spot_img
HomeEIXOS TEMÁTICOSTecnologiaInovação no setor público não se anuncia, se executa

Inovação no setor público não se anuncia, se executa

Marco Antonio Zanatta
Marco Antonio Zanatta
Arquiteto, fundador e CEO da Aprova, a suíte de soluções que moderniza a gestão pública, agiliza o atendimento ao cidadão e já ancorou a economia de R$ 50 milhões em cidades brasileiras. Em 2022 captou a maior rodada de investimentos em uma govtech na América Latina, liderada pela Astella, Banco do Brasil, Vox Capital, CAF e Endeavor. UX (User Experience), especialista em Processos Industriais e Regulamentos, gerência Estratégia, Vendas e Relações com Investidores. Foi presidente do Comitê de Desburocratização do Sinduscon Paraná-Oeste e atuou como arquiteto Sênior na Aba Arquitetura e Construções por quase cinco anos. Possui MBA em Construções Sustentáveis, Ciência e Tecnologia da Arquitetura na Universidade Cidade de São Paulo, foi aluno no programa de extensão em Arquitetura da Temple University na Filadélfia e obteve graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Assis Gurgacz, no Paraná.

Já não basta ter um bom plano. A inovação pública mudou de fase: o que separa uma cidade excelente de uma apenas promissora é a capacidade de execução.

Ipatinga, acabou de provar isso ao conquistar a Medalha Pan-Americana da Inovação com apenas três meses de projeto em produção.

Não foi sorte. Foi método.

Durante anos, o debate sobre cidades inteligentes girou em torno de orçamentos vultosos, editais intermináveis e pilotos que nunca saíram do papel.

Conferências internacionais premiavam apresentações bonitas e promessas bem diagramadas. O critério implícito era: quanto maior a ambição declarada, mais inovadora a cidade.

Esse tempo acabou.

A virada se chama execução e resultado. E a cidade mineira acaba de dar uma aula sobre o assunto.

Há 90 dias, a Prefeitura de Ipatinga colocava em implantação a BB Governo Digital, plataforma que digitalizou e automatizou integralmente os processos administrativos do município.

No início de janeiro nós falamos sobre isso aqui no portal. Lembro que ainda perguntei: O que você entregou nos primeiros 20 dias do ano? No ato do lançamento, a gente já sabia que os resultados chegariam rápido.

Enquanto muitas cidades ainda discutiam qual software comprar ou qual secretaria seria a primeira a testar um piloto, Ipatinga já havia eliminado o papel, rastreado 15 mil processos e economizado R$ 3 milhões em menos de três meses.

O reconhecimento pelos resultados veio na forma de prêmio, a Medalha Pan-americana, entregue durante o Fórum Pan-americano de Inovação na Expo BH 2026.

E mais: a confirmação da conquista de mais uma medalha, que será entregue em evento na cidade de Boston, nos Estados Unidos, em reconhecimento pelo projeto de transformação.

Foto: Enviada por Marco Zanatta

Mas o prêmio não é o principal. O ponto é o que ele representa: o reconhecimento internacional de que executar rápido e bem é, hoje, o principal critério de excelência na gestão pública.

E aqui cabe uma provocação direta aos gestores que ainda travam na fase de planejamento.

  • Quantos projetos inovadores sua cidade lançou nos últimos 12 meses?
  • Quantos deles saíram do PowerPoint?
  • E, mais importante: em quanto tempo eles entregaram resultados mensuráveis para o cidadão?

A resposta, na maioria dos casos, é constrangedora.

O que Ipatinga fez foi simples no conceito e brutal na execução: pegou uma plataforma pronta, com inteligência artificial e rastreabilidade, e colocou para funcionar em escala.

Não inventou a roda. Não esperou o cenário perfeito. Não criou uma comissão para estudar o que já estava estudado.

Ela apenas fez.

O prêmio pan-americano coroa exatamente essa atitude. Os avaliadores não escolheram o projeto mais caro, nem o mais futurista. Escolheram aquele que já estava entregando resultado enquanto os outros ainda escreviam o edital.

O recado para o mercado e para o setor público é inequívoco: a era dos anúncios sem entrega acabou. A inovação que importa é a que o cidadão sente no bolso e no tempo perdido – ou ganho.

Da próxima vez que alguém lhe apresentar um “projeto inovador”, faça uma única pergunta: em quantos meses isso entrega resultado?

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Artigos relacionados
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img

Mais vistos

Marco Antonio Zanatta
Marco Antonio Zanatta
Arquiteto, fundador e CEO da Aprova, a suíte de soluções que moderniza a gestão pública, agiliza o atendimento ao cidadão e já ancorou a economia de R$ 50 milhões em cidades brasileiras. Em 2022 captou a maior rodada de investimentos em uma govtech na América Latina, liderada pela Astella, Banco do Brasil, Vox Capital, CAF e Endeavor. UX (User Experience), especialista em Processos Industriais e Regulamentos, gerência Estratégia, Vendas e Relações com Investidores. Foi presidente do Comitê de Desburocratização do Sinduscon Paraná-Oeste e atuou como arquiteto Sênior na Aba Arquitetura e Construções por quase cinco anos. Possui MBA em Construções Sustentáveis, Ciência e Tecnologia da Arquitetura na Universidade Cidade de São Paulo, foi aluno no programa de extensão em Arquitetura da Temple University na Filadélfia e obteve graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Assis Gurgacz, no Paraná.