõe uma articulação entre métricas de acessibilidade urbana – dados que costumam ser obtidos por entrevistas e pesquisas de campo – e o uso de grandes volumes de dados, o chamado big data, como forma de evidenciar e enfrentar as disparidades de mobilidade em São Paulo.

O pesquisador explica que faz parte de um grupo que trabalha as desigualdades relacionadas ao planejamento de transporte, e o objetivo do projeto foi combinar esse trabalho ao uso de big data. O estudo se baseia em três artigos interligados, que integram abordagens espaço-temporais e dados em larga escala, como registros de telefonia móvel e bilhetagem eletrônica do transporte público.

Estudo 1: acessibilidade a áreas de lazer

O primeiro artigo da tese examina como investimentos em infraestrutura de transporte afetam o acesso a atividades de lazer — como visitar um parque. “A gente avalia o acesso a áreas de lazer, áreas verdes, e uma das coisas que a gente traz é que o horário de funcionamento desses lugares também é uma grande restrição”, explica o pesquisador. “Os parques mais periféricos, em geral, fecham mais cedo. Isso implica que as pessoas não conseguem chegar a tempo nesses lugares.”

Estudo 2: desigualdade territorial

No segundo estudo, Barboza explora como os padrões de deslocamento variam entre diferentes grupos sociais. A partir de registros de chamadas de celulares, ele analisou a mobilidade de moradores e não moradores de favelas em São Paulo.

“Eu avaliei como o padrão de mobilidade varia e como essa variação é explicada por outros determinantes, se está relacionado com renda, com uso do solo onde a pessoa mora, com comércio local, com ela morar ou não em favela”, comenta. Para o pesquisador, os resultados demonstram que morar em favela afeta significativamente a mobilidade — mesmo quando se leva outras variáveis, como renda, em consideração —, o que valida o uso do big data para identificar desigualdades territoriais com mais precisão.

Estudo 3: o impacto da tarifa nas oportunidades urbanas

O terceiro artigo trata diretamente da relação entre tarifas de transporte e equidade de acesso. “Uma dúvida que se tem é que o big data não é um dado que foi pensado para esses estudos, então ele traz algumas incertezas. O que a gente buscava era achar quais eram as medidas de acessibilidade que conseguiam resultados robustos, apesar dessas incertezas; por isso essa exploração das medidas e que a gente conseguiu, no último artigo, avaliar de fato a acessibilidade e desigualdades utilizando esses dados”, conta o pesquisador.

Ele argumenta que, além das restrições de tempo e distância, o custo do transporte é um fator muitas vezes negligenciado: “Se você considera apenas restrições de tempos de viagem ou de proximidade das oportunidades, isso claro já tem um peso, mas a tarifa tem um peso ainda mais. Você adiciona essa restrição, as pessoas conseguem atingir muito menos locais”.

Big data e políticas públicas

 

Para além dos resultados técnicos, a pesquisa de Barboza aponta caminhos concretos para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. “A gente pensa que isso é meio óbvio, não? Usar os dados para melhorar a política pública. Mas nem sempre é assim.”

Ele destaca que dados massivos, embora imperfeitos, oferecem uma alternativa mais acessível às pesquisas domiciliares tradicionais, que são caras e raras. “Interessante é que permitir essa combinação do big data com essas medidas é uma forma de também baratear esses estudos e conseguir ampliar para outros lugares. As pesquisas tradicionais, domiciliares são caras e por isso são limitadas a poucas cidades.”

Para Barboza, um dos maiores problemas do planejamento urbano atual é que a desigualdade é citada como diretriz, mas raramente é efetivamente medida ou combatida. “Ela aparece no começo dos planos, como uma das diretrizes, mas quando você vai vendo o detalhe, isso não é medido de nenhuma forma”, critica. “Se você ignorar essa dimensão da desigualdade, você está basicamente assumindo que todo mundo é igual. E aí você deixa de priorizar quem, de fato, precisa mais.”

Fonte: Jornal USP

Transporte Público: A Percepção de Qualidade é o Jogo Real, Não Apenas Frota Nova

0
Tarifa Zero no DF: o Vai de Graça e o caminho para uma mobilidade inclusiva
Enviada por Gustavo Balieiro

Melhorar a experiência do usuário exige mais do que soluções óbvias, é necessário ter estratégia e foco nas demandas reais.

No incessante debate sobre a melhoria do transporte público nas cidades brasileiras, frequentemente nos deparamos com um apelo quase unânime por soluções que, embora pareçam óbvias, nem sempre atacam a raiz do problema ou, mais crucialmente, alteram a percepção de qualidade do serviço pelo usuário. Assim como discuti em “Tarifa Zero não é Solução de Transporte para o Brasil”, onde argumento que a gratuidade universal sem planejamento adequado pode mascarar ineficiências e prejudicar a avaliação do transporte, é preciso aprofundar o olhar sobre o que realmente fideliza e atrai passageiros.

A verdade inconveniente é que medidas como a simples renovação de frota, embora bem-intencionadas e visualmente impactantes, são frequentemente superestimadas em seu efeito na satisfação do usuário. O que o passageiro valoriza, no frigir dos ovos, é um veículo confiável, que não o deixe na mão, e que ofereça um padrão de qualidade consistente – seja ele novo ou não. Limpeza, manutenção em dia e ausência de falhas mecânicas falam mais alto do que o ano de fabricação.

