A MOBILIDADE URBANA PÓS CORONAVÍRUS

Quais são as mudanças que a pandemia está trazendo que podem continuar depois do fim da crise e como isso pode mudar a maneira com que as pessoas se locomovem pelas cidades

Parece que foi ontem em que as principais reivindicações frente ao transporte público eram referentes à falta de frota necessária para o atendimento da população. A realidade pós-coronavírus é justamente o oposto: parte dos Estados brasileiros reduziram a frota por falta de passageiros e todas as entidades sentiram uma diminuição drástica no uso do transporte público. 

Os sistemas de transporte municipais do país podem entrar em colapso: a Associação Nacional de Empresas de Transporte Urbano (NTU), o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana e a Associação Nacional de Transportes Públicos já alertaram o Ministério da Economia e pedem um valor mensal de R$ 2,5  bilhões para conseguir manter o salário dos funcionários e comprar combustível. 

A mobilidade é um dos principais pilares de uma cidade inteligente e é preciso entender a como se adaptar às mudanças. Com todas as oscilações causadas pelo período de quarentena, o Connected Smart Cities mapeou algumas que podem permanecer pós-crise e podem levar à mudanças na maneira como os cidadãos se locomovem pela cidade: 

CONSUMO DE PRODUTOS PELA INTERNET

Segundo o levantamento da Ebit/Nielsen, o e-commerce cresceu 18,5% durante a primeira semana de abril. Com as medidas de isolamento impostas pela Estado, muitos consumidores buscaram alternativas online para a compra de produtos- que podem ir desde alimentos até eletrodomésticos. 

Com a facilidade de se comprar produtos pela internet através de aplicativos e a comodidade que essas ferramentas oferecem, muitas pessoas podem optar a continuar utilizando da tecnologia para realizar as compras. Com a demanda de serviços online, muitos comércios e lojas físicas podem fechar e a tendência é que cada vez tudo fique mais online.

HOME OFFICE

A quarentena também mudou a maneira como muitas pessoas se relacionam com o trabalho: de acordo com o estudo desenvolvido pelo coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da Fundação Getúlio Vargas, André Miceli, o aumento do trabalho remoto pode ser de até 30% depois da crise do coronavírus. 

Com a adoção do home office por cada vez mais empresas, a tendência é de uma diminuição no fluxo de carros e uma redução na frota do transporte público. Wolnei Ferreira, diretor executivo da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades (Sobratt), aponta que os levantamentos feitos pela entidade mostram um aumento na produtividade e também no grau de confiança entre as duas partes, já que os gestores não precisam mais supervisionar os seus funcionários para ter produtividade. 

Ao que tudo indica, muitas empresas vão continuar com as práticas do home office para a diminuição de gastos mesmo após o coronavírus. Contudo, a prática é também fruto do crescimento da terceirização e do trabalho informal no Brasil e exige cautela: é preciso garantir que o crescimento nos trabalhos remotos não signifique uma maior precarização no trabalho. 

ENSINO À DISTÂNCIA

O tema é polêmico e tem gerado debate: o Ensino à Distância (EAD), que já era implementado em alguns cursos superiores e de graduação no país, se tornou a principal solução para a continuação das aulas para grande parte das instituições de ensino. É possível que algumas escolas e universidades continuem com a prática pós-pandemia, já que essa é uma forma de redução de custos e também possui algumas algumas facilidades de acessibilidade para professores e alunos.  

Contudo, essa é outra medida que exige precauções: o Connected Smart Cities expôs os riscos que a EAD pode ter em aumentar as desigualdades sociais em um país. Dentro da realidade brasileira, muitos estudantes e até professores e instituições não possuem acesso aos equipamentos necessários e rede de internet para realizar atividades remotas. 

Entendendo que a educação é uma importante ferramenta que o Estado tem para a manutenção das desigualdades, é preciso ter cuidado em excluir a população mais pobre do acesso à educação se tais práticas forem adotadas. 

Qual a sua opinião?

A tendência de realizar atividades em casa pode significar uma diminuição de veículos na rua e o acesso a um transporte público que não é lotado, o que, como consequência, resulta em uma cidade menos poluída e mais inteligente. A nova forma de lidar com a realidade significa, contudo, a quebra de muitos paradigmas e mudanças estruturais profundas.

Você acha que depois do coronavírus a realidade do transporte será diferente?


Beatriz Faria
Especialista em Conteúdo da Necta - Conexões com Propósito

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