KPMG APONTA PRINCIPAIS TENDÊNCIAS EMERGENTES NO SETOR DE INFRAESTRUTURA

As cidades passam por uma crise de identidade e, devido à covid-19, não se sabe como os padrões de vida e trabalho evoluirão em longo prazo

Uma publicação da KPMG elencou as dez principais tendências emergentes que o setor de infraestrutura enfrentará e que terão influência nos próximos anos, considerando os efeitos ainda causados pela pandemia da Covid-19. O relatório, intitulado “Tendências Emergentes no setor de infraestrutura” (em inglês, Emerging trends in infraestructure), oferece reflexões sobre como cada uma delas evoluirá e as oportunidades a serem criadas.

As principais tendências são as seguintes

1 – A incerteza cria complexidade de planejamento: a partir deste ano, espera-se que os planejadores, operadores e desenvolvedores de infraestrutura procurem maneiras de possibilitar uma abordagem muito mais ágil e flexível para a elaboração, desenvolvimento e entrega de infraestrutura. É praticamente certo que reconstruir melhor resultará em evolução e aperfeiçoamento.



2 – As cidades passam por uma crise de identidade: no passado, algumas cidades tornavam-se atrativas por compartilhar serviços, ativos, culturas e uma densa rede de interação. Devido à covid-19, não se sabe como os padrões de vida e trabalho evoluirão em longo prazo. No entanto, o que está claro é que as pessoas estão mais focadas na segurança, tempo e conveniência, criando padrões muito diferentes. Alguns cidadãos estão focados em retomar ao mundo de deslocamentos e viagens de quase um dia para os bairros comerciais. Outros procuram o que está sendo chamado de “cidade de 15 minutos”, local este que dá acesso à moradia, trabalho e diversão. O novo equilíbrio está potencialmente muito distante.

3 – As fronteiras tornam-se reais novamente: com a pandemia, as fronteiras para as pessoas foram praticamente fechadas e as viagens internacionais desencorajadas. A migração atingiu o nível mais baixo de todos os tempos. Além disso, os portos viram uma queda no comércio com volumes reduzidos, pois as redes das cadeias de abastecimento foram interrompidas. Para este ano, pensando na questão dos aeroportos, os mercados buscam definir o “novo normal” em viagens internacionais, com a colaboração das autoridades de aviação, para harmonizar a regulamentação e procedimentos operacionais. Os portos dependem fortemente da indústria e do comércio de usuários finais. Portanto, dependendo das commodities principais, que manipulam a localização na rede da cadeia de abastecimento. Neste caso, alguns portos podem levar de dois a três anos para voltar aos níveis pré-pandemia.

4 – Reforma das redes de suprimentos: para este ano, esperam-se mudanças no ritmo das cadeias de suprimentos de infraestrutura e construção, que deve aumentar à medida que as organizações invistam, além dos desenvolvedores começarem a pensar mais amplamente sobre os fatores que influenciam as estratégias de fornecimento. As implicações dessas tendências para o setor de infraestrutura são: investimentos significativos para fortalecimento da cadeia de abastecimento; déficit crescente em alguns recursos-chave, sendo que os líderes de infraestrutura e construção precisarão repensar em como obter e reter essas habilidades em um novo ambiente de trabalho; e reavaliação das necessidades de suprimentos e redes. Alguns podem iniciar a busca por novas tecnologias para ajudar a reduzir a dependência de fornecedores de nicho.

5 – Novos modelos de financiamento inundam o mercado: nos últimos anos aconteceu uma enxurrada de novas opções de financiamento para o setor de infraestrutura. Isso fez com o que o setor fosse se colocando em bases sólidas, especialmente nos mercados emergentes. A capacidade de aproveitar as diferentes fontes de financiamento, incluído capital institucional e fundos sustentáveis, além de bancos locais e regionais, e mercados de capitais, deve levar a uma riqueza de capital a preços competitivos. Ao logo deste ano, espera-se que os investidores corram para veículos que fornecem retorno de anuidade de longo prazo, sustentáveis e protegidos contra a inflação.