Ademais, é preciso reconhecer que, em muitos sistemas, o maior incentivo para a renovação da frota não reside primordialmente na melhoria da qualidade percebida pelo passageiro, mas sim no impacto que tal renovação acarreta nos custos do sistema – e, por conseguinte, na remuneração dos operadores. Como detalhado no artigo “Transporte: o que muda? Atacar o modelo de remuneração do transporte público!“, a revisão do modelo de remuneração é crucial. Através dela, é possível alinhar os incentivos para que a busca por eficiência e qualidade real, aquela que o usuário valoriza, também possa contribuir para um valor da tarifa mais atrativo. Encontrar esse equilíbrio entre um preço acessível, atributos de qualidade tangíveis, e a sustentabilidade econômico-financeira dos contratos – sem exercer pressão indevida sobre o orçamento público, linha de raciocínio similar à discussão sobre a tarifa zero – é o desafio central para um transporte público.

É evidente que ofertar alta frequência beneficia o passageiro e minimiza os elementos de “previsibilidade”. Contudo, injetar mais veículos em uma linha sem um entendimento profundo da demanda real tem um limite claro de aderência. Pode-se reduzir o tempo de espera, mas se os horários não forem previsíveis, o custo operacional elevado muitas vezes não vai compensar o ganho marginal de novos usuários, por outro lado a regularidade e previsibilidade faz com que mesmo em linhas com baixa frequência o usuário se programe e confie no sistema.

Neste quesito, o mercado global já estabeleceu referências claras. Um benchmark interessante sobre a precisão de informações de Tempo Estimado de Chegada (ETA) é apresentado pela GoSwiftly, em seu artigo “How On-Target Is That ETA, Really? Now There’s a Way to Know“. Ele evidencia a importância de medir e comunicar a acurácia dessas estimativas. No Brasil, já dispomos de ferramentas que permitem essa aferição, como a plataforma da Bus2, que oferece uma análise detalhada da precisão do ETA para sistemas de transporte, demonstrando que a tecnologia para qualificar essa informação já está ao nosso alcance.

Mas a previsibilidade é apenas uma faceta. Garantia de adequados índices de ocupação, informações sobre a lotação do veículo, a garantia de um ambiente interno limpo e seguro, a suavidade da viagem (sem solavancos excessivos ou freadas bruscas), a comodidade a bordo, e até mesmo a cordialidade dos operadores, tudo isso compõe um mosaico que define a percepção de valor do serviço.

Como já abordei em outras ocasiões, a chave para essa transformação reside na utilização inteligente de dados. São eles que permitem entender os fluxos de passageiros, identificar gargalos operacionais, otimizar rotas e horários de forma dinâmica e, crucialmente, embasar a reespecificação de todo o sistema de transporte. Um sistema reespecificado com base em evidências pode, por exemplo, garantir a boa alocação da frota para uma confiabilidade dos veículos existentes, ajustar a oferta à demanda real para evitar tanto a superlotação crônica quanto a ociosidade custosa, e implementar tecnologias que forneçam informações precisas e úteis ao passageiro.

Em suma, enquanto soluções fáceis e midiáticas podem gerar um impacto inicial, elas raramente sustentam uma mudança real na percepção do usuário a longo prazo. É imperativo que gestores públicos e operadores concentrem seus esforços e investimentos em melhorar os atributos que verdadeiramente importam para quem utiliza o transporte coletivo diariamente: confiabilidade, previsibilidade, conforto, informação e preço. Somente assim conseguiremos não apenas reter os atuais passageiros, mas também atrair aqueles que hoje optam por outros modais, construindo um sistema de mobilidade urbana verdadeiramente eficiente e valorizado pela população.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Governo publica MP com aumento de impostos para compensar recuo do IOF

0
Após Fed e Copom, Brasil segue com 2º maior juro real do mundo; veja lista
Foto: istockphoto/Divulgação

O governo Lula (PT) publicou hoje um decreto recuando em parte dos aumentos de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciados no mês passado para cobrir o rombo nas contas da União, que foram fortemente criticados. Publicou, junto, uma medida provisória aumentando outros impostos para compensar o recuo.

O que aconteceu

A Medida Provisória e o novo decreto têm resoluções que afetam empresas de apostas esportivas, instituições financeiras e investidores. Veja o que mudou:

