A MOBILIDADE ELÉTRICA COMO ALAVANCA PARA O ESG

É preciso visualizar que o Brasil leva vantagem na matriz elétrica e que toda a cadeia de fornecedores, clientes e parceiros deve fazer parte de um ecossistema sustentável

Quando falamos em ESG, assunto muito comentado no ambiente corporativo nos últimos dois anos, é muito importante lembrar que o Brasil tem uma vantagem muito grande em relação ao resto do mundo. Aqui, segundo o Ministério das Minas e Energia, a matriz energética (conjunto de recursos energéticos) é 48% mais renovável que a global, que beira 14%. Isso me leva a falar também da matriz elétrica, onde também estamos em boa posição, pois boa parte da energia elétrica gerada no Brasil vem de usinas hidrelétricas. A eólica também vem crescendo bastante – de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), ela representa 10,9% da matriz elétrica brasileira e a expectativa é que chegue a 13,6% ao fim de 2025.

Com essas boas estatísticas, o caminho fica mais favorável para que possamos alcançar processos mais justos em relação ao meio ambiente. A mobilidade elétrica está diretamente relacionada à sustentabilidade, porque quando uma empresa resolve eletrificar seus processos, ela já está dando muitos passos à frente. E o primeiro deles é economizar – energia renovável é incentivada e mais barata. Mas não é só isso. Compare comigo: extração de óleo ou gás, transporte, refino, transporte novamente, parece difícil e oneroso. Agora você pensa assim: sai da usina direto para a tomada da sua garagem. É mais fácil. 



As nossas instalações em Jundtech, nosso cartão de visita, buscam ser cada vez mais eficientes em termos energéticos, onde utilizamos as nossas próprias soluções para reduzir nossa pegada de carbono (48%) e gasto de energia (50%). Mas seria inconsistente pensar que estamos sozinhos dentro dos ecossistemas do planeta. Queremos que nossos clientes, parceiros e fornecedores caminhem conosco. No escopo 1, que somos nós, Siemens, entram as emissões liberadas para a atmosfera como resultado direto das operações da companhia, assim como a combustão dos veículos pertencentes ou controlados pela empresa. No escopo 2, entram as emissões indiretas, provenientes da energia elétrica adquirida para uso: eletricidade, vapor, calor e refrigeração. E no escopo 3, estão as emissões indiretas não incluídas no escopo 2 que ocorrem na cadeia de valor da empresa, matéria-prima adquirida, viagens de negócios e deslocamento dos colaboradores, descartes de resíduos, transporte e distribuição.

Escopos 1, 2 e 3 precisam estar em sintonia. É por isso que estamos estudando ter um caminhão elétrico para realizar entregas em um raio determinado de atuação e desenvolvendo um programa para reconhecer nossos fornecedores mais conscientes. Sustentabilidade é parte integrante dos nossos negócios – está em nosso DNA. Estamos levando nosso compromisso com ESG a um outro patamar, com nossa estrutura DEGREE, um acrônimo, em inglês, para as palavras Descarbonização, Ética, Governança, Recursos com uso eficiente, Equidade e Empregabilidade.

Essa estrutura é uma abordagem 360 graus para todos os nossos stakeholders – clientes, fornecedores, investidores, funcionários, as sociedades que atendemos, o nosso planeta. Ao abordar os três aspectos ESG, nós construímos um futuro melhor, que nos ajuda a nos mantermos dentro dos limites do planeta, a fortalecer uma cultura de confiança, empoderamento e crescimento, e assegura que nossas equipes e negócios se mantenham fortes e relevantes para o que o futuro trouxer.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Sergio Jacobsen
Vice-presidente da área de Smart Infrastructure da Siemens Brasil, abrangendo as áreas de soluções e produtos de média e baixa tensão, produtos de controle para automação industrial, automação predial, geração e armazenamento de energia distribuída e soluções para eletro mobilidade.
Publicidade
spot_img

Últimas Matérias