6 – Uma reconstrução mais verde e justa: a pandemia trouxe para sociedade inúmeros desafios. Entretanto, também aconteceram pontos positivos, como: as pessoas viram como a qualidade da vida pode ser melhorada por um ar mais limpo e ruas sem barulhos e sem congestionamento de carros. Além disso, as desigualdades e os desequilíbrios econômicos foram levados à consciência pública. Este ano, espera-se que o setor de infraestrutura seja completamente dominado por um foco nos resultados ambientais, sociais e de governança, para assegurar que as ações impostas estejam contribuindo para um mundo mais justo, inclusivo e equitativo.

7 – A resiliência galga posições na agenda: há exatamente um ano, o World Economic Forum (WEF) divulgou a avaliação dos principais riscos para o ano. A pandemia global não foi citada. Em vez disso, a principal menção tratava dos riscos ambientais. Embora a covid-19 tenha conquistado destaque nos últimos meses, os governos e proprietários de ativos permanecem focados na resiliência das infraestruturas aos riscos climáticos e relacionados ao clima. Para este ano, espera-se que os proprietários, planejadores e reguladores de infraestrutura comecem a questionar a resiliência dos ativos no sentido mais amplo.

8 – Entregando um mundo digital de maneira segura: os governos, mais do que nunca, precisam priorizar a capacidade de entrega em um mundo digital, como aspectos relacionados ao acesso à internet, largura de banda confiável e aplicativos habilitadores, como serviços de pagamento seguro e emissão de bilhetes de transporte público. Esses são fatores predeterminantes para apoiar a economia e a sociedade, todos eles influenciados pelo investimento em infraestrutura. Para este ano, espera-se que o foco na conectividade intensifique-se significativamente, pois, muito em breve, os governos começarão a reconhecer que devem abordar os déficits crescentes na infraestrutura digital.

9 – Reformas políticas e regulatórias tornam-se imperativas: as expectativas sociais foram redefinidas devido à pandemia. Novas formas de trabalhar foram adotadas. Assim, os governos têm a oportunidade de formar e estabelecer novas maneiras de interação e prestação de serviços aos cidadãos e às empresas. Com relação à infraestrutura, os proprietários e governos, atualmente, têm uma chance sem precedentes de repensar como atendem as partes interessadas. Esperam-se atenção e apoio à inovação e à experimentação que surgirão este ano.

10 – Governos procuram parceiros: há anos observamos o setor privado assumir um papel mais ativo na entrega e operação de ativos e serviços de infraestrutura. De contratos básicos de operação a veículos de investimento complexos, os participantes do setor privado assumem um papel crescente na captação, financiamento e fornecimento da infraestrutura governamental. No entanto, esse relacionamento atualmente está evoluindo e se aprofundando. Para este ano, espera-se que alguns governos comecem a reconsiderar o papel que o setor privado desemprenha não apenas na entrega de ativos, mas também na entrega de serviços. Em alguns casos, a parceria será necessária, já que o ônus da dívida causada pela pandemia pressiona os governos a encontrarem modelos alternativos. Em outros, isso será impulsionado pela inovação e pelo desejo de entregar mais às partes interessadas.

Para o sócio-líder de Governo, Infraestrutura e Saúde da KPMG, Leonardo Giusti, as tendências estão moldadas pela experiência da pandemia. Entretanto, influenciarão o setor de infraestrutura nos próximos 10 anos. “A covid-19 definiu em 2020 que o crescimento está atrelado à sustentabilidade e resiliência, e o setor de infraestrutura precisa adequar-se às novas oportunidades para conseguir atender a todas as demandas”, analisa.

O sócio-líder do segmento de infraestrutura da KPMG, André Marinho explica que, no passado, observou-se a necessidade de superação dos ativos de infraestrutura e redes, bem como de atenção às mudanças na globalização. “Já era previsto um aumento no ritmo de progresso no tocante à sustentabilidade e reorganização das prioridades. Todas essas tendências surgiram”, finaliza.

Com informações da Assessoria de Imprensa 

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