  1. Tributação maior sobre as plataformas de apostas esportivas. As chamadas bets recolhiam 12% sobre o rendimento das apostas, que é o montante que sobra após serem descontados os prêmios pagos e o Imposto de Renda sobre as premiações. Com a MP, esse percentual sobe para 18%. Do total arrecadado, segundo a MP, 6% serão destinados a ações na área da saúde. Essa medida entra em vigor quatro meses após a publicação da MP.
  2. Mudanças na CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) para instituições financeiras. Até a publicação da MP, as fintechs e instituições de pagamentos recolhiam entre 9% e 15% de para financiar a Seguridade Social (como a saúde pública), enquanto bancos tradicionais pagavam 20%. A MP acaba com a alíquota de 9%, e agora pequenas fintechs pagarão ao menos 15%. Essa medida entra em vigor quatro meses após a publicação da MP.
  3. Tributação de títulos de dívida privada isentos de IR. A MP regulamenta a cobrança de 5% de Imposto de Renda sobre alguns títulos de renda fixa que eram isentos dessa cobrança, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e debêntures incentivadas (para bancar projetos de infraestrutura). A cobrança será sobre a emissão desses títulos a partir de janeiro do ano que vem. Quem já comprou esses papéis continuará isento.
  4. Redução de 80% do IOF em operações de risco sacado. O risco sacado é uma operação pela qual uma empresa que compra produtos e serviços de outras pede a um banco que antecipe a seus fornecedores o pagamento de valores que ela havia se comprometido a fazer em uma data futura. Quando essa data chega, a empresa paga o banco de volta, com juros. A MP reverte a elevação da alíquota do IOF sobre esse tipo de operação, que passa para 0,0082% ao dia.
  5. Aumento de 15% para 20% da cobrança do IR sobre distribuição de JCP (Juros sobre Capital Próprio). Os JCP são um tipo de remuneração a acionistas de empresas parecida com a distribuição de dividendos. Muitas empresas preferiam essa modalidade de distribuição dos lucros justamente para reduzir a base de cálculo do imposto.
  6. Unificar em 17,5% a cobrança de IR sobre aplicações financeiras. Hoje, o IR cobrado sobre os lucros dos investimentos varia conforme o tipo de aplicação e o prazo. CDBs, por exemplo, cobram 22,5% para quem realizar o saque em até 180 dias e 15% para saques depois de dois anos. Ações, por sua vez, são taxadas em 15%, com isenção em operações de até R$ 20 mil por mês. Com a MP, todas as aplicações terão a mesma alíquota de 17,5%. O percentual passa a valer a partir de janeiro de 2026.
  7. Tributar ativos virtuais, incluindo criptomoedas e criptoativos. A alíquota fica em 17,5% para pessoas físicas, jurídicas isentas e optantes do Simples Nacional sobre os rendimentos, incluindo os ganhos líquidos.
  8. Elevar o patamar a partir do qual os aportes em VGBL (plano de previdência privada chamado Vida Gerador de Benefício Livre) serão tributados. O governo havia anunciado, em maio, a incidência de IOF sobre qualquer aporte mensal superior a R$ 50 mil no VGBL. Agora, haverá duas fases de implementação da nova tributação. Até 31 de dezembro de 2025, o IOF nos aportes em VGBL incidirá somente sobre o valor que exceder R$ 300 mil em uma mesma seguradora. A partir de 1º de janeiro de 2026, o IOF nos aportes em VGBL passa a incidir sobre o valor que exceder R$ 600 mil, independente de terem sido depositados em uma ou várias instituições. As contribuições patronais passam a ser isentas de IOF.
  9. Retorno do investimento estrangeiro direto no Brasil volta a ser isento. O decreto do IOF de maio estabelecia alíquota de 0,38%, mas agora volta a ser zerada, assim como o retorno dos investimentos no mercado financeiro e de capitais.

O governo não informou ainda qual é a expectativa de arrecadação com a MP. As contas são feitas pela Fazenda.

A MP, publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta noite, ainda precisa ser analisada pelo Congresso. Embora os resoluções que constam da medida provisória passem a valer imediatamente após sua publicação, a MP precisará passar pelo Congresso Nacional. Primeiro, por uma comissão mista, formada por senadores e deputados, que discutirá o texto, podendo sugerir mudanças. O parecer emitido por essa comissão depois será votado nos plenários das duas Casas.

O foco da MP e do novo decreto é “corrigir distorções, construir isonomia tributária e manter o equilíbrio fiscal do Brasil”, segundo comunicado da Fazenda. As medidas foram tomadas “para construir um Brasil mais justo, eficiente e que mantenha as contas públicas equilibradas em 2025 e 2026”.

O Congresso não garantiu a aprovação da MP. Apesar de o acordo ter sido costurado com deputados e senadores, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que o Parlamento não tem o “compromisso” de aprovar a MP. Ele cobrou do governo medidas estruturais para equilibrar o Orçamento da União, mas elas ficarão para outra fase das negociações, que incluem uma reforma da parte administrativa do governo.

Fonte: UOL

Conheça o perfil do ciclista brasileiro

0
Mobilidade Urbana: Conheça o perfil do ciclista brasileiro
Foto: Getty Images

Foi-se o tempo em que pedalar era algo que se fazia só nos momentos de tempo livre. A prática hoje é uma opção real de mobilidade urbana

Estudos acadêmicos e de organizações da sociedade civil são importantes para entendermos fenômenos que fazem parte da vida das nossas cidades, e para que elas desenvolvam políticas públicas de impacto positivo. O uso das bicicletas como alternativa de transporte, por exemplo, sempre está no radar quando falamos sobre mobilidade urbana sustentável.

Nesse sentido, com apoio do Itaú Unibanco, a Transporte Ativo, associação que atua na área de transporte por propulsão humana, lançou a Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro. Foram ouvidas quase 12 mil pessoas de 18 cidades brasileiras para entender o uso da bike e os desafios encontrados nessa jornada.

O estudo mostra que, se os ciclistas parecem cada vez mais fazer parte da paisagem urbana, isso não é apenas uma impressão: 50% utilizam a bicicleta como meio de transporte há mais de 5 anos. Além disso, 78% das pessoas pedalam ao menos cinco dias por semana.

Um dos reflexos dessa adesão é que a bicicleta acaba sendo utilizada para fins variados pelas pessoas. São 73,6% que pedalam para chegar ao trabalho, 55,4% utilizam para fazer compras e 51,1%, para momentos de lazer e sociais. Foi-se o tempo em que pedalar era algo que se fazia apenas no tempo livre.

A prática, cada vez mais, se torna uma opção real de mobilidade urbana para se chegar a vários tipos de destino. Alguns fatores ajudam a explicar a adesão.

Como mostra a pesquisa, o principal motivo é a praticidade (42,1%), seguido por saúde (26,4%) e o custo (21,3%). Outro fator que pode impulsionar o uso é que 53,8% das pessoas demoram entre 15 e 30 minutos para fazer o trajeto mais frequente.

Infraestrutura e importunação sexual

Apesar do cenário de adesão relevante, o estudo mostra alguns desafios. Existe uma inegável desigualdade de gênero neste meio de transporte. Mulheres representam apenas 26% dos ciclistas, e uma explicação provável é que 48,6% das entrevistadas do gênero feminino relataram já terem sofrido importunação ou assédio enquanto pedalavam.

