ESPECIALISTA EXPLICA AS CONSEQUÊNCIAS DA MAIOR ESTIAGEM DO PAÍS PARA A ECONOMIA

O Brasil enfrenta a maior estiagem dos últimos 90 anos, o que traz consequências para diversos setores e, principalmente, para o dia a dia dos brasileiros

Enquanto muitas cidades já implementaram um rodízio de água nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as mais afetadas pela seca, os consumidores também sentem no bolso o aumento nas tarifas de energia e o país corre o risco de um colapso energético.

Ao que tudo indica, o volume de chuvas decidirá se haverá ou não um racionamento de energia no país. Isso porque, apesar das chuvas recentes, os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste estão com o mais baixo armazenamento de água desde 2000, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Com o nível baixo, as distribuidoras recorrem às termelétricas – que operam a partir da queima de carvão, óleo combustível e gás natural – o que eleva os custos de produção de eletricidade, criando um efeito cascata nas contas de energia. Criada em agosto, a bandeira tarifária da escassez hídrica adiciona R$ 14,20 às faturas para cada 100 kW/h consumidos.



Mas os impactos na economia não param por aí. “A indústria e as empresas prestadoras de serviços consomem muita energia elétrica. O setor automobilístico, por exemplo, utiliza muita energia em seus robôs para montar os carros. Com energia mais cara, a indústria aumenta o seu custo e uma parte disso vai para o preço final repassado aos consumidores. Isso vale para todos os setores produtivos e para os de serviços, pois haverá um repasse dos aumentos aos consumidores”, destaca o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Ahmed Sameer El Khatib.

O cenário pode se complicar ainda mais, uma vez que as distribuidoras de energia informaram recentemente ao Ministério de Minas e Energia que a bandeira de escassez hídrica não será suficiente para a cobertura de todos os recursos utilizados para a segurança energética.

“Os preços da energia elétrica, da gasolina e do óleo diesel estão subindo desde o final de 2020 e com tendência de mais altas até o fim de 2021. Interromper a bandeira emergencial antes do tempo pode provocar aumentos ainda maiores na energia elétrica em 2022”. Ahmed explica que o valor que não está sendo coberto pela tarifa pode ser repassado para o próximo ano e fazer parte do cálculo do reajuste anual das distribuidoras, o que já aconteceu durante a crise de 2015, quando foram registrados aumentos a mais de 50%.

Maior impacto

O impacto causado pela crise hídrica e consequente aumento nas contas de energia será maior entre os mais pobres. O especialista afirma que, apesar do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda ter registrado um aumento de agosto para setembro em todas as faixas, as famílias com renda domiciliar inferior a R$ 1.808,79 mensais tiveram uma elevação nos preços da conta de luz, gás de cozinha e alimentos. A variação dos preços passou de 0,91% em agosto para 1,30% em setembro.

Já para as famílias de renda mais alta, que recebem mais de R$ 17.764,49 mensais, a inflação saiu de 0,78% em agosto para 1,09% em setembro. Nas famílias de renda média alta, com rendimento domiciliar entre R$ 8.956,26 e R$ 17.764,49, a inflação acelerou de 0,85% para 1,04% no mesmo período.

“Olhando para 2021, temos um cenário perigoso. Para se ter uma ideia, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no país, apresentou alta de 1,16% em setembro. Esse é o maior resultado para o mês desde 1994 (1,53%) e foi puxado justamente pela alta na conta de luz”.

Para conter a inflação, no entanto, Ahmed acredita que o Banco Central deva elevar a taxa de juros básica (SELIC), o que pode refletir em menos investimentos, uma vez que o crédito ficará mais caro. “Crédito mais caro é sinônimo de menos investimentos e menos investimentos resulta em mais desemprego e PIB menor”.

Propostas de soluções

Para o especialista, algumas soluções que podem resolver o problema da crise energética ainda em 2022 estão sendo tratadas pela Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg). O colegiado foi criado em julho para adotar medidas emergenciais e garantir a continuidade do fornecimento de energia no país.

Entre essas ações, estão a provação de cotas mínimas para os reservatórios das usinas Ilha Solteira e Três Irmãos; a realização de estudos para a permanência de flexibilizações hidráulicas nas usinas Jupiá e Porto Primavera de dezembro de 2021 a abril de 2022 e para a flexibilização temporária da Regra de Operação do Rio São Francisco; um terceiro navio regaseificador no terminal de Pecém, no Ceará, para o fornecimento de gás natural para as termelétricas cearenses; e promover estudo sobre as condições de atendimento eletroenergético na transição do período seco para o período úmido em 2021 e para o atendimento em 2022.

Com informações da Assessoria de Imprensa

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