CIDADES INTELIGENTES E CONECTADAS: ACELERANDO OS ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO

As cidades se fortalecem, geram transparência e devolvem à sua sociedade um melhor serviço quando seus governos buscam, por meio dos dados, fomentar o empreendedorismo inovador

Sempre que pensávamos em cidades inteligentes e conectadas, pensávamos em tecnologia em prol da eficiência como sendo o propósito deste conceito de cidade, mas hoje muitos sabem que a tecnologia é o motor de desenvolvimento dando oportunidade para as pessoas, como no caso das plataformas digitais, que estão alterando as formas de consumo e também o estilo de vida nas cidades.

Quando falamos em plataformas, podemos pensar nas digitais, propostas por empresas, as quais vêm se desenvolvendo cada vez mais por meio da Gig Ecomomy, mercado que abrange empresas que contratam profissionais independentes para executarem serviços temporários, sem vínculo empregatício. E aqueles que buscam por esse tipo de atividade, como os trabalhadores freelancers e autônomos. No Brasil, as empresas que se tornaram Unicórnios, têm seus modelos baseados em plataformas. Estes modelos têm refletido na vida nas cidades e nas formas de consumo. (Sabatini-Marques, J. 2020)



Conectividade entre os atores 

Existe também o conceito das Cidades como plataformas (City as a Platform), que busca a conectividade entre governos, cidadãos e organizações, a fim de obter a criação de um valor público por meio da participação cidadã. Cidades são ecossistemas complexos, conectados em rede e estão em constante processo de mudança. (Repette, P. et al 2021)

Nas cidades inteligentes e conectadas,  deve-se ressaltar a importância de um completo ecossistema de inovação, que contenha Institutos e universidades desenvolvendo empreendedores e mão de obra especializada para trabalharem em diversas áreas da economia, deve fomentar parques tecnológicos e incubadoras,  atrair fundos de investimentos, ter suas legislações específicas, valorizar e contribuir para o desenvolvimento das entidades de classe, fomentar a inovação, por meio das FAPs, bancos de desenvolvimento, incentivo fiscal, todos estes atores devem trabalhar de forma integrada e colaborativa. (Sabatini-Marques, J. e Eleutheriou, V. 2021).

O papel dos dados no ecossistema 

Com todos estes atores de um ecossistema de inovação, contribuindo para o desenvolvimento econômico da cidade, o dado torna-se cada vez mais relevante como propulsor e fomentador deste ecossistema de inovação. Considerando que o dado é um bem comum, de acordo com Elinor Ostrom, ganhadora do Nobel de Economia, estes dados quando aplicados na geração de inovações voltadas para o bem-estar da população da cidade, são base para o desenvolvimento de novos negócios.

As cidades se fortalecem, geram transparência e devolvem à sua sociedade um melhor serviço quando seus governos buscam, por meio dos dados, fomentar o empreendedorismo inovador utilizando-se das plataformas digitais, onde o cidadão, conhecedor do problema das cidades, poderá desenvolver novas tecnologias para a melhora da qualidade de vida das pessoas. Nestes casos, o governo faz um papel de fomentador do empreendedorismo incentivando a participação popular, se utilizando de mentes brilhantes para que tragam soluções para as suas cidades.  

Os governos também devem oportunizar para que as cidades se tornem laboratórios vivos (living labs), liberem espaços públicos para que as empresas possam testar suas tecnologias e inovações, com isto, as empresas ganharão agilidade para colocar um novo produto/serviço no mercado, o cidadão receberá melhora nos serviços prestados e economia de seu tempo com menos burocracia, o governo receberá retorno por meio do incremento nos impostos. 

Considerando que as empresas inovadoras são mais competitivas e criam novas formas de consumo (Schumpeter, 1911), elas também irão gerar emprego e renda, contribuindo assim para o ecossistema de inovação local e para o desenvolvimento econômico baseado no conhecimento nas cidades, melhorando assim a qualidade de vidas das pessoas.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Jamile Sabatini Marques
Atua na área de Cidades Mais Humanas, Inteligentes e Sustentáveis, por meio da Fecomércio/SC, como presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação, além de diretora de Inovação e Fomento da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, no contexto nacional. Pesquisadora no tema de cidades, com pós-doutorado na UFSC e pesquisadora na USP, no Programa cidades globais.
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