Belém/PA, é a líder na proporção de ciclistas que dizem já ter sido assediadas (67,7%), seguida por São Paulo (65,7%) e Campos/RJ (63,6%). A ampliação do uso do modal por mulheres passa, necessariamente, por lidar com o problema do assédio que elas sofrem.

Segurança e educação no trânsito aparecem como outros dois desafios a serem enfrentados para que mais gente pedale. Dentre os ciclistas, 32,6% disseram que sua bicicleta ou alguma peça dela já foi furtada ou roubada.

Já 25,5% declararam já ter se envolvido, nos últimos dois anos, em alguma ocorrência de trânsito enquanto pedalava. Para 26,1% dos entrevistados, uma melhor educação de trânsito os faria utilizar mais a bicicleta.

Para 54,9% das pessoas, o que os levaria a pedalar com mais frequência seria infraestrutura. Investimentos nesta área têm um grande potencial de popularizar ainda mais a bike como meio de transporte.

Falta intermodalidade

Ligado a este assunto está o fato de que apenas 11,9% das pessoas pedalam até uma estação intermodal, para acessar outro tipo de mobilidade – levando em conta que as possibilidades de intermodalidade fiquem restritas, no presente, a São Paulo e Rio de Janeiro.

Trata-se, também, da necessidade de se discutir uma infraestrutura para quem realiza apenas parte de seu trajeto sobre duas rodas. Estações de metrô, trens e ônibus capazes de receber bikes são um estímulo para que mais pessoas usem o modal e, também, os serviços de transporte público.

As muitas discussões sobre mobilidade urbana, relacionadas com as mudanças climáticas e além, são grandemente enriquecidas por estudos como este Perfil do Ciclista.

São questões complexas e que precisam ser abordadas levando em conta a perspectiva e dados reais das nossas cidades – de maneira abrangente, para que sejam possibilitados resultados com impactos positivos de fato, por parte de todos os atores envolvidos no tema.

Reforma administrativa deve prever corte de salário e jornada de servidor

0
76% são contra aumento do número de deputados, aponta Datafolha
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) pretende incluir dispositivo no relatório final do grupo de trabalho da Câmara

A reforma administrativa em discussão na Câmara dos Deputados deverá prever um mecanismo que permita o corte proporcional do salário e da jornada de trabalho de servidores públicos.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) pretende incluir esse dispositivo no relatório do grupo de trabalho que ele coordena e que entregará uma proposta sobre a reforma administrativa no dia 14 de julho.

Pedro Paulo disse à CNN que o pacote final do GT deverá ser composto por uma PEC e três projetos de lei complementares.

Em 2021, meio à pandemia, a PEC Emergencial discutida pelo Congresso chegou a incluir uma autorização para o corte de até 25% do salário e da jornada de trabalho de servidores que ganhavam mais de três salários mínimos. Diante da polêmica, no entanto, o Senado retirou esse ponto da proposta de emenda constitucional que acabou sendo aprovada.

Agora, Pedro Paulo pretende resgatar essa ideia na reforma administrativa. Ele quer, também, permitir a contratação de temporários no serviço público federal.

Além disso, o deputado deverá apresentar uma proposta de regulamentação do teletrabalho, que tem crescido de forma indiscriminada.

Adotado largamente na pandemia, o home office foi objeto de impasse com trabalhadores quando órgãos públicos como o Tesouro Nacional e estatais como a Petrobras decidiram exigir a volta ao presencial durante pelo menos alguns dias por semana.

Em março, um vídeo compartilhado pelo Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro viralizou ao mostrar uma técnica em segurança do trabalho que se queixa da exigência da Petrobras de trabalho presencial três vezes por semana.

A técnica dizia que só a perspectiva de volta já a deixava “preocupada, elevando meu nível de estresse, afetando minha saúde e minha produtividade”.

Fonte: CNN Brasil

Último dia de inscrição para Selos e Ranking Connected Smart Cities é nesta quarta-feira

0
Último dia de inscrição para Selos e Ranking Connected Smart Cities é nesta quarta-feira
Crédito: Diego Leão.

Inscrições para reconhecimento nacional de boas práticas em cidades inteligentes, sustentáveis e inovadoras terminam hoje

Encerra-se hoje, 11 de junho, o período de inscrições para a nova edição do Ranking Connected Smart Cities e para os Selos CSC, iniciativas promovidas pela Plataforma Connected Smart Cities que têm como objetivo reconhecer e incentivar boas práticas no desenvolvimento urbano sustentável e inteligente em cidades brasileiras. Com parcerias estratégicas da SPIn – Soluções Públicas Inteligentes, da Scipopulis e da EXXAS, a chamada de 2025 marca o início de um novo ciclo de dez anos, com metas projetadas até 2035.

A edição deste ano do Ranking Connected Smart Cities apresenta uma série de inovações que reforçam seu papel como ferramenta estratégica para gestores públicos. Com uma metodologia completamente atualizada, o estudo passa a adotar indicadores internacionais das normas ISO ABNT 37120, 37122 e 37123, além de incorporar métricas inéditas, oferecendo um retrato ainda mais completo da realidade urbana brasileira. Os eixos temáticos foram reformulados e agora abrangem 13 grandes áreas: Economia e Finanças; Governança; Meio Ambiente e Mudanças Climáticas; Resíduos Sólidos, Esgotos e Água; Educação; Habitação e Planejamento Urbano; Mobilidade Urbana; Saúde, Agricultura Local Urbana e Segurança Alimentar; Telecomunicações; Energia; Inovação e Empreendedorismo; População e Condições Sociais; e Segurança.

