DESENVOLVIMENTO DE NOVAS TECNOLOGIAS E A EXPANSÃO DE CIDADES CONECTADAS

Em entrevista exclusiva, o Diretor Sênior de Setor Público da Oracle Brasil, Rodrigo Solon, explica como empresas de tecnologia auxiliam no desenvolvimento de cidades inteligentes

Cada vez mais, novas tecnologias assumem um papel essencial no cotidiano das pessoas e as cidades vão se tornando cada vez mais conectadas. Com o coronavírus e as medidas de isolamento social, o processo de digitalização de serviços se intensificou e o desenvolvimento de hardware, softwares e de banco de dados se tornaram essenciais para garantir as atividades no modelo a ‘distância’.

O Connected Smart Cities entrevistou o Diretor Sênior de Setor Público da Oracle Brasil, Rodrigo Solon, para entender qual papel empresas de tecnologia e informática exercem em tornar as cidades brasileiras mais  digitais. Confira a entrevista na íntegra abaixo: 

Como o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para a criação e comercialização de hardware, softwares e de banco de dados auxilia na construção de smart cities?

O desenvolvimento de novas tecnologias, sejam elas hardwares ou softwares está totalmente ligado à construção de cidades inteligentes. Por exemplo, podemos fortalecer a segurança nacional por meio da análise de dados biométricos, preservando a privacidade e os direitos individuais; ou entender como a água flui nas tubulações da cidade usando sensores e soluções de internet das coisas (Internet of Things, em inglês – IoT) e ir muito além para obter padrões de comportamento que antecipem inundações ou identifiquem áreas de alto risco de criminalidade..

Qual o papel que as novas tecnologias tiveram em auxiliar o funcionamento de cidades e empresas durante a pandemia e como adaptar serviços já existentes para essa nova realidade? Como vem sendo o trabalho da Oracle no contexto da Covid-19? Que ferramentas a companhia tem empregado nesse sentido?

A tecnologia está intrínseca na adaptação das cidades e das empresas à nova realidade. Exemplo disso é o rastreamento de bilhões de pessoas em todo o mundo. A partir de softwares de dispositivos Android e iOS, é possível registrar constantemente se outro aparelho está próximo e, assim mapear a rede de pessoas que esteve em contato recente com um infectado e tomar medidas de isolamento impedindo a propagação. Na educação, podemos citar os milhões de alunos que estão estudando via aulas online. Os pagamentos por aproximação também estão entre as tecnologias que ganharam força nesse momento. No âmbito do trabalho, podemos citar a cloud, que possibilita milhares de empresas colocar todas as suas equipes em regime de home office. Esses são alguns dos inúmeros exemplos que podemos citar.

No que tange a pandemia, nós doamos capacidade de processamento de supercomputadores em nuvem para o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Com isso, esperamos apoiar um projeto da plataforma “Rede Vírus”, iniciativa do MCTIC, através de uma combinação de técnicas computacionais de acoplamento molecular e dinâmica molecular, validado por ensaios in vitro, permitindo selecionar compostos potencialmente interagentes, minimizando a ocorrência de acertos de compostos falso-positivos. A computação de alto desempenho baseada em CPU e GPU é essencial para acelerar essas pesquisas para fornecer compostos que podem representar tratamentos potenciais contra infecções por SARS-CoV-2. Os resultados da pesquisa impactarão a saúde pública na população brasileira.

No âmbito global, a Oracle disponibilizou de forma gratuita para todos seus clientes da sua plataforma de Gestão de Capital Humano (HCM – Human Capital Managment), o módulo de Segurança e Saúde para Força de Trabalho (Workforce Health and Safety), para que as organizações possam gerenciar o risco de exposição dos seus funcionários ao vírus bem como reportar eventuais incidentes e acompanhamento de ações corretivas.

Com o aperfeiçoamento de tecnologias, como IoT e Big Data, existe também um debate acerca do direito à privacidade e como implementar medidas que garantam essa dentro desse setor. Como garantir a implementação dessas novas tecnologias em smart cities ao mesmo tempo garantindo a privacidade dos cidadãos?

Um exemplo bem comum do uso dessas tecnologias nas smart cities é a utilização do big data e o IOT pela segurança pública. Por meio deles, é possível mapear ocorrências de criminalidade por área, dia e horário, acompanhar em tempo real vias e espaços públicos por meio de câmeras e buscar informações sobre indivíduos e veículos recorrendo à bancos de dados de diferentes locais. O serviço pode ser extremamente eficiente no combate ao crime, entretanto, ainda há ressalvas. A tecnologia de reconhecimento facial, que acabou ficando mais em pauta agora, em decorrência dos protestos antirracistas que estão acontecendo em todo o mundo, mas principalmente nos EUA, já identificou cidadãos por engano. Deste modo, acredito que a privacidade da população é um trabalho feito em conjunto pelo setor público e as empresas de tecnologia..

Quando o assunto é armazenamento de dados, “o Poder Público deve assegurar a segurança daquele dado, bem como deverá se ater à finalidade específica para a qual o dado foi obtido”, ou seja, não basta coletar de forma responsável, é necessário se preocupar com a segurança dos dados armazenados, quem terá acesso a esses dados e para qual finalidade a informação será utilizado. Vale lembrar que em muitos casos há uma anonimização dos dados, ou seja, não existe o uso personificado do dado. Eles são utilizados sem que haja um identificação do cidadão, como por exemplo, no índice de isolamento social. Não se identifica o usuário, mas sim o comportamento do aparelho celular com base nos sinais do GPS. Por isso, políticas de classificação de dados são importantes para que se possa fazer o uso correto do dado para o fim que ele será empregado. Já no que diz respeito às empresas que criam essas tecnologias, é necessário cada vez mais buscar por ferramentas ainda mais seguras, que evitem a invasão de criminosos. Contudo, por mais que existam tecnologia que mitiguem o risco da quebra de privacidade, não podemos esquecer que a maior vulnerabilidade ainda está no ser humano. A engenharia social para obtenção de dados sigilosos ainda é muito utilizada e por muitas vezes é muito mais fácil do que a quebra de um sistema eletrônico de segurança. Nesse sentido, tecnologias autônomas que reduzem a interação humana na manipulação de informações se mostram as mais adequadas. Atenta a essa necessidade, a Oracle vem investindo fortemente no desenvolvimento de produtos autônomos como Banco de Dados e Sistema Operacional Autônomos, reduzindo o risco relacionado a falhas humanos e uso indevido na manipulação de dados.

Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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