PARCERIAS COM UNIVERSIDADES ACELERAM O DESENVOLVIMENTO DA MOBILIDADE

Elevar o patamar do Brasil no mapa mundi da mobilidade requer, necessariamente, a participação das universidades e suas múltiplas disciplinas nas discussões entre o poder público e a iniciativa privada sobre o planejamento urbano

Poucos temas envolvem expertises tão diferentes quanto a mobilidade urbana. Pensar, estruturar ou repensar a movimentação das pessoas nas cidades envolve conhecimentos de diversas engenharias, arquitetura, urbanismo, tecnologia, sustentabilidade, economia, enfim, uma lista extensa. Portanto, elevar o patamar do Brasil no mapa mundi da mobilidade requer, necessariamente, a participação das universidades e suas múltiplas disciplinas nas discussões entre o poder público e a iniciativa privada sobre o planejamento urbano.

A academia tem muito a contribuir no desenvolvimento de cidades mais inteligentes. Pesquisas, laboratórios de mobilidade e incubação de startups são apenas algumas alternativas no leque de possibilidades que as universidades dispõem para colaborar com a melhoria da qualidade de vida urbana.



A universidade é o ambiente ideal para se desenvolver habilidades, colocar a criatividade a toda prova, testar conceitos e provocar a criação de soluções inovadoras num ambiente controlado para, posteriormente, experimentá-las numa escala maior.

Exemplo internacional 

Não faltam bons exemplos. O Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, mantém o Mobility Systems Center, com diversas vertentes de estudos e colaboração com governos e setores privados. Com relação à sustentabilidade, por exemplo, identifica os principais desafios, entende as potenciais tendências e analisa o impacto social e ambiental de novas soluções de mobilidade, principalmente relacionadas à energia e, especialmente, à economia de baixo carbono.

O centro também desenvolve o estudo multidisciplinar “Mobilidade do Futuro”, que prioriza os mercados norte-americano e chinês, abrangendo veículos leves de passageiros, mobilidade urbana, eletrificação e políticas de contenção do efeito estufa. 

Por meio do desenvolvimento, manutenção e aplicação de um conjunto de ferramentas científicas de última geração, o Mobility Systems Center visa avaliar as transformações futuras da mobilidade de uma perspectiva tecnológica, econômica, ambiental e sociopolítica, como a iniciativa se define. 

Exemplo brasileiro 

No Brasil, vários laboratórios de mobilidade em instituições de ensino, como o LabMob, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Mobilab, da Universidade de São Paulo (USP), podem participar cada vez mais ativamente dessa construção coletiva sobre o futuro das cidades. 

Estas colaborações, inclusive, têm potencial para se ampliarem por meio de parcerias acadêmicas internacionais, como ocorreu recentemente com a Universidade Federal de Lavras (PPGA/UFLA), no Rio Grande do Sul, e a Université Paris-Saclay, na França. No ano passado, o pesquisador Rodrigo Marçal Gandia defendeu a sua tese de doutorado que analisa soluções de mobilidade urbana em estágio maduro de implantação na Europa, mais especificamente relacionadas à mobilidade como serviço, e a eventual aceitação destas soluções por usuários brasileiros. 

A própria Marcopolo Next está instalada no Parque de Ciência, Tecnologia e Inovação da Universidade de Caxias do Sul (TecnoUCS), desde novembro de 2020, a fim de se aproximar de startups e da própria universidade e, assim, ampliar o ecossistema de inovação do Sul do país. Iniciativas multidisciplinares e colaborativas são vias abertas para acelerar o incremento da mobilidade brasileira.  

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Petras Amaral Santos
Head de Inovação da Marcopolo. Há 19 anos na companhia, é responsável pela estruturação dos novos vetores de crescimento da organização, os quais incluem novos sistemas de mobilidade, modelos de negócio digitais e serviços. Também atua na gestão da estratégia de inovação e seus desdobramentos em cultura organizacional, métodos ágeis e conexão do atual negócio com o futuro. As ações da Marcopolo NEXT incluem a estruturação do portfólio de projetos, estruturas físicas e metodologias ágeis.
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