COMO SÃO PAULO TEM MUDADO A ÓTICA SOBRE O PLANEJAMENTO URBANO?

Os desafios que a grande metrópole enfrenta para se tornar mais acessível e por qual razão, mesmo tendo diversos problemas de mobilidade, é um exemplo mundial a ser seguido

Contando com 7.943,82 km² de área territorial e 39 municípios, a Grande São Paulo é considerada um dos principais centros de negócios do mundo, sendo responsável pelo deslocamento de quase 8 milhões de pessoas que cruzam diariamente os 365 quilômetros de extensão do Metrô e os sistemas da CPTM, na Região Metropolitana de São Paulo.

Em 2019, O Ranking Connected Smart Cities, desenvolvido pela Urban Systems em parceria com a Necta, definiu São Paulo como a cidade com melhor mobilidade e acessibilidade do país, sendo que um dos elementos chaves para esse resultado foi a quilometragem de ciclovias. Mesmo com todos os problemas que a grande capital enfrenta diariamente, devido ao grande fluxo de indivíduos que cruzam a cidade, existe cada vez mais um cuidado com o cidadão essencial para entender o sucesso da abordagem que São Paulo tem com o seu planeamento urbano.

Um dos principais desafios de uma região com essa magnitude é a de garantir a mobilidade cotidiana. Só na cidade de São Paulo existem 8 milhões de veículos, sendo 83% na modalidade individual e apenas 0,5% de veículos coletivos. Nesse sentido, o desafio se torna cada vez mais pensar na mobilidade urbana com o objetivo de organizar um espaço público voltado para os pedestres.

O crescimento da frota de carros tem consequências para o cenário do espaço urbano, sendo que é cada vez mais comum ver nas grandes cidades vias alargadas e, consequentemente, calçadas diminuídas e imensas áreas destinadas para estacionamento e árvores suprimidas. Historicamente, a trajetória do desenvolvimento urbano normalmente priorizou os automóveis e deixou as pessoas como coadjuvantes, o que resultou em cidades com um espaço público que não foi criado para a circulação de pedestres.  E o resultado é um trânsito caótico devido a imensa circulação de automóveis.

Os problemas da mobilidade urbana são, portanto, consequência de décadas de planejamentos voltados para veículos e que necessitam de alterações culturais expressivas para um futuro sem congestionamentos. Contudo, existe cada vez mais um movimento de mudança quando se trata de mobilidade urbana, que é priorizar as pessoas que circulam nesse espaço.

A constante busca de melhorias para o transporte público de São Paulo em conjunto com a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que conta com o desenvolvimento de ações como: o Programa Ruas Abertas, a redução de velocidade nas vias e a abertura de ciclovias. Essas ações são parte da mudança no caráter de como se pensar soluções para a mobilidade urbana, de maneira que o seu planejamento esteja voltado para o elemento mais vulnerável do processo: o pedestre.

Com a chegada do coronavírus, as medidas de isolamento social são mais complicadas em grandes metrópoles como a cidade de São Paulo, sendo que o transporte coletivo exerce um papel fundamental para a contenção do vírus: de acordo com o depoimento do prefeito Bruno Covas dado para o portal de notícias R7,  “A capital não é uma ilha como a Nova Zelândia. Não somos isolados do mundo. Nossa região metropolitana é interdependente e nossas ruas se misturam. São 1.746 ruas que começam numa cidade e terminam em outra. Não há divisas. Temos que organizar isso juntos”

Ainda, com os serviços essenciais funcionando, muitos trabalhadores continuaram a rotina de trabalho e fotos que circulam nas redes sociais mostram o transporte público lotado. Se a mobilidade urbana já era um desafio sem a pandemia, agora, mais que nunca, gestores públicos devem entender como deslocar esses trabalhadores sem expor a população ao risco do contágio. 

Além do uso obrigatório de máscaras, a Secretaria de Mobilidade e Transportes e a SPTrans determinaram que os terminais de ônibus devem contar com marcações no chão para delimitar espaço nas filas e evitar aglomerações. Além disso, a SPTrans disponibiliza equipes de campo para monitorar a movimentação de passageiros durante o período de quarentena para garantir a segurança e auxiliar na tomada de decisão. 

RANKING CONNECTED SMART CITIES

São Paulo se manteve na primeira posição no recorde de mobilidade e acessibilidade do Ranking Connected Smart Cities desde 2015, sendo que esse resultado deve-se principalmente à conexão interestadual e conexão aeroviária (Congonhas e proximidade a Guarulhos) e a quilometragem de ciclovias- a cidade possui 504,0 km de vias com tratamento cicloviário permanente, sendo 473,7km de ciclofaixas e 30,3km de ciclorrotas.

Outros indicadores que compõe o Ranking são as Conexões Rodoviárias entre estados, % de veículos de baixa emissão, Idade Média de Frota de Veículos, relação entre Automóveis e Habitantes e Relação entre Ônibus e Automóveis, além de mortes no trânsito.  

Entenda mais sobre o Ranking Connected Smart Cities e confira mais resultados aqui.

CURIOSIDADE SOBRE A CIDADE DE SÃO PAULO

O lema da cidade presente em seu brasão oficial é Non ducor, duco: “Não sou conduzido, conduzo”.  

A frase representa o espírito da cidade paulista que é popularmente conhecida pelo seu espírito empreendedor e pelos seus cidadãos que constantemente parecem apressados para chegarem em seus destinos. Como fruto disso, a mobilidade exerce um papel essencial no cotidiano da cidade que está constantemente em movimento.

RADAR CSC

São Paulo firmou uma parceria para desenvolver a “Vale do Silício” brasileira. No final de 2019, o governador de São Paulo, João Dória, foi ao Vale do Silício na Califórnia para uma reunião com a Singularity University, com quem firmou parceria para que no início do ano de 2020, fosse construído um campus da empresa no CITI (Centro Internacional de Tecnologia e Informação), a “Vale do Silício brasileira”. A Singularity University é exemplo de empresa de tecnologia nos Estados Unidos.

Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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