RANKING CONNECTED SMART CITIES: O DESENVOLVIMENTO DE CT&I NA CIDADE DE CAMPINAS

A importância da presença de universidades, parques científicos e tecnológicos e institutos de pesquisa para que Campinas pudesse se tornar a cidade mais inteligente do Brasil, em 2019, de acordo com o Ranking Connected Smart Cities.

Cada vez mais aumenta a preocupação em relação a capacidade de instituições acadêmicas quanto geração de novos empreendimentos que possam converter o conhecimento acadêmico produzido em negócios, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento socioeconômico. Nesse contexto, a Universidade tem um papel estratégico na consolidação da produção do conhecimento voltada às necessidades e oportunidades do mercado.

Foi principalmente a partir da década de 1990 que teve início a uma tática em que a universidade passava a ser um agente ativo no processo de inovação. Com a região de Silicon Valley se transformando em referência na criação de novas tecnologias, um crescente número de estudantes universitários no mundo inteiro tem buscado capital, por meio de acordos com empresas, se tornando gestores de seus planos de negócios. A Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) também não ficou atrás, nessa mesma década e nas seguintes várias empresas na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) foram criadas a partir de iniciativas de seus estudantes, se transformando hoje em empresas de sucesso, como por exemplo a Movile, a CI&T, a Matera, a Dextra e várias outras.

A  UNICAMP sempre buscou o desenvolvimento de cursos que cooperassem para o desenvolvimento de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação). Inspirada no Parque de Stanford no Silicon Valley, a Universidade criou um Parque Científico e Tecnológico, localizado no seu campus universitário e, como consequência, concentra cada vez mais o conhecimento voltado para o benefício da Região Metropolitana de Campinas.

O desenvolvimento desse parque foi feito a partir da Inova-Unicamp, a Agência de Inovação da Universidade, que facilitou o diálogo entre universidades e empresas. Como resultado da iniciativa, a Região Metropolitana de Campinas se tornou referência para a indústria de tecnologia de ponta, desenvolvida em centros de P&D, que estão constantemente se beneficiando desses centros universitários e de pesquisa.

Com a crise do coronavírus, Campinas passou a ter uma das menores taxas de letalidade, tendo um índice menor que o do Estado de São Paulo e do Brasil. Parte do sucesso da cidade em combater o vírus está no desenvolvimento de novas tecnologias por esses centros universitários e de pesquisa, que desenvolveram mecanismos como o “Mapeamento das Populações mais Vulneráveis ao Coronavírus e das Áreas de Risco de Campinas”.  O mapeamento foi realizado por Pesquisadores do Núcleo de Estudos de População (Nepo) e pela Universidade Estadual de Campinas, possibilitando o auxílio para gestores públicos e empresas a auxiliarem o combate do vírus na área social. 

O Senado aprovou no início da pandemia a produção de equipamentos e materiais como máscaras, álcool gel e até respiradores, pelas instituições públicas de ensino. Com isso, cidades como Campinas, em que existe uma maior infraestrutura para essas instituições, acabam tendo menores taxas de letalidade e uma maior resiliência para lidar com a crise.

Além de se beneficiar de polos universitários, como a Unicamp e a Pontifícia Universidade Católica, Campinas também se beneficia de uma localização favorável. O seu espaço metropolitano oferece economias de aglomeração e sua região industrial gera uma facilidade logística e de distribuição. Além dessas inciativas Campinas abriga mais de duas dezenas de instituições de pesquisa em várias áreas do conhecimento. Uma que se destaca é o Centro Nacional de Pesquisa de Materiais (CMPEM), onde se localiza o SIRIUS, o mais avançado laboratório de pesquisa de sua área no mundo, colocando Campinas e o Brasil na vanguarda da pesquisa de ponta em novos materiais.

Em 2019, a cidade de Campinas foi a primeira colocada no Ranking Connected Smart Cities, que tem como objetivo mapear as cidades brasileiras com o maior potencial de desenvolvimento. A cidade foi destaque no eixo de Economia, Tecnologia e Inovação (1° lugar) e Empreendedorismo (2° lugar), o que evidencia os esforços dos últimos anos na implantação de políticas públicas, planos e projetos que fomentem a busca de conhecimento e inovação.

