EDUCAÇÃO DE JOVENS COM UM OLHAR PARA A TECNOLOGIA TORNA-SE NECESSÁRIA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E PARA A QUALIDADE DE VIDA NAS CIDADES

Os programas com foco em jovens aprendizes precisam ser cada vez mais atuais e conectados com as necessidades de mercado. A internet precisa ser utilizada como uma ferramenta de ação social, e a transformação precisa ir além do digital, atingindo corações e mentes.

 

Parece lugar comum dizer que os jovens são o futuro, e que o futuro está na tecnologia. Mas, o que pode parecer estranho é a dificuldade em juntar esses dois universos – os jovens e as tecnologias – quando falamos em formação, empregabilidade e mercado de trabalho. E daí surge a necessidade de projetos que promovam a capacitação na área digital para atendermos a demanda crescente por profissionais de TI e construirmos cidades mais prósperas, gerando desenvolvimento sustentável, que de acordo com a ONU compreende um desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental.

Segundo o estudo de Mercado Brasileiro de Software, o setor de software apresentou um crescimento mais acentuado do que o setor de serviços dentro do segmento de Tecnologia da Informação, com um aumento de 28,7% em 2020. Só que, apesar de o país ter 49,95 milhões de jovens entre 15 e 29 anos (segundo dados da FGV Social), que já nasceram na era da tecnologia e utilizam-na diariamente (seja por meio do celular, de um computador ou se divertindo com jogos), muitos ainda não enxergam a tecnologia como um caminho acadêmico ou opção de trabalho.



Então, para essa conta fechar, é preciso promover o acesso dos jovens aos programas de formação e de qualificação em tecnologia desde a base. Programas como os de Jovens Aprendizes com o foco para o setor tecnológico se tornam cada vez mais relevantes para suprirmos a base desta pirâmide e gerarmos empregos que possibilitem o desenvolvimento promissor destes jovens.  A tecnologia é transversal na economia, e por isso a necessidade crescente de jovens que queiram se desenvolver para este mundo de oportunidades. Os gamers têm um perfil interessante para trabalhar no setor tecnológico.

Com a pandemia, para os programadores a facilidade de se trabalhar de qualquer lugar, se acentuou e veio para ficar, hoje muitos profissionais do mercado escolhem empresas de qualquer lugar do mundo para trabalhar sem sair do seu aconchego familiar, podendo assim conectar o trabalhar, o morar e se divertir em um só lugar. Pensando bem o Brasil perde a competitividade em termos de desenvolvimento econômico, pois forma-se profissionais e estas mentes buscam novas oportunidades junto às empresas estrangeiras.

Entre os anos de 2020 e 2021, segundo a plataforma de recrutamento Trampos, houve um crescimento de 150% nas vagas de TI. Destas, 16,8% são em TI e dados, sendo 62% das oportunidades destinadas aos profissionais com um perfil júnior. Em outras palavras, os programas com foco em jovens aprendizes precisam ser cada vez mais atuais e conectados com as necessidades de mercado. A internet precisa ser utilizada como uma ferramenta de ação social, e a transformação precisa ir além do digital, atingindo corações e mentes.

Atenta a este cenário, a ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software uniu-se à ReUrbi e ao Observatório do Terceiro Setor na campanha “Mobilização para a redução da desigualdade”. Por meio de recursos obtidos pela reciclagem de equipamentos de TI (como notebooks, PCs e racks) descartados pelas empresas que aderirem ao Programa ReciTech (que, por sua vez, faz a coleta, a reciclagem e reinserem esses equipamentos na cadeia produtiva), a iniciativa impacta de forma positiva o meio ambiente, e, principalmente, ajuda a capacitar os jovens para trabalharem no setor de tecnologia.

Diante de uma necessidade de se contribuir com a formação, a empregabilidade e a competitividade das empresas, torna-se cada vez mais relevante discutir temas de formação, atração e de retenção de jovens para um setor cada vez mais diverso, mas para isso teremos que atrair também a atenção da diversidade.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

Jamile Sabatini Marques
É pós-doutora e pesquisadora no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e pós doutoranda no EGC/UFSC. Diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
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