CONNECTED SMART CITIES E A REALIDADE AMAZÔNICA

Cidades inteligentes no contexto da realidade amazônica perpassa pela necessidade do desenvolvimento e implantação de modelos que consigam dialogar com a realidade local

Agradecendo em primeiro lugar aos colegas do Connected Smart Cities, começamos aqui o compartilhamento de alguns pensamentos sobre a temática de cidades inteligentes. Sendo nascido e morador de Belém, capital do estado do Pará, a temática amazônica será preponderante neste espaço. 

Tive a felicidade de participar no último dia 9 de março do “Evento Regional Belém – Apresentação do desenvolvimento de cidades inteligentes” disponível no YouTube do canal Connected Smart Cities. Várias entidades governamentais participaram do evento, vinculadas às três esferas. Além disso, meu colega professor Aldebaro Klautau encerrou o evento com uma palestra bastante esclarecedora sobre os desafios tecnológicos da nossa região e apresentou alguns produtos desenvolvidos pelo seu laboratório instalado no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá). 



Cidades inteligentes no contexto amazônico

Uma constatação da maturidade do debate é a frequência com que a palavra sustentabilidade foi ouvida. Foi unânime que a discussão sobre cidades inteligentes no contexto amazônico perpassa pela necessidade do desenvolvimento e implantação de modelos que consigam dialogar com a realidade local, em uma região com características de infraestrutura muito distintas do restante do país.

A discussão sobre a Amazônia urbana é um tema que precisa ser estudado de forma atenta. Quando nos afastamos da realidade das regiões metropolitanas de Belém e Manaus – nossos maiores aglomerados urbanos na região, nos deparamos com contextos com paradoxos relacionados com a nossa infraestrutura. Enquanto a Amazônia concentra duas das maiores usinas hidroelétricas do país, quase um milhão de pessoas na região não tem acesso à energia elétrica. É notória a escassez de água tratada na região que reúne a maior concentração de água doce do planeta.

A conectividade de internet é atendida de forma precária para a maioria da população que está distribuída na maior região do país. Então, todos os desafios enfrentados pelas cidades brasileiras são reproduzidos localmente, e há agravantes de infraestrutura que tornam ainda mais complexa a adoção de soluções tecnológicas que fariam todo sentido em outros lugares do mundo.

O papel do investimento na tecnologia e inovação 

Para enfrentar toda dificuldade, vamos à criatividade e inovação. Uma startup paraense, residente no PCT Guamá, desenvolveu nestes últimos anos uma fábrica piloto para a produção de material de construção por meio da reciclagem de plástico. Considerando que Belém gera 200 toneladas de plástico por dia e apenas 2,8% do volume é reaproveitado, o projeto “Seixo de Plástico” desenvolveu um processo fabril que transforma o plástico em um produto de grande resistência e que já começa a ser usado na construção de moradias na região. É nossa responsabilidade divulgar projetos deste tipo e torcer para estimulem o desenvolvimento de novas ideias inovadoras e sustentáveis para a região.

Vamos prosseguir com esta discussão. Nos próximos artigos, tenho a intenção de apresentar alguns casos de sucesso desenvolvidos e implantados na região. A participação do leitor é sempre bem-vinda com críticas e sugestões. Até a próxima!

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Rodrigo Quites Reis
Rodrigo Quites Reis
Diretor-presidente do Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá) e professor titular de Engenharia de Software da Universidade Federal do Pará (UFPA). Doutor em Ciência da Computação pela UFRGS e consultor em Arquitetura de Software, Melhoria de Processos de TIC, e Gestão da Inovação.
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