A dois dias do início do tarifaço, o governo e o Congresso buscam soluções para frear a medida, enquanto o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aumenta o foco em atrapalhar a negociação entre Brasil e Estados Unidos.
O que aconteceu
- As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros entram em vigor na sexta-feira, segundo o governo americano. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) está à frente de negociações com os EUA. Ele tem conversado com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
- Na tarde de ontem, Alckmin se reuniu com representantes da Meta, Google, Amazon e Visa. As decisões judiciais do STF contra as big techs estão entre os motivos citados por Trump para sobretaxar o Brasil. O vice-presidente propôs a criação de uma mesa de trabalho para discutir o ambiente regulatório, inovação tecnológica, oportunidade econômica e segurança jurídica.
- “Estamos trabalhando para que a diminuição da alíquota seja para todos [os setores]”, disse Alckmin após a reunião. Horas antes, Lutnick disse que Donald Trump considera aplicar tarifa zero para alimentos que não são produzidos nos Estados Unidos, como café, manga, abacaxi e cacau.
- Enquanto isso, o governo elabora um plano de contingência para lidar com os impactos negativos das tarifas e segurar empregos. A proposta foi elaborada pelos ministérios da Fazenda, da Indústria e das Relações Exteriores e entregue a Lula.
- O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o Brasil não vai deixar a mesa de negociação. Segundo ele, Lula só deve bater o martelo sobre as medidas após a publicação da ordem executiva de Trump.
- Apesar disso, ainda não há previsão de uma conversa entre Lula e Trump. Fontes do Itamaraty e do Planalto descartaram a possibilidade de um telefonema se “o assunto Jair Bolsonaro estiver à mesa”, conforme apurou a colunista do UOL Mariana Sanches. Os dois ainda não se falaram desde que o republicano foi eleito.
Congresso x Eduardo Bolsonaro
- Uma comitiva de oito senadores está nos EUA desde o fim de semana para tentar negociar. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), porém, disse abertamente que trabalha para que eles não encontrem diálogo e que a missão “está fadada ao fracasso”.
- Senadores enfrentam dificuldades. Eles se reuniram com senadores de oposição a Trump e com empresários americanos. Na tarde de ontem, também se encontraram com dois parlamentares republicanos, mas não foram recebidos por nenhum membro do alto escalão do governo Trump.
- Eduardo agiu para barrar agendas. O deputado ligou para os gabinetes dos senadores norte-americanos para dizer que o grupo de brasileiros era “golpista” e “não representava e nem falava pelo Brasil”, como mostrou a colunista Mariana Sanches. Ele conseguiu impedir o encontro da comitiva com o senadores republicanos Rick Scott, da Flórida, e Ted Cruz, do Texas.
- Nas redes sociais, o filho do ex-presidente subiu o tom até mesmo contra aliados. Ele insiste que a única solução para o tarifaço é a anistia a seu pai ou uma mudança nos rumos do julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. “Todos que ignoram o conteúdo político do problema dão razão a Lula e contribuem para o prolongamento deste impasse”, disse ontem em post no X.
- O senador Nelsinho Trad, que lidera a comitiva nos EUA, disse ontem que é necessário “pelo menos tentar fazer alguma coisa” em relação às tarifas. “Essa é uma situação muito ruim tanto para os Estados Unidos quanto para o Brasil”, disse em entrevista à Globonews.
- O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também falou do assunto Em discurso ontem na ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra, defendeu a lei de reciprocidade para responder a “práticas discriminatórias” em relação a produtos brasileiros.
- Enquanto isso, Eduardo articula por mais sanções. O filho do ex-presidente defende a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes, que prevê, entre outras medidas, o congelamento de contas no sistema financeiro dos EUA e o bloqueio de bens em solo americano.
Fonte: UOL
