spot_img
HomeEIXOS TEMÁTICOSTecnologiaLetramento Digital: da Alfabetização à Fluência em Dados

Letramento Digital: da Alfabetização à Fluência em Dados

Cesar Ripari
Cesar Ripari
Colíder do Comitê de Inteligência e Governança de Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). Diretor sênior de pré-vendas na Qlik para a América Latina, lidera equipes de arquitetura de soluções em business intelligence (BI), integração e qualidade de dados. Responsável por iniciativas regionais de alfabetização de dados (Data Literacy) e pelo programa acadêmico da Qlik, ampliando o acesso a universidades, professores, pesquisadores e alunos. Atuou como Chief Technology Officer (CTO) na DXC Technology e em áreas de serviço e suporte na Software AG, BMC e IBM. Graduado em Ciência da Computação, com pós-graduação em Administração Financeira e MBA em Gestão de Negócios Integrados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

27 de março — Dia do Letramento Digital

“Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião”. Essa frase, do genial William Edwards Deming, professor, estatístico e consultor norte-americano, considerado um dos papas da gestão da qualidade, está sempre na abertura das minhas apresentações e palestras. Ela causa uma mistura de sentimentos – desde um certo desconforto até mesmo a sensação de ter assistido a uma aula de gestão em uma frase.

Mas, por que é tão difícil tomar uma decisão baseada em dados? Em uma primeira análise, precisamos saber se temos os dados corretos, se confiamos naquela informação que está em nossas mãos. Se sim, avançamos para a próxima etapa, que é analisar esses dados. E é aí que a grande maioria dos tomadores de decisão enfrenta problemas, pois ainda vivemos em uma era de analfabetismo em dados. Na pesquisa Data Literacy: The Upskilling Evolution1, encomendada pela Ǫlik e conduzida pela Censuswide, alguns pontos ficaram bastante claros:

  • 45% dos executivos C-Level afirmam que frequentemente usam a intuição em vez dos dados para a tomada de decisão;
  • 89% dos executivos C-Level esperam que suas equipes sejam capazes de explicar como os dados definiram suas decisões;
  • 85% dos executivos C-Level acreditam que ser literado(a) em dados é tão vital quanto usar um computador;

E o mais alarmante:

  • Apenas 11% dos colaboradores se sentem confortáveis nas habilidades de ler, trabalhar, analisar e se comunicar com dados.

Considerando que a nossa vida é orientada a dados e tomamos decisões a todo momento, o que realmente norteia nossas decisões? Vivemos em uma era em que decisões sobre crédito, saúde, mobilidade, segurança, investimentos, entre outros temas, são mediadas por algoritmos. A Inteligência Artificial já escreve textos, sugere estratégias, antecipa riscos e influencia mercados. Nesse cenário, saber usar tecnologia deixou de ser diferencial — tornou-se requisito mínimo.

Durante muitos anos, letramento digital significava saber operar um computador, navegar na internet ou utilizar ferramentas básicas. Era uma questão de acesso e uma certa familiaridade.

Hoje, esse conceito evoluiu. Letramento digital envolve:

  • Pensamento crítico diante de informações digitais;
  • Explicar claramente seu raciocínio aos outros;
  • Compreensão básica do funcionamento de algoritmos;
  • Consciência sobre segurança e privacidade – dados pessoais e organizacionais;
  • Capacidade de interpretar e analisar os dados, questionar fontes;
  • Entendimento do funcionamento e limites da IA.

Como alerta o Fórum Econômico Mundial no Future of Jobs Report 20252, habilidades analíticas, literacia tecnológica e pensamento crítico estão entre as competências mais demandadas no mercado global atual. Assim, não basta consumir informação – é preciso entendê-la e questioná-la. E quando se fala em alfabetização e fluência em dados, não é esperado que sejamos todos cientistas de dados ou especialistas no assunto. Mas que possamos ter o entendimento básico para visualizar um gráfico e entender o que ele mostra (e o que não mostra); saber validar quais indicadores estão sendo considerados; verificar vieses; entender e questionar a amostra (conjunto de dados) e como está representada no gráfico; distinguir uma correlação de uma causalidade.

Embora possa parecer complexo, com estudo e seguindo a metodologia correta, essas barreiras são facilmente superadas. Se tomarmos um exemplo simples do nosso dia-a-dia corporativo, um(a) analista financeiro(a), ao receber um relatório com gráficos demonstrando a evolução e crescimento das vendas ao longo dos últimos meses pode:

  • sem fluência em dados, confiar nesse resultado e comemorar o crescimento; Ou
  • com fluência em dados, avaliar as fontes dessa informação, o período avaliado, sazonalidades, qual a escala utilizada nos gráficos, uso de dados externos (públicos) ou ainda, a contribuição de modelos de IA para análise.

Dessa forma, a tomada de decisão passa a ser muito mais precisa e assertiva, minimizando erros e principalmente trazendo confiança para a análise.

E voltando ao objetivo principal desse artigo, que é refletirmos sobre o letramento digital no seu dia, devemos nos atentar que, mais do que uma data, é um chamamento à ação. Jordan Morrow3, um dos pioneiros no assunto, em seu primeiro livro Be Data Literate (2021) afirma que “Alfabetização em Dados não é uma habilidade técnica – é uma habilidade humana”. Assim, é importante refletirmos que esse assunto não deve ser tratado pelas organizações como um problema de tecnologia. É um assunto comportamental e demanda que as pessoas busquem por esse conhecimento.

A próxima geração de líderes não será a que domina mais ferramentas. Será a que pensa melhor com dados. E você, está preparado(a) para liderar o mundo com dados?

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal CSC

Artigos relacionados
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img
- Advertisment -spot_img

Mais vistos

Cesar Ripari
Cesar Ripari
Colíder do Comitê de Inteligência e Governança de Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). Diretor sênior de pré-vendas na Qlik para a América Latina, lidera equipes de arquitetura de soluções em business intelligence (BI), integração e qualidade de dados. Responsável por iniciativas regionais de alfabetização de dados (Data Literacy) e pelo programa acadêmico da Qlik, ampliando o acesso a universidades, professores, pesquisadores e alunos. Atuou como Chief Technology Officer (CTO) na DXC Technology e em áreas de serviço e suporte na Software AG, BMC e IBM. Graduado em Ciência da Computação, com pós-graduação em Administração Financeira e MBA em Gestão de Negócios Integrados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).