A NOVA GERAÇÃO DE CIDADES QUE JÁ NASCEM INTELIGENTES

Criar cidades inteligentes do ponto zero é extremamente complexo e caro. Entretanto, é necessário acelerar os esforços para que a estruturação de novas áreas urbanas no Brasil contemple soluções que elevem a qualidade de vida dos habitantes

No início deste ano, a Arábia Saudita anunciou a criação da cidade ecológica chamada The Line, com “zero carros, zero estradas, zero emissões de CO²” no Neom, uma região em desenvolvimento no Noroeste do País.  O novo município poderá acomodar um milhão de habitantes, tem 170 quilômetros de comprimento e preservará 95% das áreas naturais, como descreveu o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman em seu anúncio.

The Line parece paradoxal num país reconhecido por sua robusta produção de petróleo – uma fonte energética que o mundo quer deixar para trás. Por isso, o megaprojeto saudita chama tanto a atenção. Aponta para a possibilidade de se romper com modelos seculares para dar-se início a um novo paradigma. Neom foi detalhadamente projetada como uma região futurista e turística, a fim de diversificar a economia do País.



Transporte de alta velocidade e trajetos curtos

A dinâmica de The Line está planejada em torno das atividades dos pedestres, buscando manter escolas, centros de saúde e espaços verdes em suas próprias comunidades, e oferecer transporte público de alta velocidade e trajetos curtos. De acordo com a divulgação, o novo centro urbano também será baseado em tecnologias de inteligência artificial. 

É um movimento que se propaga nos últimos anos. Em 2019, a Coreia do Sul anunciou sua liderança em um grupo de onze países asiáticos que vão construir ou transformar 26 cidades inteligentes. A colaboração destes países busca resolver problemas de urbanização que vão da concentração populacional às enchentes, por exemplo. 

Naturalmente, criar cidades inteligentes do ponto zero é extremamente complexo e caro. Entretanto, é necessário acelerar os esforços para que a estruturação de novas áreas urbanas no Brasil, com grande potencial de crescimento, contemple novas soluções que elevem a qualidade de vida dos habitantes. 

Cidadãos como ponto central

E, paralelamente, também precisamos promover a mudança de patamar das nossas cidades. Com inteligência, tecnologia e inovação, tendo os cidadãos como ponto central das soluções, é possível melhorar a infraestrutura do transporte público, ampliar a prestação dos serviços essenciais, diminuir os índices de poluição e enfrentar diversos outros desafios gerados pelo crescimento desenfreado dessas regiões.

Isso é crucial se levarmos em consideração que, desde 2014, mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas. Essa taxa aumentará para 70% até 2050, como relata o Correio da Unesco – Reinventar as cidades. O documento aponta que, embora ocupem apenas 2% da superfície terrestre, as cidades consomem 60% da energia mundial, liberam 75% das emissões de gases de efeito estufa e produzem 70% do lixo global.

Tecnologias no Brasil

O Brasil já dispõe de soluções tecnológicas de primeira linha e especialistas em múltiplas áreas dedicados a reverter este cenário. Entre elas, por exemplo, estão tecnologias de análise de dados e inteligência artificial para melhor gestão do transporte público, tornando o uso mais eficiente e rentável para os municípios, além de aumentar a conveniência para os passageiros e reduzir a emissão de poluentes.

Há uma considerável diversidade de recursos para tornar as cidades brasileiras mais conectadas, seguras, autorregenerativas, sustentáveis ambiental e economicamente e, ainda, inclusivas e agradáveis do ponto de vista dos cidadãos. Cidades podem nascer ou se tornarem inteligentes – seja como for, é uma agenda a ser fortalecida no Brasil.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Aurelie dos Santos
Aurelie dos Santos
Gerente de Smart Cities na green4T. Graduada em estratégias territoriais e urbanas pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, a executiva possui experiência organizacional na gestão de projetos de mobilidade adquirida no Brasil, França, Argentina e México. Atuou na implantação de 24 sistemas de bicicletas públicas e carros elétricos compartilhados e publicou o “Projetar e Construir Bairros Sustentáveis”, estudo comparativo sobre operações urbanas consorciadas, em São Paulo e Paris.
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