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Tsunami meteorológico que atingiu a Argentina pode se repetir no Brasil?

O fenômeno raro que deixou mortos e feridos no litoral argentino levantou dúvidas sobre os riscos de um tsunami meteorológico atingir o Brasil. Especialistas explicam que não há ameaça imediata, mas alertam para condições específicas nas quais o evento pode ocorrer.

O que é o tsunami meteorológico

  • Fenômeno é provocado por variações rápidas da pressão atmosférica e por ventos intensos sobre o oceano. Segundo a meteorologista Andrea Ramos, consultora da Fedo Rio Grande do Sul, quando essa perturbação — conhecida como tsunami meteorológico, ou meteotsunami — se combina com condições oceânicas favoráveis, o mar pode avançar de forma súbita e perigosa sobre a costa. “Ele pode se comportar como um mini-tsunami, com recuo rápido da água seguido por um avanço violento, diferente da ressaca comum, que é mais gradual e previsível”.
  • O tsunami meteorológico é provocado por sistemas atmosféricos, diferentemente dos tsunamis sísmicos. Ramos explica que tsunamis sísmicos são causados por abalos submarinos e podem gerar ondas de dezenas de metros, algo considerado improvável no Brasil, que está localizado no centro da Placa Sul-Americana, longe de zonas de subducção.
  • O recuo repentino do mar é um dos sinais clássicos de alerta. A meteorologista afirma que esse comportamento ocorre porque a dinâmica da onda ou a queda súbita da pressão atmosférica “puxa” a água da faixa de areia antes do retorno brusco. “Esse recuo rápido da linha d’água é um comportamento típico e deve ser encarado como sinal de risco imediato”.

Pode acontecer no Brasil?

  • O tsunami meteorológico ocorrido na Argentina não representa risco direto de atingir o litoral brasileiro. O meteorologista Micael Amore Cecchini, professor doutor do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP, explica que o fenômeno depende de uma tempestade local e de uma conjunção muito específica de fatores. “Esse tipo de evento não viaja milhares de quilômetros mantendo intensidade, porque depende da atuação local da frente fria ou do ciclone extratropical que o gerou”.
  • Meteotsunamis são raros no Brasil, mas podem ocorrer em condições atmosféricas específicas. Ramos afirma que o fenômeno pode surgir durante a passagem de frentes frias intensas ou ciclones extratropicais próximos à costa, especialmente no Sul, onde a plataforma continental larga e rasa favorece a amplificação das ondas.
  • Há registros documentados desse tipo de evento no litoral sul brasileiro. Casos como os registrados em Jaguaruna, em 2024, Laguna, em 2023, Rincão, em 2020, e Araranguá/Rincão, em 2016, resultaram em carros arrastados, estruturas danificadas e pânico entre frequentadores das praias.

Classificação como ressaca

  • Durante décadas, episódios assim foram classificados apenas como ressaca. Cecchini explica que, para quem está na praia, é praticamente impossível distinguir um meteotsunami no momento em que ocorre, já que os efeitos podem ser sentidos mesmo quando a frente fria ainda está distante. “Essa diferenciação só costuma ser feita depois, com análise de dados meteorológicos, satélite e monitoramento do nível do mar”.
  • A previsão de tsunamis meteorológicos ainda é limitada pelo curto tempo entre a detecção e o impacto na costa. Os modelos conseguem identificar a formação e o deslocamento de frentes frias, mas podem errar intensidade ou posição em eventos muito atípicos, e a janela entre a detecção da anomalia e a chegada da onda à praia costuma ser de poucos minutos.
  • A intensificação dos eventos extremos pode elevar a probabilidade do fenômeno. Ramos relaciona o aquecimento dos oceanos ao aumento da energia disponível para tempestades, enquanto Cecchini ressalta que o meteotsunami faz parte de um cenário mais amplo de aumento da frequência de extremos meteorológicos.
  • O principal alerta para a população é observar o comportamento do mar. Cecchini destaca que o “recuo anomalamente rápido do nível do mar” deve ser encarado como sinal para sair imediatamente da faixa de areia, independentemente da causa.

Fenômeno na Argentina

  • Uma onda repentina associada a um tsunami meteorológico atingiu praias da província de Buenos Aires e deixou uma pessoa morta, além de dezenas de feridos. O episódio ocorreu na segunda-feira (12), após um dia de calor intenso e surpreendeu banhistas com o recuo súbito do mar seguido por um avanço violento da água sobre a orla.
  • Medições em portos da região registraram variações bruscas no nível do mar em poucos minutos. O fenômeno foi associado à passagem de um sistema atmosférico instável sobre o oceano.

Fonte: UOL

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