O QUE PODEMOS APRENDER COM UMA DAS CIDADES MAIS INTELIGENTES DO MUNDO?

A cidade de Londres é destaque em diversos estudos na área, sendo que sua política para a construção de uma smart city foca em um ponto principal: o cidadão

Líder de diversos rankings que mapeiam as cidades mais inteligentes do mundo, Londres é uma fonte de inspiração para muitos governantes e empresas que buscam transformar as cidades em smart cities. Nos últimos anos, a cidade passou por transformações intensas no seu planejamento urbano e bairros inteiros foram reformulados, além do incentivo a novas startups que proporcionam um ecossistema de inovação. 

De acordo com o relatório ‘Smart City Strategy Index 2019’, da empresa alemã Roland Berger, Londres conquistou o segundo lugar no ranking que elencava as cidades inteligentes mais preparadas para o futuro. O estudo levou em consideração 12 critérios considerados indispensáveis para smart cities: a gestão inteligente da energia e meio-ambiente; mobilidade; saúde; governança; infraestrutura; estrutura política e legal; engajamento dos cidadãos e demais atores urbanos; coordenação administrativa e prioridade executiva; planejamento com metas mensuráveis; e orçamento. 

Nesse sentido, Londres obteve destaque graças a iniciativas como taxar a circulação de veículos poluentes na região central e a transformação de uma das principais ruas da cidade, a Oxford Street, em uma rua exclusiva para pedestres. A cidade desenvolveu ruas com infraestrutura inteligente, que utilizam tecnologias que possibilitam wi-fi, iluminação, locais para carregar veículos elétricos e sensores de qualidade de ar. 

Outro ponto essencial para o destaque que a cidade obtém como smart city é a elaboração de plataformas online, como o London Datastore, que promove maior participação cidadã, permitindo com que qualquer indivíduo possa acessar e acompanhar a elaboração de projetos. Dito isso, é essencial para uma cidade inteligente promover a aproximação dos cidadãos à cidade e incentivar que os espaços urbanos sejam ocupados e vivenciados por aqueles que residem no espaço.

Esse é justamente o ponto de destaque de Londres: a cidade não incentiva a construção de projetos voltados apenas ao embelezamento da cidade, ou apenas a sua conectividade, visto que esses não são práticos para quem habita aquele espaço diariamente. Os projetos voltados para o desenvolvimento de smart cities dentro da cidade estão muito voltados para a participação e centralização dos cidadãos, tornando esses uma parte ativa na construção da cidade. 

A lição que as cidades brasileiras podem levar de Londres é precisamente a criação de planos e estratégias voltadas para a necessidade dos cidadãos. Uma smart city não é necessariamente uma cidade tecnológica, mas sim uma cidade que consegue englobar suas diferentes áreas de maneira inteligente e tem como principal foco melhorar o espaço urbano para aqueles que o ocupam.   

Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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