TECNOLOGIA, INOVAÇÃO E BEM-ESTAR PARA A POPULAÇÃO DAS CIDADES

Projetos testam a assertividade das tecnologias em benefício da qualidade de vida da população, além de estimular o setor produtivo e contribuir para o desenvolvimento das cidades, da economia digital e do País

Do ano imprevisível de 2020, herdamos pelo menos dois aprendizados: a adoção da transformação digital não como opção, mas como sobrevivência, e a necessidade da cooperação para o fortalecimento dos ecossistemas de inovação. Por isso, fiquei feliz com o convite para integrar a equipe de colunistas do portal Connected Smart Cities e, com isso, participar de um espaço privilegiado de debates sobre tecnologias inovadoras e cidades inteligentes.

Na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que tem como missão central a transformação digital, o tema cidades inteligentes é considerado um dos pilares para o desenvolvimento humano, social e econômico. E essa remodelagem do urbano requer uma maior interação e interconexão entre o mundo dos gestores públicos e o dos negócios.



Em cada projeto da ABDI, procuramos estimular, por um lado, as capacidades de gestão, para uma maior modernização da vida urbana. E, por outro, os ecossistemas formados por institutos de pesquisa, academia e empresas inovadoras. É na teia dessas relações bem-sucedidas que vamos tirar o maior proveito das tecnologias em benefício da população.

Implementação de tecnologias

Estamos instalando laboratórios vivos (living labs) em cidades como Petrolina (PE), Salvador (BA), Macapá (AP) e Foz do Iguaçu (PR). O objetivo desses ambientes, limitados pelas prefeituras como sandbox, é testar as tecnologias e validá-las junto à população. A vantagem é que os testes ajudam a prefeitura a decidir sobre a adoção de uma tecnologia, antes de estendê-la para toda a cidade, contribuindo, sobretudo, para a economia de recursos do município.

Os testes também ajudam a fomentar a inovação local, ao estimular as potencialidades das empresas e criar um ambiente de criação e pesquisa fértil para as universidades e institutos de ensino. As tecnologias são variadas. Luminárias inteligentes, sensores, softwares de controle do tráfego, gadgets. Tudo para otimizar os serviços urbanos, melhorar a qualidade de vida e a eficiência no uso dos recursos.

Também investimos em sistemas inteligentes para o controle nas fronteiras. Em dezembro de 2019, inauguramos o FronteiraTech, em parceria com a Receita Federal, na Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu (PR), na divisa com o Paraguai. O objetivo é contribuir para o controle aduaneiro.

A estrutura montada ao longo da Ponte da Amizade possui luminárias inteligentes, com duas câmeras em cada uma delas, e capacidade de fazer reconhecimento facial e identificação de placas de automóveis; luminárias de LED com telegestão e GPS; e sensores de tiro. Todo o sistema é operado por um centro de comando.

O FronteiraTech serviu de inspiração para um acordo que assinamos recentemente com a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que poderá usar as informações sobre o uso de tecnologias na produção de conhecimentos de interesse das atividades de inteligência, contribuindo para o maior fortalecimento do Sistema Brasileiro de Inteligência. Também vamos implantar, em parceria com o governo de Roraima, uma versão do FronteiraTech em Pacaraima, município que faz fronteira com a Venezuela.

Com esses projetos, o objetivo da ABDI é testar a assertividade das tecnologias em benefício da melhor qualidade de vida da população. E, além disso, estimular o setor produtivo e contribuir para o desenvolvimento da economia digital e do País. A inovação é a nossa melhor aposta para 2021.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Igor Calvet
Igor Calvet
Presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Atuou como Secretário Especial Adjunto do Ministério da Economia, e Secretário de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do extinto Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Também foi Chefe da Assessoria de Assuntos Regulatórios e Internacionais do Ministério da Saúde e analista de Negócios e Projetos da Apex-Brasil.
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