Janeiro costuma ser tratado como um mês de retomada. Ajustam-se agendas, revisam-se planos e alinham-se expectativas.
No setor público, esse movimento é comum e, até certo ponto, necessário. O problema surge quando o planejamento ocupa todo o espaço e a execução sempre fica para depois.
Os primeiros dias do ano dizem muito sobre uma gestão porque revelam se as decisões já estavam tomadas ou se ainda estavam sendo adiadas. Quando janeiro vira apenas um mês de organização, o ano começa atrasado.
Por isso, a pergunta faz sentido: o que foi entregue, de fato, nos primeiros 20 dias do ano?
Gestões que executam cedo mostram que o planejamento aconteceu antes. Elas não discutem mais se vão avançar. Apenas colocam em prática o que já foi decidido. Foi exatamente esse movimento que Ipatinga fez ao iniciar 2026.
Ainda nos primeiros dias do ano, o município mineiro se tornou a primeira cidade do Brasil a operar a BB Governo Digital, colocando em ação uma nova forma de relacionamento entre prefeitura, servidores e cidadãos.

Não foi um anúncio simbólico. Foi execução.
A decisão de lançar a BB Governo Digital logo no início do ano revela maturidade administrativa. Mostra que a transformação digital não entrou como um projeto paralelo, mas como uma política de gestão integrada, pensada para gerar impacto real na rotina da administração.
Os números ajudam a entender essa escolha. Com a digitização dos processos, Ipatinga projeta uma economia de cerca de R$ 3 milhões por ano e deixa de consumir 42 toneladas de papel nos setores da administração pública. Além disso, etapas manuais que antes travavam o fluxo interno deixam de existir.
Processos que levavam de 5 a 20 dias apenas para circular fisicamente entre setores passam, com a BB Governo Digital, a tramitar em poucas horas e, em alguns casos, em minutos.
Esses dados não falam apenas de tecnologia. Falam de eficiência administrativa, sustentabilidade e responsabilidade com o recurso público.
Ipatinga não esperou o ano engrenar para agir. A gestão entrou em janeiro com decisões tomadas e estrutura pronta para avançar.
Esse movimento reforça uma ideia simples, mas muitas vezes ignorada: governo digital não começa quando o sistema é lançado, mas quando a decisão por implantar deixa de ser adiada.
As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC.

Arquiteto, fundador e CEO da Aprova, a suíte de soluções que moderniza a gestão pública, agiliza o atendimento ao cidadão e já ancorou a economia de R$ 50 milhões em cidades brasileiras. Em 2022 captou a maior rodada de investimentos em uma govtech na América Latina, liderada pela Astella, Banco do Brasil, Vox Capital, CAF e Endeavor. UX (User Experience), especialista em Processos Industriais e Regulamentos, gerência Estratégia, Vendas e Relações com Investidores. Foi presidente do Comitê de Desburocratização do Sinduscon Paraná-Oeste e atuou como arquiteto Sênior na Aba Arquitetura e Construções por quase cinco anos. Possui MBA em Construções Sustentáveis, Ciência e Tecnologia da Arquitetura na Universidade Cidade de São Paulo, foi aluno no programa de extensão em Arquitetura da Temple University na Filadélfia e obteve graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Assis Gurgacz, no Paraná.






