Encontro debate avanços regulatórios, segurança jurídica e sustentabilidade dos projetos que devem orientar o novo ciclo de investimentos em infraestrutura no país
São Paulo, 24 de fevereiro de 2026 – Reunindo autoridades públicas, investidores, operadores, agentes financeiros, reguladores e especialistas responsáveis pela estruturação dos principais projetos de infraestrutura do país, o P3C 2026 – PPPs e Concessões: Investimentos em Infraestrutura no Brasil consolidou-se, em sua quinta edição, como um dos principais ambientes de articulação e debate sobre o futuro das parcerias entre iniciativa privada e poder público.
Pela abrangência temática e pluralidade de participantes, o evento funciona como ponto de convergência das discussões voltadas ao aprimoramento do marco regulatório, à evolução das modelagens econômico-financeiras e ao fortalecimento das PPPs como instrumento capaz de ampliar a eficiência dos serviços públicos e gerar benefícios diretos à sociedade.
A programação reuniu mais de 150 painéis dedicados à discussão das PPPs e concessões em diferentes frentes, que vão da infraestrutura e educação às cidades inteligentes, transportes de passageiros e cargas, cibersegurança e modelagem econômico-financeira.
Segundo Paula Faria, CEO da Necta, idealizadora do P3C, organizado em conjunto com a B3, o escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e o Estadão, o encontro cumpre o papel de ampliar o diálogo sobre os mecanismos necessários para destravar investimentos e aumentar a previsibilidade dos projetos. “O evento promove reflexões sobre temas críticos para o avanço das PPPs e concessões, como segurança jurídica, governança, estruturação financeira e estabilidade regulatória, elementos fundamentais para proteger o valor dos contratos e garantir a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura”, afirmou.
Para Maurício Portugal, sócio do Portugal Ribeiro & Jordão Advogados, o avanço das PPPs no país reflete a maturidade institucional alcançada nas últimas décadas. “O desafio agora é alcançarmos um ritmo de contratações que permita elevar os investimentos em infraestrutura para patamares próximos de 4% do PIB. O desenvolvimento desse setor está diretamente ligado à competitividade econômica e à qualidade de vida da população”, afirmou.
O CEO do Estadão, Erick Bretas, destacou o papel da comunicação na consolidação do ambiente de concessões no país. “Levar à sociedade o debate sobre infraestrutura contribui para ampliar a compreensão sobre a importância das PPPs e sobre os ganhos de eficiência e qualidade proporcionados por esses modelos”, afirmou.
Representando o mercado de capitais, o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, ressaltou que o avanço das concessões depende de projetos bem estruturados e previsibilidade regulatória, fatores essenciais para ampliar a participação do investimento privado na infraestrutura brasileira.
A gerente-geral da Unidade Estratégia Governo do Banco do Brasil, Michele Alencar Teixeira, destacou que iniciativas voltadas à qualificação dos projetos contribuem para ampliar a capacidade de financiamento e fortalecer o ambiente de investimentos em infraestrutura no país.
Segundo Willian Rigon, sócio-diretor de Novos Negócios da Necta, o P3C cumpre papel relevante ao reunir, em um mesmo ambiente, formuladores de políticas públicas, investidores e operadores responsáveis pela implementação dos projetos. “A qualidade do diálogo entre setor público e iniciativa privada é determinante para a evolução das concessões e para a entrega de serviços mais eficientes à sociedade”, afirmou.
Nova certificação qualifica projetos de concessões e PPPs
Uma das grandes novidades desta edição foi o lançamento da Certificação de Projetos de Concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs), iniciativa da Plataforma P3C, com apoio estratégico da B3 e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A certificação foi concebida como um mecanismo independente de avaliação destinado a reconhecer projetos que adotem melhores práticas de planejamento, modelagem econômico-financeira, governança contratual e sustentabilidade.
O objetivo é qualificar projetos antes de sua ida ao mercado, reduzindo assimetrias de informação, aumentando a previsibilidade regulatória e fortalecendo a confiança de investidores, financiadores e órgãos de controle — fatores considerados determinantes para a atração de capital privado e a redução do custo de financiamento das concessões.
Viabilidade e eficiência
Entre os painéis realizados, um deles abordou como a retomada dos investimentos no setor aéreo e o avanço da aviação regional pressionam o Brasil a se preparar para um novo ciclo de concessões aeroportuárias voltado à ampliação da conectividade e da eficiência operacional. O debate tratou da sustentabilidade econômica dos projetos e de sua atratividade para investidores, além de desafios relacionados ao financiamento, integração logística e modernização tecnológica.