Para se inscrever no ranking, clique aqui

A nova versão do ranking também conta com uma metodologia de ponderação aprimorada, já testada em estudos anteriores da Plataforma em parceria com a SPIn. Os resultados serão apresentados por níveis de desenvolvimento em cada eixo temático, o que facilitará a análise comparativa entre os municípios. Outra inovação importante é a integração com a plataforma MySmart City, da Scipopulis, que permitirá que as cidades visualizem de forma interativa seus dados, utilizem as informações de maneira estratégica e contribuam com o envio de dados próprios. A transparência e a colaboração continuam sendo pilares do projeto, com todos os resultados disponíveis em ambiente aberto de consulta.

Paralelamente ao ranking, a Plataforma também recebe, até o fim desta quarta-feira, inscrições para duas certificações que reconhecem o comprometimento dos municípios com a inovação e a boa governança: o Selo CSC: Cidades Inteligentes e o Selo CSC: Ecossistemas de Inovação. O primeiro, desenvolvido em parceria com a SPIn, avalia seis dimensões, entre elas Planejamento da Cidade Inteligente, Governança, Maturidade para Parcerias e Ambientes Experimentais, combinando dados autodeclarados com o desempenho das cidades nas edições anteriores do Ranking. Já o Selo CSC: Ecossistemas de Inovação, criado em conjunto com a EXXAS, reconhece boas práticas de governança em ecossistemas locais, com base em cinco dimensões que incluem políticas de inovação, participação das hélices, cultura de inovação e acesso à informação.

Para se inscrever no Selo CSC: Cidades Inteligentes, clique aqui

Para se inscrever no Selo CSC: Ecossistemas de Inovação, clique aqui

Essas iniciativas terão destaque na programação do Cidade CSC, o maior evento de cidades inteligentes da América Latina, que será realizado em setembro. Durante o encontro, os resultados do Ranking Connected Smart Cities e a entrega dos Selos CSC serão apresentados ao público, reunindo gestores, especialistas e representantes de diferentes setores para debater os caminhos para o desenvolvimento urbano inteligente no Brasil. O evento consolida-se como um espaço de articulação e troca de experiências, reforçando o papel das cidades como protagonistas na construção de um futuro mais sustentável, inovador e conectado.

Para saber mais sobre o evento, clique aqui.

Data Centers no Brasil: Desafios, oportunidades e políticas públicas para um futuro digital

0
Inovação aberta no setor público com startups: entre promessas e aprendizados de uma década
Foto: Getty Images

Impulsionando a economia digital: o papel dos data centers e as apostas do Brasil para liderar na América Latina

Os data centers, ou centros de processamento de dados, são instalações físicas que constituem os pilares essenciais da infraestrutura digital contemporânea. Eles abrigam servidores, dispositivos de armazenamento e redes, sendo cruciais para o processamento e armazenamento massivo de dados digitais. Em uma era definida pela Sociedade da Informação e pela economia digital, na qual a informação digital e a internet são centrais, os data centers suportam desde buscas online e transações bancárias até aplicações avançadas em Saúde, Agronegócio, Indústria e Cidades. Com a explosão da demanda impulsionada pela Inteligência Artificial (IA) e a crescente digitalização, a necessidade por infraestrutura de data centers aumenta exponencialmente.

Nesse contexto global, a América Latina emergiu como uma “nova fronteira” para grandes investimentos no setor de data centers, e o Brasil se destaca como um player significativo. 

O Nordeste tem se consolidado como um pólo estratégico para a instalação de data centers, especialmente devido à abundância de energia renovável, como a eólica, e à proximidade de cabos submarinos que garantem alta conectividade. O Ceará lidera esse movimento, com projetos bilionários, incluindo um investimento de R$ 55 bilhões da Casa dos Ventos e negociações do governo estadual com empresas chinesas que podem injetar até R$ 50 bilhões na região. A ByteDance¹ avalia um grande empreendimento no complexo portuário de Pecém, enquanto outras empresas, como V.tal e Angola Cables, também investem na capital cearense. A HostDime planeja construir um novo data center edge TIER IV em João Pessoa².

O Rio de Janeiro recebe destaque com o ambicioso projeto Rio AI City, desenvolvido pela Elea Data Centers na região do Parque Olímpico³, que terá capacidade inicial de 1,5 GW, podendo atingir 3,2 GW. O projeto é apoiado pelo município e busca transformar a região do Parque Olímpico em um hub tecnológico. Há também estudos para levar investimentos ao Porto do Açu.

São Paulo continua sendo o maior centro de data centers do país, atraindo gigantes como Elea, ODATA e Tecto, que estão ampliando suas operações. Entre os projetos de destaque está um investimento de R$ 5 bilhões da Elea em São Bernardo do Campo e um hyperscale da Tecto em Santana de Parnaíba, que terá energia 100% renovável e um aporte inicial de US$ 1 bilhão⁴.

O Rio Grande do Sul⁵ também se insere no cenário, com a Scala Data Centers investindo R$ 3 bilhões na construção da Scala AI City em Eldorado do Sul, com potencial para alcançar 4,7 GW. O Paraná, Distrito Federal e Minas Gerais também são mencionados como regiões estratégicas, com a cidade de Maringá tentando atrair um grande data center por meio da criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

A infraestrutura de fibra óptica, desafios regulatórios e incentivos fiscais são elementos-chave na viabilização desses investimentos, e o crescimento do setor de data centers no Brasil reflete uma transformação digital acelerada e uma maior demanda por processamento e armazenamento de dados.

Apesar do potencial e das vantagens estratégicas, o Brasil enfrenta desafios significativos para o fomento e a expansão do setor de data centers. O principal obstáculo apontado pelo Mapeamento da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) é o custo elevado de implantação (CAPEX) e operação (OPEX), que são consideravelmente superiores aos de países vizinhos na América Latina. Em 2021, o CAPEX de um data center Tier 3 no Brasil era 25,9% superior ao do Chile e 52,6% maior que o da Argentina. A carga tributária é citada como o fator mais relevante para essa diferença, representando 23% do CAPEX e 27% do OPEX no Brasil, as maiores alíquotas regionais. A complexidade do sistema tributário brasileiro agrava essa situação, somada ao alto custo e à dificuldade de importação de equipamentos essenciais. Esses custos elevados podem tornar mais vantajoso para empresas brasileiras processar seus dados no exterior, impactando a competitividade internacional do país (ABDI, 2023).

