DADOS E A MOBILIDADE URBANA: UM CAMINHO SEM VOLTA

O setor de transporte público deve mudar mais nos próximos 10 anos do que em todo o último século, transformando a mobilidade 

Quando andamos por nossas cidades, é cada vez mais raro vermos alguém levantar a mão para chamar um táxi, em vez disso solicita  um carro por aplicativo. Há quem diga que a cena já causa até estranheza. O meu trabalho tem o objetivo de tornar estranha outra situação corriqueira: pessoas esperando no ponto de ônibus, sem ter ideia de quando o ônibus chega, e sem ter certeza que estão pegando a linha correta.

Tecnologia 

O Moovit, aplicativo de mobilidade urbana do qual sou gerente geral no Brasil desde 2014, entrega de forma simples e intuitiva algo desejado por muitos: informações sobre transporte público em mais de 3.400 cidades. O app é usado por quase 1 bilhão de pessoas – esperamos bater a marca em março – em 114 países, com uma premissa simples: apresenta, com atualização em tempo real, opções variadas de rotas combinando diferentes modais de transporte, micromobilidade e caminhada. Inclui ainda as estimativas de custo das passagens e de tempo de chegada ao destino.



Tudo isso é construído com base em dados. Na sociedade de hoje, as músicas que escutamos, os filmes que assistimos e os nossos pedidos de delivery geram dados – e não seria diferente com a mobilidade urbana. O repositório de dados sobre transporte público do Moovit é o mais avançado e abrangente do mundo, coletando anonimamente 6 bilhões de pontos de dados todos os dias. 

As informações são organizadas seguindo altos padrões de qualidade, atendendo as legislações vigentes sobre proteção de dados pessoais, e têm origem tanto em fontes oficiais quanto no que chamamos de “molho secreto”: uma comunidade global de voluntários digitais que mapeia, checa e edita informações sobre mobilidade para ajudar outras pessoas a circularem por suas cidades. Nós os chamamos de Mooviters, e já são mais de 720 mil – uma grande parte deles no Brasil.

Todas essas facilidades estão disponíveis para qualquer pessoa no app ou web, e os dados do Moovit também dão base para uma série de soluções desenvolvidas pela empresa para smart cities e para o setor de transportes. Elas já dão o tom de como será a mobilidade em um futuro próximo. 

Transporte público sob demanda

Voltando ao exemplo acima, além dos passageiros não precisarem ficar em pontos sem saber quando o ônibus passa, o veículo pode agora circular somente quando necessário, e fazendo uma rota flexível que levará menos tempo para chegar ao destino final, gerando benefícios para o usuários e eficiência e economia para o operador. O transporte coletivo sob demanda já é realidade em algumas regiões do mundo com tecnologia Moovit, é uma das mudanças que o transporte público enfrentará em breve. 

Como já dito, toda essa movimentação de passageiros gera dados onde podem ser identificadas tendências e insights que podem ajudar o poder público e operadores de transporte a entender melhor as demandas dos passageiros e como a cobertura de transporte pode ser aprimorada. Parte dessa análise da mobilidade urbana está acessível a todos no nosso Relatório Global sobre Transporte Público, e ainda há muito mais que os dados podem mostrar.

O setor de transporte público deve mudar mais nos próximos 10 anos do que em todo o último século. Os dados já têm um papel fundamental nessa transformação, e se tornarão ainda mais relevantes com novas tecnologias, como veículos autônomos, que estão em processo de implementação. É empolgante acompanhar e participar desse processo. Tenho certeza que este espaço no Portal Connected Smart Cities renderá ótimos debates.

Abraços a todos!

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Connected Smart Cities 

Pedro Palhares
Pedro Palhares
Gerente geral do Brasil no Moovit. Atuou por 12 anos no mercado financeiro e, em 2013, a convite do então secretário de transportes do Rio de Janeiro, migrou para a área pública, onde foi o responsável pela abertura dos dados do transporte público. Formação: Administração de Empresas (IBMEC-Rio) e Finanças (FGV).
Publicidade
spot_img
spot_img

Últimas Matérias