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NO INÍCIO DESTE NEGÓCIO: UM CONTO EMULADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Gustavo Balieiro
Gustavo Balieiro
Mestre em transportes pela UFMG, com mais de 15 anos na área tendo atuado em transportes em duas copas do mundo e duas olimpíadas, sendo as duas últimas posições em eventos como consultor do COI e CONMEBOL. Sócio de uma consultoria tradicional de transportes (PLANUM) e sócio de uma startup de inovação de mobilidade (Bus2). Atualmente trata mais de 1 bilhão de registros por mês entre dados de planejamento, AVL, SBE e outros, independente de formato e fornecedores.

 

No início deste negócio de transporte, tudo era mais simples. Tínhamos nossos caminhões robustos, apenas para carregar cargas de um lugar para outro. Não havia frescuras, só trabalho duro e estradas de terra batida. Mas, aos poucos, algo mudou, e percebo que devemos encarar as mudanças de frente.
Lá nos primórdios, quando dirigíamos os primeiros caminhões, em uma carona casual, a luz acendeu. “Por que não levar as pessoas, e cobrar por esse serviço?”
Assim começamos a evoluir, e nosso trabalho ia além da simples movimentação de mercadorias.
No começo usávamos apenas caminhões. Aliás, durante um bom tempo eram os caminhões envelopados de ônibus.
Mas o transporte de passageiros já era algo necessário, obrigatório, porém, quando envolveu a política, talvez, já tivéssemos perdido o foco.
Já dizia um velho dos nossos tempos: “Olhem para a traseira daquele veículo, meu amigo. Isso não é só sobre ônibus, é sobre pessoas. Se não entendermos e atendermos o que elas querem, elas vão embora”.
À medida que a demanda por transporte de pessoas crescia, começamos a nos perder em meio aos motores e aos problemas. Esquecemos que, no fundo, estávamos lidando com seres humanos, não apenas passageiros, aqueles que apenas passam e nem sempre pagam.
Foi aí que as coisas começaram a desandar. O controle governamental se entrelaçou em nossos assuntos.
Se no início comemoramos o nascimento da primeira política de transferência de renda do país, o vale transporte, fomos também envolvidos em impostos e regulamentações, que nos apertaram como uma teia, sem saída.
Não que fosse errado, mas apenas nos desviou ainda mais do foco principal. Em vez de preocupar em atender com excelência, passamos a nos preocupar em criar justificativas para tudo o que ocorria.
Lembro do tempo, não muito distante, em que reaproveitar veículo em mais de uma linha era proibido, sob a justificativa de prejudicar a fiscalização, para o processo de “bater quilometragem”.
Nesse contexto, surge a tecnologia em cena.
Mas em vez de nos aproximar das pessoas, em princípio ela só nos fez focar no controle da operação. E com tudo isso, a única coisa importante se tornou os números do sistema.
Nesse ponto, já nem lembrávamos mais que o começo de tudo isso foi a simples ideia de levar pessoas de um lugar para outro.
Mas será que agora olhando para novos números, sob uma nova perspectiva, conseguimos entender o que as pessoas querem?
Este é um desabafo fictício/artificial, ou não, de um operador de transporte emulado por Inteligência Artificial.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

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