BOAS NOTÍCIAS QUE VÊM DA MICROMOBILIDADE

O uso de bicicletas compartilhadas cresceu em 2020, fazendo a mobilidade ativa cada vez mais relevante

Ano passado foi um momento complexo para todo o setor da mobilidade urbana e, em 2021, também não está sendo muito animador. Mas acho importante sempre buscarmos notícias positivas. E fomos surpreendidos ao analisar o Relatório Global Moovit, lançado recentemente, onde constatamos que a micromobilidade, em 2020, cresceu no Brasil e tem potencial para se expandir ainda mais.

O estudo do Moovit combina dois elementos para montar um panorama de transporte público e mobilidade urbana: uma análise gigantesca de big data para identificar tendências no transporte, e uma pesquisa qualitativa com os usuários do aplicativo. No total, mais de 13 mil pessoas, em dez grandes cidades brasileiras, foram consultadas para compor o levantamento, apontando que 15% usam todos os dias o compartilhamento de bicicletas e patinetes. Para efeito de comparação, em 2019, o índice foi de 8%. O crescimento detalhado por cidade (clique no link) está disponível e traz um panorama geral sobre o tema.



Brasília se destaca na micromobilidade pelo 2º ano

Nesse sentido, percebe-se que o uso diário da modalidade cresceu em todos os municípios pesquisados. E, pelo segundo ano consecutivo, Brasília se destaca como a cidade brasileira em que a população mais utiliza a micromobilidade diariamente, sendo seguida por Campinas e Rio de Janeiro, respectivamente. Também temos boas notícias em outras cidades, como as capitais Belo Horizonte e Salvador, que dobraram o índice de uso diário do modal.

Já sobre o uso da modalidade, em até três vezes por semana, a micromobilidade foi citada por 11%  dos participantes do estudo, contra  7% em 2019, representando alta em todas as cidades contempladas no levantamento.

Espaço para crescer

Na outra ponta das respostas, há algo que parece negativo, mas que traduz um grande potencial: mais de 50% dos ouvidos nunca usaram a micromobilidade, mesmo tendo acesso onde moram. Entendemos que não é uma opção para todos, mas muitos podem ser “convertidos”. O próprio relatório ajuda a dar o caminho. Quase 30% responderam que não usam patinetes e bicicletas por questões relativas à segurança dos equipamentos; 27% reclamam da falta de ciclovias e outras vias exclusivas; e 25% questionam a qualidade do calçamento e do asfalto das ruas. 

Nós perguntamos também por que os usuários do Moovit usam micromobilidade e para 35%: é uma forma barata de circular pelas suas cidades; e 29% usam as bicicletas e patinetes para ir onde o transporte público não chega. Já 21% dos ouvidos consideram o uso sustentável. As informações detalhadas sobre o recorte também estão disponíveis (clique no link). 

Micromobilidade e a primeira e última milha

Umas das constatações do relatório merece uma reflexão mais apurada: aproximadamente 30% das pessoas usam a micromobilidade de forma complementar ao transporte público, na chamada primeira/última milha, que se refere a distância entre a residência/local de trabalho e o terminal/ponto/estação mais próximo. O recomendável é que os passageiros se desloquem, no máximo, uma milha nesse trajeto.

Uma visão mais conservadora pode considerar uma falha no sistema de transporte, deixando uma parcela da população à parte. Mas a tendência que identificamos globalmente no Moovit é a de viagens multimodais.  Nesse sentido, o nosso aplicativo foi desenvolvido com esse foco. Em muitos casos, não há demanda constante que justifique uma alteração na teia de transporte público, fazendo da micromobilidade um elemento importante para termos cidades mais fluidas e conectadas. Por isso, e outros motivos, esse crescimento é muito bem-vindo.

E outra opção é implementar o transporte público sob demanda, mas isso já é assunto para outro texto.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Pedro Palhares
Gerente geral do Brasil no Moovit. Atuou por 12 anos no mercado financeiro e, em 2013, a convite do então secretário de transportes do Rio de Janeiro, migrou para a área pública, onde foi o responsável pela abertura dos dados do transporte público. Formação: Administração de Empresas (IBMEC-Rio) e Finanças (FGV).
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