Além dos custos tributários e de importação, os data centers demandam uma infraestrutura robusta de energia e refrigeração. A eletricidade é o maior custo operacional, e a crescente demanda de servidores para IA exige centenas de megawatts, elevando o consumo e os custos. A refrigeração é um desafio constante para garantir a eficiência e longevidade dos equipamentos, levando à busca por tecnologias como resfriamento líquido. A busca por energia 100% renovável, embora seja um objetivo para reduzir emissões, também representa um investimento necessário. Outro desafio importante é o desenvolvimento de capital humano qualificado para a operação e manutenção complexa dessas instalações.

Para superar esses obstáculos e capitalizar o potencial do país, o governo brasileiro propôs um conjunto de políticas públicas visando atrair investimentos vultosos para o setor. O cerne dessa estratégia é o Plano Nacional dos Data Centers, uma iniciativa que busca acelerar a expansão da infraestrutura e atrair cerca de R$ 2 trilhões em investimentos ao longo de dez anos. O principal mecanismo desse plano é o Regime Especial de Atração de Data Centers (Redata).

O Redata é um regime tributário especial em elaboração pelo governo federal, cujo objetivo é desonerar investimentos na implantação e expansão de data centers no Brasil. Ele prevê a isenção ou redução de tributos federais incidentes sobre a compra e importação de equipamentos essenciais para construção, modernização e operação, como IPI, PIS, Cofins e Imposto de Importação. Essa medida visa tornar a construção e expansão de data centers financeiramente mais atraentes, funcionando como uma antecipação de efeitos da reforma tributária para o setor.

Em contrapartida aos benefícios fiscais concedidos pelo Redata, os investidores deverão cumprir exigências estratégicas para o desenvolvimento nacional:

Sustentabilidade: Exige a adoção de práticas ambientais rigorosas, como o uso de energia 100% renovável e limpa (preferencialmente solar ou eólica), alta eficiência energética e hídrica (buscando “zero water”), circularidade e neutralidade de carbono. Isso alinha o fomento do setor a objetivos ambientais cruciais.

Reserva de Capacidade Doméstica: Pelo menos 10% da capacidade dos data centers beneficiados pelo Redata deve ser ofertada no mercado brasileiro para empresas, pesquisa, universidades ou políticas públicas. A doação dessa capacidade conta em dobro, com o objetivo de garantir que parte dessa infraestrutura beneficie diretamente a economia e a inovação locais.

Contribuição para Pesquisa: Os participantes do Redata devem destinar 2% da sua receita para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), visando fomentar pesquisas específicas para o setor.

Assim, o Redata não se limita a atrair investimentos pela redução de custos, mas busca direcioná-los para que sejam sustentáveis e contribuam para o desenvolvimento tecnológico e a economia digital brasileira.

Além do Redata, há a necessidade de políticas públicas integradas e modelos de colaboração para fortalecer o setor de data centers no Brasil. A Política Nacional de Segurança Cibernética (PNCiber) desempenha um papel fundamental ao estabelecer um arcabouço regulatório sólido, garantindo segurança jurídica e proteção contra ameaças digitais. Sua incorporação nas estratégias de fomento ao setor reforça a posição do Brasil como um ambiente confiável para investimentos em infraestrutura tecnológica.

Outras medidas propostas e modelos de fomento incluem:

  1. Diálogo Estratégico e Governança: A criação de um Comitê Interministerial para facilitar o diálogo com o setor privado e o planejamento estratégico.
  2. Outros Incentivos Fiscais: Além do Redata, a avaliação de outras reduções tributárias, como impostos sobre energia, IPTU e importação.
  3. Financiamento Público: Oferta de linhas de crédito dedicadas, como a já existente de R$ 2 bilhões do BNDES, e outras formas de crédito tributário.
  4. Infraestrutura Compartilhada e Licenciamento Facilitado: A criação de “parques de data centers” ou zonas econômicas especiais (similar às ZPEs mencionadas no Nordeste) com infraestrutura previamente estruturada (energia, água, conectividade) e processos de licenciamento simplificados. Inspirados em modelos internacionais e na experiência brasileira com parques tecnológicos, esses parques visam reduzir incertezas, custos e prazos, tornando o país mais atraente para grandes estruturas. A colaboração no modelo da Tríplice Hélice (governo, empresas, universidades) é vista como crucial para o sucesso desses parques.
  5. A adaptação de bunkers da Segunda Guerra Mundial para data centers no Brasil é uma alternativa promissora, aproveitando sua estrutura robusta e localização estratégica em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. O Decreto 4.098, de 1944, exigia a construção desses abrigos, muitos dos quais ainda existem e foram reutilizados para outras funções. A conversão desses espaços pode garantir alta segurança física e resistência a desastres naturais, desde que sejam modernizados com infraestrutura adequada de energia, refrigeração e conectividade. O documentário Cyberbunker: Crimes na Internet exemplifica esse modelo na Alemanha, demonstrando sua viabilidade para operações digitais. No Brasil, a implementação desse conceito exigiria investimentos em tecnologia, energia renovável e conectividade para assegurar sua eficiência no mercado de infraestrutura digital (NETFLIX, 2023; SEAERJ, 2022).
  6. Investimento em Infraestrutura Crítica: Garantir investimentos públicos em redes de energia, fibra óptica e cabos submarinos para suportar a expansão dos data centers.
  7. Facilitação Regulatória: Implementar mecanismos para acelerar licenciamentos e garantir a segurança jurídica dos investimentos.
  8. Desenvolvimento de Capital Humano: Fomentar a oferta de cursos profissionalizantes e a adaptação de currículos universitários em parceria com instituições como SENAI e universidades, para formar a mão de obra qualificada necessária.
  9. Estímulo à Demanda: Incentivar a digitalização governamental e a adoção de serviços em nuvem nos setores público e privado, gerando demanda para os data centers instalados no país.
  10. Segurança Cibernética: Garantir a proteção dos data centers dentro do arcabouço da Política Nacional de Segurança Cibernética (PNCiber).