Nesse cenário, as universidades, os parques científicos e tecnológicos e os institutos de pesquisa na Cidade de Campinas têm se provado empreendimentos que possibilitam o maior desenvolvimento econômico e tem consolidado a região como modelo de polo de CT&I no mundo.

CONHEÇA O RANKING CONNECTED SMART CITIES

O Ranking Connected Smart Cities, foi elaborado em 2015 pela Urban Systems em parceria com a Necta, com o objetivo de reconhecer as cidades do Brasil com grande potencial de desenvolvimento, com mais de 50 mil habitantes, em diversas categorias e que podem se tornar uma cidade inteligente, de acordo com a sua classificação. 

Essa qualificação é feita a partir de 11 eixos temáticos: tecnologia e inovação, mobilidade, empreendedorismo, governança, segurança, urbanismo, meio ambiente, economia, energia, saúde e educação. E 70 indicadores, entre alguns deles estão: automóveis por habitantes, monitoramento de áreas de riscos, despesas com educação, empregabilidade e etc.

A cidade de Campinas se destaca na primeira posição do recorte de Tecnologia e Inovação por possuir 45,7% das conexões de fibra ótica com velocidade superior a 34mbs, ter um quarto dos empregos ocupados por profissionais com ensino médio, possuir 29 ligações de internet para cada 100 habitantes, apresentar 21,9 depósitos de patentes por 100 mil habitantes, além de contar com ambientes de inovação (5 parques tecnológicos e 5 incubadoras de empresa) e apresentar 4,9 de crescimento do número de empresas de tecnologia, mesmo em período de crise econômica.

O Ranking Connected Smart Cities já teve 5 edições e, constantemente passa por adaptações, sempre acompanhando o desenvolvimento do país em questões como urbanização e economia. O Ranking está transformando o modo como as cidades funcionam no Brasil, incentivando a serem mais inteligentes e conectadas umas com as outras. Entenda mais sobre o Ranking Connected Smart Cities e confira mais resultados aqui.

CURIOSIDADE SOBRE CAMPINAS

Você sabia que Campinas é muito maior que vários países pelo mundo? Com 794 km², ela ultrapassa Singapura, que possui 618 km²; Malta, com 316 km²; Maldivas, com 298 km²; Barbados, com 430 km² e cerca de mais 16 países, que ficam no Oriente Médio, na Europa, na Ásia, na Oceania e na América do Norte.

Além disso, você sabia que 9,4% dos empregos formais de Campinas estão nos setores de educação e pesquisa e desenvolvimento? Isso demonstra que a cidade está focada no desenvolvimento de conhecimento, inovação e tecnologias para melhorar a cidade e inovar em muitos mercados.

RADAR CSC

Quer conhecer algumas das iniciativas da cidade de Campinas que vai impulsionar o desenvolvimento de cidades inteligentes?

“A Informática de Municípios Associados (IMA) vai construir a sua nova sede no Polo de Alta de Tecnologia de Campinas, conhecido como POLO I da antiga CIATEC, que foi incorporado recentemente pela IMA. O projeto prevê a construção da sede própria da empresa até o final de 2020 e incentivos fiscais para atrair startups e multinacionais que, juntamente com algumas secretarias públicas e a Central Integrada de Monitoramento de Campinas (CIMCamp), devem ocupar uma área de aproximadamente 300 mil metros quadrados”. (CORREIO, 2019).

Outra ação de destaque é a criação do Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável (HIDS). Uma inciativa que será desenvolvida em uma área adquirida pela UNICAMP anexa ao seu campus. O HIDS faz parte do POLO II de alta Tecnologia de Campinas, vizinho à Unicamp e a PUC Campinas, onde se localizam o CNPEM, CPqD, Instituto Venturus, Data Center do Santander, uma unidade da Cargill e outros atores relevantes. A criação do HIDS impactará também no desenvolvimento do POLO II, que poderá atingir no futuro uma área total de mais 20 quilômetros quadrados, concentrando em um mesmo local empresas, universidades, centros de P&D, moradias, serviços e lazer.

A IMA também irá expandir a rede de wi-fi para mais 20 locais, a fibra óptica irá aumentar de velocidade e serão instalados equipamentos mais modernos. Ou seja, Campinas, além de ser referência na economia, governança, empreendedorismo, também é referência em tecnologia, buscando sempre trazer benefícios e inclusão para todas os cidadãos campineiros.

Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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