O SETOR TECNOLÓGICO E O IMPACTO DO ESG NA VIDA DAS CIDADES

Para manter-se em um mercado cada vez mais competitivo, a implementação de estratégias de ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) torna-se essencial

O setor tecnológico vem crescendo e se destacando em vários segmentos da economia, como na indústria, comércio, serviços e, ainda mais, na educação. No último ano, essa expansão foi impulsionada pela pandemia, uma vez que as empresas de tecnologia foram primordiais para que diferentes tipos de serviços fossem mantidos durante a crise sanitária. Como resultado, o setor de tecnologia no Brasil investiu cerca de US$ 49,5 bilhões no mercado interno, sem considerar as exportações, crescendo 22,9% no período, segundo o estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2020“, realizado pela ABES – Associação Brasileiras das Empresas de Software – com dados do IDC. No entanto, para manterem-se em um mercado cada vez mais competitivo, a implementação de estratégias de ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) torna-se essencial. Indicadores das vertentes social, ambiental e de governança corporativa têm um impacto significativo na mitigação de risco e no retorno dos investimentos a longo prazo.

Estar alinhado com os objetivos da ESG é hoje uma referência obrigatória para as empresas se valorizarem no mercado financeiro e receberem os chamados Investimentos Socialmente Responsáveis (SRI). Estes fundos de investimentos buscam por empresas que possuem um olhar mais amplo sobre sua responsabilidade corporativa e não estão atrás apenas do lucro pelo lucro. São empresas que atuam pautadas na preservação do meio ambiente, promovendo impacto social positivo e adotando uma conduta corporativa ética. E engana-se quem considera ESG um assunto somente de grandes companhias. Organizações de qualquer setor e porte podem incluir o tema em sua gestão.



No quesito Ambiental, são avaliadas questões da sustentabilidade ambiental, como as estratégias de descarte correto do lixo, eficiência energética, risco ambiental, e se a empresa está comprometida com a preservação do meio ambiente. Na dimensão social serão analisadas as questões relacionadas à diversidade, que inclui desde a contratação de profissionais com deficiência, passando pelo respeito às diferenças e buscando a equidade de gênero nos cargos de liderança. Também são percebidos os direitos dos trabalhadores e como a empresa se relaciona com o seu entorno, com a sociedade e se tem um olhar para a acessibilidade. E por fim, na dimensão Governança, há um olhar para que a empresa esteja de acordo com as regras de ética e compliance, com uma gestão de talentos inclusiva e com planos de desenvolvimento, resolução de conflitos, saúde e responsabilidade financeira e contábil.

Todos estes pontos trazem um olhar de sustentabilidade para as empresas, fazendo que sejam mais valorizadas no mercado, atraiam jovens que busquem por trabalhos com maior senso de responsabilidade e que tragam sua contribuição para o desenvolvimento na melhora da qualidade de vida nas cidades. E há diversas iniciativas de associações que podem contribuir para estas práticas nas empresas. A ABES, por exemplo, oferece para qualquer organização, inclusive as não associadas, a possibilidade de transformarem equipamentos de TI (notebooks, PCs, racks etc.) descartados em apoio a projetos de inclusão social que promovam a capacitação na área digital e incentiva as empresas associadas a colocarem em prática a ética empresarial, por meio do Programa Uma Empresa Ética.

É notório que o ESG trouxe uma organização e senso de responsabilidade para as corporações e com isto teremos cidades melhores, mais diversas e inclusivas. É um passo importante para a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, no qual a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades para todos, de forma inclusiva e igualitária.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities  

Jamile Sabatini Marques
É pós-doutora e pesquisadora no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) e pós doutoranda no EGC/UFSC. Diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
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