A superação dos desafios e o aproveitamento do potencial do Brasil no mercado de data centers dependem fundamentalmente da colaboração entre os setores público e privado. É necessário combinar o capital e a expertise privada com a capacidade estatal de prover infraestrutura, regular, incentivar e gerar demanda. Iniciativas como a desoneração tributária condicionada pelo Redata, a facilitação de processos, investimentos em infraestrutura e qualificação de pessoal, e o diálogo constante são manifestações dessa colaboração essencial para que o Brasil capitalize seu potencial e fortaleça sua posição global na era da Inteligência Artificial.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

1. https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/bytedance-avalia-investimento-em-data-center-no-brasil-com-foco-em-energia-renovavel

2. https://www.datacenterdynamics.com/br/an%C3%A1lises/os-principais-projetos-de-data-centers-em-2025/ 

3. https://convergenciadigital.com.br/mercado/elea-faz-data-center-verde-para-inteligencia-artificial-no-rio-de-janeiro/

4. https://www.datacenterdynamics.com/br/an%C3%A1lises/os-principais-projetos-de-data-centers-em-2025/

5. https://investnews.com.br/negocios/a-vez-do-brasil-nos-data-centers-empresas-colocam-bilhoes-em-campo-a-espera-da-explosao-da-ia/

Referências

AGÊNCIA BRASILEIRA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL (ABDI). Mapeamento Data Centers 2023. Brasília, DF, 2023.

BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). BNDES lança linha de R$ 2 bilhões para data centers no Brasil. Brasília, DF, 11 set. 2024. Disponível em: https://www.bndes.gov.br. Acesso em: 12 maio 2025

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. PBIA prevê R$ 500 milhões para data centers verdes que aliam tecnologia e sustentabilidade. MCTI, 20 fev. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2025/02/pbia-preve-r-500-milhoes-para-data-centers-verdes-que-aliam-tecnologia-e-sustentabilidade. Acesso em: 10 maio 2025.

BYTEDANCE. ByteDance avalia investimento em data center no Brasil com foco em energia renovável. Ecommerce Brasil, 2025. Disponível em: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/bytedance-avalia-investimento-em-data-center-no-brasil-com-foco-em-energia-renovavel. Acesso em: 13 maio 2025.

CONVERGÊNCIA DIGITAL. Elea faz data center verde para inteligência artificial no Rio de Janeiro. Convergência Digital, 2025. Disponível em: https://convergenciadigital.com.br/mercado/elea-faz-data-center-verde-para-inteligencia-artificial-no-rio-de-janeiro/. Acesso em: 13 maio 2025.

CNN BRASIL. Na disputa global por data centers, Brasil prepara incentivos fiscais. 28 abr. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/na-disputa-global-por-data-centers-brasil-prepara-incentivos-fiscais/. Acesso em: 12 maio 2025.

DIÁRIO DO NORDESTE. Obras de data center de R$ 55 bilhões da Casa dos Ventos devem começar neste ano no Pecém, diz Elmano. [s.d.]. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/negocios/obras-de-data-center-de-r-55-bilhoes-da-casa-dos-ventos-devem-comecar-neste-ano-no-pecemdizelmano-1.3611910. Acesso em: 10 maio 2025.

DATACENTER DYNAMICS. Os principais projetos de data centers em 2025. DataCenter Dynamics, 2025. Disponível em: https://www.datacenterdynamics.com/br/an%C3%A1lises/os-principais-projetos-de-data-centers-em-2025/. Acesso em: 11 maio 2025.

FARIA, Adriana Ferreira de; HABER, Jeruza Alves; BATTISTI, Andressa Caroline De; DABROWSKA, Justyna; SEDIYAMA, Jaqueline Akemi Suzuki. Technology parks in Brazil: an analysis of the determinants of performance evaluation. International Journal of Innovation, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 30-67, jan./abr. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.5585/iji.v10i1.19456. Acesso em: 10 maio 2025.

INFOMONEY. Brookfield busca sócio para Ascenty de olho na expansão de data centers no Brasil. InfoMoney, 2025. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/business/brookfield-busca-socio-para-ascenty-de-olho-na-expansao-de-data-centers-no-brasil/. Acesso em: 11 maio 2025.

INVESTNEWS. A vez do Brasil nos data centers: empresas colocam bilhões em campo à espera da explosão da IA. InvestNews, 2025. Disponível em: https://investnews.com.br/negocios/a-vez-do-brasil-nos-data-centers-empresas-colocam-bilhoes-em-campo-a-espera-da-explosao-da-ia/. Acesso em: 13 maio 2025.

IT FORUM. Brasil lidera data centers Latam. [s.d.]. Disponível em: https://itforum.com.br/noticias/brasil-lidera-data-centers-latam/. Acesso em: 10 maio 2025.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

PENSO TECNOLOGIA. Crescimento dos Data Centers no Brasil: Oportunidades e Desafios. [s.d.]. Disponível em: https://www.penso.com.br/crescimento-dos-data-centers-no-brasil-oportunidades-e-desafios/. Acesso em: 10 maio 2025.

