SMARTCITY – POR ONDE COMEÇAMOS?

Se há diversos caminhos para a transformação das cidades e inúmeros exemplos bem sucedidos no mundo, talvez ainda precisemos nos concentrar em olhar para dentro

O termo SmartCity tem sido trabalho desde os anos 90 pelo mundo e, nos últimos anos, vem ganhando força e relevância não apenas nos grandes centros urbanos. Há cidades de diversos tamanhos buscando sistemas inteligentes ao perceberem a transformação social, econômica e cultural que a sociedade vem passando.

Ouço inúmeras vezes a pergunta: o que é uma SmartCity? Unindo diversos conceitos, sempre respondo: “É uma cidade que tem como centro do seu planejamento as pessoas. Em diversos aspectos a cidade que se planeja com o olhar no cidadão transforma a sua vida para melhor.” Na gestão pública, tenho a oportunidade de implementar ações concretas em uma cidade como Curitiba que, com seus desafios e complexidades, vem colocando em prática os conceitos e modelando uma SmartCity com o seu DNA.



No entanto, após esses anos de muito aprendizado e diversos projetos, estou cada vez mais convencida que a Cidade Inteligente depende de inúmeros fatores. Conhecendo cases de cidades mundo afora, chego à conclusão que não há receita, como também não há resposta errada, para a definição de SmartCity.

Tecnologia e o ecossistema 

É certo ter na tecnologia um pilar estruturante para a implantação de um projeto de SmartCity. Foi inclusive este pilar que originou o termo, com o surgimento de novas mídias e TICs. Em sua origem, esteve bastante relacionado aos conceitos de Cidade da Informação, Cidade Digital e Cidade em Rede e estava muito baseado em infraestrutura.

É correto ver no ecossistema de inovação um pilar estruturante para a implantação de um projeto de SmartCity. A tríplice hélice é fundamental para o desenvolvimento econômico, social e humano das cidades, com Poder Público, academia e setor produtivo trabalhando em harmonia e colaboração para o desenvolvimento comum. Essa visão vem se fortalecendo com novos modelos de geração do conhecimento, e somam-se às três hélices: a sociedade (Hélice Quádrupla) e o ambiente (Hélice Quíntupla), importantes na dinâmica da inovação.

Educar e empreender 

É indiscutível que a educação empreendedora e digital é um pilar fundamental para uma SmartCity. Educar as pessoas para a visão de uma cidade inteligente é um desafio e uma necessidade. Dar oportunidades para a inserção de jovens e idosos, incluir digitalmente a população mais vulnerável, pensar em acessibilidade e inclusão são preocupações constantes no planejamento público e privado.

Também é certo falar em urbanização e sustentabilidade. As mudanças climáticas são tema urgente no mundo e as cidades precisam buscar alternativas para harmonizar a vida nos grandes centros, proporcionar qualidade de vida para que as pessoas morem, estudem, se desloquem, trabalhem e vivam com melhor mobilidade, espaços públicos mais atrativos enfim, ambientes completos, eficientes, e assim inteligentes.

Transformação

Se há diversos caminhos para a transformação das cidades e inúmeros exemplos bem sucedidos no mundo, talvez ainda precisemos nos concentrar em olhar para dentro. Encontrar os diferenciais, as particularidades de cada local. Considerar cada cultura, cada realidade econômica e social, cada diferença geográfica e, a partir deles, construir uma estratégia para a “sua” SmartCity.

Quanto mais o mundo se abre, se digitaliza, se transforma – mais precisamos buscar a essência do que nos torna únicos. Quem sabe assim teríamos 5.570 Smart Cities no nosso país? Cada uma do seu jeito, com seu pilar estruturante e o fundamental, cada uma entregando ao cidadão um espaço onde tanto passado quanto futuro sejam respeitados.

Por isso o tema SmartCity é tão apaixonante, tão relevante e por isso há tanto para se falar sobre ele. Com esse olhar e com muitos pontos a abordar escrevo o primeiro texto para o Portal Connected Smart Cities. Feliz em compartilhar algumas experiências, certa de estar em constante aprendizado. Esperando a próxima publicação. Até lá.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Cris Alessi
Cris Alessi
Presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, responsável pelos projetos de inovação de Curitiba com o Programa Vale do Pinhão, presidente do Conselho Municipal de Inovação e presidente do Fórum Nacional InovaCidades. Publicitária especialista em Marketing Digital e em Comunicação Digital na gestão pública.
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