A mediação foi conduzida por Mariana Menezes, gerente jurídica regulatória da ABR Aeroportos do Brasil, que questionou os elementos essenciais para ampliar o interesse do investidor e o posicionamento da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) diante do novo ciclo de concessões.
O diretor-presidente da ANAC, Thiago Faierstein, destacou a relevância estratégica da aviação regional para o desenvolvimento econômico. “Em todo o mundo, a participação do Estado no setor aeroportuário regional é importante, principalmente onde não há atratividade para o setor privado”, afirmou. Segundo ele, o principal desafio brasileiro está na estabilidade institucional. “No Brasil não falta mercado, mas sim um ambiente tributário, regulatório e jurídico estável para atrair mais investidores.”
Para Thiago Nykiel, diretor-executivo da Infraway, o setor aeroportuário brasileiro passou por profunda transformação nas últimas décadas. Atualmente, mais de 92% dos passageiros utilizam aeroportos concedidos. “Suprimos a ineficiência do setor com um modelo de gestão técnica e racional. Hoje, o foco está na busca por investimentos sustentáveis, com o setor privado atuando onde há potencial de crescimento”, afirmou.
Já Osmar Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, ressaltou o papel dos aeroportos regionais como ativos estruturantes para o desenvolvimento local. “O aeroporto deve ser entendido como vetor de negócios e instrumento de desenvolvimento municipal, gerando emprego e renda para as regiões”, disse.
IA, IoT, Free Flow e conectividade nas concessões
A transformação digital aplicada à infraestrutura também foi destaque nos debates. Um painel dedicado às novas tecnologias abordou como a integração entre Internet das Coisas (IoT), conectividade e sistemas automáticos de pagamento, como o Free Flow, vem redefinindo a gestão das concessões rodoviárias.
A diretora do Smart Campus Facens, Regiane Romano, classificou a IoT como a terceira grande era da computação. “Ao longo dos últimos 30 anos acompanhamos a evolução até a construção do Plano Nacional de IoT, que busca promover competitividade econômica e melhoria da qualidade de vida. Na mobilidade, essas tecnologias já são aplicadas de forma estruturante”, afirmou.
Apresentando experiências práticas, André Kazuo Silva, gerente de Tecnologia, Sistemas e ITS do Grupo Way, destacou projetos implementados em rodovias de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. “Aplicamos conectividade 4G, fibra óptica, câmeras inteligentes e comunicação via satélite. O impacto vai além da rodovia, refletindo diretamente na economia regional”, explicou.
Também participante do debate, Redson Gonçalves, da Superintendência de Projetos de Rodovias da Infra S.A., ressaltou que o ciclo recente de leilões rodoviários — com 22 certames realizados desde 2023 — tem impulsionado a entrada de novos operadores e tecnologias. “Precisamos avançar na interoperabilidade entre sistemas antigos e modernos, na proteção de dados e na confiabilidade dos sistemas de cobrança, fatores que tendem a estimular a evolução regulatória”, afirmou.
Diálogos P3C & Estadão
Entre as novidades desta edição esteve o Diálogos P3C & Estadão, iniciativa que promove entrevistas ao vivo entre autoridades públicas e CEOs de empresas estratégicas, conectando visões de governo e mercado sobre cenário econômico, regulação, investimentos e prioridades para o setor.
Com programação abrangente, o P3C 2026 reforça sua posição como espaço de referência para o debate qualificado sobre PPPs e concessões no Brasil, fortalecendo a relação entre iniciativa privada e poder público em um ambiente pautado por transparência, governança e geração de negócios.
Nova edição do Prêmio P3C
A programação incluiu ainda a nova edição do Prêmio P3C, consolidado como uma das principais iniciativas de reconhecimento do mercado de PPPs e concessões no país. A premiação destacou projetos, instituições e profissionais com atuação relevante na estruturação, financiamento, regulação e operação de ativos de infraestrutura, considerando critérios técnicos e impactos econômicos, sociais e ambientais.
Próxima edição
P3C 2027 – PPPs e Concessões – Investimentos em Infraestrutura no Brasil
📅 16 e 17 de fevereiro de 2027
📍 Centro de Convenções Frei Caneca – São Paulo (SP)
🔗 https://evento.p3c.com.br/
Fotos edição 2026: Clique aqui