VEJA. Entenda o plano de R$ 2 trilhões de Haddad para atrair data centers para o Brasil. [s.d.]. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/entenda-o-plano-de-r-2-trilhoes-de-haddad-para-atrair-data-centers-para-o-brasil/. Acesso em: 10 maio 2025.

ETZKOWITZ, Henry. The Triple Helix of University-Industry-Government Relations. Social Science Information, v. 42, n. 3, p. 293-337, set. 2003. DOI: 10.1177/05390184030423002.

NETFLIX. Cyberbunker: Crimes na Internet. Direção de Mark Wetzke. Alemanha, 2023. Disponível em: https://www.netflix.com.

TS SHARA. O desafio do mercado brasileiro de data centers. 2025. Disponível em: https://tsshara.com.br/blog/noticias/o-desafio-do-mercado-brasileiro-de-data-centers/. Acesso em: 12 maio 2025.

Economia Circular: da urgência climática à inovação necessária

0
Mapa mostra que Brasil tem boas ideias para enfrentar a crise climática
Foto: istockphoto/divulgação

Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, foi impossível ignorar a gravidade do nosso tempo. Segundo o Observatório Copernicus, 2024 foi o ano mais quente já registrado na história. Isso não é apenas um dado — é um alerta. Estamos cruzando limites climáticos perigosos, e a resposta precisa ser proporcional à urgência.

Foi com esse espírito que participei do Sustainable Business COP, em Paris, hoje, como representante da USP e coordenadora do Centro USPproClima. O evento, organizado pela Confederação Nacional da Indústria, é uma iniciativa do setor privado para propor soluções concretas rumo à COP30, que será realizada em Belém, em novembro. Coordeno o grupo de trabalho sobre economia circular ao lado do CEO da Ambipar, nosso parceiro no USPproClima.

A entrega do primeiro draft de recomendações ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, foi um marco. Mais do que um gesto simbólico, é o início de uma rota de compromissos que deverá ganhar corpo até agosto, com sugestões pautadas por inovação, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental.

Circularidade: um novo modelo de desenvolvimento

A economia circular representa uma das trilhas mais sólidas e realistas para enfrentarmos a crise climática. Trata-se de um modelo que rompe com a lógica linear do “extrair, produzir, descartar”, promovendo ciclos regenerativos em que materiais são reaproveitados, a vida útil dos produtos é ampliada e o design é repensado desde o início.

Não estamos falando apenas de reciclagem. O modelo atual precisa ser substituído por estratégias que integrem os chamados 9Rs: Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reparar, Restaurar, Remanufaturar, Redirecionar, Reciclar e Recuperar. Isso exige articulação entre governos, empresas, academia e consumidores.

Leia mais: Dia Mundial do Meio Ambiente 2025 destaca luta contra poluição plástica

Contudo, o avanço é lento: segundo o Circularity Gap Report 2025, apenas 7% dos materiais usados globalmente são reutilizados. Ainda assim, as oportunidades são imensas: estima-se que os ganhos de mercado com a economia circular podem ultrapassar 4,5 trilhões de dólares até 2030.

É nesse contexto que a universidade se insere de forma estratégica. Projetos como o USPproClima, fruto da parceria entre a USP e a Ambipar, exemplificam como a ciência pode oferecer evidências, formar novos líderes e incubar soluções sustentáveis.

A missão da academia não é apenas diagnosticar problemas, mas apresentar alternativas embasadas e viáveis. Com o USPproClima, estamos desenvolvendo propostas alinhadas ao mercado e ao meio ambiente, unindo conhecimento científico, inovação tecnológica e impacto social. Como destacou o embaixador Corrêa do Lago no evento, esta precisa ser uma COP de implementação. E implementação exige exemplos concretos.

Mais do que nunca, ciência, setor produtivo e política pública devem caminhar juntos. A economia circular não é uma tendência — é uma necessidade para garantir que tenhamos futuro.

Fonte: Jornal USP – Patrícia Iglecias

Comissão de Meio Ambiente vai discutir agricultura familiar na COP 30

0
Comissão de Meio Ambiente vai discutir agricultura familiar na COP 30
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Pessoas vulneráveis têm direito de receber vacinas diferenciadas

A Comissão de Meio Ambiente (CMA) vai debater na terça-feira (10), às 9h, o papel do cooperativismo da agricultura familiar na COP 30, que será realizada em novembro, em Belém. O requerimento (REQ 7/2025 – CMA) para a audiência pública foi apresentado pelo presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

O parlamentar argumenta que os agricultores familiares devem ser valorizados nas negociações climáticas internacionais. Segundo ele, a realização da COP 30, no Pará, também é uma oportunidade de inclusão social.

“A agricultura familiar cooperativada não é apenas vítima da crise climática — é também agente ativa de soluções sustentáveis, inclusivas e territoriais, que merecem destaque nas discussões da COP 30”, argumenta.

Contarato ressalta que a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), que será representada na audiência, congrega mais de 1,5 mil cooperativas e cerca de 1 milhão de cooperados no Brasil. Segundo o senador, a organização defende propostas concretas para a agenda climática.

O resultado dessa mobilização é o Manifesto do Cooperativismo da Agricultura Familiar para a COP 30. O documento tem 12 propostas para áreas como agroecologia, bioeconomia, justiça climática, acesso a financiamento verde, sociobiodiversidade, energias renováveis e inclusão produtiva.

Já confirmaram participação na audiência o coordenador de Meio Ambiente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alex Macedo, o secretário-geral da Organização Mundial dos Agricultores (OMA), Andrea Porro, o presidente da Unicafes, Aparecido Souza, e a analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima Liara Carvalho.

Fonte: Agência Senado