DEMOCRACIA DIGITAL

Com a popularização de novas tecnologias que aproximam o gestor público do cidadão, o debate sobre novas maneiras de tornar a democracia cada vez mais participativa nunca foi tão latente

COMO TUDO COMEÇOU

Foi na Grécia Antiga, durante o século V a.C, que o primeiro governo democrático foi estabelecido. Apesar do regime ser popular, o nome democracia foi dado pelos opositores desse regime: “cracia”, da palavra grega kratos, significa força violenta e “demos” faz referência às pessoas “sem posses”, já que grande parte da população livre e politicamente ativa não fazia parte da oligarquia e nem dos militares. 

A democracia nasceu quando homens livres que não faziam parte da elite grega passaram a ter direito à cidadania. Ao contrário do que muitos pensam, o modelo político sofreu muitas críticas na época e foi alvo duros comentários dos principais pensadores do período, Platão e Aristóteles. Apesar de um início turbulento, esse modelo foi se aprimorando ao longo dos anos e passou a ser valorizado pela preocupação ao coletivo e sistema de justiça: com o passar dos anos, diversos pensadores contribuíram para o que posteriormente ficou conhecido como democracia clássica e, atualmente, grande parte dos sistemas políticos são baseados na ideologia dessa concepção. 

Com o desenvolvimento de sociedades cada vez mais numerosas e complexas, a participação direta dos cidadãos passou a ser substituída por um sistema centralizado de administração. Os Estados Modernos, reconhecendo a inviabilidade de organizar e coordenar um sistema que todos os cidadãos participassem diretamente das decisões, acabou por se configurar através de eleições populares para a escolha de governantes.

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A QUEDA DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA

Não faz tanto tempo que era preciso esperar o horário do jornal para se informar sobre o que estava acontecendo no campo político do país. Com sistemas cada vez mais complexos de representação, a ideia de governança foi se distanciando do seu principal agente: o cidadão. 

No Brasil, o modelo de democracia representativa acabou se distanciando do cidadão por excessivos processos de burocratização do sistema político e distanciamento dos interesses sociais. Neste sentido, com a falta de espaço dentro da esfera pública para a atuação dos cidadãos, a população passou a desacreditar nos seus governantes. Tudo isso influenciou em uma ruptura na relação da população com o seu direito à cidadania, sendo que essa brecha abriu espaço para desinteresse público e aumento da corrupção. 

Com a popularização de aparelhos televisivos, ficou mais fácil para a população acompanhar os debates políticos e a tomada de decisões, mas ainda assim o espaço oferecido por esse canal era muito restrito e a polarização da compra de horários televisivos por partidos com mais dinheiro limitava o recebimento de informações ao cidadão. 

Foi só no início deste século, com a difusão da internet e criação de redes sociais, que os impactos dessa tecnologia causaram uma reviravolta nas relações humanas e criaram um novo espaço de representação política. 

DEMOCRACIA DIGITAL 

Se antes existia uma disputa por tempo na televisão, agora essa disputa é por seguidores. Cada vez mais, as redes sociais ocupam um espaço importante na vida dos cidadãos: através dessas é possível acompanhar notícias em tempo real, se posicionar, organizar manifestações e tudo com uma facilidade inconcebível à 20 anos atrás. 

Com esse novo espaço de discussão política, a ideia grega de “virtude cívica”, ou seja, a participação dos cidadãos para a administração das cidades, se tornou pauta no que diz respeito à administração pública. Diferentes atores passaram a trabalhar soluções inteligentes e tecnológicas para incorporar a necessidade cada vez maior de participação política da população. 

Além disso, empresas e startups passaram a ocupar um papel essencial na administração pública: as redes sociais permitem que os problemas de uma cidade sejam cada vez mais evidenciados, permitindo com que esses agentes passem também a pensar em soluções e consigam colocar medidas em práticas. 

É um fato de que a implementação dessas novas tecnologias podem apoiar o governo na administração de recursos e planejamento urbano, o que gera economia e desenvolvimento de cidades cada vez mais inteligentes. Nunca foi tão essencial criar mecanismos para aproximar a população de seus governantes e restabelecer a ideia de que ser cidadão é ser parte essencial para o funcionamento e manutenção das cidades. 

O Connected Smart Cities vai realizar uma série de matérias, vídeos e podcasts que tem como objetivo entender o papel que essas novas tecnologias exercem para a construção de cidades inteligentes.

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Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito
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