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Ônibus leva literatura a praças do interior paulista e transforma cidades em espaços de leitura

Projeto Livro Vivo percorre municípios com atividades gratuitas e reforça impacto da Política Nacional Aldir Blanc na democratização do acesso à cultura

Em cada parada, o ônibus estaciona e, em poucos minutos, transforma o espaço ao redor. Praças, escolas e ruas passam a abrigar histórias, vozes e encontros que antes não estavam ali. É assim que o projeto Ônibus Livro Vivo retoma sua circulação pelo interior de São Paulo, levando atividades culturais gratuitas e ampliando o acesso à leitura em territórios onde o livro ainda chega com dificuldade.

A iniciativa é da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, que há mais de duas décadas atua na formação de leitores e na promoção da literatura. Com apoio de políticas públicas, como a Política Nacional Aldir Blanc, e parcerias institucionais, o projeto ganha as estradas com uma proposta direta, aproximar as pessoas do universo literário no cotidiano das cidades.

Dentro e fora do ônibus, a programação reúne contação de histórias, oficinas criativas, intervenções artísticas, cortejos literários e ações de doação de livros. A experiência é pensada para todas as idades e aposta no lúdico como porta de entrada para a leitura.

Além da programação, a própria estrutura do ônibus funciona como espaço cultural itinerante. Adaptado para receber o público, o veículo conta com ambientação voltada à leitura, acervo de livros e áreas para atividades mediadas. Do lado de fora, tendas, tapetes e mobiliário transformam o entorno em um ambiente acolhedor, convidando o público a permanecer e participar.

Segundo a presidente da Fundação, Dulce Neves, a proposta nasce da necessidade de chegar a públicos que historicamente ficam fora dos circuitos culturais. “O projeto surgiu do desejo de ampliar o alcance das ações literárias para além dos grandes centros. Ao levar livros e atividades diretamente às comunidades, buscamos estimular o hábito da leitura e fortalecer vínculos com a cultura”, afirma.

Ela destaca que esse primeiro contato com o livro pode ser decisivo na formação de leitores. “Trabalhamos com o imaginário e com o encantamento. Esse primeiro encontro cria uma memória afetiva com a leitura, que tende a acompanhar essas crianças ao longo da vida”, completa.

Foco em quem mais precisa

A circulação do ônibus segue critérios definidos. A iniciativa prioriza municípios do interior e comunidades com menor oferta cultural, buscando levar atividades onde elas ainda são escassas. A escolha das cidades também considera a articulação com parceiros locais, como prefeituras, escolas e agentes culturais, garantindo que as ações dialoguem com cada realidade.

A programação é adaptada ao perfil de cada território, fortalecendo iniciativas já existentes e ampliando o alcance das atividades. Com isso, a presença do projeto tende a deixar impactos que vão além do dia da ação.

Nas cidades por onde passa, o Ônibus Livro Vivo promove uma ocupação qualificada dos espaços públicos e cria novas possibilidades de encontro com a literatura, especialmente entre crianças e jovens.

“O impacto do projeto se evidencia na ampliação do acesso à leitura e na valorização do livro como ferramenta de conhecimento e expressão. Ele também promove inclusão cultural, alcançando públicos que muitas vezes não têm condições de participar de grandes eventos”, explica Dulce Neves.

Esse movimento se reflete no envolvimento das famílias e na permanência do público nas atividades. Em muitos casos, a experiência não se encerra ali, mas se desdobra em novos vínculos com a leitura e com os espaços culturais locais.

Inclusão e equidade

A proposta itinerante permite superar barreiras geográficas, econômicas e estruturais que ainda afastam parte da população dos equipamentos culturais. Ao chegar diretamente aos territórios, o projeto amplia o acesso e cria novas possibilidades de encontro com a literatura.

Para Dulce Neves, esse movimento é central na redução das desigualdades culturais. “Iniciativas como essa têm um papel estratégico porque descentralizam a oferta cultural e garantem que a literatura chegue a lugares onde tradicionalmente está ausente”, afirma.

Ela também destaca a acessibilidade como eixo estruturante do projeto. “A gente pensa o projeto para que todos possam participar. Isso inclui adaptar o espaço e as atividades, para que pessoas com deficiência se reconheçam como parte desse ambiente de cultura e imaginação”, completa.

Outro diferencial do Ônibus Livro Vivo está na articulação com escolas, secretarias municipais, bibliotecas e agentes culturais locais, ampliando a mobilização do público e fortalecendo o diálogo com os territórios.

Segundo Dulce Neves, essa conexão garante continuidade às ações. “Quando a gente trabalha junto com educadores e agentes locais, consegue integrar as atividades ao cotidiano da cidade. Isso faz com que a leitura continue depois que o ônibus vai embora”, explica.

Esse vínculo também contribui para fortalecer redes culturais locais e criar condições mais favoráveis à formação contínua de leitores.

Circulação cultural

A retomada do projeto evidencia o papel das políticas públicas no fortalecimento da cultura nos territórios. A Política Nacional Aldir Blanc foi fundamental para viabilizar a iniciativa, com investimento de cerca de R$ 250 mil na adaptação do ônibus e na estruturação das atividades.

No estado de São Paulo, a política já destinou R$ 566 milhões no primeiro ciclo, entre 2023 e 2024, com execução total dos recursos. No segundo ciclo, iniciado em 2025, são mais R$ 491 milhões, ampliando o alcance de projetos culturais em diferentes regiões.

Para o secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fabiano Piuba, iniciativas como essa demonstram o impacto direto da política cultural na vida das pessoas. “O Ônibus Livro Vivo é uma iniciativa relevante que leva atividades de promoção do livro e da leitura a diferentes territórios. A Política Nacional Aldir Blanc possibilita a execução de projetos como esse, ampliando o acesso da população e fortalecendo a formação de leitores no país”, destaca.

Próximos passos

Com atuação já consolidada em regiões do interior paulista, o projeto tem potencial de crescimento. Apenas a região metropolitana de Ribeirão Preto reúne 34 municípios, enquanto a região administrativa de Franca soma outros 23, evidenciando a demanda por iniciativas desse tipo.

Entre os próximos passos estão a integração com o projeto digital Livro Vivo, reconhecido como tecnologia social, e a ampliação de ações formativas voltadas a professores e estudantes. A proposta é preparar os territórios antes mesmo da chegada do ônibus, criando uma base mais sólida para a formação de leitores.

Com agenda em andamento, o Ônibus Livro Vivo segue ampliando sua circulação pelo interior paulista. Até o fim de abril, está prevista uma passagem pela cidade de Guará (SP), ainda em fase de agendamento. Na sequência, o projeto acompanha as feiras literárias organizadas pela Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, levando atividades culturais a diferentes municípios.

SERVIÇO

Agenda de feiras literárias com participação do Ônibus Livro Vivo

ABRIL

8 a 12 de abril: Feira do Livro de Jardinópolis – 7ª Semana do Livro, Leitura e Biblioteca Dr. João Baptista Berardo

MAIO

18 a 21 de maio: Feira do Livro de Monte Alto

28 a 30 de maio: Feira do Livro de Ipuã

AGOSTO

6 a 8 de agosto: Feira do Livro de São Joaquim da Barra

AGOSTO / SETEMBRO

30 de agosto a 5 de setembro: 25ª FIL – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto

SETEMBRO

17 a 20 de setembro: Feira do Livro de Guará

Fonte: Ministério da Cultura

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