ESPAÇOS DE TRABALHO VERDES MELHORAM AS CIDADES E TRAZEM BEM ESTAR ÀS PESSOAS

Cada vez mais escritórios buscam criar espaços livres e verdes, e promover atividades de descompressão, indícios do reconhecimento da importância dessa abordagem.


Muito se questiona sobre como se dará o trabalho no mundo pós-pandemia. Nos últimos tempos, todos nós aprendemos muito sobre os modelos de trabalho. De um lado, quem ficou mais exposto precisou desenvolver estratégias para manter-se protegido e saudável, tanto física quanto mentalmente. Do outro lado, aqueles que puderam aderir ao modelo remoto viveram a dor e a delícia do home office, o que inclui uma rotina sem perda de tempo nos deslocamentos, mas que limita as conexões e experiências coletivas fundamentais para um trabalho inovador e colaborativo. Para todos, não importa a posição ou o cargo, houve uma reflexão sobre as configurações e a maneira como utilizamos nossos ambientes de trabalho, locais onde muitas vezes passamos mais horas do que dormindo em nossas próprias camas.

Pesquisas recentes mostram que as pessoas não querem voltar aos espaços de trabalho convencionais e frios que ocupavam antes. Elas prefeririam estar em casa, ou fora do caos urbano e em intenso contato com a natureza. Unir pessoas e suas habilidades é essencial para criar e inovar, porém, os espaços ao redor delas precisam ser estimulantes, apostando em soluções convidativas que contribuem para o conforto, assim como espaços que convidam à interação. Cada vez mais escritórios buscam criar espaços livres e verdes, e promover atividades de descompressão, indícios do reconhecimento da importância dessa abordagem.



É preciso trazer a diversidade e complexidade da natureza, para construir as relações espaciais adequadas às demandas atuais da sociedade.

Desenvolvemos um conceito de refúgio natural e urbano, que cria os espaços de trabalho necessários para o mundo pós pandemia. Nosso processo buscou desenvolver soluções a partir da própria natureza, nesse caso por meio de algoritmos genéticos, para chegarmos a soluções de projeto otimizadas por meio de design generativo.

Como solução construtiva, buscamos a flexibilidade e a modularidade como resposta.  Como materialidade buscamos a madeira. O uso dessa matéria-prima renovável e proveniente de florestas certificadas é capaz de absorver carbono. Também reduz o gasto de energia e praticamente zera o volume de resíduos na comparação com as obras convencionais, pois a estrutura é montada no terreno. No dia a dia, a madeira é fundamental para o conforto térmico e acústico e para proporcionar aconchego e bem-estar. 

As soluções modulares e adaptáveis permitiram criar uma dinâmica que integra os espaços à vegetação, ventilação e à insolação naturais. É como se tivéssemos um escritório onde todos podem sentir-se ao lado da janela, um voo onde todos os assentos são de primeira classe. Ao mesmo tempo, os espaços são adaptáveis aos usuários, ajustados aos seus interesses por meio de um modelo de negócio baseado em assinaturas. A proposta pode assumir distintas escalas e ser adaptada a diferentes lugares, fortalecendo um modelo de negócios que recria os espaços de trabalho.

Pesquisadores do mundo inteiro têm comprovado o quanto essa proximidade do ambiente é benéfica para a saúde. Na Austrália, um estudo da Universidade Deakin constatou que o impacto positivo ao estado mental é grande: é possível até mesmo reduzir sintomas de ansiedade e depressão. Já na Holanda, pesquisadores do Centro Médico Universitário de Amsterdã concluíram que pessoas que vivem próximas da natureza reduzem em 21% as chances de desenvolverem depressão.

Há mais benefícios: melhora na qualidade do sono, nos níveis de estresse, no aprendizado e na memorização, na imunidade, nos problemas cardíacos e pulmonares, além de diminuir a possibilidade de desenvolver doenças como obesidade e diabetes. 

Estender essas vantagens para o trabalho é urgente para que as pessoas possam ser mais saudáveis e felizes e até mesmo mais produtivas. Eis os espaços de trabalho do futuro: eles convidam a permanecer, a criar e a desenvolver plenamente nosso potencial.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities

Pedro Lira
Sócio-fundador da Natureza Urbana. Arquiteto e urbanista com mais de 15 anos de experiência no Brasil e exterior, com ampla experiência no planejamento e projetos de grande escala nos âmbitos público e privado.
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